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Category: Dom Lourenço Fleichman, OSBConteúdo sindicalizado

A bofetada

Um filme, um evento, um impressionante acontecimento que sacode o mundo e que nos faz pensar num caleidoscópio de nuances e cores variadas. Hoje eu queria lhes falar deste filme como numa conversa. Amanhã estaremos reunidos para conferências e exposições mais aprimoradas, mais estudadas, de modo a tirarmos o melhor proveito para a nossa Semana Santa, para as nossas almas.
 
Hoje eu queria apenas comentar o que temos lido e ouvido para já irmos entendendo um pouco mais sobre este terremoto.
 
Consideremos, antes de mais nada, que o filme A Paixão de Cristo, de Mel Gibson, ecoa como um brado ensurdecedor, como um grito da humanidade que já não agüenta mais viver nesta mortal indiferença diante do Sangue derramado por Nosso Senhor para nos salvar. Basta! Chega!
 
E de onde vem este brado, de onde nos chegam estes ecos? Do mais mundano lugar da terra; da pátria do cinema pornográfico, do cinema revolucionário, principalmente do cinema milionário que paga para ter todos os pecados e assim beber o sangue dos inocentes; do campo de sangue da violência brutal, gratuita e agitadora das almas. É da usina construída para decompor a família, a boa conduta, a honestidade e a decência que se lança um grito que alcança os confins da terra. E se este trovão atravessa a terra, se este relâmpago é "visto de oriente a ocidente" , não podemos dizer que ele seja um gemido insignificante. Ele tem volume, ele tem peso, ele tem autoridade.
 
Autoridade de quem sabe o que é cinema; peso de quem é consagrado nas telas; volume de quem pôs a mão no bolso para pagar a conta! Forte dessas prerrogativas este homem venceu as montanhas do ódio, da calúnia, do desprezo, abrindo passagem como outrora o próprio Cristo abriu no meio dos fariseus que não ousaram por as mãos sobre Ele; forte da simplicidade do pobre, da sensatez do sábio, da esperteza da serpente, este homem do mundo mundano gritou e disse: "esta é a minha fé; nisso eu acredito"... "por nossos pecados, pelos pecados de todos nós é que Jesus sofreu tal martírio... a mão que segura o cravo, na hora da crucifixão é a minha própria mão, para mostrar que eu me ponho em primeiro lugar como culpado da morte de Cristo".
 
E enquanto estas coisas eram ditas, enquanto o mundo pasmava diante desse testemunho de fé, aqui ao nosso lado, aos pés do Cristo Redentor do Corcovado, milhares de mundanos do mundo pagão, do mundo podre, desfilava e dançava na festa da carne, da bestialidade, dos gestos obscenos, para aplauso do mundo inteiro: "o maior espetáculo da terra", anunciam os marqueteiros do pecado. E chegam ao Rio milhares e milhares de turistas para pagar a conta do sonho da orgia.
 
Só este contraste já seria suficiente para nos fazer pensar e meditar: o planeta inteiro esquecido do Sangue de Jesus, dançando e cantando como no tempo da Arca de Noé.... e o corajoso filme sacudindo o mundo para lhes mostrar....
 
Para mostrar o quê?
 
É aí que está o mais surpreendente: para mostrar que Cristo morreu por nós e que nós devemos pensar nisso, devemos nos lembrar sempre, que estamos na Quaresma e no tempo da Paixão para que ao menos durante seis semanas estes acontecimentos de dois mil anos espetem nosso coração com a lança, machuquem nosso corpo como o de Jesus flagelado, atravessem a nossa carne que ainda sacode no gozo do pecado, como os cravos atravessaram o corpo virginal do Salvador.
 
Mas esse anúncio vigoroso da Quaresma, do jejum, da penitência, não tinha que partir de outras pessoas? Onde estão os bispos católicos que já não ensinam mais que se não morrermos com Cristo não seremos ressuscitados com Ele? O que fazem estes modernos doutrinadores de um evangelho adocicado, esmaecido, afeminado? Ah! sim. Estão reunidos num Concílio, já tinha esquecido. Estão perdidos no tempo e no espaço, vagando pelas ilusões de um falso cristianismo onde tudo é amor mesmo sem ordem, tudo é perdão, mesmo sem arrependimento; onde todos já estão salvos, sabendo ou não, querendo ou não. Vivem dessa ilusão com os homens de toda a terra já completamente entorpecidos por um século de liberdades e liberalidades. Tudo pode, o homem é livre e nada há que o possa impedir de fazer o que ele quer. Nada há que limite sua vontade todo-poderosa. Nem o pai, nem a pátria, nem Deus.
 
Ei-los, os bispos, aqueles que deveriam ser os sucessores dos Apóstolos, que enchem a boca para pregar a Nova Religião de Vaticano II. Eis a ridícula imagem que lhes resta viver quando do fim do mundo, do fundo do poço ressoa um grito que atinge em cheio o seu rosto. Uma bofetada!
 
É assim que eu defino este filme, A Paixão de Cristo. Uma real bofetada em muita gente:
 
Você quer carnaval? - slapch! Veja a carne rasgada pela flagelação!
Você quer sexo seguro? - slapch! Olhe bem para o rosto desta Virgem Dolorosa!
Você quer missa-refeição? - slapch!! Veja a Cruz levantada, o Coração aberto, o Sangue e a água!

Você quer ecumenismo? - slapch! slapch! Veja, aprenda que só a Cruz de Jesus pode congregar todos os povos e todas as línguas numa única fé, num único rebanho. Aceite esta lição vinda de um homem simples, comum, do cinema, do fundo do poço. Só a verdadeira fé católica é caminho de salvação e as falsas religiões são obra do demônio.
 
Ah! O sagrado chicote com que Jesus expulsou os vendilhões do templo foi posto nas mãos de um homem comum para esbofetear estes falsos levitas. São eles os maiores incriminados pela Paixão de Cristo. São as autoridades que vivem de Vaticano II que há quarenta anos falsificam e desfiguram a Esposa de Cristo.
 
