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Category: Irmãs da FSSPXConteúdo sindicalizado

Paciência na educação

Irmãs da FSSPX

 

“Paciência e tempo fazem mais do que a força e o ódio”, escreveu La Fontaine. Se há algum domínio onde esse ditado se verifica, é sem dúvida na educação das crianças. Do primeiro choro até o momento dela se tornar adulta, uns vinte e cinco anos se passarão. E assim como o tricô é feito linha a linha, a edução se faz dia a dia.

  

Paciência na instrução

É desnecessário querer tudo imediatamente. Só poderemos pedir da criança aquilo que é realmente capaz de fazer ou de aprender a fazer. Por exemplo, com uma criancinha, o momento presente ocupa toda a sua atenção; ela não sabe, ou talvez não sabe bem, colocar-se no futuro e prever as consequências a longo prazo dos seus atos, e por isso é tão imprudente. 

"João tem seis anos, voltou da escola sem o gorrinho ou sem as luvas e estava nevando. Claro que brincou de jogar bolas de neve durante o recreio com as mãos descobertas e, naturalmente, pegou um resfriado". É inútil repreendê-lo por sua imprevidência, pois essa cadeia de eventos ainda o ultrapassa completamente. É inútil, do mesmo modo, tentar motivar o seu irmão mais velho de doze anos falando na possibilidade de receber um diploma “cum laude” na faculdade. Nessa idade, tudo isso parece longe demais, enquanto que a partida de futebol com os amigos possui uma atração mais imediata.

Contudo, quando uma criança se torna capaz de cumprir uma tarefa, não ajuda em nada tratá-la como um bebe e não cobrar dela aquilo que pode dar. 

"Aos oitos anos de idade, Cecília nunca fez a própria cama, e jamais arrumou a mesa! Isso porque sua mãe não percebe que a menina está crescendo e não lhe ocorre pedir essas coisas a ela. Por sorte, uma breve estadia na casa da tia Joana arranjou as coisas, uma vez que ela pôde comparar-se com as primas. Na mesma oportunidade, sua mãe também percebeu que ela pode ser bem mais exigente com o Antônio, que já fez seis anos, no modo como ele se comporta na Missa. O seu primo, que tem a mesma idade, fica quietinho e já até começa a acompanhar a Missa com o seu livrinho de primeiras orações". 

 

Não espere resultados imediatos

A educação é um trabalho de longo prazo. Não se deve esperar que uma criança corrija suas falhas imediatamente. 

Já falei vinte vezes para você lavar as mãos antes de vir para a mesa!” protesta a mãe. Coragem! O hábito talvez só surja após a vigésima-primeira ou a quadragésima advertência. Devemos demonstrar para com as crianças a mesma paciência que Deus demonstra por nós adultos, que tantas vezes confessamos os mesmos pecados. Contudo, “ser paciente” não significa “desistir”. Continuemos a implorar pelo bem sem nos cansarmos com a lentidão do progresso, sem nos desencorajarmos com as falhas de hoje que preparam as vitórias de amanhã. 

"Por temperamento, o Sr. Dupont realmente não percebe a necessidade de colocar cada coisa no seu lugar. Quando tinha dez anos de idade, sua mãe regularmente encontrava o conteúdo da sua mochila largado no chão da sala, e suas meias sujas sob a cama; seu pai não se cansava de mandá-lo tirar a bicicleta da frente da garagem e pô-la em outro lugar. Graças a Deus — e para sorte do sr. Dupont — os seus pais perseveraram. Hoje, sem nenhuma obsessão, sabe organizar as suas coisas sem perturbar a harmonia da casa."

A educação é um trabalho de longo prazo, de modo que nem tudo está perdido se comete um erro — por exemplo, se cometemos algum exagero. O que é um incidente isolado comparado a vinte anos de afetos, cuidados, bons exemplos e boas influências? 

