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Category: Notícias e atualidadeConteúdo sindicalizado

A suprema farsa do igualitarismo

    

Antônio Machado 

 

[Na última terça-feira (4/12/2018), um advogado foi detido após interromper um Ministro em pleno vôo comercial e declarar que o Supremo Tribunal Federal é "uma vergonha". O que pensar acerca desse episódio? Antônio Machado, redator da Revista Permanência, analisou o episódio no artigo que publicamos abaixo.]  

É da natureza das coisas que toda credulidade termine em decepção. Fiar-se numa quimera, numa promessa inexeqüível, é o justo castigo que se auto-infligiu o homem moderno ao rechaçar a Fé e a Esperança cristãs. Estas, que são virtudes verdadeiras, conduzem à felicidade eterna no céu e, já aqui na terra, antecipam-na pela vida da graça, semen gloriae. Mas o homem humanista, o homem naturalista, tem lá suas moedas falsas com que pretende, como se possível fosse, defraudar o céu e a terra para arrebatar-lhes uma felicidade de Babel. Fabrica para si os erros em que piamente crê ― corruptela da Fé ― e as promessas de um “mundo melhor”, de um “paraíso nesta vida”, que julga factíveis ― corruptela da Esperança.

Ora, o Liberalismo é por excelência uma grande quimera. Apresenta como fim último do homem o que não passa de um meio: a liberdade. Deposita sua esperança num ideal impossível: a igualdade. E promete desse modo chegar à fraternidade, essa contrafação mundana da Caridade. A prometida sociedade fraterna do porvir é a paródia liberal da bem-aventurança celeste. Mas, bem ao contrário disso, resulta um atomismo social que destrói todos os laços mais profundos entre os homens (solução da direita individualista), ou um Leviatã onipotente capaz de forçar a fraternidade involuntária (solução da esquerda coletivista), ou ainda uma curiosa mistura de uma e outra coisa, que parece ser o vetor final do jogo de forças direita-esquerda. (Continue a ler)

Nada será como antes (II)

2. Os efeitos reais do COVID-19

Para não evocar as consequências econômicas que se revelarão no futuro, basta-nos observar as repercussões imediatas das medidas:

- Redução drástica das liberdades: de circulação, de atividade profissional, de cuidados, de educação, encontros públicos e privados, de culto...

- Efeitos sobre as pessoas: efeitos psicológicos observados em consequência do isolamento, do confinamento, do distanciamento: conflitos familiares, dúvidas mórbidas, temor, medo, paralisia e atrofia da personalidade... tanto em adultos como em crianças.

- Efeitos na vida social: divisão entre as pessoas até as raias da denúncia. Um clima de suspeita: o próximo se torna um inimigo temível; cada um se torna um perigo vivo para todos, quer estejamos com boa saúde (incluindo portadores assintomáticos) ou doentes infectados... "Toda pessoa saudável é um doente que se ignora "(Knock, ou o triunfo de medicina, por Jules Romains).

Hoje em dia, a sociedade está dividida em três classes:

- Por um lado, os defensores indiscriminados de máscaras, luvas, viseiras, pulseiras de som, medidas sanitárias de distanciamento, gaiolas de plexiglass, aplicativos de rastreamento, vacina para todos;

- Por outro lado, os oponentes dessas práticas sistemáticas que, sem negar o COVID-19, estão inquietos, questionam-se a títulos diversos sobre as consequências sanitárias, sociais, políticas, religiosas e ideológicas das medidas tomadas, inclusive a nível mundial;

- Finalmente os intocáveis ​​a quem os governantes se abstêm de controlar e sancionar: as chamadas áreas "sem lei", manifestações e encontros "festivos".

 

3. Fatos e declarações recentes

3.1. "Evento 201", simulação ou antecipação?

Anualmente, desde 2016, são convidadas algumas personalidades internacionais, especialistas de saúde e economia, para considerar e estudar as consequências econômicas e os aspectos sociais de uma situação de pandemia. O exercício, organizado pelo Johns Hopkins Center for Health Security, e realizado em 18 de outubro de 2019 em Nova York, em parceria com o WEF (Davos) e a Fundação Gates, girou em torno de um vírus fictício então denominado nCoV-2019.

Depois que a China relatou a existência de um novo vírus, em 07.01.2020, o lançamento de uma iniciativa para o desenvolvimento de vacina foi anunciado no WEF em 24-25.01.2020 pela CEPI (Coalition for Epidemic Preparedness Innovations). Criada em Davos, em 2017, e com o apoio da Fundação Gates, o CEPI vem trabalhando em um programa de vacinação junto com laboratórios que dominam quase 85% do mercado de vacinação.

Em 30.01.2020, o Diretor-Geral da OMS alertou sobre um "Emergência de saúde pública de interesse internacional" e anunciou a pandemia global em 11.03.2020. Claro, esta sequência de fatos está na origem do "infox", que o Le Monde, financiado por Gates, foi rápido em negar(21) 1.

 

3.2. Poder de fogo da mídia

Podemos questionar a independência da mídia francesa quando se sabe que 90% dela está nas mãos de nove bilionários2. Por meses, e o tempo todo, canais de televisão, rádios, jornais e internet transmitem as mesmas informações sem cessar, idênticas de um país a outro". Em toda parte, se ouve as mesmas palavras-chave (aglomeração, distanciamento, medidas sanitárias, quarentena, assintomático...), expressões de uma espécie de "pensamento único ". As imagens difundidas: caixões, ambulâncias, sirenes e necrotérios improvisados. Existe a intenção de produzir medo e trauma? Por quê?

 

3.3. Rastreamento de população

Alguns países adotaram o rastreamento compulsório. Na França, a Assembléia Nacional e o Senado votaram em 27.05.2020 a favor de implantação do aplicativo STOP-COVID, que não obteve o entusiasmo da população.

 

3.4. Finanças e COVID

Acontece que o jornal Le Monde recebeu da Fundação Gates um subvenção de US$ 4 milhões parcelados em cinco anos: US$ 299 mil em 2014, $438 mil 2015, $517k em 2016, $681k em 2017 e $2.127k em 20193. Estas somas fazem parte de um programa chamado Global Policy & Advocacy (política global e aconselhamento) com o objetivo oficial de “Informar e mobilizar as comunidades” (Inform and Engage Communities).

O periódico Tanzania Perspective4 de 14.05.2020 relata as palavras do Presidente de Madagascar, segundo o qual "a OMS ofereceu um suborno de US$ 20 milhões para envenenar o remédio para o COVID-19 à base de plantas chamado COVID-19 Organics, feito a partir de Artemisia, que pode curar pacientes atingidos pelo COVID-19 em dez dias”. A mídia francesa tem, recentemente, amplamente discutido estudos que concluem pela ineficácia do tratamento.

O Daily Post da Nigéria5 afirma que Bill Gates propôs ao Governo nigeriano $ 10 milhões para aprovar uma lei, fora do circuito parlamentar usual, exigindo vacinas. Gates também se tornou o maior financiador da OMS tendo adicionado $ 150 milhões em abril de 2020.

Em última análise, o tratamento da vacina COVID-19 representaria uma mina de ouro de vários bilhões de dólares.

 

3.5. Coordenação ou burocracia planetária?

Para ajudar os mais desfavorecidos, Bill Gates evoca a necessidade de uma preocupação global comum:

Nas últimas semanas, falei com dezenas de especialistas em COVID-19... o vírus SARS- CoV-2 ignora totalmente as fronteiras ... Os governos têm se concentrado em sua própria resposta nacional... O que é compreensível. Mas em face a um vírus tão contagioso e largamente disseminado, os líderes também devem entender que, enquanto o SARS-CoV-2 estiver presente em alguma parte, ele diz respeito a todos nós. (Le Monde, 15/04/2020)

Em um relatório de março de 2020, a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico)6 estima que:

Ações políticas coordenadas em todas as grandes economias são necessárias para garantir o fornecimento de cuidados de saúde eficazes no mundo e fornecer o estímulo mais eficaz para a economia global. [Neste caso,] reformas estruturais [assim como] o apoio adicional à política orçamental e monetária [devem ser considerados].

