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Índice de autores

13. Notas e comentários sobre a doutrina exposta no capítulo anterior

Dissemos que as formas de governo democráticas ou populares, puras ou mistas, não são liberais por si, ex se, e cremos tê-lo provado suficientemente. Entretanto, o que é verdade especulativamente ou abstratamente falando, não o é tanto na prática, isto é, na ordem dos fatos, à qual o polemista católico deve estar sempre atento.

Com efeito, apesar de que, consideradas em si mesmas, essas formas de governo não são liberais, elas o são em nosso século, tendo em vista que a revolução moderna, que não é senão o próprio liberalismo em ação, no-las apresenta sempre baseadas em suas doutrinas errôneas. Assim o vulgo, que entende pouco de distinções, classifica como liberalismo tudo o que em nossos dias se apresenta como reforma democrática no governo das nações; porque se não o é na essência mesma das idéias, ela o é de fato. Eis por que nossos pais mostraram um grande tino e uma singular prudência quando rechaçavam, como contrária à sua fé, a forma de governo constitucional ou representativa, preferindo-lhe a monarquia pura, que nos últimos séculos era o governo de Espanha. Um certo instinto natural fazia compreender mesmo aos menos avisados que as novas formas políticas, por mais inofensivas que fossem em si mesmas, tal como formas, vinham impregnadas do princípio herético liberal, razão pela qual faziam muito bem em chamá-las de liberais. Semelhantemente, a monarquia pura, que em si podia ser muito ímpia e mesmo herética, aparecia-lhes como uma forma de governo essencialmente católica, pois desde muitos séculos os povos a conheceram imbuída do espírito do catolicismo.

Ideologicamente falando, portanto, nossos monarquistas erravam quando identificavam a religião com o antigo regime político, e reputavam ímpios os constitucionalistas; mas acertavam, praticamente falando, porque, com o claro instinto da fé, eles viam a idéia liberal oculta sob aquilo que lhes queriam apresentar como uma mera forma política indiferente.

Isto sem contar tudo o que os corifeus e sectários do partido liberal fizeram, com blasfêmias e atentados, para que o povo não conhecesse qual era no fundo o verdadeiro significado de sua odiosa bandeira.

Também não é rigorosamente exato que as formas políticas sejam indiferentes à religião, ainda que esta as aceite todas. A filosofia sensata as estuda, as analisa, e sem condenar nenhuma, não deixa de manifestar sua preferência por aquelas que mais a salvo deixam o princípio de autoridade, que se baseia principalmente na unidade; o que nos permite dizer que a monarquia é a forma de governo mais perfeita de todas, porque, mais que as outras, ela se assemelha ao governo de Deus e da Igreja; assim como a mais imperfeita é a república, pela razão inversa. A monarquia exige a virtude de um homem só, a república exige a virtude da maioria dos cidadãos. É, pois, logicamente falando, mais difícil de realizar o ideal republicano que o ideal monárquico. Este último é mais humano que o primeiro, porque exige menos perfeição humana, e se acomoda melhor à ignorância e a aos vícios da maioria.

Mas de todas as razões que deve considerar o católico de nosso século contra os governos de forma popular, a mais forte deve ser o afã constante com que a maçonaria tem procurado em toda parte implantá-los. Por uma intuição maravilhosa, o inferno descobriu que esses sistemas de governo eram os melhores condutores de sua eletricidade, e que nenhum outro poderia servir-lhe mais a seu gosto. É pois indubitável que um católico deve considerar suspeito tudo o que, sob esse conceito, a Revolução lhe recomenda como mais apropriado a seus fins, e, portanto, considerar como liberalismo verdadeiro tudo o que a Revolução exalta e difunde com o nome de liberalismo, ainda que seja apenas questão de formas; porque, neste caso, as formas não são outra coisa senão o invólucro com o qual querem fazer-nos admitir em casa o contrabando de Satanás.

Nada será como antes (II)

2. Os efeitos reais do COVID-19

Para não evocar as consequências econômicas que se revelarão no futuro, basta-nos observar as repercussões imediatas das medidas:

- Redução drástica das liberdades: de circulação, de atividade profissional, de cuidados, de educação, encontros públicos e privados, de culto...

- Efeitos sobre as pessoas: efeitos psicológicos observados em consequência do isolamento, do confinamento, do distanciamento: conflitos familiares, dúvidas mórbidas, temor, medo, paralisia e atrofia da personalidade... tanto em adultos como em crianças.

- Efeitos na vida social: divisão entre as pessoas até as raias da denúncia. Um clima de suspeita: o próximo se torna um inimigo temível; cada um se torna um perigo vivo para todos, quer estejamos com boa saúde (incluindo portadores assintomáticos) ou doentes infectados... "Toda pessoa saudável é um doente que se ignora "(Knock, ou o triunfo de medicina, por Jules Romains).

Hoje em dia, a sociedade está dividida em três classes:

- Por um lado, os defensores indiscriminados de máscaras, luvas, viseiras, pulseiras de som, medidas sanitárias de distanciamento, gaiolas de plexiglass, aplicativos de rastreamento, vacina para todos;

- Por outro lado, os oponentes dessas práticas sistemáticas que, sem negar o COVID-19, estão inquietos, questionam-se a títulos diversos sobre as consequências sanitárias, sociais, políticas, religiosas e ideológicas das medidas tomadas, inclusive a nível mundial;

- Finalmente os intocáveis ​​a quem os governantes se abstêm de controlar e sancionar: as chamadas áreas "sem lei", manifestações e encontros "festivos".

 

3. Fatos e declarações recentes

3.1. "Evento 201", simulação ou antecipação?

Anualmente, desde 2016, são convidadas algumas personalidades internacionais, especialistas de saúde e economia, para considerar e estudar as consequências econômicas e os aspectos sociais de uma situação de pandemia. O exercício, organizado pelo Johns Hopkins Center for Health Security, e realizado em 18 de outubro de 2019 em Nova York, em parceria com o WEF (Davos) e a Fundação Gates, girou em torno de um vírus fictício então denominado nCoV-2019.

Depois que a China relatou a existência de um novo vírus, em 07.01.2020, o lançamento de uma iniciativa para o desenvolvimento de vacina foi anunciado no WEF em 24-25.01.2020 pela CEPI (Coalition for Epidemic Preparedness Innovations). Criada em Davos, em 2017, e com o apoio da Fundação Gates, o CEPI vem trabalhando em um programa de vacinação junto com laboratórios que dominam quase 85% do mercado de vacinação.

Em 30.01.2020, o Diretor-Geral da OMS alertou sobre um "Emergência de saúde pública de interesse internacional" e anunciou a pandemia global em 11.03.2020. Claro, esta sequência de fatos está na origem do "infox", que o Le Monde, financiado por Gates, foi rápido em negar(21) 1.

 

3.2. Poder de fogo da mídia

Podemos questionar a independência da mídia francesa quando se sabe que 90% dela está nas mãos de nove bilionários2. Por meses, e o tempo todo, canais de televisão, rádios, jornais e internet transmitem as mesmas informações sem cessar, idênticas de um país a outro". Em toda parte, se ouve as mesmas palavras-chave (aglomeração, distanciamento, medidas sanitárias, quarentena, assintomático...), expressões de uma espécie de "pensamento único ". As imagens difundidas: caixões, ambulâncias, sirenes e necrotérios improvisados. Existe a intenção de produzir medo e trauma? Por quê?

 

3.3. Rastreamento de população

Alguns países adotaram o rastreamento compulsório. Na França, a Assembléia Nacional e o Senado votaram em 27.05.2020 a favor de implantação do aplicativo STOP-COVID, que não obteve o entusiasmo da população.

 

3.4. Finanças e COVID

Acontece que o jornal Le Monde recebeu da Fundação Gates um subvenção de US$ 4 milhões parcelados em cinco anos: US$ 299 mil em 2014, $438 mil 2015, $517k em 2016, $681k em 2017 e $2.127k em 20193. Estas somas fazem parte de um programa chamado Global Policy & Advocacy (política global e aconselhamento) com o objetivo oficial de “Informar e mobilizar as comunidades” (Inform and Engage Communities).

O periódico Tanzania Perspective4 de 14.05.2020 relata as palavras do Presidente de Madagascar, segundo o qual "a OMS ofereceu um suborno de US$ 20 milhões para envenenar o remédio para o COVID-19 à base de plantas chamado COVID-19 Organics, feito a partir de Artemisia, que pode curar pacientes atingidos pelo COVID-19 em dez dias”. A mídia francesa tem, recentemente, amplamente discutido estudos que concluem pela ineficácia do tratamento.

O Daily Post da Nigéria5 afirma que Bill Gates propôs ao Governo nigeriano $ 10 milhões para aprovar uma lei, fora do circuito parlamentar usual, exigindo vacinas. Gates também se tornou o maior financiador da OMS tendo adicionado $ 150 milhões em abril de 2020.

Em última análise, o tratamento da vacina COVID-19 representaria uma mina de ouro de vários bilhões de dólares.

