Skip to content

Blog de admin

Coronavírus: Entre o medo e a audácia

Abril 4, 2020 escrito por admin

Dom Lourenço Fleichman OSB

Mais uma vez me vejo na obrigação de esclarecer nossa posição católica, diante de crises que se abatem sobre a nossa sociedade. Nosso mundo anda mergulhado no que lhe parece ser um grande sol a iluminá-lo, quando na verdade é apenas uma escravidão consentida e desejada. Sim, os tecnológicos homens desse mundo pós-moderno sabem, percebem sua incapacidade de fugir da compulsão das redes sociais, das massificantes notícias e informações, e sobretudo da sensação que tomou conta de todos, de serem livres como um passarinho a voejar entre galhos de árvores e fios elétricos. 

Poderíamos perguntar a nós mesmos o porquê dessa doença; creio que responderia que o homem busca companhia. Até certo ponto, convenhamos, essa busca é natural, visto a definição mais do que antiga feita pelo Filósofo, segundo a qual o homem é um animal político: vive na companhia dos seus semelhantes. Ora, como o mundo moderno desenhou no pé da mesa do computador (eu sei, eu sei, já não é mais no computador, é deitado na cama ou no sofá com o celular nos dedos, mas não atrapalhem, por favor, a minha história!)... então, retomemos: como o mundo moderno desenhou no pé da cama, ou da mesa, uma bola de ferro virtual, e disse ao ser debruçado na máquina: – veja, caro amigo, esta é uma bola de ferro virtual, nada mais “real” do que o virtual. Portanto, você está preso, velho escravo. Não se mexa, não saia daí.

Edição Hors Série

Março 30, 2019 escrito por admin

O grande abismo dos conservadores

Junho 13, 2021 escrito por admin

O pontificado do Papa Francisco tem assistido ao número de “conservadores” aumentar incessantemente

 

Deve-se compreender que “conservadores” são definidos, aqui, como católicos que não estão dispostos a vender a fé católica, que esperam uma renovação ou um reflorescimento da Igreja neste mundo secularizado e que estão, sinceramente, ansiosos para ver o Corpo Místico voltar a fruir, a expandir-se através de novas conversões. Em outras palavras, aqueles que têm mantido o espírito católico.

Mas, ao mesmo tempo, esses conservadores querem seguir todas as reformas operadas pelo Concílio Vaticano II. Algo que parecia possível a eles com alguns contorcionismos... Até a chegada o Papa Francisco.

Porém, desde o começo deste pontificado, e de maneira particular em certas ocasiões – como os dois Sínodos sobre a família, a exortação pós-sinodal Amoris Laetitia, o Sínodo da Amazônia e, especialmente, seu instrumentum laboris, ou, ainda, o Documento sobre a Fraternidade Humana – os conservadores têm se sentido cada vez mais desconfortáveis.

Isso se manifesta através de protestos cada vez mais frequentes, cujas origens estavam situados cada vez mais alto na hierarquia eclesiástica: protesto contra Amoris Laetitia por várias petições, incluindo a famosa correctio filialis, bem como as cartas dubia de quatro Cardeais; ataques frequentes contra documentos romanos ou atos de Eminências como os Cardeais Müller, Brandmüller, Burke ou Zen, bem como por Bispos.

Esse desafio é uma novidade. Quase não havia algum traço dele até 2013 e a chegada do atual Soberano Pontífice ao Trono de Pedro. Portanto, há uma clara conexão entre as duas coisas. E devemos acrescentar que essa contradição, às vezes, assume formas graves entre vários Cardeais e Bispos.

Tudo isso é um sinal de inquietação crescente entre os “conservadores” tais quais definidos acima. Uma ilustração possível apta a descrever a situação: um homem cujos pés estão situados sobre duas pedras diferentes, equilibrando-se acima de um vão. Devido a movimentos tectônicos, as duas pedras estão começando a se afastar uma da outra. A situação já quase chegou ao ponto em que a distância entre ambas está grande demais.

Só há três soluções para essa situação: perder o equilíbrio e cair; tomar refúgio na pedra da direita; ou aderir à pedra da esquerda. Nada é mais desconfortável que esse tipo de posição.

Infelizmente, os conservadores obstinados ainda querem crer que as pedras vão unir-se um dia e que eles não precisarão fazer uma escolha. Claro, isso é uma possibilidade, se olharmos para o plano meramente físico. Uma força contrária poderia aproximar as duas pedras.

Mas, no plano das ideias, e, especialmente, no plano da Teologia, a história é completamente diferente. Não há a menor possibilidade do erro aproximar-se da verdade, ou vice-versa. Pretender manter-se fiel a ambos ao mesmo tempo seria uma distorção da inteligência. E, se o sujeito possuir um mínimo de integridade intelectual, a violência da divisão parecerá cada vez mais intolerável.

