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Irmãs da FSSPX (23)

Paciência na educação

Irmãs da FSSPX

 

“Paciência e tempo fazem mais do que a força e o ódio”, escreveu La Fontaine. Se há algum domínio onde esse ditado se verifica, é sem dúvida na educação das crianças. Do primeiro choro até o momento dela se tornar adulta, uns vinte e cinco anos se passarão. E assim como o tricô é feito linha a linha, a edução se faz dia a dia.

  

Paciência na instrução

É desnecessário querer tudo imediatamente. Só poderemos pedir da criança aquilo que é realmente capaz de fazer ou de aprender a fazer. Por exemplo, com uma criancinha, o momento presente ocupa toda a sua atenção; ela não sabe, ou talvez não sabe bem, colocar-se no futuro e prever as consequências a longo prazo dos seus atos, e por isso é tão imprudente. 

"João tem seis anos, voltou da escola sem o gorrinho ou sem as luvas e estava nevando. Claro que brincou de jogar bolas de neve durante o recreio com as mãos descobertas e, naturalmente, pegou um resfriado". É inútil repreendê-lo por sua imprevidência, pois essa cadeia de eventos ainda o ultrapassa completamente. É inútil, do mesmo modo, tentar motivar o seu irmão mais velho de doze anos falando na possibilidade de receber um diploma “cum laude” na faculdade. Nessa idade, tudo isso parece longe demais, enquanto que a partida de futebol com os amigos possui uma atração mais imediata.

Contudo, quando uma criança se torna capaz de cumprir uma tarefa, não ajuda em nada tratá-la como um bebe e não cobrar dela aquilo que pode dar. 

"Aos oitos anos de idade, Cecília nunca fez a própria cama, e jamais arrumou a mesa! Isso porque sua mãe não percebe que a menina está crescendo e não lhe ocorre pedir essas coisas a ela. Por sorte, uma breve estadia na casa da tia Joana arranjou as coisas, uma vez que ela pôde comparar-se com as primas. Na mesma oportunidade, sua mãe também percebeu que ela pode ser bem mais exigente com o Antônio, que já fez seis anos, no modo como ele se comporta na Missa. O seu primo, que tem a mesma idade, fica quietinho e já até começa a acompanhar a Missa com o seu livrinho de primeiras orações". 

 

Não espere resultados imediatos

A educação é um trabalho de longo prazo. Não se deve esperar que uma criança corrija suas falhas imediatamente. 

Já falei vinte vezes para você lavar as mãos antes de vir para a mesa!” protesta a mãe. Coragem! O hábito talvez só surja após a vigésima-primeira ou a quadragésima advertência. Devemos demonstrar para com as crianças a mesma paciência que Deus demonstra por nós adultos, que tantas vezes confessamos os mesmos pecados. Contudo, “ser paciente” não significa “desistir”. Continuemos a implorar pelo bem sem nos cansarmos com a lentidão do progresso, sem nos desencorajarmos com as falhas de hoje que preparam as vitórias de amanhã. 

"Por temperamento, o Sr. Dupont realmente não percebe a necessidade de colocar cada coisa no seu lugar. Quando tinha dez anos de idade, sua mãe regularmente encontrava o conteúdo da sua mochila largado no chão da sala, e suas meias sujas sob a cama; seu pai não se cansava de mandá-lo tirar a bicicleta da frente da garagem e pô-la em outro lugar. Graças a Deus — e para sorte do sr. Dupont — os seus pais perseveraram. Hoje, sem nenhuma obsessão, sabe organizar as suas coisas sem perturbar a harmonia da casa."

A educação é um trabalho de longo prazo, de modo que nem tudo está perdido se comete um erro — por exemplo, se cometemos algum exagero. O que é um incidente isolado comparado a vinte anos de afetos, cuidados, bons exemplos e boas influências? 