Em uma declaração ao The Guardian7 , Gordon Brown estima que um "governo global temporário (seria) uma resposta global coordenada, (porque) este assunto não pode ser resolvido ao nível de um único país".

"Construir uma saúde juntos torna-se um imperativo moral, ético e democrático”, concluiu em julho Jean-François Alesandrini, ex-diretor de relações públicas da DNDi8.

 

3.6. The Great Reset

A recente publicação do livro de Klaus Schwab e Thierry Malleret, O grande reset9, e o anúncio10do 51º Fórum de Davos, aberto a todos, ao contrário da prática dos 50 anteriores, nos deixam de orelhas em pé!

Em janeiro de 2021, o WEF deve organizar um diálogo virtual entre os líderes do mundo político, econômico e financeiro reunidos em Davos e milhares de jovens de mais de 400 cidades do planeta. O objetivo é se preparar para os próximos 50 anos após a "tragédia humana"11 por que passa a nossa época.

Entre outras intervenções, Klaus Schwab destaca:

Esta pandemia global há igualmente demonstrado mais uma vez a que ponto nós estamos interconectados. É nosso dever restabelecer um sistema funcional de cooperação global inteligente, estruturado para enfrentar os desafios dos próximos 50 anos. A Grande Reinicialização (Great Reset) exigirá que nós integremos todos os atores da sociedade global em uma comunidade de interesse, de objetivo e de ação comum...

 

4. Antigos fatos e palavras

Podemos impedir que alguém relacione os fatos atuais com o passado conhecido? A situação presente certamente promove esse despertar da memória...

 

4.1. Malthusianismo e COVID-19

Podemos associar o perigo mortal do COVID-19 à corrente Ideológica malthusiana, ainda que apenas por causa de iniciativas realizadas a nível global, como declarações de personalidades de primeiro plano nos campos político, financeiro e científico; além das somas colossais, de fonte pública ou privada, dedicadas a conter o crescimento populacional:

 

1968: Em um livro que teve um impacto explosivo, The Population Bomb, publicado em 1968, Paul Ehrlich, professor de Stanford, então conselheiro científico de Obama, escreveu:

O câncer é uma multiplicação descontrolada de células; a explosão demográfica é uma multiplicação descontrolada de pessoas... Devemos passar do tratamento dos sintomas para o tratamento do próprio câncer. Isso exigirá a tomada de decisões que podem parecer brutais e desprovidas de sentimentos.

1980: Em março de 1980, na Geórgia, nos EUA, seis blocos de granito "surgiram" do solo, cada um com quase seis metros de altura para um peso total de 138 toneladas. Neles, se pode ler, escritos em oito idiomas, os dez mandamentos para um planeta harmonioso... Estas são as famosas Georgia Guidestones (Pedras-guia da Geórgia) construídas à pedido de um misterioso Christian Rosenkreutz12. À frente destes prescrições: "Manter a humanidade abaixo de 500.000.000 indivíduos em equilíbrio perpétuo com a natureza. "

1991: Quanto ao famoso oceanógrafo Jacques-Yves Cousteau, ele disse em entrevista ao Courrier de l´UNESCO:

É terrível dizer. A população mundial precisa se estabilizar e para isso, seria necessário eliminar 350 mil homens por dia. É assim horrível dizer que nem deveria ser dito. Mas é o conjunto da situação na qual nos encontramos que é lamentável13.

2006: O Prof. Eric Pianka, sumidade científica no mundo da biologia, desencadeou um escândalo em uma conferência no Texas Academy of Science em 27/03/2006; ele afirmou que as doenças são a maneira mais eficiente e rápida para resolver o mais rápido possível, a crise de superpopulação. Sendo a AIDS muito lenta, apresenta o vírus Ebola, que, disseminado por via aérea é a forma mais segura de eliminar 90% da população mundial, porque é ao mesmo tempo extremamente mortal e mata em poucos dias.

2007: O produtor e diretor de Hollywood, Aaron Russo14 relatou, durante a entrevista que deu seis meses antes de sua morte súbita, as conversas que teve com seu amigo Nicolas Rockefeller:

Com Nick, discutimos muitas coisas. Entre os assuntos conversados, um se referia à redução da população global. Ele achava que havia gente demais na Terra. Em certo sentido, eu estava de acordo com ele, mas não me sentia com autoridade para dizer quem deveria morrer e quem deveria sobreviver. Ele me disse que eles planejavam reduzir a população mundial pela metade (…).Disse-me que eles estudavam as formas de chegar a isso.

2009: A Dra. Nina Fedoroff, bióloga, consultora de ciências e tecnologias tanto de  George W. Bush como de Barack Obama, insistiu durante uma entrevista de rádio:

Precisamos continuar a diminuir a taxa de crescimento da população mundial; o planeta não pode hospedar muito mais pessoas. (BBC, 31.03.2009)

• O site do Sunday Times (Times online), publicou em 24.05.2009 uma matéria com o título: Um clube de bilionários procura restringir a superpopulação. Nela se lia:

Alguns dos bilionários mais influentes da América, reuniram-se secretamente para examinar se suas riquezas poderiam ser usadas para desacelerar o crescimento da população mundial e acelerar melhorias na saúde e na educação. Estes filantropos, reunidos por iniciativa de Bill Gates, cofundador da Microsoft, decidiram unir forças para superar os obstáculos de ordem política e religiosa às mudanças. Entre eles: o patriarca da dinastia americana mais rica, David Rockefeller Jr., os financistas Warren Buffett e Georges Soros, o Prefeito de Nova York, Michael Bloomberg e chefes de mídia Ted Turner e Oprah Winfrey.

O peso da taxa de natalidade ameaça o clima, manchete de primeira página do jornal Le Monde de 19.11.2009; especificado no subtítulo: A ONU evoca uma cifra ecologicamente viável da população mundial. E nas páginas internas:

Limitar os nascimentos, um remédio para o perigo climático. A Organização das Nações Unidas pede que a questão demográfica seja levada em consideração na cúpula de Copenhague.

 

4.2. Epidemias anteriores

• No blogs.lexpress (03.05.2009), uma postagem do Sr. J. Attali durante o episódio que ficou conhecido como “gripe suína” passou despercebida. Este texto profético não suscitou naquele momento nenhum comentário. Republicado hoje, o texto provoca reações na mídia semelhantes as geradas pelo “Evento 201”: erro de interpretação, mal-entendido, fake news etc. Eis o que Jacques Attali, conselheiro de vários presidentes franceses, escreveu logo após a epidemia de H1-N1:

A história nos ensina que a humanidade só evolui significativamente quando tomada de medo: então ela lança mão de mecanismos de defesa [...]. Passada a crise, transforma esses mecanismos para torná-los compatíveis com a liberdade individual e os inclui em uma política de saúde democrática (...). A pandemia que está começando pode desencadear esses medos estruturantes ...

Como proteção contra futuras pandemias, Attali propôs a criação de…

...uma força policial global, um armazenamento mundial e, portanto, uma tributação mundial. Nós chegaremos então muito mais rápido do que teria permitido apenas a razão econômica, lançando as bases para um verdadeiro governo mundial.

• Comentários que se juntam aos que David Rockefeller teria feito durante uma recepção na ONU em 23/09/1994:

Estamos às vésperas de uma transformação global... Tudo o que precisamos é de uma grande crise e as nações aceitarão a Nova Ordem Mundial.