 

3.5. Coordenação ou burocracia planetária?

Para ajudar os mais desfavorecidos, Bill Gates evoca a necessidade de uma preocupação global comum:

Nas últimas semanas, falei com dezenas de especialistas em COVID-19... o vírus SARS- CoV-2 ignora totalmente as fronteiras ... Os governos têm se concentrado em sua própria resposta nacional... O que é compreensível. Mas em face a um vírus tão contagioso e largamente disseminado, os líderes também devem entender que, enquanto o SARS-CoV-2 estiver presente em alguma parte, ele diz respeito a todos nós. (Le Monde, 15/04/2020)

Em um relatório de março de 2020, a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico)6 estima que:

Ações políticas coordenadas em todas as grandes economias são necessárias para garantir o fornecimento de cuidados de saúde eficazes no mundo e fornecer o estímulo mais eficaz para a economia global. [Neste caso,] reformas estruturais [assim como] o apoio adicional à política orçamental e monetária [devem ser considerados].

Em uma declaração ao The Guardian7 , Gordon Brown estima que um "governo global temporário (seria) uma resposta global coordenada, (porque) este assunto não pode ser resolvido ao nível de um único país".

"Construir uma saúde juntos torna-se um imperativo moral, ético e democrático”, concluiu em julho Jean-François Alesandrini, ex-diretor de relações públicas da DNDi8.

 

3.6. The Great Reset

A recente publicação do livro de Klaus Schwab e Thierry Malleret, O grande reset9, e o anúncio10do 51º Fórum de Davos, aberto a todos, ao contrário da prática dos 50 anteriores, nos deixam de orelhas em pé!

Em janeiro de 2021, o WEF deve organizar um diálogo virtual entre os líderes do mundo político, econômico e financeiro reunidos em Davos e milhares de jovens de mais de 400 cidades do planeta. O objetivo é se preparar para os próximos 50 anos após a "tragédia humana"11 por que passa a nossa época.

Entre outras intervenções, Klaus Schwab destaca:

Esta pandemia global há igualmente demonstrado mais uma vez a que ponto nós estamos interconectados. É nosso dever restabelecer um sistema funcional de cooperação global inteligente, estruturado para enfrentar os desafios dos próximos 50 anos. A Grande Reinicialização (Great Reset) exigirá que nós integremos todos os atores da sociedade global em uma comunidade de interesse, de objetivo e de ação comum...

 

4. Antigos fatos e palavras

Podemos impedir que alguém relacione os fatos atuais com o passado conhecido? A situação presente certamente promove esse despertar da memória...

 

4.1. Malthusianismo e COVID-19

Podemos associar o perigo mortal do COVID-19 à corrente Ideológica malthusiana, ainda que apenas por causa de iniciativas realizadas a nível global, como declarações de personalidades de primeiro plano nos campos político, financeiro e científico; além das somas colossais, de fonte pública ou privada, dedicadas a conter o crescimento populacional:

 

• 1968: Em um livro que teve um impacto explosivo, The Population Bomb, publicado em 1968, Paul Ehrlich, professor de Stanford, então conselheiro científico de Obama, escreveu:

O câncer é uma multiplicação descontrolada de células; a explosão demográfica é uma multiplicação descontrolada de pessoas... Devemos passar do tratamento dos sintomas para o tratamento do próprio câncer. Isso exigirá a tomada de decisões que podem parecer brutais e desprovidas de sentimentos.

• 1980: Em março de 1980, na Geórgia, nos EUA, seis blocos de granito "surgiram" do solo, cada um com quase seis metros de altura para um peso total de 138 toneladas. Neles, se pode ler, escritos em oito idiomas, os dez mandamentos para um planeta harmonioso... Estas são as famosas Georgia Guidestones (Pedras-guia da Geórgia) construídas à pedido de um misterioso Christian Rosenkreutz12. À frente destes prescrições: "Manter a humanidade abaixo de 500.000.000 indivíduos em equilíbrio perpétuo com a natureza. "

• 1991: Quanto ao famoso oceanógrafo Jacques-Yves Cousteau, ele disse em entrevista ao Courrier de l´UNESCO:

É terrível dizer. A população mundial precisa se estabilizar e para isso, seria necessário eliminar 350 mil homens por dia. É assim horrível dizer que nem deveria ser dito. Mas é o conjunto da situação na qual nos encontramos que é lamentável13.

• 2006: O Prof. Eric Pianka, sumidade científica no mundo da biologia, desencadeou um escândalo em uma conferência no Texas Academy of Science em 27/03/2006; ele afirmou que as doenças são a maneira mais eficiente e rápida para resolver o mais rápido possível, a crise de superpopulação. Sendo a AIDS muito lenta, apresenta o vírus Ebola, que, disseminado por via aérea é a forma mais segura de eliminar 90% da população mundial, porque é ao mesmo tempo extremamente mortal e mata em poucos dias.

• 2007: O produtor e diretor de Hollywood, Aaron Russo14 relatou, durante a entrevista que deu seis meses antes de sua morte súbita, as conversas que teve com seu amigo Nicolas Rockefeller:

Com Nick, discutimos muitas coisas. Entre os assuntos conversados, um se referia à redução da população global. Ele achava que havia gente demais na Terra. Em certo sentido, eu estava de acordo com ele, mas não me sentia com autoridade para dizer quem deveria morrer e quem deveria sobreviver. Ele me disse que eles planejavam reduzir a população mundial pela metade (…).Disse-me que eles estudavam as formas de chegar a isso.

• 2009: A Dra. Nina Fedoroff, bióloga, consultora de ciências e tecnologias tanto de  George W. Bush como de Barack Obama, insistiu durante uma entrevista de rádio:

Precisamos continuar a diminuir a taxa de crescimento da população mundial; o planeta não pode hospedar muito mais pessoas. (BBC, 31.03.2009)

• O site do Sunday Times (Times online), publicou em 24.05.2009 uma matéria com o título: Um clube de bilionários procura restringir a superpopulação. Nela se lia:

Alguns dos bilionários mais influentes da América, reuniram-se secretamente para examinar se suas riquezas poderiam ser usadas para desacelerar o crescimento da população mundial e acelerar melhorias na saúde e na educação. Estes filantropos, reunidos por iniciativa de Bill Gates, cofundador da Microsoft, decidiram unir forças para superar os obstáculos de ordem política e religiosa às mudanças. Entre eles: o patriarca da dinastia americana mais rica, David Rockefeller Jr., os financistas Warren Buffett e Georges Soros, o Prefeito de Nova York, Michael Bloomberg e chefes de mídia Ted Turner e Oprah Winfrey.

• O peso da taxa de natalidade ameaça o clima, manchete de primeira página do jornal Le Monde de 19.11.2009; especificado no subtítulo: A ONU evoca uma cifra ecologicamente viável da população mundial. E nas páginas internas:

Limitar os nascimentos, um remédio para o perigo climático. A Organização das Nações Unidas pede que a questão demográfica seja levada em consideração na cúpula de Copenhague.

 

4.2. Epidemias anteriores

• No blogs.lexpress (03.05.2009), uma postagem do Sr. J. Attali durante o episódio que ficou conhecido como “gripe suína” passou despercebida. Este texto profético não suscitou naquele momento nenhum comentário. Republicado hoje, o texto provoca reações na mídia semelhantes as geradas pelo “Evento 201”: erro de interpretação, mal-entendido, fake news etc. Eis o que Jacques Attali, conselheiro de vários presidentes franceses, escreveu logo após a epidemia de H1-N1:

A história nos ensina que a humanidade só evolui significativamente quando tomada de medo: então ela lança mão de mecanismos de defesa [...]. Passada a crise, transforma esses mecanismos para torná-los compatíveis com a liberdade individual e os inclui em uma política de saúde democrática (...). A pandemia que está começando pode desencadear esses medos estruturantes ...

Como proteção contra futuras pandemias, Attali propôs a criação de…

...uma força policial global, um armazenamento mundial e, portanto, uma tributação mundial. Nós chegaremos então muito mais rápido do que teria permitido apenas a razão econômica, lançando as bases para um verdadeiro governo mundial.

• Comentários que se juntam aos que David Rockefeller teria feito durante uma recepção na ONU em 23/09/1994:

Estamos às vésperas de uma transformação global... Tudo o que precisamos é de uma grande crise e as nações aceitarão a Nova Ordem Mundial.

Rockefeller realmente fez esse discurso? Não temos como prova-lo. Mas, em suas Memórias15, declarou com todas as letras o seu ativismo em favor da Nova Ordem Mundial:

Alguns até acreditam que nós [a família Rockefeller] fazemos parte de uma cabala secreta trabalhando contra os melhores interesses dos Estados Unidos, caracterizando minha família e eu como internacionalistas que conspiram para construir uma política global mais integrada, bem como uma estrutura econômica -- um mundo único, se quiserem. Se esta é a acusação, tenho orgulho de ser culpado disso.

O objetivo anunciado pelo The Great reset não é esse?

• É oportuno lembrar as palavras do primeiro diretor geral da OMS, um dos protagonistas na crise atual? Seu nome era George Brock Chisholm e realizou na Califórnia uma Conferência sobre educação em 11.09.1954:

Para estabelecer um governo mundial, é necessário retirar dos espíritos seu individualismo, sua lealdade às tradições familiares, seu patriotismo nacional e seus dogmas religiosos.

Esta afirmação, da qual não temos a fonte, é corroborada pela biografia que lhe dedica a Wikipédia e por outras reflexões de Chisholm16. A observação de nossas sociedades sugere que este objetivo foi alcançado. É chegada a hora de passar para o último ato?