"Paulo está bem no meio da crise da adolescência; às vezes ele é tão irritante que o seu pai já chegou a perder a paciência e dizer a ele coisas que nunca deveria dizer. Sem dúvida é lamentável, e seu pai pode experimentar a sensação de ter posto tudo a perder. Mas não, nem tudo está perdido. Paulo sabe no fundo que seus pais o amam, e que foi ele que exasperou o seu pai com sua atitude”. O Espírito Santo dá, aos pais que sabem pedir-Lhe, o conselho das coisas que devem ser ditas.

A educação é um trabalho de longo prazo cujo resultado os pais nem sempre conhecem. Temos um indício do resultado no momento em que as crianças se firmam no mundo. No entanto, mesmo com a melhor educação do mundo, a criança permanece livre, sim, livre para escolher o mau e desprezar o bem. Vemos crianças nascidas em boas famílias que se “tornam más”, abandonam a prática religiosa ou vivem de modo imoral. Contudo, os pais não devem se desencorajar: o que foi semeado na infância virá algum dia à tona. Por isso é importante não mimar as crianças, não deixá-las fazer o que quiserem aos três ou quatro anos de idade: os primeiros anos preparam os anos futuros.

Por outro lado, que grande consolação para os pais verem seus filhos formando um lar sólido ou respondendo a uma vocação sacerdotal ou religiosa! Essas crianças que possuem suas vidas “bem-sucedidas” perante Deus formam a coroa de honra desses pais, no tempo e na eternidade.

Harmonia entre os pais

Irmãs da FSSPX

 

Como todas as noites, a mãe de Clara está supervisionando o dever de casa de sua menininha (que tem certa tendência à preguiça – especialmente quando se trata de se concentrar nos trabalhos da escola). Sua mãe, então, toma a decisão de ajudá-la a superar esse defeito, dizendo: “Agora que você entendeu, deve terminar seus exercícios de matemática sozinha, e não irá brincar lá fora até que esteja tudo pronto e bem feito”. Clara suspira, boceja, rascunha alguns números, suspira novamente... A mãe é firme: “Vamos; você consegue. Vou preparar a mamadeira do Pedro e, quando voltar, quero que o primeiro exercício esteja pronto”. Assim que a mãe deixa a sala, Clara se levanta e vai direto ao outro cômodo e, aninhando-se no colo do pai, diz: “Papai, o dever de matemática está muito difícil. Pode me ajudar?”. E ele, olhando os cachos dourados, o sorriso charmoso e o rostinho fofo da filha favorita, responde: “Vá buscar seu caderno e te ajudarei”. Ao retornar, a mãe descobre, descontente, que mais uma vez Clara não fez seus deveres sozinha. (Continue a ler)

Cantores hoje, católicos amanhã

Irmãs da FSSPX

 

 

Tantas mães católicas hoje choram por crianças que se perderam nesse pobre mundo! Quando o filho pródigo voltou para casa, foi porque pensou na incomparável alegria que sentia no local. Há uma maneira muito simples que os pais podem utilizar para desenvolver e fomentar essa alegria: através das canções. A Educação é, acima de tudo, um respiro, e as canções lançam o perfume do bom humor que tanto favorece a saúde física e moral, ajudando a despertar a inteligência, remover os perigos do vício e da corrupção e contribuindo com o crescimento da virtude. É uma inclinação tão natural aos seres humanos que dificilmente se recusam a participar. O que nossas crianças cantarão no futuro, quando seus corações estiverem cheios de entusiasmo, se ninguém se ocupar de sua formação através de boa música? Provavelmente terão prazer em ouvir as canções modernas – esses agentes facilitadores de depravação moral. Sim, a música tem poder sobre o coração dos homens – para o bem ou para o mal. Devemos acrescentar que as canções estimulam nossa capacidade de ouvir, o que pode vir a poupar os jovens de problemas na escola. Além disso, o estudo do ritmo influencia o cérebro, desenvolvendo a lógica e a razão.

