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Blog de admin

Coronavírus: Entre o medo e a audácia

Abril 4, 2020 escrito por admin

Dom Lourenço Fleichman OSB

Mais uma vez me vejo na obrigação de esclarecer nossa posição católica, diante de crises que se abatem sobre a nossa sociedade. Nosso mundo anda mergulhado no que lhe parece ser um grande sol a iluminá-lo, quando na verdade é apenas uma escravidão consentida e desejada. Sim, os tecnológicos homens desse mundo pós-moderno sabem, percebem sua incapacidade de fugir da compulsão das redes sociais, das massificantes notícias e informações, e sobretudo da sensação que tomou conta de todos, de serem livres como um passarinho a voejar entre galhos de árvores e fios elétricos. 

Poderíamos perguntar a nós mesmos o porquê dessa doença; creio que responderia que o homem busca companhia. Até certo ponto, convenhamos, essa busca é natural, visto a definição mais do que antiga feita pelo Filósofo, segundo a qual o homem é um animal político: vive na companhia dos seus semelhantes. Ora, como o mundo moderno desenhou no pé da mesa do computador (eu sei, eu sei, já não é mais no computador, é deitado na cama ou no sofá com o celular nos dedos, mas não atrapalhem, por favor, a minha história!)... então, retomemos: como o mundo moderno desenhou no pé da cama, ou da mesa, uma bola de ferro virtual, e disse ao ser debruçado na máquina: – veja, caro amigo, esta é uma bola de ferro virtual, nada mais “real” do que o virtual. Portanto, você está preso, velho escravo. Não se mexa, não saia daí.

Edição Hors Série

Março 30, 2019 escrito por admin

O Preciosíssimo Sangue e a nossa Redenção

Julho 31, 2020 escrito por admin

Não foi a necessidade que levou Deus a redimir o mundo com seu Preciosíssimo Sangue. Ele poderia tê-lo feito de milhares de outras maneiras. Seu poder não tem limites, e sua sabedoria é inesgotável. Poderia ter reconciliado o perdão do pecado com a pureza sem manchas da sua santidade, ou por uma série de invenções das quais nem nós nem os anjos podemos fazer idéia.

Deus é incompreensível e há nele abismos que sequer sabemos que existem. Seu poder absoluto permitiria que nos salvasse sem Jesus. Qualquer meio que usasse para nos redimir seria muito caro para nós; contudo, que outro meio de salvação haveria de ser tão digno da grandeza de Deus e do seu amor pelos homens quanto a nossa redenção por Jesus Cristo?

Ainda assim, Nosso Senhor poderia ter dispensado o derramamento de seu Sangue. Não havia necessidade de derramá-lo. Uma única lágrima, um suspiro momentâneo, um olhar levantado em direção ao trono de seu pai, bastaria, se as três Pessoas divinas o desejassem.

O derramamento do Preciosíssimo Sangue faz parte da liberdade do seu amor. Era, de uma maneira misteriosa e real, o modo de redenção mais digno de sua adorável Majestade, e o mais apto a despertar o afeto dos homens.

Quantas vezes Deus tomou como medida de suas próprias ações aquilo que mais convinha ao nosso coração! Quantas vezes não se sacrificou para seguir nossas inclinações?

 

(Fonte: F-W. Faber, O sangue precioso ou o preço de nossa salvação - FSSPX.News - 07/07/2020)

Melos Deo Laus (Música é louvor a Deus)

Julho 19, 2020 escrito por admin

Maria e o Preciosíssimo Sangue

Julho 19, 2020 escrito por admin

Quem pode duvidar da doce autoridade que o Preciosíssimo Sangue exerce sobre o Imaculado Coração de Maria? Ela é a rainha do céu e da terra; seu império se estende para longe, por todos os lados, de modo que não é fácil distinguir seus limites daqueles do Sangue de Jesus, tão estreita e pacífica é a união dos dois reinos.

Maria guarda todo o poder sobre o Preciosíssimo Sangue. Ele obedece a sua vontade, e ela o comanda em virtude de seus direitos de mãe. No entanto, ela também está sujeita a ele e encontra sua felicidade nessa submissão.

É do seu coração que esse Sangue saiu; mas é a esse Sangue que ela deve sua Concepção Imaculada. O encargo de sua maternidade divina era de fornecer esse Sangue, mas é esse Sangue que, desde toda a eternidade, lhe rendeu a honra da maternidade divina. É o Preciosíssimo Sangue que a fez sofrer; mas foi esse Sangue que transformou seus sofrimentos em honras e coroas.

