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Category: Pe. Hervé de la tour, FSSPXConteúdo sindicalizado

Problemas da educação moderna

Pe. Hervé de la Tour - FSSPX

[Nota da Permanência: O artigo a seguir é uma compilação das conferências que o Pe. Hervé de la Tour proferiu ao corpo docente da Immacule Conception Academy, em Post Falls, Idaho, Estados Unidos, e aos padres da FSSPX do distrito estadunidense, na reunião anual ocorrida entre 12 e 16 de fevereiro de 2001.]

 

Introdução: A causa do problema da educação moderna

Em 1669, na Festa de Corpus Christi, os monges da Abadia de Saint-Wandrille cantavam Matinas. O quinto trecho era de Santo Tomás de Aquino. Lia-se: “Accidentia sine subjecto subsistunt.” O Doutor Angélico explicava ali que após a consagração, os acidentes do pão permanecem sem a sua substância, que se transformou no corpo de Nosso Senhor. Então algo inacreditável aconteceu. Os jovens monges começaram a assobiar com o intuito de demonstrar oposição a Santo Tomás. Por que tal atitude? Eles vinham estudando a filosofia de René Descartes (1569-1650), o qual rejeita a distinção tomista entre substância e acidente. Descartes recusou-se também a dar uma explicação filosófica ao mistério da Presença Real. Para ele, razão e fé pertencem a domínios inteiramente distintos. Visto que a Presença Real é um fenômeno sobrenatural, seria inútil utilizar a filosofia natural para compreendê-la. Foi por isso que os monges, imbuídos de filosofia cartesiana, rejeitaram o trecho de Santo Tomás e decidiram perturbar o Ofício Divino. O incidente deve ter sido algo marcante, pois foi registrado nos anais do mosteiro. (Continue a ler)

Os pais verdadeiros de que precisamos

Pe. Hervé de la tour, FSSPX

 

A necessidade de nosso tempo é formar homens de caráter que se tornem autênticos líderes espirituais de suas famílias. Infelizmente, o liberalismo infectou tanto as nossas mentes, que mesmo entre católicos tradicionais homens verdadeiros se tornaram raros. Nosso propósito neste artigo é fornecer alguns conselhos úteis sobre um dos mais sérios problemas do mundo moderno ― a ausência de pais verdadeiros ― recorrendo à robusta doutrina de Santo Tomás de Aquino contida na Summa Theologica. Ao apresentar a substância dos princípios luminosos do Doutor Angélico em linguagem simples, esperamos que todos possam tirar proveito de sua sabedoria.

É no estudo de Santo Tomás sobre a virtude da fortaleza, freqüentemente identificada com a coragem, que encontraremos muitos dos elementos de que precisamos. Em latim, uma das palavras possíveis para fortaleza é “virtus” (que também significa virtude). A raiz dessa palavra é “vir”, que significa “homem”. Vê-se assim que a masculinidade está associada à coragem. Para que tenhamos verdadeiros pais, precisamos de verdadeiros homens; e verdadeiros homens são homens fortes. Mas o que é exatamente a força? Santo Tomás explica que a fortaleza é uma virtude moral relacionada com o perigo. O homem encontra muitos males ameaçadores durante sua existência e tem de encará-los de maneira razoável controlando seu medo; é a coragem que permite que o homem lide com essas dificuldades e obstáculos. Há dois atos que fluem dessa virtude: o ataque e a defesa. Por isso, a fortaleza será divida em magnanimidade, que pode ser traduzida como “grandeza de alma” (magna anima), e perseverança. A magnanimidade é o que faz com que alarguemos o nosso coração e empreendamos uma grande obra com confiança. A perseverança permite que permaneçamos firmes e resistamos ao mal por um longo tempo, resistindo à tentação de desistir. (Clique para continuar)

A restauração da tradição musical

Pe. Hervé de la Tour, FSSPX

Os momentos mais marcantes da nossa viagem de junho para Winona, à parte as ordenações, foram as reuniões noturnas ao redor das fogueiras no acampamento. As famílias se reuniram para cantar e tocar canções. Os jovens gostam das antigas baladas, que se tornaram clássicos, pois perduraram por gerações, tendo incorporado sentimentos pátrios, familiares e religiosos. Estas canções são parte de nossa cultura: músicas irlandesas e escocesas, cantos da Guerra Civil, canções caipiras, etc. Um dos livros musicais utilizados nos saraus traz o seguinte prefácio:

“’Só o amante canta’. Quão profundas são estas palavras de Santo Agostinho! Porque a canção é o casamento entre a poesia e a música e, como em qualquer casamento, tem por motivo o amor. Quer se cante a Deus, ao amado, ou até à pátria, canta-se por amor. O canto às vezes manifesta alegria, às vezes tristeza, mas sempre é uma manifestação de amor. Quem canta vai além do comum, pois deseja expressar algo que não se poderia expressar de outro modo. Assim como o pintor não só desenha alguma coisa, mas a pinta, o cantor não só diz algo, mas o canta.”

“Só o amante canta. Eis a razão por que o canto é tão natural para o católico. A vida católica é uma vida de amor, porque é uma vida de sacrifício. Daí todas as culturas da Europa Católica possuírem (além do sublime canto litúrgico) sua própria música folclórica, com belas canções e danças. Hoje, porém, não mais se canta. À medida que a cultura se torna cada vez menos católica, a verdade descamba e, juntamente com ela, a excelência, a beleza e, é claro, a caridade. Quando o homem se esquece de Deus, só lembra-se de si mesmo. Um homem egoísta não sabe amar, portanto, não é capaz de cantar.”

Henri Charlier foi um dos pensadores católicos proeminentes do século XX. Seus escritos sobre educação assemelham-se muito aos de John Senior. Ambos empenharam-se na restauração da cultura católica. A educação, de fato, foi um dos campos mais prejudicados neste século. Charlier diz o seguinte: “Existem dois tesouros para a educação infantil: as canções folclóricas e o canto gregoriano. Estas duas fontes representam os princípios básicos da tradição musical da humanidade”.

”O canto gregoriano é, sob certos aspectos, uma introdução mais fácil à música, porque nele as notas não têm a mesma proporção. Além do mais, ele nos introduz ao canto dos salmos do Ofício Divino e a uma cultura profunda, acessível a qualquer um através do missal e do breviário. O canto gregoriano, portanto, é o elo natural entre a música e aquilo que um homem fará de mais importante em sua vida”.

“A música folclórica, por sua vez, mantém o homem numa tradição humana, familiar e nacional. É a base e o fundamento do canto gregoriano.”

Como exemplo do que se perdeu e precisa ser restaurado, permitam-me citar A história de uma família, a biografia do Sr. e da Sra. Martin, os pais de Santa Teresinha do Menino Jesus. Ao descrever o Sr. Martin, que foi beatificado pela Igreja, o autor, Pe. Piat, diz:

“Gostava de recitar boa poesia (...) transmitiu a Maria e Teresa grande talento para a imitação. Ele sabia imitar entonações e palavras do dialeto auvernês, cantos de pássaros, tambores e toques de clarim de modo tão preciso, com um ritmo e uma expressividade tão grandes, que se tinha a impressão de estar ouvindo os sons genuínos. Acima de tudo, nutria um verdadeiro culto pelas antigas canções folclóricas e conhecia um vasto repertório delas.”

 

A mais pura forma de beleza

Todos necessitam de música, não importa a idade. Mas essa necessidade aparece com mais veemência na juventude. As crianças talvez não gostem de uma caminhada longa e cansativa, mas irão correr e dançar o dia inteiro sem reclamar. Em verdade, a dança deve-se unir à música, e não separar-se dela. Em nossas paróquias, como a de St. Marys ou Post Falls, as crianças aprendem as tradicionais danças folclóricas (irlandesas, mexicanas, polonesas, etc.).

Eis um conselho sobre a importância de fazer da boa música parte da vida doméstica para as crianças. Retirei-o dos escritos de Myrtle Douglas Keener, renomado educador:

“A educação moderna conduz a criança para longe das coisas ideais e destrói o desejo natural pela beleza. Eliminar a beleza da educação é destruir sua própria alma. Devemos permitir que nossas crianças entrem na vida adulta sem consideração para com a beleza, tendo perdido a verdadeira  inclinação para alcançar o que há de mais profundo na natureza?”

