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Category: Dom Lourenço Fleichman, OSBConteúdo sindicalizado

ELEIÇÕES 2018

Orientações para as eleições presidenciais de 2018

Dom Lourenço Fleichman OSB

Sendo uma instituição de formação doutrinária, espiritual e cultural católica, cabe à Permanência uma orientação política segundo os critérios e princípios do Evangelho, das leis da Igreja e das virtudes, sobretudo da prudência, da justiça e dos dons de conselho e de ciência.

Com a proximidade das eleições no nosso Brasil, tomamos as medidas espirituais necessárias, promovendo nas Capelas ligadas à Permanência, um Rosário no dia 6 de outubro, primeiro sábado do mês. No dia do 1º turno, dia 7, a festa de N. Sra do Rosário será celebrada com toda a pompa, lembrando do papa São Pio V que instituiu esta grande festa de Nossa Senhora após a espetacular vitória da armada católica no golfo de Lepanto contra a poderosa esquadra turca muçulmana. Que a Virgem Maria venha em nosso socorro, impedindo que subam ao poder as forças comunistas e desagregadoras; criminosas e pérfidas que nos precipitaram na grave crise que sofremos há várias décadas. (Continue a ler)

Novos Tempos

Em comemoração dos 50 anos de Permanência,

 propomos a leitura do editorial de relançamento da nossa revista.

 

Dom Lourenço Fleichman OSB

Em 1991 propus ao meu pai, Julio Fleichman, o relançamento da Revista Permanência, cuja publicação fora interrompida em 1990, poucos meses antes, por falta de interesse dos assinantes. De fato, ao longo dos anos, faleceram os antigos alunos e leitores de Gustavo Corção, que sempre manifestaram seu apoio e mesmo seu entusiasmo com o trabalho de defesa da fé católica empreendido em 1968 e sustentado, desde então, de modo heróico.

Meu pai recusou minha proposta, alegando estar cansado de tanto insistir, sem sucesso, para que os leitores pagassem suas assinaturas. Ao mesmo tempo, o Sr. Otero, de Santa Maria, começara seu apostolado pela missa tridentina naquela cidade, construindo a Igreja do Imaculado Coração de Maria, que viria a ser o atual Priorado da Fraternidade São Pio X. Com isso ficava mais difícil para esse grande benfeitor continuar assegurando o custo de impressão dos mil exemplares da Revista. (Clique para continuar a ler)

Prefácio ao livro A Descoberta do Outro

Como já é do conhecimento de muitos acaba de ser reeditado o primeiro livro de Gustavo Corção - A Descoberta do Outro. Durante muitos anos várias editoras procuraram em vão os herdeiros de Corção para pedir autorização de publicar esta obra-prima do nosso fundador e mestre. Agora foi acordado à Vide Editorial. Mérito deles.

Não posso deixar de recomendar vivamente a leitura deste livro e a Editora Permanência não deixará de promover sua venda. Por outro lado, resta-nos uma ponta de tristeza pois, sendo os herdeiros espirituais do pensamento e do combate de Gustavo Corção, seria muito mais coerente e natural que nós pudéssemos difundir a obra de Gustavo Corção. Mas não nos foi acordada essa possibilidade. 

No intuito de aconselhar a leitura e de assinalar os aspectos mais importantes desse livro único no seu gênero, e para ajudar o leitor menos acostumado com as belas letras, escrevi o Prefácio que segue. 

Foi aos dezesseis anos que eu li pela primeira vez A Descoberta do Outro. Abri-o como quem abre um testamento, tão grande era a presença do autor em minha vida. Em casa o chamávamos Vovô Corção, pois de fato ele fora um pai para o meu próprio pai. O pensamento e a obra de Gustavo Corção tornaram-se como uma herança espiritual que recebi enquanto crescia, e que assumi na Permanência.

Ao longo desses 40 anos reli este livrinho dezenas de vezes, ora por gosto, ora por estudo. Em 1980, por exemplo, foi para ajudar na revisão da edição francesa, publicada em 1987. Mais recentemente, colaborei na preparação de uma matéria sobre Gustavo Corção, na Revista Conhecimento Prático de Literatura[1], e mais uma vez fui buscar o primeiro livro do grande escritor para ilustrar o artigo que escrevi para a ocasião.

(Clique aqui para continuar a leitura)

50 anos da Permanência

50 Anos da Permanência

​Dom Lourenço Fleichman OSB

No dia 29 de setembro de 2017 a Permanência completou 49 anos. Isso significa que já entramos no quinqüagésimo ano de existência, que se completará em 29 de setembro de 2018.

A inauguração da Permanência se realizou por uma missa celebrada pela então Arcebispo do Rio de Janeiro, o Cardeal Dom Jaime Câmara. Essa missa foi celebrada no auditório da primeira sede do nosso movimento, na rua das Laranjeiras.

Igualmente fora realizada uma cerimônia no auditório do Ministério da Educação e Cultura, na presença de muitas autoridades civis e religiosas, onde Gustavo Corção lançara o movimento católico, anunciando para setembro o primeiro número da Revista Permanência.

Eram outros tempos! Os jornais da época anunciaram o lançamento do movimento Permanência e de sua Revista com chamadas nas primeiras páginas. O catolicismo ainda fazia parte da civilização, mesmo sendo um aspecto apenas cultural da nossa Religião.

Seriam outros tempos? Nem tanto. O Concílio Vaticano II já tinha aberto as portas da Igreja ao mundo, abraçara-o e já se tornara cúmplice das suas liberdades, dos seus valores igualitários, da sua marcha para a socialização. O ciclope do fim do mundo já nascera e cuspia seu fogo que tudo destruiu.

Comunicado do Superior Geral da Fraternidade São Pio X

Um dia depois de termos postado o artigo de apresentação da Revista Permanência (ver abaixo), Dom Bernard Fellay lançou o comunicado que segue, deixando clara e definida a posição de combate da Fraternidade São Pio X diante dos erros e escândalos causados pelas autoridades do Vaticano e em particular pelo Papa Francisco. Dom Lourenço Fleichman OSB    Leia mais

ENFIM, O CISMA

Dom Lourenço Fleichman OSB

Em 1976, amigos franceses enviaram a Gustavo Corção notícias de um bispo italiano que escrevera para seus padres e fiéis denunciando o comunismo. Os amigos que enviaram a auspiciosa notícia ao jornalista e escritor católico estavam entusiasmados com a novidade, achando que aquela reação podia significar uma mudança de ares na Igreja.

Gustavo Corção escreveu sobre o fato um artigo em que mostrava aos seus amigos e leitores que o entusiasmo não era cabível. Antes de mostrar quão superficial era a crítica do bispo ao comunismo, Corção explicou:

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Pode a Igreja morrer?

Dom Lourenço Fleichman OSB

Muitas pessoas me pedem que atualize com mais freqüência o site. Confesso que não tenho conseguido me dedicar mais a este apostolado, levado pelo excesso de trabalho nas quatro capelas sob minha responsabilidade, nas revisões doutrinárias dos livros que editamos e na cura das almas. Estamos iniciando agora o projeto do Colégio São Bernardo, a primeira escola da Tradição no Brasil, sobre a qual falaremos a seu tempo.

Felizmente tenho a ajuda de uma equipe atuante no que toca a produção da Revista Permanência, de outra forma não conseguiria manter o ritmo dos lançamentos trimensais. Confesso que é um trabalho que nos traz muita satisfação.

Agora mesmo assistimos a mais um grave escândalo do ecumenismo desenfreado. A reunião promovida pelo papa Francisco I dentro do Vaticano, no domingo de Pentecostes é apenas um gemido naturalista, um grunhido da História, dentro da obra destruidora do Vaticano II.

