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Category: Gustavo CorçãoConteúdo sindicalizado

Dicionário de Citações de Gustavo Corção

Coletânea de citações e trechos da obra de Gustavo Corção.

Edição: Permanência

A Crise da Democracia

Gustavo Corção

Num interessante inquérito promovido pelas revistas norte-americanas U.S. News and World Report, e publicado com grande destaque pelo O GLOBO, desde os dias 18 e 19 do corrente, vem sendo abordado problema da crise, do malogro ou do futuro da “democracia”. Numerosos intelectuais norte-americanos e ingleses, de alto prestígio, como: Professor Samuel P. Huntington — Cientista Político, Professor Charles Frankel — Filósofo, Professor Robert L. Heilbroner — Economista, Professor Max Beloff — Cientista Político, Professor William H. McNeill — Historiador, Professor Michael J. Crozier — Sociólogo, Professor Friedrich A. Hayek — Economista e Professor René Dubos. Cientistas, trouxeram sua contribuição ao debate que, para esses intelectuais, parece assentado em claros postulados aceitos por todos e motivado por mais uma inquietação do mundo moderno, ou pelo menos, do ocidente moderno.

Em primeiro lugar observo que o termo “democracia” sempre demarcado com o artigo “a” que reforça sua determinação designa um conceito quase tão claro e tão unívoco como o de “quadrado”. Ora, desde aqui me parece que esse inquérito aceita, sem sinais de relutância, todos os movediços equívocos que formam a atmosfera cultural de nosso tempo. Leia mais.
 

O Método de Escolha dos Chefes




Nas vésperas das eleições, mergulhados na poluição fedorenta de todo esse sistema espúrio e corrupto capaz de levar o Brasil a estabelecer no poder pessoas que deveriam estar na cadeia, respiremos algum ar fresco do pensamento reto, luminoso e profundo de  Gustavo Corção


Alguém do Jornal do Brasil telefonou-me perguntando se eu poderia responder a duas perguntas simples: 1° — Quem seria no novo presidente?  2° — Que pensa o senhor do regime e sobretudo desse método de escolha dos chefes?

Esquivei-me da primeira pergunta por falta de informações exatas. Mas não hesitei em responder à segunda: depois do movimento de 64, que considero providencial, o Brasil achou-se com um regime de governo que, a meu ver, é o melhor, mas ainda não tem denominação feliz. Usando a clássica qualificação dos regimes, deixada por Aristóteles, o governo atual do Brasil e do Chile não é monárquico nem democrático: é o governo que Aristóteles chamou aristocrático, deixando o termo oligárquico para designar sua depravação.

É hoje evidentíssimo que nenhum desses dois nomes pode ser convenientemente proposto. Mas também torna-se cada vez mais evidente que é esse o melhor regime. Ouçamos algumas palavras de Santo Agostinho que, como sempre, bem responde aos problemas de hoje: “Se um povo é sério e prudente, zeloso pelo interesse público, é justo que se faça uma lei que permita a esse povo dar a si mesmo os magistrados. Entretanto, se tornado pouco a pouco depravado, esse povo tornar venal seu sufrágio entregando o governo a celerados e infames, é justo que se lhe retire a faculdade de conferir os cargos públicos, e se volte ao sistema de sufrágio limitado a algumas pessoas idôneas” (Santo Agostinho, Tratado do livre arbítrio, Vol. I cap. VI, citado por Santo Tomás).

Eis aí uma citação que convém como uma luva a recente história do Brasil. Depois das graves contribuições trazidas pelos últimos governos ditos democráticos, que já entregavam o Brasil ao comunismo, achamo-nos diante de uma situação singular:  todos os brasileiros, nas famosas Marchas com Deus e pela Família, demonstraram a aceitação do presidente Humberto de Alencar Castelo Branco, escolhido por indicação de seus companheiros das Forças Armadas.

Lembro aqui também o grande Papa Leão XIII na sua encíclica Immortale Dei, mais de uma vez citada nestas colunas. No tópico n° 10, essa encíclica formula o mais enérgico repúdio dos novos direitos trazidos pela Revolução do século passado, e não dissimula sua condenação à filosofia política que se funda na soberania nacional e no princípio de igualdade para fazer finalmente do sufrágio universal um dos famosos direitos do homem.

