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Category: Gustavo CorçãoConteúdo sindicalizado

"Novo Pentecostes"

É a última espetacular novidade religiosa que se espalha com grande sucesso no mundo inteiro. Num recorte recente de "Le Monde" lemos a notícia desse movimento cujo sucesso se contrapõe, na pena de Henri Fesquet, "ao declínio das grandes Igrejas" mais ou menos institucionalizadas. Esse movimento de origem protestante, nascido antes do século, cresceu agora rapidamente. O número de "Assembléias de Deus" que era de 264 em 1963 ultrapassa o número de 400 em 1972. Calcula-se em dez milhões o número de praticantes no mundo inteiro", diz "Le Monde"; e como era de esperar anuncia que o movimento já entusiasmou o mundo católico onde ganha o nome de "renovação carismática" e até reclama o mais ousado título de "novo pentecostes".

   

Há ou não há demolição?

A transcrição de um semanário paulista, publicada no JB, veio chamar-me a atenção para uma faceta da controvérsia católica esquecida pelas pessoas de bom senso, e posta em relevo, quase digo em indecente relevo, pelo referido semanário paulista. A primeira vista pode parecer que o jornalista que escreve no O Estado de São Paulo, O Globo, Correio do Povo, na Gazeta do Povo em Curitiba, e na A Tarde, de Salvador, não deveria perder seu tempo com as publicações inexpressivas que só servem para proporcionar aos próprios redatores o deleite semanal de ver suas frases em letras de forma.

 

Humanitarismo de bastardos

Lucerna pedibus meis verbum tuum et lumen semitis meis” (Sl.118, 105). Tua palavra, Senhor, guia meus passos e ilumina como um facho o meu caminho. Jurei ser-lhe fiel. Sim, a palavra de Deus, objeto e razão de nossa Fé é a luz que nos indica, como na história dos meninos perdidos na floresta, o caminho de volta à Casa do Pai. Essa lua, lumen fidei, é a mesma que um dia veremos em todo o seu esplendor de glória, lumen gloriæ, mas agora vemos apenas como brilho de estrela na escuridão. Ensinam os doutores que são a mesma verdade e a mesma luz o lume da Fé e o luzeiro da Glória. São Paulo Apóstolo (1 Cor 13, 12) para descrever a penosa condição humana diz que agora vivemos entre sinais e enigmas, mas não se tire daí que a Fé com que vivemos, e de que vivemos, têm em si mesma algo de enigmático e de vacilante: essas coisas são as sombras que a luz da fé, interposta por corpos opacos, projeta em nossas veredas. As vacilações e os aspectos fantásticos não vêm da vacilação da estrela, mas da sinuosidade das coisas que nos cercam, e as quais tantas vezes damos toda a nossa atenção. E então parece-nos que dança o facho, a palavra de Deus, quando somos nós mesmos que dançamos.

Liberais e conservadores

Quais são realmente as mentalidades que se defrontam na Igreja de nossos dias, e mais especialmente no Sínodo? Já vimos que as denominações usadas no noticiário não nos parecem adequadas. Que denominações proporíamos nós em lugar daquelas?

Pregação subliminal

A lingüística nos ensina que há uma grande diferença entre a língua escrita e adstrita ao texto, isto é, às palavras, e a língua falada que, além de conter nuclearmente o mesmo texto, contém por acréscimo, em torno dele, todo um rico envoltório de sinais comunicativos de várias naturezas: o gesto, a entonação, o ritmo, a modulação da voz, a expressão do rosto, das mãos e do corpo inteiro que é mais rica do que o simples gesto. Todos esses sinais formam o que o lingüista chama contexto. Seria melhor chamar ao conjunto “língua integral”, e a essa parte não traduzida em termos, “língua subliminal”.

Tudo é cinza

Dizem os físicos que o Universo agoniza de um mal chamado entropia crescente e morrerá de uniformidade. O mundo da vida e sobretudo o do espírito representam um jato, um movimento ascensional e criador, um ímpeto que bem merece o nome que lhe deu um filósofo: élan vital; mas o que agora se vê, nesse mesmo mundo do espírito, nos leva a crer que há uma corrente, uma torrente que contraria o ímpeto vital, que puxa para baixo, que entra no processo geral de desmoronamento de formas e contrastes, e que tende a transformar o colorido e vistoso mundo do homem numa planície cinzenta e uniforme.

Dois e dois são quatro

No primeiro sábado do mês, para cumprir minha devoção por Nossa Senhora de Fátima, procurei um confessor numa igreja que deixara de freqüentar, há alguns anos, por motivos que dispensam fastidiosas explicações. Diziam os persistentes freqüentadores que tudo por lá melhorara, com a saída de 3 ou 4 jovens loucos. Quem sabe? Lembrei-me do velho Pe. X, homem simples e bom, cabeça branca, manso e ingênuo. Um dia, nos tenebrosos tempos em que o ISPAC energicamente se empenhava em perverter padres moços e freiras simplórias, subia eu a Rua Cosme Velho quando avistei o Pe. X, que vinha ao meu encontro feliz e aureolado de novas idéias. Saía do ISPAC e logo que me viu apressou o passo e generosamente veio ensinar-me o que acabara de aprender:

 

O padre e a menina

Na semana em que estavam reunidos bispos e frades, e até no mesmo dia em que foi publicado um “documento base” a ser debatido na II Conferência geral do episcopado da América Latina em Bogotá, saiu publicado num canto de jornal, sem nenhum destaque, um pequeno tópico de faits-divers a que quase ninguém deu atenção, embora também envolvesse um padre, que, como ninguém ignora, é hoje o mais jornalístico dos personagens, como já o previra o Apóstolo Paulo: “somos dados em espetáculo ao mundo”.

 

Padre Antonio

Numa cidadezinha perdida e esquecida, lá nos confins deste tão imenso Brasil, existe uma igreja quase sem existir. Em torno, mil ou duas mil almas mais ou menos desalmadas; dentro, um velho vigário a fazer contas intermináveis, e um padre coadjutor, na sacristia, a olhar o morro, a linha férrea lá longe, o rio, talvez o céu.

 

O esvaziamento católico

Estamos cansados de clamar contra a enxurrada de impurezas que se instalou intra muros Ecclesiae pelas portas que a própria hierarquia católica abriu, “num gesto largo e moscovita” como diria Fernando Pessoa, com especial propriedade. Queixamo-nos da infiltração marxista, e dela podemos dizer o que disse Santo Agostinho dos que duvidavam da imprescindível função da Igreja na salvação das almas: “Quis negat?” E ninguém, que eu saiba, ousou erguer a voz contra a severa interrogação do Bispo de Hipona. Ou, se alguém falou, seu insignificante balido não atravessou quinze séculos. Queixamo-nos da invasão do secularismo, da penetração do protestantismo, que foi convidado a colaborar na mutilação da Santa Liturgia. Com cócegas nos ouvidos e inebriados de aberturas, os homens da Igreja escancaravam as portas e tudo teve licença e convite para entrar. Tudo.

 

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