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Category: Marcel LefebvreConteúdo sindicalizado

Rumo a um "entendimento doutrinal"?

 

Pe. Jean-Michel Gleize, FSSPX

Numa entrevista recente, Mons. Guido Pozzo declarou que “a reconciliação acontecerá quando Dom Fellay aderir formalmente à declaração doutrinal que a Santa Sé lhe apresentou. É também a condição necessária para proceder à regularização institucional, com a criação de uma prelazia pessoal”. E no retorno da recente peregrinação à Fátima (12-13 de maio), numa conferência concedida à imprensa no avião, o Papa Francisco aludiu ao documento preparado pela Congregação da Doutrina da Fé, em sua última sessão de quarta-feira, 10 de maio. Segundo o espírito de Roma, tratar-se-ia de um entendimento doutrinal. A expressão, porém, é equívoca; com efeito, pode ser entendida em dois sentidos.

Num primeiro sentido, o fim buscado é que a Tradição reencontre todos os seus direitos em Roma, e que, por conseguinte, a Santa Sé corrija seriamente os erros doutrinais que são a fonte da crise sem precedentes que ainda açoita a Santa Igreja. Essa correção é o fim buscado, um fim em si mesmo e causa final, princípio de todo agir subsequente no quadro das relações com Roma. E esse fim é simplesmente o bem comum de toda a Igreja. Nesse sentido, o entendimento doutrinal significa que Roma deve entender-se não com a Fraternidade São Pio X, mas com a doutrina de sempre, e abandonar os seus erros.

Sobre a Sagração Episcopal

Dom Lourenço Fleichman OSB

O anúncio da Sagração episcopal que será realizada no Mosteiro da Santa Cruz, em Nova Friburgo, nesta quinta-feira 19 de março, tomou de surpresa os católicos da Tradição. Há certo tempo que se especulava sobre a possibilidade dos dissidentes da Fraternidade São Pio X, comandados por Dom Williamson, chegarem a esse extremo, mas a coisa ia sempre se perdendo no tempo. Agora parece que se tornou realidade.

Não poderia deixar de escrever algumas linhas que expressem a tristeza e a preocupação que tal atitude provoca nas almas. Não dizemos que estejam fazendo cisma, ou um ato cismático, como o Vaticano afirmou na época da sagração de 1988. Uma sagração episcopal pode ser uma necessidade para o bem da Igreja, como coube a Dom Lefebvre fazer, com toda prudência e propriedade. O que incomoda é a falta de prudência, a falta de peso de um grupo de dissidentes sem expressão e sem futuro; e a falta de argumentos válidos para que seguissem um rumo acéfalo.

Impressiona o tom ufanista, de salvadores da Igreja, que adotam em seus escritos, mesmo com a Divina Providência dando mostras de que erraram em suas constantes imprudências.

Impressiona a argumentação vazia de fundamentos, baseada em falsas interpretações, como repetir incansavelmente que a Fraternidade S. Pio X já teria feito um acordo com o Vaticano.

Impressiona o orgulho de jamais reconhecerem que erraram em suas avaliações.

Não são capazes de esperar, de sofrer uma situação desfavorável; querem resolver seu problema particular, querem impor à Divina Providência seus pensamentos particulares; são incapazes de perceber que Deus não agiu assim, em nenhum momento da vida de Dom Marcel Lefebvre. O uso do nome do fundador da Fraternidade é, por isso, mais um abuso realizado por aqueles que Dom Williamson arrastou.

Agora assumem uma atitude grave, que só pode trazer um prejuízo imenso à causa da Tradição.

Nossos leitores sabem muito bem que jamais consideramos como sendo uma possibilidade fazermos algum tipo de acordo ou reconhecimento com o Vaticano, enquanto perdurar em Roma o espírito do Concílio, essa Outra igreja protestantizada. Mas afirmar que a Fraternidade S. Pio X pactua com essa Roma modernista é falso, injusto, e descabido.

Perdemos mais uma vez.

Se o orgulho já tornava difícil o retorno dos dissidentes ao combate em torno da Fraternidade, com essa sagração, cava-se um abismo muito maior.

