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Category: PensamentoConteúdo sindicalizado

Prefácio ao livro A Descoberta do Outro

Como já é do conhecimento de muitos acaba de ser reeditado o primeiro livro de Gustavo Corção - A Descoberta do Outro. Durante muitos anos várias editoras procuraram em vão os herdeiros de Corção para pedir autorização de publicar esta obra-prima do nosso fundador e mestre. Agora foi acordado à Vide Editorial. Mérito deles.

Não posso deixar de recomendar vivamente a leitura deste livro e a Editora Permanência não deixará de promover sua venda. Por outro lado, resta-nos uma ponta de tristeza pois, sendo os herdeiros espirituais do pensamento e do combate de Gustavo Corção, seria muito mais coerente e natural que nós pudéssemos difundir a obra de Gustavo Corção. Mas não nos foi acordada essa possibilidade. 

No intuito de aconselhar a leitura e de assinalar os aspectos mais importantes desse livro único no seu gênero, e para ajudar o leitor menos acostumado com as belas letras, escrevi o Prefácio que segue. 

Foi aos dezesseis anos que eu li pela primeira vez A Descoberta do Outro. Abri-o como quem abre um testamento, tão grande era a presença do autor em minha vida. Em casa o chamávamos Vovô Corção, pois de fato ele fora um pai para o meu próprio pai. O pensamento e a obra de Gustavo Corção tornaram-se como uma herança espiritual que recebi enquanto crescia, e que assumi na Permanência.

Ao longo desses 40 anos reli este livrinho dezenas de vezes, ora por gosto, ora por estudo. Em 1980, por exemplo, foi para ajudar na revisão da edição francesa, publicada em 1987. Mais recentemente, colaborei na preparação de uma matéria sobre Gustavo Corção, na Revista Conhecimento Prático de Literatura[1], e mais uma vez fui buscar o primeiro livro do grande escritor para ilustrar o artigo que escrevi para a ocasião.

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Civilização católica e erros modernos

Donoso Cortés

 

CARTA AO CARDEAL FORNARI

 

Eminentíssimo Senhor:

Antes de submeter à alta penetração de Vossa Eminência as breves indicações que houve por bem pedir-me em carta de maio último, parece-me conveniente assinalar aqui os limites que me impus a mim mesmo na redação destas indicações.

Entre os erros contemporâneos não há nenhum que não se reduza a uma heresia; e entre as heresias contemporâneas não há nenhuma que não se reduza a outra, condenada de há muito pela Igreja. Nos erros passados, a Igreja condenou os erros presentes e os erros futuros. Idênticos entre si quando considerados sob o prisma de sua natureza e de sua origem, os erros oferecem, todavia, o espetáculo de uma variedade portentosa quando vistos através de suas aplicações. Meu propósito hoje é considerá-los mais pelo lado de suas aplicações do que pelo de sua natureza e origem; mais pelo que tem de político e social do que pelo que tem de puramente religioso; mais pelo que tem de diverso do que pelo de idêntico; mais pelo que tem de mutável do que pelo de absoluto.

Vida intelectual versus vida de curiosidade

(Esta conferência foi proferida na Jornada de Formação do MJCB em 2012. Apresentamos aqui a sua transcrição).

 

Pe. Luiz Cláudio Camargo FSSPX

A obra que estamos propondo realizar em nossos priorados consiste exatamente na idéia da universidade: versus unum. A universidade é a reunião de todas as faculdades, iluminadas pela Teologia. A nossa vida precisa alcançar essa unidade mais elevada, e o lugar privilegiado para isso, na situação em que nos encontramos hoje, são os nossos priorados.

Quero comparar aqui os elementos normais da vida intelectual — o ato, a estrutura da vida interior — com a sua deformação. Gostaria de comparar a vida intelectual com a vida de curiosidade, e daí tentar tirar os conselhos práticos para a vida especulativa. 

Pode-se dizer que há duas partes no esforço intelectual. Em primeiro lugar, há o que se pode chamar de studium, o estudo. Em latim, a palavra studium significa esforço. É interessante notar que toda a primeira parte, a do esforço intelectual, por causa da união e da relação entre o corpo e a alma, é necessária para se chegar ao ato específico em que a inteligência enxerga o seu objeto. Ela exige um esforço muito grande. O modo pelo qual chegamos ao conhecimento é um modo laborioso, chamamo-lo de modo racional. É necessário ruminar até se chegar ao saber. Em seguida, temos um ato próprio, específico, e o efeito próprio pelo qual a inteligência vê o seu objeto, alcança-o, pode ser chamado de gaudium. Então, alcança-se a idéia e a alma repousa. Leia mais

Pode a Igreja morrer?

Dom Lourenço Fleichman OSB

Muitas pessoas me pedem que atualize com mais freqüência o site. Confesso que não tenho conseguido me dedicar mais a este apostolado, levado pelo excesso de trabalho nas quatro capelas sob minha responsabilidade, nas revisões doutrinárias dos livros que editamos e na cura das almas. Estamos iniciando agora o projeto do Colégio São Bernardo, a primeira escola da Tradição no Brasil, sobre a qual falaremos a seu tempo.

Felizmente tenho a ajuda de uma equipe atuante no que toca a produção da Revista Permanência, de outra forma não conseguiria manter o ritmo dos lançamentos trimensais. Confesso que é um trabalho que nos traz muita satisfação.

Agora mesmo assistimos a mais um grave escândalo do ecumenismo desenfreado. A reunião promovida pelo papa Francisco I dentro do Vaticano, no domingo de Pentecostes é apenas um gemido naturalista, um grunhido da História, dentro da obra destruidora do Vaticano II.

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O dever de desobedecer aos homens para obedecer a Deus

Agosto 10, 2018 escrito por admin

Um leitor nos escreve:

 

Prezado Diretor,

Faço questão de participar-lhe do alívio e da satisfação que senti ao ler o Si Si No No de fevereiro de 2003 [edição italiana], especialmente o artigo ‘Autoridade e verdade. Noite ao meio dia?’ [que está sendo publicado neste número da edição brasileira]. Realmente, a brilhante argumentação referente à autoridade papal, que não é absoluta e está limitada pelo direito divino e, portanto, nem sempre obriga à obediência, confirmou-me, mais uma vez, que têm razão de sobra os que decidem continuar pertencendo à Igreja de sempre, isto é, à Igreja da Tradição Apostólica.

Suas demonstrações e provas, dedicadas à refutação dos neomodernistas e “conciliaristas” (que hoje estão soltos pelo mundo e como que possessos por uma sanha diabólica), baseiam-se num plano profundo da moral e da doutrina que nos enche de certeza e esperança quanto ao futuro da Igreja e também à salvação de nossas almas.

Mas, caro diretor, eis aqui a razão de minha carta: há pouco tempo deparei-me com um texto que transcrevo brevemente e que me causou uma pequena “crise” [...]. Trata-se de um livro sobre os grandes santos italianos [...] em que Santa Catarina de Sena, a grande santa do século XIV, padroeira da Itália, dirige-se a Sire Bernabó Visconti, senhor de Milão, um dos mais perigosos inimigos do papado (1373): “Pecamos diariamente, e por isso necessitamos diariamente de receber o perdão de nossos pecados, mas só a Igreja administra este sacramento, por ser a única depositária do sangue do Cordeiro. Então, quão néscio é quem se afasta do Vigário de Cristo, guardião das chaves do céu! Mesmo que fosse o diabo encarnado, o senhor não deveria rebelar-se contra ele, e sim, humilhar-se sempre e pedir o sangue [do Cordeiro] por misericórdia. De outro modo não poderia obtê-lo nem participar de seus frutos. Rogo-vos, pelo amor de Cristo crucificado, que nunca façais nada contra vosso Chefe [...]. Dai-vos conta de que só o demônio pode vos ter tentado a fazer justiça em relação aos maus pastores da Igreja. Não creiais no demônio; o castigo dos prelados não é vossa incumbência; não o consente nosso Salvador, que não quer que Vós nem criatura alguma faça tal justiça, pois é ele próprio quem deseja realizá-la [...]”.

Mais tarde [...], em 1375, a República de Florença rebelou-se abertamente contra a autoridade do Papado; Catarina trovejou e fulminou seus anátemas contra os reitores do Povoado de Sena:

“Quem, como membro infecto, rebela-se contra a Santa Igreja e contra nosso Pai, o Cristo na Terra, cai no domínio da morte, porque o que se faz ao Vigário de Cristo faz-se ao próprio Cristo. Prestai atenção ao que conseguistes com vossa desobediência e perseguições: cair na morte, tornar-vos odiosos a Deus e desagradáveis a Ele; não vos podia acontecer coisa pior do que estar privados de Sua graça. Admito que muitos imaginam não ofender a Deus agindo assim, e que enquanto perseguem a Igreja e seus pastores se desculpam alegando que eles são maus e autores de toda sorte de dano. Mas digo-vos que Deus quer e manda que, apesar de o Cristo na terra e os outros pastores serem diabos encarnados, submetamo-nos igualmente e os obedeçamos. Não por causa de suas pessoas, senão por obediência a Deus, pois o Papa é o vigário de Cristo”.

Chegando a esse ponto, caro Diretor, peço-lhe um comentário, uma explicação sobre as afirmações de Santa Catarina relativas ao Papa e à obediência absoluta que lhe devemos, como parece, em qualquer caso ou circunstância, mesmo que seja o demônio encarnado. Encontro-me entre a “cruz” das poderosas razões que o senhor expôs no artigo supracitado e a “espada” das palavras da padroeira da Itália que parecem, à primeira vista, irrefutáveis e irrepreensíveis”.

