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Category: Dom Lourenço Fleichman, OSBConteúdo sindicalizado

O Ano litúrgico

A liturgia Católica segue um ritmo anual, durante o qual todo o mistério da vida de Jesus e de nossa Redenção aparece diante de nós, em cada missa, em cada festa, alimentando nossas almas com os textos extraídos das Sagradas Escrituras, trazendo a cada ano um aspecto novo do mesmo mistério, aprofundando assim nosso conhecimento e nossa fé.
 
Como a Liturgia celebra o Mistério da Encarnação e o Mistério da Redenção, podemos dividir o ano em duas grandes partes:
 
Ciclo do Natal - corresponde ao Mistério da Encarnação
 
Ciclo da Páscoa - corresponde ao Mistério da Redenção
 
O Ciclo do Natal se divide em três Tempos:
 
Tempo do Advento : preparação do Natal : 4 semanas penitenciais: cor roxa

Tempo do Natal : celebração do Natal : festa do Natal e da Epifania : cor branca
 
Tempo depois da Epifania: prolongamento: de 3 a 6 semanas antes da Septuagésima: cor verde
 
O Ciclo da Páscoa se divide em cinco Tempos:
 
Tempo da Septuagésima: preparação afastada : 3 semanas já sem o Aleluia: Septuagésima, Sexagésima e Qüinquagésima: cor roxa
 
Tempo da Quaresma: preparação próxima : 4 semanas penitenciais, começando com o jejum da quarta-feira de cinzas: cor roxa
 
Tempo da Paixão: preparação imediata : Domingo da Paixão, Domingo de Ramos, Semana Santa
 
Tempo da Páscoa : festa da Páscoa, cinco domingos depois da Páscoa, Ascensão, Pentecostes, Santíssima Trindade : cor branca
 
Tempo depois de Pentecostes: prolongamento: 24 semanas depois de Pentecostes : simboliza o mistério da Igreja peregrina neste mundo: cor verde.
 
Depois do último domingo depois de Pentecostes, volta o primeiro domingo do Advento, recomeçando o Ano Litúrgico.
 
O problema da data da Páscoa
 
O centro do Ciclo do Natal é a festa do Natal
 
O centro do Ciclo da Páscoa é a festa da Páscoa.
 
Ora, se por um lado a festa do Natal é sempre dia 25 de dezembro, por outro lado, a festa da Páscoa muda todo ano. É sempre celebrada num domingo que corresponde a um certo posicionamento da lua. A festa da Páscoa cai sempre entre 21 de março e 25 de abril.
 
Como antes da Páscoa temos as semanas preparatórias do Tempo da Paixão, da Quaresma e da Septuagésima, todos esses domingos também oscilarão. Se a Páscoa cair muito cedo, empurrará os outros domingos e acontecerá que não haverá domingos suficientes para todos os domingos fixos. Com isso, os últimos domingos depois da Epifania, de cor verde, são ocupados pelos domingos do Tempo da Septuagésima.
 
Ao mesmo tempo em que este fato empurra o Ciclo da Páscoa em cima do Ciclo do Natal, ele abre um espaço vazio no fim do ano, entre o Tempo depois de Pentecostes e o novo Tempo do Advento. Neste espaço vazio insere-se, então, os domingos que não foram celebrados no início do ano, no Tempo depois da Epifania.
 
Isso tudo está explicado no Missal dos fiéis.

O Santo Sacrifício da Missa

O que é um sacrifício?
 
Vimos que o sacrifício de Jesus Cristo na Cruz, onde o Salvador é, ao mesmo tempo, vítima e sacerdote, é como a fonte de toda a vida litúrgica. Todas as cerimônias litúrgicas podem ser estudadas partindo do sacrifício do Calvário. Devemos, por isso, saber exatamente o que é um sacrifício.
 
Vamos analisar as palavras:
 
A raiz que dará origem à palavra sacrifício é, em latim, sacer. Esta raiz tem o sentido de algo que não pode ser tocado. Daí, passou a significar: o que pertence ao mundo do divino.
 