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Anexo 4: Peregrinação Internacional a Roma da Fraternidade Sacerdotal São Pio X

JUBILEU  2000

Peregrinação Internacional a Roma da Fraternidade Sacerdotal São Pio X 

Nos dias  8, 9 e 10 de agosto aconteceu em Roma a peregrinação internacional do Ano Santo, organizada pela Fraternidade São Pio X. 

No dia 8, às 9:30, os Bispos, sacerdotes, religiosos, religiosas e os fiéis se reuniram na praça vizinha à Basílica de São Paulo fuori le mura; dali, depois de terem cantado o Veni Creator Spiritus, se dirigiram em procissão entoando os cânticos Benedictus qui venit e  Laetatus sum. No interior da Basílica, rezaram diante da Porta Santa e aos pés do Altar da Confissão. Depois de terem cantado o Credo e recitado e cantado o Pater, Ave e o Gloria, prestaram homenagem à Santíssima Virgem e a São Paulo com os cânticos Tota pulchra e Egregie doctor Paule. Sempre em procissão, acompanhados do canto Lauda Sion Salvatorem, retornaram à praça, marcando novo encontro às 15:00 na via della Conciliazione. 

Às 15:00 desenvolveu-se a procissão ao longo da via della Conciliazione, até a Basílica de São Pedro, ao som do canto da Litaniae Sanctorum. Também ali os peregrinos rezaram na Porta Santa e aos pés do Altar da Confissão. Depois de terem cantado o Credo e o S. Rosário, prestaram homenagem à Santíssima Virgem com o canto Salve Regina, rezaram pelo Sumo Pontífice com o canto Tu es Petrus, e prestaram homenagem a São Pedro com o canto  Decora lux aeternitatis. Enquanto os fiéis, religiosos e religiosas permaneciam no interior da Basílica em atitude de oração e de respeito, os Bispos e sacerdotes rezavam diante do túmulo de São Pio X, cantando, acompanhados de todos os demais peregrinos, o hino  Sancte Pie Decime. Tendo a cruz como estandarte, o clero saiu da Basílica ao som dos cânticos  Christus vincit e  Lauda Ierusalem.

No dia 9, às 9:30, os peregrinos reuniram-se na praça diante da  Basílica del SS. Salvatore (São João de Latrão) e com o canto Veni Creator Spiritus prepararam-se para o ingresso na Basílica onde entraram em procissão, rezando em seguida na Porta Santa e aos pés do Altar da Confissão . Também ali cantaram e recitaram o Credo,  Pater, Ave e o Gloria e prestaram homenagem a São João Batista com o canto Ut queant laxis e a São João Evangelista com o canto Hic est discipulus ille. Logo em seguida todos saíram em procissão ao som do canto Christus vincit, Exaudi Christe. 

Mantendo-se ordenadamente em procissão, com a cruz como estandarte, seguida pelos Bispos, pelo clero, religiosos e religiosas, os peregrinos percorreram a via Merulana até a Basílica de Santa Maria della Neve (S. Maria Maior), entoando o Christus Vincit, o Lauda Sion e outros hinos sacros.  

Depois de terem entrado em procissão na Basílica, rezaram na Porta Santa e aos pés do Altar da Confissão. Cantaram o Credo e o SS. Rosário com a Ladainha de Nossa Senhora e prestaram homenagem a São Pio V com o canto Dum esset summus Pontifex.

A saída da Basílica teve que ser organizada de modo menos ordenado já que os peregrinos que haviam se espremido dentro da Basílica tinham que dar lugar aos outros que haviam ficado de fora por falta de espaço. Apenas os Bispos, o clero e os religiosos permaneceram no altar, os quais, juntamente com o outro grupo de peregrinos, repetiram as orações e os cânticos.  

Todos os peregrinos dirigiram-se depois ao vizinho parque da Colle Oppio, onde um altar havia sido preparado para a celebração da S. Missa Pontifical em honra de Cristo Rei, a qual ocorreu às 16 horas depois de dezenas de sacerdotes terem administrado aos fiéis o Sacramento da Confissão.  
A Santa Missa foi oficializada por Mgr. Bernard Fellay, Superior Geral da Fraternidade São Pio X, assistido por sacerdotes e seminaristas, enquanto milhares de fiéis de joelhos, assistiam à Santa Missa com uma participação e decoro que a  Roma nobilis orbis et Domina já não via há um bom tempo. Depois do Ite missa est, in gratiarum actione, foi cantado o  Te Deum.

Calcula-se que o número de peregrinos estava entre 6000 a 7000, provenientes de todas as partes do mundo: Europa, América, África, Ásia e Austrália. Milhares de jovens, casais com filhos de todas as idades. Acompanhando os quatro Bispos da Fraternidade, estavam cerca de 300 sacerdotes e seminaristas, além de um grande grupo de religiosos e centenas de religiosas: todos em sua maioria bem moços.  
Sem falar no hábito talar para os sacerdotes e seminaristas, o hábito tradicional das respectivas ordens para os religiosos e religiosas, o que realmente surpreendeu muitas das pessoas que se encontravam em Roma naqueles dias foi sobretudo o vestuário decoroso dos leigos e o uso do véu sobre a cabeça da maioria das mulheres, até mesmo das mais jovens. A ordem espontânea, a compostura, a uniformidade nos cânticos, deixaram perplexos muitos dos peregrinos que se encontravam em Roma sem nem sequer imaginarem o que estava acontecendo. 
A surpresa e o espanto maior veio da parte dos homens da Igreja que não esperavam jamais verem os prelados, sacerdotes, religiosos e fiéis tradicionalistas cruzarem os portais das Basílicas jubilares: tão numerosos, tão jovens, tão organizados, tão participativos, tão familiarizados com o latim da Igreja desde a mais tenra idade. 
Depois das orações e cânticos, antes de saírem em procissão de cada Basílica, todos permaneciam atentos às palavras dos Bispos: nem um grito, nenhum aplauso, nenhum vozerio inoportuno. 
As naves das basílicas estavam lotadas: para os mais idosos eram usadas as cadeiras recostadas às pilastras das naves, mas ao saírem da Basílica todas as cadeiras voltavam à mesma posição em que se encontravam anteriormente.  

10 agosto, dia destinado à peregrinação pelas sete basílicas, foi recomendado aos peregrinos que se evitasse a participação dos mais velhos e das crianças devido ao forte calor que certamente lhes dificultaria fazer um percurso de 23 km à pé.  
Os participantes dividiram-se em grupos e assistidos pelos sacerdotes fizeram o percurso pelas sete basílicas, invadindo de fato a cidade para o espanto de muitos romanos e a emoção de muitos outros que assim se manifestaram abertamente.  
  
Algumas curiosidades. 

As Basílicas de Roma, longe de desprezarem os tradicionalistas, os acolheram com todas as luzes acesas, as velas também acesas sobre os altares, os sistemas de alto-falantes e microfones prontos para o uso e em perfeito funcionamento. Nenhum distúrbio.
Na Basílica de São Pedro, até a Guarda Suíça ajoelhou-se para rezar junto aos peregrinos da Tradição Católica.
Alguns dizem, não sabemos se é verdade, que todos os sacerdotes da Fraternidade celebraram a Missa Tradicional nos lugares de culto em que se encontravam, inclusive nas igrejas e Basílicas visitadas. 
Um Diário local (Il Messaggero), notoriamente favorável ao clero progressista, publicou no dia 9 de agosto um relato impreciso que misturava surpresa e indignação. No dia seguinte, 10 de agosto, tentou corrigir-se, diante da inegável manifestação de compostura e devoção oferecida pelos peregrinos tradicionalistas.
Um seminarista italiano que antes havia estado num seminário diocesano do sul, nos relatava porque havia decidido entrar para um seminário da Fraternidade São Pio X: pelo espanto que  havia experimentado diante da total falta de senso religioso até mesmo da parte do Bispo, quando ele viu com os próprios olhos que se chegava ao ponto de jogar no pátio a água benta para a aspersão, decidiu voltar-se para aqueles que permaneceram fiéis à milenar tradição da Santa Igreja. 