Perdemos nossos bons companheiros de combate, padres amigos de longa data. E nesse desalento e tristeza só nos sobrou São José. No dia da sua festa, pedimos e suplicamos ao esposo da Virgem Maria, ao pai adotivo de Jesus, ao padroeiro da Santa Igreja que tantas provas já deu de proteção à causa da Tradição, que interceda junto ao trono de Deus para que essas almas sejam esclarecidas, saiam da sua cegueira, do seu orgulho, abandonem esse combate menor por suas causas pessoais, para abraçarem novamente o bom e verdadeiro combate pela Santa Igreja.

Carta Aberta aos Católicos perplexos e a nova Revista Permanência

Dom Lourenço Fleichman OSB

Houve épocas em que as pessoas escreviam cartas umas às outras. A carta fazia parte das relações humanas, e cumpria funções variadas na vida dos homens. Havia cartas oficiais, secas e sem vida; havia cartas agressivas, cheias de brigas e desprezos. Havia cartas de amor, de saudades, de despedida. Cartas circulavam por toda parte quando nascia o bebê, outras eram guardadas no sigilo, quando deixada pelo desesperado. Muitas vezes elas preenchiam o vazio da ausência sentida de um filho, de uma pessoa amada. 

E assim corria o mundo, numa lentidão cheia de sabedoria e recuo, onde a letra caligrafiada era reconhecida, tornava mais calorosa a escrita e a leitura, e onde a espectativa da chegada do correio enchia os dias de um colorido impossível de se reproduzir nos dias atuais.

Quem poderá medir com precisão o imenso prejuízo social, psicológico e espiritual causado pelo desaparecimento das cartas trocadas entre os homens. O mundo do e-mail, pior, o mundo do imediato, do superficial, do banal, dessas mensagens instantâneas e invasivas nunca mais poderá saborear as delícias de uma bela e amorosa carta.

Pois bem, estas considerações me vieram à mente no momento de apresentar aos nossos leitores esta bela carta escrita por Dom Marcel Lefebvre para você, caro leitor, para todos os católicos que ainda guardarm um mínimo de apego e amor à santa doutrina católica. Não é uma carta qualquer, mas uma carta pública, uma Carta Aberta aos Católicos Perplexos. Uma carta de consolação espiritual no meio da guerra sem tréguas. 

Um livro escrito para você, para todos nós. Um livro escrito por um pai, a todos os seus filhos, um livro essencial para quem descobre o combate pela fé, pela Igreja, pela Tradição.

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REVISTA PERMANÊNCIA DO TEMPO DEPOIS DE PENTECOSTES - Nº 279

Recomendamos igualmente aos nossos leitores o novo número da nossa Revista Permanência. Vários artigos sobre os Cristeros mexicanos, verdadeiros soldados de Cristo-Rei, que deram suas vidas lutando pela restauração da Religião católica num México maçônico e dominado por anti-clericais.

Uma grande epopéia, cheia de personagens impressionantes, cheia de mártires admiráveis.

No momento em que o Brasil mostra a que nível de decomposição moral e política nós chegamos, o exemplo da reação mexicana de 1925 a 1929 deve animar a todos os católicos para que resistam, para que acordem do sono, para que se dediquem, na oração e no trabalho, à restauração das famílias católicas.

Além desses artigos, o leitore encontrará ainda outros com temas variados e de grande proveito para a formação católica.

160 páginas - R$ 30,00

LANÇAMENTO DO DVD

A Vida de Dom Marcel Lefebvre

em DVD

Muito se falou de Dom Marcel Lefebvre. Poucos bispos do século XX foram tão caluniados e perseguidos. Em geral, as pessoas emitem suas opiniões acerca desse homem da Igreja sem terem conhecimento do que ele representou para o seu tempo.

Ele foi o missionário da África, responsável pelo imenso desenvolvimento da Igreja naquele continente. Tornou-se professor e diretor do Seminário dos padres da Congregação do Divino Espírito Santo. Foi também eleito Superior Geral daquela Congregação, devendo comandar mais de cinco mil sacerdotes espalhados pelo mundo todo. Foi o defensor da Tradição durante e após o Concílio Vaticano II; o fundador de uma sociedade sacerdotal que já deu quase 600 padres à Igreja. Mas poucos se interessam em conhece-lo mais profundamente.

Este filme, realizado pela Fraternidade Sacerdotal São Pio X, é a oportunidade de se conhecer melhor este santo bispo. Terão a oportunidade de ouvir muitos estudiosos, padres, fiéis da Africa e da Europa, testemunhando sobre a grandeza de sua alma sacerdotal.