Ensinando aos pequeninos a devoção à Maria

 

Irmãs da FSSPX

 

 

“Ah, mamãe! Te amo tanto que nem sei dizer!”. Que mãe não se sentiria tocada com essas palavras ditas por sua filha de quatro anos? São a forma que uma criança usa para expressar sua gratidão. É claro que a grandeza do sacrifício feito pelas mães e seu grande amor permanecem sempre parcialmente invisíveis. Porém uma criança, mesmo em seus primeiros anos, sente o amor que advém do coração de sua mãe. Ela vê – ou melhor, sabe – que a mãe estará sempre por perto. Se ela cai enquanto brinca, corre para a mamãe. Se tem pesadelos, chora chamando por ela. Se está com sede ou fome sabe, sem pestanejar, que a mãe resolverá.  

Sim, até mesmo pelos olhos de uma criança pequena, o coração de uma mãe é algo indispensável e sem limites. E, à sua maneira, ela tenta retribuir esse amor. Flores sem caules cuidadosa e amorosamente colhidas para a mamãe, enquanto pensa: “O papai faz isso por ela, então vou fazer também!”. Quando a mãe está doente ou cansada, o filho leva até ela um copo d’água e dá-lhe um beijinho: “Mamãe faz assim quando estou doente; vou fazer também!”.

Vocês sabem muito bem, queridas mães, que seus filhos têm uma outra mãe, a Mãe do próprio Deus. Seu maior desejo deve ser que eles aprendam a conhecer essa mãe tão maravilhosa que, mesmo não sendo visivelmente presente em seus lares, derrama sua afeição maternal em cada uma das crianças. Durante as separações inevitáveis que ocorrem entre mães e filhos, quão grande é nosso consolo em saber que essa Mãe cuidará de nossos rebentos!

Como praticar essa verdade e ensinar nossos filhos a conhecer e amar nossa Mãe Celeste? Será que são capazes de compreender mesmo sendo tão jovens? (Continue a ler)

Deveres dos pais para com os filhos

Irmãs da Fraternidade São Pio X

Estimada senhora, na carta anterior eu lhe dizia que há aproximadamente dois séculos o homem mudou a ordem desejada por Deus e, com isso, por sua desobediência, propagou erros e maus costumes em toda a sociedade, nas famílias e na educação dos filhos. Tentarei mostrar essa desordem para ajudá-la em sua vocação de educadora de seu filho – vocação que, sem dúvida, se tornou muito difícil em nossos dias. A senhora percebe que em todas as partes só se fala dos direitos da criança, a tal ponto que se poderia pensar que os pais não têm mais nada a dizer. A criança sabe disso e aproveita a situação para satisfazer seus caprichos e não obedecer mais, sob pena de se rebelar na época da adolescência. Mas será que o ensinaram verdadeiramente a obedecer? Desde pequeno? Em verdade, nesse momento da adolescência, alguns pais se encontram desprovidos de meios e não sabem mais o que fazer. (Continue a ler)

A criança católica e o espírito de sacrifício

Irmãs da Fraternidade São Pio X

 

Os caçadores da África costumavam empregar a astúcia para capturar os macacos: penduravam nos ramos umas bolsas pequenas de couro cheias de arroz, cuja abertura costuravam com um cordão, de modo que somente pudesse passar por ali a mão do macaco. Atraído pela comida, o animal colocava a mão na bolsa... e não podia tirá-la mais. Bastaria que deixasse o punhado de arroz... mas o macaco não quer fazer isso de jeito nenhum, e sua teimosia lhe custava a liberdade e a vida.