Não, os incriminados não são os judeus. Os judeus de hoje só receberam do filme uma mensagem de verdadeiro amor fraterno; mensagem vinda dos irmãos que abriram a alma à Fé no Messias, Jesus Cristo, nosso Deus Encarnado, e que na oração que brota da fé esperam com sinceridade o retorno do filho pródigo, o retorno do filho mais velho para a Casa do Pai, o retorno de Esaú vindo encontrar-se com Jacó (Gênesis, 32).
 
 

"Onde encontraremos pão para tanta gente?"

As portas se abriram e a luz de Jesus Cristo ressuscitado penetrou no templo novo e belo, na nossa igreja de Nossa Senhora da Conceição. As trevas em que estava mergulhada a igreja foram recebendo os primeiros raios de luz dessa Páscoa. O leve silêncio da noite que reinava sobre os bancos, sobre as colunas foi ouvindo um canto, vindo, vindo lá de baixo, dos graves, subindo até alcançar a plenitude da contemplação: Lumen Christi – Deo gratias. 

Todos os anos nós assistimos a esta mesma cerimônia e todo ano ela é nova e respinga de frescor e primavera. Hoje ela é ainda mais nova pois é a primeira na nova igreja.

Todas as cerimônias foram marcadas por esta circunstância que poderíamos chamar de “inauguração” ou talvez “invenção”, termo usado na liturgia para a festa da descoberta da Santa Cruz, por Santa Helena. Invenção de Cristo! Nós o achamos, nós o “descobrimos” pois “ele estava morto e voltou à vida, estava perdido e foi encontrado”. Por isso tocamos os órgãos e cantamos os cânticos e nos alegramos e dizemos: Allelúia. 

As coisas estavam tão cheias da presença de Nosso Senhor, as cerimônias ganharam um esplendor que não conhecíamos na nossa saudosa capelinha provisória, montada no salão da casa paroquial até novembro passado. Os meninos vieram e dedicaram-se, nestes quatro dias, a arrumar, limpar, dar brilho, ensaiar. Souberam entregar-se a um esporte que já não atrai mais os seus companheiros de escola. A Santa Liturgia.

Queríamos fazer tudo ficar bonito e brilhante; eles se entusiasmaram com a idéia de ir buscar um tronco de eucalipto para fincar na frente da igreja, e nele fixar um holofote que seria aceso no momento do Glória da missa, iluminando os vitrais do altar, no meio da noite... O beata nox, havia cantado o celebrante no Exultet. E esses meninos a tornaram mais bela, mais abençoada, pelos gestos, pelo cuidado na preparação, tão necessários para que um padre solitário possa celebrar os dias santos com um mínimo de solenidade.

Já na Sexta-feira Santa, no momento em que o canto da Paixão, segundo São João é interrompido pela morte de Nosso Senhor, eles quiseram fazer a prostração juntamente com o padre. Nunca pensamos nisso porque nem havia espaço, lá em baixo. Mas o nosso presbitério, hoje, é vasto o suficiente para que tudo se faça com a dignidade exigida. Agora vocês imaginem, estes adolescentes com o rosto em terra em gesto de adoração! Coisas que não se vê muito por aí!

Os fiéis, por sua vez, corresponderam também, pela presença eficaz, principalmente na Sexta-feira, quando havia mais de 200 pessoas. Muitas confissões, todos procurando seguir no seu missal os principais acontecimentos que a Liturgia nos faz reviver nesses dias santos.

Na sexta-feira, o sacrário é deixado vazio, depois da comunhão. Nosso Senhor está morto, nós o adoramos pregado na Santa Cruz, mas não o temos conosco. É o luto e a dor pela morte de Cristo. No sábado, o dia todo passado sem ofícios litúrgicos, significando o silêncio do sepulcro, por detrás da pesada pedra que o fechava. E à noite, o Círio, a Luz, o Exultet, como descrevemos acima.

Pois foi exatamente dentro deste contexto espiritual, com as almas vivendo intensamente estes momentos, esta ausência dEle, que ouviu-se (quase) como que um grito de surpresa e interrogação. No meio da missa da Vigília Pascal. “Onde encontraremos pão para saciar tanta gente?”

No momento em que o sacerdote terminava a sua comunhão, deu-se conta que a âmbula, com as hóstias para a comunhão dos fiéis ficara na credência, ou seja, na mesinha onde ficam os objetos usados na missa. Não haviam sido consagradas! Não havia hóstias para distribuir a comunhão. Passados os primeiros momentos de perplexidade, ele virou-se para os fiéis e explicou a situação, convidando a todos a que voltassem à missa no Domingo de Páscoa para comungar.

E assim se fez.

Mas esse convite não foi suficiente para diminuir o constrangimento que isso causou nos nossos acólitos, nesses rapazes dedicados, que tanto trabalharam para oferecer a mais bela de todas as nossas Semanas Santas. Para eles foi um choque. Sentiram-se responsáveis pela falta e esmagados pela confusão, sendo preciso que muitos viessem consolá-los depois da missa.

Foi assim que Nosso Senhor nos deu uma boa lição nesta primeira Páscoa na nossa nova igreja. Ele nos mostrou que todo o lindo aparato litúrgico que conseguimos desenvolver, de nada valia, se nossas atenções não estivessem voltadas para o essencial: a sua presença simples e suave, real e terrível, milagrosa e eficaz, na Sagrada Hóstia, pela Transubstanciação do pão e do vinho no seu Corpo e no seu Sangue.

No dia em que Jesus se escondeu de nós e não veio nos visitar em sua Páscoa, compreendemos melhor o quanto ele nos faz falta e quanto devemos dar a Ele para poder dEle receber a Vida, a sua Vida Divina que do seu trono sagrado ele nos transmite, pela fé e pela caridade de Deus.