 

Conclusão

O terreno tornou-se escorregadio. Mas esses fatos, essas declarações alimentam inquietudes, dúvidas, medos e rumores. É de se admirar que alguns pensem que COVID-19 seria uma criação francesa, exportada para a China? Que o propósito de toda essa comoção seria de alimentar as finanças internacionais? uma maneira de amordaçar e tomar as populações em mãos e controlar o crescimento planetário da população? um modo de avançar em direção a um governo mundial em que todos as estruturas estariam prontas? 

É surpreendente, para dizer o mínimo, que nenhum dos 197 Estados do planeta não faça eco a essas dúvidas para pôr em questão o que parece ser o maior embuste deste início de século. Esta unanimidade planetária de governantes em silêncio é no mínimo suspeita!

 

                                                                                  (Revista da A.F.S. Autor: Y. Tillard - Tradução Permanência)

  1. 1. Evento organizado sob o título de Evento 201 (https://www.lemonde.fr/lesdecodeurs/article/2020/02/06/coronavirus-la-fondation-gates-a-t-elle-organiseune-simulation-de- the-end-of-2019-epidemic_6028667_4355770.html)
  2. 2. http://osonscauser.com/medias-pourquoi-10-milliardaires-controlent-ils-notreinformation/ (https://www.pinterest.fr/pin/723812971336429584/)
  3. 3. De acordo com o The Guardian. Informações verificadas no site da Fundação Gates.
  4. 4. L’OMS a offert un pot-de-vin de 20 millions de dollars pour empoisonner leur médecine du COVID-19 – Président de Madagascar | Le journal participatif et citoyen ! (cagou.com)
  5. 5. Bill Gates offered House of Reps $10m bribe for speedy passage of compulsory vaccine bill – CUPP alleges - Daily Post Nigeria
  6. 6. https://www.lefigaro.fr/conjoncture/le-coronavirus-met-l-economie-mondialeen-danger-avertit-l-ocde-20200302
  7. 7. The guardian.com (26.03.2020)
  8. 8. DNDi = Iniciativa de Medicamentos para Doenças Negligenciadas
  9. 9. Forum Publishing (edições do World Economic Forum em Davos)
  10. 10. Comunicado de imprensa completo do WEF em https://journalintegration.com/big-reset-single-summit-start-2021 /
  11. 11. mandatos de Antonio Guterres, Secretário-Geral da ONU
  12. 12. Christian Rosecroix… O site (https://fr.wikipedia.org/wiki/Georgia_Guidestones) permite até uma visita guiada!
  13. 13. Comentários verificados pelo autor desta resenha, que possui a versão digital desta edição (novembro de 1991, p. 13).
  14. 14. Aaron Russo (1943-2007). A entrevista está disponível na internet.
  15. 15. David Rockefeller - Mémoires (Éd. De Falloy, 2006, 606 p., 23 €, p. 405)
  16. 16. https://quotepark.com/fr/auteurs/brock-chisholm/

Mundo, mundo...

Gustavo Corção

Entre os belos Cantos Eucarísticos do grande poeta místico que foi Santo Tomás de Aquino, vêm-nos à memória estes versos.

Solum expertus potest scire

quid sit Jesum diligere

Traduzimos, sem sabermos traduzir o sabor original: “Somente aqueles que o experimentaram podem saber o que seja o amor de Jesus”. Ou, “somente os que por experiência sabem...”.

Todos os mestres místicos ensinaram que a contemplação infusa é uma “quase experiência de Deus”. Por que “quase”? Este termo parece restritivo, e portanto impróprio para definir a mais alta de todas as aventuras da alma humana, a subida do Carmelo ou do Calvário, nas pegadas de um Deus que por nós se deixou crucificar. É por isso mesmo, aliás, que nunca poderemos encontrar termos próprios para exprimir a sobrenatural aventura. A linguagem dos místicos é inevitavelmente hiperbólica, antitética e metafórica; e é aqui, mais do que na poesia, que se aplica o que disse Rimbaud: que tentava dizer o indizível.

No caso em questão, Santo Tomás ousa empregar o termo “experimentar” quando canta, mas seus discípulos, quando tentam explicar o canto de maior linguagem especulativa, recuam diante do termo que traz sobre si uma pesada carga de conotações empíricas e carnais. E até ensinam que na subida do Caminho da perfeição o desejo de experiências sensíveis, sejam elas embora feitas do mais piedoso afeto, constituem pedras de tropeço, e até às vezes atrasos e retrocessos, porque nelas a alma se demora e se compraz no sabor e nas consolações de tal afeto. Ora, não foi este o exemplo que Jesus nos deixou na subida do Calvário. A subida mística só se fará se deixarmos para trás o lastro de terra e de carne, e se, corajosamente, aceitarmos a purificação da noite dos sentidos. Daí se explica a reserva dos mestres quando falam mais na pauta especulativa do que naquela da “experiência” ou “superexperiência” vivida na união com Deus.

* * *

Mas agora, caído em mim de tais alturas que tanto desejara ter alcançado, e das quais só ouso falar com ciência de empréstimo e de desejo, imagino o leitor a interpelar-me: — A que vêm todas essas considerações em torno da experiência mística, e dos cantos eucarísticos de Santo Tomás, quando falávamos da agonia da Espanha, e esperávamos comentários das efervescências nacionais em torno da denúncia em boa hora levantada por Dom Sigaud sobre a infiltração comunista na CNBB?

* * *

Na verdade, leitor, tudo o que toca nossa Santa Religião tem aquela marca antitética da Cruz. O belo canto eucarístico de Santo Tomás nos veio por antítese da matéria ingrata que se impõe à nossa consciência como dever de testemunho. O fato é que daquele canto de amor (somente quem o provou sabe o sabor que tem o amor de Jesus) veio-nos, num contraste abismal, a idéia horrível da “experiência” que o mundo vem fazendo, e a cujas infinitas conseqüências o mundo dia a dia se entrega com uma apavorante submissão: a experiência do mal erigido em sistema ou se quiserem, a experiência do ódio de Satã. É verdade que somente no inferno terão as almas perdidas a ciência mais exata do que seja o ódio de Satã. Mas o fato é que aqui, na terra, neste belo planeta azul que talvez seja o único habitado por seres racionais, capazes de louvar a Deus, e capazes de recusar seus dons, a humanidade já teve várias amostras daquele ódio, e várias vezes já assistiu ao espetáculo da maldade erigida da glorificação. O mundo encheu-se de saber, de saborear os horrores de que recentemente foram capazes os nazistas em torno de uma idéia; o mesmo mundo encheu-se de saber, de experimentar os horrores praticados pelos anarquistas e comunistas em torno de uma idéia.

Houve tempo em que, com raríssimas exceções, o mundo inteiro julgou que Hitler e seus companheiros tinham atingido a máxima crueldade jamais praticada oficialmente e sistematicamente por um regime; atrás da aparatosa e triunfal crueldade do nazismo, seu cúmplice monstruoso esteve agachado, eclipsado, taciturno e ignorado.

Tenho para mim que tais maldades organizadas e coletivas ultrapassam as forças humanas e não são praticáveis sem a ajuda de Satã; não dispondo, porém de um meio de medir, em unidades satanométricas, o grau de satanismo em cada caso, não sei qual dos dois monstros foi em si mesmo o pior, mas hoje não hesito em declarar que, para o mundo, e para o desenrolar do século o comunismo foi e continua a ser a pior das experiências políticas feitas e ainda descaradamente proposta aos homens. Como se explica então que tal hedionda evidência não seja reconhecida universalmente? A razão de tal cegueira, que é cômica numa nação rica, forte e engenhosa, como os Estados Unidos, e que é trágica sem deixar de ser cômica nas hierarquias eclesiásticas, talvez esteja nos quatro ou cinco séculos de humanismo liberal, mais ou menos integral, que afastou de Deus uma humanidade voltada e fechada sobre si mesma. Ora, os homens que se afastam e se tornam insensíveis às “experiências” do amor de Deus, no mesmo passo se tornam insensíveis àquelas do Demônio: e por isso serão capazes de abrir os braços ao comunismo com o entusiasmo que se observa nas Conferências Episcopais, e são capazes de aplaudir o humanismo ateu com a ardorosa e declarada simpatia que, para nossa infinita tristeza, ficou registrada entre os pontos notáveis deste brilhante século em que os homens demonstraram tão extraordinária faculdade nas experiências dos átomos... E é em nome dessa Ciência que dia a dia se acelera a desintegração de um mundo que já foi cristão.

 

O GLOBO — 23/04/1977

Nada será como antes (I)

NADA SERÁ COMO ANTES (I)

- O mundo depois da COVID -

 

 

Um mal que espalha terror,

Mal que o Céu em sua fúria

Inventa para punir os crimes da terra,

O COVID (já que deve-se que chamá-lo por seu nome),

Capaz de enriquecer em um dia o Aqueronte,

Faz guerra aos humanos.

Nem todos morrem, mas todos são atingidos ...1

 

 

Este último verso prende nossa atenção uma vez que o frisson da morte adquiriu dimensões globais.