Queridas mães, já aconteceu comigo, e com certeza também aconteceu com as senhoras, de ver a reação daqueles macacos... nas nossas crianças. O desejo de doces e balas, da boneca recém-lançada ou do último modelo de carro, os atrativos ainda mais fortes à preguiça (não fazer nada ou deixar que a mãe faça tudo) ou da independência (“eu faço o que eu quero”) levam a gritos de raiva, iguais aos do macaco capturado pela mão na bolsa, se alguém desgraçadamente quiser contrariar os seus planos de conquista! (continue a ler)

Grandeza do catecismo

Irmãs da Fraternidade São Pio X

 

Francisco está estudando no quarto ano no colégio mais famoso da cidade. Ao voltar da aula, ele entrega à sua mãe, Andreia, o boletim com as notas do bimestre. “Que bom!”, pensa Andreia: “Francisco tirou notas excelentes em matemática e em português. Com a sua prática em idiomas, com certeza ele vai poder entrar nas melhores universidades do país!”.

E Andreia já imagina seu filho sendo um advogado de prestígio, um engenheiro com êxito ou um cientista eminente... Que mãe não tem grandes ambições para seus filhos?

Ao mesmo tempo, Gustavo - estudando no 5º. ano no Colégio São Pio X – também entrega a Silvina, sua mãe, as suas notas bimestrais. Silvina lê com atenção: Catecismo: 9; Comportamento geral exemplar: bom espírito, responsável e prestativo com os menores. Silvina sonha também com o futuro do seu filho: “O que será de Gustavo no futuro? Um bom pai com uma família numerosa? Talvez padre?” (Clique para continuar)

Como fazer com que as crianças amem a Santíssima Virgem?

Irmãs da Fraternidade Sacerdotal São Pio X

 

«Ó Mamãe, não posso dizer o quanto eu te amo!» Que mãe não se emocionaria ao ouvir essas palavras balbuciadas por sua filhinha de quatro anos? É assim que a criança mostra sua gratidão. É claro que a grandeza do sacrifício materno e do seu grande amor permanece parcialmente oculta. Mas a criança, mesmo pequenina, percebe o amor no coração de sua mamãe. Ele vê — antes, ele sabe — que sua mãe está sempre presente para ele. Se ele cai enquanto brinca: é para a mãe que corre. Se sua noite é interrompida por pesadelos: seu choro é pela mamãe. Se está com sede ou doente: não tem nem de pensar, ele sabe que sua mãe irá ajudá-lo.

Sim, mesmo aos olhos das criancinhas, o coração materno é necessário e sem limites. À sua maneira, procura retribuir demostrando o seu amor. Ela colhe flores com muito carinho para oferecê-las à mamãe! «Se o papai faz, eu também posso fazer isso pela mamãe». Se sua mãe está doente ou cansada, a criança se aproxima com um copo d'água, acompanhando seu gesto com um beijo. «Mamãe faz assim quando estou doente, também vou fazer»

Vocês sabem bem, queridas mães, que seu filho tem outra mãe, a do próprio Deus. O vosso grande desejo é que ele conheça esta Mãe por excelência que, sem estar visivelmente presente em casa, dá todo o seu carinho maternal a cada um dos seus filhos. Em face das inevitáveis ​​separações aqui embaixo entre mãe e filho, que consolo saber que esta mesma Mãe lhes assistirá!

Como pôr em prática essa verdade, como tornar a nossa Mãe Celeste conhecida e amada pelas crianças? Ainda tão pequenino, é ele capaz de entender?

 

fotos e buquês

Desde cedo, os ouvidos do pequeno ouvem o que mamãe e papai falam. O bebê reconhece rapidamente a voz de seus pais e não demora muito para reconhecer os rostos ao seu redor. Não falamos com ele antes mesmo que saiba balbuciar “mamãe”...”papai”? Esses nomes lhe são repetidos muitas vezes antes do dia em que os pronunciará. Por que não adicionar os Santos Nomes de “Jesus” e de “Maria” à lista das primeiras palavras? Aproveite para mostrar-lhe imagens dos membros da sua família celestial: ele logo os reconhecerá.