A língua latina, na época em que era falada, foi dando origem a novas formas desta raiz:
 
Sacra: as cerimônias do culto divino
Sanctus: algo tornado sagrado e inviolável, santo
Sacramentum: no início, juramento prestado a Deus; depois todo ato religioso; por último: os sete sacramentos.
Sacerdos: aquele que realiza a cerimônia sagrada (sacer + do = fazer. Ver no inglês: to do)
Sacrifícium: o que é oferecido a Deus e torna-se sagrado. Ou o próprio ato de oferecimento.
 
O estudo das antigas civilizações revela que todos os povos ofereciam sacrifícios a Deus, ou a seus falsos deuses. Em Roma, na África, na Índia, etc. Na Bíblia, o sacrifício aparece logo no início da humanidade:
 
«Passado muito tempo, aconteceu oferecer Caim, em oblação, ao Senhor, dos frutos da terra. Abel também ofereceu dos primogênitos do seu rebanho e das gorduras deles; e o Senhor olhou para Abel e para os seus dons. Não olhou, porém, para Caim nem para seus dons».
 
Em todos os grandes acontecimentos, os homens ofereciam sacrifícios a Deus:
Noé: Gn 8,20
Abraão: Gn 22,1
Moisés: Ex 29,38 e
Levítico, onde aparece toda a ordenação litúrgica estabelecida por Deus no A.T.
 
Podemos concluir duas coisas: 1) oferecer sacrifícios num ato religioso é próprio à natureza humana, visto que todos os povos assim o fizeram. 2) Mas Deus ordenou ao seu povo, na Sagrada Escritura, como queria que fosse realizado o sacrifício. Isso significa que, apesar de haver um sentimento religioso natural e comum a todos os homens, Deus revelou um culto mais perfeito, aos hebreus, no Antigo Testamento, e à Igreja Católica, no Novo Testamento.
 
Ora, toda a tradição católica, desde S. Paulo, S. Pedro, e todos os papas, sempre ensinou que os sacrifícios do Antigo Testamento eram figuras do único sacrifício capaz de agradar a Deus: a morte de Jesus na Cruz, seu próprio Filho oferecido como vítima para o perdão dos nossos pecados.
 
Os quatro fins do sacrifício
 
Todo sacrifício tem quatro fins: adoração, ação de graças, impetração e propiciação.
 
adoração: louvor, submissão a Deus, não apenas mental, interior, mas num ato externo, no oferecimento de alguma coisa a Deus: é o fundamento de todo sacrifício.
 
ação de graças: agradecimento por tudo que foi recebido de Deus. É o significado da palavra Eucaristia.
 
impetração: pedidos de novas graças, de novos dons espirituais como materiais. Nada mais natural do que se dirigir a Deus para pedir, como os filhos pedem aos pais.
 
propiciação: é o fim de aplacar a ira divina, irritado pelos nossos pecados. É a expiação pelas faltas cometidas.
 
O sacrifício de Nosso Senhor Jesus Cristo foi, verdadeiramente, de adoração, de ação de graças, de impetração e de propiciação.
 
Ele é o sacerdote que oferece o sacrifício:de fato, mesmo tendo sido flagelado e crucificado, Jesus só morreu porque quis morrer, ou seja, quis oferecer o sacrifício de sua própria vida ao Pai. Porque se Ele quisesse, poderia perfeitamente nada sofrer dos golpes recebidos. Como quis, Ele só se oferece em holocausto.
 
Jesus é também vítima. Não uma vítima qualquer, como eram as ovelhas e outros animais no A.T. – Jesus é a vítima perfeita, sem mancha, inocente e voluntária. Vítima consciente do ato que Ele próprio realiza, oferecendo não apenas seu corpo, como no caso dos animais, mas também sua alma, flagelada, sofrida até a agonia, recebendo sobre si o peso infinito de todos os nossos pecados.
 
E esta vítima se oferece, ao mesmo tempo livre e mergulhada na mais profunda obediência, na Caridade perfeita.
 
O Sacrifício Litúrgico
 
Esta Caridade de Jesus, morrendo por amor do Pai e nosso, nos atrai irresistivelmente e nos leva direto para o Coração divino de Jesus. Lá nós estamos unidos ao seu Sacrifício, à sua morte na Cruz, lá nós comungamos com Ele, ou seja, somos feitos um com Cristo.
 
Mas esta unidade mística, sobrenatural, necessita de uma manifestação exterior, sensível.
 
