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CAMPANHA DE ROSÁRIOS PELAS ELEIÇÕES

 

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Terça-feira após o domingo da Sexagésima: A meditação na Paixão do Senhor.

Terça-feira após o domingo da Sexagésima   
  
«Considerai, pois, aquele que sofreu tal contradição dos pecadores contra si,
e não vos deixareis cair no desânimo»
(Heb 12, 3)
  
 
I. O Apóstolo nos adverte a meditar com diligência: "Considerai, pois, aquele que sofreu", i. é, medite constantemente, cf. o Provérbio: "Pensa nele em todos os teus caminhos" (Pr 3, 6). E isso pela razão de que, para toda tribulação, encontra-se remédio na cruz.
 
Lá, com efeito, está a obediência a Deus: "Humilhou-se a si mesmo, feito obediente até à morte, e morte de cruz" (Fl 2, 8).
 
Lá está a piedade filial pelos parentes: pois mesmo pregado na cruz, cuidou de sua mãe.
 
Lá, o amor ao próximo, pois na cruz rezou pelos seus algozes, "Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem" (Lc 23, 34).
 
Lá, a paciência nas adversidades, como no Salmo, "Fiquei mudo, em silêncio, privado da felicidade, mas a minha dor exacerbou-se" (Sl 38, 2).
 
Lá, a perseverança final em tudo, pois, ele perseverou até à morte. "Pai, nas tuas mãos encomendo o meu espírito" (Lc 23, 46).
 
Na cruz encontra-se o exemplo de toda virtude. Por isso diz Agostinho: "a Cruz não foi apenas lugar de sofrimento, mas cátedra de ensino".

II. Mas, em que se deve meditar? Em três coisas:
 
1. O gênero da Paixão: diz o Apóstolo que Nosso Senhor "sofreu contradição", i. é, a aflição das injúrias: "salva-te a ti mesmo! se és Filho de Deus, desce da cruz!". Diz o salmo: "Livraste-me das contradições do povo" (Sl 17, 44); e, na Apresentação no Templo, "Eis que este Menino está posto para ser alvo de contradição" (Lc 2, 34).
 
São Paulo ainda assinala a gravidade da contradição: "sofreu tal contradição", i. é, ignominiosa e gravíssima, como aquilo das Escrituras: "Ó vós todos os que passais pelo caminho, atendei e vede se há dor semelhante à dor que me atormenta" (Lm 1, 12)
 
2. Por quem lhe veio o sofrimento: ou seja, pelos pecadores, por quem por sua vez padeceu. "Cristo morreu uma vez pelos nossos pecados, ele justo pelos injustos" (1 Pd 3, 24).
 
3. Aquele que sofreu. Desde a origem do mundo e até a Paixão, Cristo sofreu nos seus membros, mas então sofreu na sua própria pessoa. Por isso acrescenta o Apóstolo: "Considerai, pois, aquele que sofreu tal contradição dos pecadores contra si". E a esse propósito, diz as Escrituras: "foi ele mesmo que levou os nossos pecados em seu corpo sobre o madeiro da cruz" (1 Pd 2, 24).
 
III. São Paulo aponta a utilidade desta meditação quando diz: "não vos deixareis cair no desânimo". A meditação na Paixão de Cristo faz com que não desanimemos. Por isso diz S. Gregório: "Se meditarmos na Paixão de Cristo, nada há de tão duro que não suportemos com benevolência. Portanto, não desfaleceis da verdadeira fé como almas fatigadas, não desfaleceis das boas obras".
 
São Paulo acrescenta uma nova razão quando diz: "Pois ainda não resististes até o sangue, combatendo contra o pecado" (Heb 12, 4), ou seja, não devemos desfalecer nas tribulações por nós mesmos, pois ainda não sofremos tanto quanto o Cristo; pois ele derramou seu sangue por nós.
   
In Heb., XII
      
(P. D. Mézard, O. P., Meditationes ex Operibus S. Thomae. Trad.: Permanência)

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