Em cada etapa do despertar de sua alma, há ocasiões para apresentar canções, belas histórias ou livrinhos que lhe falem da Virgem Maria. Além disso, se as estátuas ou imagens da Santíssima Virgem ocuparem lugar de honra na sala de estar, a criança naturalmente dirigirá seus pensamentos para a rainha da família. Cada palavra, cada ação que procede do amor do papai e da mamãe pela Santíssima Virgem não será ignorada. Ao contrário, a criança batizada considera tudo isso normal e o imita.

São inúmeras as ocasiões para mover o coração dos pequeninos: mamãe coloca o buquê que papai ou que a criança lhe deu diante da imagem da Virgem; Papai vai rezar em frente da estátua de Maria depois da missa dominical; toda a família vai à procissão de 15 de agosto ou às cerimônias em honra da Virgem Peregrina.

E o terço... Com que idade pode ser introduzido? Como fazê-lo? É pedir demais para as crianças? Pensemos nisso.

 

O terço dos pequeninos

O terço consiste nas orações fundamentais que todo católico deve saber de cor. Que melhor maneira para uma criança aprender essas orações do que as repetir enquanto reza o Rosário?

A criança nunca é jovem demais para começar a fazer suas orações da manhã e da noite e para se habituar a voltar seus pensamentos para Deus muitas vezes ao longo do dia. O terço rezado em família só pode ajudá-la a fazê-lo.

Assim que percebermos que a criança é capaz de aprender a Ave Maria, podemos deixá-la rezar a primeira parte de uma dezena. Claro, é preciso ter muita paciência no início, para ela dizer cada palavra com mamãe ou papai. Em um clima de encorajamento, a criança aprenderá mais rapidamente e com mais vontade.

O terço! Que lição eficaz para o pequeno ter um livro no qual acompanha a vida de Jesus e de Maria ao ritmo dos mistérios do rosário! Depois da oração, que alegria para os pequeninos se revezarem apagando a vela acesa diante da imagem da Virgem, enquanto os mais velhos levam a sério o privilégio de acendê-la antes da oração em família!

Convenhamos, o terço em família exige muito esforço no início. É preciso escolher um horário conveniente, em que todos possam participar (sem escolher um horário em que todos estejam exaustos!). Deus dá a graça de ser fiel ao terço e, pouco a pouco, ele se torna um hábito. Vinte minutos por dia, é tanto tempo assim para passar com quem realmente amamos?

Nossa Senhora, ela mesma, pediu aos três pastorzinhos de Fátima que rezassem o Rosário, e os três videntes, ainda muito jovens, já tinham o hábito de o fazer.

Por fim, admiremos a educação religiosa dada pela Sra. Vianney aos seus filhos. Ainda pequeno, o santo Cura escutava sua mamãe lhe falar sobre o Céu, sobre a Santíssima Virgem antes de dar-lhe a boa noite. Tão logo o pequeno Jean-Marie foi capaz de fazê-lo – tinha três anos – aprendeu a rezar a Ave Maria, a oração, dizia ele, que jamais cansa a Deus. Anos mais tarde diria: “A Santa Virgem é a minha afeição mais antiga; eu a amei antes mesmo de conhecê-la... Depois de Deus, foi obra da minha mãe, quanta sabedoria ela tinha!”

 

Fideliter n° 191 – setembro-outubro, 2009

Aprendendo a dizer obrigado

Irmãs da Fraternidade Sacerdotal São Pio X

 

Jeremias desembrulha o presente de aniversário, olha para a história em quadrinhos que ganhou: "Ah! Essa já tenho..." Larga o pacote ao lado, enquanto seus pais, levemente ofendidos, não ousam dizer nada: "Ele ao menos poderia ter dito obrigado..."

É Natal, mas o Sr.e a Sra. Durand estão sozinhos: as crianças cresceram, foram embora. O dia passa sem que nenhuma delas pense em ligar, ainda que para desejar um rápido feliz Natal. "Pelo menos poderiam ter pensado na sua mãe", resmunga o Sr. Durand.