A mensagem de alerta internacional de profissionais da área de saúde para governos e cidadãos do mundo lançado pela United Health Professionnals2, recebe a cada dia novo apoio: “Parem o terror, a loucura, a manipulação, a ditadura, as mentiras e a maior falcatrua sanitária do século XXI". Em uma escala mais modesta, a Dra. Nicole Delépine, em um recente fórum do France-Soir3, lançou a questão: Fim de uma epidemia ou de um pânico organizado. Por quê.

Por falta de competência, não nos cabe mais do que uma opinião pessoal. Não podemos nos posicionar sobre assuntos que devem ser reservados a profissionais de verdade, e não a ´cientistas de opereta´, a ilustres anônimos encerrados em um comitê científico ou a profissionais de redes de televisão.

Contudo, o constante assédio da mídia, o zelo frenético das autoridades para intervir, nos conduzem a refletir e tentar entender o que está em jogo nesta agitação planetária4.

 

1. Algumas observações e perguntas

 

1.1. O Grande espetáculo

Com grande espalhafato de imagens e repercussão televisiva, pudemos assistir os fechamentos de aeroportos, as crônicas do obituário diário, os transportes TGV-COVID, a repetição incessante da mídia sobre a utilidade dos hospitais de campanha ou do plano Branco e Azul, a implementação abortada de drones de vigilância...

 

1.2. Origem do vírus

Natural ou projetado em laboratório? Este debate sobre a origem do vírus não é sem importância porque é uma fonte de interrogações para a pessoa comum: Se houve manipulação, por qual motivo? mera pesquisa ? objetivo curativo, político? O que é evidente é que o COVID-19 é atualmente objeto de consideração, tanto de autoridades locais como de organismos internacionais, a exemplo do que diz Klaus Schwarb, fundador e presidente executivo da World Fórum Econômico (WEF), mais conhecido como Fórum de Davos5: "A pandemia apresenta uma oportunidade rara e limitada de repensar, reinventar e reerguer nosso mundo do zero."

O Prof. Luc Montagnier, Prêmio Nobel de Medicina de 2008, foi alvo de duras críticas por haver afirmado:

Este vírus (natural) recebeu inserções, mas os autores receberam ordem de não dizer nada... Há um encobrimento geral. Até mesmo cientistas são comprados ... Todos repetem em uníssono: o vírus foi produzido pela natureza. Isso é falso. Aí está uma grande mentira6

O Prof. Joseph Tritto7, praticante de microcirurgia, especialista em biotecnologia e nanotecnologia, presidente da Academia Mundial de Ciências e Tecnologias Biomédicas (WABT, sob a égide da UNESCO) confirma em seu livro "A quimera que mudou o mundo" a posição do Professor Montagnier.

A posição dos Professores Montagnier e Tritto recebeu recentemente o apoio da doutora Li-Meng Yang, virologista chinesa que pesquisou o COVID-19 a pedido de seus superiores no laboratório da Universidade de Hong Kong, referência da OMS. Ela fugiu da China em 28 de abril de 2020, para afirmar que estamos enfrentando um vírus modificado, criado no laboratório de Wuhan... e para não ser assassinada8. Por que ficar em silêncio sobre isso?

 

1.3. Periculosidade e mortalidade

Sem entrar em disputas de números e métodos de cálculo... as estatísticas mostram que o número de mortos em comparação ao de infectados é um pouco maior do que influenza sazonal (0,1-0,2%), mas bem abaixo de 1%.

De acordo com os últimos números divulgados pela OMS9, em 13 de agosto de 2020, dos 192 membros atuais da OMS, os quatro países europeus que mais aderiram ao lockdown (Itália, Espanha, Bélgica e França) estão entre os dez países que apresentaram a taxa de mortalidade por COVID-19 mais elevada do mundo.

Vemos atualmente a queda do número diário de mortes por COVID que fora liturgicamente anunciada todas as noites; estranhamente, durante este período, câncer, AVC, doenças crônicas... desapareceram!

O CDC americano (Centro para Controle e Prevenção de Doenças) declarou que a COVID-19 não é mais contagiosa e mortal do que outras epidemias do passado.

 

1.4. Inconsistências e reviravoltas das decisões de governamentais

Sobre o início da "guerra contra COVID-19", podemos nos lembrar...

... das declarações dos governantes sobre a inutilidade da máscara, o que é confirmado por muitas vozes médicas; hoje parece que caminhamos para o uso obrigatório!

... do confinamento, das multas por haver feito uma caminhada... sozinho na floresta sem máscara, mas tolerância em relação a encontros festivos... ou manifestações;

... do distanciamento no metrô, inexistente na SNCF10 que, no entanto, transforma seus funcionários em fiscais...

O Le Monde11 fala em “decisões políticas evolutivas” (!!!). Com o que isso rima?

 

1.5. Liberdade de expressão e de ação dos profissionais regulamentados

"Cancelamentos" orquestrados por indivíduos prepotentes -- jornalistas, "especialistas", políticos -- que expressam suas opiniões enquanto desqualificam outros que, por sua vez, apóiam-se em fatos, experiência e conhecimento. 

Perigo de crime de opinião: o professor Toubiana disse na BFMTV12 estar sendo pressionado pelo fato de afirmar posições contrárias a ideologia em vigor. Por quê?

Os cientistas seriam comprados, de acordo com o professor Montagnier, e parece que muitos meios de comunicação também o sejam (ver nota 6). Por quê ? Por quem ?

 

1.6. Medidas de saúde contestadas

• Uso generalizado da máscara: A OMS especifica em seu relatório Conselhos sobre o uso de máscaras no contexto de Pandemia de COVID-1913:

Hoje, o uso generalizado de máscaras por pessoas saudáveis ​​na comunidade, não é ainda apoiado por evidências científicas diretas ou de alta qualidade e há benefícios e danos potenciais a serem tomados em consideração.

No canal LCI14, o Prof. Toubiana, epidemiologista, doutor em física, pesquisador do INSERM, disse em 20 de agosto que a máscara era inútil ao ar livre, e psicologicamente muito prejudicial. O que o atual Ministro da Saúde15, para quem o vírus está cada vez mais ativo, contesta violentamente.

• Idosos: Medidas draconianas (máscaras, isolamento de idosos em asilos, confinamento generalizado, barreiras - com controles policiais meticulosos e às vezes difíceis, multas etc.) tomadas para proteger "pessoas frágeis" - dependentes e residente em asilos - resultou nesta população: 12.769 mortes de 25.531 registradas em 6 de maio de 2020.

• Confinamento: não há consenso sobre a eficácia do confinamento generalizado16. O Dr. Michel de Lorgeril especifica que o confinamento nunca foi praticado na história da medicina e Não existem estudos sobre o confinamento e sua utilidade para fazer face a uma pandemia. Além disso, a taxa de contaminação é maior em países onde o confinamento foi objeto de uma decisão cabal.

• Distanciamento: De acordo com a revista médica BMJ17, o Massachusetts Intitute of Technology e a Oxford University argumentam que regra de distanciamento (entre duas pessoas) seria obsoleta porque devemos levar em consideração a ventilação das instalações, a potência da voz… para estimar o dano de gotículas respiratórias. O que parece ser a confirmação do bom senso!

• Hospitais: Devido aos planos Branco e Azul, a capacidade hospitalar, quase totalmente reservada para os "covidados" teve por conseqüência a suspensão do tratamento de doenças crônicas, câncer, AVC... levando, portanto, a óbitos. Além disso, os depoimentos públicos da equipe de enfermagem, o uso de emprego parcial em clínicas particulares comprova a desproporção da decisão.

 

1.7. Tratamentos da doença

De acordo com dados da OMS de 13 de agosto, os países com menos mortes atribuídas ao COVID-19 são principalmente aqueles que mais realizaram testagens, realizaram quarentenas específicas e/ou usaram amplamente a hidroxicloroquina: Islândia (30 / milhão de hab), Marrocos (15), Senegal (14), Grécia (12), Japão (8,4), Cuba (7,7), Coréia (6), Nigéria (4,6), Singapura (4,6), Malásia (3,8), Qatar (1).

Na França, a liberdade de prescrição de remédios foi posta sob controle. Em 27 de março de 2020, o CNGE (Conselho Científico do Colégio Nacional de Docentes Generalistas) recomendou que clínicos gerais não prescrevessem derivados de quinina para os cuidados da COVID-19. “Essa exigência seria contrária à ética médica18"... e pode acarretar em sanções da ordem dos médicos. A proibição tem sido ameaçadora desde então.

Mas, de acordo com o Prof. Montagnier:

A ciência mostra as verdades, mas não se acredita mais nelas. Essas verdades estão sendo transformadas de acordo com as necessidades da economia. Ver um Ministro da Saúde da França para proibir um medicamento que parece agir sobre este infame vírus, é absolutamente espantoso, absurdo. Embora as revistas científicas tenham se retratado [caso da Lancet19] ele não se retratou. Ele continua. Então, quem é que nos governa? É um mundo louco... Os médicos não têm o direito de prescrever20.

Desde março, muitos especialistas, diferentes hospitais e institutos de pesquisa, propuseram tratamentos médicos que provaram ser eficazes, pelo menos em muitos casos, mas que nunca foram levados em consideração por governantes e outros comitês ad hoc que, por sua vez, interditaram o uso de drogas utilizadas há mais de 30 anos.