De fato, desde o Concílio, a distância apenas aumentou entre os erros modernos e a Tradição da Igreja, com mais ou menos intensidade de acordo com a personalidade dos Papas que se sucederam na cátedra de Pedro. E, é claro, deve-se reconhecer que essa distância tem aumentado consideravelmente desde 2013.

A vantagem dessa situação é que podemos mostrar, com maior clareza, as posições “tradicionalistas”, que desafiaram o Concílio desde que ele ocorreu, baseadas em fundações sólidas. E, gostem eles ou não, a linha conservadora está começando a ser forçada a reconhecer isso.

Além disso, e talvez ainda mais doloroso de se reconhecer: sem essa firmeza doutrinal, os conservadores, há muito tempo, já teriam perdido uma das pedras sobre a qual um de seus pés se situa e teriam sido forçados a adotar uma linha apenas. Porque, se certos pilares ainda estão de pé – se, por exemplo, a Missa tradicional ainda pode ser celebrada hoje com alguma liberdade – isso se deve à tenacidade e firmeza daqueles que se recusaram a compactuar com o erro.

Portanto, é profundamente inconsistente declarar e repetir que essa tenacidade assemelha-se a uma obstinação desarrazoada ou a uma teimosa desobediência.

E tão inconsistente quanto isso seria, como é feito por vários conservadores que temem ser tachado de extremistas, relegar como “marginais fora da Igreja”, com um aceno de mão ou um estalar de dedos, aqueles que guardam a Tradição sem fazer concessões.

Só há uma maneira verdadeiramente eficiente e intelectualmente satisfatória de sair dessa posição tão decepcionante e desagradável: com honestidade, tomar um lado e declarar-se por Jesus Cristo incondicionalmente. Desse modo, eles poderão prestar um enorme serviço à Igreja, e isso é o que importa.

Não são petições e pedidos de explicações que farão as coisas progredirem, mas a profissão pública da fé, acompanhada dos atos que devem se seguir a ela.

Com o cisma alemão em processo de consumação, e a preocupação crescente com os fundamentos básicos da vida moral, a defesa integral da fé torna-se cada vez mais urgente. Em breve, não haverá sequer espaço para colocar um pé na pedra do Concílio.

 

(traduzido da versão em inglês, disponível em: https://fsspx.news/en/news-events/news/conservatives-straddling-gap-66694)

O Pe. Mateo e a Adoração noturna ao Sagrado Coração de Jesus

Maio 30, 2021 escrito por admin

No começo do Século XX, um Padre meio inglês, meio peruano que havia crescido no Chile, foi a Paray-le-Monial, França, onde Nosso Senhor em pessoa havia aparecido a Santa Margarida Maria. Esse Padre, Pe. Mateo Crawley-Boevey, da Congregação dos Sagrados Corações de Jesus e de Maria, havia sido enviado à França por seu Superior na esperança de que sua frágil saúde iria se recuperar após trabalho intenso.

Pe. Mateo, que tinha uma grande devoção ao Sagrado Coração, sempre havia desejado ir a Paray-le-Monial para estar no exato lugar onde Nosso Senhor havia aparecido à sua santa favorita. Enquanto rezava no santuário das aparições do Sagrado Coração, no dia 24 de agosto de 1907, repentinamente sentiu todo o seu ser estranhamente movido: não apenas se viu curado, mas também compreendeu, com clareza, o plano metódico da obra que deveria realizar pela regeneração cristã das famílias e da sociedade. Ele se determinou a tomar sobre si o trabalho delineado por Santa Margarida Maria, de organizar a prática da Entronização do Sagrado Coração nos lares, escolas e locais de trabalho e, em uma cruzada mundial de amor, fazer do Sagrado Coração de Jesus o Rei das famílias e, portanto, estender seu reinado por todo o mundo.

 

América do Sul

Naquela mesma noite, de joelhos, Pe. Mateo definiu e revisou o plano e o cerimonial de sua cruzada. Então peregrinou à Terra Santa, onde inaugurou seu apostolado da Entronização. Àquela altura, tinha recebido a bênção e o encorajamento do Papa S. Pio X, do Cardeal Vives e do seu próprio Superior-Geral. Então, retornou a Valparaiso, Chile, onde, em 1908, lançou sua campanha, continuando, ao mesmo tempo, seu curso na Faculdade de Direito. No Chile, a Entronização foi coroada com sucesso surpreendente, espalhando-se por toda a América do Sul.

 

Europa

Quando a 1ª Guerra Mundial estava em seu auge, Pe. Mateo encarregou-se de pregar o Reinado do Sagrado Coração na França. Seu zelo e entusiasmo atraíam multidões de pessoas onde ia, e uma grande renovação de piedade resultava em muitas famílias que, solenemente, entronizavam o Sagrado Coração. Diocese após diocese sentiu os efeitos de seu zelo apostólico. Indiferença e tepidez deram lugar ao amor, e milagres de graça eram registrados diariamente.