Para quem conheceu Dom Lefebvre, assistir ao filme Dom Lefebvre, um bispo na tormenta representa um momento de emoções fortes, de saudosas lembranças dos encontros, sermões, conversas e de uma amizada toda sobrenatural, vivida no Altar de Nosso Senhor.

Mais do que um evento comercial, esse DVD representa uma homenagem singela da Permanência ao bispo de Ecône, que nos honrou com sua amizade, com suas numerosas visitas ao Rio de Janeiro, seus conselhos paternais, suas orações constantes. E também, por ter sido ele o bispo que impôs as mãos sobre as cabeças de dois dos numerosos sacerdotes da Tradição saídos da Permanência. Que ele interceda por nós, nos ensine a guardar os mesmos critérios que foram os seus nas difíceis decisões que teve de tomar ao longo da vida, sobretudo na defesa da Fé e da Tradição.

 

 

 

 

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Fraternidade São Pio X - Declaração do Capítulo

 

DECLARAÇÃO DO CAPÍTULO DA FRATERNIDADE S. PIO X A ROMA

No final do Capítulo Geral da Fraternidade São Pio X, reunidos junto ao túmulo de seu venerado fundador, Dom Marcel Lefebvre, e unidos com o seu Superior Geral, nós, os participantes, bispos, superiores e os membros mais antigos da Fraternidade, queremos elevar ao céu as nossas mais vivas ações de graças pelos quarenta e dois anos de tão maravilhosa proteção divina sobre a nossa obra, no meio de uma Igreja em plena crise e de um mundo que se afasta cada dia mais de Deus e da sua lei. LEIA MAIS

 

Casamento nulo: será?

Casamento Nulo: Será?

Dom Lourenço Fleichman OSB

Uma questão que de vez em quando volta à tona e que reveste, diante da crise da Igreja, um aspecto de grave importância é a questão dos casamentos nulos e o modo como os padres da Tradição, marginalizados pelo Vaticano, devem tratá-lo.
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Os Tribunais de Anulação Matrimonial

 

OS TRIBUNAIS DE ANULAÇÃO MATRIMONIAL

Apresentamos o artigo publicado no Boletim da Fraternidade São Pio X, dos EUA, pelo seu Superior do Distrito, Pe. Scott, explicando as razões graves para a Fraternidade manter Tribunais para analisar os casos de nulidade de casamento.

Caros amigos e colaboradores da Sociedade São Pio X,

Freqüentemente somos interrogados sobre nossa posição no tocante a delicada questão da anulação de casamentos, se devemos aceitar as concedidas por tribunais modernistas, e por que a Fraternidade S. Pio X deveria atrever-se a estabelecer tribunais para fazer seus próprios julgamentos. É uma questão interessante, pois demonstra mais uma vez quão séria é a crise em que a Igreja realmente está.

As estatísticas são interessantes. Em 1968 existiram nos EUA um total de 338 anulações. Em 1992 existiram nada menos que 59.030, o que representa um número cento e setenta e cinco vezes maior. Outro dado interessante: o número total de anulações na Igreja Católica em todo o mundo em 1992 foi de 76.286, ou seja, nada menos que 75% de todas anulações provieram dos EUA, que não possui mais que 5% dos católicos do mundo. Ademais, não apenas um em cada dois matrimônios católicos aqui nos Estados Unidos termina em divórcio, mas um em cinco é oficialmente anulado, sendo que 90% dos pedidos de anulações são bem sucedidos. O que estes números nos dizem sobre a gravidade de tais processos de anulação, especialmente ao se considerar que a vasta maioria é concedida por razões puramente psicológicas — nominalmente, falta de maturidade — como se a juventude bastasse para tornar alguém incapaz de entrar em um contrato vitalício? O que isto nos diz sobre a autoridade do Papa João Paulo II, que por diversas vezes se manifestou contrário a tais abusos, mas sem jamais trazer quaisquer sansões contra ou ter fechado tribunais que permitem que tal fraude continue? 

Com efeito, uma anulação não é criada por decisão de um tribunal de anulação. A função do tribunal é simplesmente a de estabelecer como fato indubitável que um dado casamento jamais existiu, ou seja, que jamais existiu verdadeira troca de votos matrimoniais.

Conseqüentemente, uma decisão mal fundada não torna nulo um matrimônio. É inválida, sem valor. Se alguém que obtivesse uma tal anulação caminhasse para um segundo matrimônio, mesmo abençoado por um padre, este seria certamente um matrimônio inválido. Quão numerosas são as milhares de uniões desta natureza, que no papel parecem ser matrimônios católicos, mas que são nada mais que concubinatos com benção oficial? 