É a Santa Liturgia que realiza isso. Pelos Sacramentos, principalmente pela Santa Missa, a Igreja tem o poder de realizar o mesmo sacrifício da Cruz, realizar esta comunhão das almas com seu chefe que é Nosso Senhor. Ela o realiza não apenas de um modo espiritual e invisível (pela graça), mas também pelas cerimônias do culto, atos externos, sensíveis, visíveis que manifestam claramente a graça invisível. Basta se lembrar que cada sacramento possui uma graça sacramental própria, além da forma e da matéria que constituem o lado visível do sacramento.
 
A Missa é um verdadeiro sacrifício. Qual? O sacrifício oferecido por Jesus Cristo, sacerdote eterno, ao morrer na Cruz sobre o monte Calvário, há cerca de dois mil anos. Jesus não morre mais, Ele venceu a morte para sempre. Por isso a Missa não pode ser um novo sacrifício, mas o mesmo.
 
Mas a Missa é também um sacramento. Isto significa que aquele único e mesmo sacrifício do Calvário nos é apresentado sob a forma de sinais sensíveis (a consagração do pão e do vinho no Corpo e no Sangue do Senhor) apropriados para atravessar todos os séculos da existência da Igreja.
 
Tenhamos então todo interesse em aprender, em rezar, em viver da Santa Liturgia; em comungar intimamente com este Mistério inefável: o Sacrifício de Jesus presente na nossa vida, no nosso coração, abrindo as portas do céu para o perdão dos nossos pecados e para a vida eterna.
 
O Santo Sacrifício da Missa
 
Quando estudamos todas as partes do Sacrifício da Missa, constatamos que, de fato, o rito litúrgico é um verdadeiro sacrifício. De um modo maravilhoso a Igreja soube realizar um sacramento, ou seja, realizar por sinais sagrados o dramático acontecimento do Calvário, trazendo até nós toda a realidade da morte redentora de Cristo, porém sem a chocante imagem de Nosso Senhor morto diante de nós.
 
Esta visão de Jesus pendurado na Cruz, de Nossa Senhora de pé, ao seu lado, sofrendo o martírio de ver seu Filho naquele estado, seria para nós uma graça infinita. Mas nossa fraqueza não nos permite assistir a isso todos os domingos. Nós acabaríamos tendo medo de ir à Missa! Além disso, a Missa é o mistério da morte de Cristo, sim; mas da Paixão unida à Ressurreição. Um sacrifício que termina na vitória. Se, em cada Missa, víssemos Jesus morto na Cruz, poderíamos pensar que tudo terminou na morte.
 
Assim, cheio de amor por seus filhos, Nosso Senhor realiza a Missa através das espécies do pão e do vinho. Agora sim, podemos viver deste Santo Sacrifício, podemos receber o Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus sem medo, sem drama, sem temores, pois Ele se fez alimento para nós, Ele saciou nossa sede com seu Sangue escondido sob as espécies do vinho.
 
Quando estudamos o Sacramento da Eucaristia, vimos como Jesus instituiu a Santa Missa na última Ceia. Naquela ocasião, Ele modificou um rito já existente, a Páscoa dos judeus, introduzindo nele a consagração do pão e do vinho no seu Corpo e no seu Sangue, e dando a seus Apóstolos a Sagrada Comunhão.
 
No curso de Liturgia, o que nos interessa nessa primeira missa, é ver que Jesus celebra a Missa com o rito das partes essenciais da missa que até hoje assistimos: ofertório - consagração - comunhão.
 
É claro que as partes essenciais da Missa foram instituídas por Jesus:
 
matéria:
         pão e vinho
 
forma:
         Isto é o meu corpo (consagração do pão)
 
         Este é o cálice do meu Sangue; Sangue da nova e eterna aliança; mistério da fé; que será derramado por vós e por muitos para o perdão dos pecados (consagração do vinho)
 
Mas Jesus não celebrou a Missa do mesmo modo que hoje a celebramos. A partir dos Apóstolos e ao longo dos séculos, a Igreja, com a autoridade recebida do próprio Jesus, estabeleceu todas as orações e ritos complementares, até que São Pio V, em 1570, definiu como não podendo mais ser modificado o rito da Missa. Na verdade, o Cânon da missa de S. Pio V já era assim celebrado no tempo do Papa São Gregório Magno, ou seja, no início do século VII, quase mil anos antes de São Pio V. As outras partes da Missa de S. Pio V já estavam praticamente definidas no século XIII (1200 a 1299).