Esses dois exemplos (imaginários?) mostram que a gratidão mais elementar não é mais natural para nós desde o pecado original. Três obstáculos se juntam para isso.

O primeiro é o orgulho. Se devemos ser gratos, é por um serviço recebido, e recebido muitas vezes porque não conseguimos prestá-lo a nós mesmos: há uma inferioridade que estamos relutantes em reconhecer. Aqui somos constituídos devedores, dependentes dos outros, e nossa autoestima dá um passo atrás. Essa é a razão pela qual algumas crianças sentem embaraço e teimosamente se recusam a pronunciar educadamente o 'muito obrigado' que a mãe pede. O que fazer? Armar-se de paciência e coragem para não ceder: mamãe não vai soltar o prato da Paulinha que acabou de servir até ouvir o devido agradecimento.

O segundo obstáculo é o egoísmo. A criança mimada não sabe ser grata: Como saberia, já que é o centro do mundo e tudo lhe é devido? A oração será aqui de grande ajuda para ensinar a criança a reconhecer todos os benefícios gratuitos de que é cumulada: "Obrigado Deus, porque o Senhor me deu um pai e uma mãe, uma casa e a verdadeira missa no domingo". Em nosso rosário, constummos acrescentar um pedido a cada dezena, e isso é excelente; Mas, às vezes, não esquecemos a oração de Ação de Graças?

O terceiro obstáculo, finalmente, é a preguiça. Pedro recebeu de seu padrinho um carrinho com controle remoto, com que adora brincar. "Ele é legal, seu padrinho, não é?" -- "Sim, muito legal!" -- "Você vai escrever uma carta para ele agradecendo?" Diante dessa perspectiva, o entusiasmo da criança desaparece... Como Pedro ainda é pequeno, mamãe não vai exigir uma carta formal, com uma escrita rebuscada que repugne o dever de gratidão. Um belo desenho do fundo do coração será suficiente. Mas, quando Pedro crescer, terá de aprender a exprimir o seu reconhecimento nas formas exigidas pela boa educação: uma mensagem de agradecimento rabiscada em um guardanapo não sai do fundo do coração.

Ao educar os filhos para a gratidão, as mães às vezes encontram uma dificuldade: dão o melhor de si em sua tarefa de mães, mas sentem que, afinal, apenas cumprem o seu dever, e não pensam em exigir reconhecimento por aquilo que de bom grado fazem. De certa forma, estão absolutamente corretas: não se pode exigir reconhecimento tão estritamente quanto se exige obediência. No entanto, a gratidão é um dever estrito das crianças.

Os exemplos que vamos dar mostrarão, de modo geral, várias formas pelas quais um coração grato e engenhoso pode expressar o seu reconhecimento:

Na família Dupond, o pai era o cabeça dos pequenos conspiradores que preparavam como supresa para a mamãe um dia de "férias": nada de cozinha, nada de louça, nada de faxina no Dia das Mães, para agradecer por tudo que ela fez nos outros 364 dias do ano.

Para o aniversário do pai, a mãe discretamente inspirou algumas idéias para as crianças: Domitila fará o bolo favorito do pai, Teresa recitará o poema que escreveu; já os meninos vão lavar bem o carro: papai trabalha tanto para pagar boas escolas ...

Clarinha acaba de saber que sua madrinha, que tantas vezes a mima, está esperando seu primeiro filho: com a mãe, está aprendendo a tricotar para fazer um par de botinhas para o bebê.

Dom prior comemora os 25 anos de sacerdócio. Toda a família quer se juntar à surpresa: os meninos serviram a missa de ação de graças da manhã impecavelmente; as meninas fizeram com a mamãe uma barraquinha para a feira da tarde e papai estava no comitê organizador do presente.

Bento é convidado a passar o fim de semana com o amigo; para agradecer a mãe do amigo, leva um cesto de cerejas do jardim, foi ele mesmo quem as colheu.