Qual deve ser a atitude de um padre Católico ante a tragédia da destruição da indissolubilidade do matrimônio pelos próprios ministros da Igreja? Seu dever é preservar a santidade do sacramento, acima de tudo, defender o laço sagrado do casamento que é o fundamento da sociedade humana e, conseqüentemente, da vida social da própria Igreja. Como poderia ele se atrever a aceitar tais anulações, tão incertas? Está claro, pois, que assim como a Igreja provê a jurisdição para os padres tradicionais abençoarem os matrimônios, assim também ela, em tais circunstâncias trágicas, provê a autoridade para formar tribunais, sem os quais seria impossível chegar a qualquer tipo de certeza. A manutenção da reta consciência e a salvação das almas depende disto. É claro, pois, que um padre tradicional não pode nem casar alguém com anulação, nem aconselhar seu casamento, a não ser que tal casamento tenha sido estudado e declarado nulo e vácuo por um tribunal tradicional, operando com princípios verdadeiramente católicos, — o que sempre será uma coisa rara e extremamente excepcional. Estejam preparados, então, a encontrar nossos padres totalmente firmes nestes princípios. Não é porque alguém sinceramente acredite que sua “anulação” é diferente das outras 59.030 que ela será aceita.

Que a fidelidade aos seus votos matrimoniais solenes, a santidade deste sacramento da Igreja, o senso de verdadeira submissão à Providência divina e o desejo de estar afastado da vaidade deste mundo ajude a todos no combate para viver casamentos católicos. Que a Santíssima Virgem Maria garanta perseverança em nossos casamentos, “no bem e no mal, até que a morte nos separe”.

Sinceramente, no Imaculado Coração de Maria,

Padre Peter R. Scott
Superior do Distrito.               (District Superior’s Letters, 1 de Agosto de 1995).

A Legitimidade e o Estatuto dos nossos Tribunais

Diante dos ataques injustos e absurdos que a Fraternidade São Pio X tem recebido em certos meios, publicamos já há algum tempo, dois artigos explicando porque a existência de tribunais para julgar casos de nulidade de casamento não constitui usurpação de direitos ou ato cismático. Acreditamos que esses dois artigos são suficientes para esclarecer as almas que não se movam pela má-fé. Porém, para os que têm capacidades teológicas mais apuradas, publicamos hoje esta conferência de dom Tissier de Mallerais que analisa os detalhes canônicos de tais tribunais.

Sugerimos a prévia leitura da Encíclica de Pio XI sobre o matrimônio católico, Casti Conubii, de Pio XI

A Legitimidade e o Status dos nossos Tribunais

Dom Bernard Tissier de Mallerais, FSSPX

Conferência dada em 25 de Agosto de 1998
no Seminário de Direito Canônico em Ecône, Suiça.

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Ordenação Sacerdotal

Mais um padre saído da Permanência

Tendo hoje voltado da Argentina onde assisti à ordenação sacerdotal do Padre Fábio Calixto, da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, senti a necessidade de lhes falar um pouco sobre todos aqueles sacerdotes que, tendo conhecido a Tradição, a fé católica, dentro do nosso movimento Permanência, receberam das mãos de Mons. Marcel Lefebvre, ou dos bispos por este consagrados, o sacramento da Ordem, que os tornou para sempre Sacerdotes de Jesus Cristo.

Andei falando por aí que o Padre Fábio Calixto era o décimo sacerdote saído do nosso pequeno grupo de fiéis da Tradição. Enganei-me. Na verdade ele é o nono. Mas a diminuição de um não elimina a espantosa marca. Sempre fomos pequenos, mesmo nos tempos em que nosso fundador, Gustavo Corção, ainda dava suas aulas aos amigos e companheiros saídos do Centro Dom Vital. Desse pequenino rebanho de fiéis, nove padres ordenados significa uma proporção muito grande, frutos abundantes que só podem se explicar pela santidade da obra de Gustavo Corção. Não, Corção não se tornou um velho manipulado, como pretendem certos autores atuais, quando levantou-se com as armas da sua pluma penetrante e vigorosa em defesa da nossa Fé. A prova está aí, na ordenação de um jovem que nem mesmo o conheceu, mas que respirou em nossas Capelas o ar puro da graça, da oração e da inteligência da fé católica que persiste em Permanecer entre nós. Apesar de nós não estarmos à altura do nosso fundador, apesar de não termos o vigor daqueles antigos que nos precederam. Mas, pela graça de Deus, Permanecemos!