"Paulo está bem no meio da crise da adolescência; às vezes ele é tão irritante que o seu pai já chegou a perder a paciência e dizer a ele coisas que nunca deveria dizer. Sem dúvida é lamentável, e seu pai pode experimentar a sensação de ter posto tudo a perder. Mas não, nem tudo está perdido. Paulo sabe no fundo que seus pais o amam, e que foi ele que exasperou o seu pai com sua atitude”. O Espírito Santo dá, aos pais que sabem pedir-Lhe, o conselho das coisas que devem ser ditas.

A educação é um trabalho de longo prazo cujo resultado os pais nem sempre conhecem. Temos um indício do resultado no momento em que as crianças se firmam no mundo. No entanto, mesmo com a melhor educação do mundo, a criança permanece livre, sim, livre para escolher o mau e desprezar o bem. Vemos crianças nascidas em boas famílias que se “tornam más”, abandonam a prática religiosa ou vivem de modo imoral. Contudo, os pais não devem se desencorajar: o que foi semeado na infância virá algum dia à tona. Por isso é importante não mimar as crianças, não deixá-las fazer o que quiserem aos três ou quatro anos de idade: os primeiros anos preparam os anos futuros.

Por outro lado, que grande consolação para os pais verem seus filhos formando um lar sólido ou respondendo a uma vocação sacerdotal ou religiosa! Essas crianças que possuem suas vidas “bem-sucedidas” perante Deus formam a coroa de honra desses pais, no tempo e na eternidade.

Harmonia entre os pais

Irmãs da FSSPX

 

Como todas as noites, a mãe de Clara está supervisionando o dever de casa de sua menininha (que tem certa tendência à preguiça – especialmente quando se trata de se concentrar nos trabalhos da escola). Sua mãe, então, toma a decisão de ajudá-la a superar esse defeito, dizendo: “Agora que você entendeu, deve terminar seus exercícios de matemática sozinha, e não irá brincar lá fora até que esteja tudo pronto e bem feito”. Clara suspira, boceja, rascunha alguns números, suspira novamente... A mãe é firme: “Vamos; você consegue. Vou preparar a mamadeira do Pedro e, quando voltar, quero que o primeiro exercício esteja pronto”. Assim que a mãe deixa a sala, Clara se levanta e vai direto ao outro cômodo e, aninhando-se no colo do pai, diz: “Papai, o dever de matemática está muito difícil. Pode me ajudar?”. E ele, olhando os cachos dourados, o sorriso charmoso e o rostinho fofo da filha favorita, responde: “Vá buscar seu caderno e te ajudarei”. Ao retornar, a mãe descobre, descontente, que mais uma vez Clara não fez seus deveres sozinha. (Continue a ler)

Cantores hoje, católicos amanhã

Irmãs da FSSPX

 

 

Tantas mães católicas hoje choram por crianças que se perderam nesse pobre mundo! Quando o filho pródigo voltou para casa, foi porque pensou na incomparável alegria que sentia no local. Há uma maneira muito simples que os pais podem utilizar para desenvolver e fomentar essa alegria: através das canções. A Educação é, acima de tudo, um respiro, e as canções lançam o perfume do bom humor que tanto favorece a saúde física e moral, ajudando a despertar a inteligência, remover os perigos do vício e da corrupção e contribuindo com o crescimento da virtude. É uma inclinação tão natural aos seres humanos que dificilmente se recusam a participar. O que nossas crianças cantarão no futuro, quando seus corações estiverem cheios de entusiasmo, se ninguém se ocupar de sua formação através de boa música? Provavelmente terão prazer em ouvir as canções modernas – esses agentes facilitadores de depravação moral. Sim, a música tem poder sobre o coração dos homens – para o bem ou para o mal. Devemos acrescentar que as canções estimulam nossa capacidade de ouvir, o que pode vir a poupar os jovens de problemas na escola. Além disso, o estudo do ritmo influencia o cérebro, desenvolvendo a lógica e a razão.