Rockefeller realmente fez esse discurso? Não temos como prova-lo. Mas, em suas Memórias15, declarou com todas as letras o seu ativismo em favor da Nova Ordem Mundial:

Alguns até acreditam que nós [a família Rockefeller] fazemos parte de uma cabala secreta trabalhando contra os melhores interesses dos Estados Unidos, caracterizando minha família e eu como internacionalistas que conspiram para construir uma política global mais integrada, bem como uma estrutura econômica -- um mundo único, se quiserem. Se esta é a acusação, tenho orgulho de ser culpado disso.

O objetivo anunciado pelo The Great reset não é esse?

• É oportuno lembrar as palavras do primeiro diretor geral da OMS, um dos protagonistas na crise atual? Seu nome era George Brock Chisholm e realizou na Califórnia uma Conferência sobre educação em 11.09.1954:

Para estabelecer um governo mundial, é necessário retirar dos espíritos seu individualismo, sua lealdade às tradições familiares, seu patriotismo nacional e seus dogmas religiosos.

Esta afirmação, da qual não temos a fonte, é corroborada pela biografia que lhe dedica a Wikipédia e por outras reflexões de Chisholm16. A observação de nossas sociedades sugere que este objetivo foi alcançado. É chegada a hora de passar para o último ato?

 

Conclusão

O terreno tornou-se escorregadio. Mas esses fatos, essas declarações alimentam inquietudes, dúvidas, medos e rumores. É de se admirar que alguns pensem que COVID-19 seria uma criação francesa, exportada para a China? Que o propósito de toda essa comoção seria de alimentar as finanças internacionais? uma maneira de amordaçar e tomar as populações em mãos e controlar o crescimento planetário da população? um modo de avançar em direção a um governo mundial em que todos as estruturas estariam prontas? 

É surpreendente, para dizer o mínimo, que nenhum dos 197 Estados do planeta não faça eco a essas dúvidas para pôr em questão o que parece ser o maior embuste deste início de século. Esta unanimidade planetária de governantes em silêncio é no mínimo suspeita!

 

                                                                                  (Revista da A.F.S. Autor: Y. Tillard - Tradução Permanência)

  1. 1. Evento organizado sob o título de Evento 201 (https://www.lemonde.fr/lesdecodeurs/article/2020/02/06/coronavirus-la-fondation-gates-a-t-elle-organiseune-simulation-de- the-end-of-2019-epidemic_6028667_4355770.html)
  2. 2. http://osonscauser.com/medias-pourquoi-10-milliardaires-controlent-ils-notreinformation/ (https://www.pinterest.fr/pin/723812971336429584/)
  3. 3. De acordo com o The Guardian. Informações verificadas no site da Fundação Gates.
  4. 4. L’OMS a offert un pot-de-vin de 20 millions de dollars pour empoisonner leur médecine du COVID-19 – Président de Madagascar | Le journal participatif et citoyen ! (cagou.com)
  5. 5. Bill Gates offered House of Reps $10m bribe for speedy passage of compulsory vaccine bill – CUPP alleges - Daily Post Nigeria
  6. 6. https://www.lefigaro.fr/conjoncture/le-coronavirus-met-l-economie-mondialeen-danger-avertit-l-ocde-20200302
  7. 7. The guardian.com (26.03.2020)
  8. 8. DNDi = Iniciativa de Medicamentos para Doenças Negligenciadas
  9. 9. Forum Publishing (edições do World Economic Forum em Davos)
  10. 10. Comunicado de imprensa completo do WEF em https://journalintegration.com/big-reset-single-summit-start-2021 /
  11. 11. mandatos de Antonio Guterres, Secretário-Geral da ONU
  12. 12. Christian Rosecroix… O site (https://fr.wikipedia.org/wiki/Georgia_Guidestones) permite até uma visita guiada!
  13. 13. Comentários verificados pelo autor desta resenha, que possui a versão digital desta edição (novembro de 1991, p. 13).
  14. 14. Aaron Russo (1943-2007). A entrevista está disponível na internet.
  15. 15. David Rockefeller - Mémoires (Éd. De Falloy, 2006, 606 p., 23 €, p. 405)
  16. 16. https://quotepark.com/fr/auteurs/brock-chisholm/

Nada será como antes (I)

NADA SERÁ COMO ANTES (I)

- O mundo depois da COVID -

 

 

Um mal que espalha terror,

Mal que o Céu em sua fúria

Inventa para punir os crimes da terra,

O COVID (já que deve-se que chamá-lo por seu nome),

Capaz de enriquecer em um dia o Aqueronte,

Faz guerra aos humanos.

Nem todos morrem, mas todos são atingidos ...1

 

 

Este último verso prende nossa atenção uma vez que o frisson da morte adquiriu dimensões globais.

A mensagem de alerta internacional de profissionais da área de saúde para governos e cidadãos do mundo lançado pela United Health Professionnals2, recebe a cada dia novo apoio: “Parem o terror, a loucura, a manipulação, a ditadura, as mentiras e a maior falcatrua sanitária do século XXI". Em uma escala mais modesta, a Dra. Nicole Delépine, em um recente fórum do France-Soir3, lançou a questão: Fim de uma epidemia ou de um pânico organizado. Por quê.

Por falta de competência, não nos cabe mais do que uma opinião pessoal. Não podemos nos posicionar sobre assuntos que devem ser reservados a profissionais de verdade, e não a ´cientistas de opereta´, a ilustres anônimos encerrados em um comitê científico ou a profissionais de redes de televisão.

Contudo, o constante assédio da mídia, o zelo frenético das autoridades para intervir, nos conduzem a refletir e tentar entender o que está em jogo nesta agitação planetária4.

 

1. Algumas observações e perguntas

 

1.1. O Grande espetáculo

Com grande espalhafato de imagens e repercussão televisiva, pudemos assistir os fechamentos de aeroportos, as crônicas do obituário diário, os transportes TGV-COVID, a repetição incessante da mídia sobre a utilidade dos hospitais de campanha ou do plano Branco e Azul, a implementação abortada de drones de vigilância...

 

1.2. Origem do vírus

Natural ou projetado em laboratório? Este debate sobre a origem do vírus não é sem importância porque é uma fonte de interrogações para a pessoa comum: Se houve manipulação, por qual motivo? mera pesquisa ? objetivo curativo, político? O que é evidente é que o COVID-19 é atualmente objeto de consideração, tanto de autoridades locais como de organismos internacionais, a exemplo do que diz Klaus Schwarb, fundador e presidente executivo da World Fórum Econômico (WEF), mais conhecido como Fórum de Davos5"A pandemia apresenta uma oportunidade rara e limitada de repensar, reinventar e reerguer nosso mundo do zero."

O Prof. Luc Montagnier, Prêmio Nobel de Medicina de 2008, foi alvo de duras críticas por haver afirmado:

Este vírus (natural) recebeu inserções, mas os autores receberam ordem de não dizer nada... Há um encobrimento geral. Até mesmo cientistas são comprados ... Todos repetem em uníssono: o vírus foi produzido pela natureza. Isso é falso. Aí está uma grande mentira6

O Prof. Joseph Tritto7, praticante de microcirurgia, especialista em biotecnologia e nanotecnologia, presidente da Academia Mundial de Ciências e Tecnologias Biomédicas (WABT, sob a égide da UNESCO) confirma em seu livro "A quimera que mudou o mundo" a posição do Professor Montagnier.

A posição dos Professores Montagnier e Tritto recebeu recentemente o apoio da doutora Li-Meng Yang, virologista chinesa que pesquisou o COVID-19 a pedido de seus superiores no laboratório da Universidade de Hong Kong, referência da OMS. Ela fugiu da China em 28 de abril de 2020, para afirmar que estamos enfrentando um vírus modificado, criado no laboratório de Wuhan... e para não ser assassinada8. Por que ficar em silêncio sobre isso?

 

1.3. Periculosidade e mortalidade

Sem entrar em disputas de números e métodos de cálculo... as estatísticas mostram que o número de mortos em comparação ao de infectados é um pouco maior do que influenza sazonal (0,1-0,2%), mas bem abaixo de 1%.