Da França, o Pe. Mateo foi à Holanda, onde até mesmo os protestantes aglomeravam-se em suas conferências. Em seguida foi à Itália, onde foi recebido em audiência pelo Papa Bento XV, que lhe pediu que pregasse e organizasse a obra naquele país. Duas semanas mais tarde, o Santo Padre lhe presentou com uma carta escrita de punho próprio, na qual dava sua bênção apostólica à cruzada de amor.

Por anos, o Pe. Mateo cruzou os países da Europa (França, Espanha, Itália, Suíça, Holanda, Bélgica, Inglaterra e Escócia, Portugal), dando inúmeras conferências e retiros aos Bispos, Padres, seminaristas, associações católicas, leigos, Reis e Princesas. Fazia cinco ou seis pronunciamentos por dia, todos os dias, em Igrejas lotadas, auditórios e salões. As pessoas voltavam continuamente para lhe ouvir. Graças a seu zelo interminável, a Espanha, a Bélgica e Portugal foram consagrados ao Sagrado Coração de Jesus.

 

Hora Santa em casa

Após 20 anos de promoção da Entronização, o Pe. Mateo começou a promover a Hora Santa em casa. Ele havia percebido que, para manter acesa a chama da fé nos lares, era preciso mais. Muitos católicos generosos, devido a obrigações familiares, distância ou doenças, não podiam ir à Igreja, especialmente à noite, para participar na adoração perpétua do Santíssimo Sacramento. Então, o Pe. Mateo pensou que os poderia alistar como adoradores pedindo-lhes que fizessem uma hora santa no lar. Três anos após começar a promoção da Hora Santa em casa, a adoração se tornou perpétua em dezesseis países. A Entronização é como os tijolos de uma construção, e a Hora Santa é a argamassa que mantém o conjunto unido.

Dali em diante, a Entronização e a Hora Santa em casa eram pregadas em conjunto. O Papa Pio XI deu seu selo de aprovação com sua carta encíclica Miserentissimus Redemptor, na qual aprovou enfaticamente e encorajou tanto a Entronização quanto a Hora Santa em casa: a Entronização (ou Consagração), como o ato de dar o devido lugar a Nosso Senhor como Rei da sociedade, das famílias e países... E a Hora Santa como expiação, para dar satisfação por nossos “inúmeros pecados, ofensas e negligências”. Não apenas por nossas ofensas, mas também pelas de outras pessoas, para reparar a honra de Cristo e para promover a salvação eterna das almas.

 

Extremo Oriente

O Pe. Mateo sempre havia desejado ir ao Extremo Oriente e, finalmente, conseguiu ir ao Japão com a ordem do Papa Pio XI de “ir e pregar santidade aos Padres”. Ele passou cinco anos de apostolado zeloso e frutífero no Japão, China, Ilhas do Pacífico, Filipinas, Havaí, Indochina (Camboja, Laos e Vietnã), Malaca, Macau, Índia e Ceylon (Sri Lanka)

 

América do Norte

Então, foi aos EUA, chegando em São Francisco em 1940. Em uma carta escrita antes de sua chegada, Pe. Mateo expressou a alegria e a determinação com as quais estava pronto a se entregar “nessa terra promissora para fazer as almas amarem o Amante Adorável, e para espalhar e fortalecer o Reinado Social do Sagrado Coração em casa. A casa é o santuário da família, e a família é a rocha sobre a qual a Igreja constrói o presente e o futuro da sociedade”. Ele trabalhou por quatro anos, nos quais retiros para os sacerdotes, dias de recolhimento, conferências e simpósios se seguiam uns aos outros em rápida sucessão.

Em seguida, foi para o Canadá por dois anos, até que a doença finalmente o forçou a internar-se em um hospital.

 

De volta ao começo

Após ter se recuperado, retornou a Valparaiso, Chile. Continuou sua obra orando, sofrendo (ele teve ambas as pernas amputadas devido a gangrena) e escrevendo. Pouco antes de morrer, Pe. Mateo disse ao seu Superior-Geral: “Diga a todos que Pe. Mateo prega de sua cama e que insiste na adoração noturna, a flor mais bela de sua obra. Essa é a oração da casa: orações em união com o Coração de Jesus, orações no espírito de reparação à noite, durante as horas da escuridão”

 

Essas informações foram retiradas de “Jesus, King of Love” pelo Pe. Mateo Crawley-Boevey e The Firebrand, The Life of Father Mateo por Marcel Bocquet, SS.CC, Corda Press.