Aprendemos que devemos nos preparar sempre e sempre para comungar todos os dias e que não podemos deixar com que a rotina diminua o nosso amor e o temor pela Presença real de Jesus na Sagrada Hóstia.

E esta pequena história eu quis contar para todos, dedicando-a a todas as almas espalhadas pelo nosso Brasil e pelo mundo, que não têm onde comungar numa missa verdadeiramente católica; que são obrigados muitas vezes a suportar o vazio espiritual de tantos padres imbuídos do espírito de Vaticano II e que já não sabem mais o que é uma missa verdadeira.

No Domingo de Páscoa, enfim, nosso doce e bom Jesus apareceu novamente sobre nosso altar de pedra. E para marcar este reencontro, pela primeira vez tocamos o nosso sino “grande” na Consagração, como sinal desta comunhão pascal, desta comunhão eterna,  que dedicamos aos nossos irmãos que não puderam comungar nesta Páscoa. Hoje, graças à essa “ausência” do Sábado Santo e a esta “invenção”, esta verdadeira Ressurreição do Domingo de Páscoa,  nós sabemos o que significa não ter onde assistir a Missa Católica. E é por isso gostaria de terminar convidando a todos a preparar suas almas para a Festa de Corpus Christi, a festa do Corpo de Deus, que festejaremos na Quinta-feira 30 de maio, às 10:00 da manhã.

E é assim que podemos hoje desejar a todos Feliz Páscoa. Como  no Natal, não é a Páscoa do comércio, dos ovos de chocolate, mas Jesus Cristo Ressuscitado, este Jesus que aprendemos a amar na nossa Semana Santa e que se dá a nós todos os dias na Sagrada Comunhão.

A luz do Natal

Dom Lourenço Fleichman OSB

A Missa do Galo, a missa da meia-noite, a Missa da escuridão. Noite escura. Quantos significados tem para a alma esta expressão, esta realidade.

No princípio a terra estava vazia e informe e as trevas cobriam a face do abismo (Gn, 1)

As trevas da noite que são as trevas da alma, que também nasce na escuridão do pecado.

As trevas da noite que são também as trevas da Fé, pois o mistério é uma grande escuridão, vivida por tantos santos no grande sofrimento da ausência do Amado. La noche obscura, escreveu S. João da Cruz. Noite de grandes purificações espirituais que nos leva mais adiante no caminho da santidade e do amor de Deus.

E Deus disse: faça-se a luz!(Gn, 1)

No meio da noite as trevas desapareceram, fez-se luz, o ser amado pelo Criador emerge da noite para banhar-se no Sol divino.

Vejam o que diz a poetisa francesa, tão profunda que seus escritos são verdadeiras meditações:

·  «O Espírito do Mal, Lúcifer, chama-se Luz. E a Árvore do Bem e do Mal chama-se Ciência, que significa também Luz. Como se houvesse na Luz um perigo mortal para o Anjo e para o Homem. Na ordem material, alguns raios sutis decompõem o corpo, destroem a vida.

·  Em estado puro a Luz mata.

·  Só existe vida, ela só é possível, onde a Luz se atenua e se turva.

·  Só Deus, que é Luz, suporta a sua Luz. Quando Deus criou a Vida, criou a sombra. A sombra é a misericórdia da Luz que se acalma para poupar a criatura. E o mistério é o véu que Deus joga sobre Deus para aliviar o Homem. Pois "aquele que vê a Deus - Luz - deve morrer".

·  No primeiro jardim crescem e se opõem as duas árvores: a Árvore da Vida e a Árvore da Ciência.

·  A Árvore da Vida: Luz de Deus, misturada de sombra, dada como alimento ao homem segundo a capacidade do homem, como o sangue da mãe torna-se leite para a criança. E esta Luz cheia de sombra misericordiosa, este Deus reduzido ao Homem, chama-se Graça.

·  E a Árvore da Ciência?..."Colha o fruto, roubem a luz, sereis como Deus..." (Gn,3)

·  E morrereis». (Marie-Nöel)

Que visão, que inspiração teve esta mulher em 1933! E quando pensamos que a civilização moderna nos séculos de Revolução, era "iluminada", buscando a luz da Ciência. E a contemporânea busca a luz da matéria para criar um mundo ótico e virtual onde tudo é luz....e morrereis!

Ó Deus, onde está a Árvore da Vida, que escondestes de nossos primeiros pais, no Paraíso perdido? Qual o caminho que a espada de fogo do Arcanjo fecha até que venha o Desejado das Colinas Eternas

«No Princípio era o Verbo, e o Verbo estava em Deus, e o Verbo era Deus.
Nada do que foi feito foi feito sem Ele.
O que foi feito, Nele era Vida, e a Vida era a Luz dos homens; e a Luz brilha nas Trevas. Et Verbum caro factum est

Esta é a Luz de Deus na misericórdia da sombra, é a união das duas naturezas na mesma Pessoa adorável do Filho. E o lugar onde Ele quis temperar sua Luz inacessível foi numa gruta de Belém, da Cidade do Pão, para que Aquele que é Luz que cega e fogo abrasador descesse até nós na sombra de sua misericórdia, no alimento sagrado, onde não somente ele esconde sua Luz como também nos transforma Nela.

Mas não podemos deixar de considerar que, se a Árvore da Ciência, o toque no relâmpago divino trouxe a morte para Adão e Eva, Deus quis trazer sua sombra até nós através daquela que não tocou na Árvore, que não buscou a Luz proibida, mas escondeu-se na sombra de Deus, na sua humildade, na sua Caridade. Contentou-se com as trevas de sua fraca condição para nos trazer a Salvação. A Virgem Imaculada, Mãe de Deus, Mãe da Luz, água cristalina e pura de onde brota a Árvore da Vida, o Deus humanado.