De acordo com os últimos números divulgados pela OMS9, em 13 de agosto de 2020, dos 192 membros atuais da OMS, os quatro países europeus que mais aderiram ao lockdown (Itália, Espanha, Bélgica e França) estão entre os dez países que apresentaram a taxa de mortalidade por COVID-19 mais elevada do mundo.

Vemos atualmente a queda do número diário de mortes por COVID que fora liturgicamente anunciada todas as noites; estranhamente, durante este período, câncer, AVC, doenças crônicas... desapareceram!

O CDC americano (Centro para Controle e Prevenção de Doenças) declarou que a COVID-19 não é mais contagiosa e mortal do que outras epidemias do passado.

 

1.4. Inconsistências e reviravoltas das decisões de governamentais

Sobre o início da "guerra contra COVID-19", podemos nos lembrar...

... das declarações dos governantes sobre a inutilidade da máscara, o que é confirmado por muitas vozes médicas; hoje parece que caminhamos para o uso obrigatório!

... do confinamento, das multas por haver feito uma caminhada... sozinho na floresta sem máscara, mas tolerância em relação a encontros festivos... ou manifestações;

... do distanciamento no metrô, inexistente na SNCF10 que, no entanto, transforma seus funcionários em fiscais...

O Le Monde11 fala em “decisões políticas evolutivas” (!!!). Com o que isso rima?

 

1.5. Liberdade de expressão e de ação dos profissionais regulamentados

"Cancelamentos" orquestrados por indivíduos prepotentes -- jornalistas, "especialistas", políticos -- que expressam suas opiniões enquanto desqualificam outros que, por sua vez, apóiam-se em fatos, experiência e conhecimento. 

Perigo de crime de opinião: o professor Toubiana disse na BFMTV12 estar sendo pressionado pelo fato de afirmar posições contrárias a ideologia em vigor. Por quê?

Os cientistas seriam comprados, de acordo com o professor Montagnier, e parece que muitos meios de comunicação também o sejam (ver nota 6). Por quê ? Por quem ?

 

1.6. Medidas de saúde contestadas

Uso generalizado da máscara: A OMS especifica em seu relatório Conselhos sobre o uso de máscaras no contexto de Pandemia de COVID-1913:

Hoje, o uso generalizado de máscaras por pessoas saudáveis ​​na comunidade, não é ainda apoiado por evidências científicas diretas ou de alta qualidade e há benefícios e danos potenciais a serem tomados em consideração.

No canal LCI14, o Prof. Toubiana, epidemiologista, doutor em física, pesquisador do INSERM, disse em 20 de agosto que a máscara era inútil ao ar livre, e psicologicamente muito prejudicial. O que o atual Ministro da Saúde15, para quem o vírus está cada vez mais ativo, contesta violentamente.

Idosos: Medidas draconianas (máscaras, isolamento de idosos em asilos, confinamento generalizado, barreiras - com controles policiais meticulosos e às vezes difíceis, multas etc.) tomadas para proteger "pessoas frágeis" - dependentes e residente em asilos - resultou nesta população: 12.769 mortes de 25.531 registradas em 6 de maio de 2020.

• Confinamento: não há consenso sobre a eficácia do confinamento generalizado16. O Dr. Michel de Lorgeril especifica que o confinamento nunca foi praticado na história da medicina e Não existem estudos sobre o confinamento e sua utilidade para fazer face a uma pandemia. Além disso, a taxa de contaminação é maior em países onde o confinamento foi objeto de uma decisão cabal.

Distanciamento: De acordo com a revista médica BMJ17, o Massachusetts Intitute of Technology e a Oxford University argumentam que regra de distanciamento (entre duas pessoas) seria obsoleta porque devemos levar em consideração a ventilação das instalações, a potência da voz… para estimar o dano de gotículas respiratórias. O que parece ser a confirmação do bom senso!

Hospitais: Devido aos planos Branco e Azul, a capacidade hospitalar, quase totalmente reservada para os "covidados" teve por conseqüência a suspensão do tratamento de doenças crônicas, câncer, AVC... levando, portanto, a óbitos. Além disso, os depoimentos públicos da equipe de enfermagem, o uso de emprego parcial em clínicas particulares comprova a desproporção da decisão.

 

1.7. Tratamentos da doença

De acordo com dados da OMS de 13 de agosto, os países com menos mortes atribuídas ao COVID-19 são principalmente aqueles que mais realizaram testagens, realizaram quarentenas específicas e/ou usaram amplamente a hidroxicloroquina: Islândia (30 / milhão de hab), Marrocos (15), Senegal (14), Grécia (12), Japão (8,4), Cuba (7,7), Coréia (6), Nigéria (4,6), Singapura (4,6), Malásia (3,8), Qatar (1).

Na França, a liberdade de prescrição de remédios foi posta sob controle. Em 27 de março de 2020, o CNGE (Conselho Científico do Colégio Nacional de Docentes Generalistas) recomendou que clínicos gerais não prescrevessem derivados de quinina para os cuidados da COVID-19. “Essa exigência seria contrária à ética médica18"... e pode acarretar em sanções da ordem dos médicos. A proibição tem sido ameaçadora desde então.

Mas, de acordo com o Prof. Montagnier:

A ciência mostra as verdades, mas não se acredita mais nelas. Essas verdades estão sendo transformadas de acordo com as necessidades da economia. Ver um Ministro da Saúde da França para proibir um medicamento que parece agir sobre este infame vírus, é absolutamente espantoso, absurdo. Embora as revistas científicas tenham se retratado [caso da Lancet19] ele não se retratou. Ele continua. Então, quem é que nos governa? É um mundo louco... Os médicos não têm o direito de prescrever20.

Desde março, muitos especialistas, diferentes hospitais e institutos de pesquisa, propuseram tratamentos médicos que provaram ser eficazes, pelo menos em muitos casos, mas que nunca foram levados em consideração por governantes e outros comitês ad hoc que, por sua vez, interditaram o uso de drogas utilizadas há mais de 30 anos.

 

1.8. A salvação da humanidade através da vacina por vir

Os "Especialistas" defendem a vacina aos sete ventos, apesar do parecer de muitos virologistas e médicos licenciados em sentido contrário. Emmanuel Macron21, apoiador de uma política vacinal muito autoritária, afirma:

 "... afirmamos agora que uma vacina contra COVID-19, assim que ela for descoberta, beneficiará a todos, pois será um bem público global."22

Bill Gates converteu-se de empresário em pregador infatigável da vacina em nome da justiça social. Por quê ?

 

1.9. Um segundo ataque da besta?

Prof. Laurent Toubiana: “Não há epidemia de infecção de COVID-19, há uma epidemia de ansiedade. " (BFMTV).

Contra tudo o que é afirmado diariamente, "não haverá segunda onda", afirma o professor Toussaint, correndo o risco de se desacreditar. Por quê ?

O Professor Christian Perronne, infectologista, denuncia os subterfúgios, as mentiras, as manipulações ... das quais ele fornece provas em seu livro "Há algum erro que eles não tenham cometido?" 23. Tendo em vista milhões de testes, a generalização progressiva do uso de máscara… conseguinte ao discurso em 31 de agosto em RMC, C. Perronne falou de delírio total... Por que essa obstinação das autoridades?