Carta assinada

 

Para compreender os textos de Santa Catarina é mister levar em conta que para ela eram perfeitamente normais e verdadeiras as noções de obediência e desobediência. São Pedro também dizia aos escravos que obedecessem a seus senhores mesmo que fossem maus (I Pedro 2, 18) mas, certamente, não queria dizer com isso que deviam obedecer às más ordens dos maus senhores, nem a Igreja jamais o compreendeu assim (caso contrário, os mártires teriam oferecido sacrifícios aos deuses para obedecer ao imperador). Portanto, aproveitando a ocasião que nos oferece o leitor, “tiremos o pó” da doutrina católica sobre a obediência, já recordada aqui em mais de uma ocasião.

Comecemos por descartar que Santa Catarina exija uma obediência “absoluta” ao Papa. Na verdade, a Igreja ensina que a obediência absoluta se deve somente a Deus. Santo Tomás pergunta-se, em sua Summa Theologica se é necessário obedecer a Deus em tudo (S. Th. II-II, q.104, a.4). Sim, responde, porque além de ser o senhor supremo, Deus não pode mandar nada contra a verdade e a virtude (ibid. ad 2). Depois o santo pergunta-se se os subordinados também estão obrigados a obedecer em tudo a seus superiores (S.Th. II-II, q.104, a.5). Não, responde, porque o superior pode mandar alguma coisa contra Deus, e nesse caso é imperativo obedecer a Deus sem considerar a ordem da autoridade inferior, de acordo com o princípio proclamado por São Pedro (At 5, 29): “É preciso obedecer a Deus antes que aos homens”(ibid.).

Tampouco é absoluta a obediência a que estão obrigados por voto os religiosos. Tal obediência está submetida à norma supracitada, e a partir daí Santo Tomás distingue três tipos de obediência:

“A primeira, suficiente para a salvação, limita-se a obedecer nas coisas obrigatórias; a segunda, perfeita, obedece em todas as coisas lícitas; a terceira, desordenada (indiscreta), obedece também no que é ilícito” (ibid. ad 3). Entretanto, é em nome dessa última obediência “indiscreta”, desordenada e sem discernimento, que muitos religiosos e eclesiásticos se dobram frente ao modernismo, outrora condenado pela Igreja.

Assim, “a obediência é ilimitada quando diz respeito a Deus...; quanto aos homens, ela é limitada pelo direito divino (natural e positivo), por toda autoridade humana superior e pela matéria subtraída ao poder do superior” (Enciclopédia Católica, verbete “ubbidienza”).

Não há autoridade humana que seja superior à do Papa, mas seu poder não está isento dos outros dois limites: o direito divino (natural e positivo) e a matéria que não é de sua competência.

A revista jesuíta La Civiltá Cattolica, que era, então, influente, gloriosa e benemérita, escrevia há mais de um século:

Todo poder absoluto nesse mundo repugna. Nem a Igreja o possui: ela tem no Evangelho um código imutável; em seu organismo, uma constituição de que não pode afastar-se; na assistência divina um guia que a conforta. Temos algum poder graças à verdade, mas nada podemos contra ela. São Paulo escreveu: Non possumus aliquid adversus veritatem, sed pro veritate [...]. Só Deus, Senhor supremo de Suas criaturas, carece de limites de qualquer tipo, porque não necessita deles de modo algum, sendo reto e sábio por essência; portanto só Ele é regra para si próprio. [...] Qualquer outro poder só pode ser ministerial, pois acha-se circunscrito por limites e necessita de direção” (vol II, série XV, 1892, pág. 10). Também comentou acerca do Papa em particular: “Mas, enfim, é verdade que o Papa goza de soberania absoluta na Igreja? Tal expressão, se nos fixarmos no sentido próprio das palavras, é falsa. Não há dúvida de que a Igreja parece reger-se monarquicamente – assim é, de fato. Mas uma coisa é pôr no Papa uma soberania monárquica na forma, e outra muito distinta é fazer dele sujeito de uma soberania absoluta. A soberania monárquica refere-se ao sujeito do poder, e significa governo de um só; a soberania absoluta faz referência ao poder, e significa um poder independente de quem quer que seja. O Papa goza da soberania monárquica enquanto que só nele está concentrado todo o governo da Igreja, mas não tem a soberania absoluta, visto que não é rei nem dono da Igreja, senão vigário de seu rei e de seu dono: Cristo. Donde se segue que, assim como o vigário não pode exercer a administração de que está encarregado a seu “bel prazer” e está obrigado a submeter-se às prescrições daquele de quem é vigário, também o Papa não pode conduzir a Igreja de acordo com seus caprichos, mas tem que depender da vontade de Cristo, de quem é vigário. Em outros termos, o Papa tem que guardar, sem violar, as leis e prescrições dadas por Cristo e, atendo-se a elas, tem de administrar a Igreja com prudência” (vol VII, série IX, 1875, pág 193).

Por isso Bento XIV escreveu o seguinte ao bispo de Breslava (12 de setembro de 1750): “O fato de que nós conhecemos isso e o toleramos deve ser suficiente para tranqüilizar vossa consciência, pois nesse assunto não há nenhuma oposição ao direito divino (natural ou positivo) [caso houvesse oposição, a consciência do bispo não poderia gozar de tranqüilidade], somente ao direito eclesiástico”.

E, até mesmo nessa questão de uma tolerância não contrária ao direito divino, o Papa se acha na obrigação de justificar-se: “Tudo que fazemos, testemunhamos diante de Vós, e ao pé do crucifixo, fazemo-lo somente para evitar maiores males à nossa religião”.

Assim respondeu Pio VI a Napoleão, que lhe pedia que anulasse o matrimônio – válido - de seu irmão: “Se usurpássemos uma autoridade que não temos, tornar-nos-íamos culpáveis do abuso mais abominável de nosso ministério diante do tribunal de Deus e da Igreja” (Que Votre Majesté, 26 de junho de 1805).

Compreendido isso, claro está que ao falar de obediência ao Papa, Santa Catarina refere-se, como São Pedro, a ordens que não usurpem uma autoridade que o Papa não recebe de Cristo; ela se refere a ordens que não contrariem o direito divino (natural ou positivo), que mesmo sendo um “demônio encarnado”, o Papa pode dar. Se além de ser um “demônio encarnado” o Papa der ordens próprias de um “demônio encarnado”, então o fato de ser Papa não basta para “tranqüilizar a consciência” de ninguém (cf. Bento XIV cit).

A obediência, na verdade, exige não apenas que a autoridade seja legítima, mas que as ordens sejam também legítimas (e por aqui se vê a inconsistência do sedevacantismo: se meu pai me ordena algo mau, não devo me preocupar em provar que ele não é meu verdadeiro pai. Para negar-lhe obediência, basta que sua ordem seja má).

A obediência é uma virtude moral, não teologal. Entre as duas categorias há uma diferença fundamental: não é possível pecar por excesso nas virtudes teologais (fé, esperança e caridade), porque tendo Deus por objeto direto, quanto mais se crê, mais se espera e mais se ama, melhor. Nas virtudes morais, entretanto, pode-se pecar por excesso ou por falta. Quanto à obediência, “peca-se por defeito quando não se executa uma ordem legítima. Nesse caso, há desobediência. Peca-se por excesso contra a obediência quando se obedecem a coisas contrárias a uma lei ou um preceito superiores; nesse caso há abjeção (ou servilismo)” (cf Roberti, Dizzionario de Theologia Morale, ed. Studium verbete “ubbidienza”). Por isso São Francisco de Sales escreve: “Muitos se enganaram profundamente ao crer que a obediência consistia em cumprir, com ou sem razão, tudo que nos é mandado, mesmo quando for contrário aos mandamentos de Deus e da Santa Igreja, no que erraram sobremaneira [...] porque em tudo que diz respeito aos mandamentos de Deus, os superiores não têm faculdade para dar uma ordem contra eles e os subordinados não têm jamais obrigação de obedecer em tal caso. Pior ainda: se obedecessem, cometeriam um pecado” (Centelhas Espirituais, cap IX, págs 170-171).

Assim, o dever de obedecer pressupõe sempre que a ordem do superior seja sempre legítima. Caso contrário, não há obediência e sim, pecado contra a obediência. E para a obediência perfeita, também chamada “cega” o Padre Persh esclarece: “Para que ocorra um ato de obediência é necessário que o subordinado veja duas coisas: 

1o. Que quem manda é um superior competente.

2o. Que aquilo que ele manda não é um pecado. 

Para assegurar-se desses dois pontos, a obediência deve enxergar e não ser cega... Em que sentido então se fala de obediência “cega” como ato perfeito de obediência? No sentido de que, estando seguros acerca dos dois pontos acima, tanto da competência do superior quanto da liceidade de sua ordem, nós excluímos a prudência carnal, que torna odioso para nós tudo aquilo que vai contra nossa natureza corrompida e nos estimula a buscar razões para subtrairmo-nos aos preceitos desagradáveis” (Pralectionas Dogmatical, t. 9, ed 1923, nn 261 s.).

Contudo, há um caso em que se deve ao Papa uma obediência “verdadeiramente” cega, e é quando ele fala “ex cathedra” (magistério extraordinário infalível) ou quando ele propõe novamente o que a Igreja sempre creu e ensinou (magistério ordinário infalível). Assim, a obediência cega pressupõe uma autoridade infalível (cardeal Billot, De Ecclesia): no primeiro caso, o Papa goza pessoalmente da infalibilidade prometida a Pedro e a seus sucessores; no segundo, seu ensino goza da infalibilidade prometida por Nosso Senhor Jesus Cristo à sua Igreja em geral. Por isso, a obediência cega, que “não examina a intenção nem pesa as razões [...] é absolutamente necessária em relação a Deus e ao magistério infalível da Igreja” (Enciclopedia Cattolica, verbete “ubbidienza”).