Ensinando aos pequeninos a devoção à Maria

 

Irmãs da FSSPX

 

 

“Ah, mamãe! Te amo tanto que nem sei dizer!”. Que mãe não se sentiria tocada com essas palavras ditas por sua filha de quatro anos? São a forma que uma criança usa para expressar sua gratidão. É claro que a grandeza do sacrifício feito pelas mães e seu grande amor permanecem sempre parcialmente invisíveis. Porém uma criança, mesmo em seus primeiros anos, sente o amor que advém do coração de sua mãe. Ela vê – ou melhor, sabe – que a mãe estará sempre por perto. Se ela cai enquanto brinca, corre para a mamãe. Se tem pesadelos, chora chamando por ela. Se está com sede ou fome sabe, sem pestanejar, que a mãe resolverá.  

Sim, até mesmo pelos olhos de uma criança pequena, o coração de uma mãe é algo indispensável e sem limites. E, à sua maneira, ela tenta retribuir esse amor. Flores sem caules cuidadosa e amorosamente colhidas para a mamãe, enquanto pensa: “O papai faz isso por ela, então vou fazer também!”. Quando a mãe está doente ou cansada, o filho leva até ela um copo d’água e dá-lhe um beijinho: “Mamãe faz assim quando estou doente; vou fazer também!”.

Vocês sabem muito bem, queridas mães, que seus filhos têm uma outra mãe, a Mãe do próprio Deus. Seu maior desejo deve ser que eles aprendam a conhecer essa mãe tão maravilhosa que, mesmo não sendo visivelmente presente em seus lares, derrama sua afeição maternal em cada uma das crianças. Durante as separações inevitáveis que ocorrem entre mães e filhos, quão grande é nosso consolo em saber que essa Mãe cuidará de nossos rebentos!

Como praticar essa verdade e ensinar nossos filhos a conhecer e amar nossa Mãe Celeste? Será que são capazes de compreender mesmo sendo tão jovens? (Continue a ler)

Deveres dos pais para com os filhos

Irmãs da Fraternidade São Pio X

Estimada senhora, na carta anterior eu lhe dizia que há aproximadamente dois séculos o homem mudou a ordem desejada por Deus e, com isso, por sua desobediência, propagou erros e maus costumes em toda a sociedade, nas famílias e na educação dos filhos. Tentarei mostrar essa desordem para ajudá-la em sua vocação de educadora de seu filho – vocação que, sem dúvida, se tornou muito difícil em nossos dias. A senhora percebe que em todas as partes só se fala dos direitos da criança, a tal ponto que se poderia pensar que os pais não têm mais nada a dizer. A criança sabe disso e aproveita a situação para satisfazer seus caprichos e não obedecer mais, sob pena de se rebelar na época da adolescência. Mas será que o ensinaram verdadeiramente a obedecer? Desde pequeno? Em verdade, nesse momento da adolescência, alguns pais se encontram desprovidos de meios e não sabem mais o que fazer. (Continue a ler)

A criança católica e o espírito de sacrifício

Irmãs da Fraternidade São Pio X

 

Os caçadores da África costumavam empregar a astúcia para capturar os macacos: penduravam nos ramos umas bolsas pequenas de couro cheias de arroz, cuja abertura costuravam com um cordão, de modo que somente pudesse passar por ali a mão do macaco. Atraído pela comida, o animal colocava a mão na bolsa... e não podia tirá-la mais. Bastaria que deixasse o punhado de arroz... mas o macaco não quer fazer isso de jeito nenhum, e sua teimosia lhe custava a liberdade e a vida.