< a seguir >

(AFS 271, Tradução: Permanência)

  1. 1. A partir de: Os animais doentes da peste por J. de La Fontaine.
  2. 2. https://covidinfos.net/wp-content/uploads/2020/08/FR-international-alert-message.pdf
  3. 3. http://www.francesoir.fr/opinions-tribunes/crise-du-coronavirus-en-franceepidemie-terminee-versus-panique-organisee-pourquoi
  4. 4. NB (Nota bene): O leitor encontrará nas linhas que se seguem, fatos, acontecimentos, citações devidamente referenciadas recolhidas a fim de preparar uma entrevista para a associação Prefeitos pelo Bem Comum. Guardamos este texto para uma apresentação oral, acreditando ser útil na confusão atual.
  5. 5. reunião anual seleta de personalidades políticas, econômicas e midiáticas que "fazem" o mundo.
  6. 6. https://www.medias-presse.info/le-professeur-luc-montagnier-denonce-lesmensonges-sur-le-covid-19-meme-les-scientistiques-sont-achetes/123737/
  7. 7. http://www.francesoir.fr/societe-sante/covid-19-lorigin-du-virus-lanalyse-du-prtritto-confirme-celle-du-pr-montagnier
  8. 8. Veja https://lesobservateurs.ch/tag/dr-yan-limeng/
  9. 9. Mortalidade por COVID-19 por milhão de habitantes: Bélgica 854, Grã-Bretanha 687, Espanha 611, Itália 582, Suécia 571, EUA 493 e França 464. -- (N. da P.), hoje o número de mortos por milhão nesses países aumentou consideravalmente
  10. 10. A Société nationale des chemins de fer français (SNCF) é uma empresa ferroviária francesa, controlada pelo Estado.
  11. 11. https://www.lemonde.fr/societe/article/2020/08/29/six-mois-de-consignes-sur-lemasque-en-france_6050316_3224.html
  12. 12. Canal francês de televisão - N. da. P.
  13. 13. Conselhos sobre doença coronavírus (COVID-19) para o público: quando e como usar máscaras (Organização Mundial da Saúde, abril de 2020).
  14. 14. LCI, ou La Chaine Info, é uma rede de televisão comercial aberta francesa - N. da. P.
  15. 15. Journal du Dimance (23.08.2020).
  16. 16. https://michel.delorgeril.info/ethique-et-transparence/science-du-confinementou-confinement-de-la-science/comment-page-1/
  17. 17. L’Obs et AFP (28.08.2020)
  18. 18. https://www.cnge.fr/conseil_scientifique/productions_du_conseil_scientifique/covid_19_y_t_il_une_place_pour_lhydroxychloroquine/
  19. 19. Ver Idriss Aberkane (Valores Atuais de 06.04.2020). Negligência escandalosa das autoridades que tomaram imediatamente decisões contra a hidroxicloroquina sem verificar - o que seria imperdoável a este nível - a fiabilidade do falso estudo publicado no periódico "científico" The Lancet, ou desejo manifesto de manipulação?
  20. 20. https://www.medias-presse.info/le-professeur-luc-montagnier-denonce-lesmensonges-sur-le-covid-19-meme-les-scientifiques-sont-achetes/123737/
  21. 21. Presidente da França - N. da. P.
  22. 22. Mensagem de E Macron para a Aliança Global para Vacinas e Imunização (GAVI), pelo 20º aniversário da sua criação (Londres 04.06.2020).
  23. 23. Albin Michel (2020, 16,90 €)

Existe direito à união homossexual?

Pe. Jean Michel Gleize

O que pensar da recente declaração do Papa Francisco? “Pessoas homossexuais têm o direito de pertencer a uma família. Eles são filhos de Deus e têm direito a uma família. Ninguém deve ser excluído ou forçado a ser infeliz por isso. O que temos de fazer é criar uma legislação para a união civil. Dessa forma, eles ficam legalmente cobertos.”  Ao reivindicar para os homossexuais “o direito de pertencer a uma família”, o Papa, claro está, não tem em mente apenas a situação de um homossexual que, ao que pese a sua homossexualidade, teria o direito de permanecer membro da sua família: filho do seu pai e da sua mãe, irmão dos seus irmãos e irmãs. Trata-se de mais do que isso, trata-se do direito de reivindicar uma “lei da união civil” destinada a proteger o direito dos homossexuais de viverem como um casal, como cônjuges, à exemplo do que ocorre no casamento entre o homem e a mulher.

Num livro publicado no ano de 2017, resumindo as “entrevistas” do Papa com Dominique Wolton, Francisco havia claramente descartado a possibilidade de um “matrimônio” entre homossexuais. “Que pensar”, interroga-se o pontífice, “do casamento das pessoas do mesmo sexto? O matrimônio é uma palavra histórica. Desde sempre, na humanidade, e não apenas na Igreja, tratou-se de um homem e uma mulher. Não se pode mudar isso assim [...] não se pode mudar isso. Trata-se da natureza das coisas, e elas são assim. Chamemos isso de união civil. Não devemos brincar com as verdades. É certo que, por detrás disso há a ideologia de gênero. [...] Digamos as coisas como são: o matrimônio ocorre entre um homem e uma mulher. Esse é o termo correto. Chamemos a união do mesmo sexo de união civil”.

Aos olhos do papa, não se pode mudar a natureza das coisas, e o matrimônio é uma palavra empregada para designar a realidade natural, tal como a humanidade sempre a reconheceu: realidade que é a da união de um homem com uma mulher. Não poderíamos, portanto, utilizar esse termo para designar a união de pessoas do mesmo sexo, pois aqui estamos no plano da definição das coisas. Eis o porquê, nesse plano mesmo, da teoria (pois se trata precisamente de uma “teoria”) de gênero corresponder a uma ideologia. Ocorre diferentemente se nos situamos no plano da definição pastoral, pois se trata de qualificar a atitude da Igreja no tocante às pessoas, no contexto da vida em sociedade. Francisco retorna então à Amoris laetitia, no seu no. 291: “A Igreja não cessa de valorizar os elementos construtivos nas situações que ainda não correspondam ou que não correspondam mais ao seu ensinamento sobre o matrimônio”. Isso equivale a dizer que o plano da realidade natural, com as definições que ela comporta, e o plano da compreensão pastoral, que se refere à ordem jurídica da vida em sociedade, podem não se cruzar e serem heterogêneos.

A novidade -- pois se trata de uma – das declarações recentes do papa em relação à declaração dada no livro de 2017, é que o papa agora reivindica um “direito” para a união civil dos homossexuais. Há novidade, certamente, no sentido de que o papa diz em 2020 o que ainda não dizia em 2017. Mas a novidade é só aparente se considerarmos que a afirmação de 2020 já estava em germe (ou virtualmente presente) nos princípios anunciados em 2017. O direito à união civil dos homossexuais já estava inscrito antecipadamente nos parágrafos citados de Amoris laetitia. Francisco só faz explicitar, de modo lento, mas seguro e inevitável, a sequência lógica do seu próprio discurso.

O pressuposto de uma lógica desse tipo deve ser sublinhado. Tudo se passa como se a ordem jurídica e social da lei humana positiva não mais se fundasse na lei natural, e como se o “direito” que a lei civil reconhece pudesse ser dissociado do “direito” que tem de decorrer normalmente da natureza do homem, ao ponto mesmo de se contradizerem. O papa reconhece, com efeito, que o direito da Igreja, que só reconhece como união sexual legítima o matrimônio, definido como a união de um homem com uma mulher, não exclui um outro direito, a saber, o da sociedade civil, na qual o Estado reconhece a união homossexual como legítima. Seja qual for a intenção do papa, está claro que uma concepção semelhante do direito corresponde diretamente a uma concepção materialista e mesmo marxista do homem. O homem não é mais uma realidade estável, conforme a sua essência, mas o termo sempre renovado de uma incessante evolução, na qual o espírito se liberta cada vez mais da matéria. A moralidade e, com ela, a ordem política, não possuiria outro fundamento que a tomada de consciência da necessidade de evolução. A natureza, no sentido em que a compreende a filosofia de Aristóteles e de Santo Tomás, não existe mais. Ou antes: ela se reduz à consciência, único elemento estável por ser objeto de evolução.