A Santa Liturgia

A Santa Liturgia
 
A Doutrina Católica, revelada por Deus através dos Profetas (Antigo Testamento), através do próprio Jesus Cristo (Novo Testamento), e transmitida de geração a geração pela autoridade divina da Igreja Católica é composta de uma série de elementos, uns ligados aos outros, que formam uma unidade, um conjunto homogêneo. Já estudamos dois destes elementos:
 
A parte doutrinária, ou seja, as verdades da Fé, resumidas no Credo.
 
A parte moral, que nos ensina como devemos agir para não ferir esta verdade de Fé.
 
Precisamos agora estudar um terceiro elemento deste belo conjunto que é uma espécie de volta para Deus. Seria algo como aparece no esquema abaixo:
 
 
 
 
 
Vem de Deus a Revelação da doutrina (ou dogma) e da moral. Os homens recebem esta Revelação e vivem aqui na terra a vida de Fé, decorrente da doutrina e a vida de Caridade, decorrente da moral. Esta Fé, unida à Esperança (não pus no esquema para não complicar) e à Caridade, levam o homem a rezar e a participar do culto oficial da Igreja. Estas duas formas de oração são como uma volta a Deus, um retorno dos filhos ao Pai, ao Criador, antes mesmo de chegarmos na vida eterna.
 
A vida de oração é a vida íntima da alma no seu relacionamento com Deus. O amor que a alma tem para com Deus, em reconhecimento por todos os bens Dele recebidos, manifesta-se na perseverança com que a alma reza, na atenção que emprega durante a Santa Missa, no interesse que manifesta pelas leituras santas, pelo estudo da doutrina e, principalmente, pelo vigor com que evita ofender a tão bom Pai. Nossas orações particulares, oração da manhã, oração da noite, o santo Terço de Nossa Senhora, o escapulário etc. brotam do fundo da alma e elevam-se para Deus.
 
Porém, a Igreja Católica, fundada por Jesus Cristo com sua morte na Cruz é uma organização viva, um Corpo Místico de Cristo, composto pelo seu Chefe, sua Cabeça, o próprio Cristo, pela alma incriada que é o Espírito Santo (logo a Igreja é Divina) e pelos membros que somos nós, os batizados que vivem na terra (Igreja militante), as almas do purgatório (Igreja padecente) e pelos santos e anjos do céu (Igreja triunfante).
 
Este Corpo Místico de Cristo, que é a Igreja Católica, tem também sua oração própria. Toda ela presta um culto a Deus, cada membro participa deste culto ao seu modo, no céu, o mais perfeito, a adoração contínua e total da Santíssima Trindade; no purgatório as almas que sofrem a purificação final antes de ingressar no céu, oferecem esta pena e cantam a esperança do alívio. Aqui na terra, a Igreja oferece continuamente o Santo Sacrifício da Missa, os Sacramentos e as orações oficiais contidas no Breviário e nos demais livros litúrgicos.
 
Este culto oficial e público, oferecido pela Igreja na terra, é o que chamamos a Liturgia.
 
Vamos ser mais precisos: o que é a Liturgia?
 
- É o conjunto de objetos, fórmulas e atos
- oferecidos num culto público, em nome da Igreja, por pessoas consagradas
- segundo a instituição de Jesus Cristo e a ordenação da Igreja
- para a glória de Deus e salvação das almas.
 
Para compreendermos bem o que é a Liturgia, é necessário conhecer melhor algumas destas noções:
 
Culto: é tudo aquilo que é oferecido a Deus numa cerimônia, num rito. Assim, no Batismo, por exemplo, encontramos um culto onde a alma da criança é oferecida pelo ministro do Sacramento a Deus, para que lhe seja apagado o pecado original e ela se torne filha de Deus; na Santa Missa, é oferecido o pão e o vinho, mais ainda, é o próprio Jesus Cristo que se oferece sobre o Altar, ao Pai, como se ofereceu um dia sobre a Cruz. Também as orações, os salmos, os cânticos, os gestos, tudo é oferecido a Deus num culto de louvor. E isso para qualquer Sacramento, bênção, realizadas na Igreja.
 