 

1.8. A salvação da humanidade através da vacina por vir

Os "Especialistas" defendem a vacina aos sete ventos, apesar do parecer de muitos virologistas e médicos licenciados em sentido contrário. Emmanuel Macron21, apoiador de uma política vacinal muito autoritária, afirma:

 "... afirmamos agora que uma vacina contra COVID-19, assim que ela for descoberta, beneficiará a todos, pois será um bem público global."22

Bill Gates converteu-se de empresário em pregador infatigável da vacina em nome da justiça social. Por quê ?

 

1.9. Um segundo ataque da besta?

Prof. Laurent Toubiana: “Não há epidemia de infecção de COVID-19, há uma epidemia de ansiedade. " (BFMTV).

Contra tudo o que é afirmado diariamente, "não haverá segunda onda", afirma o professor Toussaint, correndo o risco de se desacreditar. Por quê ?

O Professor Christian Perronne, infectologista, denuncia os subterfúgios, as mentiras, as manipulações ... das quais ele fornece provas em seu livro "Há algum erro que eles não tenham cometido?" 23. Tendo em vista milhões de testes, a generalização progressiva do uso de máscara… conseguinte ao discurso em 31 de agosto em RMC, C. Perronne falou de delírio total... Por que essa obstinação das autoridades?

< a seguir >

(AFS 271, Tradução: Permanência)

  1. 1. A partir de: Os animais doentes da peste por J. de La Fontaine.
  2. 2. https://covidinfos.net/wp-content/uploads/2020/08/FR-international-alert-message.pdf
  3. 3. http://www.francesoir.fr/opinions-tribunes/crise-du-coronavirus-en-franceepidemie-terminee-versus-panique-organisee-pourquoi
  4. 4. NB (Nota bene): O leitor encontrará nas linhas que se seguem, fatos, acontecimentos, citações devidamente referenciadas recolhidas a fim de preparar uma entrevista para a associação Prefeitos pelo Bem Comum. Guardamos este texto para uma apresentação oral, acreditando ser útil na confusão atual.
  5. 5. reunião anual seleta de personalidades políticas, econômicas e midiáticas que "fazem" o mundo.
  6. 6. https://www.medias-presse.info/le-professeur-luc-montagnier-denonce-lesmensonges-sur-le-covid-19-meme-les-scientistiques-sont-achetes/123737/
  7. 7. http://www.francesoir.fr/societe-sante/covid-19-lorigin-du-virus-lanalyse-du-prtritto-confirme-celle-du-pr-montagnier
  8. 8. Veja https://lesobservateurs.ch/tag/dr-yan-limeng/
  9. 9. Mortalidade por COVID-19 por milhão de habitantes: Bélgica 854, Grã-Bretanha 687, Espanha 611, Itália 582, Suécia 571, EUA 493 e França 464. -- (N. da P.), hoje o número de mortos por milhão nesses países aumentou consideravalmente
  10. 10. A Société nationale des chemins de fer français (SNCF) é uma empresa ferroviária francesa, controlada pelo Estado.
  11. 11. https://www.lemonde.fr/societe/article/2020/08/29/six-mois-de-consignes-sur-lemasque-en-france_6050316_3224.html
  12. 12. Canal francês de televisão - N. da. P.
  13. 13. Conselhos sobre doença coronavírus (COVID-19) para o público: quando e como usar máscaras (Organização Mundial da Saúde, abril de 2020).
  14. 14. LCI, ou La Chaine Info, é uma rede de televisão comercial aberta francesa - N. da. P.
  15. 15. Journal du Dimance (23.08.2020).
  16. 16. https://michel.delorgeril.info/ethique-et-transparence/science-du-confinementou-confinement-de-la-science/comment-page-1/
  17. 17. L’Obs et AFP (28.08.2020)
  18. 18. https://www.cnge.fr/conseil_scientifique/productions_du_conseil_scientifique/covid_19_y_t_il_une_place_pour_lhydroxychloroquine/
  19. 19. Ver Idriss Aberkane (Valores Atuais de 06.04.2020). Negligência escandalosa das autoridades que tomaram imediatamente decisões contra a hidroxicloroquina sem verificar - o que seria imperdoável a este nível - a fiabilidade do falso estudo publicado no periódico "científico" The Lancet, ou desejo manifesto de manipulação?
  20. 20. https://www.medias-presse.info/le-professeur-luc-montagnier-denonce-lesmensonges-sur-le-covid-19-meme-les-scientifiques-sont-achetes/123737/
  21. 21. Presidente da França - N. da. P.
  22. 22. Mensagem de E Macron para a Aliança Global para Vacinas e Imunização (GAVI), pelo 20º aniversário da sua criação (Londres 04.06.2020).
  23. 23. Albin Michel (2020, 16,90 €)

O Evangelista Marcos indica que Maria duvidou da missão de Cristo. Isso não foi um pecado?

Prof. Felix Otten, O.P., e C.F. Pauwels, O.P.

Diz-se que Maria jamais pecou, nem poderia pecar. Mas o Evangelista Marcos indica que Maria duvidou da missão de Cristo. Isso não foi um pecado?

Maria, certamente, estava livre de várias tentações como resultado de sua Imaculada Conceição. Portanto, não havia más inclinações nela, as que consistem no descompasso entre o que há de mais elevado e o que há de mais baixo. Em nós, o corpo, frequentemente, é um agente de pecado, pois ele puxa para baixo a mente e, frequentemente, rebela-se contra as potências elevadas da alma. E, é claro, não havia nada disso em Maria, porque ela não havia sido contaminada com o pecado original, razão pela qual não havia o referido descompasso. Portanto, ela não poderia ser tentada por um desejo das potências baixas contra as elevadas. Ela poderia, porém, ser tentada nas potências mais elevadas da sua alma, na sua mente e na sua vontade, assim como até mesmo Cristo foi tentado pelo demônio.

Mas ser tentado e pecar são duas coisas diferentes. Que Maria nunca tenha cometido um pecado é absolutamente claro para os teólogos católicos, ainda que a Igreja jamais tenha se pronunciado oficialmente sobre isso. Maria, como dizem, era sem pecado. Mas Maria também era impecaminosa, isto é, ela não poderia sequer cometer um pecado?

Essa, obviamente, é outra questão completamente diferente. A maioria dos teólogos sustenta que Maria não poderia pecar. A razão não é que ela era livre do pecado original, pois Adão e Eva também foram criados livres do pecado original e, ainda assim, pecaram. Devemos buscar a razão na plenitude de graças que Deus lhe deu em atenção a sua maternidade divina. Por isso e, portanto, por um auxílio especial de Deus, a vontade de Maria sempre escolheu o bem.

E, agora, quanto à história do Evangelista Marcos: ele não diz, de modo algum, que Maria teria duvidado de Cristo. Ele anuncia, primeiramente, no terceiro capítulo, versículo 21, que os parentes de Cristo “foram O prender, porque diziam: Ele está louco” Então, aparentemente, havia parentes de Jesus que não acreditavam em Sua missão. Quem eram essas pessoas não está esclarecido; eles podem ter sido tios, primos e, talvez, parentes mais distantes ainda. Após, somos informados de algo completamente diferente, a saber, que Jesus entrou num debate contra escribas de Jerusalém acerca de exorcismos. E, então, é dito ao final do capítulo, “Chegaram sua mãe e seus irmãos e, estando fora, mandaram-nO chamar”. Se eles conversaram com Ele e sobre o que, isso não nos é dito.

Não é certo que essa conclusão está conectada com o início do capítulo que menciona a dúvida de alguns dos parentes de Cristo. E, portanto, não é sabido por que a mãe e irmãos de Cristo vieram. Mas, ainda que fosse verdade que Maria fosse com parentes descrentes de Cristo, isso não implica que ela compartilhava da descrença deles. Tal infidelidade da parte de Maria conflita com tudo o mais que sabemos sobre ela. Por que deveríamos aceitar tal conclusão de um texto discutivelmente ambíguo?

Introdução ao segundo domingo do advento

“João enviou dois dos seus discípulos a dizer-Lhe: És Tu aquele que há de vir, ou devemos esperar outro?”

A liturgia deste domingo está cheia do pensamento de Isaías, o Profeta por excelência da vinda do Salvador. São Paulo, na Epístola, e Nosso Senhor no Evangelho, fazem ver que os oráculos do grande Profeta encontram plena realização com a Vinda do Messias. Não se limita apenas a este domingo a importância dada a Isaías pela liturgia do Advento. Não há dia em que, em Matinas, não se leia algum passo das suas profecias; são todas dele as lições do Sábado das Quatro Têmporas; e no Natal a liturgia serve-se ainda das suas palavras para cantar o Emanuel nascido da Virgem, a alegria da nova Jerusalém que agora abrange todo o mundo e as divinas grandezas do Príncipe da Paz.

Em Roma, a estação era na basílica de S. Cruz em Jerusalém, onde se conserva uma grande parte da verdadeira Cruz trazida de Jerusalém.

Isaías havia predito: “Uma vergônea sairá da raiz de Jessé e de sua raiz elevar-se-á uma flor” (1ª lição de Matinas). “Esta vergônea, explica S. Jerônimo, é a SS. Virgem, e a flor seu Filho Jesus, nosso Salvador”. (3ª lição). Ao recordar-nos as Escrituras que tanto ajudam a nossa esperança e a nossa fé, a Igreja convida os que são chamados à mesma glória e viveram na unidade da caridade.