João Paulo II, é verdade, havia reprovado em 2003 o reconhecimento jurídico e legal das uniões homossexuais por parte das autoridades civis. O argumento principal apresentado pelo papa polonês era o seguinte: “Nas uniões homossexuais, estão completamente ausentes os elementos biológicos e antropológicos do matrimônio e da família que poderiam fundar razoavelmente o seu reconhecimento jurídico. Essas uniões não estão em condição de assegurar, de modo adequado, a procriação e a sobrevivência da espécie humana”. Por causa disso: “A Igreja ensina que o respeito para com os homossexuais não pode, de modo algum, conduzir à aprovação do comportamento homossexual ou ao reconhecimento jurídico dessas uniões”. Contudo, é preciso dizer que, mesmo o Papa João Paulo II julgou bom afirmar que a liberdade religiosa é a “fonte e a síntese” de todos os outros direitos. Ele escreveu, com efeito: “É necessário que os povos que estão em vias de reformar as suas instituições deem à democracia um fundamento autêntico e sólido graças ao reconhecimento explícito desses direitos. Entre os principais é preciso recordar o direito à vida da qual fazem parte integrante o direito de crescer no seio da sua mãe após a concepção; em seguida, o direito de viver numa família unida e num clima moral favorável ao desenvolvimento da sua personalidade; [...] o direito de fundar livremente uma família, acolher e educar crianças, exercendo de modo responsável a sua sexualidade. Em um sentido, a fonte e a síntese desses direitos é a liberdade religiosa, entendida como o direito de viver na verdade da sua fé e em conformidade com a dignidade transcendente da sua pessoa.” Isso não equivale a introduzir o veneno que, com o passar do tempo, desembocaria em 2017 e em seguida em 2020, na reivindicação do direito legal à união civil dos homossexuais?

É inegável que, ao defender o princípio da liberdade religiosa, Roma promoveu de fato uma sociedade que, concedendo espaço igual a todas as opiniões, teria de ficar neutra. Ela renunciou ao Estado confessional católico, não apenas na prática e no curto prazo, mas ainda no seu princípio mesmo. O campo ficou aberto para uma legislação que, ao ignorar a Deus, não pode mais encontrar o meio de justificar a referência exclusiva à lei natural. Não é de se admirar, portanto, que os governantes das sociedades civis, pelo fato mesmo de organizarem a sociedade sem levar Deus em consideração, a organizem sem levar a natureza em consideração. Por vontade mesma do Concílio Vaticano II, a consciência libertou-se de todo constrangimento da parte dos poderes públicos, sobre o plano da vida em sociedade. O matrimônio e a união civil podem coexistir pacificamente numa sociedade de tal tipo, em justos limites, que não os da fé e da moral. Por essa razão, a política não está mais em continuidade com a natureza. Independente das realidades naturais e das definições necessárias que elas implicam, a nova doutrina social da Igreja é resolutamente personalista: a atitude para com as pessoas não decorre mais dos princípios da natureza. Pode-se recusar a teoria do gênero, precisamente enquanto teoria, como algo contrário às realidades naturais: a prática se encarrega de aceitar aquilo que a teoria reprova.

(Courrier de Rome, Outubro de 2020)

Esse confinamento que mata

Nota da Permanência: O Padre Denis Puga proferiu esse sermão, de enorme atualidade, na segunda-feira, 9 de novembro de 2020 na Igreja Saint-Nicolas-du-Chardonnet em Paris. A França acabava de proibir a assistência a Missa.

 

 

Caríssimos fiéis,

Eis que os senhores estão novamente impossibilitados de seguir os ofícios da Igreja, a não ser através de uma tela. É uma forma de perseguição, já que não se deve acreditar que exista uma intenção boa por trás de tudo isso. Festejamos hoje a consagração da Catedral de São-João-de-Latrão, em Roma, que é a catedral do Papa. Todas as igrejas do mundo dependem desta igreja, todas as igrejas são consagradas e, portanto, pertencem a Deus e ao culto de Deus. Não se tem o direito de privar os católicos de seus edifícios porque pertencem a eles. A liberdade de culto dos católicos é um direito fundamental. Em um momento em que ouvimos falar tanto sobre direitos humanos, eis um direito humano fundamental, o direito de praticar publica e socialmente a religião verdadeira. Esse direito é inalienável, ninguém pode tirá-lo de nós. Não há intenções boas por trás dessas proibições. Quem teria nos dito no início deste ano de 2020, quando nos desejavamos um feliz ano novo, que nos veríamos privados da missa, privados do santo sacrifício da missa? Teríamos certamente respondido: “Não, que exagero! Não estamos em um país comunista, não estamos na China de Mao Tse Tung ou na União Soviética de Stalin!" No entanto, eis-nos aqui privados da missa por mais um mês, sim... Por decisão do Estado, que finalmente se colocou no lugar de Deus, os fiéis não podem mais participar.

 

Um falso pretexto de saúde

Não há uma intenção justa, e que não nos aleguem o pretexto da saúde, porque não é por causa da saúde. A prova, caríssimos fiéis, é que este confinamento que se supunha ser mais “soft”, como hoje se diz, este confinamento fecha as igrejas, ou seja, proíbe o culto aos fiéis. Ora, verifica-se que se trata de uma decisão de governo, posto que o famoso Conselho Científico -- do qual muitas vezes já nos queixamos -- nas suas recomendações dadas no último mês, declarara que, em caso de reconfinamento, não seria necessário fechar igrejas, nem mesmo proibir, parar o culto público. 

Qual é a intenção, então? Por que o governo foi além dessa determinação [do Conselho Científico]? Os senhores sabem que o Conselho de Estado indeferiu as ações de associações que, assim como fizeram no primeiro semestre do ano, recorreram da decisão. Elas haviam ganho o recurso na ocasião, mas agora o Conselho de Estado indeferiu o recurso impetrado por associações como o Civitas e outras -- a Fraternidade São Pio X estava ligada a elas. Aqui está um bom combate: a luta pela liberdade da Missa honra a associação Civitas e as demais. Alguns bispos talvez estejam começando a acordar, não é fácil acordá-los, mas alguns começaram a acordar.

 

Hipocrisia e dissimulação

Por detrás de tudo isso, não há uma intenção sanitária; é algo muito misterioso, é global. Vou dar um exemplo -- é quase risível -- de algo que não aconteceu aqui, mas na Inglaterra. Os senhores sabem que eles também têm um confinamento e que, entre as medidas desse confinamento, é proibido, exceto por motivos graves, deixar o país, viajar para outros países. Ora, na Câmara dos Comuns, semana passada, muito seriamente, o Ministro da Saúde britânico respondeu, após ser perguntado por um deputado, que o fato de se querer viajar para realizar suicídio assistido era motivo suficiente para poder passar a fronteira. Isso era motivo suficiente! E a saúde, e o desejo de salvar vidas humanas? Por enquanto, a lei ainda proíbe o suicídio assistido na Inglaterra.

Já disse aos senhores o que está ocorrendo com relação ao aborto hoje em dia. De mansinho, enquanto todos estão preocupados com o confinamento, leis permissivas se multiplicam: vão aumentar a autorização do aborto para quatorze semanas, vão retirar a cláusula de consciência dos médicos que existia desde 1974. Não, não, não é a saúde que está por trás de tudo isso. E se de fato existem vítimas dessa doença, o que não se pode negar, não estamos enfrentando a peste. Quantos negócios vão morrer! Todos nós conhecemos pessoas que ficaram doentes, talvez até algumas que morreram, por outro lado, também conhecemos pessoas que perderam o emprego, que se encontram em situações econômicas dramáticas: é outra forma de morte. Sabemos que quando houve a crise de 1929 com toda a bagunça do desemprego, houve um aumento considerável dos suicídios. Pensem nesses pais que se veem tendo que alimentar uma família e que se inquietam com seu trabalho. Oh, promete-se muitas coisas, mas quem virá ajudá-los?