Culto público: a Liturgia é assim chamada porque difere de um culto privado. O Terço que rezamos em nossas casas, por exemplo, é um culto privado, particular, daquela alma  que reza naquele momento. Muitas graças nos são dadas pelos nossos cultos particulares e devemos sempre oferecer a Deus estas orações, mas não é a Liturgia, pois esta é um culto público, realizado em nome da Igreja.
 
Por pessoas consagradas: a Liturgia exige a presença de sacerdotes. São eles que receberam o caráter sacerdotal, no Sacramento da Ordem, que lhes confere o poder de realizar oficialmente o culto público da Igreja. Os fiéis que assistem às cerimônias litúrgicas não realizam o culto do mesmo modo que o sacerdote, pela simples razão que não possuem o caráter sacerdotal conferido pelo Sacramento da Ordem. Mas eles possuem os caracteres sacramentais do Batismo e da Crisma, que os tornam Filhos de Deus e Soldados de Cristo. Por isso, os fiéis fazem parte do culto, oferecem o culto, o Sacrifício do Altar, por exemplo, na Missa, mas não como sacerdotes e sim como fiéis, como cristãos, participantes ativos do tesouro que a Igreja nos descobre todos os dias. Por esta razão, na Santa Missa, em diversas passagens, os fiéis são associados ao padre, no oferecimento do Sacrifício do Altar: na gota d’água que é derramada dentro do cálice, no Ofertório, onde estão representados todos os fiéis; no Orate Fratres, onde está dito: «que o meu e vosso sacrifício»; no Nobis quoque peccatoribus (no plural) etc. Essa participação dos fiéis no oferecimento do culto, dá a cada um a obrigação de conhecer o rito dos Sacramentos, principalmente o da Santa Missa. Responder, levantar-se, ajoelhar-se, fazer a genuflexão, confessar-se com regularidade e rezar com devoção as orações do missal.
 
Segundo a instituição de Jesus Cristo e a ordenação da Igreja: Na Cruz, Jesus se oferece ao Pai, num sacrifício cruento, pagando assim os nossos pecados. Este ato, que é a própria; essência da missão que Jesus recebeu do Pai, faz Dele o Sumo Sacerdote. O termo “sacerdócio de Cristo” passa a designar a fonte, a origem, a causa de todo sacerdócio. Na Cruz, Jesus é padre e vítima: Ele oferece e Ele é oferecido; Ele sacrifica e Ele morre. Toda a Liturgia da Igreja nasce do Sacerdócio de Cristo. Os padres são apenas participantes, pelo caráter sacerdotal, deste sacerdócio de Cristo. É por esta razão que, ao realizar um Sacramento, não é o padre quem dá a sua eficácia: quem realiza o Sacramento é o próprio Cristo. Daí vem a graça sacramental (que estudamos nos Sacramentos), da vida de Nosso Senhor que reina do céu sobre todos nós.
 
A Igreja, recebendo a autoridade divina de Jesus, tem como missão ordenar o culto, ou seja, estabelecer suas regras, autorizar seus costumes, defender sua Tradição. Por isso é um erro querer repelir tudo aquilo que os antigos fizeram e que foi perpetuado pela Tradição divina da Igreja. A Tradição é a garantia que temos de que aquele rito é conforme à doutrina de Cristo e à vontade de Deus.
 
Quando os progressistas modificaram todos os ritos da Liturgia, abandonaram tudo o que a Santa Tradição nos havia legado; no lugar dos ritos santos, inventaram novos, e foram pedir aos protestantes que os ajudassem a compor novos ritos, como o da Missa nova. Por isso devemos recusar esta missa, e todos os ritos novos que eles inventaram. Este culto não é o culto tradicional da Igreja, porisso só pode estar cheio de erros e de falsas idéias.
 