Conclui-se que, fora do magistério infalível, vale para o Papa o mesmo critério que para qualquer superior (melhor dizendo, vale com maior razão para o Papa, dadas suas gravíssimas responsabilidades): nos casos em que ele não goza do dom de infalibilidade, ele tem o dever de ser muito prudente e os súditos não têm obrigação de obedecer “cegamente”, achando-se, sim, obrigados àquela obediência que pode e deve “enxergar”, como dizia acima o padre Persh. “Enxergar” é perceber com o “sensus fidei” (que não é o juízo pessoal dos luteranos) um contraste com o que a Igreja sempre creu, ensinou, e praticou constantemente. Claro, não nos referimos a um contraste de gostos ou opiniões particulares.

Por isso os bispos alemães responderam a Bismarck, depois da definição da infalibilidade pontifícia, que “a Igreja Católica não é, certamente, uma sociedade em que se admite o princípio imoral e despótico de que a ordem do superior libera, sem condições, os inferiores de qualquer responsabilidade pessoal”; e que tampouco a infalibilidade faz do Papa “um soberano absoluto”, como pretendia o chanceler alemão, porque “a infalibilidade é uma propriedade que se refere unicamente ao magistério supremo do Papa; e isto coincide com o âmbito do magistério infalível da Igreja em geral e está diretamente ligado às Sagradas Escrituras e à Tradição, assim como às definições efetuadas pelo magistério eclesiástico”.

Pio IX aprovou, em nome de sua suprema autoridade apostólica, a supracitada declaração coletiva dos bispos alemães, louvou-a e fê-la sua, e por isso ela figura no Denzinger 5 (cf parag. 3115-3116).

Na Inglaterra, Gladstone acusou os católicos de não poderem ser súditos leais à rainha porque deviam ao Papa uma obediência “absoluta”, o que dava ao Papa “o direito de criar uma consciência falsa para seus fins” e tornava os católicos “escravos intelectuais e morais”. O cardeal Newman respondeu que o Papa não reivindicava uma obediência absoluta, nem os católicos obedeciam daquela maneira, em coisas lícitas ou ilícitas. Newman citou São Belarmino, entre outros doutores da Igreja: “assim como seria lícito resistir ao Papa se ele atacasse fisicamente qualquer homem, também seria lícito resistir-lhe se ele atacasse as almas e perturbasse os Estados, e com maior razão se ele pretendesse destruir a Igreja. Seria lícito resistir-lhe não cumprindo o que ele mandasse e impedindo que sua vontade fosse cumprida” (Newman, carta ao Duque de Norfolk, Belarmino, De Romano Pontifice, II, 29). Se devêssemos interpretar os textos de Santa Catarina no sentido em que entendeu nosso leitor, com sua conseqüente perturbação (o demônio é bem esperto na hora de arrumar um jeito de roubar a paz às almas de boa vontade), teríamos de dizer que, apesar do ensinamento da Igreja e de seus doutores, a Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo é realmente uma sociedade em que está vigente o princípio imoral segundo o qual a ordem do superior libera, sem condições, os subordinados de toda responsabilidade pessoal, o que é falso. Portanto, devemos supor, e a história daquele tempo no-lo confirma, que se tratavam de príncipes ou governantes que resistiam a ordens papais legítimas (ou que não estavam fora de sua competência) e que se justificavam hipocritamente, como se depreende da carta ao povo de Sena, com o pretexto da indignidade pessoal do Papa e dos demais pastores da Igreja; por isso, Santa Catarina sublinha que se devia obediência “àquele e a estes, não por causa de suas pessoas, mas por obediência a Deus, de quem o Papa é vigário”. A Santa não teria escrito tal coisa se a obediência exigida pelo Papa fosse contrária a Deus e ao ofício do vigário de Cristo.

Quando as ordens ou as diretrizes do Papa contradizem o direito divino (natural ou positivo), deve-se obediência a uma autoridade mais alta que o Papa, a Jesus Cristo Nosso Senhor, de quem ele é o vigário. Vale então para o Papa o que vale para toda autoridade terrena: “quando o mandato é contrário à razão, à lei eterna, à autoridade de Deus, então deve-se desobedecer aos homens para obedecer a Deus” (Leão XIII, Libertas Praestantissimum, no. 15).

No que tange à situação atual, limitar-nos-emos a uns poucos exemplos:

1) Sabemos que Deus quer que o Evangelho seja pregado a todos os homens, porque não há salvação fora de Jesus Cristo nem de sua Igreja (Mc 16, 15-16), e por isso a Igreja sempre foi missionária.

O ecumenismo atual, entretanto, quer que abracemos a idéia de que já não é necessário pregar o evangelho de Jesus Cristo, nem que as pessoas sejam batizadas em sua Igreja; além disso, tacha de “proselitismo” toda ação missionária de cunho tradicional, porque dizem que para os mouros se salvarem basta que sejam bons mouros (o que significa negar a Trindade de Deus, a divindade de Jesus Cristo, a realidade de seu sacrifício pelos homens, etc.); para os hindus, basta serem bons hindus (o que significa até negar a unidade de Deus), e assim para todos os outros, inclusive os heréticos e cismáticos.

A quem prestaremos a obediência de nosso intelecto: a Deus ou a alguns homens da Igreja que traem a Deus e a sua Igreja? (Não julgamos seu grau de responsabilidade, porque não nos cabe julgar).

2) O direito divino proíbe que os fiéis tenham parte e relação com os infiéis, a não ser no campo das atividades materiais e por necessidade (São Paulo: Haereticum hominem devita: “evita o herege”, Tito 3, 10, e São João: “Nem sequer o saudais”. 2 Jo. 10, etc.). Na verdade, é um pecado contra a fé expô-la ao perigo (cf. Enciclopedia Cattolica, verbete fé). O ecumenismo atual, entretanto, promove contatos em todos os níveis, inclusive no âmbito do culto e da pregação (intercâmbio de púlpitos), com infiéis de todo tipo (hereges, cismáticos, idólatras).

A quem devemos obediência: a Deus, ou a homens que, mesmo sendo homens da Igreja, não agem como tais?

3) Nosso Senhor Jesus Cristo fundou sua Igreja na unidade da fé, raiz e fundamento da vida cristã e de toda virtude, a caridade inclusive, porque é conforme à própria natureza do homem que a concórdia das vontades nasça da concórdia das inteligências (cf. Leão XIII, Satis Cognitum, Pio XI, Mortalium animos).

O ecumenismo atual nos diz, entretanto, que devemos colocar a “caridade” como fundamento, desconsiderando a fé e abraçando a idéia de “unidade na diversidade” (salta aos olhos que se referem à diversidade de fé, porque a diversidade na unidade de fé sempre houve na Igreja). A quem obedeceremos: a Deus ou aos homens? E poderíamos estender-nos muito mais em nossos exemplos. 

Sabemos – porque a Santa Madre Igreja sempre nos ensinou (e porque a reta razão no-lo dita) – que é preciso obedecer primeiro a Deus, e depois aos homens (Atos, 5, 29), mesmo que sejam homens da Igreja (mas que abusam de sua autoridade). Conclui-se que, com tranqüilidade de consciência, defendamos nossa fé e a de nossos irmãos contra o “novo rumo” promovido na Igreja em nome de um concílio apresentado como “pastoral” e imposto como “dogmático”; melhor dizendo, como se fosse o único concílio dogmático, ou ao menos como se fosse superior a todos os demais, inclusive ao de Nicéia (Paulo VI!), que defendeu a divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo contra Ário.

O que diria hoje Santa Catarina? Ela fez os desobedientes voltarem à verdadeira obediência, mas em sua carta ela também exortou aos Papas, com extrema franqueza, que cumprissem seus deveres: “Peço-vos que façais virilmente o que tendes de fazer, e com temor de Deus”. “Sede homem varonil, não um covarde” (a Gregório XI). Assim, as deficiências daqueles Papas não eram nem de longe como as da hierarquia atual. E tal comentário não supõe que estejamos nos arrogando o direito de “julgar” o Papa (ou os outros pastores). Na verdade, escreve Vitoria, grande teólogo dominicano, citando Caetano e outros teólogos de renome na Igreja: “Nós afirmamos tudo isso (o direito de resistir, inclusive publicamente, ao Papa que demole a Igreja), não porque alguém tenha o direito de julgar o Papa ou porque tenha autoridade sobre ele (exceto Deus, entende-se), mas porque é lícito defender-se. Todo mundo goza do direito (inclusive natural) de resistir a um ato injusto, de tentar impedi-lo, de defender-se dele” (Vitoria, Obras, pág. 487). Com maior razão quando se trata de fé.

Não, os príncipes e governantes a quem Santa Catarina escrevia, não tinham de escolher, como nós, entre a fé e uma “obediência” indevida ao Papa, entre a fidelidade a Cristo e uma “fidelidade” indevida a seu vigário, que deslumbrado pela quimera do ecumenismo, sai de seus limites de vigário e expõe a fé, as almas e a Igreja a todos os tipos de perigo. Caso contrário, Santa Catarina, ao exortar-nos a uma falsa obediência ao homem, indevida e ruinosa, teria nos exortado a desobedecer a Deus para obedecer aos homens.

 

Georgius

 

Reflexões sobre as exigências espirituais na ordem temporal

Agosto 10, 2018 escrito por admin

Há verdades fundamentais que cada vez se nomeiam menos, quando não são deixadas sistematicamente no esquecimento; silêncio que explica por que nossos contemporâneos encontram um não sei quê de estranho e antinatural cada vez que, devido a circunstâncias excepcionais, estas verdades chegam a seus ouvidos.