Ela deve tudo o que tem ao Preciosíssimo Sangue, e o Preciosíssimo Sangue deve a ela a sua própria existência. No entanto, o rio é maior que a fonte da qual decorre. O Sangue de Jesus é maior que Maria, e a ultrapassa em toda a extensão do infinito, porque sua corrente se uniu sem se misturar com as águas da Divindade.

Maria senta-se em seu trono para exaltar o Preciosíssimo Sangue. Seu poder é usado para propagar seu império. Suas orações dispensam as graças que Ele mereceu, e sua santidade, que encanta os céus, é um monumento e um troféu erguidos para a glória deste Sangue vitorioso.

 

Pe. F-W. Faber

O Preciosíssimo Sangue de Jesus

Julho 12, 2020 escrito por admin

Pe. F-W. Faber
 
O juízo que devemos ter da criação deve ser semelhante ao de Deus. Devemos contemplá-la, juntamente com as inúmeras almas que ela encerra, pela lente luminosa do Preciosíssimo Sangue; e em toda parte, e sempre, essa grande cena espiritual que a criação nos oferece deve aparecer para nós com o resplendor e as cores do preço glorioso da nossa redenção.
 
Essa é a forma com que o amor de nosso Pai Celeste se manifesta a suas criaturas. É um convite para cada um de nós vir adorar o Preciosíssimo Sangue e desfrutar da liberdade que ele nos oferece.
 
É por meio desse Sangue que Deus nos comunica suas perfeições; é nesse Sangue, como em um rico tesouro, que Ele depositou todas as bênçãos espirituais e temporais que nos são destinadas.
 
Se, apesar de nossos pecados, os elementos da natureza servem a todas as nossas necessidades; se, no mundo ao redor, nossos olhares só encontram beleza e grandeza; se nossas tristezas e dores encontram tantas razões de consolo; se no decorrer da vida a Providência vela por nós com tanta bondade e paciência; se nossos corações sentem tão pouco o peso e a amargura dos numerosos males ​​da nossa condição — tudo isso é graças ao Sangue Preciosíssimo; é por meio desse Sangue que Deus devolveu à criação as vantagens das quais o pecado a destituíra; é desse Sangue que vêm todas as graças, tanto aquelas com que Maria foi cumulada, como as que os anjos desfrutam, e as que são concedidas aos homens.
 
É esse Sangue que merece para todos os homens os favores que todos recebem. Sem esse Sangue, os maus seriam ainda piores, e os infelizes sofreriam com mais amargura o peso dos seus infortúnios. As chamas do inferno seriam mil vezes mais ardentes, se o derramamento desse Sangue não diminuísse a sua intensidade.
 
Não, não há nenhum lugar na criação de Deus que não sinta de algum modo a influência doce e benfazeja do Preciosíssimo Sangue. É com justiça, portanto, que o Pai Celeste chama suas criaturas para essa fonte maravilhosa e as convida a adorar sua sabedoria e seu amor.
 
Quem poderia ter pensado numa tal invenção? Quanto mais a mente penetra nesse mistério, mais encontra nele motivo para espanto.
 
[Pe. F-W. Faber, Le Précieux Sang ou le prix de notre salut. Tradução: Permanência]
 

 

Pandemia, Igreja e Estado

Maio 26, 2020 escrito por admin

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

“É por isso que, do mesmo modo que a ninguém é lícito descurar seus deveres para com Deus, e que o maior de todos os deveres é abraçar de espírito e de coração a religião, não aquela que cada um prefere, mas aquela que Deus prescreveu e que provas certas e indubitáveis estabelecem como a única verdadeira entre todas, assim também as sociedades não podem sem crime comportar-se como se Deus absolutamente não existisse, ou prescindir da religião como estranha e inútil, ou admitir uma indiferentemente, segundo seu beneplácito.” (1) .

1 – Essas fortes palavras do Papa Leão XIII não são a expressão de uma visão retrógrada, pois o Vigário de Cristo designa o próprio princípio da ordem social cristã, ordem necessária para uma expressão da sabedoria divina. O Cardeal Billot deu a justificação teológica para isso na segunda parte de seu Tratado sobre a Igreja (2).

