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PASTORAL
"A Igreja é polêmica e freqüentemente dramatizante. Ainda se chama a Igreja na terra de militante e não de dialogante. E quanto mais "pastoral" mais militante e mais viril deve ser a atitude do homem de Igreja, seja ele leigo ou Papa. Porque diacho terão descoberto sentido analgésico e soporífero ou lubrificante no termo "pastoral"?
 
"Semanas atrás todos nós meditamos sobre a obra-prima divina, se assim podemos dizer, que é o Evangelho do Bom Pastor. Nessa polêmica e dramática alegoria, em três linhas encontramos:
 
1. O Bom Pastor que dá a vida pelas suas ovelhas.
2. O mercenário, que em vez de defender suas ovelhas, as aconselha a dialogar com o lobo.
3. O lobo, que devora não sabemos quantos apóstatas por dia.
 
"Não vejo nesse Evangelho nenhum traço desse "pastoralismo" inventado recentemente pelo qual o mercenário não é tão feio quanto se pinta e o próprio lobo tem inegavelmente um lado positivo.
 
"No meu entender, "pastoral" continua a ser um termo enérgico, militante, que lembra o Pastor que deu a vida por suas ovelhas, e que tem cor de sangue para lembrar o sacrifício e o amor. Continuo a crer que a Igreja na terra continua Militante, com a função de anematizar o erro por amor à Verdade e por amor aos homens. [...]"
(Pastoral! O Globo, 27/4/78)
 
"Discutiu-se o problema do Concílio [Vaticano II] ser apenas pastoral; alguns mais lúcidos chegaram a dizer que todos os concílios ecumênicos são necessariamente pastorais. A esses mais lúcidos faltou todavia a coragem ou a lucidez para ir até o fim da sentença. Todos os concílios ecumênicos foram pastorais, exceção feita do Concílio Vaticano II, que foi "aberto", tolerante, pragmático - tudo o que quiserem - menos pastoral [...]
 
"E agora, com o coração a estalar de dor, nós podemos, na presença de Deus que não nos deixa mentir, perguntar que título merece este Concílio que no seu encerramento deixou claramente entendido que seus três mil bispos, numa opressiva e sufocante maioria, já não acreditam em lobos e na perdição das almas, e que na sua última declaração sobre a Liberdade Religiosa, com o pretexto de agradar aos homens, confirma os transviados no erro mortal, e acaricia o orgulho dos que se julgam senhores de sua própria lei? Posso dizer que os bispos e o Papa mostraram um ardente interesse pelos problemas temporais e uma estranha simpatia pelos piores regimes muitas vezes condenados pela Igreja, mas não mostraram o menor zelo pela cura das almas. Poderei, diante de Deus, deizer que essa declaração sobre a Liberdade Religiosa, e mais as outras duas sobre a Igreja e o Mundo e sobre o ecumenismo, demonstram que esse Concílio terá sido "pastoral" entre aspas e piscadelas de olhos entre os evoluídos e mutacionados. Mas não no sentido austero, severo, amoroso e terrível que a Igreja Católica sempre deu a esse termo. Não foi pastoral no sentido dos Evangelhos e do Magistério. Mas se eles próprios dizem que o Concílio só foi "pastoral" (aspas e piscadelas de olhos) então nós só podemos concluir, aterrados, que esse Concílio autofágico não foi nada, ou então que foi uma trama urdida pelo Diabo para a ruína e desmoralização de todos os valores e todas as verdades da Santa Religião fundada por Nosso Senhor Jesus Cristo"
(Pastoral? O Globo, 29/4/78)
 