Convém observar que em tempos normais — tanto em sua vida social como pessoal — o homem manifesta uma atração pela verdade se esta se apresenta sob uma aparência lisonjeira e sedutora. 

E se, ao contrário, a verdade requer um esforço nos atos ou uma renúncia? O homem se aparta rapidamente para seguir seu próprio interesse ou prazer; não consente em escutar essa voz que vem do alto, e só o faz quando que se encontra oprimido, metido em um caminho sem saída ou presa do sofrimento.

Chegamos nós hoje a tal extremo no plano das realidades temporais? Sem dúvida ainda não de todo. No entanto, desde há alguns anos um sentimento novo parece manifestar-se nas massas: um desgosto e uma inquietude que não provêm somente das dificuldades do momento presente ou das dificuldades que se prevêem para um futuro mais ou menos próximo, mas que consistem mais profundamente em uma angústia mesclada com um ceticismo acerca das respostas dadas às aspirações humanas de felicidade e de justiça em todas as formas técnicas de organização.

Na medida em que estas dúvidas afastem de nós uma segurança artificialmente alimentada durante décadas pelo racionalismo e pelo positivismo político, devemo-nos alegrar: o florescimento de tal sentimento é provavelmente a percepção do que um filósofo chamou “a insuficiência essencial das coisas visíveis”. Sobre a terra, somente o homem é capaz desta percepção.

O fato curioso é que esse fenômeno geral e ainda bastante informe não parece ser advertido no plano da classe dirigente, seja porque esta tem o poder e em tal caso não percebe o que sucede nos corações inquietos acerca da ordem por ela estabelecida, seja porque se encontra na oposição, em cujo caso se mostra totalmente insensível àquilo que não entra em uma visão catastrófica do homem e das coisas.

De qualquer forma o fato está aí, imponente. E assim os “políticos”, em vez de dignar-se considerar esse desgosto coletivo, se limitam a lançar reformas superficiais, incessantemente submetidas a discussões por um prurido psicológico de mudanças, ou a elaborar programas unicamente centrados no melhoramento das condições técnicas.

Essa solicitude pelo progresso material, comum a todas as instituições, trate-se de instituições amigas ou rivais, impede-lhes conceber o futuro de outra maneira que não seja sob a forma de uma benéfica evolução contínua, concebida segundo o modelo — admirado por todos — do desenvolvimento científico. Desta perspectiva, a visão social do futuro não pode evidentemente consistir em outra coisa senão em proporcionar cada vez mais abundantes vantagens e direitos aos cidadãos, os quais cada vez estão mais exigentes com respeito à quantidade e variedade dos alimentos terrestres oferecidos a seu apetite.

 

Só se trata de um consumidor para alimentar e divertir?

É verdade que faz parte da responsabilidade do Poder procurar tais bens, e seria injusto reprovar a dita preocupação dos governantes, os quais se esforçam com boa vontade e com talento por corresponder às aspirações gerais da população. Todos esses esforços, no entanto, não impedem que as coletividades entrem em uma engrenagem geradora de novas dificuldades. Assegura-se-nos um nível de vida cada vez mais alto, mas os recursos do universo são ilimitados? A explosão demográfica do Terceiro Mundo nos permitirá desfrutá-los tranqüilamente? Os danos trazidos pelo progresso técnico não atentam contra o bom funcionamento dos fatores naturais? E, sobretudo, o homem se torna com tudo isso mais sábio?

Os governantes do mundo se submetem ansiosamente aos problemas próprios de nosso tempo recorrendo a novos remédios materiais, dado que, uma vez mais, não podem imaginar outros. 

Como não se perguntar se esse comportamento político-econômico universal não traduz uma filosofia do homem radicalmente insuficiente, que desemboca no desconhecimento de suas necessidades autênticas?

É como se nossos governantes considerassem o homem só sob o aspecto de um consumidor que há que alimentar e divertir, como se não vissem nele mais que uma emanação da ordem material, já que não se fala nunca do que constitui sua essência e sua nobreza, ou seja, sua participação na ordem espiritual, nem, com maior razão, se fala da subordinação da ordem espiritual à da Graça.

Podemos figurar a diversão dos homens públicos a quem se pediu que se debruçassem sobre as exigências morais e espirituais dos cidadãos, assim como, por outra parte, podemos figurar a irritação dos ditos homens se lhes dissessem que as vantagens materiais devem ter em vista seu próprio bem e não a satisfação de seus próprios egoísmos; sua ascensão às alturas e não seu envilecimento na lama.

Ai de mim! A maior parte de nossos chefes — também cristãos (sem dúvida cristãos na vida privada, mas fortemente “laicilizados” em seus pensamentos e comportamentos políticos, por terem demasiado bem aprendida a lição dos clérigos desviados) — já não querem saber que coisa é o homem, donde vem, para onde vai, as aspirações de seu coração nem a grandeza de seu destino.

 

Subdesenvolvimento moral e espiritual

É mister ir ainda mais longe e deplorar o fato de que a filosofia política dos tempos modernos se baseia no repúdio deliberado da “ferida original”, sem a qual é impossível compreender o homem e ajudá-lo eficazmente no plano político-social.

Alguns pensadores disseram que seria necessário dar ao mundo “uma alma suplementar” ou recordaram que as civilizações são mortais. Suas vozes não são escutadas: a batalha cotidiana, provocada pela busca dos próprios interesses, sufoca todos os clamores da razão.

Para estarem ainda mais seguros de que nenhuma luz seria projetada sobre a condição real do homem, foi negado às autoridades espirituais o direito de “informar” e de “animar” a ordem temporal, deixando-lhes somente o direito de ocupar-se do culto e a possibilidade de testemunhar sua simpatia a um mundo em decadência, e é necessário reconhecer que, salvo raras exceções, elas não fizeram muitos esforços por rechaçar a voz do Tentador.

É finalmente demasiado evidente que os bens materiais, ainda que sejam necessários tanto para o exercício da inteligência especulativa e prática como para a satisfação dos sentidos, não podem nutrir o corpo nem a alma. Mas os governantes não olham para o alto: limitam-se a formar eruditos, artistas, técnicos, amantes de doçuras sensíveis e de raciocínios sutis. Estão oficialmente impossibilitados de formar corações leais, ardentes e puros, almas cheias de coragem e de fé. Esse campo está “minguado”, “posto entre parênteses”, como dizem os filósofos alemães.

O resultado dessa extraordinária carência se manifesta agora: o mundo inteiro se encontra imerso em um subdesenvolvimento moral e espiritual, o qual comove todos os ambientes, e do qual pouquíssimos homens públicos parecem ter consciência, sem porém ousar dizer uma palavra.

 

Ao rés do chão, como as andorinhas que anunciam a chuva

Conhecer sempre mais a fundo o mundo exterior, interpretá-lo e transformá-lo para melhor gozá-lo parece ser verdadeiramente o único objetivo dos governantes e dos governados.

Até que ponto chefes e cidadãos compartilham esta visão mutilada e mutilante do homem, pudemos constatá-lo por ocasião dos debates sobre a anticoncepção e o aborto. Guias e guiados, todos sofrendo a mesma cegueira, trabalharam por via legal no delito mais inescusável, explicando solidamente seu repúdio em aceitar que no homem há algo que ultrapassa o mesmo homem.

No entanto, essa cumplicidade não tira absolutamente a maior responsabilidade dos governantes.

Os programas que hoje nos propõem sofrem todos esta lacuna. Nenhuma perspectiva ética ou espiritual se delineia, nem sequer em filigrana. Seja em nome da justiça, do progresso ou da liberdade, nós continuamos voando ao rés do chão como andorinhas que anunciam a chuva. Não nos surpreendamos que nessas condições nos choquemos contra obstáculos que podíamos evitar alçando os olhos um pouco mais alto.

Não imaginando tampouco a subordinação da ordem temporal à ordem espiritual e da ordem espiritual à ordem sobrenatural, os governantes podem esperar somente um redobramento de concupiscências ferozes, estendidas para colher os frutos proibidos, o que portanto fará necessário pôr em prática medidas repressivas destruidoras da liberdade.

 

Uma “liberdade” homicida

Quando se perdem de vista a origem e o fim do homem, por que o Poder e os cidadãos se deveriam privar de violar as leis naturais e morais, cujos imperativos os perturbam? Uma liberdade que se exercita no contexto de uma filosofia mutilada não é mais que uma liberdade egocêntrica e se torna, mais cedo ou mais tarde, uma liberdade homicida.

Dizem-nos que a metafísica e a religião não devem entrar no plano de nossos economistas e de nossos políticos, da mesma maneira que no século passado eram também declaradas alheias ao trabalho de nossos sábios. Mas essa decisão arbitrária nada pode contra a realidade: dado que criado por Deus, o homem é constitucionalmente um animal metafísico e religioso. O não levar em conta sua verdadeira natureza e seu fim leva aos piores erros doutrinais e práticos, até ao próprio sacrifício das vidas humanas.

Repetimo-lo: não podemos rechaçar em nome da verdade — ao contrário! — nenhum dos esforços realizados para melhorar a vida cotidiana dos homens. Digamos somente que é uma loucura querer limitar-se a obrar só no nível “cérebro-digestivo”, oferecer ao espírito humano só algumas quimeras astrais e a seu apetite só alimentos materiais. Estamos seguros de que os demônios que dormem em nós não tardarão a despertar para desencadear uma espantosa carnificina. Esse extermínio já se está realizando diante de nossos olhos, mas não perturba o sono de ninguém!