Que nome daremos nós a esse novo regime em que providencialmente se achou o Brasil? Eu não costumo me prender demais aos nomes desde que li os versos de Shakespeare onde o poeta atribui a Julieta essas palavras relativas ao nome da família de Romeu: “What is a name?” Teria a rosa menos perfume se tivesse outro nome? Há porém um abismo entre o diálogo amoroso de dois namorados e as exigências do bem comum. No plano das atividades políticas os nomes inculcados às multidões têm funcionado com força mágica. Nossos adversários, os comunistas — que militam dentro da mais dura e desumana de todas as oligarquias, apelidada democracia popular por escárnio — tornaram-se exímios no uso e abuso das palavras mágicas. Reação, fascismo, democracia, marcadas umas com o labéu da execração pública e outras com o halo dos idealismos puros, tornaram-se hoje impraticáveis, se quisermos escrever algumas linhas que sejam entendidas por mais de 10 pessoas. Sabemos de episódios em que jovens se entregaram aos comunistas só para fugir ao terrível anátema do termo “fascista”.

Como já me dispus a tudo nessa matéria não hesitei em denunciar a impostura que tinha a democracia como único regime condizente com os direitos do homem. Dou hoje mais um passo, depois de lembrar que Aristóteles considerava impraticável (e eu diria: sobretudo em regime democrático) a Polis que tivesse mais de 100.000 habitantes. Repito o jogo de palavras que já empreguei nestas colunas: nos tempos modernos aumentou a tal ponto a densidade demográfica que se tornou temerário, mais do que nunca, o uso da forma democrática. O governo e a designação dos chefes não podem ser, por sufrágio universal, entregues ao povo, cada vez mais desumanizado. Sim! Não podem e não devem jamais ser entregues a esse monstruoso soberano que é onipotente (já que todo o poder dele emana) e nihilciente (já que tal coletivo se torna irresistivelmente diminuído e subumanizado). Um modesto homem do povo pode ter a sabedoria de um Sócrates; mas cem milhões de pessoas tornam-se irresistivelmente um ídolo que tem olhos e não vê, orelhas e não ouve etc. De uma só cajadada abato dois nomes mágicos: democracia e povo. Agora, já que estamos com a mão na massa, aproveito para desaprovar, tarde demais, o nome dado ao movimento de 64: “Revolução”, que é o mot d’ordre de toda a esquerda revolucionária e anarquista. Nossos bravos e bons soldados, chamados por Deus à salvação da pátria, assumiram o poder cerimoniosamente, encabulados, e até com certo sentimento de culpa. Por isso até hoje se prendem às idéias políticas de 1789, quando vivemos o ano novo de 1978. O nome de nosso movimento deveria ser este: Reação Nacional. Corajosamente. E que nome daremos ao regime recomendado por Santo Agostinho? Fica aqui o desafio a quem tiver talento de títulos melhor do que o meu. Mas enquanto não acharem o nome, olhemos a “coisa” de face e sem nenhum constrangimento. O movimento de Reação Nacional de 64 veio acabar com o prestígio e a superstição do sufrágio universal. E deve manter-se firme nesta obra de purificação prestada ao país. Não! Nem prestígio nem superstição. O termo que convém melhor é o de “mentira vital”. Porque aqui entre nós dois, meu caro Fulano, desabafemo-nos. Na verdade, na verdade, não creio que ninguém, em são juízo, fora do torpor causado pelo ópio, possa acreditar na pureza e num mínimo de racionalidade do sufrágio universal. Eu votei em Jânio Quadros, e quem teve razão foi o cronista David Nasser, de “O Cruzeiro”, quando estampou com enorme destaque esta frase: “Seis milhões de loucos votaram em Jânio Quadros”.

E aqui, como derradeiro argumento, trago os dados da história do Brasil republicano. Os melhores governos que o país teve foram os dos três presidentes paulistas, Prudente de Morais, Campos Sales e principalmente Rodrigues Alves. Ora, como estamos cansados de saber, as eleições nesse tempo eram feitas a bico de pena, eram dirigidas por uma minoria.