 

Um tempo de perseguição

Este é um tempo de perseguição, não esperávamos que isso acontecesse, mas está chegando e sabemos quem está por detrás de tudo: aqueles que lutam contra a Igreja Católica, contra toda forma de religião, contra todo culto prestado a Deus, porque não o suportam. Ontem, caríssimos fiéis, vimos a igreja ser cercada por forças policiais com um ônibus na entrada e policiais impedindo a entrada ou saída. O que é que nós fizemos? Os vizinhos do bairro,sem dúvida se perguntaram: "Deve estar havendo um ataque terrorista na igreja de Saint-Nicolas-du-Chardonnet para haver tantos policiais!" “Se nos tivessem perguntado, responderíamos: “Não, não é isso, mas algo muito mais sério: nós ousamos celebrar a missa!" Pronto ... percebem aonde chegamos? Claro que, como os senhores sabem, foram os vizinhos, nossos gentis vizinhos, que tiveram o prazer malicioso de nos denunciar para a prefeitura ou para a mídia. Rezemos por eles, tanto pior para eles. Não temos medo de nossa fé. Creio que são, sem dúvida, os dignos sucessores daqueles que nos anos 1940 a 1945 denunciavam os judeus em seus bairros.

 

Devemos defender nossas igrejas

Falam-nos de um confinamento que vai durar, o estado de urgência sanitária vai durar pelo menos até fevereiro e os médicos que invadem os aparelhos de televisão vão pedindo cada vez mais, como se fosse da sua competência. Portanto, temos que nos preparar para um período difícil, um longo período, um período de resistência, meus irmãos, talvez seja uma segunda luta pela Missa que se abre agora, porque os católicos não devem ser ovelhas. Devemos defender nossas igrejas, devemos defender este direito de dizer missa publicamente. Nesses dias existem iniciativas, pessoas que espontaneamente foram rezar em frente às catedrais que estavam fechadas, é muito bom, devemos continuar nesta direção, senão a Igreja morre. A Igreja morre não pela perseguição dos inimigos, mas pela fraqueza dos cristãos.

 

Vamos orar em nossas igrejas abertas

Sim, este é um segundo combate e talvez o mais importante. Não percamos a coragem, vamos agarrar-nos às nossas igrejas. Quando elas estiverem abertas, saibam que os senhores sempre têm a possibilidade de entrar nelas, mesmo a caminho de suas atividades profissionais, ao fazerem compras, para suas visitas médicas, se passarem em frente a uma igreja, podem entrar lá para rezar. Aproveitem, caríssimos fiéis, há graças especiais  relacionadas à oração em um lugar consagrado, porque, no dia da consagração da igreja, o bispo faz orações especiais por aqueles que virão se santificar pela oração nessas igrejas. Não deixemos essas graças escaparem, não escutemos aqueles que, mesmo no governo, dizem: "De qualquer forma, os católicos têm a possibilidade de rezar em qualquer lugar." Não, preocupemo-nos com as nossas igrejas, mesmo que tenham sido roubadas pela Revolução, de modo que só temos o uso e não mais a propriedade das mesmas; essas igrejas que, no entanto, foram construídas com o dinheiro dos católicos, não com o do Estado. Essas igrejas, nós as temos, e não as abandonaremos.

 

Aqueles que conduzirem o combate serão abençoados

A consagração da catedral de São-João-de-Latrão, a primeira catedral do mundo, pouco antes de Constantino, pelo Papa Silvestre, foi o sinal do triunfo da realeza social de Nosso Senhor Jesus Cristo. Todas as igrejas, assim como Saint-Nicolas-du-Chardonnet, foram consagradas e manifestam a realeza de Nosso Senhor Jesus Cristo, pela sua existência, pela sua vida. Portanto, não vamos abandoná-las e lutemos para que não sejam profanadas, mas sempre usadas ​​para o verdadeiro culto rendido a Deus. Quem conduzir esse combate será abençoado: leigos, padres, o que for. Todos os católicos que liderarem esta luta terão que sofrer, porque sempre sofremos ao querer defender a missa, porque é a Cruz e o católico é um cruzado, mas os senhores não imaginam as bênçãos de Deus que descerão sobre eles, sobre suas famílias. Peçamos isso à Virgem Maria que foi o primeiro edifício consagrado a Jesus, pois é no seu seio que Jesus se encarnou e por isso Deus a fez tão santa, tão pura, sem mácula, sem pecado original. Peçamos a Ele que nos dê o amor pela Igreja, o amor por nossas igrejas, e lutemos por elas. Sim, devemos empreender um grande movimento de resistência, fiéis às leis de Deus, às leis da Igreja, mas um verdadeiro combate.

Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Que assim seja.

Do coronavirus ao reino de Satanás

[ Reproduzimos aqui a carta enviada pelo Pe. Laurent, capucinho, aos terciários franciscanos, sobre a questão do coronavirus ]

 

Caros terciários,

Desde a nossa última carta, muita coisa aconteceu. A chegada repentina do coronavírus, as ações tomadas em seguida pelos governos da maioria dos países: levará algum tempo até que se tenha o recuo necessário para uma análise completa da situação. No entanto, desde já, importa considerar tudo de um modo católico, afim de nos portarmos em tudo como filhos de Deus.

Em primeiro lugar, gostaríamos de exprimir nossa compaixão por todas as famílias afetadas pela epidemia. Que Deus conceda descanso eterno a todas as almas que se foram, e que se digne a secar as lágrimas de todos que choram (Is 25, 8). Nossa compaixão também se estende a todos vocês, que foram privados dos sacramentos, especialmente durante a Semana Santa e a Páscoa. Seus padres fizeram o possível para contornar o problema com as medidas toleradas pela lei. Tenham certeza de que continuam rezando especialmente por vocês.

Mas o dever do sacerdote é também, e acima de tudo, o de jogar a luz da fé nessas provações.  Ora, as pragas que nos tocaram são um castigo e visam a nossa conversão. "Minha vontade é a morte do ímpio? diz o Senhor Deus. Não é antes que ele se converta e viva?" (Ez 18, 23).

 

Uma punição coletiva

Nossos pecados pessoais merecem nosso castigo pessoal, neste mundo ou no outro. Quanto às sociedades, elas não sobreviverão a este mundo. Assim, é a partir desta vida que a justiça divina se exerce contra elas. Deus costuma enviar um castigo coletivo (epidemias, guerras, desastres naturais ou sociais), para que as sociedades ‘entrem em si’ (Lc 15,17) e voltem-se para Ele.

O castigo coletivo afeta diretamente a sociedade, ou seja: é um sinal de que ela pecou; mas afeta indiretamente os indivíduos, o que significa que, para eles, o flagelo não é necessariamente punição, mas uma oportunidade de praticar a virtude, às vezes em grau heróico. Assim, muitos são os que sucumbem, vítimas de um zelo admirável pelos pacientes com peste ou cólera.

O coronavírus está atingindo a sociedade como um todo. Ela pecou. A epidemia é o estigma que marca seu crime aos olhos de todos. Mas que seja para nós uma oportunidade de crescermos em virtude.

 

Outra punição, muito mais terrível

O coronavírus é a "árvore que esconde a floresta" do totalitarismo terrível. De fato, nos eventos que se desenrolam diante de nossos olhos, devemos distinguir entre a realidade (a doença e suas vítimas) e a exploração que se faz dela. A desproporção entre o vírus e as medidas tomadas para impedir sua disseminação é óbvia para todos. Assim também é a orquestração perfeita de quase todos os governos.

Primeiro, a epidemia serviu de pretexto para impôr medidas policiais inéditas até agora: mais da metade da população mundial ficou trancafiada em casa, os menores deslizes eram suscetíveis de serem tratados com severidade.

Estamos testemunhando uma aceleração dos ataques contra a lei moral: aborto em casa1, livre acesso à pornografia, eutanásia para idosos... e uma onda de denúncias em todos os círculos, conseqüência do regime totalitário e policial. A tática do "medo" é uma engrenagem importante na sociedade revolucionária para escravizar as populações. Pensemos no padre descrito por Solzhenitsyn no livro "O Arquipélago Gulag", perseguido dia e noite pela polícia secreta, e que acaba pulando no pescoço dos agentes que o prendem... Mas, esse medo, ao qual a prisão deu fim, é apenas o prelúdio de um sofrimento muito mais terrível.