Para a glória de Deus e salvação das almas: Esta é a finalidade primeira da Liturgia. Devemos a Deus este culto, por ser Ele nosso Deus, nosso Senhor, nosso Criador e porque Ele nos livrou do fogo do inferno morrendo na Cruz por nós, merecendo por nós, já que não tínhamos como merecer sozinhos, o nosso perdão. Por isso louvaremos eternamente a Deus, cantaremos a sua glória, elevaremos nossas almas cheias de amor e de gratidão ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo, a esta Trindade Santa que é um único e soberano Deus. Não há nada que agrade mais a Deus e que lhe dê maior glória do que o culto que Ele mesmo instituiu para seus filhos, principalmente a Santa Missa, que é o sacrifício de seu Filho Unigênito.
 
Ao mesmo tempo, toda a vida litúrgica abre para os homens de boa vontade um tesouro insondável,um reino misterioso e luminoso, cheio de luzes e de consolações, que nos invade com uma paz duradoura no meio dos maiores tormentos que a vida nos traz. Pela liturgia as almas descobrem o espírito de oração, a sacralidade de cada gesto, de cada objeto, o respeito cheio de graça, de beleza e de bondade que nos dá a proximidade de Deus e de sua Igreja, nossa Mãe. Na liturgia encontramos todos os instrumentos necessários para a nossa salvação, através dos sacramentos e das orações que a Igreja perpetua a Deus. Nela vivemos a vida de virtudes e de dons que aprendemos na moral, pelo exemplo de Jesus Cristo, pelas graças que recebemos de Nossa Senhora e pelo exemplo dos santos a quem tributamos um culto especial, por estarem eles muito perto de Deus, capazes de interceder e pedir por nós.
 
Antes mesmo de considerar que a Liturgia nos faz viver dentro destes instrumentos de salvação, podemos também verificar que todo o catecismo, estudado ao longo de todos esses anos, estará presente diante de nós, cada vez que estivermos na igreja, elevando nossas almas a Deus, num culto de ação de graças a Deus.
 
A Liturgia, adoração da Santíssima Trindade
 
Aprendemos que Deus é uno em três Pessoas, que o Mistério da Santíssima Trindade é o principal mistério de nossa Fé. É pois, justamente a Deus Trino que será dirigida toda a oração litúrgica. E do mesmo modo que o Pai não é gerado por ninguém, Ele é, de certo modo, primeiro entre as três Pessoas divinas. Por isso, todo o culto litúrgico eleva-se, em primeiro lugar, ao Pai, chamado muitas vezes de “Deus onipotente”. Em seguida, o Filho é glorificado, devido à sua missão de se encarnar e de morrer na Cruz por nós. Igualmente, o Espírito Santo é homenageado em Pentecostes, Ele que procede do Pai e do Filho. Mas a Santa Igreja nunca separa completamente as três Pessoas, para que não se pense que existem três deuses. Ao louvar o Pai, ela louva também o Filho e o Espírito Santo; ao louvar o Filho, ela glorifica as duas outras Pessoas, etc.
 
Isso aparece de modo especial nas orações da missa, que se dirigem quase sempre ao Pai, pedem pelos méritos do Filho na unidade do Espírito Santo. Vamos dar alguns exemplos: peguem o missal e procurem qualquer coleta, por exemplo, a da festa do Sagrado Coração de Jesus (pag. 601); a do XIIIº domingo depois de Pentecostes (649) ou outra qualquer.
 
Toda a missa é um canto de louvor à Santíssima Trindade. Começando pelo sinal da Cruz, no início da missa, passando pelo Kyrie, repetido três vezes em honra das três Pessoas, pelo próprio Credo, nas orações do Ofertório ou do Cânon, enfim, em toda a missa, em todo rito sacramental, a presença da Santíssima Trindade é marcante.
 
A Liturgia, sacerdócio de Cristo
 
Outro grande mistério da nossa fé que aparece claramente na Sagrada Liturgia é o Mistério da Encarnação: O Verbo Eterno de Deus, segunda Pessoa da Santíssima Trindade, assume uma natureza humana para nascer da Virgem Maria, sofrer e morrer na Cruz, nos redimindo dos nossos pecados.
 