(9/2000)

Novas negociações com a Fraternidade São Pio X

De Mgr. Lefebvre ao Cardeal Hoyos

4ª Parte

Novas Negociações com a Fraternidade São Pio X - O Vaticano vai à Caça

 

"La corruption de la sainte messe continue à corrompre le sacerdoce catholique – A corrupção da Santa Missa continua a corromper o sacerdócio católico" (Mgr. Marcel Lefebvre)

"Je ne suis qu'un évêque catholique qui ai transmis la foi, et sur mon tombeau sera gravée cette parole : J'ai transmis ce que j'avais reçu – Nada mais sou do que um bispo católico que transmitiu a fé, e no meu túmulo será gravada esta palavra: 'Transmiti o que recebi'." (Mgr. Marcel Lefebvre)

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Quando comecei este trabalho, tinha a intenção de apresentar aos leitores os acontecimentos no seio da Fraternidade São Pedro. Como sabia que a maioria das pessoas, aqui no Brasil, ignorava o que era essa Fraternidade, achei por bem descrever as circunstâncias da sua fundação, o que foi feito nas duas primeiras partes. Só na terceira parte é que tratei da intervenção do Vaticano na Fraternidade São Pedro. Considerava completo o trabalho e atingido seu objetivo.

Qual não foi minha surpresa ao ver um novo capítulo surgir como por encanto, devido à iniciativa do Papa João Paulo II de chamar a Fraternidade São Pio X para novas negociações.

Primeiros contatos

O fato deveu-se, aparentemente, ao grande sucesso que foi a peregrinação do Ano Santo, realizada pela Fraternidade São Pio X em Roma, em agosto de 2000, quando sete mil fiéis da Tradição, vindos do mundo inteiro, reuniram-se naquela cidade para rezar pelo Papa. As fotos mostrando os mais de setecentos padres, religiosos e religiosas, junto a tantos fiéis, impressionam. Da parte do Vaticano a surpresa foi grande: «Uma das peregrinações mais edificantes que vi neste Ano Santo», dirá Mons. Tavanti, responsável pela liturgia da Basílica Santa Maria Maior. Ouviram-se também, nos corredores do Vaticano, os comentários elogiosos a estes curiosos "cismáticos" que vinham rezar pelo Papa. Nunca se tinha visto nada parecido. Outro fato inusitado foi que as autoridades organizadoras do Ano Santo receberam instrução para abrir as basílicas aos peregrinos da Tradição. Foi assim que assistiu-se a muitos prelados do Vaticano, de joelhos, pedir a bênção a Dom Bernard Fellay, superior geral da Fraternidade São Pio X, e aos demais bispos presentes. E dentro das basílicas estes bispos e padres puderam pregar e rezar, durante três dias, num clima de muita piedade, oração e caridade fraterna. Não houve missas dentro das basílicas, mas já foi um grande passo. Leia aqui uma descrição detalhada da Peregrinação.

Na verdade, o Cardeal Castrillón Hoyos, presidente da Comissão Ecclesia Dei, já havia demonstrado interesse em se encontrar com o superior da Fraternidade São Pio X. É Mons. Williamson, um dos quatro bispos da Fraternidade, quem nos conta o primeiro encontro.

"... Aproveitando a oportunidade da nossa passagem por Roma, ele nos convidou para almoçarmos juntos.
Três de nós aceitaram o convite. Ele foi muito cortês e hospitaleiro, deu-nos as boas-vindas e, depois de duas horas de almoço, abraçou-nos na despedida, dizendo: 'Voltem e visitem-me mais vezes'. E pensar que esse mesmo Cardeal, poucas semanas antes, havia tomado uma firme posição no sentido de podar a Tradição dentro da Fraternidade São Pedro, ao substituir quatro de seus líderes (eleitos pela própria Fraternidade) por outros, escolhidos diretamente por Roma! Ele esmaga os que convida, e convida os que esmaga. 'Durma-se com um barulho desses', dizem os americanos! "

Nesse primeiro encontro, o Cardeal Hoyos já havia recebido a missão do Papa de tentar negociar com a Fraternidade São Pio X um acordo. É significativo o fato de esse cardeal não ter recebido essa missão como Presidente da Ecclesia Dei, mas sim como Prefeito da Congregação do Clero. Os bispos da Fraternidade São Pio X são recebidos como membros do clero.

Depois desse encontro, correu a notícia do início das negociações. Houve, entre os fiéis e os padres ligados à Fraternidade São Pio X, como é natural numa situação como essa, sentimentos diversos: enquanto alguns viam com otimismo as negociações, outros confessavam seus temores. Mas todos concordaram que tanto o Papa quanto os Cardeais continuavam a ensinar uma doutrina e uma vida contrárias à Tradição Católica, como viria a ser confirmado em viagens posteriores do Papa, por exemplo, nas viagens à Grécia e à Síria. Por outro lado, o próprio Papa pedira essas negociações, e a inclinação do coração católico é a de atender a um chamado do Papa. Mgr. Williamson continua seu comentário: 

Haveria falta de sinceridade? Humanamente julgando, não creio. Acho apenas que ele pertence à nova religião. 'Nós temos a mesma Santíssima Trindade, a mesma Encarnação, a mesma Eucaristia', disse ele, e certamente acredita na Presença Real, porque ele mesmo declarou que, quando os 'especialistas' começam uma disputa a esse respeito, ele rapidamente fecha a questão. 'Eu sou nice [educado], e vocês também são nice people [pessoas educadas]' — é o que ele parecia querer dizer-nos — 'então, onde é que está o problema? Por que não nos unimos numa espécie de religião do tipo e todos foram felizes para sempre?' No que diz respeito à Fraternidade São Pedro, ele admitiu que, por ora, agira contra a sua vontade, mas apenas para evitar que no futuro ele fosse obrigado a agir ainda mais 'contra a sua vontade'. Em outras palavras, a Fraternidade São Pedro tinha de ser paralisada em sua tentativa de escapar do esquema 'felizes para sempre', enquanto nós deveríamos ser atraídos por uma nova política — a de serem o mais simpáticos possível conosco. O que nos impede de voltar à doce e inocente religião de 'milhões' de jovens inocentes de mãos dadas cantando pelas ruas? E, já que essa é a religião do Santo Padre (a quem o Cardeal venera e freqüentemente visita) e da 'mesma' Santa Eucaristia, então o que mais pode haver na Tradição para que esses 'tradicionalistas' continuem fazendo todo esse barulho? Eu creio que realmente o Cardeal não consegue enxergar o problema.

Por esse motivo eu, humanamente, estou certo de que o Cardeal Castrillón Hoyos não é um dos verdadeiros vilões de Roma, ou seja, dos que realmente podem ver e sabem exatamente o que estão fazendo: demolindo a Igreja Católica para substituí-la pela satânica 'Única Religião Mundial'. Na verdade, não é necessário que haja muitos vilões como tais, mas homens valorosos que ainda acreditam na Presença Real e que se deixam manipular como meros instrumentos em suas mãos. Se o Cardeal realmente é nice, um dia terá de ser nasty [grosseiro]... com aqueles que o manipulam ou conosco. Guerra é guerra."