Nesta Noite de Natal, é assim que a Igreja canta, que a Igreja reza:

«Ó Deus, que fizestes resplandecer esta noite com a claridade da verdadeira Luz, concedei-nos que depois de conhecermos na Terra os mistérios dessa Luz, gozemos também no Céu de suas alegrias».

Os mistérios dessa Luz! Que venha novamente a poetisa completar seu pensamento:«Dei muitas vezes graças a Deus pela Luz! Mas com quanta humildade darei graças pelo Mistério! E com quanta doçura estarei ao abrigo de Deus na sombra de Deus.»

Para todos vocês, da Capela N.Sra da Conceição, da Capela São Miguel e a todos os nossos leitores espalhados pelo Brasil, um santo e feliz Natal. Que ele seja vivido na intensidade das verdades que a Santa Igreja Católica não cessa de nos desvendar, em seus sacramentos, no Batismo de adultos que tivemos em novembro, na Santa Crisma recebida neste mês de dezembro. Na Missa Santa que santifica, Missa de sempre, da Tradição; na Verdade Católica sem medos e sem concessões. E que esses humildes meios que Deus nos deu para nos santificarmos, hoje: um terço, uma Capela, um catecismo semanal, sejam vistos por todos vocês como a maior graça que Deus poderia lhes dar. É a sementinha de mostarda que só crescerá se for exposta à Luz e se for refrescada na sombra.

E que o ano bom traga a doce presença de Jesus nas cruzes de todo o dia.

Feliz Natal

Dom Lourenço Fleichman OSB

O que deve ser o voto de Feliz Natal de um padre, de uma Capela como a nossa a todos os nossos fiéis, a todos os nossos amigos e leitores? É de praxe e de bom tom trocar votos de felicidades nesta data do nascimento do Menino Jesus. E fazemos bem. Pois no fundo de nossas almas paira ainda a teologal esperança que avança sem tréguas em meio ao mar revolto deste mundo. Servirão os votos que damos e recebemos, pois de alguma forma as pessoas precisam da paz natural para viver em sociedade.

Mas é esse lado natural o que me incomoda. E onde está a realidade sobrenatural do Natal? Onde encontraremos, perdidos e abandonados nos cantos das ruas, os santos de outrora, que talvez corressem agitados, preparando tudo, organizando os mínimos detalhes de uma festa sem fim: Et Verbum caro factum est! Pois o Verbo se encarnou e habitou entre nós. O Verbo de Deus, segunda Pessoa da Santíssima Trindade, recebe uma natureza como a nossa para nascer na manjedoura em Belém. E onde estão as almas admiradas e contemplativas para fugir do shopping, largar as bolsas de compras, os presentes dos filhos, o novo celular, e correr desembestado por um estacionamento entupido..... Ah! Ele nasceu, eu vi a estrela, eu vi o Menino. Hosanna in excelsis! Eu vi, eu compreendi o que acontece. Por que não nos dizem isso? Onde estão os padres, onde estão os bispos, onde está o sangue católico, que já não corre nas veias dos homens, para nos dizer, para nos lembrar que o louco não sou eu que corri feito doido largando tudo no chão; os loucos são eles, que estão lá dentro, fazendo compras e mais compras; os doidos são eles, que, mesmo quando criticam o esvaziamento do Natal católico, não param para meditar no Mistério dos mistérios, na candura e inocência, na paz... na paz... Para que foi mesmo que ele nasceu? Para nos trazer a paz...

Não foi isso o que eu vi, não foi isso o que Ele quis me dizer quando me fez mergulhar naquele mundo de silêncio, no meio da multidão que corria agitada atrás das compras, das promoções, da última moda. Não foi isso o que o Príncipe da Paz me disse, quando abri seu Livro Santo e li: "Não vim trazer a paz, mas sim a espada!" Não, ele não veio nos trazer a paz, nesse sentido natural que os homens querem. É isso! Era isso o que me incomodava. Às favas com essa falsa paz de que nos fala o profeta, esse romantismo abusado que usa o Inocente, nosso Deus, para fingir que deseja a paz a todos. Não, não é isso o que eles desejam! O que eles querem é o paraíso na terra, é prolongar a vida até não poder mais, é liberar-se de toda obediência à Verdade Eterna. Pergunte a um deles se querem seguir os ensinamentos da Verdade? Qual Verdade? Eles não querem aquele que é o Caminho, a Verdade e a Vida. Eles querem, exigem, e batem pé: nós queremos a verdade de Pôncio Pilatos! Trata-se da verdade relativa, do liberalismo, de você seguir o que você pensa, autônomo, achando-se adulto, responsável... sem Deus, sem Cristo, sem a Igreja! Depois vêm me cantar musiquinhas bonitinhas na televisão para fazer chorar de emoção numa confraternização universal. Chega disso!

Por favor, não venham me dizer que é preciso esquecer certos acontecimentos, e deixar de lado as convicções, pois é noite de Natal. Acho que esse argumento pode ser válido para muitas ocasiões e para muitos natais. Mas se a causa de tantos desastres e tragédias está justamente no esquecimento de Jesus, no abandono da Criança de Belém, como não pensar nisso tudo? Se hoje a Argentina vive um Natal terrível e amanhã qualquer país o poderá viver também; se hoje aviões são lançados sobre prédios porque os loucos assassinos querem matar todos aqueles que não pensam como eles. Se tudo isso acontece porque o Rei Pacífico não tem direito de reinar sobre as nações, então essa paz e essa felicidade que eles desejam é de uma hipocrisia total!

E no entanto... E no entanto há lugar para a Paz, desde que não seja a paz dos jornais. Há lugar para cantar, numa noite de Natal, um cântico novo ao nosso Deus, ao Menino-Deus, desde que nossos olhos sejam olhos de filhos, puros e espirituais. Desde que nossas almas sedentas saibam dobrar os joelhos e rezar no silêncio da noite: Venite adoremus! vinde, adoremos a Criança, Jesus nosso Deus e Salvador, que nasceu hoje para morrer amanhã, para nos dar seu Sangue, para nos dar sua vida. Há lugar para desejar, ao menos para desejar, que o Rei da Paz seja o chefe das nações, o chefe de nossa Pátria; que ela se dobre diante do seu cetro e se deixe governar por seu Evangelho e por sua Igreja.