Ora, o ato de sacrifício realizado por Cristo no madeiro da Cruz e no altar da primeira Missa, que Ele próprio instituiu na última ceia (quinta-feira santa), é o primeiro ato litúrgico da Nova Aliança, da Igreja Católica. Esta liturgia realizada por Nosso Senhor, tem algo de muito particular: o sacerdote é a própria vítima - o que realiza o sacrifício é o mesmo que morre nele. Este ato de sublime oração que o Filho Encarnado oferece ao Pai aplaca a ira de Deus contra os pecados dos homens.
Mais tarde, Jesus deixará ao encargo dos seus Apóstolos a missão de manter sempre vivo este sacrifício da Cruz, na Liturgia da Igreja Católica, não somente na Santa Missa, mas também em todos os outros Sacramentos e orações oficiais da Igreja.
 
A Liturgia, ofício da hierarquia católica
 
Cabe aos representantes de Jesus Cristo sobre a terra, realizar o culto de adoração que Jesus oferece ao Pai por toda a eternidade. Cabe ao Papa, sucessor de São Pedro, presidir a esta hierarquia sagrada, como nos ensina o Evangelho de S. João, cap.21,15: “Apascenta as minhas ovelhas...” Como sucessores dos Apóstolos, os bispos, em suas dioceses, possuem autoridade divina para governar, santificar e ensinar suas ovelhas, sempre na obediência a tudo o que a Igreja ensinou e ensina, ou seja à Tradição católica.
 
A Liturgia não pode mudar
 
Como a Liturgia é a expressão viva do dogma da Fé, os sucessores de Pedro ou dos Apóstolos, não podem modifica-la, pois correm o sério risco de modificar também a doutrina correspondente, como aconteceu quando o Papa Paulo VI, quis inventar um novo rito da missa e, junto com ele, introduziu muitos erros de doutrina que contrariam a Fé, os quais um católico não pode aceitar.
 
A Igreja estabeleceu um princípio que esclarece muito bem esta relação entre a Fé e a Liturgia: diz este princípio: Lex orandi, lex credendi.
 
O que quer dizer isto?
 
A tradução é a seguinte: tal a lei da oração tal a lei da crença
 
Ou seja: a regra litúrgica (oração) é expressão viva da regra da fé (as coisas em que acreditamos). Isto quer dizer que uma liturgia que é modificada passa a exprimir uma fé diferente. Mas nós sabemos que a Fé é imutável, nunca pode mudar, pois é uma virtude divina que nos faz conhecer tudo o que Deus revela de si mesmo, o que, evidentemente não pode mudar.
 
Assim, tenhamos a firme convicção, baseada em nossa Fé íntegra e imutável, que a Santa Liturgia, expressão desta Fé Sagrada, deve permanecer sempre a mesma, na sua beleza doutrinária, no seu canto sagrado, na sua língua própria, que é o latim, justamente para evitar que as verdades da Fé sofram com as variações que ocorrem nas línguas nacionais. Em suma, a Liturgia é Divina e o homem não pode ousar tocá-la, sem que o castigo de Deus caia sobre ele.

Casamento nulo: será?

Casamento Nulo: Será?

Dom Lourenço Fleichman OSB

Uma questão que de vez em quando volta à tona e que reveste, diante da crise da Igreja, um aspecto de grave importância é a questão dos casamentos nulos e o modo como os padres da Tradição, marginalizados pelo Vaticano, devem tratá-lo.
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8. Vícios capitais e o Pecado

Logo no início do estudo sobre as virtudes, vimos que podemos adquirir na nossa alma uma força habitual, enraizada e má, chamada vício. Esses vícios empurram a alma a praticar atos contrários às virtudes, ou seja, atos pecaminosos, pelos quais ofendemos gravemente a Deus nosso Senhor.

7. As Bem-aventuranças

Todo o Evangelho é um convite para viver das virtudes e dos dons do Espírito Santo. Cada passo da vida de Jesus, cada palavra saída de sua boca nos leva a buscar a Deus com mais amor, a vencer as tentações, a agir bem.

6. Os dons do Espírito Santo

Se formos reler o início do estudo sobre as virtudes, veremos que já mencionamos os Dons do Espírito Santo. Vimos que as virtudes infusas são forças, ajudas sobrenaturais, que Deus sopra em nossas almas para nos ajudar a bem agir. Estas forças espirituais aperfeiçoam as nossas forças naturais, dando à nossa ação um valor novo, tirado da graça divina.

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