PÁTRIA
"E não se diga que o sentimento pátrio nos separa da grande humanidade comum. Acidentalmente acontecerá tal coisa, mas normalmente a diversidade de nações e costumes melhor realça a unidade essencial do gênero humano. O homem está no fluxo da história para manifestar, aos homens, aos anjos e a Deus todas as virtualidades da essência humana; e para isto é boa a divisão que multiplica a possibilidade de manifestações do mesmo universal louvor elevado a Deus. Cada país, cada nação habilitada a se constituir em corpo político não existe só para o bem-estar de seus cidadãos. Cada nação traz à história uma contribuição civilizacional própria. Há nações mais importantes, como a França, cuja ausência na história repugna até a fantasia. Poderá alguém imaginar a história desse mundo sem a Inglaterra? Poderá um brasileiro sequer fantasiar a caricatura de um mundo sem Portugal, sem Camões, sem Vasco da Gama? Poderá algum espírito anêmico conceber um planeta Terra sem a flor da bela Itália ou da rubra Espanha? E perdoem-me a inevitável omissão todas as pátrias irmãs que incluo na festa do dia da pátria para lembrar que todas se devem umas às outras, sem quebra da ordem que nos preceitua um dever mais próximo, mais direto e imediato em relação àquela onde nascemos e para cuja glória devemos trazer nosso modesto tributo."
("A Vocação do Brasil" in Permanência no. 35, Agosto de 71)
 
PATRIOTISMO
"O patriotismo é uma virtude moral anexa da justiça. Como todas as virtudes morais, tem a universalidade que não conhece fronteiras, mas deve exercer-se concretamente no desejo e na promoção do bem comum de uma determinada comunidade humana definida por fronteiras culturais, geográficas, lingüísticas e históricas. O homem procura o bem sob o duplo ângulo do universal e do concreto. Se a idéia de justiça manda que se dê a cada um o que lhe é devido, de um modo geral, a virtude da justiça é inclinada ao exercício, ao particular, ao concreto, ao próximo. (...) Sendo o patriotismo uma virtude moral, é claro que o sentimento mais se dirige para os homens do que para as coisas. É mais uma forma de fraternidade do que uma admiração pela bacia hidrográfica do Amazonas." 
"O patriotismo é uma forma de reverência que tem apoio na tradição. É um sentimento, raro hoje, de respeito pelos antepassados. É um modo peculiar, racional e afetivo, de ver no chão de uma terra o sinal de pés antigos. É um modo especial de adivinhar numa paisagem os sinais, os comoventes sinais de antigas mãos. É um modo sem igual de simpatizar com dores passadas e de se alegrar com passadas alegrias. É ter uma história comum, que vem de longe, cantada na mesma língua e vivida no mesmo grande e permanente cenário."
(Patriotismo e Nacionalismo, in As Fronteiras da Técnica
 
PAULO VI
"Se quiséssemos fazer um resumido inventário desse pontificado, teríamos de começar evidentemente pelo Concílio Vaticano II e mais especialmente pela Constituição Pastoral sobre a Igreja no mundo atual, o Decreto sobre o ecumenismo, a Declaração sobre a liberdade religiosa e pelo discurso de encerramento pronunciado pelo Sumo Pontífice.
 
"Em seguida mencionaríamos as reformar litúrgicas feitas "para acomodar a santa liturgia" à mentalidade contemporânea, e mais especialmente o novo Ordo Missae, e especialíssimamente o ponto 7 da Institutio Generalis do mesmo. Em seguida lembraríamos a campanha desencadeada no mundo inteiro contra o IV mandamento de Deus e a promoção do "jovem". Em seguida falaríamos sobre a acintosa heterodoxia de vários autores sob a benevolente tolerância que encontraram e que prova o desgoverno da Igreja. Mencionamos alguns pregadores dessas novas e detestáveis doutrinas: Karl Rahner, Hans Kung, Ratzinger (elevado ao cardinalato), J. B. Metz, Schillebeckx, Yves Congar, Gonzalez-Ruiz; e na América Latina: Juan Segundo, Segundo Galileia, Gustavo Gutierez, e no Brasil, Leornado Boff, Carlos Mesters e outros.
 
"A esses abusos e aos correlatos descasos pelo Depósito Sagrado, acrescentaríamos os aberrantes produtos da nova pastoral catequética. De um modo geral falaríamos na protestantização da Igreja e finalmente mencionaríamos a "Ost-Politik" do Vaticano.
 