Queridas mães, já aconteceu comigo, e com certeza também aconteceu com as senhoras, de ver a reação daqueles macacos... nas nossas crianças. O desejo de doces e balas, da boneca recém-lançada ou do último modelo de carro, os atrativos ainda mais fortes à preguiça (não fazer nada ou deixar que a mãe faça tudo) ou da independência (“eu faço o que eu quero”) levam a gritos de raiva, iguais aos do macaco capturado pela mão na bolsa, se alguém desgraçadamente quiser contrariar os seus planos de conquista! (continue a ler)

Grandeza do catecismo

Irmãs da Fraternidade São Pio X

 

Francisco está estudando no quarto ano no colégio mais famoso da cidade. Ao voltar da aula, ele entrega à sua mãe, Andreia, o boletim com as notas do bimestre. “Que bom!”, pensa Andreia: “Francisco tirou notas excelentes em matemática e em português. Com a sua prática em idiomas, com certeza ele vai poder entrar nas melhores universidades do país!”.

E Andreia já imagina seu filho sendo um advogado de prestígio, um engenheiro com êxito ou um cientista eminente... Que mãe não tem grandes ambições para seus filhos?

Ao mesmo tempo, Gustavo - estudando no 5º. ano no Colégio São Pio X – também entrega a Silvina, sua mãe, as suas notas bimestrais. Silvina lê com atenção: Catecismo: 9; Comportamento geral exemplar: bom espírito, responsável e prestativo com os menores. Silvina sonha também com o futuro do seu filho: “O que será de Gustavo no futuro? Um bom pai com uma família numerosa? Talvez padre?” (Clique para continuar)

Mamãe, conta uma historinha?

Irmãs da Fraternidade Sacerdotal São Pio X

 

“Era uma vez um anjo muito bonito que se chamava Rafael...” Pedro está sentado no chão, aos pés da sua mãe. Domitila se espreme no sofá enquanto Ágata, ajoelhada, chupa o polegar. Os três prestam atenção na sua “alegria da noite”: mamãe contando uma história...

Desde o Gilgamesh, a mais antiga epopeia da humanidade, escrita 1.800 anos antes de Cristo, passando pela Ilíada e a Odisseia, que Homero recitava de casa em casa, e pelas Canções de Gesta, que os trovadores narravam a nossos antepassados, até os contos que nossas vovós contavam perto do fogo, os homens de todas as idades e de todos os tempos sempre gostaram de ouvir histórias.

É muito natural. Por meio de nobres epopeias ou de simples contos, as histórias, sejam ingênuas, fantasiosas, engraçadas ou trágicas, transmitem, num clima de poesia, uma cultura, uma civilização, uma concepção do homem e do mundo. Ao tocar os sentidos e a imaginação, elas nos fazem refletir sobre o bem e o mal, a vida e a morte, os trabalhos e as conquistas, nossa condição humana e o sentido do nosso destino.

Aí está a importância das histórias para a formação de nossos filhos. Mas, não se contentem, queridos pais, em deixar os seus filhos lerem sozinhos. Contatas por vocês, as histórias adquirem uma força de persuasão e uma autoridade muito maior; elas se revestem da sua própria experiência de vida, ao passo que o tom da sua voz, seus gestos e mímicas capturam a atenção e dão vida às histórias.

 

Ao redor da lareira

Havia um momento privilegiado para contar histórias, como bem sabiam os nossos antepassados: era quando, terminado o trabalho do dia, toda a família se reunia em volta da lareira. Era um costume excelente contar cada dia uma história, ou um capítulo de uma narrativa maior, a ser continuada no dia seguinte. Esse momento tão esperado, de abraços e de felicidade, é um bom incentivo para as crianças que demoram para se preparar para dormir. “Quando todo mundo estiver pronto, com os dentes escovados, vou contar uma história”, anuncia a mãe: eis uma frase mágica para apressar quem está molengando!

No entanto, é preciso atentar para que a história contada à noite não seja excitante demais, a menos que se torne calma no final: é difícil pôr para dormir um pequeno “Ivan, o cavaleiro do leão” de pijamas, reproduzindo com as pantufas, ao lado do irmão, a cena do torneio. Com crianças de temperamento muito sensível devemos evitar histórias “que dão medo”, com canibais, lobos etc, que podem causar pesadelos. Para essas histórias, devemos preferir contá-las durante o dia, durante o sono da tarde dos irmãozinhos, por exemplo; os maiores não ficarão assustados e estarão prontos para ir brincar em seguida, enquanto a grande luz do dia dissipa o terror.