Um mínimo de violência

Maio 23, 2021 escrito por admin

Pe Xavier Beauvais, FSSPX

Diz-se que a violência é condenável por atentar contra a liberdade do outro. Ora, isso imediatamente suscita uma questão: A que nível se situa essa liberdade, e que uso se faz dela? O mau uso é considerado por todos os moralistas como uma alienação da liberdade. Esquece-se muitas vezes que a liberdade não é um dado imutável e definitivo: costuma-se ser pressuposta quando deve ser buscada. A liberdade no homem é um esboço sempre aperfeiçoável e sempre ameaçado; é um começo sem fim, uma elaboração contínua, e a violência sempre tem um lugar aí. Uma absoluta não-violência nesse domínio só poderia resultar no triunfo de todos os instintos de preguiça e anarquia, ou seja, na ruína de toda a liberdade real.

Daí a necessidade e mesmo a legitimidade de certas formas de violência, não só para melhorar o indivíduo, mas para proteger a sociedade. 

Existe uma violência educadora: É aquela que exercemos sobre a criança que educamos. Ao educar uma criança, nós a obrigamos a renunciar agora a uma parte da sua liberdade para garantir melhor a sua liberdade amanhã. Sacrificamos algo no presente para o repormos amanhã.

“A cultura -- dizia Alain, que não é suspeito de ser um direitista – a cultura começa com o aborrecimento.”

Começa quando se faz com que uma criança faça o que não quer fazer. Hoje em dia, esse tipo de violência é negado. Quantas crianças pisariam na escola se tivessem escolha? Como dizia o poeta: “Com a recusa, tudo começa; com a liberalidade, tudo acaba”.

Hoje em dia é exatamente o oposto: as crianças são pequenos deuses que aprenderão todas as coisas de modo espontâneo, com boa vontade, tudo será maravilhoso. -- É assim que fazemos delas uns monstrinhos.

Existe uma violência repressiva, representada pelos organismos da terapêutica social que são, para citar alguns, a polícia e a justiça penal. Como ensinava Santo Agostinho: “o castigo é a ordem do crime”. Sua função é reeducar os delinquentes.

Exista uma última forma de violência que é muito legítima: a violência defensiva, que consiste, por exemplo, em resistir a agressão anticristã, ou na revolta de uma nação contra outra, ou contra uma casta opressora. Há também a guerra justa, ou a sublevação desencadeada contra uma tirania.

Há no homem faculdades e tendências que exigem um mínimo de violência. De um lado, os mecanismos da sensibilidade e dos humores precisam ser adestrados e disciplinados; de outro, a inclinação ao mal que deve ser freada ou, no limite, extirpada. E aos indivíduos ou às coletividades que se mostram incapazes de exercer essa violência sobre si mesmas – em outras palavras, de curar-se desde o interior – é legítimo e mesmo benfazejo que lhe sejam impostas desde fora.

[...] 

Não se esqueçam de que a vida do homem será sempre um combate; as virtudes guerreiras sempre terão o seu lugar, pois o mal sempre adquirirá novas faces e disfarces. Para a boa violência, à serviço da verdade e do bem, sempre haverá emprego. O homem se reduz com a paz falsa: O que tiraríamos de uma espécie de tranquilidade no pântano? Não devemos esquecer, enfim, que toda facilidade exterior que não cria uma exigência interior, degrada o homem. Não devemos nos iludir. Enquanto existir o mal, o bem não poderá jamais se defender sem um mínimo de violência.

 

(L´Acampado, 170)

A ressurreição de Cristo

Maio 2, 2021 escrito por admin

Meditada pelo Padre Leonardo Castellani

 

“Ao terceiro dia ressurgiu dos mortos”: não significa dizer que Cristo Nosso Senhor tenha estado três dias no sepulcro, senão que, morto na Sexta-feira, ressuscitou e saiu do sepulcro no Domingo de manhã. Esteve no sepulcro por mais de 30 e menos de 40 horas.

A Ressurreição de Nosso Senhor é um acontecimento histórico, o evento sustentado com maior peso de testemunho histórico do que qualquer outro evento no mundo.

Os quatro evangelhistas narram os fatos do Domingo de Páscoa de forma totalmente impessoal, assim como o resto da vida de Cristo; não há exclamações, comentários, afetos, espantos ou gritos de triunfo. Os Evangelhos são quatro crônicas inteiramente excepcionais: o cronista registra uma série de eventos de maneira inteiramente enxuta e concisa. Aqui, os fatos são as aparições de Cristo revivido, as quais viram, ouviram e tocaram aqueles que iriam dar testemunho.

Este testemunho pode ser resumido brevemente pelas seguintes circunstâncias:

1° - São quatro documentos distintos, escritos em momentos diferentes e sem conivência mútua, cujos autores não tinham o menor interesse em fabricar uma enorme e incrível impostura, mas, pelo contrário, arriscaram a própria vida ao escrevê-los.