2 – Essa ordem encontra sua profunda raiz na própria natureza do homem e em sua elevação gratuita a uma ordem sobrenatural. Os bens exteriores ao homem (as riquezas) são ordenados ao seu bem-estar corporal e o bem-estar corporal do homem é ordenado ao seu bem-estar espiritual natural, ou seja, ao bem natural de sua alma, e este bem natural da alma está, de alguma forma, ordenado ao fim último sobrenatural, à união sobrenatural do homem com Deus, pela qual a Igreja é responsável. É nessa medida exata em que o bem natural da alma é a condição necessária, embora não suficiente, do bem sobrenatural, uma vez que a graça pressupõe a natureza. Essa hierarquia de bens resulta na hierarquia dos poderes que cabe a eles adquirir (3).

3 – O poder do Estado tem (entre outros) em sua ordem própria, preservar a saúde pública (que é o bem do corpo) e de neutralizar para isso os efeitos nocivos de uma doença contagiosa. O poder da Igreja tem por fim, em sua ordem própria, assegurar o exercício do culto devido a Deus e determinar para isso, por meio de preceito, as condições concretas da santificação do domingo. Por serem distintas, cada um em sua própria ordem, o poder do Estado e o poder da Igreja não devem estar separados (4), porque o bem que cabe ao Estado não é, de fato, um fim último; ele mesmo é ordenado ao fim de ordem sobrenatural. Santo Tomás explica isso muito claramente no De Regimine, livro I, capítulo XV: “É o Papa quem cuida do fim último, a quem deve estar sujeito aqueles que cuidam dos fins intermediários, e é por suas ordens que eles devem ser direcionados”. (N ° 819). O Papa, portanto, exerce um poder “arquitetônico” em relação aos chefes de Estado e essa expressão significa que o Papa é responsável pelo fim último, segundo o qual os chefes de Estado são obrigados a organizar todo o governo da sociedade.

4 – A saúde, que é um dos principais aspectos do bem-estar corporal do homem, nada tem a ver com a santidade, pois é ordenada de alguma maneira ao exercício do culto e à santificação do domingo. Com efeito, mesmo que não seja necessário ter uma boa saúde para ser um santo e mesmo que alguém possa ser um santo sem ter uma boa saúde, normalmente, para poder ir à missa no domingo, um dos pré-requisitos é ter uma boa saúde. O papel do Estado é, portanto, preservar a saúde pública (e neutralizar uma epidemia) para assim oferecer a melhor condição para o exercício do culto, pelo qual a Igreja é responsável, e tornar ordinariamente possível a santidade. O Papa Leão XIII diz, com efeito, que “em uma sociedade de homens, a liberdade digna do nome consiste em que, com o auxilio das leis civis, possamos viver mais facilmente segundo as prescrições da lei eterna” (5). O Estado está, portanto, nessa questão, como em qualquer outra, na dependência da Igreja e subordinado a ela na medida exata em que seu papel é colocar o bem temporal, pelo qual é responsável, a serviço do bem eterno, cujo o Igreja é responsável. “O temporal“, diz Billot, “deve garantir que não haja impedimento à realização do espiritual e deve estabelecer indultos sob as quais pode ser obtido em completa liberdade“. E ele acrescenta que o fim temporal “não deve colocar nenhum obstáculo ao fim espiritual, e, se ele vir a se opor, deve favorecer o espiritual, mesmo à custa de seu próprio detrimento”(6). Palavras surpreendentes aos olhos da razão, mas palavras verdadeiras aos olhos da razão iluminada pela fé. Porque “é melhor entrar com um olho na vida eterna do que ser lançado com dois olhos no fogo do inferno”(7) .

5 – Conseqüentemente, proibir ou limitar o culto para neutralizar uma epidemia seria, por parte do poder do Estado, não é apenas ilegítimo (pelo abuso de seu poder temporal que não pode, como tal, incidir sobre o exercício do culto) mas mesmo absurdo, uma vez que a neutralização da epidemia deve, em última análise, ter o objetivo de promover o exercício do culto. A menos que suponhamos que a inversão radical de fins e de substituir a desordem pela ordem: em vez de ordenar a saúde (com a neutralização da epidemia) ao exercício do culto, seria o exercício do culto (com suas restrições e proibições) que seria ordenadas à saúde. Infelizmente, é isso que vemos nas circunstâncias atuais e que justifica a recente observação de Mons. Schneider: “Os homens da Igreja dão mais importância ao corpo mortal do que à alma imortal dos homens.”(8). Isto se explica pela radical inversão introduzida pelo Concílio Vaticano II: não é mais o Estado subordinado à Igreja e ao serviço dela, é a Igreja que se tornou dependente de estados.