 

Uma escolha dramática

Em verdade se trata de uma escolha dramática, que consiste em salvar nossa vida ou perdê-la. Amiúde se comparou a vida humana à subida de uma alta montanha: antes de alcançar o cume onde nos espera Aquele que não pode enganar-se nem enganar-nos, nós caminhamos penosamente, não sem ser tentados a cada passo a tomar sendas equivocadas que nos convidam a descer facilmente a abismos bem dissimulados.

Não existe um caminho no meio! A maior parte dos homens gostaria de poder divertir-se descuidadamente sobre vertentes menos escarpadas, onde brotassem a cada passo todos os tipos de alimentos agradáveis. Mas este agradável hedonismo entra nas miragens ou paraísos que se podem chamar, com toda a justiça, artificiais.

O êxito sanguinário do século XVIII, tão próximo de nós por seu aspecto racional e por seu afã de gozo, está cheio de ensinamentos. Lembra aquele amante apaixonado da liberdade que, no momento de subir ao patíbulo, teve de reconhecer os crimes cometidos em nome dessa idéia. Como poderia ser de outra maneira, dado que se havia querido cortar o laço ontológico que une o homem à sua origem e ao seu fim? Estavam condenados a não compreender mais nada do mistério do homem e a deixar de respeitar sua dignidade. Algo desventurosamente semelhante nos ameaça ainda. As hierarquias desmoronam por todos os lados, enquanto as barreiras legais e morais, protetoras da Sociedade, se transtornaram. Sinal revelador, que, não podemos cansar de repeti-lo como um Leitmotiv, é o massacre legalmente autorizado dos inocentes.

 

Vae victoribus! (Ai dos vencedores!)

Em verdade, o trabalho que cabe a nossos governantes é gigantesco. Muitos deles se dedicam sinceramente a dar à gente o alimento e as diversões que exigem. Quase nenhum — ai de mim! — tem a coragem de praticar e de requerer dos outros o agere contra e o sursum corda (equivalente social e moral da inesgotável fórmula dada pela Virgem em Lourdes: “Oração e penitência”), o que constitui o preâmbulo indispensável para qualquer diretriz nacional.

Resta alguma esperança humana? Uma só poderia ser: a existência de certo número de dirigentes decididos que conheçam perfeitamente, conscientemente, as medidas por tomar:

  • para favorecer a unidade e a fecundidade da célula familiar;

  • para ensinar aos jovens e aos não tão jovens o respeito às leis fundamentais que regem a vida humana;

  • para restituir às instituições civis e militares o sentido de sua missão e para inseri-los novamente no “tecido” nacional.

Esta breve admoestação patriótica e moral feita aos governantes pode, por outro lado, ser dirigida aos governados. Deploramos já a cumplicidade na astúcia e no mal que infecciona de cima a baixo a pirâmide social. Essa constatação permite dizer aos cidadãos que também eles devem merecer os governantes que desejam ter.

Observemos, finalmente, um ponto importante que está relacionado com o que eu disse: as relações entre o poder temporal e o poder espiritual. Esse ponto mereceria, por si só, uma longa explanação. Basta dizer que sobre esse ponto capital haveria que corrigir muitas coisas tanto no plano dos princípios como no que se refere a atos concretos. Em todo o caso, não pode ser supérfluo recordar que os representantes dos dois poderes estão submetidos aos mesmos imperativos do bem e da verdade, e que tal exigência veda qualquer acordo secreto ao serviço de causas equívocas.

Estas últimas afirmações parecerão duras a alguns. Poderia pensar-se que fossem infundadas. Ao contrário, no curso da metade do século passado não assistimos muito freqüentemente à marginalização de espíritos excelentes pelas pressões, às vezes conjuntas (e jamais confessadas), das autoridades civis e religiosas? Sem dúvida é uma lei constante que a Cruz seja a sorte daqueles que amam e servem a verdade, ao passo que aqueles que abusam de seus poderes legítimos recebem na terra sua recompensa. Mas não duvidamos em dizer: Vae victoribus!, ai dos vencedores por um dia, que crucificam os justos com a aprovação do mundo e do inferno! São responsáveis pela dupla ruína do Templo e de Jerusalém, quer dizer, da Igreja e da Sociedade, à espera de serem os grandes vencidos na eternidade.

 

Conclusão

Possam os dirigentes em todas as ordens e de todos os graus:

  • compreender que a grandeza de um país não está ligada à acumulação de riquezas materiais nem ao desenvolvimento da arte e da técnica, mas que está unida sobretudo ao valor moral e espiritual dos homens que o compõem;

  • reconhecer, por conseguinte, que só a formação dos planificadores, peritos e eruditos, por muito honrosos que esses qualificativos possam ser, não acrescenta um côvado à estatura moral de uma nação;

  • dar-se conta de que, limitando-se a fabricar cada vez mais objetivos de consumo para indivíduos moralmente subdesenvolvidos, faz crescer consideravelmente o risco de graves desequilíbrios passionais tanto no plano individual como no coletivo;

  • aceitar corajosamente pôr em seu verdadeiro lugar os ídolos apresentados muito freqüentemente pelos tribunais oficiais como fins supremos;

  • pôr termo à mortal separação entre a política, a metafísica e a religião;

  • assumir os cargos públicos para servir ao bem comum e não para seu próprio proveito pessoal ou para o prestígio de um partido;

  • rechaçar os jogos de prestidigitação que consistem em apresentar a realidade sob uma luz incerta ou falsa, propícia para todos os maquiavelismos;

  • dedicar-se desde agora a construir, sobre os fundamentos dos verdadeiros princípios, a arca temporal que nos permitirá enfrentar sem demasiados danos o dilúvio devastador cujos sinais premonitórios já se fazem sentir;

  • em uma palavra, tomar consciência da excepcional responsabilidade tanto moral como social que pesa sobre eles, acrescentando que um dia serão julgados de maneira proporcional ao uso que hajam feito de seu poder e à energia que hajam utilizado para tal.

Está bem claro: só o ordenamento da ordem temporal à lei natural e sobrenatural apresenta caráter de necessidade; não está permitido (non licet) a nenhuma autoridade civil ou religiosa nem a nenhum súdito o subtrair-se. Ao contrário, as modalidades de atribuição ou de devolução do poder apresentam, enquanto puras técnicas institucionais, um caráter contingente; elas podem variar sensivelmente segundo os dados da história e do temperamento dos povos. Nesta perspectiva, a legitimidade do poder não está unida nem à forma do regime, nem a um homem eleito segundo os acontecimentos, nem a uma dinastia, mas essencialmente à fidelidade de que dá prova aquele regime, aquele homem ou aquela dinastia diante da lei natural e sobrenatural.

Fora dessa referência meta-histórica, o poder não pode senão alegar justificações mutiladas ou relativas que, por outro lado, ele não tarda a absolver, imitando a verdade para idealizar suas próprias ações e para melhor seduzir os espíritos.

Finalmente, é evidente que em nenhum país do mundo os mecanismos políticos, econômicos e sociais podem funcionar normalmente se estão “gangrenados” contemporaneamente pela sujeição de uma fração importante da nação a um empreendimento progressivo e programado de dominação planetária, e pela existência de um poder paralelo, difundido por todos os lados, que duplica de maneira oculta as instituições oficiais (civis, militares ou religiosas).

 

(Sim Sim Não Não, no. 106)

"Instaurare omnia in Christo"

Agosto 10, 2018 escrito por admin

Giuseppe Sarto nasceu em 1853, padre em 1858, cura em 1867, vigário geral em 1875, bispo de Mantua em 1885, cardeal em 1893, patriarca de Veneza em 1894, foi eleito papa em 1903 e tomou o nome de Pio X. Depois de onze anos de pontificado, entrega sua alma a Deus em 20 de agosto de 1914.

Foi o último papa a ser canonizado.

Impressionante é a fecundidade de sua ação para “Instaurare Omnia in Christo”. Seu pontificado foi a ocasião da renovação da vida sacramental nas paróquias, renovação do canto litúrgico, renovação do ensino catequético, renovação dos seminários, renovação do direito canônico. Ele favorece e encoraja o apostolado dos leigos. A Cúria romana lhe deve uma reorganização que a tornou mais eficaz e mais rápida em suas decisões.

Em seu pontificado houve também a condenação do modernismo com a encíclica Pascendi. Condenação corajosa, pois São Pio X não se contenta com uma análise clara e profunda, mas coloca em sua encíclica medidas disciplinares para impedir o modernismo de se infiltrar no interior da Igreja. A Pascendi foi ainda profética, pois o Papa previu as conseqüências graves para a fé se os erros triunfassem. Depois do Concílio Vaticano II e suas reformas, podemos constatar como Pio X tinha razão.

Por sua santidade, por seu espírito eminentemente sobrenatural, pela sabedoria de seu governo, o Papa São Pio X deixa o exemplo sempre atual para nossa época de apostasia geral.

“Para fazer reinar Jesus Cristo, nada é mais necessário do que a santidade do clero”. (carta ao Cardeal Respighi, 1904).

“Estamos, infelizmente, num tempo em que se acolhem e adotam com grande facilidade certas idéias de conciliação da fé com o espírito moderno, idéias que conduzem muito mais longe do que se pensa, não somente à fraqueza mas à perda total da fé” (alocução aos cardeais, 27 de maio de 1914).

O modernismo: “síntese de todas as heresias”, “caminho para o ateísmo”, “ataque aos fundamentos da fé”.

“Vocês alargam as portas para introduzir aqueles que estão fora, e enquanto isso fazem sair aqueles que estão dentro” (São Pio X ao modernista Semeria).