Quando Getúlio Vargas trouxe o sufrágio universal em 34 (para logo liquidá-lo em 37), passamos a ter os governos catastróficos que culminaram em Juscelino Kubitschek, Jânio Quadros e João Goulart, que fizeram no Brasil obra semelhante à de Allende no Chile. Vocês se lembram de março de 1964? Lembro-me eu.

E mais não digo por hoje.

O Globo, 14/01/1978

Suicídio e martírio

Gustavo Corção

Nos últimos dias de agosto, como se não bastassem os acontecimentos desse mês que nos pareceu ter trezentos dias, correu entre nós um boato que nos deixou sacudidos entre o gáudio e a tristeza: as irmãzinhas do Père Foucald, que se achavam no sertão de Goiás, vivendo entre os índios o obscuro esplendor da virgindade e da paciência, como Santa Rosa de Lima, teriam sido trucidadas pelos tapirapés ou por seus ferozes inimigos. A morte horrível das duas moças, cujas irmãs tantas vezes visitamos na casinha do morro de São Carlos, parecia-nos um sinal do céu, uma réplica que o sertão do Brasil dirigia à capital do Brasil, nesse diálogo de violências que nos encheu o mês de agosto, uma réplica de Deus a nos dizer que seu pendão orvalhara a nossa terra com o sangue dos mártires...

Como se inventa

Visa o presente estudo investigar o processo e a natureza das faculdades especiais que caracterizam o inventor, esse singular indivíduo que consegue combinar, de um modo novo, os elementos antigos, criando um objeto novo como um abridor de latas ou um Radar.

 

O jogo esquerda-direita

Um Começo que Não Promete Grandes Coisas
 
Comecemos por um jogo falseado, ou melhor, pela realidade que se esconde sob aquela falsidade, ou ainda melhor, ou talvez irremediavelmente pior, comecemos pelo anúncio de trágicas conseqüências da falsificação tomada como critério de valor ou de verdade. E qual é essa falsificação? É o esquema, ou o jogo Esquerda-Direita.

Um velho leigo interroga...

Pode alguém ignorar a doença profunda e grave que nestes tempos, muito mais do que no passado, devasta a sociedade humana e que dia a dia agravada, a corrói até a medula e a arrasta à ruína? Essa doença é o descaso de Deus e a apostasia; e nada, sem dúvida alguma, leva mais depressa à ruína, segundo esta palavra do Profeta: “Eis que perecerão os que se afastam de Vós”.  São Pio X, “E Supremi Apostolatus”, 1905.

Estamos no século XX

Parte II - Capítulo I de “O Século do Nada”
 
 
ESTAMOS NO SÉCULO XX
 
 
 
"Não! não é por pessimismo e desespero que eu recuso o mundo moderno;
eu o recuso com todas as forças da minha Esperança
". Georges Bernanos, 1946.
 
"Nunca se dirá tudo das covardias que nossos franceses praticaram e praticarão
pelo medo de não parecerem bastante à esquerda
". Charles Péguy

Um estudo sobre o monaquismo

I - A FISIONOMIA DO MONGE

 

1. Si vis perfectus esse...

 

Em Mateus (XIX, 16-22), lemos a primeira definição do monge: “E eis que alguém, abordando-o, disse: Mestre, que devo eu fazer de bom para ter a vida eterna? E ele lhe diz: Por que me interrogas sobre o que é bom? Um só é bom. Se queres entrar na vida, observa os mandamentos. E ele lhe diz: Quais? Jesus responde: São estes: não matarás, não cometerás adultério, não furtarás, não pronunciarás falso testemunho, honrarás pai e mãe, e amarás o próximo como a ti mesmo. Diz-lhe o moço: Observei-os todos, que me falta ainda? Jesus lhe diz: Se queres ser perfeito, vai, vende o que possuis, dá tudo aos pobres, e terás um tesouro nos céus: depois vem, e segue-me. Quando ouviu estas palavras, o moço afastou-se contristado porque era muito rico”.

 

Curso de Religião

O texto deste "Curso de Religião", que aqui apresentamos com exclusividade, Corção deixou inacabado, embora o tenha continuado verbalmente em suas aulas em nossa sede. O leitor que quiser prosseguir com os estudos, contudo, não se verá prejudicado se, com o auxílio de bons livros, prosseguir do ponto em que este texto termina.

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