6 – Pode acontecer que, sob um plano de contingência, que é uma circunstância concreta, não seja possível fornecer saúde pública suficiente e neutralizar o contágio de uma doença, de modo a possibilitar o exercício do culto, de maneira ordinária. Cabe então à autoridade eclesiástica – e somente a ela – determinar a forma particular do exercício do culto exigido pelas circunstâncias e torná-lo possível contando com o braço secular. O Estado poderia assim, por exemplo, disponibilizar à Igreja espaços suficientemente grandes, onde os fiéis pudessem assistir a uma missa enquanto permanecessem confinados em seus veículos. Na pior das hipóteses, a Igreja poderia dispensar seus fiéis da assistência na Missa e novamente contar com recursos, técnicos e financeiros, que o Estado disponibilizasse para difundir, massivamente aos lares, transmissões televisivas da Missa. As situações e soluções podem ser muito diversas; mas, em todo caso, a Igreja tem o poder necessário para decidir as condições sob as quais a ordem total deve ser estabelecida, ordem total segundo a qual o exercício do culto é um bem superior ao qual deve ser ordenado o bem da saúde pública. Não cabe ao Estado proibir ou restringir a celebração do culto em nome da saúde. Cabe à Igreja decidir sobre as condições para a celebração do culto, levando em consideração as circunstâncias, reivindicando, como tem o dever e o poder, o apoio e a assistência do poder temporal. 

7 – Essa hierarquização de poderes, necessária e natural, teve seus efeitos amplamente sentidos nos cantões católicos da Suíça no início do século XX. Mesmo após as grandes revoltas que minaram a ordem social cristã em toda a Europa, as autoridades políticas tiveram, por exemplo, em Valais, apenas um poder limitado nas igrejas e só puderam intervir, diplomaticamente, recomendando às autoridades eclesiásticas o respeito das medidas sanitárias necessárias pela epidemia da gripe espanhola. Portanto, não é surpreendente encontrar no decreto do Conselho de Estado de 25 de outubro de 1918: “A autoridade eclesiástica prescreverá as medidas higiênicas necessárias em relação às igrejas e à celebração dos ofícios divinos“. Ao fazer isso, o clero tem a escolha das medidas que deseja aplicar sem que haja qualquer questão de represálias financeiras ou jurídicas. Como resultado, as diferentes cartas endereçadas às paróquias são mais como uma série de recomendações que buscam poupar a sensibilidade ao invés de uma decisão política firme. Uma segunda circular relacionada mais especificamente aos enterros estipula que o caixão deve ser levado diretamente ao cemitério para sepultamento e que a Missa do enterro deve ser celebrada apenas na presença dos familiares próximos e logo após o enterro. Mais uma vez, a correspondência termina com um sinal diplomático: “Esperamos que compreendam a necessidade dessas medidas destinadas a eliminar o máximo possível o perigo de contaminação e que possam cumprir minhas instruções”, que é muito diferente das cartas endereçadas aos diferentes setores que terminam com um lembrete das possíveis sanções se as medidas não forem seguidas. É interessante notar que essa mesma circular, datada de 20 de julho de 1918, foi encontrada nos arquivos episcopais de Sion, com uma pequena nota de rodapé, escrita à mão, adicionada: “Gostaríamos de receber instruções de M., o vigário, sobre esse assunto”. A autoridade política não basta nos lugares que se tem fé…” (9). Quando, cem anos mais tarde, os Estados apóstatas do século XXI decidem unilateralmente proibir ou restringir o exercício do culto, em nome da saúde, é óbvio que os fiéis católicos devem reagir sob a liderança de seus pastores, não como reacionários fanáticos, mas como pessoas prudentes e realistas, e devem tolerar (10) ou suportar pacientemente as decisões injustas, contrarias à prudência sobrenatural. Mas, em caso algum, eles estariam obrigados a um verdadeiro ato da virtude da obediência ao que continua sendo, na verdade, um abuso de poder.

