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Category: Sobre Gustavo CorçãoConteúdo sindicalizado

50 anos da Permanência

50 Anos da Permanência

​Dom Lourenço Fleichman OSB

No dia 29 de setembro de 2017 a Permanência completou 49 anos. Isso significa que já entramos no quinqüagésimo ano de existência, que se completará em 29 de setembro de 2018.

A inauguração da Permanência se realizou por uma missa celebrada pela então Arcebispo do Rio de Janeiro, o Cardeal Dom Jaime Câmara. Essa missa foi celebrada no auditório da primeira sede do nosso movimento, na rua das Laranjeiras.

Igualmente fora realizada uma cerimônia no auditório do Ministério da Educação e Cultura, na presença de muitas autoridades civis e religiosas, onde Gustavo Corção lançara o movimento católico, anunciando para setembro o primeiro número da Revista Permanência.

Eram outros tempos! Os jornais da época anunciaram o lançamento do movimento Permanência e de sua Revista com chamadas nas primeiras páginas. O catolicismo ainda fazia parte da civilização, mesmo sendo um aspecto apenas cultural da nossa Religião.

Seriam outros tempos? Nem tanto. O Concílio Vaticano II já tinha aberto as portas da Igreja ao mundo, abraçara-o e já se tornara cúmplice das suas liberdades, dos seus valores igualitários, da sua marcha para a socialização. O ciclope do fim do mundo já nascera e cuspia seu fogo que tudo destruiu.

Os intelectuais, jornalistas, empresários, políticos, já olhavam para um pensador como Gustavo Corção com o desprezo arrogante do coração, e a hipocrisia adocicada das belas palavras. Toleravam-no e o temiam. Toleravam-no porque não tinham ainda noção da imensidade da destruição operada pelo Concílio. Se soubessem o quanto o catolicismo estava aplastado no chão por obra dos papas e bispos do Concílio, agiriam mais depressa para se livrar dele. Mas temiam-no, porque sabiam que o fio da sua espada era ainda cortante e vencedor.

Permanência nasceu com a espada na mão. Não veio para pactuar com o progressismo, não veio para diminuir a força do sal, não veio para confundir o respeito às autoridades com o descalabro da traição dos papas e bispos que desfiguraram a Esposa de Cristo, a ponto de perderem a sua identidade católica. Veio, ao contrário, para levantar o Estandarte largado, rasgado, caído. E levantou com galhardia e honra a verdade perene, a fé invencível, e a beleza do espírito que oferece a Deus e à sua Igreja o mais belo espetáculo criado por mão de homem. 

​A inteligência do homem não pode contentar-se com a mediocridade. Ela é uma faculdade que busca com todas as luzes e capacidades do espírito a verdade de Deus, da Criação, das coisas, de si mesmo, do próximo. Só na verdade a inteligência encontra a paz e o repouso. O pior do progressismo, do liberalismo, do socialismo, é que são movimentos burros, estúpidos, que diminuíram e rebaixaram o homem a ser apenas um repetidor boçal. Desde que a criança nasce, sua inteligência é aniquilada pelo bombardeio dos elétrons das luzes dos monitores; pela passividade do conhecimento que se acostuma rapidamente a não pensar, a não precisar mais pensar, porque o desenho animado pensa por ela. Depois virão os joguinhos no celular, o tablet, as redes sociais. 

​Enquanto isso a mídia, os intelectuais as escolas e os pais abobalhados se espantam porque a criança consegue usar o mouse​ como gente grande... e dizem que o filho é muito "inteligente". 

​O espírito do homem não vive apenas da verdade. Esta é uma luz no conhecimento, mas conduz o homem a querer com todas as forças o bem que a verdade apresentou. Move-se o homem em busca do bem. Dos bens terrenos logo está enjoado; dos bens do espírito a vontade do homem nunca se sente saciada. Mas a sociedade atual também aniquila o homem na sua vontade, falsifica o objeto do seu amor, desvia o caminho. Não, não busque os bens celestiais – nos diz o mundo – pois são duros e sem gosto para os sentidos do corpo. Busque o que lhe dá prazer, o que excita o corpo, o que vem de sua decisão e escolha. Apenas, cuidado! obedeça às leis do Congresso Nacional, o Olimpo dessa democrática mitologia, que lhe dará tudo do que necissita.

​A Permanência foi fundada para oferecer aos católicos a restauração da sua inteligência e da sua vontade. Não aceitando as enganações do mundo anti-católico, ela ilumina a doutrina de sempre, o dogma da fé, a verdade histórica e a verdade científica produzindo no espírito do homem a admiração própria de quem está na luz e vê. Por outro lado, longe de oferecer aos homens o fugitivo prazer do corpo, ou os amores sentimentais que temos em comum com os animais, procuramos por em evidência o verdadeiro amor que procede da verdade, e que nos faz contemplar a Deus em si mesmo, na Criação e na sua presença fortíssima pela graça que nos dá a vida sobrenatural.

​Há 50 anos procuramos dar aos nossos sócios e leitores essa seiva de conhecimento na fé, e de amor na Caridade que nos preparam para a mais bela visão, para o mais profundo amor, que só encontraremos em Nosso Senhor Jesus Cristo.