Por mais que a vida católica nas famílias da Tradição seja um dos grandes objetivos do nosso trabalho, não podemos deixar de nos admirar diante da grandeza do sacerdócio de Cristo. Que tipo de atitude devemos ter diante de alguém que recebeu tal poder?

"Pertence ao sacerdote oferecer o Sacrifício, abençoar, presidir, pregar e batizar" (Ritual da ordenação).

Oferecer o Sacrifício é a mais alta dignidade que se pode receber nesta terra. Nesse ponto não há diferença entre o bispo e o simples padre. Quando um sucessor dos Apóstolos celebra a missa, usa seu poder sacerdotal para oferecer o Sacrifício, o mesmo poder que ele mesmo confere aos padres. É assim que a Santa Igreja transmite a um homem mortal um don divino e sobrenatural, uma força, uma virtus, capaz de mudar a natureza do pão e do vinho, trazendo sobre o Altar do sacrifício o Salvador. O padre também interfere no tempo, com seu ato sacrifical, ao trazer para hoje a morte de Cristo na Cruz.

Abençoar é um poder imenso, poucas vezes bem avaliado, sobretudo nos tempos atuais. Muitos hoje usam essa expressão: "Deus o abençoe". Mas a bênção que os leigos distribuem é apenas um desejo, uma oração. Só o padre abençoa com a eficácia própria de um poder seu, recebido nessa hora, no sacramento da Ordem.

Presidir é a função de orientação das almas, de autoridade litúrgica e espiritual, jamais substituída pelos leigos, como se vê no progressismo. O padre, em sua Paróquia, toma a dianteira, mostra o caminho,  para conduzir ao céu as almas que lhe foram confiadas. Só mesmo a revolução litúrgica poderia arrancar do sacerdote seu poder sacrifical, fabricando uma nova missa refeição, e fingir que o padre preside à mesa, como um pai de família faz em sua casa. Uma nova missa para um novo sacerdócio, um como o outro de inspiração protestante.

Pregar é a função sacerdotal da autoridade doutrinária diante das almas dos fiéis. O padre, enquanto colaborador do bispo, ensina a doutrina com a firmeza e retidão necessárias para que a Fé seja preservada. Só ele recebe de Deus essa missão. Mesmo quando grandes intelectuais conseguem falar das coisas de Deus com retidão e profundidade, devem estar atentos para não pretenderem substituir o sacerdote no seu múnus de orientar as almas no conhecimento de Deus, na prudência do saber, na sabedoria divina. Quantas vezes vemos leigos se arvorarem no papel de orientar os jovens, supostamente em nome de Deus, mas sem qualquer força vinda do sacramento.

Batizar é a função do ministro ordinário do primeiro sacramento. Grande graça para um homem poder derramar sobre a cabeça de uma criança a água que abre sua alma para a vida da graça, tornando-a participante da vida divina. Tudo virá em seguida segundo a primeira graça recebida.

E o bispo segue louvando as virtudes que devem animar o jovem revestido dos poderes sacerdotais. E continua:

"Procurai, pois, ser tais  que possais dignamente ser escolhidos com a graça de Deus, para auxiliares de Moisés e dos doze Apóstolos, isto é, dos bispos católicos".

Diante dessa realidade que está prestes a ser conferida aos jovens diáconos, o bispo dirige-se a eles de modo mais pessoal:

 

"Conservai nos vossos costumes a integridade de uma vida casta e santa. Compenetrai-vos do que fazeis - imitais o que operais e, já que celebrais o Mistério da morte do Senhor, procurai mortificar os vossos membros fazendo-os morrer para todo o vício e para toda a concupiscência. Que a vossa doutrina seja uma medicina espiritual para o povo de Deus. Que o perfume da vossa vida faça as delícias da Igreja de Cristo."