Comentando o Evangelho em que Jesus claramente afirma ser “Aquele que há de vir” como o provam os milagres feitos por Ele e preditos por Isaías, São Gregório faz notar que os judeus estavam prontos a reconhecer um Messias que operasse maravilhas, mas nunca um Messias que pudesse também sofrer. A cruz foi para eles um escândalo, cujas vítimas foram eles próprios” (7ª lição de Matinas). Acolhamos nós a Jesus na humildade do Presépio, para que Ele nos receba também, um dia, em seu reino de glória, quando nos vier julgar.

Missal Quotidiano e Vesperal por Dom Gaspar Lefebvre, Beneditino da Abadia de S. André. Bruges, Bélgica: Desclée de Brouwer e Cie, 1952.

12. De algo que parece liberalismo e que não o é, e de algo que é liberalismo, ainda que não o pareça

O diabo é um grande mestre em astúcias e enganos, e sua diplomacia mais hábil consiste em introduzir confusão nas idéias. O maldito perderia metade do seu poderio sobre os homens, se as idéias boas e más, que ele manipula, aparecessem em toda a clareza e franqueza. Observemos, de passagem, que chamar o diabo de diabo não é moda hoje, sem dúvida porque o liberalismo nos acostumou a tratar também o senhor diabo com certo respeito. Portanto, a primeira coisa que faz o diabo em tempos de cismas e heresias é baralhar e desordenar o sentido próprio das palavras: meio infalível de marear e desordenar a maior parte das inteligências.

Assim se passou com o arianismo, a ponto de vários bispos de grande santidade chegarem a subscrever, no Concílio de Milão, uma fórmula que condenava o insigne Atanásio, martelo dessa heresia; e esses prelados apareceriam na história como verdadeiros fautores dela, se o santo mártir Eusébio, legado pontifício, não tivesse acudido a tempo para desenredar desses laços — o que o Breviário chama captivatam simplicitatem — alguns daqueles inocentes anciãos. O mesmo se passou com o pelagianismo; e mais tarde com o jansenismo. Hoje acontece o mesmo com o liberalismo.

Para alguns o liberalismo consiste em certas formas políticas; para outros, num certo espírito de tolerância e generosidade oposto ao despotismo e à tirania; para outros ainda, é a igualdade civil; para muitos, uma coisa vaga e incerta que se poderia traduzir simplesmente como o oposto a toda arbitrariedade governamental. É, portanto, indispensável tornar a perguntar aqui: o que é o liberalismo? Ou melhor: o que o liberalismo não é?

Em primeiro lugar, as formas políticas de qualquer natureza que seja, tão democráticas ou populares que se suponham, não são por si mesmas (ex se) o liberalismo. Cada coisa é o que é; as formas são formas, e nada mais. Uma república unitária, federal, democrática, aristocrática ou mista; um governo representativo ou misto, com mais ou menos atribuições para o poder real, ou seja, com o máximo ou mínimo de rei que se queira pôr na mistura; uma monarquia absoluta ou temperada, hereditária ou eletiva, nada disso tem que ver por si (repare-se bem neste por si) com o liberalismo. Tais governos podem ser perfeita e integramente católicos. Se eles aceitam a soberania de Deus, reconhecem tê-la recebido d'Ele e se sujeitam em seu exercício ao critério inviolável da lei cristã; se dão por indiscutível em seus parlamentos tudo o quanto definido por essa lei; se reconhecem como base do direito público a supremacia moral da Igreja e seu direito em tudo o que é de sua competência, esses governos são verdadeiramente católicos, e ninguém, nem os mais exigentes ultramontanos, pode censurá-los, porque eles são verdadeiramente ultramontanos.

A história nos oferece repetidos exemplos de poderosíssimas repúblicas fervorosamente católicas. Tais foram a república aristocrática de Veneza, a república mercantil de Gênova e a de certos cantões suíços. Como exemplo de monarquias mistas muito católicas, podemos citar a nossa gloriosíssima de Catalunha e Aragão, a mais democrática e, ao mesmo tempo, a mais católica do mundo na Idade Média; a antiga monarquia de Castela, até a casa de Áustria; a monarquia eletiva da Polônia, até o iníquo desmembramento deste religioso reino. Acreditar que as monarquias são por si, ex se, mais religiosas que as repúblicas, é um prejulgamento. Precisamente os mais escandalosos exemplos de perseguição ao catolicismo foram dados nos tempos modernos pelas monarquias, como a da Rússia e a da Prússia.

Um governo é católico, qualquer que seja a sua forma, se sua Constituição, sua legislação e sua política estão baseadas em princípios católicos; ele é liberal se baseia sua Constituição, legislação e sua política sobre princípios racionalistas. Não é o ato de legislar do rei na monarquia, do povo na república, ou dos dois juntos nas formas mistas, que constitui a natureza essencial de uma legislação ou de uma Constituição. O que a constitui é o fato de proceder ou não, em tudo, sob o selo imutável da fé e conforme ou não ao que a lei cristã manda aos Estados e aos indivíduos. Da mesma forma que, entre os indivíduos, um rei com sua púrpura, um nobre com seu brasão, e um trabalhador com sua blusa de algodão podem ser igualmente católicos, assim os Estados podem ser católicos, qualquer que seja o lugar que se lhes dê no quadro sinótico das formas de governo. Por conseguinte, o fato de ser liberal ou anti-liberal não tem nada a ver com o horror natural que todo homem deve professar à arbitrariedade e à tirania, com o desejo de igualdade civil entre todos os cidadãos e muito menos com o espírito de tolerância e generosidade, que, em sua devida acepção, não são mais que virtudes cristãs. Não obstante, tudo isto, na linguagem de certas gentes e mesmo de certos jornais, chama-se liberalismo. Eis, portanto, uma coisa que aparenta ser liberalismo, mas que não o é de forma alguma.

Há porém uma coisa que, não parecendo liberalismo, efetivamente o é. Imaginai uma monarquia absoluta, como a da Rússia, ou como a da Turquia, se preferirdes; ou ainda um desses governos chamados conservadores de hoje, e o mais conservador que se possa imaginar; e suponde que a Constituição e a legislação dessa monarquia ou desse governo conservador seja baseada no princípio da vontade livre do rei ou no da vontade livre da maioria conservadora, em lugar de se basear nos princípios do direito católico, na indiscutibilidade da fé, ou no respeito rigoroso aos direitos da Igreja; essa monarquia e esse governo conservador são perfeitamente liberais e anti-católicos. Pouco importa para o caso que o livre-pensador seja um monarca com seus ministros responsáveis, ou que ele seja um ministro responsável com seus corpos co-legisladores: do ponto de vista das conseqüências, é absolutamente a mesma coisa. Em ambos os casos, aquela política marcha sob a direção do livre-pensamento e, por conseguinte, é liberal. Pouco importa que tenha ou não, entre seus objetivos, agrilhoar a imprensa; que açoite o país por qualquer pretexto; que ela reja seus súditos com vara de ferro: o miserável país poderá não ser livre, mas será certamente liberal. Assim foram os antigos impérios asiáticos, assim várias monarquias modernas; assim será, se o sonho de Bismarck se realizar, o Império alemão; é assim a monarquia atual de Espanha, cuja Constituição declara o rei inviolável, mas não Deus.

Eis portanto o caso de algo que, parecendo não ser liberalismo, o é verdadeiramente, e o mais refinado e desastroso, justamente porque não aparenta sê-lo.

Daqui se verá com que delicadeza se deve proceder, quando se trata de tais questões. É preciso antes de tudo definir os termos do debate e evitar o equívoco, que é o que mais favorece o erro.

Existe direito à união homossexual?

Pe. Jean Michel Gleize

O que pensar da recente declaração do Papa Francisco? “Pessoas homossexuais têm o direito de pertencer a uma família. Eles são filhos de Deus e têm direito a uma família. Ninguém deve ser excluído ou forçado a ser infeliz por isso. O que temos de fazer é criar uma legislação para a união civil. Dessa forma, eles ficam legalmente cobertos.”  Ao reivindicar para os homossexuais “o direito de pertencer a uma família”, o Papa, claro está, não tem em mente apenas a situação de um homossexual que, ao que pese a sua homossexualidade, teria o direito de permanecer membro da sua família: filho do seu pai e da sua mãe, irmão dos seus irmãos e irmãs. Trata-se de mais do que isso, trata-se do direito de reivindicar uma “lei da união civil” destinada a proteger o direito dos homossexuais de viverem como um casal, como cônjuges, à exemplo do que ocorre no casamento entre o homem e a mulher.

Num livro publicado no ano de 2017, resumindo as “entrevistas” do Papa com Dominique Wolton, Francisco havia claramente descartado a possibilidade de um “matrimônio” entre homossexuais. “Que pensar”, interroga-se o pontífice, “do casamento das pessoas do mesmo sexto? O matrimônio é uma palavra histórica. Desde sempre, na humanidade, e não apenas na Igreja, tratou-se de um homem e uma mulher. Não se pode mudar isso assim [...] não se pode mudar isso. Trata-se da natureza das coisas, e elas são assim. Chamemos isso de união civil. Não devemos brincar com as verdades. É certo que, por detrás disso há a ideologia de gênero. [...] Digamos as coisas como são: o matrimônio ocorre entre um homem e uma mulher. Esse é o termo correto. Chamemos a união do mesmo sexo de união civil”.