 

 

Jean Madiran (1920 - 2013)

Dom Lourenço Fleichman OSB

Faleceu neste dia 31 de julho, aos 93 anos, Jean Madiran, o famoso diretor da Revue Itinéraires, revista fundada por ele em 1956, e que congregou a nata do pensamento católico francês na 2ª metade do século XX. Dono de um pensamento lógico imbatível, tornou-se temido por seus adversários, sobretudo no campo da política francesa e no combate ao progressismo católico.  CONTINUE LENDO

Falsas Lições sobre Gustavo Corção

 Dom Lourenço Fleichman OSB

 

Quando escrevi o prefácio ao livro O Pensamento de Dom Antônio de Castro Mayer, procurei denunciar a falsificação que seus sucessores e seus padres realizavam ao esconder e abandonar toda referência aos textos do grande bispo, com data a partir da década de 1970. Nesta época tornaram-se mais claras as causas dramáticas da crise da Igreja e por todo o mundo apareceram críticas mais severas ao Concílio Vaticano II e sua obra. LEIA A CONTINUAÇÃO
 

A Espiritualidade dos movimentos católicos

SOBRE A ESPIRITUALIDADE DOS MOVIMENTOS CATÓLICOS

Dom Lourenço Fleichman OSB

Passei estes dias a reler coisas antigas, movido pela perplexidade diante da nossa condição humana. Não falo da conjuntura política, que já ultrapassou todos os limites da razão; não falo da economia nem da insegurança nacional.

Tenho pensado mais, nestes últimos dias, nos nossos movimentos católicos de defesa de uma civilização que já não existe mais, de defesa da Tradição.

Neste curto texto já amarelado pelo tempo, apesar do tempo e do amarelo do papel, brilha aquilo que até hoje 

Entrevista com Julio Fleichman

 A CRISE É DE FÉ

Alguns anos antes de falecer, após 35 anos de militância como presidente da Permanência, Júlio Fleichman narrou sua trajetória ao lado de Gustavo Corção — o mais firme de nossos polemistas católicos — os eventos decisivos na formação de seu posicionamento diante desta terrível crise de nosso tempo, e de seu combate aos inimigos da Igreja.

 

Hoje, os membros de Permanência e os novos católicos que vão se convertendo à defesa da Tradição, reúnem-se na Capela S. Miguel Arcanjo, às sextas e domingos, no Cosme Velho, para assistir a "Missa de sempre" — a Missa Tridentina, celebrada por D. Lourenço Fleichman, OSB — e prosseguir no combate.

  

Como foi o seu encontro com Gustavo Corção? Como o senhor chegou a conhecê-lo?
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Gustavo Corção e Eu

Desde que eu soube que Gustavo Corção ia completar 75 anos, comecei a querer escrever algumas palavras em que lhe demonstrasse mais do que minha admiração — o meu afeto e a gratidão que sinto

Tudo em Corção é amor

Outra figura brasileira consagrada pelos palavrões: - Gustavo Corção. Ninguém diria, de maneira sucinta e inapelável: "É uma besta!" Bem que as esquerdas gostariam que o fosse.

Um brasileiro que usa boina

Vivemos num mundo que rasga tratados, que ignora juramentos, que despreza compromissos. Em nome de uma “civilização futura” cujos contornos não se pode prever procura-se desmoralizar a civilização passada, como se no passado não se contivesse o germe do futuro.

Civilizar é obra de gerações. Destruir tudo para começar tudo de novo é correr o risco de uma queda no primitivismo, na barbárie.

Esses conceitos óbvios ora sofrem contestação inconseqüente num século em que a “promotion”, o jogo de aparências como que pretendem esmagar as essências.

Reina a moda em todos os setores não apenas no da indumentária. As idéias converteram-se em tributárias da “onda”. Variam como as coleções dos costureiros parisienses. A busca sôfrega do que se apelida de novo é uma fábrica de doidos estereotipados.

Fácil é avaliar como tal clima favorece a ascensão dos moedeiros falsos. As artes, as letras e mesmo as ciências foram invadidas por esses travestis que se fazem passar por algo que jamais poderão encarnar com naturalidade.

Se em qualquer época homens fiéis são a base de tudo, hoje, com a raridade, esses espécimes tornam-se ainda mais preciosos diante da legião dos inimigos dos valores eternos, que se infiltram, por todas as brechas.

“O juramento é aquilo que nos diferencia, já não digo dos selvagens, mas das bestas e dos répteis”. A frase é de Chesterton, que Gustavo Corção assim comenta: “Aí está a idéia a que me refiro. Diz respeito à promessa, ao juramento, ao voto, ao pacto, à aliança, à palavra dada. Trata-se, em suma, da fidelidade, desse elemento dual e primeiro, que é a própria base do direito, e sem o qual o homem, com todas as suas maravilhosas e orgulhosas conquistas seus navios aéreos, seu radar e sua bomba atômica se tornará um bárbaro”.

A batalha da fidelidade confunde-se com a luta contra a barbárie, combate esse prioritário para a civilização. Mas a infidelidade como que vai arrombando todas as portas até mesmo, paradoxalmente, as da fé.

Por isso, a presença na liça de homens como Gustavo Corção é duplamente preciosa: pelo valor real que o sábio católico armazena consigo e que ninguém isentamente lhe poderá negar, e pela necessidade premente de cruzadas como a sua.

Num período em que membros da Igreja Católica não conseguem estabelecer uma distinção clara entre a indispensável atualização e a execrável traição, a palavra de Corção cresce em importância.

“Vivemos hoje num mundo que tenta afirmar a soberania do homem, e até a sua divinização já que sem deuses não sabemos viver. E é tão insolente essa idolatria que já se pode falar em perseguição do cristianismo. A Igreja está intimada a adorar o mundo”. (Corção, “Dois Amores, Duas Cidades”).

Num mundo em que os profetas do marxismo procuram implantar a destruição de todos os valores em nome de um sistema totalitário escravizador, o apostolado de Corção converte-se numa fortaleza da desmistificação.

Gustavo Corção, o brasileiro que no inverno usa boina, é um homem-farol. Sua lâmpada mostra os caminhos com espantosa clareza.

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