8 – Tudo isso é explicado em razão de uma causa final. Deste ponto de vista, o poder da Igreja é, em relação aos chefes de Estado, como o poder de um cuidador em relação a um paramédico. O paramédico realiza a dosagem dos medicamentos tanto quanto necessário para a saúde do corpo, pela qual o cuidador é responsável. Da mesma forma, o chefe de Estado deve cuidar da boa ordem da sociedade, tanto quanto for necessário para a salvação das almas, pela qual a Igreja é responsável. Pois o homem deve buscar saúde, não a riqueza, apenas na medida em que isso for necessário – como diz Santo Inácio – para salvar sua alma: “Pois, que aproveita ao homem ganhar todo o mundo, se vier a perder a sua alma?” (Mt, XVI, 26). Qual é o sentido do homem obter a vitória sobre a epidemia se negligencia a santificação de sua alma, perdendo o hábito de ir à Missa no domingo? A liturgia de sempre da Igreja prevê uma Missa para os tempos da epidemia e as rúbricas ali dizem que esse tipo de Missa deve ser celebrado “com uma grande concorrência de pessoas“…

Pe. Jean-Michel Gleize, FSSPX

Notas:

(1) Leão XIII, Encíclica Immortale Dei, de 1 de novembro de 1885, ASS, t. XVIII (1885), págs. 163-164.
(2) Louis Billot, A Igreja. III – A Igreja e o Estado, Courrier de Rome, 2011.
(3) Louis Billot, op. cit. n°1183.
(4) A separação entre Igreja e Estado foi condenada pelo Papa São Pio X na Encíclica Vehementer nos, de 11 de fevereiro de 1906.
(5) Leão XIII, Encíclica Libertas, de 20 de junho de 1888, ASS, t. XX (1887), pág. 598
(6) Louis Billot, op. cit. n°1182.
(7) Mt, XVIII, 9.
(8) Mons. Athanasius Schneider, “Entrevista à Diane Montagna”, publicada no The Remnant e traduzido no Blog de Jeanne Smits, página de 28 de março de 2020.
(9) Laura Marino, La Grippe espagnole en Valais (1918-1919), tese apresentada na Faculdade de Biologia e Medicina da Universidade de Lausanne para obtenção do grau de doutor em medicina, 2014, págs. 182-183. Tese arquivada na Universidade de Lausanne, http://serval.unil.ch com a referência BIB_860E861187545.
(10) Isso explica o surgimento do regime de acordos, com a definição de certas questões ditas “mistas”. Cf. Billot, n ° 1247 et sq.

Editorial da Permanência (298) - sobre a epidemia

Maio 15, 2020 escrito por admin

Dom Lourenço Fleichman, OSB

[Apresentamos o Editorial da Revista 298, tempo de Pentecostes. A imagem ao lado representa São Carlos Borromeo nos tempos da Peste]

Raios, trovões, coriscos fulgurantes, como diz o salmo. Eis o que parece estar se abatendo sobre a Terra dos homens, sobre a vida neste vale de lágrimas. Bastaria recuarmos até o final de 2019 para compreendermos o quanto de inusitado e surpreendente se manifesta no que estamos vivendo há 3 ou 4 meses. Pode o mundo inteiro estar de pernas para o ar, como está, sem que a nossa perplexidade se manifeste em cada encontro, em cada noite mal dormida? 

Dentro do projeto a que nos propomos de formação católica, a reflexão sobre as causas e os efeitos do Coronavirus apresenta-se para nós como uma quase obrigação. O mundo não pode ser sacudido como está sendo sem que procuremos tirar dos graves acontecimentos reflexões capazes de nos orientar na vida que devemos levar durante a epidemia e, sobretudo, na vida que virá após o término do flagelo.

Talvez seja a primeira vez, em mais de um século, que Deus parece manifestar a sua face de modo claro e evidente, diante dos homens, diante de toda a humanidade, nos quatro cantos da nossa Terra de exílio. Os últimos 500 anos não serviram para preparar os homens a se curvarem diante da vontade de Deus. Ao contrário, o que vemos na humanidade é um desprezo completo pela própria existência de Deus. No máximo podemos ver, aqui ou ali, a manifestação de algum sentimento religioso marcado de naturalismo, e sobretudo de utilitarismo pluralista e horizontal. Para alguns, rezar faz bem, qualquer que seja a oração. Estamos muito longe da submissão sobrenatural à vontade divina que se realiza na prática pura e simples dos Mandamentos. Sim! Do Decálogo, aquela listinha decorada pelas crianças do Catecismo, feita para salvar as nossas almas!

