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CAMPANHA DE ROSÁRIOS PELAS ELEIÇÕES

 

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Pe. Leo Boyle, FSSPX (5)

O inferno existe? O que ele parece significar para alguns teólogos dos nossos dias?

Até recentemente, nenhum católico, por mais mal informado ou mal instruído que fosse, jamais tinha qualquer dúvida ou desorientação acerca da realidade do inferno e do castigo eterno caso tivesse a infelicidade de morrer em estado de pecado mortal sem arrependimento. O inferno existia. Era um lugar ou um estado de punição eterna habitado por aqueles rejeitados por Deus. É um ensinamento de fé que o inferno é uma realidade e que seus castigos duram por toda a eternidade; porém,  que os castigos dos réprobos são proporcionais à culpa individual de cada um é apenas uma opinião corrente entre os teólogos da Igreja; não é um artigo de fé.

Santo Agostinho ensina que “os castigos de alguns dos réprobos serão mais toleráveis que os de outros” (Enchiridion III)), um ponto de vista ilustrado poeticamente no Inferno de Dante, onde ele coloca não apenas Alexandre, o Grande, e Átila, o Huno, mas também o Papa Celestino V e o Papa Anastácio – o último equivocadamente, pois ele, muito provavelmente, estava se referindo ao Imperador de mesmo nome.

O inferno está povoado por almas condenadas – condenadas pelos seus próprios pecados e de acordo com a absoluta justiça e misericórdia de Deus. Sim, mesmo o inferno, com todos os seus tormentos, é um ato de misericórdia.

Aqueles que ensinam ou dão a entender um inferno que existe, mas está surpreendente e confortavelmente vazio, não têm apoio na Tradição da Igreja.

Essas ideias apareceram pela primeira vez nas obras de Orígenes e foram condenadas. Em nossos tempos, elas são encontradas nos escritos de Hans Urs von Balthasar e no teólogo convertido Sergei Bulgakov1, que o Papa João Paulo II confunde, aparentemente, com o romancista Mikhail Bulgakov no seu Cruzando o Limiar da Esperança; opiniões semelhantes são encontradas nos escritos do próprio Papa, como se ele duvidasse ou tivesse grandes reservas acerca das consequências da doutrina do inferno que, em outros lugares, ele defende (Catecismo da Igreja Católica, 1033, onde, infelizmente, o inferno foi colocado entre aspas). Confrontado com a doutrina clara da Igreja nessa matéria, ele diz, em seu novo livro, diante do mistério dos réprobos no inferno: “o silêncio da Igreja é, portanto, a única posição adequada à fé cristã”. A Igreja nunca foi silente; sua doutrina é clara como a de Cristo em pessoa. O inferno é eterno. As almas miseráveis vão para lá para experimentar o terror daquelas palavras terríveis de Cristo, “Afastai-vos de mim, miseráveis, para o fogo eterno” (Mt 25, 41), para experimentar o horror do verso de Dante: “Abandonai toda a esperança, Vós que entrais aqui” (Canto III, 9)

 

- Pe. Boyle, Janeiro de 1995.

  1. 1. [N. T] Sergey Bulgakov, padre da Igreja ortodoxa russa, jamais se converteu ao Catolicismo na verdade. Essa citação feita por João Paulo II é mais uma da série de suas bizarras citações de teólogos de outras religiões como se fossem mestres de vida espiritual. Em outra ocasião, o Papa se referiu ao teólogo ortodoxo bizantino Gregório Palamas e ao monge ortodoxo russo Serafim de Sarov como “santos”.

Todos os homens irão para o céu? Todos serão salvos?

Muito embora o sacrifício de Nosso Senhor, oferecido no Calvário e tornado presente em cada Missa válida, seja mais que suficiente para salvar a todos os homens sem exceção, não se segue daí que todos os homens serão salvos. É uma doutrina fundamental de São Paulo que a salvação só se adquire pela graça que Cristo mereceu, e São Pedro em pessoa testemunhou perante o Sinédrio que “não há salvação em nenhum outro” (At 4,12). -- É esse o significado do dito “fora da Igreja não há salvação”. Fora de Cristo não há nada, pois “os deuses dos pagãos são demônios” (Sl 95,5)

A ignorância, mesmo quando invencível, não é, em si mesma, garantia de salvação. Existe uma obrigação grave de se buscar a verdade, que incumbe a todos que não estejam na fé católica.