2° - Os Fariseus e Pôncio Pilatos não fizeram nada. Eles teriam que ter feito alguma coisa para criar uma impostura, e seria uma impostura facilíma de se inventar: bastava mostrar o cadáver. Depois julgar e condenar os impostores. Mas, ao invés disso, mentiram e usaram de violência para fazê-los calar.

3° - Na manhã de Pentecostes, os antes amedrontados apóstolos corajosamente saíram para pregar à multidão que Jesus era o Messias e que havia ressuscitado. Na multidão havia muitas testemunhas oculares das obras de Cristo, inclusive de Sua Paixão e Morte. A multidão acreditou nos apóstolos.

4° - No espaço de uma vida humana, por todo o vasto Império Romano havia grupos de homens que acreditavam na Ressurreição de Cristo, e se expunham aos piores castigos por crer e confessa-la.

5° - Três séculos depois, todo o Império Romano, ou seja, todo o mundo civilizado acreditou na Ressurreição de Cristo; e a religião cristã era a religião oficial de Roma; para chegar até aí, houve milhares e mesmo milhões de mártires, entre as quais as doze primeiras testemunhas que deram suas vidas em meio a tormentos atrozes. “Eu acredito em testemunhas que dão suas vidas” - disse Pascal no século XVII.

Claro que havia incrédulos no Império Romano: sempre os há. Contra eles, Santo Agostinho escreveu seu famoso argumento: "Os Três Incríveis".

INCRÍVEL é que um homem tenha ressuscitado dentre os mortos; INCRÍVEL é que tantos tenham acreditado nesse incrível; INCRÍVEL é que doze homens rudes, simples e plebeus, sem armas, iletrados e desconhecidos, tenham convencido o mundo, sábios e filósofos, daquele primeiro INCRÍVEL.

 “O primeiro INCRÍVEL não queirais crer; no segundo INCRÍVEL, não tens outro remédio que constatá-lo; de onde tereis que admitir o terceiro INCRÍVEL. Mas esse terceiro incrível é uma maravilha tão assombrosa quanto a Ressurreição de um morto

Assim dizia Santo Agostinho; e isso é o que o Concílio Vaticano I chamou de "o milagre moral" da Igreja.

 

Padre Leonardo Castellani, em “El Rosal de Nuestra Señora”, Buenos Aires, Ediciones Nuevas Estructuras, 1964 – páginas 103 a 105.

Satanás, onde te escondes?

Março 13, 2021 escrito por admin

Pe. Gabriel Billecocq, FSSPX

No alvorecer do dia 13 de outubro de 1884, enquanto fazia a sua ação de graças, Leão XIII viu o diabo sendo desacorrentado no nosso mundo contemporâneo. Como age hoje em dia o anjo caído para atrair as almas? É o que veremos no presente artigo.

 

Por modo de ausência

Um espião invisível é bem mais poderoso do que um inimigo descoberto. Eis a razão do demônio gostar de ser esquecido: quanto menos se fala dele, menos é notado e denunciado, tornando-se mais poderoso e satisfeito. Pois, desse modo, os homens não se previnem.

É o que ocorreu no fim do século XX. O diabo se esconde por detrás de todos os erros que promovem o homem. Poderíamos pensar, inicialmente, no ceticismo. Realmente, o racionalismo e, sobretudo, o cientificismo, são engenhosos esconderijos para o príncipe deste mundo. O cientismo particularmente, que busca demonstrar tudo por meio da ciência moderna postulando a inutilidade de Deus, o poderio do homem e, portanto, a ausência do demônio. Auguste Comte o formulou muito bem, ele, que chegou a inventar a religião cientista, na qual o gênero humano seria o sacerdote da natureza.

Infelizmente, a igreja conciliar tomou a frente desse mecanismo diabólico. O ecumenismo, cujo fundamento é a relativização de toda verdade, tem por sucedâneo uma tamanha tolerância que tudo se torna verdadeiro desde que os homens assim o pretendam. O mal não existe mais, as forças diabólicas não têm razão de ser. Como disse recentemente o Papa Francisco a propósito do vírus universal: o homem agrediu a natureza e ela lhe deu o troco com esta doença.

Exit Deus da vida do homem. Exit portanto o demônio, que reina melhor quanto mais escondido está.

 

Por modo de sugestão

O fato de ser ignorado não significa que ele não age, muito ao contrário. E seu modo de agir é velho como o mundo. Desde Eva e até o final dos tempos, a estratégia é a mesma. A tentação passa pelos sentidos exteriores, penetra a imaginação para excitá-la antes de se propagar mais profundamente na alma, com o intuito de arrancar da vontade o consentimento.