Que história escolher? Uma história bela e apaixonante, claro! Pode ser uma história real, como a vida dos santos e dos heróis (ou episódios delas); esses modelos a serem imitados entusiasmam particularmente os maiores. A história também pode ser inventada; basta ouvir a fórmula maravilhosa, “era uma vez...”, que ninguém mais se impressiona com animais que falam ou abóboras que viram carruagens. No entanto, as crianças gostam mais das histórias reais, e os maiores costumam perguntar: “Isso aconteceu de verdade?”  Se for o caso, eles saborearão o enredo de modo muito profundo e se sentirão tocados. Se a resposta for negativa, se a história for inventada, ficarão certamente contentes com esses momentos tão agradáveis, mas não darão tanta atenção ao seu conteúdo. Essa reação infantil tão marcante nos recorda, em pequena escala, que todo ser humano é feito para a verdade, para o belo e para o bem soberano que é Nosso Senhor Jesus Cristo.

A história deve ser moral, ou seja, o pecado jamais deve ser apresentado de modo atraente (salvo brevemente, para explicar uma tentação; mas então seguirá o relato da luta vitoriosa ou das consequências nefastas da derrota); o bem nunca será alvo de zombaria. Os vencedores não serão “espertalhões” e sim homens virtuosos. Contudo, uma história “moral” não é necessariamente uma história “moralizante”, no sentido pejorativo do termo, designando uma história desagradável, cujos personagens são dotados de uma psicologia simplória, e terminando em alguma conclusão moral forçada. As editoras da Tradição publicam bons livros para as crianças. Pode-se também encontrar alguns clássicos a preços módicos nos livreiros. Fora disso, é preciso conhecer a história antes de contá-la aos pequenos.

A história deve ser adaptada à idade e à capacidade de compreensão dos ouvintes. Os pequeninos, que ainda não sabe ler, tem ainda mais necessidade do que os outros de que as histórias lhes sejam contadas. Não se espantem se pedirem para ouvir de novo e de novo a mesma história que tanto amam, e que já conhecem quase de cor. É normal nessa idade: as crianças se sentem reconfortadas ao pisar em terreno conhecido, e amam reviver os mesmos sentimentos que experimentaram da primeira vez.

No entanto, os mais crescidos preferirão ouvir histórias diferentes a cada vez, e sua capacidade de atenção lhes permitirá acompanhar histórias “a serem continuadas” a cada noite. Pode acontecer dos filhos adolescentes acharem que ouvir histórias é "coisa para bebês", que não é próprio para a sua idade. Nesse caso, há muitas possibilidades, conforme a personalidade de cada um: podemos deixa-los à vontade para não prestarem atenção às histórias contadas para os mais novos e se dedicarem às suas leituras; ou contar duas histórias: uma para os pequenos no início da noite, e outra adaptada para os mais velhos mais tarde, depois dos irmãos terem dormido; finalmente, podemos estimular um adolescente a participar da história, lendo ou interpretando um dos papéis.

 

Simplesmente ousar

Pode ser que você ainda hesite em começar a ler para os filhos: “Não sou bom de histórias, me atrapalho quando leio”. Não tenha medo: as crianças são um bom público e ficam muito contentes quando um adulto decide se ocupar delas. Comece com uma história de que gosta e conhece bem, a que preferia quando era criança, por exemplo. Isso permitirá que não tenha de ficar com os olhos presos ao texto, e poderá se soltar do relato e tornar a história mais viva pelo seu tom de voz, gestos, olhando sempre para os pequenos ouvintes. É preciso esquecer de si mesmo nesses momentos, não prestar atenção na própria voz, nem hesitar em se fazer pequeno com os pequenos. O olhar radiante das crianças servirá de encorajamento e, rapidamente, lhe dará confiança.