 

 

Esta linda oração terminada, os diáconos fazem a prostração durante as Ladainhas. Logo em seguida vem a imposição das mãos. Trata-se da matéria do sacramento da Ordem. O único ministro da cerimônia, o bispo, impõe suas mãos silenciosamente sobre a cabeça dos ordenandos. Pronto. Está aplicada a matéria. Falta a forma sacramental, que está presente no belo Prefácio que o bispo vai agora cantar. Porém, sempre cheia de surpresas e mistérios, a Santa Igreja introduziu aqui um complemento ao singular gesto do celebrante. Cada sacerdote presente na cerimônia, revestido da Estola, que é o símbolo mesmo do seu poder sacerdotal, aproxima-se dos diáconos e, por sua vez, eles também impõem suas mãos silenciosas sobre suas cabeças. O silêncio é total, o gesto de uma beleza impar, solene, ganha ainda mais força pelo fato de todos aqueles que já passaram diante dos ordenandos, manterem sua mão direita levantada, como que atestando publicamente terem tido a honra de manifestar a união de todos os sacerdotes ao bispo celebrante e, por meio deste, ao único Sacerdote que é Nosso Senhor Jesus Cristo. No meu fraco entender, este rito tão singelo, silencioso, austero, todo ele concentrado no essencial, ou seja, sem acessórios desnecessários, é uma das maiores evidências da santidade da Igreja. Qualquer rito fabricado pelo homem escorregaria no supérfluo.

Tendo todos os padres imposto suas mãos, o bispo encerra esse rito conjunto com uma curta oração, e os padres voltam aos seus lugares, enquanto o prelado inicia o Prefácio consecratório. Ao chegar na Forma sacramental, o bispo muda o tom do canto e diz:

"Dai a estes Vossos servos, nós vo-lo pedimos, ó Pai onipotente, a dignidade do Sacerdócio; renovai em seus corações o espírito de santidade, para que exerçam dignamente o cargo que receberam de Vós, ó Deus, e o exemplo da sua vida seja uma censura para os costumes depravados".

Pronto. O essencial do sacramento da Ordem lhes foi conferido. Já pode-se dizer que são sacerdotes de Jesus Cristo. Outros ritos virão, cada um com sua importância e seu significado, mas todos eles serão complementos daquilo que já receberam, o caráter sacerdotal que os transformou em "Sacerdotes da eternidade, segundo a ordem de Melquisedeque" (Sl. 109)

 

O padre recebe, assim, as vestes sacerdotais, a estola e a casula. Depois disso, ungirá as mãos dos ordenandos com o Óleo dos Catecúmenos, dizendo esta belíssima oração: "Dignai-Vos, Senhor, consagrar e santificar estas mãos, por esta unção e pela nossa bênção. Amén.  Para que tudo o que elas abençoarem seja abençoado, e o que elas consagrarem seja consagrado e santificado, em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo."

 

 

Suas mãos, já ungidas e consagradas, são amarradas ainda molhadas com o óleo santo. Assim tocarão elas no cálice, na patena e na hóstia (não consagrada). É o rito da Porrecção dos Instrumentos, pelo qual são transmitidos ao neosacerdote os objetos próprios do seu ofício.

Só depois disso é que suas mãos são desamarradas. Em nossas terras, é costume que as mães as desamarrem, guardando consigo aquela faixa de linho branco.

A Santa Missa seguirá seu curso. A partir do Ofertório, os neosacerdotes acompanham o bispo em todas as orações, inclusive consagrando o pão e o vinho em conjunto com o celebrante principal.

Após a comunhão, o bispo entoa um lindo Responsório: "Já não vos chamarei servos, mas meus amigos, porque vós conhecestes tudo o que eu operei no meio de vós." Em seguida o bispo impõe novamente as mãos sobre a cabeça dos ordenandos para lhes transmitir o poder de perdoar os pecados. "Recebe o Espírito Santo, àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ao perdoados; a quem os retiverdes ser-lhes-ão retidos". E o bispo desdobra a parte posterior da casula que tinha ficado dobrada quando da imposição das vestes sacerdotais.

E após um rito de submissão e obediência, termina a missa ao som dos órgãos e no júbilo dos corações.

Que estes pequenos comentários ao ritual da ordenação sacerdotal faça crescer nos nossos leitores o amor pela santa Igreja, a reverência pelos padres, a adoração a N. Sr. Jesus Cristo, único Sacerdote. E que os nove sacerdotes que fincaram suas raízes na nossa Permanência, por sua oração e por seu sacrifício, ajudem a que muitas outras vocações apareçam, tanto sacerdotais quanto religiosas.

"Senhor, dai-nos muitos santos sacerdotes".

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