Os compromissos “sem converter nenhum de nossos adversários (...) causam grande dano aos bons: estes, procurando a luz, encontram as trevas (...). Nossa bandeira deve ser desfraldada; é somente pela lealdade e franqueza que podermos fazer algum bem” (carta ao Prévost de Casalpusterlengo, 20 de outubro de 1912).

 

(Revista SIM SIM NÃO NÃO n° 9 ― Setembro de 1993)

Netos de Renan

A V., meu caro Amigo, parece que impressionou a frase, que foi do escol dos intelectuais do mundo inteiro e V. já ouviu dos augustos lábios do jornalista de Timboré...: “Somos netos de Renan”... Que mal faz isto? Nenhum, creia V. Somos bisnetos de Voltaire, tetranetos de muitos outros desgraçados... de preferirmos tais ascendentes entre tantos, bem mais nobres, que a história nos apresenta.

Mas, enfim, netos de Renan... Creia, meu Amigo, o jornalista de Timboré não sabe o que disse. Foi um puro instrumento, um instrumento da Providência! Pequena glória, já se vê, para o diretor-proprietário do Progresso Timboreense, mas não pouco proveitosa para nós... Porque foi após a leitura da sua carta que, pela primeira vez em minha vida, pensei na família de Renan... Sim, aquele homem, que tão suave e sorridentemente envenenou tantos corações, arrancou a fé de tantas almas frágeis, entregou fria e despiedosamente tantas consciências, ardentes e generosas, às misérias da dúvida, sim, aquele homem também fizera uma família, tivera filhos, talvez, e os criara e educara sabe Deus como... Que fins terá tido aquela gente, que será ela, hoje em dia, lá naquela revolvida terra européia, eis o que a mim próprio perguntava, tomado, acredite V., de verdadeira piedade. Pois bem: não só a mim interroguei. Fi-lo também a um padre francês, meu amigo, e que é hoje exemplo de dedicação e carinho à nossa rude gente do sertão mineiro, após ter-se batido quatro anos, como soldado, nas fileiras do glorioso exército de sua terra. A resposta não se fez esperar muito tempo. E, veja V., não é que aquele excelente sacerdote se desse ao trabalho de escrever, ele próprio, uma história dos Renans... Não. Enviou-me simplesmente um livro, que veio a calhar. Avalie que é, justamente, a biografia de Ernest Psichari, um neto de Renan...

Chega a parecer resposta direta ao jornalista de Timboré, e V. vai ver como acertou o fino ironista, o rival sertanejo do nosso Humberto de Campos.

Sim, V. verá, meu Amigo, que já não nos pode molestar, a nós católicos, a nós crentes, que se diga das gerações que entram agora em plenitude da ação que são netas do homem que fez de Jesus Cristo protagonista de um dos mais vis romances das letras modernas, pela açucarada perfídia com que quis vestir de inconsciência o mesmo tipo que, para nós, é o Filho de Deus vivo — mas que para ele era também o mais alto, o mais perfeito, da humanidade!!

Até já podemos proclamar bem alto que somos netos desse homem, para maior glória do Deus invencível e único.

“Dios no muere”, disse o grande García Moreno, respondendo à punhalada do infernal sectário... Sim, Deus não morre, nem mesmo no sangue dos que blasfemaram de seu nome, dos que repudiaram o amor de seu Filho e apunhalaram o seio da sua Esposa.

Nem de leve suponha que exagero se lhe digo que este livro, que venho de ler, me arrancou lágrimas. Somente não lhe sei dizer se foram elas de tristeza ou de alegria. Sei que as chorei. No silêncio da noite, em que, uma a uma, fui voltando as fúlgidas páginas de Henri Massis, como que vi levantar-se, mais do que nunca, formosa, digna de adoração, a figura da excelsa majestade do espírito da Igreja, sustentáculo do mundo, todos os dias crucifica­do, todos os dias exaltado, glorifica­do, vencedor de todo o mal!

Ouvi a prece que a todas as horas sobe aos céus e abranda a justiça do Criador, sofri também de to­dos os silenciosos sacrifícios que se fazem no altar da renúncia às vaidades do mundo, e como que, dentro em mim, ecoavam também — tão grande era o silêncio lá por fora — os cânticos felizes de todos os que, ardentes de fé, na paz dos claustros ou nos perigos da catequese, bendizem Jesus Cristo, aquele que deu sentido à nossa peregrinação sobre a terra.

Mas, se eu pudesse nestas poucas linhas dar-lhe a biografia desse neto de Renan, certo V. Compreenderia a minha exaltação.

Dele já se disse até que “a França cristã pode invocá-lo nas suas preces”. E por que não? Que vida mais gloriosa, que fim mais sublime e mais ardentemente santificado? Quem se conhece aí vencedor de mais temerosas vaidades?

Avalie V. que educação poderia ter tido um neto de Renan, respirando a atmosfera mesma da mais orgulhosa idolatria a tudo quanto falava daquele homem, que ousara contrapor a sua pérfida palavra ao sangue dos mártires! Ademais, tudo parecia indicar que era Ernest Psichari um digno herdeiro do nome tristemente glorioso: o mesmo pendor para as letras, o mesmo indomável intelectualismo, e fluidez de expressão...

Mas que pode o mal quando Deus não quer? Que é que tocou o coração do jovem príncipe da inteligência?

Ernest Psichari, diz o seu biógrafo, conheceu todas as febres, todas as perturbações da sua geração, mas, sempre adiante dos seus companheiros, “nele se exaltava a mocidades de França”.

Ainda foi com assombro que o viram abandonar os cursos da Sorbone para fazer-se soldado e partir para a África, a uma rude guerra de conquista. Mas, se o entusiasmo das suas primeiras obras, nascidas do contato com a barbaria e a religiosidade do deserto, a muitos pareceu ainda entusiasmo de diletante, não tardou que se compreendesse o idealista que se revelava com força invencível. E não é nunca demais esperar-se de um soldado que se faça apóstolo. O entusiasmo pela guerra não é já entusiasmo pelo sacrifício?

Ernest Psichari em poucos anos de guerra, de “vida perigosa”, se fizera um apóstolo da desforra francesa, e Deus é como Deus dos exércitos que, pela primeira vez, fulge na sua consciência.

Ele encarna, dentro em pouco, a ação intensa, mesmo a violência, para responder ao cepticismo do avô.

“Nossa geração”, escrevia ele, “a dos que começaram a vida com o século, é importante. Nela, sabemos, estão todas as esperanças. É dela que depende a salvação da França e assim a do mundo, a da civilização. Parece-me que os moços sentem obscuramente que verão grandes coisas, que grandes coisas se farão por eles. Não serão nem amadores nem cépticos. Não serão turistas através da vida. Sabem o que se espera deles.” Estava muda­do aos seus olhos o cenário do mundo. Estava delineado o seu programa, não havia mais escolher: “prendre contre son père le parti de ses pères”.

Ainda era quem assim falava um homem que não tinha por si as armas de uma fé positiva.

Mas, como ele mesmo disse:“Dès qu’on fait un pas hors de Ia médiocrité, on est sauvé...” “On est embarqué dans l’absolu...” – Ao primeiro passo para fora da mediocridade estamos salvos. Embarcamos no absoluto.

Daí em diante, seus livros assim como a sua vida são a resposta mais lúcida, mais vibrante e mais séria que o espírito de ordem podia dar à anarquia contemporânea, e a sua figura de herói e de artista, de homem de ação e de sábio vai pouco a pouco aproximando-se e por fim surge, duplamente envolvida, de entre as fileiras dos que, a esta hora, cristãos e franceses, já salvaram as grandes tradições da sua pátria do completo aniquilamento. A Igreja podia gloriar-se de mais um filho, um verdadeiro filho, amante e fiel.

E é comovente ler estas palavras do neto de um Renan... “Toda a tentativa por nos libertarmos do catolicismo é um absurdo, pois, queiramos ou não, somos cristãos; e é uma maldade, visto que, quanto temos de belo e grande no coração, nos vem do catolicismo. Não apaga­remos vinte séculos de história, precedidos de toda uma eternidade. E, como a ciência foi fundada por crentes, nossa moral, no que tem de nobre e de elevado, também vem dessa grande e única fonte do cristianismo, de cujo abandono decorre a falsa moral, assim como a falsa ciência.”

No dia 8 de fevereiro de 1913, Ernest Psichari, o neto de Renan, foi confirmado por Mons. Gibier, na capela do pequeno seminário de Grandchamp.

Com a voz a tremer de ardor contido, recitou o “Credo”, de que, uma a uma, acentuou as sílabas latinas. Após a confirmação, o Bispo de Versailles lhe perguntou a sua idade: — Vinte e nove anos! Muito tempo perdido!, foi sua resposta.

E porque, assim, tanto tempo perdera foi que desde então o viram seus soldados e toda a França intelectual arder na febre de reparar, em cada livro, em cada ato, as injúrias que seu avô fizera à França cristã, e, humílimo, ou melhor, possuído de santo orgulho, servir a missa e ser aquele mesmo ser — Cristão, que Louis Veuillot também quisera ser... E foi deste modo, entre os rigores da vida militar e os rigores de uma exaltada prática cristã, que a Grande Guerra surgiu. Foi dos primeiros que marcharam contra o inimigo de sua pátria, foi dos primeiros que caíram fulminados no campo de honra.

“Os que o viram mais tarde ficaram impressionados ante a calma de seu rosto; tinha nas mãos o rosário que pudera segurar.”

Eis aí, meu Amigo, como soube morrer um neto de Renan. Felicito o jornalista de Timboré pelas suas ironias. Já podemos ser bons netos de Renan. E V. há de concordar comigo: Ernest Psichari foi, de fato, uma dessas naturezas que são privilégio daquela nação a quem nem as desgraças nem os erros tiraram ainda o que Joseph de Maistre, então insuspeito de lhe ser favorável, pode observar no seu destino: o exercício de uma verdadeira magistratura sobre a Europa e, por conseguinte, sobre o mundo.