E se você ainda não estiver convencido, considere simplesmente o exemplo de Nosso Senhor contando uma parábola: que contador deveria ser! Como gostaríamos de fazer parte daquele auditório, saboreando cada palavra! Ele soube nos fazer compreender as verdades mais elevadas por meio de histórias bem simples, e suas belas parábolas, como a ovelha desgarrada, o filho pródigo, a pedra preciosa ou a dos talentos, continuarão a encantar os homens até o fim do mundo.

(Fideliter no. 255. Tradução: Permanência)

Não dirás falso testemunho contra o teu próximo

Irmãs da Fraternidade São Pio X

 

"Mamãe, o Lucas me empurrou!" "Professor, o Vianney está me copiando!" "Mamãe, Joana pegou meu livro!" Como devemos responder a tais acusações? Devemos encorajá-las endossando-as, ou tirar partido dessas informações recém-descobertas? Será que o acusador é movido por um senso de justiça, pelo desejo de ver o triunfo de tudo o que é bom e verdadeiro? Ou será egoísmo e amor-próprio o que inspira tais comentários?

Infelizmente, a última hipótese é mais frequente. Se completássemos as acusações mencionadas, ouviríamos: "Lucas não me empurrou de propósito, mas, não estou pronto para perdoar essa leve falta de respeito involuntária." "Vianney me copiou, e como ele não é legal, resolvi puni-lo." "Joana pegou meu livro porque fui egoísta e não queria emprestar."

Portanto, podemos interromper o acusador dizendo "Eu não escuto dedo-duro." A criança entenderá que não é correto dizer tais coisas e, em seguida, não dará continuidade à acusação. No entanto, quando essas acusações seguem ocorrendo diariamente, é preciso parar e se dedicar a fazer com que a criança reflita sobre a moralidade dos seus atos.

Por exemplo, ao ouvir uma acusação, podemos responder: "Você acabou de me dizer que Cecilia trapaceou no jogo. Trapaceou mesmo? O que ela fez?” Ao fazer mais perguntas e se aprofundar um pouco mais, a mãe descobre que Cecília não tinha realmente trapaceado: "Só um pouco, mãe, porque ela soprou os dados para que desse um seis e seu cavalo pudesse avançar..."

"Mas isso não é trapaça, você sabe disso! Você está acusando a Cecilia de ter trapaceado quando ela não o fez. Disse coisas que não são verdadeiras, você sabe qual é o nome disso?”

"Mentira..."

"Você precisa perceber que mentiu. Será que fez isso porque a Cecilia estava ganhando o jogo?"

"Sim, mamãe..."

"Será que você estava com um pouco de ciúmes e procurou se vingar dela?"

"Um pouco..."

"Ora, esse é o tipo de mentira que chamamos de calúnia. Calúnia é dizer uma mentira sobre alguém a fim de causar-lhe algum dano; para puni-lo, por exemplo. Isso é pecado." E com ar de gravidade, a mãe conclui: "Nunca mais quero ouvir você dizer essas coisas novamente." Finalmente, em tom mais suave, acrescenta: "Que tal você correr e retomar o jogo com Cecilia, não se esqueça de estar de bom humor e de ser caridosa com sua irmã."

Aqui vai outra história:

Alice volta para casa toda agitada. "Mamãe, Maria não tem mais sua caneta rosa porque a Ana roubou dela. Todas as meninas têm certeza de que foi a Ana, porque ela ama canetas cor-de-rosa!” "Lá vamos nós de novo", suspira a mãe.  Agora uma história de roubo na escola... e se for verdade? Por prudência, ela se limita a dizer: "Eu não escuto dedo-duro." No entanto, procurará conversar com a professora. A freira conhece bem os alunos de sua turma e esclarecerá rapidamente a situação. "Maria certamente perdeu sua caneta em algum lugar, não será a primeira vez que perde os seus pertences. Quanto à Ana, é uma mocinha passando por um surto de crescimento, bastante desajeitada, e, portanto, não é muito querida pelas suas colegas de classe. Mas não é nenhuma ladra. Talvez a Alice precise de uma lição sobre o respeito devido à reputação dos outros”.