Hoje podemos ouvir o gaiato do conto a gritar: – O Rei está nu! 

Se o católico parar de olhar em seu celular as informações e contra-informações que nos invadem, poderá entender melhor o espetáculo que se desenrola diante de nós. Porque o mundo está nu; o liberalismo está nu; a democracia está nua; o globalismo acabou; ... e entramos numa nova forma de ditadura que promete afiar os dentes contra a verdadeira liberdade do homem.

A liberdade da Igreja Católica

A primeira consequência da gripe chinesa foi o confronto direto entre a autoridade da Igreja e a autoridade do Estado. Desde a queda das monarquias católicas que um embate dessa natureza não ocorria. A Igreja recolhera-se na sua derrota, na perda gradativa e inexorável da sua autoridade, até chegar a ser considerada por todos os governantes como uma espécie de Rainha da Inglaterra da religião: pode falar, pode escrever, pode fazer seu culto, pois já não tem as convicções necessárias para sacudir o mundo e derrotar os mundanos.

O sacerdócio

Fevereiro 15, 2020 escrito por admin

"Porque se alguém procurasse considerar o que é um homem ainda envolto na carne e no sangue, ter o poder de se aproximar daquela feliz e imortal natureza, veria então quão grande é a honra que a graça do Espírito Santo concedeu aos sacerdotes. Pois por meio desses se exercem essas coisas e outras também nada inferiores,  que dizem respeito à nossa dignidade e a nossa salvação.

A eles que habitam nessa terra e fazem nela sua morada, foi dado o encargo de administrar as coisas celestiais e receberam um poder que Deus não concedeu nem mesmo aos anjos e arcanjos, pois não foram a esses que foi dito: "Tudo o que ligardes sobre a terra, será ligado no Céu e tudo o que desligardes sobre a terra será também desligado no Céu" (Mt18,18). Os que dominam nesse mundo possuem também o poder de atar, porém somente os corpos; mas a atadura de que falamos, diz respeito à própria alma e penetra os Céus; e as coisas que aqui na terra, o fazem os sacerdotes, Deus as ratifica lá nos Céus confirmando a sentença de seus servos.

Afinal o que mais lhes foi dado, senão todo o poder celestial? "Aqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos" (Jo. 20,23). Que poder maior do que esse alguém poderia receber? O Pai entregou ao Filho todo o poder, porém vejo que todo esse poder o Filho colocou nas mãos dos sacerdotes. É como se já tivessem sido trasladados aos Céus e erguendo-se sobre a natureza humana, livres de nossas paixões, tivessem sido elevados a tão grande poder.

Imagine se um rei proporcionasse tal honra a um de seus súditos, o qual  por sua vontade encarcerasse, ou pelo contrário, livrasse das prisões a quem bem entendesse, será que esse não seria visto como um fortunado e respeitado por todos? E aquele que recebeu de Deus um poder infinitamente maior, mais precioso ao Céu do que à terra, mais precioso à alma do que ao corpo, será que para alguns tal honra possa parecer algo tão insignificante que não mereça consideração ou que se possa depreciar o benefício? Longe de nós tal loucura!

De fato, seria sem dúvida uma grande loucura depreciar uma dignidade tão grande, sem a qual não podemos obter nem a salvação, nem os bens que nos foram propostos, porque ninguém pode entrar no Reino dos Céus se não for regenerado pela água e pelo espírito (Jo. 3,5).  E aquele que não come a carne do Senhor e não bebe seu sangue, está excluído da vida eterna. Nenhuma dessas coisas se faz pelas mãos de qualquer outro,senão por aquelas santas mãos do sacerdote. Como poderá pois alguém, sem o auxílio desses, escapar do fogo do Inferno ou chegar à conquista das coroas que lhes estão reservadas?

Esses pois são a quem foram confiados os partos espirituais e encomendados os filhos que nascem pelo Batismo. Através desses, nos revestimos de Cristo e nos unimos ao Filho de Deus tornando-nos membros daquela bem-aventurada Cabeça, de forma que para nós, com justiça eles devem ser  respeitados não apenas mais do que os poderosos e reis, mas até mesmo mais do que nossos próprios pais, porque esses nos geraram pelo sangue e pela vontade da carne, enquanto os sacerdotes são os autores do nosso nascimento para Deus, para aquela ditosa geração da verdadeira liberdade e da adoção de filhos segundo a graça."

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