Para o aniversário de dona Regina, a professora, as mães chegaram a um acordo e as crianças ofereceram uma grande caixa de biscoitos que elas mesmas prepararam.

As bodas de ouro de vovô e vovó foram preparadas há meses! Todos os netos encenaram uma peça, os mais velhos cuidaram dos cenários e dos figurinos, além de acompanharem do ensaio dos menores.

Uma família que sabe agradecer é uma família cheia de amor e felicidade. Obrigada, meu Deus, por todas essas boas famílias unidas, porque a gratidão aquece os corações.

(Fideliter, no. 200, março-abril de 2011)

Mamãe, conta uma historinha?

Irmãs da Fraternidade Sacerdotal São Pio X

 

“Era uma vez um anjo muito bonito que se chamava Rafael...” Pedro está sentado no chão, aos pés da sua mãe. Domitila se espreme no sofá enquanto Ágata, ajoelhada, chupa o polegar. Os três prestam atenção na sua “alegria da noite”: mamãe contando uma história...

Desde o Gilgamesh, a mais antiga epopeia da humanidade, escrita 1.800 anos antes de Cristo, passando pela Ilíada e a Odisseia, que Homero recitava de casa em casa, e pelas Canções de Gesta, que os trovadores narravam a nossos antepassados, até os contos que nossas vovós contavam perto do fogo, os homens de todas as idades e de todos os tempos sempre gostaram de ouvir histórias.

É muito natural. Por meio de nobres epopeias ou de simples contos, as histórias, sejam ingênuas, fantasiosas, engraçadas ou trágicas, transmitem, num clima de poesia, uma cultura, uma civilização, uma concepção do homem e do mundo. Ao tocar os sentidos e a imaginação, elas nos fazem refletir sobre o bem e o mal, a vida e a morte, os trabalhos e as conquistas, nossa condição humana e o sentido do nosso destino.

Aí está a importância das histórias para a formação de nossos filhos. Mas, não se contentem, queridos pais, em deixar os seus filhos lerem sozinhos. Contatas por vocês, as histórias adquirem uma força de persuasão e uma autoridade muito maior; elas se revestem da sua própria experiência de vida, ao passo que o tom da sua voz, seus gestos e mímicas capturam a atenção e dão vida às histórias.

 

Ao redor da lareira

Havia um momento privilegiado para contar histórias, como bem sabiam os nossos antepassados: era quando, terminado o trabalho do dia, toda a família se reunia em volta da lareira. Era um costume excelente contar cada dia uma história, ou um capítulo de uma narrativa maior, a ser continuada no dia seguinte. Esse momento tão esperado, de abraços e de felicidade, é um bom incentivo para as crianças que demoram para se preparar para dormir. “Quando todo mundo estiver pronto, com os dentes escovados, vou contar uma história”, anuncia a mãe: eis uma frase mágica para apressar quem está molengando!

No entanto, é preciso atentar para que a história contada à noite não seja excitante demais, a menos que se torne calma no final: é difícil pôr para dormir um pequeno “Ivan, o cavaleiro do leão” de pijamas, reproduzindo com as pantufas, ao lado do irmão, a cena do torneio. Com crianças de temperamento muito sensível devemos evitar histórias “que dão medo”, com canibais, lobos etc, que podem causar pesadelos. Para essas histórias, devemos preferir contá-las durante o dia, durante o sono da tarde dos irmãozinhos, por exemplo; os maiores não ficarão assustados e estarão prontos para ir brincar em seguida, enquanto a grande luz do dia dissipa o terror.