Por último, mas não menos importante, um fato único na história da maioria das nações cristãs: o culto público é proibido. Obviamente, a Igreja não foi a única afetada. Todas as religiões e até mesmo todas as reuniões estão incluídas na mesma proibição. Mas, além do fato de ser um insulto à Igreja estar sujeita ao direito comum e ser colocada no mesmo nível das seitas, a perfídia do sistema aplica com mais rigor as leis comuns à Igreja do que aos supermercados.

Em resumo, estamos entrando em um regime que combina a escravidão soviética, as leis assassinas do Estado Nacional Socialista e o golpe de força que, através da sedução, consegue fazer com que a maioria da população mundial aceite tal tirania. Esse neo-comunismo é a grande punição do nosso mundo. As décadas seguintes à perestroika podem ter dado a ilusão de que esse perigo foi evitado. Em poucas semanas, por uma espécie de "guerra relâmpago", vemos isso quase realizado diante de nossos olhos.

 

A causa do castigo: a apostasia das nações

Não haveria grande utilidade em apontar e descrever o mal, sem denunciar a causa. Como o Bispo Delassus demonstrou admiravelmente (Les pourquoi de la guerre mondiale, 1920), ao castigo da guerra de 1870 seguiu-se uma reação superficial: verificou-se o ressurgimento da piedade, mas não a conversão das inteligências.

"O erro primordial", escreveu o Cardeal Pie, "o crime capital deste século é a pretensão de subtrair a sociedade pública do governo e da lei de Deus". Em outras palavras, o crime capital é a apostasia das nações.

"Não se passa impunemente sem o Único Necessário", escreveu ele. "O mundo tolera a existência a Deus, desde que não tenha de alterar o seu curso [...] Enquanto durar o mundo, não aceitaremos confinar [sic] o reino de Deus ao céu ou mesmo ao interior das almas."

"A grande lei, a lei comum da Providência no governo dos povos, é a lei de talião. O que as nações fazem a Deus, Deus faz às nações". A sociedade moderna confinou Deus às sacristias; como justa retribuição, as populações foram confinadas às suas casas e ainda não vimos tudo.

Mas a tragédia é que o confinamento de Jesus Cristo na esfera individual não é apenas o ato do mundo ímpio. Esse vírus, esse veneno infectou os homens da Igreja. A liberdade religiosa é o fundamento da religião conciliar. Da liberdade religiosa ao ecumenismo, do ecumenismo ao culto idólatra de Pachamama, a deriva é fatal. É louvável denunciar este último crime, mas devemos estigmatizar a causa, para reagir em conformidade.

 

A reação do mundo

Na grande maioria, as pessoas não enxergam tudo isso. O pânico desencadeado e mantido pela mídia inibe toda a reflexão. Talvez pela primeira vez em suas vidas, alguns finalmente tenham percebido que a morte pode chegar a qualquer momento. Infelizmente, privados de um ideal, não têm nada a se apegar ... exceto a essa vida miserável que passa.

Não se enganem: esse medo orquestrado é contagiante. Se não nos armarmos internamente, nos deixaremos dominar por ele.

 

Nossa reação

São Paulo enuncia magnificamente a atitude do católico diante do mal: "Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem" (Rom 12, 21). Um ilustre chefe de Estado disse: “Todos os povos conheceram sucessos e contratempos. É pela maneira com que reagem que se mostram fracos ou altivos.”

Primeiro, nossa reação à epidemia. É especialmente em face da morte que os católicos devem ser testemunhas de Jesus Cristo. Diz São Paulo: ”Não vos entristeçais como os outros, que não têm esperança" (1Ts 4, 3). São Francisco gostava de repetir que somos “peregrinos e hóspedes sobre a terra” (Heb 11, 13). Nossa alegria é nos dirigirmos ao lar do Senhor, o céu (ver Sl 121, 1).

Lembremos também que foi o beijo que São Francisco deu no leproso o ponto central de sua conversão, como ele afirma em seu Testamento. Aquele que não podia suportar a visão desses pobres trapos humanos, "voltando para enfrentar sua perfeita resolução de vida e lembrando que tinha que primeiro se conquistar se quisesse se tornar um soldado de Cristo" (São Boaventura), fez a si próprio esta violência", e o que lhe parecera amargo foi transformado em gentileza de alma e corpo" (Testamento). Sim, a alegria franciscana que atrai as almas e conquista a sua conversão tem esse preço.

 

Nossa reação ao neo-comunismo global

O Cardeal Pie, aludindo-se aos Últimos Dias, lembra que eles serão precedidos pelo "divórcio das sociedades com Deus". "A Igreja, uma sociedade que sem dúvida será sempre visível, será reduzida cada vez mais a proporções meramente individuais e domésticas. [...] Ela se verá disputando o chão, pé a pé, ela estará cercada, constrangida por todos os lados." Não é isso que vimos nas últimas semanas?

Então, qual é o dever dos bons nestes tempos? Devem eles se acomodar? Não, disse o ilustrado prelado. “O destronamento terrestre de Deus é um crime: nunca nos resignemos a ele!" Os verdadeiros católicos repetirão, "lutando por uma impossibilidade mais palpável do que nunca, dirão com energia redobrada e pelo ardor de suas orações, pela atividade de suas obras e pela intrepidez de suas lutas: Ó Deus! Pai Nosso que estais no céu, santificado seja o vosso nome, assim na terra como no céu; venha a nós o vosso reino; seja feita a vossa vontade! "

 

Nossos meios de ação

Como pediremos concretamente o reino de Deus na terra como no céu? Nossos meios são nossa regra. É através dela que nos venceremos e faremos Jesus Cristo reinar. "Minha reforma social", diz Leão XIII, "é a Ordem Terceira". “Não faz sentido transformar instituições se não se transforma as almas", disse o estadista citado acima.

A Regra da Terceira Ordem prescreve o Ofício do Pater: nos faz gemer com a oração ensinada por Jesus e clamar o seu reino nesta terra. A Regra nos faz reverenciar o jugo suave da lei de Cristo, prescrevendo práticas concretas de renúncia ao mundo e às boas obras na vida cotidiana. Sem essas práticas humildes, seremos talvez bons oradores, mas não muito credíveis (ver Tg 1, 23-25). “Mostra-me a tua fé sem obras”, diz São Tiago, “e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras (2, 18). Assim, a Regra viveu, é Jesus Cristo que reina em nossas almas, nas famílias, em nossos relacionamentos sociais.

Finalmente, em conclusão, só podemos encorajar a leitura dos belos exemplos dos heróis da resistência católica ao comunismo, que sabiam que não deviam se deixar vencer pelo mal, mas triunfar sobre ele com o bem. Digne-se São Francisco dar-nos a graça de estarmos de pé nesta luta!

 

Irmão Laurent, O. C. D.

  1. 1. Na França, pretextando emergência sanitária, o Ministro da Saúde chegou a facilitar o aborto em casa, l’avortement à domicile. (N. da P.)

O Choro da Bala Perdida

Dom Lourenço Fleichman OSB

Todos os dias, na cidade do Rio de Janeiro, acontecem tiroteios, confrontos entre policiais e bandidos, nas favelas e periferias. Todos os dias há mortos, há dramas, há choro.

A população da cidade e do país fica submetida a uma série de pressões, de stress, de medos. Vivemos assim e, como em toda guerra, procuramos levar a vida dentro de certa normalidade.

Acontece que, invariavelmente, essas situações dramáticas apresentam cenas muito parecidas, eu diria mesmo repetitivas, diante do olhar distraído de todos, sem que as pessoas pareçam saber como lidar com elas.    Continue lendo.

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