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CAMPANHA DE ROSÁRIOS PELAS ELEIÇÕES

 

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A criação

Dois autores espirituais de índoles tão diversas, como Santo Tomás de Aquino e São Francisco de Sales, tiveram ambos a idéia de colocar a mesma consideração no pórtico de duas grandes obras: a Introdução à Vida Devota e a Summa Contra Gentes, IIª Parte. Ambos os autores, um em termos mais universais e grandiosos, e o outro em termos mais particulares e adaptáveis a cada alma, propõem a consideração do Universo, da Criação, como útil ao progresso da Fé. O Doutor Angélico, invocando as palavras do salmista: “medidatus sum in omnibus operibus suis”, abre o seu segundo capítulo com estas palavras: “A meditação das obras divinas é necessária ao homem para a edificação de sua Fé em Deus.” E logo adiante acrescenta que o primeiro proveito é o de deixar a alma admirada e maravilhada, porque, como já mil e tantos anos antes dissera Platão, não pode haver sabedoria sem essa inicial disposição de louvor. Nessa perspectiva poderíamos dizer que o princípio da sabedoria é a admiração. O que Santo Tomás deseja de nós é que descubramos, na meditação das obras de Deus, que Deus é causa primeira de tudo, causa eficiente segundo o seu poder, causa exemplar segundo sua sabedoria, e causa final segundo sua bondade; ou que cheguemos a vislumbrar, na essencial bondade de todas as coisas, o reflexo daquela Bondade que é o próprio Deus.

Em tom menor, com uma graça infinita, e com uma língua de fazer inveja a qualquer escritor de qualquer idioma, São Francisco de Sales, com a maior amabilidade do mundo, quer que vejamos na meditação das coisas criadas a fragilidade, a miséria e o quase nada do ser contingente: “Considerez qu’il n’y a que tant d’ans que vous n’etiez point au monde, et que votre être était um vrai rien. Où etions nous, ô mon ame, en ce temps là? Le monde avait dejá tant duré, et de nous il n’en était nulle nouvelle. E o salmo que invoca é o XXVIII, onde o cantor compungido e agradecido diz: “Senhor, eis-me diante de Vós como um verdadeiro nada, como tivestes lembrança de mim para me criardes?” E mais adiante, compondo dois salmos num só grito de agradecimento, escreve o santo doutor: “Ó minh’alma, saibas que o Senhor é teu Deus; foi ele que te fez, e não tu mesma que te fizeste; somos obra de Suas mãos.”
 
Ora, é por essa mesma pauta, e seguindo tão altos exemplos, que procuramos orientar nossas aulas, que colocamos sob os auspícios e proteção de São Pio X. A Criação pode ser admirada e louvada de muitos modos, como nos ensina o Benedicite. Um desses modos, que escolhemos, é o que envolve e atualiza a pesquisa científica sobre as origens de tudo. Há tanta beleza e maravilha nos átomos, no contraponto da chamada série periódica, nos enlaces moleculares, nos monumentais edifícios das proteínas, no intrometimento eficacíssimo das enzimas, no mistério da origem da vida como no espetáculo das constelações, ou como no espetáculo ainda mais maravilhoso do sorriso de amizade com que telegrafamos tantos segredos aos nossos irmãos de planeta.
 
Posso, entretanto, garantir ao leitor que a linguagem usada nas aulas é mais comedida, e busca ser sempre instrutiva e construtiva do Reino de Deus. É o melhor que podemos fazer de nós mesmos: e ainda melhor faríamos se nos ajudassem a dar a esses cursos um caráter mais institucional. (1967)
 
(PERMANÊNCIA, 1990, julho/agosto, números 260/261)

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