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CAMPANHA DE ROSÁRIOS PELAS ELEIÇÕES

 

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Conferências sobre a Santidade (I)

Pe. Matéo Crawley-Boevey

 

Nota da Permanência: O Padre Matéo proferiu estas conferências às superioras de diversas comunidades religiosas do Canadá, na província do Québec, em 1945. Embora endereçadas às almas consagradas, estas conferências são utilíssimas aos leigos, havendo estes tão-somente de fazer as devidas substituições, como “almas consagradas” por “almas batizadas”, “comunidade” por “família”, “vida religiosa” por “vida cristã” e assim por diante. 

 

Inclinar-se à santidade

Como vocês são religiosas, falemos sobre a vida religiosa; comecemos pelo começo. A vida religiosa é uma pedra angular. O padre não é um homem como outro qualquer, mas é um super-homem, um homem divinizado. Uma religiosa como vocês não é uma dama fina e inteligente, de forma nenhuma, mas sim uma pessoa consagrada a Deus; vocês são esposas e rainhas do rei Jesus, não servas, e muito menos escravas. Bem sei que vocês são insignificantes grãos de areia, mas Jesus as escolheu, de modo que a consagração é um casamento, não porque vocês o tenham pretendido, mas porque Jesus o quis assim. Essa união com Jesus é um casamento divino.

Certa feita uma religiosa ensinava a uma princesa a quem teve de repreender; a princesinha, irritada, recusava-se a obedecer e encolerizada disse: “Esqueceu-se de que sou filha do rei de França?”, ao que a religiosa respondeu: “Esqueceu-se de que sou esposa do rei dos reis, diante de quem o seu paizinho se ajoelha?”

A quem muito foi dado, muito será cobrado: o milionário não será cobrado como o servo. Vocês não serão julgadas como escravas mas prediletas. Cobrará o rei: “Recebeste tesouros, por isso vem prestar contas do diadema e do manto real.” Essa frase lhes deve provocar calafrios. A principal glória da vida religiosa é a de que vocês são as minhas prediletas, lhes diz Jesus, minhas pombas e filhinhas do coração. Quando morrerem, Jesus não perguntará se vocês instruíam cinqüenta alunas ou administravam um grande hospital, mas: “Amaste-me tu como uma rainha? Agiste como minha predileta?” Ele não dirá: “Vê as minhas mãos e os meus pés, que os impuros, os maus e os ímpios machucaram”; não, o primeiro sofrimento lhe virá das almas consagradas! “Tu me juraste que serias santa: que fizeste do juramento?”

Não pensamos o suficiente nessa queixa de Nosso Senhor em Paray-le-Monial. Normalmente se reclama de que as obras não vão para frente, de que há algo de errado com as irmãs, mas Nosso Senhor bem que poderia perguntar: “Recordas-te da tua profissão? Prometeste ser santa e, depois de quarenta anos, ainda não és.” Profissão significa convento e religião; por que entrei no convento? Vocês afirmam: “Para salvar a minha alma ou salvar almas.” Salvar a minha alma? Quem lhes disse que os três votos são necessários para ir ao céu? Então, papai e mãe vão ao inferno, pois eles não fizeram os três votos! O batismo, a penitência e a comunhão são suficientes para que papai e mamãe se salvem, bem como milhares de cristãos pelo mundo. Mas vocês insistem: “Vim para salvar as almas.” Pois bem! Salvar almas é conseqüência, pois as salvarão à medida de sua santidade.

Vocês entraram no convento para se tornarem santas: eis o princípio e o cerne da vida religiosa. Vocês são religiosas para que sejam santas e mais nada, o resto já está contido nisto. Ninguém está aqui para se instruir ou curar as feridas, mas para se transformar em santo; o único ideal da vida religiosa é amar como amaram os santos, ou seja, ser um santo com S maiúsculo a todo o custo. A pobreza, a castidade e a obediência são os três votos que me ajudarão; diariamente, com a graça de Deus, subirei, subirei e me tornarei santa. Se alguém já lhes disse isso, bem-aventuradas são; se esta é a primeira vez, mãos à obra. Ninguém está aqui para brincar de teatro, música, literatura e quejandos, mas para ser santa. Esta é a instrução que vocês devem transmitir às noviças. Não se tornar uma pessoa má não é um ideal, mas é o mínimo; se a mulher é religiosa apenas para evitar o pecado, está perdendo tempo.