"Diante de todas essas aberrações, não hesitaríamos em dizer que o pontificado de Paulo VI foi o mais tormentoso e desastroso de toda a história da Igreja.
 
"Como resultado global, temos hoje um cisma mais profundo e mais grave do que o Grande Cisma do Ocidente ocorrido no século XIV. Com uma diferença: naquele tempo os fiéis católicos estiveram hesistantes diante de duas obediências, e até alguns grandes santos, como São Vicente Ferrer, enganavam-se de papa (escolhendo Clemente VII em vez de Urbano II), MAS NÃO SE ENGANAVAM DE IGREJA, que permanecia una, íntegra, nas duas obediências. Hoje, ao contrário, temos duas Igrejas: a Igreja Católica, fundada por Nosso Senhor Jesus Cristo, e outra reformada, alterada, adulterada em favor de um humanismo sem dimensões sobrenaturais, e ostensivamente apegado às coisas temporais, usque ad contemptum Dei."
("O Pontificado de Paulo VI", revista Permanência Maio-Junho de 1978)
 
PEREIRA PASSOS
"Lembro-me agora das ressonâncias que tinha para nós, em casa, o nome do grande engenheiro. Foi talvez ele que me plantou na alma o gosto da profissão, de tanto ouvir falar em torno, com respeito e até veneração. Lembro-me de minha mãe, num dia muito claro e muito antigo, a me explicar a obra daquele grande homem que n´O Malhor eu via caricaturado ou fotografado ao lado do presidente da República, que eu aprendi a desenhar assim: um círculo, dois círculos menores no lugar dos óculos, e cinco fios de barbante paralelos.
("Rio Antigo" in Conversa em Sol Menor)
 
PLÍNIO SALGADO
"Sem conhecer os rudimentos da arte, tornou-se escritor e orador; sem conhecer a doutrina que diz defender, tornou-se um exegeta; sem conhecer os elementos de filosofia, tornou-se pensador. E ainda por cima, no arrojo de todos esses empreendimentos não o ajuda a inteligência. Porque inteligente ele não é (...)
 
"Confiante em si, como a seu tipo convém, o encorajado pelas mesmericas emanações de seu público, o sr. Plínio Salgado pretendeu ser uma voz poderosa, ou melhor, um coro, uma orquestra viva, rica em timbres, com o registro de sociólogo completando o do católico, e com o barítono do cientista armado em sabia fuga de quatro compassos com o tenor do patriota.
 
"E desafinou. Provou, a quem tenha um par de ouvidos comuns, e não simplesmente um par de orelhas, que não possui nenhuma daquelas vozes. "
("À Margem de um Discurso", A Ordem, Janeiro de 1947)
 
PRINCÍPIO DE IDENTIDADE
“Quando um juiz delibera, em vista de um volumoso processo, que um réu é culpado, já pressupõe, com uma certa segurança, que o réu é ele mesmo. Por isso, e para evitar que no mais brilhante dos debates seja condenada uma das testemunhas, costuma-se indagar o nome, a idade, a residência, e verifica-se a carteira com fotografia e impressão digital.”
(O Humorismo, A Ordem, agosto de 1942)
 
PROFESSOR
"Saí pela rua procurando alguém que entendesse uma coisa extraordinariamente, assustadoramente simples: que a marcha da civilização chegará a um colapso no dia em que ficar unanimemente estabelecido que um professor de telecomunicações deve preocupar-se meticulosamente com o conhecimento de coisas como o salário-família, o exercício findo, o encerramento do exercício etc. etc. etc. Sempre imaginei que existissem Secretarias, e funcionários de Secretarias, para notificar, avisar, telefonar e até para tornar a advertir e tornar a telefonar aos professores distraídos. Agora vejo que eles existem para se divertirem com as distrações dos professores. Ora, ou o professor é distraído, ou não é professor. Ou se ocupa dos alunos e da matéria, confiando que dele se ocupem no que tange o salário, as gratificações, os abonos e descontos, ou então tem de mudar cabeça e coração e mudar de ofício. Não é propriamente o tempo que falta. Sobra-me tempo para ouvir música, para conversar, para escrever artigos e para estudar muitas coisas que não se relacionam com a matéria ensinada. O que falta não é pois tempo; é disposição, é gosto, é alma, é boca. Será que não encontro em São Paulo quem entenda uma coisa tão simples?"
("Um Professor em Apuros", in Conversa em Sol Menor)
 