Que história escolher? Uma história bela e apaixonante, claro! Pode ser uma história real, como a vida dos santos e dos heróis (ou episódios delas); esses modelos a serem imitados entusiasmam particularmente os maiores. A história também pode ser inventada; basta ouvir a fórmula maravilhosa, “era uma vez...”, que ninguém mais se impressiona com animais que falam ou abóboras que viram carruagens. No entanto, as crianças gostam mais das histórias reais, e os maiores costumam perguntar: “Isso aconteceu de verdade?”  Se for o caso, eles saborearão o enredo de modo muito profundo e se sentirão tocados. Se a resposta for negativa, se a história for inventada, ficarão certamente contentes com esses momentos tão agradáveis, mas não darão tanta atenção ao seu conteúdo. Essa reação infantil tão marcante nos recorda, em pequena escala, que todo ser humano é feito para a verdade, para o belo e para o bem soberano que é Nosso Senhor Jesus Cristo.

A história deve ser moral, ou seja, o pecado jamais deve ser apresentado de modo atraente (salvo brevemente, para explicar uma tentação; mas então seguirá o relato da luta vitoriosa ou das consequências nefastas da derrota); o bem nunca será alvo de zombaria. Os vencedores não serão “espertalhões” e sim homens virtuosos. Contudo, uma história “moral” não é necessariamente uma história “moralizante”, no sentido pejorativo do termo, designando uma história desagradável, cujos personagens são dotados de uma psicologia simplória, e terminando em alguma conclusão moral forçada. As editoras da Tradição publicam bons livros para as crianças. Pode-se também encontrar alguns clássicos a preços módicos nos livreiros. Fora disso, é preciso conhecer a história antes de contá-la aos pequenos.

A história deve ser adaptada à idade e à capacidade de compreensão dos ouvintes. Os pequeninos, que ainda não sabe ler, tem ainda mais necessidade do que os outros de que as histórias lhes sejam contadas. Não se espantem se pedirem para ouvir de novo e de novo a mesma história que tanto amam, e que já conhecem quase de cor. É normal nessa idade: as crianças se sentem reconfortadas ao pisar em terreno conhecido, e amam reviver os mesmos sentimentos que experimentaram da primeira vez.

No entanto, os mais crescidos preferirão ouvir histórias diferentes a cada vez, e sua capacidade de atenção lhes permitirá acompanhar histórias “a serem continuadas” a cada noite. Pode acontecer dos filhos adolescentes acharem que ouvir histórias é "coisa para bebês", que não é próprio para a sua idade. Nesse caso, há muitas possibilidades, conforme a personalidade de cada um: podemos deixa-los à vontade para não prestarem atenção às histórias contadas para os mais novos e se dedicarem às suas leituras; ou contar duas histórias: uma para os pequenos no início da noite, e outra adaptada para os mais velhos mais tarde, depois dos irmãos terem dormido; finalmente, podemos estimular um adolescente a participar da história, lendo ou interpretando um dos papéis.

 

Simplesmente ousar

Pode ser que você ainda hesite em começar a ler para os filhos: “Não sou bom de histórias, me atrapalho quando leio”. Não tenha medo: as crianças são um bom público e ficam muito contentes quando um adulto decide se ocupar delas. Comece com uma história de que gosta e conhece bem, a que preferia quando era criança, por exemplo. Isso permitirá que não tenha de ficar com os olhos presos ao texto, e poderá se soltar do relato e tornar a história mais viva pelo seu tom de voz, gestos, olhando sempre para os pequenos ouvintes. É preciso esquecer de si mesmo nesses momentos, não prestar atenção na própria voz, nem hesitar em se fazer pequeno com os pequenos. O olhar radiante das crianças servirá de encorajamento e, rapidamente, lhe dará confiança.

E se você ainda não estiver convencido, considere simplesmente o exemplo de Nosso Senhor contando uma parábola: que contador deveria ser! Como gostaríamos de fazer parte daquele auditório, saboreando cada palavra! Ele soube nos fazer compreender as verdades mais elevadas por meio de histórias bem simples, e suas belas parábolas, como a ovelha desgarrada, o filho pródigo, a pedra preciosa ou a dos talentos, continuarão a encantar os homens até o fim do mundo.

(Fideliter no. 255. Tradução: Permanência)

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