O critério de avaliação de uma situação tão delicada, no entanto, já havia sido formulado por Mons. Marcel Lefebvre, como já ficou dito na 1ª Parte deste trabalho: "Conferir-vos-ei essa graça, confiando em que, sem tardar, a Sé de Pedro será ocupada por um Sucessor de Pedro perfeitamente católico, em cujas mãos podereis entregar a graça do vosso episcopado para que ele a confirme".

Os bispos da Fraternidade São Pio X, zelosos da herança que receberam de Mons. Lefebvre, sabiam estar lidando com autoridades que continuam destruindo a Igreja. Leiam a admirável carta de Mons. Williamson no boletim do Seminário de Winona (EUA) de fevereiro de 2001.

Como fica claro no texto do boletim, não podemos cair no erro do sentimentalismo e deixar de considerar toda essa questão do ponto de vida doutrinário. O que está em jogo é nossa fé, e, por mais que desejemos ser reconhecidos pelas autoridades do Vaticano, não podemos aproximar-nos deles se não houver sinais evidentes de retorno à Tradição bimilenar da Igreja.

As Condições Preliminares

Apesar dessas graves apreensões, os superiores da Fraternidade São Pio X prontamente se apresentaram ao enviado do Papa, o Cardeal Castrillón Hoyos, como já vimos. Mons. Fellay encontrou-se com o Cardeal no dia 29 de dezembro de 2000, em Roma, e no dia seguinte esteve alguns minutos com o próprio Papa, que o abençoou.

Após terem examinado a questão, juntamente com o representante de Dom Licínio Rangel, bispo superior dos Padres de Campos (RJ), os bispos da Fraternidade São Pio X apresentaram às autoridades romanas duas condições preliminares para o início das negociações:

– suspender as censuras canônicas impostas injustamente aos bispos da Tradição;
– dar a todos os padres do mundo o direito de celebrar a missa de São Pio V sem constrangimentos.

Sobre estas duas condições, gostaria de tecer alguns comentários. Uma primeira objeção poderia ser levantada: Por que a Fraternidade São Pio X apresenta condições preliminares? Não deveria ela ficar agradecida por esse gesto de bondade do Papa, de querer regularizar a situação? A resposta a essa objeção já foi dada no boletim de Mons. Williamson citado acima. Como estamos diante de uma crise da fé, que dura já quarenta anos, com o escândalo de Papas e bispos ensinando uma doutrina contrária ao que a Igreja sempre ensinou, cabe a essas autoridades o ônus da prova de que realmente compreenderam o problema e querem restabelecer em Roma a doutrina tradicional da Igreja. Apesar de inferior hierarquicamente, a Fraternidade tem o dever de velar por sua liberdade de defender a fé.

Em relação à primeira condição, cabe lembrar que, canonicamente, a excomunhão de 1988 é nula, pois alega um ato cismático que não houve, como ficou provado na 2ª Parte deste trabalho. Além disso, esta condição se justifica pela existência de propaganda enganosa feita pelos bispos do mundo inteiro, que insistem em dizer que Mons. Lefebvre procedeu a um cisma.

Quanto à segunda condição, ocorre algo semelhante, pois os bispos insinuam que a Missa Tridentina está proibida, e a maioria dos fiéis acredita nisso. Mas as autoridades sabem que não é assim, que a Bula Quo Primum Tempore, do Papa São Pio V, outorga a todos os padres o direito perpétuo de celebrar a missa por este missal restaurado por ele. No curto texto dessa Bula, expressões como "... e isso para sempre" ocorrem onze vezes. O próprio Cardeal Stickler declarou que uma comissão de Cardeais chegou a esta conclusão: a Missa Tridentina não está proibida e não pode ser proibida.

Esta segunda condição não resolve todos os problemas. Longe disso. Mas, caso fosse aceita, marcaria uma reviravolta prática nas atitudes do Vaticano, e não somente uma mudança nas palavras e na simpatia. É claro que o quadro de destruição do mundo católico abrange todos os segmentos da vida: doutrina, liturgia, moral, catecismo, hierarquia etc. Mas aquele primeiro passo permitiria uma conversa em bases mais concretas.

O Bi-ritualismo

Na verdade, os cardeais não esperavam esta condição. As diversas declarações que foram aparecendo na imprensa mostram com suficiente clareza que a base do pensamento do Vaticano é a questão do birritualismo. Trata-se de considerar possível a convivência das duas missas, dentro da Igreja latina. Vimos como a Fraternidade São Pedro sucumbiu sob o peso de uma intervenção do Vaticano, por causa desta questão. O Vaticano considera, hoje, que é mais interessante ter padres tradicionalistas que celebram a missa de São Pio V e aceitam celebrar a de Paulo VI do que forçar esses padres a nunca celebrar a missa tradicional e vê-los passar por cima dessa determinação graças à Bula de S. Pio V. Nesse ponto, sim, podemos dizer que houve uma mudança na atitude das autoridades romanas. Mas essa mudança é política e não doutrinária.

O Cardeal Ratzinger declarou numa entrevista ao jornal italiano Il Giornale de 3 de abril de 2001 que isto é o que Roma espera da Fraternidade São Pio X:

"Il Giornale: — Que atitude devem ter os lefebvristas para se aproximar da Santa Sé?
Ratzinguer: — Reconhecer que a liturgia renovada do Concílio é a mesma liturgia da Igreja, que ela não é outra coisa. Reconhecer que a Igreja renovada do Concílio não é outra Igreja, mas é a mesma Igreja que vive e se desenvolve.

Il Giornale: — Que podemos fazer para ir ao encontro deles?
Ratzinguer: — Devemos reconhecer que, pela liturgia tradicional de São Pio V, eles estão na tradição eclesial comum. Devemos ser generosos para permitir que a tradição cristã comum se exprima em formas rituais diferentes. É um caminho de reconciliação difícil, como acontece em conflitos familiares. Devemos tomar a iniciativa no processo de reconciliação.

No dia 9 de março de 2001, o jornal francês Present publicou uma entrevista com o Cardeal Medina, Prefeito para a Congregação do Culto Divino. Também este cardeal considera o combate dos fiéis da Tradição uma questão de "sensibilidade", como se se tratasse de mera nostalgia das coisas antigas; ele mantém firme a tese do birritualismo: 

"O Papa concedeu o uso do antigo rito a alguns institutos. Mas os padres que pertencem a essas comunidades, se são chamados a substituir um padre numa paróquia de rito novo, devem celebrar pelo rito novo, para não criar confusão [...]. Penso que devemos ser otimistas, desde que se reze bastante. Os problemas mais difíceis de resolver são os de sensibilidade."

Já a rede de informações Catholic World News adianta, em 28 de março de 2001, que dois cardeais se opuseram aos acordos com a Fraternidade São Pio X: o Cardeal Walter Kasper, recentemente nomeado pelo Papa Presidente do Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade Cristã, e o Cardeal Mario Francesco Pompedda, Prefeito do Tribunal da SignaturaApostólica. Esses dois cardeais acompanham a opinião de alguns bispos franceses que se opuseram veementemente aos acordos. O resultado não tardou. O Cardeal Hoyos fez saber aos superiores da Fraternidade São Pio X que não seria possível aceitar a condição de liberar a Missa de São Pio V para todos os padres do mundo, pois isso significaria uma ruptura com o pensamento de Vaticano II.