Então, sim, nesta hora em que nas igrejas soam os sinos, a missa do Galo, a Santa Eucaristia: meu Senhor e meu Deus. Que nossos corações tenham um ímpeto de amor e queiram com todas as forças espalhar pelo mundo as luzes do nosso Bom Deus. Então, sim, mergulhados na oração, saudemos nossos amigos e irmãos, troquemos nossos votos e orações, pois Ele nasceu, ele nos foi dado. "Hodie, filius datus est nobis — hoje, um Filho nos foi dado".

É por isso que desejamos a todos um Feliz Natal e um ano-bom repleto de todas as graças de Deus.

O amor-próprio e o amor de Deus

Eu gostaria de ter alguma profundidade e conhecimento para lhes falar sobre essa busca, sobre essa sede que nos devora, que nos faz procurar uma casa, um repouso, um lugar de delícias...onde moras, Senhor? Vinde e vede... Até a raposa tem sua toca, mas o Filho do Homem não tem onde repousar sua cabeça. Divina Cabeça, cansada e ferida, coroada de espinhos, fez-se o repouso dos homens.
 
Mas não é bem assim que acontece. Vamos em busca do repouso e achamos que o encontramos nas delícias do mundo e nas descobertas da razão. Nas consolações dos homens, no prazer que sentimos de estarmos na companhia dos nossos irmãos. Até a Escritura, falando profeticamente da Encarnação, nos diz que a Sabedoria Encarnada encontra suas delícias em estar com os filhos dos homens.
 
Na verdade, quando Nosso Senhor sente estas delícias, é porque sabe que seu Sangue não será derramado totalmente em vão, que alguns dos seus filhos o receberão e se tornarão Filhos de Deus. Mas, e nós? Vislumbramos o caminho, sabemos que Ele é a nossa Salvação, mas nos inclinamos com tanta precipitação sobre nós mesmos. O amor-próprio é a nossa perdição. Centralizamos nossas vidas em torno de nós mesmos, e passamos a tomar como critério dos nossos atos o que nos agrada ou o que pode nos gerar algum lucro. Dois amores construíram duas cidades: o amor de si, levado até o desprezo de Deus, a cidade terrena; o amor a Deus, levado até o desprezo de si, a cidade celeste.
 
Ficamos no átrio. Somos de fora, estrangeiros. Estamos ali, comendo sobra de comida porque não queremos a adoção de filhos, mediante a qual clamamos: Abba, Pai. Somos eternamente filhos revoltosos que abandonamos a casa paterna e buscamos as alegrias do mundo. E temos vergonha de dizer a todos: sou filho, esta casa de ouro me pertence, sou herdeiro de Deus e co-herdeiro de Cristo. Não, não posso ficar mendigando sobras de comida, se o banquete foi preparado para mim. Voltarei à casa de meu Pai, e lhe direi: Pai, pequei contra os céus e contra Ti.
 
Eu sei que acontece de nós nos inclinarmos assim ao perdão de Deus. De nós considerarmos com alguma Esperança, o rude combate que nos aguarda, todos os dias, ao levantarmos. Mas depois vem a realidade: a pior de todas, que é o convívio com as pessoas que nos empurram para o mal, para o pecado. A cidade está lá fora, como um dragão vomitando fogo e enxofre. E nós temos por obrigação ir até dentro da fétida boca do dragão, trabalhar, tomar uma condução. Bom dia, bom dia, viram o Fantástico, viram o Faustão? Venham, todos, o circo começou! E tem o palhaço e tem o leão, e os malabaristas que te deixarão sem respiração... É nosso mundo, é nossa vida. Um circo, onde nós somos os malabaristas a inventar contorções, onde nós somos os palhaços a divertir a platéia, em busca do aplauso sedutor. Mas quando saímos dele, quando nos voltamos para dentro de nós mesmos, ressoa um eco ensurdecedor. E nós queremos fugir, mas para onde quer que nos voltemos, ele está lá, a repetir, a gargalhar, a nos dizer: não se preocupem, amanhã tem mais.
 
O que falta, na nossa história, o que falta na nossa vida? Como José Maria de Lições de Abismo, ouvindo o personagem sinistro repetir para ele, numa espécie de sonho, toda sua vida, mas falsificada. E ele, desesperado, sem conseguir fazer seu interlocutor compreender que aquilo tudo soava falso, vê, pela boca do vulcão onde se encontravam, a estrela brilhando no céu. E descobre o enigma do mistério, a chave da sua vida. "Já sei o que falta na sua história. É o am..." E quando o sinistro ser o tenta impedir de gritar, ele consegue se desvencilhar e grita por Aldebarã: Amor! Amor! Amor!
 
"Cai então a estrela do céu, e um fogo enorme, uma clara vermelhidão, iluminou a gruta. Ah! agora eu via nos rostos, nos braços, nas pernas, que voavam no ar como folhas dançando nas chamas, o que me faltava naquele sepulcro. Via a dor, a dor viva, a dor viva do amor. O vulcão entrara em atividade." (Lições de Abismo, cap. 12)
 
Dois amores construíram duas cidades.
 
Se não for para construir a cidade de Deus, a cidade do amor, sua Igreja Santa e Imaculada, sua Missa, que é a maior dádiva que Ele podia nos dar, então não vale a pena, não nos aproveita de nada. Nem o grande saber metafísico, nem a genialidade técnica, nem os astros do céu, nem a salvação dos planetas ou das tartarugas, muito menos alguns momentos de prazer fugitivo.
 