 

“Senhor, dai-nos a vitória”

Quando visitei o papa, ele me perguntou: “Padre, que mais o inquietou nas suas palestras pelo mundo?” Fiquei hesitante. “– Fale, fale. – A falta de santos, a falta de santos.” Só o céu canoniza, só ele o rei que sabe de tudo; mas onde estão os seus santos canonizados? Agora chegou o momento: abandonem tudo o mais e se tornem santas!

Vou citar-lhes um episódio ocorrido durante a 1ª Guerra Mundial [1914-1918]: uma boa irmã, mas não santa, que tinha dois irmãos de sangue oficiais, repetia sempre entre gemidos: “Senhor, dai-nos a vitória! Nossa vitória, Senhor!” Certo dia escutou ela uma voz que saia do tabernáculo: “De que vitória falas? – Da vitória das nossas forças armadas. – Deixa isso comigo, disse Jesus; eu sou o Mestre, por isso suplique antes a minha vitória. – Que vitória, Senhor? – Quê? Tu, que és religiosa, não sabes qual é a minha vitória? A minha vitória é que tu sejas uma santa, pois boas irmãs como tu tenho para dar e vender.”

Como os santos nos fazem falta, o mundo definha porque estão faltando santos!

O primeiro dever da religiosa é santificar-se e oferecer ao próximo algo da própria fartura santificando-o. Não sejam modernistas: é errado aceitar moças para enfermeiras ou instrutoras. Necessitamos de noviças, assim se constitui erro grave a falta de rigor na escolha delas. A melhor religiosa, essa será a melhor instrutora e enfermeira; o resto vem em acréscimo. Perguntar-se-ão as religiosas: “Nós, santas? Não passamos de um fardo de misérias.” Pobre Jesus! Quando ele as escolheu, não sabia que eram miseráveis? Estava ele cego, sonolento, com a vista embaçada? Jesus não dorme, pois ele é justiça e sabedoria; Jesus as enxergou tais quais eram, sabia o que eram e, porque nunca se engana, as escolheu, para que se tornassem santas.

Acompanhando o chamado vêm as graças de estado; se a moça a quem chamei não consegue aumentar o resplendor das estrelas, eu, Jesus, que sou o guia dela, consigo. Ele nos concedeu milhares de graças para que sejamos santos! Quantos grandes santos receberam menos que nós! Nasceram com três centavos e morreram milionários; foram generosos e se tornaram sóis gloriosos. Talvez São Francisco de Assis e Santa Margarida Maria tenham sido menos favorecidos que nós, porém foram fidelíssimos ao capitalizar os dons de Deus! Sejam exigentes com as meninas que acolherem; quiçá percam umas cinco ou dez, mas seriam cinco ou dez noviças em demasia. Uma moça de dezenove anos costumava travar relações com religiosas não santas; convidaram-na a ingressar ao convento, contudo ela respondeu: “Ser religiosa é só isso? Vou ficar com a minha família.” Por vezes é assim que as boas almas se afastam.

 

A graça, a generosidade e a educação

Antes de tudo, é a graça que faz os santos. Jesus não pede mais do que podemos dar; mas se ele nos pede nos dá. Dá dez vezes mais que o necessário. O purgatório ficará cheio até a boca com almas que viveram vinte, trinta, quarenta anos no convento sem saber que a graça de Deus as ajudava e sem haver feito frutificá-la. Vocês são capazes de serem muito maiores que a singela Teresinha, apesar de serem apenas singelas cristãs. A santidade se baseia em graças superabundantes. Ninguém exige que uma pedrinha voe, mas com a graça de Deus é possível.

A santidade se baseia em generosidade: elevemo-nos cada vez mais, não fiquemos parados, nunca. Criemos asas, quais pássaros, que começam a voar aos poucos, e nos elevemos sempre. Teresinha, que se alçou tão alto em apenas vinte e quatro anos, dá-nos uma lição. Que fez ela? Escutem: “Nunca recusei nada ao bom Deus, desde a idade de quatro anos.” Talvez ela tenha recebido um capital menor que o de vocês e o meu, mas ela aumentou esse capital. Se vocês têm remorsos de haverem recusado muitas coisas do bom Deus, bem, a partir deste retiro vocês já não recusarão nada, progredindo no caminho de Teresinha: doação total, coração em troca de coração. Não ingressamos nas ordens apenas para que não sejamos impuros ou maus, porque, passado bastante tempo, conseguimos renunciar o pecado; de fato, renunciamos coisas excelentes: o casamento, a vida de família; mas nós nos limitamos, e porque nos limitamos, limitando a doação total, não somos totalmente de Jesus, e só dele.