Nós não podemos deixar de lembrar que os argumentos levantados pelos bispos franceses são de hipocrisia impressionante. Eles alegam que liberar a Missa de São Pio V, hoje, seria uma afronta ao nome de Paulo VI e ao Concílio Vaticano II. Ora, por que razão Paulo VI, quando estabeleceu a nova missa, não levou em consideração esse mesmo critério? Por que razão passou ele por cima de 1.500 anos de uso do antigo missal? Por que não respeitou a fé de milhões de fiéis do mundo inteiro, que sempre souberam que a Missa a que assistiam todo domingo transmitia um ensinamento verdadeiro e seguro sobre a teologia da Missa, sacrifício incruento de Cristo para a nossa salvação? Agora querem acusar-nos de causar confusão, como diz o Cardeal Medina, por não celebrarmos a missa nova. E a confusão que eles causaram, nos anos 70, quando invadiram todas as igrejas com esta missa que é mais um culto protestante, impondo-a sem piedade, derrubando todo o conjunto de ritos sagrados, de objetos sagrados, de linguagem sagrada, impingindo a banalidade e o mundano dentro das igrejas?

É muito difícil acreditar que pessoas com esse tipo de argumento tenham intenções santas, guiadas pelo amor de Deus e da Igreja. E não pensem que isto é juízo só meu. Os próprios padres franceses começam a compreender que seus bispos agem mais como políticos do que como pastores de almas. Eis o que escreve um padre que não quis reunir-se com um cardeal romano de passagem pela França. Notem que este padre, inserido dentro do mundo oficial, prega o birritualismo, do que discordamos, como estou mostrando. Porém, a boa fé, a reta intenção, o sofrimento  mesmo deste padre, que deseja a Tradição, fazem de sua carta um belo testemunho contra os que pregam o mesmo birritualismo só para destruir a resistência dos tradicionalistas. O contraste é significativo. Carta do Pe. X 

Fato é, porém, que essa questão do birritualismo, que está no centro das intenções das autoridades romanas, está muito longe do pensamento católico. Qualquer pessoa que queira estudar os deslizes na doutrina da missa nova encontrará nesta página alguns textos que examinam a fundo essa questão, textos esses escritos por eminentes teólogos, como o Cardeal Ottaviani, que era na época o Prefeito do Santo Ofício, órgão que tinha por missão preservar a doutrina contra os erros e heresias.

Um livro entregue ao Papa

A Fraternidade São Pio X, por sua vez, não tem a menor intenção de aceitar o birritualismo, pois conhece os erros doutrinários presentes na nova missa. Por isso entregou ao Cardeal Hoyos, junto com uma carta ao Papa, um livro escrito por alguns padres da Fraternidade que examina profundamente a Missa de Paulo VI. Este livro se chama O Problema da Reforma Litúrgica e está sendo traduzido ao português, para ser editado em breve entre nós. O trabalho consiste em analisar de modo claro e objetivo os diversos aspectos doutrinários, canônicos e litúrgicos do novo missal que se afastam da doutrina católica da Missa. Pode parecer sem muito interesse este livro entregue ao Papa, mas não é, muito pelo contrário. Os padres e movimentos fiéis à Tradição são acusados injustamente de não aceitar a missa nova sem dar, no entanto, suas razões. Isso não é verdade, pois os trabalhos editados desde 1969 foram muito numerosos e profundos. E o fato é que o livro O Problema da Reforma Litúrgica caiu como uma bomba nos corredores do Vaticano. Os cardeais não sabem muito bem que fazer com ele, como responder à altura. É preciso explicar que uma resposta de Roma deve necessariamente manter o nível da argumentação. Não adianta, diante de um trabalho teológico, aplicar o lavado argumento de autoridade, sempre usado contra os padres da Tradição: "obedeçam, obedeçam". Diante de um livro, só duas reações são possíveis: ou se argumenta respondendo à altura às críticas do livro, ou se ignora o livro, o que seria declaração de derrota.

No dia 2 de maio de 2001, o cardeal Hoyos recebeu o Pe. Simoulin, da Fraternidade São Pio X, e o Pe. Fernando Rifan, de Campos (RJ). Nessa conversa cordial o Cardeal leu para os padres o conteúdo do correio oficial que estaria mandando à Fraternidade alguns dias mais tarde:

"Quanto à primeira condição [liberar a missa], certo número de cardeais, bispos e fiéis acham que não se deve conceder essa permissão: não que o rito sagrado precedente não mereça todo o respeito, ou que se despreze sua sólida teologia, sua beleza e sua força de santificação ao longo de séculos em toda a Igreja, mas porque essa permissão poderia causar uma confusão na mente de muitas pessoas, que a compreenderiam como uma depreciação do valor da Santa Missa que celebra a Igreja hoje. É claro que nos estatutos de vosso retorno oferecemos todas as garantias para que os membros da Fraternidade e todos os que têm um atrativo especial por essa nobre tradição litúrgica a possam celebrar livremente em suas igrejas e lugares de culto. Pode-se também celebrá-la em outras igrejas com a permissão dos Ordinários diocesanos.
Quanto à segunda condição [suspensão das censuras], o Santo Padre tem a clara intenção de a conceder quando for formalizado o retorno."

Ou seja, os mesmos argumentos dos bispos franceses já comentados acima. O agravante é que agora trata-se de resposta oficial de Roma. 

A primeira reação de Mons. Fellay diante desse posicionamento foi considerar que Roma depois de ter tomado a iniciativa de buscar uma solução para a Tradição, por motivos políticos, como vimos, recuou diante das condições doutrinárias e prudentes da Fraternidade. Mgr. Fellay expõe seu pensamento no Boletim Carta aos Amigos e Benfeitores, de 5 de maio 2001. Dois dias depois, Mgr. Fellay recebeu a carta do Cardeal Hoyos comunicando que não poderia liberar a missa de São Pio V para todos os padres do mundo, como citamos acima. Diante dessa situação, o superior da Fraternidade São Pio X escreveu uma resposta mostrando porque não seria possível continuar a negociar com o Vaticano. Veja em anexo esta carta.

Para completar nossa documentação, cabe ainda publicar o sermão pronunciado em Ecône, por Dom Alfonso de Galarreta, um dos bispos da Fraternidade, no dia 3 de junho de 2001. De todos os textos publicados nestes meses de negociações, parece-me ser este o que mais se aproxima do pensamento ou, ao menos, do estilo, de Mgr. Lefebvre: firmeza, clareza, mansidão.

No fundo tudo isso é muito estranho! É claro que há elementos graves e sérios que nos levam a desconfiar. Há trinta anos nos marginalizam, há trinta anos exigem que celebremos a missa de Paulo VI, há seis meses amordaçaram e amarraram a Fraternidade São Pedro... Evidentemente, as autoridades da Fraternidade São Pio X não podem achar isso tudo lindo e confiar plenamente nas intenções do Vaticano. É neste ponto que se encontram hoje, fins de maio de 2001, as negociações para um reconhecimento, por parte do Vaticano, dos direitos da Tradição. Poderão os superiores da Fraternidade aceitar as garantias dadas por Roma? É bem verdade que, pela primeira vez, eles não exigem a aceitação do Concílio e declarações doutrinárias. Mas também não aceitaram liberar a missa de São Pio V a todos os padres que quisessem.  E depois? Será que darão, realmente, liberdade aos bispos da Fraternidade para governar e dirigir as capelas tradicionais que hoje celebram a Missa Tridentina? E quando os bispos diocesanos perseguirem os padres da Tradição, o Cardeal Ratzinguer vai continuar afirmando que não pode se opor a eles? Não foi isso que ele disse ao Padre Louis Dermonex, expulso de sua paróquia na Itália porque queria celebrar a missa de São Pio V? (ver cartas)

Porém existe uma conclusão lógica que precisa ser tirada disso tudo: o Vaticano sabe que não há cisma! O Vaticano sabe que a excomunhão é nula! E é por isso que eles insistem tanto em nos ver "unidos" novamente. Seria a maneira mais discreta de consertarem o erro absurdo que cometeram ao excomungar Mgr. Lefebvre. E como eles não querem abrir mão da nova teologia protestante que reina em Vaticano II e no Vaticano de hoje, eles simplesmente não querem falar no assunto. Espertos eles são, também mestres na diplomacia.... mas a fé que eles professam, ainda é a fé católica?