De joelhos, de joelhos, prostrados diante da Majestade divina. Venite, adoremus.
Contemplemos, a presença de Jesus em nossas vidas. Ela não é fictícia. Pelo Batismo nós nos tornamos templo da Santíssima Trindade. Não façamos de nossas vidas um terremoto constante que derruba o templo e destrói o Deus que vive em nós.
 
Silêncio, silêncio, que a criancinha dorme. Não façamos de nossas vidas ruídos e agitações, pois podemos despertar o Menino, e ele fugirá chorando, porque preferimos a companhia dos homens à companhia inefável do Filho de Deus. 

Orgia religiosa

No dia 2 de novembro, os carismáticos reuniram em São Paulo cerca de 600.000 pessoas no que se está chamando de show-missa. Evidentemente uma tal multidão não passa sem ser notada. Os jornais abriram mais uma vez suas páginas de ouro para notícias tão lucrativas...

A psicologia da apostasia

Foi incansável na tentativa de levar às almas a verdade, tanto natural quanto sobrenatural, o Pe. Leonel Franca, que ilustra o pensamento brasileiro com livros dignos de um mestre. Entre seus escritos, encontra-se um pequeno livro, A Psicologia da Fé, onde o grande jesuíta analisa os detalhes do ato de fé, aquilo que leva o homem a agir pela Fé, o que  falta na atitude daqueles que não têm Fé.

Será preciso falar nele também?

Dom Lourenço Fleichman OSB

Por incrível que pareça, sinto-me na obrigação de dizer algumas palavras sobre o Padre Marcelo Rossi. Normalmente não deveria me preocupar com mais um padre progressista, com mais um "carismático". Ele não deveria impressionar aos nossos fiéis, que há tantos anos aprendem o que seja a verdadeira fé, a verdadeira missa. Mas constato que entre nós, algumas pessoas não estão sabendo analisar este fenômeno com os princípios da Fé Católica. Por isso resolvi dizer algumas palavras.
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Dom Fellay em Roma

 

Dom Lourenço Fleichman OSB
 
Como tenho ficado cada dia mais enojado com esses blogues e blogueiros, jornalismo de superfície e arrogância das profundezas, não tenho tido muito ânimo para escrever. Porém, a falsa polêmica levantada pela imprudência de alguns e pela imbecilidade de outros, relativa à ida de Dom Bernard Fellay e seus assistentes à Congregação para a Doutrina da Fé, me obriga a falar. Além do mais, muitos fiéis das nossas Capelas tiveram contato com textos assombrosos e atitudes curiosas e criaram em suas almas certas apreensões que me parecem ilusórias e descabidas. "Será que a Fraternidade S. Pio X vai fazer um acordo com Roma?", perguntam-se.

Os objetos do culto

Quando assistimos a uma cerimônia litúrgica, que seja a Santa Missa, um batizado ou qualquer outro sacramento, percebemos que o sacerdote utiliza, durante a cerimônia, uma série de objetos, e usa diversas vestes particulares, às vezes muito ricas e bonitas. Para a maioria das pessoas, estas coisas passam desapercebidas, e elas nunca se perguntam qual o significado de tantos objetos diferentes. Mas não deveria ser assim. Todo católico deveria se interessar pelo que se passa no altar, pelos ritos santos da Igreja, pois são estes ritos que nos trazem as graças sacramentais e os méritos da oração pública e oficial de nossa Santa Madre Igreja.
Por isso, devemos estudar com todo interesse esses objetos, saber seus nomes, como são feitos, para que servem e o que significam.
 
Os objetos do culto podem ser:
 
Vasos litúrgicos
Panos litúrgicos
Vestes litúrgicas
Insígnias episcopais
Insígnias papais
 
 
Os Vasos Litúrgicos
 
Eles podem ser:
 
Consagrados - cálice e patena
Bentos - cibório ou âmbula - ostensório ou custódia
Nem consagrados nem bentos - galhetas - turíbulo e naveta - caldeirinha e hissopo (aspersor) - sininho - e vaso de abluções

 
O cálice: é o vaso sagrado que se usa para consagrar o Preciosíssimo Sangue, durante a Santa Missa. O cálice só pode ser de metal e deve ter um anel, no meio da haste, para que o padre tenha firmeza ao segurá-lo. Devido à importância do seu uso, o interior do cálice deve receber um banho de ouro sobre o metal. Depois da comunhão, o cálice é purificado com vinho não consagrado, no momento das abluções da Missa.

A patena: o nome vem do latim e significa prato. Ela acompanha sempre o cálice, e serve para receber a Hóstia consagrada durante a Santa Missa. Já no ofertório, o padre a utiliza para oferecer o pão, deixando-a de lado até o Pai Nosso, quando a toma novamente para realizar sobre ela a fração, ou seja, para partir a hóstia e retirar dela o pedacinho que será jogado no cálice. Depois da comunhão o padre deve purificá-la muito bem, ou seja, deixar cair no cálice todas as minúsculas partículas da hóstia, pois em cada uma delas Jesus está presente.


Vasos bentos pelo bispo (mas não consagrados):

O cibório ou âmbula: é um vaso semelhante a um cálice, porém com uma tampa. Nele são conservadas as santas espécies para a comunhão dos fiéis (também chamadas partículas). Devem ser de metal nobre, como o cálice, e também banhados à ouro no interior. Quando está dentro do sacrário, deve ser coberto com um véu. Isso porque as santas reservas sempre são cobertas com um pano precioso, uma seda bordada, um tecido de ouro ou prata. É por esta mesma razão que o sacrário deve sempre ser coberto com o conopeu, véu precioso cuja cor varia de acordo com a cor dos paramentos.
 