O ponto de partida não é difícil de se conhecer: são as três concupiscências. O amor dos prazeres sensuais e grosseiros, a posse imoderada de riquezas e bens desse mundo, o desejo de poder e o orgulho, tais são, infelizmente, as tristes engrenagens de toda alma humana manchada pelo pecado original. Não há nada de novo, a tática é sempre a mesma, mas funciona.

No tocante ao católico que combate e faz sacrifícios, o demônio percebe logo que as sugestões grosseiras tem menos influência. É por isso que, antes de tentá-lo no sentidos, obceca a imaginação ao ponto de perturbar a sua inteligência. Ele quer que o vejamos por toda parte, que sua presença assombre a tal ponto a alma que o pobre católico creia que atua de modo universal em todos os acontecimentos da sua vida. Essa obsessão engendra a necessidade impulsiva de falar do diabo a todo tempo, chegando ao ponto de pedir um exorcismo. Sugestão terrível e diabólica que nos faz pensar no gato que brinca sem parar com uma bola de meia.

 

Por modo de temor

Para além da sugestão a se mostrar por toda parte, o diabo concentra a alma do infeliz homem. Então, a alma vive no temor, enxerga pecado em tudo, dá à vida humana um aspecto pessimista e sombrio, em seguida engendra o descorajamento interior.

Nisso, o demônio é fortíssimo. Ele insiste em uma verdade essencial: é preciso combater o pecado e não abandonar a nossa alma no mal. Mas, insiste a tal ponto nessa verdade, que nos faz esquecer o correlativo necessário e redentor: a luta contra o pecado passa primeiro pelo amor de Deus. Assim, a alma humana, ao invés de se entregar à confiança e à esperança teologal, fecha-se num temor desmedido do demônio.

O mundo moderno que tanto escraviza os homens estimula o medo nas almas humanas. O demônio se aproveita desse temor onipotente, aguça-o para afastar as almas de Deus. O medo do demônio domina a alma e faz com que se dê ao demônio demasiada importância. Quanto mais nos ocupamos dele e nos concentramos na sua presença, mais nos esquecemos de que a alma é feita para Deus e que, pela graça divina, ela está nas mãos do seu Criador.

 

Por modo divino

Finalmente, excetuando-se os católicos que conhecem o demônio, obcecam-se por ele e caem nas suas redes, há ainda outros homens que o conhecem bem. Infelizmente, não são católicos. Estes votam-lhe um verdadeiro culto.

Essa é a vitória mais terrível do demônio, na qual toma o lugar de Deus para ser honrado. Pense-se nos sacrifícios humanos, bem mais numerosos do que parece. Pensem nas missas negras e comércios de crianças para cumprir esses ritos. Pense-se finalmente como os príncipes da igreja conciliar se entregam agora ao jogo do globalismo e da maçonaria, tornando o príncipe desse mundo mestre do universo inteiro.

 

Um brilho sublime de esperança

Em vista desse quadro, haveria motivo para se desesperar ou, ao menos, para desanimar. Mas isso seria esquecer duas coisas:

A primeira, que nós não pertencemos àquela raça de fariseus que procuravam a felicidade aqui embaixo. Os sequazes de Satanás podem fazer o que querem, mas não podem nos fechar o Céu. Antes, é o Céu que se fecha para eles.

A segunda é a palavra de Nosso Senhor aos seus apóstolos: “tende confiança, eu venci o mundo”, subentende-se aqui o império de Satanás. E acrescenta: “Eu estarei convosco todos os dias, até ao fim do mundo”.

Se Nosso Senhor está conosco, quem será contra nós?

(Tradução: Permanência. Le Chardonnet, nov/2020)

A unidade... por acréscimo!

Fevereiro 21, 2021 escrito por admin

A unidade por acréscimo

Ao criticar as reações de alguns católicos diante das decisões episcopais tomadas em resposta às restrições de culto impostas pelo governo, um bispo francês afirmou, numa recente emissão de rádio, que ele era o “garantidor da unidade” da sua diocese. Para além da banalidade dessa observação – pois toda autoridade legítima e reconhecida é, em si mesma, garantia da unidade do organismo do qual está à frente – essa afirmação causa espanto: esperaríamos antes que um bispo se apresentasse como “garantidor da fé”, como ensina o catecismo.

Sem dúvida, deve-se atribuir a esse episódio um caráter talvez aproximativo, próprio do discurso verbal; o autor talvez não escreveria o que disse. Pois, desde quando garantir a unidade do rebanho que lhe foi confiado é a função primeira de um bispo? Não seria antes a consequência de outro atributo da função episcopal? De todo modo, é uma definição incompleta.

 

Que unidade?