A Fraternidade São Pedro engolida pelo Vaticano

De Mgr. Lefebvre ao Cardeal Hoyos

3ª Parte

A Fraternidade São Pedro engolida pelo Vaticano

 

Para preparar esta terceira parte, pus-me a reler o dossiê sobre as  Sagrações de 1988. E fui como que revendo "em filme" todos os dolorosos acontecimentos que rasgaram ao meio a milagrosa obra de sobrevivência da Tradição dentro da Igreja. Não é nosso objetivo falar sobre todas as pessoas que me escreveram, todos os testemunhos da dor, da confusão, causada por pessoas como Dom Gérard Calvet, Prior do Monastère Sainte Madeleine, que já citei acima. Quantas famílias dilaceradas, com filhos permanecendo fiéis ao combate de Mgr. Lefebvre e filhos aderindo ao acordo com o Vaticano. Quantas almas boas e simples se sentiram traídas por estes padres que mudaram o seu discurso e traíram a confiança de seus fiéis. Um dia,  talvez, eu lhes faça esta homenagem, de publicar alguma coisa desses documentos marcados pelo sangue de um martírio gota a gota.

Digo isso para introduzir esta terceira parte, que pretende apresentar a Fraternidade S. Pedro, sua origem e sua destruição que ora se opera.

Os chamados católicos "Ecclesia Dei", ou seja, aqueles que celebram ou assistem a Santa Missa nas associações regidas pelo Motu Próprio de mesmo nome, de 2 de julho de 1988, têm na Fraternidade São Pedro seu representante de maior peso.  Esta Fraternidade foi formada em 30 de junho de 1988, no dia mesmo da Sagração Episcopal de Ecône, e durante as Sagrações, visto que Dom Gérard Calvet teve de deixar a cerimônia de Ecône na metade, para ir se encontrar com os padres traidores, na abadia de Hautrive.

O que marca esta fundação, assim como o acordo firmado com o mosteiro do Barroux, é a ilusão dos signatários de que não havia e não haveria contrapartida doutrinária. Ou seja, eles continuariam a celebrar a Missa de São Pio V, eles não teriam obrigação de celebrar a Missa de Paulo VI, eles poderiam pregar contra os erros de Vaticano II. Enfim, tudo como antes... Quando eu ainda estava no mosteiro do Barroux, Dom Gérard me passou um bilhete onde dizia: "Não se preocupe, Dom Lourenço, com a malícia de nossos adversários, pois a  finis operis  aniquilará a detestável finis operantis dos prelados conciliares". A finalidade do acordo (finis operis) aniquilaria a má intenção (finis operantis) dos prelados do Vaticano que assinavam o acordo. Uma verdadeira brincadeira com a Fé. Uma experiência em laboratório com o que há de mais precioso para nossa salvação. E foi assim que o Prior do Barroux aconselhou e ajudou aos padres da Fraternidade São Pio X a abandonarem a Mgr. Lefebvre. Não foi preciso muito tempo para Dom Gérard dizer que os prelados de Roma eram paternais e bem intencionados. Pouco depois ele concelebrava com o Papa numa Missa de Paulo VI.

Rapidamente as convicções doutrinárias desses padres mudaram de eixo. Antes de mostrar como isso aconteceu, gostaria de trazer alguns exemplos anteriores, onde seminários e associações oficiais e conservadoras foram pouco a pouco obrigadas a abraçar Vaticano II e a Missa Nova.

- Os Beneditinos de Dom Augustin, em Flavigny, França. Mgr. Lefebvre ordenou sacerdote seus 24 padres. Todos os anos nós os víamos em Ecône. Um dia, creio que em 1985 ou 1986, Dom Augustin fez um acordo com Roma. Prometeram a ele a manutenção de tudo. E ele afastou-se de Mgr. Lefebvre. Em pouco tempo Roma exigiu que a missa conventual (missa assistida por todos os monges) fosse a de Paulo VI. Alguns padres abandonaram, então, o mosteiro.

- Os Beneditinos de Fontgombault, França. Fundação da famosa Abadia de Solesmes, Fontgombault sempre teve uma posição de simpatia pela Tradição. Apesar de seu abade ter afirmado a Dom Gérard que nunca abandonaria a Missa de S. Pio V, não agüentou as pressões de Roma e aderiu à Missa de Paulo VI. Em 1984, João Paulo II concedeu um "indulto". Todos os que aceitavam a Missa Nova, podiam pedir para celebrar a Missa Tradicional (S. Pio V). O abade assim fez. Mas o arcebispo de Bourges não aceitou que a missa conventual fosse de S.  Pio V. O abade de Fontgombault tentou reagir, foi a Roma. O Cardeal Mayer não pode fazer nada, enviou-o ao Papa. Este se esquivou, disse que fizesse um esforço... devolveu-o ao Cardeal Mayer, que o devolveu ao bispo de Bourges.... e eles continuaram a celebrar a Missa Nova. 

Essa atitude das autoridades continua em voga no Vaticano, como mostra a resposta do Cardeal Ratzinguer ao Pe. Louis Demornex, que deixou de celebrar a Missa de Paulo VI e voltou à Missa de S. Pio V. (cf. Cartas)

"Tudo o que você diz sobre a secularização dos padres, sobre a anarquia
litúrgica e sobre as muitas profanações da Eucaristia, infelizmente é
verdade. Você confiou ao seu Bispo todo o seu profundo desconforto: ele não
compreendeu e convidou-o a deixar sua paróquia. Do ponto de vista formal e
jurídico é o direito dele
. Você sabe bem- conclui o Cardeal- que eu não
posso aconselhar-lhe a se rebelar...Esteja certo de que o Senhor nunca impõe
o peso da cruz sem ajudar-lhe a carregá-la. Eu prometo que me lembrarei de
sua dor em minhas orações diante do Senhor". 
(Fonte: Il Giornale, 18/01/2001)

Eis em que consiste a moral do Prefeito para a Doutrina da Fé. O erro tem direitos!

- O Seminário Mater Ecclesiae. Mgr. Lefebvre viveu de perto esta experiência realizada pelo Vaticano com nove seminaristas  saídos de Ecône. Ele conta numa entrevista coletiva, de 15 de Junho de 1988:

"Ouviram falar, sem dúvida – e publicaram alguns artigos nos jornais, há dois anos – do caso dos saídos de Ecône. Tinham partido daqui, de Ecône, nove seminaristas. Aquele que era, de certo modo, o cabeça dessa pequena rebelião, o P. ..., escondia bem o seu jogo e conseguiu que outros oito seminaristas deixassem Ecône. Entrou em contato com o P. Grégoire Billot, que vive aqui na Suiça, em Baden. Esse P. Billot fez, por sua vez, contato com o Cardeal Ratzinger. Ele fala alemão. Telefonou ao Cardeal: “Há em Ecône nove seminaristas que estão prontos para partir. O que é que lhes ofereceis? O que é que se pode fazer com eles?”

Formidável! Uma oportunidade única! Se lhes prometerem maravilhas, haverá outros que os seguirão... Ele disse-o explicitamente. O Cardeal Ratzinger disse: “Estou feliz por alguns terem deixado Ecône e espero bem que haja outros que sigam os primeiros.”