O ostensório ou custódia: Em latim, ostendere significa mostrar. O ostensório serve para expor o Santíssimo Sacramento à adoração pública. Na bênção do Santíssimo, na procissão de Corpus Christi e em outras cerimônias, o padre introduz no centro do ostensório uma luneta, ou seja, um suporte de ouro, às vezes protegido por um cristal, onde se encontra a hóstia consagrada. O ostensório é também de ouro ou banhado à ouro, tendo a forma de um sol resplandecente, no centro do qual brilha o Sol divino, que é nosso Senhor Jesus Cristo, presente na Sagrada Hóstia. Chama-se também de custódia ou teca, um pequeno vaso com o interior banhado à ouro, que serve para levar a comunhão aos doentes. Esta custódia é posta numa bolsa pendurada ao pescoço, de forma que o Santíssimo é levado sobre o coração do sacerdote.
   
Vemos por estas explicações, o quanto a Igreja honra a presença real de Nosso Senhor, pois que obriga a que todos os vasos destinados a receber a hóstia consagrada ou o Preciosíssimo Sangue, devam ser de metal e de ouro, o mais precioso dos metais, para o maior de todos os Reis. Devemos reprovar com veemência os abusos contra as coisas sagradas, toda a falta de respeito que constatamos nos padres modernos e mesmo na orientação dos bispos de hoje, que já não obrigam a utilização dos vasos sagrados como devem ser. Por isso, aceitam a comunhão na mão (um sacrilégio), a comunhão recebida de pé, sem véu na cabeça, com roupas indecentes. A comunhão é levada aos doentes dentro de sacos plásticos e as hóstias consagradas são guardadas na caixa com hóstias não consagradas, mostrando que no fundo, eles perderam a fé na Presença Real de Jesus na Hóstia.

Vasos nem bentos nem consagrados
 
as galhetas : Recipientes onde se colocam a água e o vinho que serão usados para a consagração do Preciosíssimo Sangue.

o turíbulo e a naveta: Pequeno fogareiro suspenso por correntes no qual se queima o incenso utilizado nas cerimônias religiosas. O incenso já era utilizado pelos judeus como símbolo da oração que se eleva à Deus com suave odor. Vale a pena reler no missal, no Ofertório da Missa, a bênção e as orações que o padre reza enquanto incensa o altar.

Usa-se também o incenso como gesto de honra às pessoas. Por isso o padre e os fiéis são incensados durante a missa.
 
A naveta é a caixinha de metal, em forma de nau, onde se guarda o incenso que será utilizado no turíbulo.
 
a caldeirinha e a hissopo: a caldeirinha é o vaso onde se leva a água benta utilizada nas cerimônias. O hissopo é o bastão que se enche da água benta e com o qual se faz a aspersão. Este nome vem do ramo do hissopo, planta que era utilizada com esta finalidade, na antiguidade.

o vaso de purificação: é o pequeno vaso colocado junto aos castiçais, no altar, onde o padre purifica os dedos ao tocar na hóstia consagrada fora da missa. Por exemplo, quando ele prepara a custódia de levar a comunhão para os doentes, ou quando distribui a comunhão fora da missa.
 
Os Panos Litúrgicos
 
Chamamos de panos litúrgicos ou panos de altar alguns panos confeccionados com linho ou cambraia de linho utilizados nas celebrações litúrgicas.

São bentos: Corporal, Pala, Sanguinho ou purificatório, toalhas de altar.
 
Não são bentos: manustérgio, toalha de comunhão.

Corporal: Pedaço de linho engomado que o celebrante desdobra no altar e sobre o qual são colocados exclusivamente o pão e o vinho que serão consagrados. O corporal é tão importante que deve ser levado e trazido do altar dentro da Bolsa (ver adiante). A goma tem por finalidade não deixar as minúsculas partículas da hóstia consagrada penetrarem na trama do linho. O nome vem do fato de que sobre ele se põe a hóstia consagrada, o Corpo de Cristo (justamente na parte da missa em que não é utilizada a patena).

A pala: antigamente o corporal era bem maior que os de hoje. Sendo assim era fácil dobrar uma de suas pontas sobre o cálice, para impedir que impurezas caíssem dentro dele durante a missa. Não era muito prático. Por isso diminuiu-se o corporal e separou-se dele a pala, que passou a ser um pedaço de linho quadrado, em geral acrescido de algum ornamento e que serve para tampar o cálice.

O sanguinho ou purificatório: é um paninho de linho retangular, dobrado em três, com uma cruz bordada no centro, que o padre posiciona sobre o cálice para o transportar e que serve para enxugar o cálice, os dedos ou os lábios, durante a santa missa.

(estes três panos que precedem devem ser purificados em três águas antes de serem postos para lavar, sendo a água utilizada na purificação jogada diretamente na terra. -  com quantos cuidados a Santa Igreja protege a Presença Real de Jesus na Hóstia! E pensar que os progressistas jogaram isso tudo fora!)
 
Toalhas de altar: São três as toalhas que devem cobrir o altar, sendo que a última deve cair até o chão nas laterais. Todas devem ser de linho e bentas antes de serem usadas. Este número de três serve para que, no caso de se derramar o Preciosíssimo Sangue, este seja absorvido com facilidade.

Manustérgio: é um paninho parecido com o sanguinho, porém sem bênção, tendo uma cruz bordada numa de suas extremidades, e que serve para o padre enxugar os dedos no lavabo da missa.

Toalha de comunhão: é a toalha que cobre a mesa de comunhão, sob a qual os fiéis devem cobrir suas mãos, em sinal de respeito pela Sagrada Hóstia.
 
Outros Panos Litúrgicos
 
Há ainda outros panos litúrgicos com diversas utilidades:
 
Paramentos do cálice: o véu do cálice, que serve para cobri-lo e a bolsa, que serve para transportar o corporal. Os dois seguem a cor litúrgica do dia.
Véu humeral: Longo véu ricamente ornado que é posto sobre os ombros do celebrante para cobrir suas mãos, quando este deve transportar o Santíssimo ou dar a bênção com o Santíssimo. Também o sub-diácono cobre as mãos com ele, na missa solene, para segurar a patena, do Ofertório até o Pai-Nosso (durante o tempo em que o padre não usa a patena).
 