“O canto põe a criança em contato com a forma mais pura de beleza e satisfaz seu anseio natural por melodia e ritmo. Mas, a fim de preservar esse anseio, os pais devem começar o trabalho em casa e não adiar o ensino desse importantíssimo elemento à educação infantil para a escola e para uma idade em que tais desejos inatos se enfraquecem ou se perdem.”

“Como se deve conduzir este entusiasmante trabalho com nossas crianças? O primeiro passo é cantar-lhes belas canções.”

A rainha Isabela de Castela aplicou tais princípios na educação de seus filhos. Eis uma passagem da sua biografia escrita por William Thomas Walsh:

“Gostava de ter cavaleiros que fossem bons músicos. Garcilaso de la Veja, cavaleiro que matou o gigante Yarfe ante os muros de Granada e que depois foi enviado como embaixador a Roma, era excelente harpista. Francisco Penalosa, outro espanhol, foi um dos músicos mais brilhantes do coro papal em que Palestrina, meio século depois, estabeleceria as fundações da música moderna. Isabel quase não viajava sem músicos ao seu redor. Em sua capela havia mais de quarenta cantores treinados, além de organistas e tocadores de clavecino, alaúde, viola bastarda, flauta e outros instrumentos. Ela levava os músicos para o acampamento quando ia guerrear.”

Certa vez se disse: “Tenho pena dos americanos, pois não têm luz, não têm música em suas vidas.” Cabe a nós restaurar a tradição dos cantos folclóricos! Pode-se começar como melodias simples no estilo Mother Goose (Mamãe Gansa) e terminar em canções mais elaboradas. Eis o conselho dado aos pais por Maria Von Trapp:

“Logo que nascer o bebê, a mãe deve cantar para ele. Existem inúmeras canções de ninar, cantigas infantis e pequenas orações que podem ser encontradas em livros musicais. Os pais ficarão impressionados com a rapidez com que os pequenos irão cantarolar uma melodia. Isso conduzirá naturalmente a canto em partes, com a mãe cantando a segunda parte e o pai, a terceira. Cantar é algo natural. Se se pudesse apenas curar aquela horrível fobia com que tanto nos deparamos: ’não posso cantar, não tenho piano em casa!’”.

 

O mais belo instrumento

“O mais belo instrumento é a voz humana, que Deus deu a todos.”

“Tenho anos de experiência aqui nos Estados Unidos e sei  como todos se divertem ao cantar em ‘camadas’. Eis um bom método para consegui-lo: começa-se cantando a melodia em uníssono. Quando todos souberem a melodia suficientemente bem para cantá-la sozinhos, divide-se o canto em duas partes; e mais a frente, em três ou quatro. Logo veremos as pessoas cantarem essas diferentes ‘camadas’ em qualquer lugar em que estejam reunidas, quer estejam sentadas numa mesma sala ou então limpando um jardim. Cantar em ‘camadas’ é a maneira mais natural e fácil de educar o ouvido para cantar individualmente.”

Para concluir este artigo, trago uma citação do Pe. Schmidberger, da época em que foi Superior Geral da FSSPX:

“Neste país [Estados Unidos], é muito importante que não tenhamos apenas o ensino técnico e o de ciências naturais, mas que tenhamos especialmente empenho musical, uma atmosfera musical. Além do estudo de línguas e história, a música é muito importante para a formação das almas cristãs. É parte da vida interior – num nível natural, sim, mas um passo que nos aproxima de Deus e que, portanto, contribui para a formação de verdadeiras personalidades cristãs.”

“Estejam certos de que a música é um passo importante para o renascimento da América, da América Católica. Em todo lugar em que vive a fé, encontram-se as artes: pintura, teatro, música, literatura, desenho. As artes são importantes para nossa vida espiritual – são sinais dela – e quanto mais intensa é a nossa fé, mais florescem as artes.”

“Que nossas famílias e escolas sejam lares em que reina a boa música, em que as crianças sejam encorajadas a cantar belas canções, em que a cultura cristã não seja esquecida, mas transmitida!”

Termino com as inspiradoras palavras do livro musical usado no seminário:

“Que nós, peregrinos neste vale de lágrimas, encontremo-nos sempre a seguir as palavras de São Paulo, ‘cantando e celebrando de todo o coração os louvores do Senhor’ (Ef 5, 19), até que todos nós entremos na eterna canção de louvor, na Festa de Núpcias do reino celeste.”

(Angelus Press, março/abril de 2012.)

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