Como bem sabeis, fizeram o famoso seminário “Mater Ecclesiae”, dirigido por um cardeal, o Cardeal Innocenti, com o Cardeal Garrone e um terceiro cardeal, o Cardeal Ratzinger, aprovado oficialmente pelo Papa no “Osservatore Romano”. Um acontecimento mundial! Todos os jornais do mundo falaram desse seminário tradicional feito com os noves fugidos de Ecône e que também iria reunir outros seminaristas que tivessem a mesma “sensibilidade”.

Eles partiram e, ao todo, lá se encontraram cerca de vinte seminaristas.

Garanto que vale a pena ler a carta que acaba de nos enviar o P. ..., que foi o instigador da saída daqueles seminaristas. Ele escreveu: “LAMENTO”, em letras garrafais na sua carta. “LAMENTO, perdemos tudo, não cumpriram nenhuma das promessas. Somos uns miseráveis; já nem mesmo sabemos onde ir”

Mas a documentação sobre esta enganação não fica nisso. O Cardeal Silvio Oddi, em entrevista à revista Valeurs Actuelles, de agosto de 1988, declara ao jornalista Michel de Jaeghere:

"Segui de perto a primeira tentativa, há cerca de doze anos, pois os estudantes estavam instalados na Via Pompeo Magno, no colégio onde moro. 
“Devo dizer que ela fracassou, porque não respeitaram os compromissos que tinham assumido para com os seminaristas. Tinham prometido à dezena de saídos de Ecône, que aí foram acolhidos, que poderiam prosseguir em Roma, no espírito da Tradição, a sua formação sacerdotal. 
“Na realidade propuseram-se apenas “desintoxicá-los”, antes de lhes dizerem que, se quisessem continuar os seus estudos, deviam encontrar eles próprios um bispo que os aceitasse no seu seminário... "

- O Instituto Cristo-Rei. Dirigido pelo Pe. Wach,  este instituto possui um seminário em Gricigliano, perto de Florença, sendo considerado refúgio de seminaristas de tendência tradicional. Na verdade, o espírito de Vaticano II é o fundamento desta obra, como aparece nos seus estatutos, que declaram que a formação dos seminaristas segue a doutrina de Lumen Gentium. O Pe. Wach também já concelebrou com o papa no rito novo.

- Instituto do Verbo Encarnado (Argentina). Um padre da Argentina acaba de me informar que este instituto, com mais de cem seminaristas, foi fechado por Roma, mandando os seminaristas de volta para casa.

A Fraternidade São Pedro foi então fundada mediante um acordo enganador. Eles prometem toda a liberdade  para se viver na Tradição, mas suas intenções são muito claras: eles não pensam em outra coisa senão trazer os fiéis de "sensibilidade" tradicional, a aceitar o Concílio, seu ecumenismo, sua missa. 

"Eu espero dos tradicionalistas recuperados que eles façam um esforço de leitura e compreensão do concílio  a fim de que eles possam também assimilá-lo. Que eles trabalhem particularmente a questão da liberdade religiosa ou do diálogo com as outras religiões... Gostaria que os padres da Fraternidade São Pedro tenham a autorização de celebrar nos dois ritos... e que os seminaristas sejam preparados para celebrar no rito de Paulo VI." (Mgr. Decourtray, arcebispo de Lyon, França, para a revista France Catholique, 25 de junho 1993)

"Eu só poderia aceitar que se  celebre no rito de Pio V nas condições pedidas no Motu Proprio, a saber, que os que a pedem abracem profundamente o Concílio Vaticano II. (Mgr. de Garnier, bispo de Luçon, conferência em 18 de agosto de 1992)

O próprio Papa João Paulo II fez a mesma colocação, no discurso feito aos membros da Fraternidade São Pedro, vindos a Roma em 26 de outubro de 1998, celebrar o décimo aniversário de sua fundação:

"Sem deixar de confirmar a razão de ser da reforma litúrgica desejada pelo Concílio Vaticano II e posta em execução pelo Papa Paulo VI, a Igreja dá também um sinal de compreensão às pessoas "ligadas a certas formas litúrgicas e disciplinares anteriores". É nessa perspectiva que se deve ler e aplicar o Motu Proprio Ecclesia Dei; eu desejo que tudo seja vivido no espírito do Concílio Vaticano II, na plena harmonia com a Tradição, buscando a unidade na caridade, e a fidelidade à verdade."

Se o  espírito do Vaticano II é diferente do espírito do Concílio de Trento, no dizer de tantos bispos atuais, então, para o papa João Paulo II, a Tradição e a verdade são evolutivas. Não é esse o ensinamento da Igreja. Além disso, aparece claramente a afirmação de que a reforma litúrgica foi boa, o que sabemos não ser verdade, pois que introduziu uma liturgia centralizada no homem e para o homem. Os padres da Fraternidade São Pedro deverão seguir este espírito novo e não deixarão de declarar isso com todas as letras. 

Abraçaram tão profundamente o novo espírito conciliar que ensinam, contra a razão e contra Paulo VI, que o  Concílio declarou novos dogmas. Os superiores da Fraternidade São Pedro passam também a apoiar o escândalo de Assis, quando João Paulo II reuniu representantes de todas as religiões para rezar pela paz, permitindo até mesmo que uma imagem de Buda fosse colocada sobre um sacrário! E o Pe. Baumann declara não ver nada de mais em Assis! Como se as falsas religiões, sem Revelação e sem a vida da graça pudessem fazer oração no sentido sobrenatural do termo. Existe uma encíclica solene, do Papa Pio XI, que condena e proíbe toda reunião de católicos com outras religiões. Esse inconveniente maior, essa desobediência a um papa anterior, é descartada cinicamente pela afirmação de que esta encíclica, Mortalium Animos, não continha princípios intangíveis. Releiam esse texto de Pio XI, carregado de um zelo e de um amor pelas almas e pela Igreja e respondam, leitores, se ela só servia para as pessoas daquela época, como pretende o Pe. Baumann. E para que estes padres sejam honestos, eles deveriam medir o valor das encíclicas de João Paulo II com os mesmos critérios das antigas. Poderíamos então dizer que os documentos do Concílio, ou as encíclicas dos papas mais recentes, também só valiam para a época em que foram escritas. Se em 1962 uma  encíclica de 1931 deveria ser descartada, então hoje, em 2001, os documentos de 1962 também já caducaram. Mas aí vem o coro: não toquem no Concílio! O Concílio é intangível! 

Para mim isso se chama desonestidade.

Apesar desse abandono do combate contra os erros de Vaticano II, a Fraternidade  São Pedro ficará à mercê dos bispos diocesanos, como afirma o papa João Paulo II e como vimos acima na reação dos bispos e  até do Cardeal Ratzinguer.  Essa dependência da aprovação do bispo diocesano vai deixar o apostolado desses padres "conservadores" amarrado e amordaçado. O Monastère Sainte Madeleine, por exemplo, tentou duas vezes fazer uma fundação, sendo rechaçados pelos bispos locais. 

Apesar de tudo, durante os dez primeiros anos de  existência, a Fraternidade São Pedro manteve mais ou menos as intenções iniciais, de celebração da missa de São Pio V, e de exclusão da missa de Paulo VI. O Pe. Bisig, superior Geral escolhido na fundação, conseguia manter as aparências de apego à Tradição, apesar dos ensinamentos a favor de Vaticano II que citamos acima. Mas o Vaticano considerou que a coisa estava demorando demais. E resolveu atacar.