Aos olhos do papa, não se pode mudar a natureza das coisas, e o matrimônio é uma palavra empregada para designar a realidade natural, tal como a humanidade sempre a reconheceu: realidade que é a da união de um homem com uma mulher. Não poderíamos, portanto, utilizar esse termo para designar a união de pessoas do mesmo sexo, pois aqui estamos no plano da definição das coisas. Eis o porquê, nesse plano mesmo, da teoria (pois se trata precisamente de uma “teoria”) de gênero corresponder a uma ideologia. Ocorre diferentemente se nos situamos no plano da definição pastoral, pois se trata de qualificar a atitude da Igreja no tocante às pessoas, no contexto da vida em sociedade. Francisco retorna então à Amoris laetitia, no seu no. 291: “A Igreja não cessa de valorizar os elementos construtivos nas situações que ainda não correspondam ou que não correspondam mais ao seu ensinamento sobre o matrimônio”. Isso equivale a dizer que o plano da realidade natural, com as definições que ela comporta, e o plano da compreensão pastoral, que se refere à ordem jurídica da vida em sociedade, podem não se cruzar e serem heterogêneos.

A novidade -- pois se trata de uma – das declarações recentes do papa em relação à declaração dada no livro de 2017, é que o papa agora reivindica um “direito” para a união civil dos homossexuais. Há novidade, certamente, no sentido de que o papa diz em 2020 o que ainda não dizia em 2017. Mas a novidade é só aparente se considerarmos que a afirmação de 2020 já estava em germe (ou virtualmente presente) nos princípios anunciados em 2017. O direito à união civil dos homossexuais já estava inscrito antecipadamente nos parágrafos citados de Amoris laetitia. Francisco só faz explicitar, de modo lento, mas seguro e inevitável, a sequência lógica do seu próprio discurso.

O pressuposto de uma lógica desse tipo deve ser sublinhado. Tudo se passa como se a ordem jurídica e social da lei humana positiva não mais se fundasse na lei natural, e como se o “direito” que a lei civil reconhece pudesse ser dissociado do “direito” que tem de decorrer normalmente da natureza do homem, ao ponto mesmo de se contradizerem. O papa reconhece, com efeito, que o direito da Igreja, que só reconhece como união sexual legítima o matrimônio, definido como a união de um homem com uma mulher, não exclui um outro direito, a saber, o da sociedade civil, na qual o Estado reconhece a união homossexual como legítima. Seja qual for a intenção do papa, está claro que uma concepção semelhante do direito corresponde diretamente a uma concepção materialista e mesmo marxista do homem. O homem não é mais uma realidade estável, conforme a sua essência, mas o termo sempre renovado de uma incessante evolução, na qual o espírito se liberta cada vez mais da matéria. A moralidade e, com ela, a ordem política, não possuiria outro fundamento que a tomada de consciência da necessidade de evolução. A natureza, no sentido em que a compreende a filosofia de Aristóteles e de Santo Tomás, não existe mais. Ou antes: ela se reduz à consciência, único elemento estável por ser objeto de evolução.

João Paulo II, é verdade, havia reprovado em 2003 o reconhecimento jurídico e legal das uniões homossexuais por parte das autoridades civis. O argumento principal apresentado pelo papa polonês era o seguinte: “Nas uniões homossexuais, estão completamente ausentes os elementos biológicos e antropológicos do matrimônio e da família que poderiam fundar razoavelmente o seu reconhecimento jurídico. Essas uniões não estão em condição de assegurar, de modo adequado, a procriação e a sobrevivência da espécie humana”. Por causa disso: “A Igreja ensina que o respeito para com os homossexuais não pode, de modo algum, conduzir à aprovação do comportamento homossexual ou ao reconhecimento jurídico dessas uniões”. Contudo, é preciso dizer que, mesmo o Papa João Paulo II julgou bom afirmar que a liberdade religiosa é a “fonte e a síntese” de todos os outros direitos. Ele escreveu, com efeito: “É necessário que os povos que estão em vias de reformar as suas instituições deem à democracia um fundamento autêntico e sólido graças ao reconhecimento explícito desses direitos. Entre os principais é preciso recordar o direito à vida da qual fazem parte integrante o direito de crescer no seio da sua mãe após a concepção; em seguida, o direito de viver numa família unida e num clima moral favorável ao desenvolvimento da sua personalidade; [...] o direito de fundar livremente uma família, acolher e educar crianças, exercendo de modo responsável a sua sexualidade. Em um sentido, a fonte e a síntese desses direitos é a liberdade religiosa, entendida como o direito de viver na verdade da sua fé e em conformidade com a dignidade transcendente da sua pessoa.” Isso não equivale a introduzir o veneno que, com o passar do tempo, desembocaria em 2017 e em seguida em 2020, na reivindicação do direito legal à união civil dos homossexuais?

É inegável que, ao defender o princípio da liberdade religiosa, Roma promoveu de fato uma sociedade que, concedendo espaço igual a todas as opiniões, teria de ficar neutra. Ela renunciou ao Estado confessional católico, não apenas na prática e no curto prazo, mas ainda no seu princípio mesmo. O campo ficou aberto para uma legislação que, ao ignorar a Deus, não pode mais encontrar o meio de justificar a referência exclusiva à lei natural. Não é de se admirar, portanto, que os governantes das sociedades civis, pelo fato mesmo de organizarem a sociedade sem levar Deus em consideração, a organizem sem levar a natureza em consideração. Por vontade mesma do Concílio Vaticano II, a consciência libertou-se de todo constrangimento da parte dos poderes públicos, sobre o plano da vida em sociedade. O matrimônio e a união civil podem coexistir pacificamente numa sociedade de tal tipo, em justos limites, que não os da fé e da moral. Por essa razão, a política não está mais em continuidade com a natureza. Independente das realidades naturais e das definições necessárias que elas implicam, a nova doutrina social da Igreja é resolutamente personalista: a atitude para com as pessoas não decorre mais dos princípios da natureza. Pode-se recusar a teoria do gênero, precisamente enquanto teoria, como algo contrário às realidades naturais: a prática se encarrega de aceitar aquilo que a teoria reprova.

(Courrier de Rome, Outubro de 2020)

Começando a ler Chesterton

Wojciech Golonka

Gilbert Keith Chesterton (1874-1936) é justamente louvado pelos católicos pela sua grande contribuição à defesa da Fé e da Igreja Católica. Ele, de fato, foi um “prodigioso defensor da fé”, como o Cardeal Eugenio Pacelli, que veio a se tornar o Papa Pio XII, afirmou em um telegrama de condolências enviado ao Arcebispo de Westminster quando Chesterton faleceu. Na verdade, a Santa Sé já o havia reconhecido como tal antes mesmo de sua morte, pois ele, juntamente com Hilaire Belloc, foi premiado com a Ordem de São Gregório Magno pelos serviços que prestaram à causa católica. Portanto, Chesterton deveria ser lido até mais do que se alega, e, ainda assim, alguns leitores podem achá-lo complicado e um pouco excêntrico. Eles provavelmente têm razão de pensarem assim.

Então como começar a ler Chesterton sem perder o ânimo? Claro, você pode tentar ler um de seus livros, talvez fique viciado em Chesterton, como ocorre com muitos que o descobrem -- nesse caso, estará pronto para atravessar suas leituras e passagens mais difíceis. Mas também pode ser repelido ainda no começo; e, então, o que fazer? Permita-me tentar criar um “manual de instruções” para quem quer se aproximar da obra de Chesterton, antecedido de uma breve análise de sua evolução literária e religiosa.

Chesterton foi, acima de tudo, um observador buscando a verdade sobre o homem e seu destino. Um honesto, porém autônomo e auto educado gênio, levou muito tempo até que finalmente chegasse à Igreja Católica e fosse profundamente influenciado pela clareza de sua doutrina. Essa transformação é evidente nos seus escritos. Educado em uma família vagamente cristã, ele, primeiramente, tornou-se agnóstico na adolescência. Então, ao se apaixonar por Frances Blogg no final do Século XIX, que era uma garota educada por freiras anglocatólicas e sinceramente cristã, embora protestante, isso o ajudou a redescobrir o credo cristão tal como definido pelo Concílio de Nicéia, embora sem que ainda aderisse a alguma instituição em particular, especialmente a Igreja Católica. Naquele tempo, a heresia modernista estava atacando não apenas a Igreja Católica, mas também os setores mais conservadores dentro do protestantismo, aos quais Chesterton, formalmente, aderia. Mas, como ele tinha uma compreensão católica do credo, rejeitava interpretações da Escritura que levassem ao afastamento da historicidade dos milagres, alegações de que o dogma tinha origens puramente humanas ou a evolução da moral baseada em mudanças na consciência humana ao longo do tempo. Ao mesmo tempo, combatia os grandes erros de seu tempo – o marxismo, que direcionava todas as atividades humanas a fins materiais; o determinismo, que alegava que o homem não tem livre-arbítrio; o racionalismo e o positivismo, que negava qualquer intervenção de Deus na história humana, especialmente através dos milagres; mas também o imperialismo (hoje se diria “globalismo”) e até mesmo o racismo. Seu conflito com esses erros – e aqueles que os espalharam – resultaram na sua primeira grande obra, Hereges (1905). Então, pressionado por seus adversários a esclarecer quais eram suas visões, três anos mais tarde ele publicou Ortodoxia, expondo suas crenças sobre a natureza humana, o mundo e o Cristianismo.