Naquela mesma noite, a mãe chama Alice: "Filha, ontem, você disse que Ana tinha roubado a caneta da Maria. Você a viu fazer isso?”

"Não mamãe, mas Ana gosta muito de canetas cor-de-rosa."

"Isso não é razão para acusá-la! Você também gosta de canetas cor-de-rosa, mas isso não significa que está pronta para roubá-las. Você acusou a Ana de ser uma ladra sem motivo. Você sabe como isso é chamado?”

"Não, mamãe".

"Julgamento temerário, que é algo que não se deve fazer. Todas as meninas da escola estão dizendo que a Ana é ladra. Você gostaria que todos estivessem te chamando de ladra, mesmo que não seja verdade?

"Eu não sou ladra!"

"Você não percebe? A Ana também não é. Você se comportou mal com ela. Amanhã, irá se entender com a Ana, dirá que ela não é ladra e, em seguida, vai brincar com ela no recreio”.

O oitavo mandamento nos proíbe revelar qualquer mal cometido por outro sem justa causa. No entanto, há quatro casos em que uma criança não só pode, mas deve dizer que testemunhou um pecado. Esses casos não são "inúteis" quando conhecidos, porque permitem que os adultos acabem rapidamente com o grave escândalo em questão. São eles: blasfêmia, crueldade, sabotagem e impureza.

Por exemplo, quando o Alan voltou para casa do internato, disse: "Mãe, estou um pouco enojado com o que o Luís fez. Ele descobriu uma maneira de levar seu celular para a escola e, em seguida, passou a visitar certos sites à noite com outros meninos do dormitório. Para dizer o mínimo, os sites eram muito vulgares..."

Algumas perguntas garantem à mãe a gravidade do que aconteceu. "Alan, você fez a coisa certa falando comigo porque isso é muito sério e é considerado um escândalo. Ou seja, algo que incita os outros a pecar também. Agora que falou comigo sobre isso e cumpriu seu dever, gostaria que esquecesse e não falasse mais da situação com os outros. E lembre-se, evite as más amizades como quem evita a peste." De agora em diante, a mãe de Alan tem o desagradável dever de ir à escola, sem que o filho esteja presente. Ela deve apresentar as informações recebidas ao diretor da escola, e deixá-lo lidar com o problema.

A língua é uma pequena parte do nosso corpo, mas pode acender um grande fogo! Na epístola de São João, lemos "Se um homem não peca na palavra, ele é perfeito." É essa perfeição que queremos e buscamos para nossos filhos.

 

(The Angelus, março de 2021)

Como educar as crianças para a honestidade

Irmãs da FSSPX

 

A honestidade é uma qualidade primordial, indispensável à criança; ao iluminar sua consciência, ela permite que a criança progrida; dá-lhe direito de ser tida como confiável por seus pais e por aqueles ao seu redor. Seu inimigo multifacetado é a desonestidade… Os pais têm a difícil missão de combater esse defeito.

As mentiras das crianças… Como ensinar às crianças a falar a verdade?!

“Eduquem-nas a amar o que é verdadeiro”, diz o Papa Pio XII. Sobre os joelhos de sua mãe, a criança deve respirar esse amor à verdade e compreender o respeito, a admiração e o afeto que um coração reto e sincero merece. Jesus louvou Natanael: “Um verdadeiro israelita, no qual não havia nada de falso” (Jo 14, 6). Também é necessário incutir na criança horror a todo e qualquer tipo de mentira que ofende a Deus, relatando-lhes as maldições dirigidas por Jesus aos hipócritas fariseus (Mt 23, 7), o terrível castigo no qual incorreram Ananias e Safira. Digamos a elas que os mentirosos perdem a confiança dos outros, que eles causam grandes danos e adquirem muitos vícios: “Mentiroso na juventude, ladrão na velhice” Que elas sintam que a desonestidade é uma enorme vergonha para nós, uma degradação. Esses bons princípios, ao serem frequentemente lembrados, vão dar-lhes armas contra as tentações.