A Fraternidade São Pedro fez este  acordo com o Vaticano, como nós vimos, achando que teria para sempre o direito de celebrar a Missa  de S. Pio V e de nunca precisar celebrar a nova Missa. Evidentemente o Vaticano ficou quieto, na época, sem afirmar que as intenções eram de trazer estes padres a celebração da missa nova.  Com o passar dos anos, alguns padres da Fraternidade São Pedro, começaram a pretender celebrar a missa de Paulo VI. Os superiores não queriam permitir. Houve, então, em fevereiro de 2000, uma reunião dos padres da Fraternidade, onde ficou decidido que os estatutos da Fraternidade davam aos padres o direito de recusar a celebração no rito de Paulo VI, apesar de reconhecer que este rito é o rito oficial vigente na Igreja latina. Essa decisão foi mal recebida por vários padres mais liberais que queriam poder celebrar a nova missa. Dessa situação controversa nascerá a morte da Fraternidade S. Pedro.

A destruição da Fraternidade São Pedro iniciou-se antes do Capítulo Geral, quando um dos padres dessa Fraternidade escreveu a um bispo, em Roma, reclamando do espírito conservador demais da Fraternidade (segundo sua opinião) e propondo ao Vaticano intervir e decapitar o superior geral. Essa atitude de revolta contra os seus superiores, evidentemente, é vista como ato heróico de virtude, e nessa hora a tal "obediência" fica de lado. Esse escândalo e essa traição foram recebidas em Roma com toda atenção, a tal ponto que o Vaticano seguirá todos os conselhos desse padre, como veremos adiante. 

Eis os conselhos que o Pe. Le Pivain escreve em sua carta:

- "Explicar ao Pe. Bisig (o superior), que seria bom que ele se retirasse voluntariamente, após dois mandatos de seis anos... um outro  governo daria à nossa Fraternidade um novo começo.
- Prevenir as  decisões do próximo Capítulo, que não terá a serenidade necessária para tomar as decisões justas.  (ele  propõe uma intervenção)
- Reformar o seminário.
- Entre os superiores, o Pe. Devillers me  parece a pessoa mais apropriada. Europeu, ele desenvolveu a  Fraternidade S. Pedro nos EUA, tendo, por isso, conhecimento completo da nossa sociedade. (...)
Assim vos pedimos humildemente de agir com urgência junto à Comissão Ecclesia Dei. Estamos todos precisando, inclusive os fiéis, de que decisões sejam tomadas."

Essa carta foi acompanhada de uma carta do bispo de Versalhes, Mgr. Jean Charles Thomas, ao núncio de Paris, Mgr. Baldelli, datada de 27  de junho de 2000. Nesta  carta Mgr. Thomas dá seu total apoio às declarações do Pe. Le Pivain e afirma que, se as decisões não forem tomadas, ele não aceitará mais os padres da Fraternidade S. Pedro em sua diocese.

Em 29 de junho de 2000, o Cardeal Hoyos, presidente da Comissão Ecclesia Dei, intervém dentro da Fraternidade São Pedro, por uma carta enviada à reunião do Capítulo Geral, que votara a reeleição do Pe. Bisig como superior geral. Cito alguns extratos dessa carta decisiva:

"Esta reunião (de fevereiro), os senhores sabem, elaborou um compromisso que tentava conciliar as exigências do direito comum da Igreja com o caráter particular do vosso Instituto, evitando assim as divisões.  [trata-se do compromisso dos padres de não aceitar celebrar a missa nova]. Esse compromisso, infelizmente, foi objeto de novas controvérsias, entre os que o aceitam e os que o rejeitam. Apesar disso, os superiores pediram à Comissão papal que aprovasse este compromisso, fazendo dele uma regra excepcional. Após amadurecida reflexão e consulta aos peritos, declaro que isto não é possível. A causa é a clara posição do aspecto jurídico, nessas circunstâncias: um padre que goza do  privilégio de celebrar a Missa segundo o antigo missal de 1962 não perde o direito de utilizar o missal de 1970, que é oficialmente em vigor na Igreja latina."

Mais uma vez eles desviam o debate do aspecto doutrinário para o aspecto jurídico, como vimos fazer, acima, o Cardeal Ratzinguer, contra o Pe. Louis Demornex. É curioso que uma bula de valor tão forte, juridicamente falando, Quo Primo Tempore, assinada por São Pio V e nunca revogada, não tenha recebido das autoridades, o mesmo tratamento. Ao impor a Missa Nova e tentar fazer crer que a Missa de São Pio V estava proibida,  as autoridades passaram por cima das determinações solenes e jurídicas do Concílio de Trento. Dois pesos e duas  medidas.

A carta do Cardeal Hoyos continua  determinando que, doravante, os superiores da Fraternidade só poderão exercer esta função em dois mandatos de seis anos. Agradece ao Pe. Bisig e se despede dele.
Em seguida determina, sem voto do Capítulo,  ou seja, enquanto interventor, que o novo superior geral será o Pe......Devillers, como propusera na sua carta, o Pe. Le Pivain. Do mesmo modo destitui os superiores dos dois seminários e pede que o novo superior geral escolha outros.

Em seguida o Cardeal Presidente da Comissão Ecclesia Dei  lembra a todos que o rito oficial da Igreja é o rito de Paulo VI, que o rito de S. Pio V é uma concessão, um privilégio desse instituto, mas que todos os padres podem celebrar quando quiserem a Nova Missa.  Hora nenhuma este Cardeal ou qualquer outro bispo da hierarquia aceita analisar teologicamente o rito da Missa. É sempre o aspecto jurídico que eles levantam. É assim que sua carta termina clamando os membros da Fraternidade São Pedro a não se prenderem a uma questão de rito, pois, diz ele, o que importa "é a unidade na verdadeira fé e a disciplina comum sob a hierarquia apostólica".  Ora, a quem o Cardeal quer enganar? Falar de unidade na fé e obediência à disciplina só caberia se ele provasse que o rito de Paulo VI exprime essa fé verdadeira. Isso ele não aceita fazer. Ele foge do mérito da questão, ele tem medo da verdade e quer nos fazer engolir Vaticano II e sua nova Igreja evolutiva, na base da ameaça jurídica. 

E conclui: "Vosso papel não é de modificar esta situação, ou de falar desse rito como se fosse de menor valor, mas de ajudar aos fiéis que têm um apego ao antigo rito a melhor se encontrar dentro da Igreja... Os senhores não devem dar prioridade à  forma litúrgica na qual têm  o privilégio de celebrar.

Eis, então, que Mgr. Lefebvre tinha toda razão, quando retirou sua  assinatura do protocolo de 5 de maio de 1988. Ele viu, ele sentiu, que as autoridades estavam muito longe de querer compreender a situação e favorecer a Tradição. O que eles queriam era isso, que hoje eles exigem desses padres. Estes queriam preservar a Tradição na obediência, queriam só celebrar a Missa de S. Pio V, na obediência, queriam criticar Vaticano II, na obediência. As autoridades foram fechando o cerco e deram o bote. E foram engolidos pelo Vaticano dessa nova igreja conciliar, protestantizada. Devorados pela fera, sem piedade nem dó. O exemplo da Fraternidade São Pedro está aí. O cadáver ainda quente nos  deixa perplexos diante de tanta maldade, de tanta malícia. A cada um de nós de aprender com estes fatos. Não são invenções, não são interpretações malévolas e radicais. São os fatos, na sua mais clara e límpida objetividade. 

Ut inimicos Sanctae Ecclesiae humiliare digneris, Te rogamus audi nos
Que vos digneis humilhar os inimigos da Santa Igreja - Vos rogamos, ouvi-nos.

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