Quando uma dessas naturezas aparece como uma estrela sobre os céus borrascosos daquela grande pátria, não há consciência cristã que não veja claramente alguma coisa de mais profundo e de mais forte que o que prende todas as mais nações, ligando os destinos da França aos destinos da Igreja Católica.

E tem-se o desejo de dizer que, sejam quais forem as aparências, sempre a causa da França é a causa da Igreja.

 

(Revista PERMANÊNCIA, 1981, novembro/dezembro, números 157/157.)

Crianças de hoje

Luce Quenette

Em toda sociedade civilizada, há um constante apelo à honra, o que naturalmente provoca sentimento de culpa nos que violam suas leis e usos. Alguém dirá que uma tal sociedade engendra a hipocrisia. Pois bem! Quando a virtude e a decência são honradas, o homem perverso não tem outro recurso, se não quiser converter-se, que o de dissimular, fingindo virtude. E finge tão mal, que as pessoas honestas chamam-no hipócrita. Mas, “a hipocrisia é uma homenagem que o vicio presta à virtude”. A decência e a virtude não lhe servem de causa, mas de ocasião. A honra a que elas têm direito e que lhes prestamos é ocasião de inveja, dissimulação, astúcia e furto. Ora, toda lei justa, a começar pelos Dez Mandamentos, é ocasião de pecado para o coração concupiscente. A lei protege o fariseu, evidentemente. Poder-se-ia dizer que a lei é má, como fala São Paulo? Longe disto. Ela é boa. Mas por si mesma, sem a graça de Jesus Cristo, não pode nada. Toda organização da sociedade cristã esta aí. É preciso que Ele reine.

A cura de toda hipocrisia e de todo cinismo é o conhecimento da lei em estado de graça.

* * *

Quem vos fala é uma mãe. Ela leva a Péraudière seu filho mais velho, de cinco anos e meio. Com coragem, seu marido e ela percebem o rosto ligeiramente angustiado do pequeno João, que nunca deixara o doce lar:

“Nós o teríamos colocado no Sacré-Coeur, com os jesuítas, bem próximo de nossa casa, mas soubemos que nas turmas da 10a. série, sim, no Sacré-Coeur (!), havia lições de iniciação sexual, e com imagens. Foi uma mãe que nos disse isso. Ela tinha acabado de levar seu filhinho para a entrada do colégio. Disse a ela: “a senhora precisa tirá-lo de lá, não pode deixar que se cometa este atentado.” Ela suspirou: “Que posso fazer? Isso agora é permitido”. Horrorizada, interroguei outros pais na mesma situação e cheguei a esta terrível conclusão: não somente eles o admitiam, mas SE JUSTIFICAVAM, pensando que estavam legitimamente dispensados de dar aos filhos uma iniciação que os embaraçava; eles calavam sua repugnância com o slogan criminoso: você sabe, hoje em dia, é um pouco mais cedo ou um pouco mais tarde!”

* * *

Eis um pequeno idoso (de um ano de idade) que foi, antes do mais, insuportável e que, de volta das férias, mantinha-se ereto, com um aspeto respeitoso e altivo entre o pai e a mãe. Eu sentia, no entanto, que aquilo era demais. A mãe fez com que o filho fosse dar uma volta e me disse que, durante as férias, a criança fora terrível. “Bom, disse eu, é preciso chamá-lo e dizer tudo na frente dele.” É o que eu faço. Meu filho abaixa a cabeça, confuso, envergonhado, arrependido. A mãe, tímida: “Sabe, filho, não é para te machucar nem te fazer sofrer que dizemos essas coisas.” — “Mas sim, Madame, é para fazer sofrer, para machucar seu coração, que ama a mamãe, para que ele se arrependa e que, nas próximas férias, vocês tenham um filho carinhoso. Ele entende muito bem e sabe que estamos certos.” Dois olhares: Alan eleva os olhos, que oferecem seu acordo e humildade. Por sua vez, o olhar bom da mãe é de espanto e admiração. Quanto ao pai (pois há ainda sua opinião), este se inclina perto da mãe e diz, contente: “Viste, bem que te avisei!”

Que estes amigos encantadores perdoem-me de mostrar, por meio deles, na alma do educador e do filho deles, a passagem de uma correção derrisória, conforme a moda, à nobre beleza da justiça cristã.

* * *

É espantoso o zelo com que as crianças cristãs recebem o apelo doutrinal à conversão. Seu coração, preparado pelo batismo e pela fé de seus pais, instintivamente repugna à justificação conforme o mundo. Claro, uma criança mimada se compraz, em seu egoísmo e sensualidade, de ser “compreendida” e não “repreendida”. Serve-se gulosa e insolentemente das falsas desculpas e explicações que lhes oferecem para seus pecados. Mas isso a enerva, a excita, e não a acalma. Os grandes ingênuos que “compreendem” sua gulodice, sua preguiça, sua tirania, ele os despreza e explora. Mas, se os pais são cristãos, se estão resolvidos a preservar a alma de suas crianças, custe o que custar, ainda que lhes faltem algumas luzes e, por conseguinte, o savoir-faire, nada estará perdido. Nós vemos isso claramente. O pequeno novato entra na Péraudière convencido de que é preciso fugir do mal que o assediou, que respirou e que cometeu nas más escolas; ele sabe que vai aprender a servir a Deus segundo a Tradição e que é por isso que seus pais se separaram dele. A disposição fundamental é justa.

Então, convém, o quanto antes, após alguns dias em que se terá experimentado a afeição e a solicitude, levá-lo à conversão. O que eu disse aqui é fruto da experiência dentro de uma escola, em busca de nosso fim essencial; isso, eu digo para todos os fundadores de escola e para todas as famílias.

Graças a Deus e a pais santos, as crianças já entram na escola convertidos. Mas, para tantos outros, a reeducação da alma, afetada pela terrível psicologia que justifica o mal, deve começar pela conversão. Resumirei isso tudo com a seguinte e surpreendente declaração de uma criança de dez anos, que guardo comigo há muitos anos, como a fórmula mesma da conversão do coração: “Pareceu-me, de repente, disse-me esta criança, que Deus me dizia: Olha para tua vida! Daí, enxerguei todos os meus pecados, quis que eu nunca voltasse a cometê-los e fui para o confessionário.”

Eis o ponto de partida, todo resto é vão: as exortações para se dedicar, para agradar àqueles que o amam etc, etc, tudo é vão, antes.

Olha, meu filho, e vê, à luz das lições do catecismo, da lição sobre o pecado, dos novíssimos, do exame de consciência seguindo os mandamentos, à luz da Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo. Olha, minha criança, olha para tua vida! A criança volta-se para si mesma, se entristece na contrição e examina seus pecados cuidadosamente, com uma seriedade que nos faz repetir para nós mesmos: “Se não fores semelhantes a um desses pequeninos!” E finalmente, com confiança e humildade, se entrega ao Tribunal da Penitência.

Bendito o padre, ministro fiel de Jesus, que recebe com respeito e atenção este retorno do filho pródigo! Digo mesmo “retorno do filho pródigo” porque sei que, mesmo entre pessoas piedosas, que se dizem fiéis e tradicionalistas, ainda reina o instinto estúpido de não levar a sério as faltas de uma criança, de sorrir de sua gravidade, de não dar importância a seu arrependimento pela maneira pueril de a acolher.

Muitos educadores me acusam de dar muita importância a esta reviravolta na alma de uma criança, de levá-la mesmo às raias do escrúpulo e, porque não, de ser jansenista...

Julga-se a árvore pelos seus frutos: a criança convertida sai do Tribunal da Penitência radiante, banhada pela misericórdia, começando uma nova vida; ela corre para diante do Tabernáculo, reza sua penitência com os mesmos sentimentos de Joinville ao partir para a cruzada.

É preciso saber que tudo que se subtrai da gravidade do pecado por meio de um freudismo disfarçado, subtrai-se da misericórdia de Deus e da dignidade livre do animal racional.

Após este banho salutar de penitência, a criança convertida não está ao abrigo das tentações; contudo, a experiência permite dizer que elas são bem menos freqüentes e que “dão menos vontade”. A Santa Virgem esmaga a cabeça da serpente, sobretudo se temos o hábito do recurso filial e contínuo à sua Santa Maternidade, através do terço cotidiano e da invocação repetida.

A criança convertida é mais calma, mais feliz; possui “esta moderação das pessoas felizes” da qual fala La Rochefoucauld. Ficam mais espaçadas as cóleras de criança mimada e sem vida interior, que se revoltava à privação de um prazer ou à perspectiva de um esforço.

A criança convertida é mais inteligente. O nível intelectual das crianças saídas das escolas de hoje é lamentável. Na verdade, as classes atuais não fazem mais pensar. As novas matemáticas ajudariam a preencher este vazio, se a inacreditável preguiça não o impedisse. Ora, a conversão opera o mais profundo movimento das faculdades espirituais. A graça exige da alma no que toca a inteligência, intuição, lucidez, atenção; no que toca a vontade, humildade, resolução, execução, além do sábio governo da sensibilidade.

É possível mensurar de quantos bens naturais e sobrenaturais estão privadas as crianças de hoje, por obra de uma heresia que as submete à vigílias de penitência e à sacrílegas absolvições coletivas, sem confissão de pecados?

* * *

É preciso que os pais católicos estejam convencidos da necessidade sobrenatural da penitência e da conversão; e que, nesta perspectiva (de guardar as crianças na fé de Jesus Cristo, quer dizer, em estado de graça), eles tornem-se severos.