PROGRESSISMO E PROGRESSISTAS
"Chamamos de progressismo não a procura do progresso, que é própria do homem, mas a procura feita em direção errada e com critérios errados, e também a má doutrina que tenta reduzir todas as várias linhas de progresso humano àquela que se processa nos problemas da relação homem-mundo exterior e interior"
(Origens do progressismo, revista Permanência no. 19, Abril 1970)
 
"Os “progressistas” flagelam desembaraçosamente a Pessoa da Igreja, mas não admitem que lhes pisem os purpurados calos do personnel, que são para eles mais sagrados do que as cinco adoráveis chagas de Nosso Senhor Jesus Cristo."
(Editorial Permanência, n°56, Ano VI, Junho de 1973.)
 
PROTESTANTISMO
"...o que nos choca na atitude protestante é o seu esquisito modo de estimar a Bíblia. Nenhum de nós que escreve gostaria de sofrer o tratamento a que o protestante submete o Espírito Santo. Nenhum de nós se alegra de ser livremente interpretado; e podemos até dizer que o nosso mais acabrunhante sentimento vem do elogio equivocado. André Gide disse uma vez a um admirador apressado que, por favor, não o compreendesse tão facilmente. Pois bem, o Deus ciumento de sua identidade, que martela em nossos ouvidos a sua terrível definição "Eu sou aquele que sou", e que nos recomenda insistentemente que guardemos a doutrina, é tratado como um acomodado personagem que nos dissesse com bonomia: Aqui está a minha revelação, estejam a gosto, e façam dela o que quiserem."
("A Visibilidade da Igreja", A Ordem, Maio de 1951)
 
PSICOLOGISMO
"A racionalização do mistério da iniqüidade é uma iniqüidade. O mundo que não é do Cristo, que não vive o mistério da Fé, perde também a consciência sobrenatural do mal (...) os pagãos apóstatas dos tempos modernos reduzem toda a tragédia humana a conflitos íntimos ou a problemas econômicos. Não há nenhuma tragédia, mas mal entendidos; não existe ódio, mas ressentimentos e recalques. Os autores contemporâneos, quando escrevem romances ou dramas, têm um imenso trabalho, apelam para mil finuras, procuram o concurso de mil circunstâncias, antes de consentirem na realidade brutal do ódio. Estão longe da grandeza de Shakespeare e da clara simplicidade da Branca de Neve. A filha do rei Lear tinha ódio; a rainha madrasta tinha ódio. É verdade que parece fácil explicar, até para uma criança, que a razão daquele ódio era a inveja; mas é justamente a clareza desse motivo, ou antes sua escuridão, que falta em nossa mentalidade apegada ao psicologismo dos conflitos internos. A inveja não é um conflito psicológico, mas um pecado mortal, uma ofensa dirigida para fora, atirada em cima da Suma Objetividade, através da face do próximo."
("Vade Retro, Satana", in A Descoberta do Outro)
 
PSICOLOGIA INFANTIL
"'Se não fordes como as criancinhas não entrareis no reino dos Céus'. O mundo moderno não quer ser como as criancinhas para as quais o tempo só existe como a regra dum brinquedo e como a ordem duma féerie. Nunca houve tamanho massacre de inocentes como neste tempo de muitos Herodes. O século que diz ter entronizado a criança, que mais livros escreveu sobre testes, sobre psicologia infantil, sobre doutrinas de aprendizagem, tiradas, aliás, de experiências feitas com cachorros, na verdade, na verdade mesmo, odeia a criança."
(A Descoberta do Outro, pág. 158)

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