A santidade se baseia na educação religiosa. Para que se formem os jovens nessa doação total, força é lembrarem-se dos santos: é essa a sua responsabilidade. Uma barra de ouro tem de ser purificada e cinzelada, a fim de que se transforme em cálice. O esforço e a labuta da boa vontade, diariamente, é o que faz os santos. Vocês precisam amar o esforço e torná-lo amável.

Um de nossos padres, provincial durante alguns anos – e morto em odor de santidade, envolto numa atmosfera de humildade e paz –, fora um moço altivo e orgulhoso, cheio de defeitos. Aos pouquinhos se transformou em santo, pelo esforço cotidiano. Aquele moço colérico, que tinha enormes defeitos e qualidades enormes, ao fim da vida se tornara um repositório de bondade e tranqüilidade, amado por todos e lamentado com soluços pelos religiosos que lhe assistiram à partida para o céu.

Sim, a santidade se baseia na educação também. Não basta ser uma boa irmã e contentar-se com isso, mas tentar imitar Teresinha. Eu lhes imploro, em nome do Sacratíssimo Coração de Jesus, para que vocês se tornem santas, pois é este o seu único dever, e só este.

Se vocês confiam mais na menina que tem vocação para boa mestra do que para boa religiosa, expiarão tal erro.

Vivemos aos trancos e barrancos, por isso desejaríamos sempre diminuir as exigências da religião, deixar a vida correr frouxa. Que pena! Há cem anos éramos mais religiosos. Que fazem vocês, se não trabalham na santidade? Deste modo se perde a glória de Deus, a de vocês e a das almas. Os padres devem ser o Cristo da paróquia, e também vocês devem ser um pouco como ele, sendo assim muito mais religiosas. Convençam-se em ser religiosas acima de tudo, e ainda assim considerem que talvez não estejam entre as primeiras almas da paróquia. É impossível Jesus reinar contra mim e vocês, pois vocês e suas comunidades são a guarda real do rei; portanto, despertem a luz e o calor nos corações e nas comunidades... Jesus não nos exige milagres, senão o milagre do amor, que é a ambição de ser santo custe o que custar. Quem salvará o nosso país? Não serão os políticos mas os santos. Um Cura d’Ars é mais glorioso para a França que mil Napoleões.

Realizaram vocês os esforços amorosos que lhes espera o rei, a exemplo de Teresinha ou Bernadete? Nem todos podem ser artistas, mas podem ser santos. Se não há santos nos conventos, onde encontrá-los? Se não há água nas fontes, onde bebê-la? Se não há flores nos jardins, onde colhê-las? Se não há árvores das florestas, onde buscá-las? Se não há estrelas no firmamento, onde fitá-las? A fonte é o convento, o jardim é o convento, a floresta é o convento, e o céu é o convento. Catarina Tekakwitha se elevou bastante; ela era uma pequena iroquesa; quiçá ela será considerada santa antes de vocês, mesmo sendo uma selvagenzinha! Se Deus quiser, tomara que ela as ultrapasse; Catarina não era religiosa, mas um passarinho da floresta. Já vocês são estrelas do firmamento. De direito, a santidade é sua; de fato, é dela.

Deus lhes está chamando, assim tratem de se elevar com asas de águia, pois Jesus, o rei, quer o milagre de sua santificação. O único objetivo de vocês serem religiosas é a glória de Deus. Urge que todas e cada uma sejam santas, e eduquem as suas filhas, pois ninguém dá o que não tem: sejam santas para transmitir a santidade.

 

“A missa na intenção de vocês é a minha grande pregação”

A doutrina do Sacratíssimo Coração de Jesus é uma teologia inteira por si só; reparem bem: o amor do Cristo é o dogma, o meu amor é a moral. Essa teologia se resume em três cenas: a manjedoura, a cruz e o altar. O quadro da missa que está neste local é obra de um padre belga; ele suprimiu os pormenores que distrairiam o fiel da missa: não há flores nem anjos, mas somente o sacrifício.

Suplico-lhes a esmola de uma oração ou de uma via crucis em favor das almas pecadoras dos consagrados, que precisam de luz imensa para retornarem a Deus; depois, durante o retiro, o Rosário da Santíssima Virgem. Celebro a missa durante a comunhão para ajudá-las a dar graças a Nosso Senhor. A missa na intenção de vocês é a minha grande pregação; só aí espero fazer alguma coisa pelas suas comunidades. Aqui, uso a minha língua; mas a melhor pregação é a do Senhor na missa. Essa pregação cala mais e melhor nos corações, pois quem lhas dá é o Sacratíssimo Coração de Jesus. Supliquem ao Sacratíssimo Coração de Jesus para que lhes deem luzes.

(Tradução: Permanência / Revista Permanência 274)

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