A graça de Cristo sempre é dada e não pode ser recusada, e Cristo estabeleceu apenas uma Igreja, na qual Deus é cultuado em espírito e em verdade.

A ambiguidade deliberada de textos recentes vem causando confusão às almas, levando-as ao erro. Não é certo dizer que todas as religiões são iguais ou que todas são boas. Não há mais respeito pela verdade de Cristo em muitos dos ensinamentos eclesiásticos dos nossos dias.

Em uma recente análise de “Cruzando o Limiar da Esperança”1, um jornalista inglês apontou que há exagero no que alguns dizem acerca da infalibilidade papal, pois nem tudo que o Santo Padre diz é infalivelmente verdadeiro, especialmente suas observações sobre outras religiões. Citarei Noel Malcolm:

“Ele [o Papa] dialoga com outras religiões – como se a espiritualidade fosse apenas um aspecto da experiência humana em si, algo que se pode encontrar entre hindus, confucianos e aborígenes que veneram seus ancestrais. Chega a sugerir que, por terem os rudimentos da experiência espiritual, essas pessoas estão conectadas com o Cristianismo e são elegíveis à salvação – uma alegação que, creio eu, oscila perigosamente na direção da heresia” (London Sunday Telegraph, 6 de novembro de 1994).

Se um jornalista que nem mesmo é católico consegue compreender isso, por que nosso papa e nossos bispos não conseguem mais enxergar a verdade que já professaram? Por que dedicam-se agora a reinterpretá-la de maneira totalmente revisionista?

- Pe. Boyle, Janeiro de 1995.

  1. 1. [N. do T.]Referência ao livro-entrevista do Papa João Paulo II

É aconselhável a um católico que se case com quem não tem a Fé?

O casamento, certamente uma das vocações mais difíceis e, ao mesmo tempo, uma das mais gratificantes, torna-se ainda mais difícil se diferenças não resolvidas existem antes da troca solene de votos.

No Fórum de Junho de 1929, uma mulher não católica escreveu um artigo intitulado “O que significa casar-se com um católico". “A regra mais sábia que a Igreja Católica Romana já estabeleceu”, diz ela, “foi a de proibir o casamento de um católico com um não católico. Se a Igreja pudesse garantir essa regra na prática, muitas tragédias teriam sido evitadas”.

Por que uma tragédia? Porque duas pessoas que têm, sincera e convictamente, visões religiosas opostas, especialmente no tocante ao conceito, natureza e intimidades da vida de casado, estão destinadas a viver em conflito perpétuo e em eterna oposição. Discordância sobre questões fundamentais não é uma base sólida para a união e a felicidade conjugal. Os problemas, em muitos casos, aumentam conforme os anos passam, e surgem divisões sem possibilidade de solução, pois não existem princípios básicos em comum.

Nenhuma situação requer uma visão tão claro quanto a dos casamentos mistos. A dispensa para se casar com um não católico é apenas uma tolerância, não uma solução, a esse casamento, que, inevitavelmente, trará tensões e conflitos sobre questões como a Fé, criação a educação católica dos filhos, controle de natalidade, divórcio etc. Mesmo em um casamento misto “ideal”, há uma espécie de tristeza oculta por parte do cônjuge católico, pois seu ou sua cônjuge está excluído(a) da participação essencial, verdadeira e frutífera na única coisa que importa e que une as pessoas, a santa Fé Católica, dada a nós por Cristo em pessoa.

 

- Pe. Boyle, Dezembro de 1993.

A Igreja deu condições para que uma guerra seja justa?

Existem princípios católicos imutáveis para que uma guerra seja justa. O procedimento é simples: aplicamos à guerra os fatores determinantes de um ato moral. Em todo ato moral deve haver três fatores: (a) o objeto, (b) a intenção, (c) as circunstâncias. Todos os três devem ser considerados moralmente bons; caso contrário, o ato é mau e deve ser proscrito. Em outras palavras, todos os determinantes da moralidade devem ser bons e presentes.

