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CAMPANHA DE ROSÁRIOS PELAS ELEIÇÕES

 

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Category: Pe. Thierry Gaudray, FSSPXConteúdo sindicalizado

Paulo VI (1887-1978), um novo santo?

Pe. Thierry Gaudray, FSSPX

 

No dia 5 de agosto passado, o Papa Francisco falou à multidão reunida na praça São Pedro para a oração do Angelus: “Há quarenta anos, o Beato Papa Paulo VI estava vivendo as suas últimas horas nesta terra. Morreu, de fato, na noite de 6 de agosto de 1978. Recordemos dele com muita veneração e gratidão, à espera da sua canonização, em 14 de outubro próximo. Do céu interceda pela Igreja, que tanto amou, e pela paz no mundo. Este grande Papa da modernidade, o saudemos com um aplauso, todos!

Não há dúvida que, ao canonizar Paulo VI, após tê-lo feito com João XXIII e João Paulo II, Francisco tem a intenção de confirmar os católicos nas novas orientações tomadas pela Igreja desde o Concílio, e dar um novo lustro à liturgia reformada1. Paulo VI foi, de resto, o primeiro papa a lançar mão da canonização dos santos para avalizar o Concílio, anunciando, no dia 18 de novembro de 1965, antes do seu término, portanto, a introdução das causas de beatificação de Pio XII, mas também de João XXIII2. (Continue a leitura)

  1. 1. Junto com a missa dita de São Pio V, qualificada de ‘rito extraordinário’, haverá a de “São Paulo VI”
  2. 2. Yves Chiron, Paul VI, le pape écartelé, p. 247, édition Perrin.

As telas e a vida interior

Pe. Thierry Gaudray - Fsspx

 

O uso de eletrônicos — independente do formato — deve ser moderado. Estima-se, no entanto, que adolescentes de 13 a 18 anos gastem em média 6h45 diariamente na frente das telas. Eles não usam os aparelhos da mesma maneira: se as meninas passam uma hora e meia nas redes sociais, os meninos dedicam a elas 50 minutos; por outro lado, enquanto as meninas consagram aos videogames uma média de 10 minutos diários, os meninos gastam uma hora com esses jogos. Os entrevistados parecem estar cientes do perigo do uso da tecnologia, mas sua principal preocupação é com os outros: enquanto 10% das pessoas se declaram viciados nos eletrônicos, pensam que 70% dos outros também o são …

 

Estamos preocupados mais com os outros ...

Até mesmo pessoas mundanas compreendem que há algo de vergonhoso no uso excessivo de telas e tentam escondê-lo, até de si mesmos. Os participantes de uma pesquisa responderam que passavam em média 2h55 por dia em seus telefones, mas quando verificou-se o "spyware" instalado anteriormente em seus dispositivos, descobriu-se que eles realmente passavam 3 horas e 50 minutos.

Todos os estudos mostram que o uso de telas dificulta em muito a aquisição de conhecimento. Em uma pesquisa — e este é um exemplo entre centenas — crianças de 13 anos foram submetidas a um pequeno teste: após um exercício de memorização, foram-lhes oferecidas atividades diferentes uma hora depois. O primeiro grupo jogou um videogame violento, o segundo assistiu a um filme e o terceiro fez algum tipo de atividade. No dia seguinte, os três grupos haviam esquecido 47%, 39% e 18%, respectivamente, do que haviam aprendido.

 

Efeitos perniciosos

Os efeitos a longo prazo são muito mais graves. Certos problemas de atenção estão certamente relacionados ao uso de telas. Existem dois circuitos neurais diferentes, ambos nos tornam "focados" e fazem com que "não percebamos o tempo passar". O primeiro é automático e exógeno; permite-nos estar atentos ao mundo à nossa volta. O segundo é voluntário e endógeno: é o que nos permite entender, encontrar uma ordem lógica e aprender. As telas excitam artificialmente o primeiro e prejudicam o segundo. As variações sonoras, os flashes visuais, as mudanças de cenas, a multiplicação dos ângulos de visão, o rápido emaranhado de sequências narrativas... mantém o espectador agitado, sem que ele tenha feito esforço algum. E assim, a capacidade de pensar não para de diminuir. A empresa Microsoft publicou um estudo que mostra que o tempo de atenção dos homens caiu para 9 segundos em média. A própria companhia os compara ao peixinho dourado, que é capaz de fixar o olhar por 8 segundos... Se as mensagens não forem cada vez mais incisivas e provocantes, os homens se distraem com outras coisas. É preciso atrair constantemente a sua atenção, de um modo que somente os eletrônicos conseguem fazer. A realidade e os livros tornam-se entediantes para eles.

 

Homem virtuoso ou homem digital

Os católicos tradicionalistas estão imunes à onda que varre o mundo ao nosso redor? É muito difícil se proteger dessa revolução, uma vez que a presença desses eletrônicos nas casas, ou mesmo nos bolsos, torna-se muitas vezes inevitável. Ademais, muitos procuram se justificar afirmando que a nova tecnologia não é intrinsecamente perversa. Isso pode ser verdade, mas é uma tecnologia perigosa! É somente à custa de meios muito rigorosos que a ruína pode ser evitada. As telas fascinam; a luz e a rápida sucessão de novas imagens hipnotizam; a atração da curiosidade — que São João chama de concupiscência dos olhos — é poderosa. Pouquíssimas pessoas se impõem disciplina suficiente para regrar o uso de telas e, no entanto, isso é algo possível. Em Taiwan, não é permitido deixar uma criança com menos de dois anos de idade com um tablet (está prevista uma multa de 1.500 €) e seu uso por menores deve ser regulamentado (o objetivo é não deixar que utilizem por mais de 30 minutos consecutivos). A esperança da salvação eterna e a busca da santidade não são motivos mais poderosos do que uma contravenção? É essencial definir horários fora dos quais o uso dessas máquinas esteja proibido. O domingo deve ser mantido como um dia sagrado, longe da tecnologia escravizante.

O homem é responsável pelas influências a que se submete, correndo o risco de perder sua liberdade interior. A consciência hipnotizada pelas telas acaba adormecendo com o sono culpado. Embora Deus tenha fornecido à natureza humana capacidade de se adaptar às circunstâncias por meio da aquisição de saudáveis hábitos libertadores, os meios modernos de comunicação exploram as fraquezas da nossa psicologia para fins comerciais e revolucionários. O homem virtuoso se eleva acima do protesto da natureza ferida; o homem "digital" deixa-se levar pelas demandas habilmente projetadas do universo das telas.

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