A unidade é certamente um bem e, a esse título, merece ser procurada. Mas, a unidade pode servir a fins diferentes, nem todos necessariamente honestos: é possível haver unidade no erro -- nesse caso, a unidade já não é um bem. De modo análogo, quando reconhecemos que a união faz a força, isso nem sempre é bom, pois a união faz a força... tanto para os bons, como para os maus, infelizmente!

Desse modo, é preciso definir de que unidade se trata. A unidade pode ser constituída de diversos modos: ao redor de um homem, de um princípio, de uma tarefa a ser realizada... Pode haver uma unidade exterior, formal, visível, circunstancial, que se traduza em atos concretos, mas não implique em uma unidade interior acerca dos princípios ou dos fins a serem alcançados. A unidade pode ser substancial, como a do corpo humano, apesar da diversidade dos seus órgãos. Pode ser uma unidade simplesmente de ordem, como a que há em uma família ou em um exército.

Portanto, há diferentes formas de unidade; nem todas possuem o mesmo valor ou força. Dizer-se garantidor da unidade é, por conseguinte, insuficiente para definir uma função.

Contudo, objetarão alguns, Nosso Senhor disse: “(...) que sejam todos um, como tu, Pai, o és em mim, e eu em ti, para que também eles sejam um em nós, a fim de que o mundo creia que tu me enviaste” (Jo 17,21). Sim, mas, quando disse isso, Nosso Senhor não se dirigia aos apóstolos, antes, pedia uma graça ao seu Pai. A Pedro, Jesus não disse: “guardai os teus irmãos na unidade”, e sim: “E tu, uma vez convertido, conforta os teus irmãos” (Lc 10, 32). Ao enviar os apóstolos, não disse: “uni as nações!”, mas: “Ide, pois, ensinai todas as gentes, batizando-as em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo” (Mt 28,19).

 

Um princípio de unidade

No seu tempo, Santo Agostinho ensinava: “In necessariis unitas, in dubiis libertas, in omnibus caritas.” (Nas coisas necessárias, união; nas debatidas, liberdade; em todas as coisas, caridade”). Para esse grande doutor da Igreja, a unidade devia ser procurada, portanto, antes de tudo nos princípios. E até em época recente, a união dos batizados se fazia em torno dos princípios da fé, como o símbolo de Nicéia-Constantinopla, ou nas três grandes referências: a Santa Virgem, a Missa e o Papa.

Mas, nos nossos dias, em favor da abertura ao mundo preconizada pelo Vaticano II, um desvio realizou-se: a união é frequentemente procurada não mais em torno da adesão a princípios claros, mas ao redor de uma participação ativa em atos exteriores. Por exemplo, pede-se aos padres apegados à missa tradicional marcar a sua unidade com o seu bispo participando da missa crismal. O novo rito do batismo leva a ver o sacramento mais como uma acolhida pela comunidade eclesial do que o apagar da mancha original e a recuperação da vida sobrenatural.

A união, portanto, não é mais marcada pela afirmação de uma mesma fé, mas pela participação em um novo cerimonial. Claro, a participação em uma cerimônia marca uma certa forma de unidade, mas de nível inferior. A unidade espiritual em torno dos dogmas da fé é de ordem superior pois ela conduz a outra unidade, dessa vez exterior: a participação em ações comuns. O inverso não é verdadeiro: podemos participar em uma cerimônia sem, contudo, partilhar da mesma fé. Os encontros de Assis são prova disso.

 

Unidade na verdade

Portanto, é necessário buscar a unidade na verdade: antes de tudo, é preciso que haja união na fé, união em Jesus Cristo. Era essa unidade na fé que produzia a união da Europa, antes da Reforma a ter implodido; isso apesar das lutas, por vezes ferozes, entre os diferentes reinos.

A unidade europeia quebrou-se quando o catolicismo deixou de ser a referência comum. A Europa moderna marcha para a sua perdidão pois busca recuperar sua unidade em torno de valores materiais: dinheiro, fronteira, defesa... recusando toda referência às suas origens cristãs.

Pois há uma unidade do gênero humano que Nosso Senhor não quer: aquela que se faz sem Ele. A única e verdadeira fonte de união é a que se faz na fé e na verdade ou, se quisermos, a união pela verdade ou em torno da verdade.

É por isso que, bispos ou não, a atitude que devemos ter deve se inspirar no Sermão da Montanha (São Mateus, capítulos 5 e 6), em que Nosso Senhor declara o seguinte:

Buscai pois, em primeiro lugar, o reino de Deus e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão dadas por acréscimo

 

(Action Familiale et Scolaire, 247. Tradução: Permanência)

A Missa é um freio ao globalismo

Dezembro 26, 2020 escrito por admin

Pe. Xavier Beauvais, FSSPX

 

Durante este encarceramento a que estamos em vias de nos submeter, vimos surgir um grande furor contra a Missa nas nossas capelas e igrejas.