 

O objeto

O objeto deve ser bom, isto é, a guerra deve ter justa causa. As guerras podem ser de dois tipos: defensiva e ofensiva. Uma guerra defensiva tem justa causa se praticada para defender um direito essencial e fundamental que foi injustamente negado; uma guerra ofensiva é justa se for o único meio para preservar um direito essencial e fundamental injustamente negado, desde que todos os outros meios pacíficos e diplomáticos hajam sido exauridos.

Além disso, é indispensável que o bem defendido seja proporcional aos males que a guerra causará. Em hipótese alguma o católico pode aceitar o princípio “meu país, esteja ele certo ou errado”.

 

A intenção

A única intenção que pode justificar a guerra é a promoção do bem comum e o objetivo de evitar um mal maior. No nosso mundo, o bem comum abrange não apenas o bem daquela nação específica, mas o bem de todo o mundo, pois nenhuma nação vive isoladamente; a ordem da prosperidade das nações está diretamente conectada com o bem de cada uma delas.

 

As circunstâncias

A guerra deve ser boa não apenas na sua causa e intenção, mas também nas suas circunstâncias ou métodos. O Papa Pio XII declarou, em Março de 1937, aos Bispos mexicanos: “1) Os métodos usados para vindicar direitos são meios para se atingir um fim e, portanto, constituem um ‘fim relativo, não um fim absoluto em si mesmo. 2) Por serem meios para se buscar um fim, os métodos de vindicar direitos devem ser lícitos e não atos intrinsecamente maus’. Em outras palavras, o fim não justifica os meios. Roubar os ricos para ajudar os pobres não é um princípio moral católico. Nenhuma vantagem, por maior que seja, pode ser adquirida às custas da violação da lei moral. 3) Como os métodos para vindicar direitos devem ser proporcionais ao fim, eles devem ser usados apenas na medida que pareçam atingir aquele fim, no todo ou em parte, e de tal maneira que não tragam dano maior à comunidade que o dano que eles, supostamente, deveriam remediar.

Apenas quando essas três condições de uma causa ou moralmente boa, intenções corretas e métodos justificáveis estiverem presentes, pode-se dizer, afirmativamente, que uma guerra está justificada.

- Pe. Boyle, Julho de 1995.

A Igreja Católica se opõe à guerra?

Nos nossos tempos, em que um falso pacifismo parece dominar o pensamento de muitas pessoas influentes, vale relembrar qual o verdadeiro ensinamento da Igreja Católica acerca da guerra. Uma condenação absoluta da guerra é algo alheio à tradição católica. A vocação militar, de maneira alguma, é proscrita no Evangelho e sempre foi praticada pelos católicos. Afinal de contas, não houve vários mártires e santos homens de armas?

Os Padres da Igreja consideram a profissão militar e o seu exercício um estado honroso de vida. Toda a Teologia católica desde Santo Agostinho, passando por Santo Tomás de Aquino e até o Papa Pio XII, qualificam atos que geram desarmonia, desunião e ausência de concórdia entre os homens como sendo puramente negativos e, indo além, determina que nem sempre é pecado o combate.

A guerra, porém, é um mal, embora não necessariamente o maior dos males, e a Igreja a inclui, juntamente com a fome e a peste, entre os castigos dos quais os homens devem ser preservados, por exemplo, na Missa In Tempore Belli. Para uma guerra ser lícita, deve haver certas condições: que seja declarada pela autoridade competente, que seu propósito seja reparar a violação de um direito, que haja uma expectativa fundada de sucesso e que a guerra seja conduzida com moderação.

A questão da guerra total é mais delicada, dado o armamento sofisticado moderno e a destruição de vasta escala de que ele é capaz. Uma guerra defensiva contra um agressor é sempre lícita, e a moralidade de uma guerra, em geral, está sujeita a duas condições: que ela seja justa e que o recurso às armas seja necessário para repelir um agressor; e que ela seja moderada, pois não há direito de guerrear imoderadamente.

- Pe. Boyle, Julho de 1995.

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