Ambos os livros trazem descrições jocosas de seus oponentes e algumas intuições brilhantes sobre os temas desenvolvidos. Ainda assim, é possível que o leitor considere Chesterton um pouco complicado quanto se trata de desenvolver essas ideias na forma de um tratado. A sua conversão ao Catolicismo mudou alguma coisa naquele ponto? Primeiro, é preciso deixar claro que ele já estava a caminho da Igreja Católica em 1911, pois “estava mais inclinado que nunca a crer, embora não tivesse ainda admitido que as teses das Igrejas Anglicana e Grega1 estavam menos próximas da verdade que as da Igreja Católica Romana” (William Odie, Chesterton and the Romance of Orthodoxy: The Making of GKC, 1874-1908, Oxford University Press, p. 382). Ele também, ao mesmo tempo, travou amizades com alguns padres católicos romanos e admirava seu profundo conhecimento da psicologia humana. Recebeu forte influência deles, embora só tenha abraçado o Catolicismo em 1922. Então, tenha paciência se você estiver rezando pela conversão de um conhecido bom e honesto, pois Chesterton já foi um deles. Embora, como ele mesmo admitia, a fé e o pensamento católicos abria-lhe grandes perspectivas intelectuais, esse processo de esclarecimento e iluminação de sua mente também levou algum tempo.

Por exemplo, O Homem Eterno, publicado em 1925, é sua grande obra-prima apologética em defesa da divindade de Cristo e contém duas simples intuições: o homem não pode ser apenas um animal, pois ele dá sinais de ser espírito; Cristo não pode ser apenas um homem, pois ele dá sinais de ser uma divindade. Apesar dessa simplicidade, o processo de deduzir essas duas ideias claras através de uma demonstração longa e complicada pode ser assustador para os leitores.

Agora, olhemos para seus ensaios polêmicos com os modernistas e protestantes dos anos 1920 e 1930, como aqueles publicados em dois livros apologéticos: A Coisa: Por que sou católico (1929) e The Well and the Shallows (1935). Eles são mais fáceis que O Homem Eterno. Isso significa, penso, que, se o leitor quiser se beneficiar do gênio apologético de Chesterton, é muito melhor começar com os livros que escreveu na última década de sua vida, quando ele já estava sob influência do Catolicismo. Também recomendo meu livreto Protestantism as Seen by G.K. Chesterton. 80% do seu texto é composto de citações extraídas de vários de seus livros e, acima de todos, de A Coisa e The Well and the Shallows. Não que eu queira recomendar meu próprio trabalho, mas, como um estudioso que dedicou vários anos aos seus escritos, recomendo-lhe seu pensamento apresentado em uma síntese que lhe traz o melhor de sua polêmica sobre o tema. Além disso, essa obra expõe a evolução do protestantismo ao longo dos séculos e também explica como ele, eventualmente, transformou-se em modernismo e rejeitou completamente o credo cristão, que, na atual crise da fé, é um perigo ainda maior que no tempo das polêmicas de Chesterton.

Também há outro approach, mais cronológico, ao seu pensamento apologético que não expõe o leitor ao risco de se assustar com a dificuldade do texto. Ele também escreveu pequenos romances, e eles são simples, têm um senso de humor irresistível e, ainda que tenham alguns defeitos do ponto de vista literário (as pessoas normalmente se decepcionam com o final deles), trazem diálogos vívidos nos campos da religião, da política e da moralidade. Enquanto The Ball and the Cross (1909) representa um conflito muito curioso entre a fé e a descrença, o Flying Inn (1914) é uma profecia inacreditável sobre o islamismo invadindo o mundo ocidental. O Homem que era Quinta-Feira traz uma sólida axiologia na qual se demonstra que a heresia é o pior de todos os pecados. Manalive (1912) é um grande antídoto ao veneno puritano destilado pelo calvinismo nos países anglo-saxões. Você não vai desperdiçar seu tempo com essas leituras, pois essas histórias cômicas sempre trazem miniensaios escondidos, disfarçados sob a forma de diálogos.

Para encerrar, podemos dizer que, ao recomendar suas obras em geral, a Igreja acha bom e proveitoso ler Chesterton. Pessoalmente, eu acho que, embora alguns de seus livros escritos antes de sua conversão contenham alguns erros doutrinários ou inexatidões, como demonstrado pelo padre tomista francês, Joseph de Tonquédec, não são erros perigosos para os leitores. Mas a coisa mais importante a se enfatizar é o fato de que ele, de algum modo, previu os erros com os quais a humanidade se confrontaria. Muitos já estavam presentes, na forma de falsos princípios, na sua época.

Portanto, pode-se aplicar a ele o que ele mesmo dizia de William Cobbett: “Em uma palavra, ele enxergou o que nós enxergamos, mas ele enxergou quando nada estava lá. E alguns não conseguem enxergar – mesmo quando tudo já está lá. É o paradoxo de sua vida que ele amava o passado, e era o único que vivia o verdadeiro futuro. O futuro era nebuloso, como sempre é; e, de algumas maneiras, sua inteligência, largamente instintiva, era suficientemente nebulosa quanto a ele”. E, em segundo lugar, não apenas Chesterton previu esses erros, mas ele também os refutou de uma maneira compreensível ao homem comum. Aqui, novamente, o que ele dizia de Chaucer, outro gênio de tempos passados, também se aplica a si mesmo: “Eles não se deram o trabalho de inventar uma nova filosofia, mas, ao invés, herdaram uma grande filosofia. Ela é, na maioria dos casos, uma filosofia que muitos grandes homens têm em comum com homens muito ordinários… O grande poeta apenas professa expressar o pensamento que todo mundo sempre teve”. Esse pensamento, que todo mundo sempre teve, tem um nome em especial: Tradição. Ler Chesterton vai lhe trazer um conhecimento melhor dos seus princípios.

(The Angelus, set-out/2020 - tradução: Permanência)

  1. 1. Aqui, o autor, naturalmente, está se referindo à Igreja cismática grega (Igreja “Ortodoxa”), não a toda e qualquer Igreja Grega (como as Igrejas Católicas Bizantinas, que estão em união com Roma e são tão católicas quanto a nossa Igreja Católica Romana).

Introdução ao primeiro domingo do advento

“Vede a figueira e toas as árvores: quando começam a desabrochar, conheceis que está perto o estio. Assim também, quando virdes que acontecem estas coisas, sabei que está próximo o reino de Deus”

Durante todo o Tempo do Advento a Igreja não perde de vista o duplo aparecimento do Salvador: Seu nascimento em Belém, cujo esplendor sempre atual se deve estender até o fim dos tempos, e seu regresso no Juízo Final para “condenar às chamas os pecadores e convidar os justos à bem-aventurança” (Hino de Matinas). A Missa do dia de hoje fala-nos destas duas vindas de Jesus: de misericórdia e de justiça. Alguns passos referem-se indiferentemente a ambas (Intróito, Oração, Gradual, Aleluia), outros fazem apenas alusão ao nascimento do Salvador na humildade do Presépio (Comunhão, Pós-comunhão), e outras finalmente falam da sua vinda como Rei em todo o esplendor do seu Poder e Majestade (Epístola e Evangelho). O acolhimento que fizermos a Jesus, agora que Ele nos vem salvar, ditará o que Ele nos há de fazer quando nos vier julgar. Preparemo-nos, portanto, para a festa do Natal por meio de santas aspirações e pela emenda de nossa vida, para estarmos preparados para o julgamento final do qual dependerá, por toda a eternidade, o nosso destino. Tenhamos confiança, pois “nenhum dos que esperam em Cristo será confundido” (Intróito, Gradual, Ofertório).

Era na Basílica de Santa Maria Maior que todo o povo de Roma estacionava outrora no primeiro Domingo do Advento, para assistir à Missa Solene celebrada pelo Papa. Escolhia-se essa Igreja por ter sido Maria quem nos deu Jesus e por se conservarem aí as relíquias do Presépio no qual a SS. Virgem colocou o seu Divino Filho.

“Que a alma entorpecida desperte, e não rasteje mais pela terra; eis que Jesus vem das alturas dos Céus; uma estrela nova resplandece dissipando as trevas da noite” (Hino de Laudes). A vida cristã é uma preparação contínua para a última vinda do Salvador.

“A salvação está perto”, “o dia aproxima-se”, diz a Epístola. “Aproxima-se a vossa redenção”, “o Reino de Deus está próximo”, ajunta o Evangelho. O Juiz Divino virá dentro em pouco, pois que a morte espreita-nos e, diante de Deus, mil anos são como um dia apenas. Nesta segunda vinda, Cristo virá dar a cada um segundo as suas obras. Será a coroação da obra de Cristo e o triunfo da sua redenção.

 

Missal Quotidiano e Vesperal por Dom Gaspar Lefebvre, Beneditino da Abadia de S. André. Bruges, Bélgica: Desclée de Brouwer e Cie, 1952.

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