Outro fruto da experiência: as crianças convertidas têm orgulho de ter pais severos. Isso é evidente: a criança contestadora se insurge contra toda proibição, pois despreza a lei e aqueles que a anunciam. A criança cristã honra a autoridade, que a quer em paz com o Céu.

Isso é evidente, comprovado.

Recebi, em meados de setembro, duas cartas de dois irmãos terríveis, briguentos, mas convertidos. Ei-las: “No final destas férias, tornamo-nos insuportáveis de novo. Mas nossos pais agiram bem: brigaram conosco e nos puniram como merecíamos.”

Esta é uma apreciação de espíritos livres e clarividentes, sem sombra de insolência, mas profundamente satisfeitos da ordem justa das coisas.

Mais um fato, dentre os muitos do ano passado: explicávamos, no catecismo, o quarto mandamento; quatro meninos, de seis a oito anos, enxugavam a louça; criam-se a sós; mas, enquanto isso, uma senhorita corrigia seus cadernos numa sala vizinha, cuja porta estava aberta. Estes são os mais velhos, que tem o hábito de lavar a louça em paz e conscienciosamente.

A conversa a sós estava bem animada:

          Roberto: tua mãe te dá muita bronca?

          Carlos: Ah sim, e me castiga mais que às meninas.

          Roberto: Por quê?

          Carlos (sem modéstia): Porque as meninas fazem menos besteiras do que os meninos (ele tem três irmãzinhas).

          João: E quando tua mãe te castiga, ela te bate?

          Carlos: Antes ela me explica, sempre, e depois que eu entendo, ela bate bem forte. Aí, então, tomo juízo.

          Roberto: Quem me bate é o papai. Ele pega um couro e bate bem forte. E o teu pai, ele é duro contigo?

          Carlos: Menos que a mamãe, porque ele quase sempre está fora. Mas mamãe conta pra ele.

          João: Meu pai começou a dar bronca há pouco; desde que estou na Péraudière, ele dá muito mais bronca.

          O quarto menino não disse nada. E você, que teu pai e tua mãe fazem?

          Paulo, (envergonhado e, mesmo assim, tentando se gabar): Mamãe se zanga e meu pai também.

          João: Mas eles te castigam?

          Paulo: Eles dizem que isso certamente vai acontecer.

          João: Então, fala para eles... Explica como se faz.

* * *

Alguém dirá: “Mas você não tem o direito de ‘julgar’ a culpa de ninguém”. Compreendamos: eu certamente não tenho o direito de julgar o seu grau de culpa e de responsabilidade. Não tenho este direito porque não tenho como exercê-lo. Não enxergamos o interior dos corações. Só Deus julga. Mas tenho o dever de julgar a espécie moral do ato. Dever inscrito na economia mesma da Lei: não matarásnão atentarás contra a castidadenão tomarás o bem alheio. Isto evidentemente significa que o homicídio, o adultério e o roubo são crimes e que aquele que os comete é culpado, é pecador.

A Caridade, a verdadeira, está em preveni-los disso; o que significa, em conformidade com a justa e familiar expressão, “fazer com que se sintam culpados”.

O sentimento de culpa, que é uma emoção, tal qual o pudor no inocente, é advertência e prevenção. É a ressonância na sensibilidade dos ditames da consciência; a culpa é a vingança da honra, a vitória da justiça, da justiça de Deus e de uma sociedade que reconhece o valor absoluto do Bem.

Bendita e terrível culpa, colada ao dogma do pecado original: tiveram vergonha e se ocultaram. “E o Senhor Deus chamou por Adão, e disse-lhe: Onde estás?”. O inimigo da Salvação enganou-os mortalmente: “sereis como deuses” A terrível e austera ironia do Todo-Poderoso faz crescer a culpa, torna-a aguda, cortante, até que os humilhe e mortifique: “Eis que Adão se tornou como um de nós!”

A alma envergonhada experimenta a feiúra e o ridículo do pecado. Então, ela escuta a promessa de um Redentor.

Açular o vício atacando o sentimento de culpa, não é caridade, mas crueldade satânica.

Face à Onipotência de Deus, à morte, ao inferno, ao amor de Nosso Senhor, à clareza dos seus mandamentos e da Cruz, confesso: sim, isto eu fiz. Em verdade, digo que fui insensato. Eu me levantarei e irei ao meu Pai.

Demonstrar, pela razão e pela fé, a loucura do pecado à criança, após o ter meditado e vivido por si mesmo, é fortalecer seu coração e defendê-lo contra Satã; é despertar, ressuscitar de algum modo a inteligência; é incendiar de amor sua vontade e enchê-la de força para todo o sempre, quaisquer que sejam as quedas possíveis. 

Mas, ao contrário, “compreender” o pecado, pretender justificá-lo, é desarmar e desesperar (porque é enganar) a natureza livre resgatada por Jesus Cristo.

“Fatal”, “inevitável”, “renovador”, “enriquecedor”, — o pecado compreendido desta forma escapa à Redenção, e nos conduz ao inferno; o pecado, assim travestido, tornar-se-á inconsolável, inexpiável, irremissível.

* * *

Se compreender o ato pecaminoso é enfatizar as circunstâncias atenuantes, o melhor é recorrer à própria doutrina da Redenção. Aí, a psicologia há de encontrar tudo que é preciso.

O catecismo nos ensina que o pecado do anjo é irremissível, porque o anjo, puro espírito, vê diretamente, sem o véu da carne, a obrigação absoluta do serviço de Deus. Quando este diz: “Non serviam”, sua clarividência é completa, assim como seu consentimento; daí, precipita-se no inferno.

O homem, feito de corpo e alma, vê o Bem e a obrigação do serviço de Deus, mas sob os véus dos seus sentidos, aos quais falam as coisas sensíveis. O fruto proibido não era, para o homem, apenas proibido, mas “bom para comer e formoso aos olhos”. A mulher escuta a serpente e o fruto proibido é, em seguida, apresentado por Eva à Adão, que é fraco e complacente com relação à Eva.

Deus pode condená-lo e precipitá-lo no inferno; mas Ele condescende, porque o homem fora induzido pela fraqueza da carne, prometendo-lhe um Salvador após o seu arrependimento.

Mas o ato do pecado em si, em sua malicia essencial, é absurdo e incompreensível. É o mistério da iniqüidade em cada consciência. Preferir a criatura à Vontade do Criador, o prazer à eternidade da alegria, sublevar-se contra o amor de Nosso Senhor e recusar-Lhe submissão e obediência quando a razão e a fé gritam sua necessidade, isto, em si, no ato mesmo, é algo que não se pode compreender, é algo de incompreensível, e tão errado quando mau.

Daí ser preciso, para a conversão, contemplar, se assim podemos dizer, o absurdo do pecado e, depois de haver compreendido suas tristes circunstâncias (a fraqueza da carne, a cegueira da razão, a tibieza da fé), compreender também que tudo isso não explica a malicia intrínseca deste consentimento interior ao mal.

Neste ponto, o catecismo é esclarecedor. Para que haja pecado mortal, é preciso que haja:

1) matéria grave;

2) plena consciência;

3) pleno consentimento.

Isto é demonstrar o absurdo do pecado, em sua própria natureza; ora, um dos motivos mais eficazes de conversão, e que assegura a sua solidez, é a consideração do absurdo do pecado.

* * *

Muitas mães se preocupam com o catecismo. Querem encontrar catequistas, mas não pensam em ensinar o catecismo elas mesmas. Ficamos estarrecidos de ver tantas mães em tal situação. A mãe, a irmã ou o irmão mais velho e, porque não, o pai, os avós devem ser ou tornar-se capazes, o mais rápido possível, de ensinar em casa a doutrina cristã que receberam.

É preciso estudar. É um dever estrito, uma obrigação pela qual prestaremos contas no Tribunal de Deus.

Fiquei surpresa, no retorno às aulas, ao constatar que alguns destes pequeninos (6, 7 anos de idades) não sabiam o pelo-sinal, que os meninos maiores ignoravam o Pai Nosso e a Ave Maria em latim, ou responder o Angelus em latim.

Como é fácil remediar isso tudo!

Pacientemente repetimos que é preciso trabalhar o catecismo de São Pio X todo dia, o qual deve ser procurado, além do Catecismo do Padre Emmanuel (Catecismo da Família Cristã), sobre o qual Jean Madiran escreveu: “Se tiverem outros catecismos, este não será redundante. Se preferirem ter apenas um livro de catecismo, é este que recomendamos. É útil para a família inteira, em família; serve aos grandes e aos pequenos, aos pais e aos filhos.”

Mãos à obra! todo dia! A Santa Virgem abençoará esta meia hora arrancada, na busca do Céu, das ocupações da terra. As graças atuais serão dadas à professor materna,

junto com os frutos da luz e da paz no coração dos pequenos.

( Continua )

Revista Permanência 272 - Tempo do Natal 2013

ÍNDICE DA REVISTA (272)                                              127 págs

(Editorial) O Oráculo dos deuses  Dom Lourenço Fleichman
Nazaré ressuscitada  Pe. Emmanuel-Marie
Ainda em defesa da Vulgata Dom Lourenço Fleichman
Ensaio sobre a história de Roma    Juan Fernando Segovia
O Terceiro Segredo de Fátima  Ir. Michel de la Sainte Trinité
O Terceiro Segredo de Fátima - um testemunho Franco Adessa
Milagre austríaco de 1955  Christopher Ferrara
Nas ruas  Gustavo Corção
Considerações destituídas de lógica impecável   Gustavo Corção
(Recensão) 10 datas que todo católico deve conhecer     Fernando Prado de Barros   

                                               

                                                       

                            

   

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