Conopeu: Véu de pano nobre, com as cores litúrgicas, que serve para cobrir o sacrário sempre que o Santíssimo estiver presente. É um sinal certo da presença de Nosso Senhor no sacrário. Ele deve cobrir completamente o sacrário, apesar de se tolerar que tenha a forma de uma cortina.
 
As Vestes Litúrgicas
 
Na época de crise em que vivemos, onde vemos os ministros da Igreja abandonarem as vestes sagradas para copiar os protestantes e até mesmo certos pagãos, na celebração do culto divino, é de muita utilidade compreender a origem e o significado das vestes sacerdotais. Aliás, não somente na celebração litúrgica, mas também na vida privada, os padres modernos resolveram abandonar a batina, com grande prejuízo para eles próprios, para os fiéis e para a Igreja.
Quando houve o concílio Vaticano lI, com a liberação de não usar mais a batina, eles diziam que era para estar mais próximo do povo. Hoje, já não nos enganam: sabemos que para o padre estar bem próximo do povo, como dizem, é preciso que ele se destaque da multidão, que de longe, todos saibam que é um padre, que possam chamá-lo, pedir um conselho, uma bênção, uma extrema-unção para um acidentado, etc. Para isso, é preciso que a roupa do padre mostre claramente que se trata de um ministro de Deus. Sabemos também que a única utilidade para os padres progressistas de abandonarem o uso da batina, é que ficam mais livres para levar uma vida mundana, já que as pessoas em volta não sabem que se trata de um sacerdote.

Na celebração litúrgica, também ocorreu um grande abandono. Os padres deixaram de lado toda a riqueza e a beleza dos paramentos antigos, tão nobres, dignos da celebração do augusto Mistério da Missa, e passaram a celebrar vestidos com uma túnica branca e uma estola, apenas. Sem casula, sem manípulo, sem véu do cálice etc. Tudo aquilo que manifestava o sagrado foi jogado fora. Queriam copiar os protestantes.

Voltemos então nossa atenção para as vestes que os padres, bispos e papas sempre usaram para celebrar a Santa Missa e os demais sacramentos. Conhecê-los é conhecer a Igreja, sua vida, sua história.

Quando o padre vai celebrar a Missa, ele veste uma série de peças que constituem os paramentos sacerdotais. Enquanto o padre se paramenta, na sacristia, ele reza uma oração especial para cada paramento. Esta oração ajuda o padre a se concentrar na celebração solene que está prestes a começar. Cada oração indica o simbolismo das vestes por ele utilizadas.

Vamos descrever aqui como o padre se paramenta e depois daremos a explicação detalhada de cada veste:

Ele joga sobre a cabeça, para depois rebater sobre os ombros, um pano chamado amicto. Depois veste uma túnica branca que vai até os pés, chamada alva. Ele amarra a alva em volta da cintura com o cíngulo. Em seguida pendura no antebraço esquerdo o manípulo, que tem a cor litúrgica do dia. Após este, veste em torno do pescoço a estola. Em seguida a casula. Assim está o padre paramentado para a celebração da Missa.

O amicto: a palavra significa manto, véu, e servia, na sua origem, no século VII, para cobrir o pescoço e para proteger do frio. A oração indica que o padre veste um capacete para se proteger das ciladas do demônio. Os monges ainda hoje usam o amicto como um capuz.
 
A alva: a palavra significa branca. É uma túnica comprida, chegando até aos pés, como usavam os romanos antigos. Ela significa a inocência com que o sacerdote deve subir ao altar.

O cíngulo: é um cordão que serve para cingir, ou seja, para apertar a cintura. Simboliza a castidade e a pureza de coração que deve animar o sacerdote em toda sua vida.

O manípulo: este pano preso no braço esquerdo, na origem, servia como lenço, para  enxugar o suor, e era usado mesmo na vida comum, por todos. Mais tarde foi ornado de enfeites e ganhou as cores litúrgicas. Manípulo significa um feixe de palha que se carrega nas costas. Daí a oração pedir o merecimento de saber suportar as dores desta vida para merecer as alegrias eternas.
 
A estola: era, na origem, uma veste de adorno feminino, trazendo franjas rendadas e ornadas. Alguns imperadores introduziram seu uso entre os homens. Os eclesiásticos acompanharam o uso. Mais tarde ela reduziu-se às faixas ornadas das franjas, ganhando o aspecto de faixa que conhecemos hoje, usada pelo padre em tomo do pescoço. A estola é usada em forma de cruz, sobre o peito. Já o bispo, que usa a cruz peitoral, não cruza a estola, mas a deixa cair normalmente. A oração compara a estola ao dom da imortalidade, que pede ser restituído na eternidade.
 
A casula: é um manto amplo que envolve o celebrante, formando como um casulo (casa pequena). Era uma veste comum na Roma antiga, conservada pelos padres para a celebração da missa. Ao longo dos séculos, por comodidade de movimentos, foram diminuindo seu tamanho, chegando a casula à forma recortada que vemos hoje (chamada casula romana). Os modelos amplos que vemos ainda hoje receberam o nome de casula gótica. A casula representa o jugo do Senhor sobre nossos ombros e o padre pede que saiba suportá-lo bem.
 
 
Vestes do diácono:

O diácono, principal ajudante do celebrante na missa solene, paramenta-se como o padre, com as seguintes diferenças:
 
- a estola não é usada cruzada no peito, mas em diagonal, do ombro esquerdo à cintura direita.
 
- no lugar da casula, o diácono usa a Dalmática, veste originária da Dalmácia, que simboliza na Igreja a alegria de servir a Deus.
 
 
Vestes do sub-diácono:

O sub-diácono, ajudante do diácono na missa solene, não usa estola. Além disso, no lugar da casula ou da Dalmática, ele usa a Túnica, que na aparência não difere da Dalmática.

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