É certo que, golpeando-se a Missa, a Igreja é enfraquecida. Nós já o vimos em 1969, com o novo rito de Paulo VI. Para que a Igreja vacile no tocante ao dogma e à disciplina, é preciso combater a Missa. Esse era (e ainda é) um dos melhores meios de evacuar e substituir, pouco a pouco, a moral católica, os usos e costumes da catolicidade.

O governo francês atual sabe muito bem disso quando nos impede de celebrar a Missa.

Sabemos que o alinhamento dos costumes de todo o mundo à ética maçônica está o coração do globalismo em marcha. Todo freio – e a Missa é um freio – todo obstáculo a esse projeto deve ser tiranicamente suprimido. O principal adversário do globalismo é a renovação do Sacrifício da Cruz, pois sabemos que a Missa é o remédio individual, social e político ao vírus e aos males dos tempos modernos.

Em face da liberdade desenfreada, ela clama ao dom de si.

Em face da igualdade absoluta, apela ao senso de hierarquia.

Em face da fraternidade fundada sobre o homem, lembra da caridade, ou seja, do amor na verdade que os homens devem uns aos outros, em nome de Deus.

Toda a ordem da civilização repousa sobre o altar, eis o porquê de ser preciso lutar sem cessar pelo tesouro oferecido por Nosso Senhor e gritar: “Devolvam-nos a Missa”.

É justamente nesse espírito que o Pe. Davide Pagliarani, superior geral da Fraternidade São Pio X, lançou no dia 21 de novembro um apelo enérgico a uma cruzada de orações até a Quinta-Feira Santa, 1º. de abril de 2021.

Unamos nossas forças para obter do céu a liberdade incondicional de rezar publicamente e de assistir à Missa». A Santa Missa é o bem mais querido para nós. Assim, ela precisa ser rezada de novo com total liberdade: ela contém a solução a todos os males, a todas as doenças, a todos os temores (...)

Ficaremos então insensíveis à situação atual? « Todo aquele que pede recebe, e a quem bate abrir-se-á » (Mt 7, 8), promete-nos Nosso Senhor. Façamos nossa parte: as graças são obtidas somente se pedimos com insistência.

Caros amigos, eu vos convido a todos, adultos e crianças, leigos e pessoas consagradas, e vos suplico de se juntarem a esta cruzada de oração pelas Missas e pelas Vocações. Os cruzados partiam para libertar o túmulo de Nosso Senhor Jesus Cristo; partamos então para libertar o tesouro de Cristo Rei, seu testamento de amor! (...)

Quem liderará esta cruzada? Aquela que permaneceu de pé aos pés da Cruz.” Dessa cruz que venceu o mundo, o vírus do pecado.

A Missa é a renovação do sacrifício da Cruz, e compreende-se que, se a Cruz venceu o mundo, ela é para nós o mais eficaz dos meios de redenção, de salvação e, para nossos inimigos, o maior obstáculo ao seu designo perverso.

A assistência a Missa que consiste na imolação interior a Jesus Cristo, a fim de unir-se e de associar-se a Ele no oferecimento do Sacrifício, é a função mais alta do caráter batismal. A Santa Missa é a ação católica por excelência, aquela que atua, renova, intensifica nosso pertencimento à Santa Igreja, e que dá testemunho disso.

A Missa é também a fonte de toda santidade, o meio privilegiado de entreter e desenvolver a vida de Cristo Jesus em nós.

Uma vez que o fundamento da nossa santidade consiste em render a Deus o culto que lhe é devido, sabemos que o centro do culto perfeito que podemos prestar a Deus é a Santa Missa.

Toda a nossa vida espiritual e toda a nossa religião são e devem ser marcadas por essa oblação interna de nós mesmos que é devida a Deus como Criador e Senhor.

Essa oblação deve ser manifestada de modo externo e sensível.

O primeiro e o supremo dever do homem é dar-se inteiramente a Deus e colocar-se exclusivamente sob sua dependência.

Compreende-se por que o laicismo quer a morte da Santa Missa. Daí esses abusos de poder dos governos que querem nos interditar a Missa com a assistência das nossas igrejas.

Há aí uma ingerência inadmissível do Estado sobre a Igreja ao impedir os fiéis de cumprirem um dos mandamentos dessa mesma Igreja.

O que o exercício do culto tem a ver com o Estado, desde o momento em que este último pretende ser laico, neutro?

A exclusão pura e simples dos fiéis das Missas nesse período de encarceramento, para lutar contra uma pandemia organizada, é também o apogeu da crescente incapacidade da igreja conciliar de pesar de modo eficaz nos debates das nações.

Nós nos voltamos para a Santíssima Virgem, de pé aos pés da Cruz; é ela que invocamos pois no final o seu Coração Imaculado triunfará.

AdaptiveThemes