“Sede vós respeitosos da verdade e atirai para fora da educação tudo aquilo que não é autêntico e verdadeiro” (Pio XII). Nossa força está no exemplo de uma lealdade zelosa! Ah, alguns parentes relativizam sua responsabilidade nesse ponto. Desculpas esfarrapadas, relatos inventados, promessas ou ameaças jamais cumpridas, histórias inacreditáveis… Os pequenos olhos fixos neles se tornam astutos e ladinos… Dissimulados e mentirosos! Sejamos sempre verdadeiros e retos, sem hesitações ou inconstâncias. A vida diária nos fornece milhares de ocasiões de mostrarmos aos nossos filhos a coragem da verdade, custe o que custar. O exemplo é que forma…

Não deixemos que uma mentira passe despercebida, por falta de tempo, sem intervir. Busquemos, primeiramente, sua causa. A criança malcriada usa esse conveniente “guarda-chuva” por medo, para escapar de admoestações e tormentas inevitáveis. Nesse caso, troquemos essas lições brutalmente impostas por uma disciplina baseada na confiança e apelemos à inteligência e à boa vontade da criança. É nesse contato de coração com coração, próxima a sua mãe, que a criança aprende as regras, interioriza-as e cria o hábito de se abrir, de comunicar suas impressões e de reparar em suas falhas. Também evitemos reprimir com muita frequência… Esses constrangimentos poderiam levá-las a, habitualmente, usar dissimulações e outras formas de destrezas.

A criança também mente por orgulho, amor próprio ou vaidade. Por não querer ser tido como culpado, ela esconde suas más ações ou tenta encontrar algo de valor nelas… através de uma mentira. Uma punição corre o risco de torná-la mais empedernida ainda no seu orgulho. É melhor levá-la a voltar-se para si mesma através de perguntas calmas e direcionadas; assim, obtendo uma confissão e retificando, nela, o que é falso e exagerado. Aproveitemos essas ocasiões para fortalecer nossos filhos em uma profunda humildade, um reconhecimento simples de nossas qualidades e nossas misérias. Uma maneira excelente de desenvolver essa honestidade é o exame de consciência feito em família à noite. A lealdade dos pequenos deixa uma impressão forte nos irmãos mais velhos. Sob sua orientação e guia, os jogos também são um exercício de lealdade.

A criança também mente por egoísmo, para satisfazer a suas paixões: preguiça, inveja, vingança, roubo… A criança precisa saber que ela será severamente punida, pois a falta mais grave aqui, muito mais que a preguiça, é o ato de mentir, o ato de enganar aqueles que amamos. Esse pecado pode se transformar num estado habitual se não for seriamente coibido e ele pode encobrir outros pecados! Se a mentira for deslavada, então que seja punida firmemente, sem pensar duas vezes, e mostremos como ela nos causou dor. No caso de dúvida, confrontemos a criança com a consciência dela e com Deus, a quem não podemos enganar. Incitemos a sua coragem, a coragem de aceitar as consequências de seus atos, as eventuais punições. Para evitar que repitamos nossos truques, para obter uma verdade difícil, não hesitemos em amenizar ou até eliminar um castigo se a criança confessar sua falta imediatamente. “Uma falta reconhecida já está perdoada”, diz o provérbio. George Washington, primeiro Presidente americano, na sua infância, cortou uma cerejeira; seu pai, terrivelmente irritado, buscou o culpado do dano. Washington, com simplicidade, respondeu, “Pai, não posso mentir, fui eu quem fiz”

“A sua honestidade”, respondeu o pai profundamente tocado, “vale mais que mil cerejeiras”. Ele, então, abraçou o filho e perdoou o castigo.

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