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CAMPANHA DE ROSÁRIOS PELAS ELEIÇÕES

 

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Capítulo 4 -- A Sagrada Face

Nosso Senhor explicou à Irmã Maria de São Pedro a enormidade do pecado de blasfêmia. Escreve ela:

“Pareceu-me que Nosso Senhor me dizia: ‘Não podeis compreender a malícia e a abominação desse pecado; se minha justiça não fosse retida por minha misericórdia, esmagaria o culpado, e as criaturas, mesmo as inanimadas, se vingariam; mas tenho a eternidade para puni-lo!’ Então, fez-me compreender a excelência da Obra de Reparação; como ela superava as outras devoções e era agradável a Deus, aos anjos, aos santos, e útil à Igreja. ‘Oh! Se soubesses o grau de glória que adquiris ao dizer somente uma vez: Mirabile Nomen Dei [Admirável é o Nome de Deus] com espírito de reparação pelas blasfêmias!’” 1

Chegamos agora ao relato do pedido de Nosso Senhor para o estabelecimento da Devoção à sua Sagrada Face.

 

Busco Verônicas”

Em 27 de outubro de 1845, o Mistério Reparador da Sagrada Face foi de repente revelado à Irmã Maria de São Pedro, que “sentiu-se transportada em espírito para o caminho do Calvário.” 2 Diz ela:

“Lá Nosso Senhor me representou vivamente o piedoso ato de Verônica, que, com seu véu, enxugou sua Sagrada Face coberta de escarros, poeira, suor e sangue. O divino Salvador fez-me entender que os ímpios renovam atualmente, por suas blasfêmias, os ultrajes feitos à sua Sagrada Face; todas essas blasfêmias que lançam contra a Divindade, sem poder atingi-la, recaem como os escarros dos judeus sobre a Face de Nosso Senhor, que é feito vítima dos pecadores. Então me disse que eu deveria imitar o zelo da piedosa Verônica ― ela que cruzara tão corajosamente a multidão de seus inimigos ― e que a havia dado a mim como protetora e modelo. Aplicando-se à reparação das blasfêmias, presta-se o mesmo serviço prestado por essa heróica mulher; e Ele olha para aqueles que agem assim com a mesma complacência com que a olhou durante sua Paixão.” 3

Nosso Senhor explicou que seu pedido não se limitava à religiosa. Ele desejava que tantas almas quanto possível participassem dessa Obra de Reparação:

“Busco Verônicas para limparem e honrarem minha Divina Face, que tem poucos adoradores.”

Explica a Irmã Maria: “E Ele me fez entender, de novo, que todos os que se aplicassem a esta obra de reparação fariam nisso o ofício da piedosa Verônica.” 4 Nosso Senhor também garantiu: “Por minha Sagrada Face, fareis prodígios. 5 “O divino Mestre mostrou-me”, continua a santa carmelita, “o desejo que tinha de ver sua Sagrada Face oferecida à adoração de seus filhos como objeto de devoção próprio aos associados da Obra Reparadora das blasfêmias.” 6 A Irmã então explica o significado da Sagrada Face, sua relação com o Sagrado Coração de Jesus e como a devoção à Sagrada Face é um poderoso meio de reparação:

“Compreendi que, como o Sagrado Coração de Jesus é o objeto sensível oferecido à nossa adoração para representar seu imenso amor no Santíssimo Sacramento do altar, da mesma forma, na obra de reparação, a Face de Nosso Senhor é o objeto sensível oferecido à adoração dos associados para reparar os ultrajes dos blasfemadores que atacam a Divindade de que ela é a figura, o espelho e a expressão. Pela virtude dessa Face adorável, apresentada ao Pai eterno, pode-se aplacar sua cólera e obter a conversão dos ímpios e dos blasfemadores.” 7

Comenta o Padre Janvier:

“Não se poderia exprimir de melhor maneira a correlação que existe entre a devoção do Sagrado Coração e a da Sagrada Face. A Sagrada Face representa a Divindade ultrajada pelos opróbrios dos blasfemadores, como o Sagrado Coração representa o imenso amor de Jesus na Eucaristia.” 8

Continua a irmã:

“Nosso Senhor fez-me ver que a Igreja, sua Esposa, é seu corpo místico, e que a religião [isto é, a religião católica] era a Face desse corpo; então Ele me mostrou essa Face diante dos inimigos de seu Nome, e vi que os blasfemadores e os sectários renovavam contra a Sagrada Face de Nosso Senhor todos os opróbrios de sua Paixão...; que todos os golpes desferidos pelos sectários contra a santa Igreja, contra a religião, eram a renovação das muitas afrontas que a Face de Nosso Senhor recebeu...” 9

Com isso, entendemos que aqueles que atacam a religião católica, por qualquer meio, estão realmente ultrajando e esbofeteando a Sagrada Face de Nosso Senhor.

 

Os Comunistas

Como mencionado anteriormente, os crimes atuais que mais ultrajam Nosso Senhor e a guerra contra a sua Igreja procedem das sociedades secretas. Nosso Senhor chegou a ser ainda mais específico em relação a um grupo dentre elas, identificando nominalmente, em março de 1847, os comunistas como seus inimigos. Escreve a irmã: “Ele me mandou fazer guerra aos comunistas, que me disse serem os inimigos da Igreja e de seu Cristo.” 10

Nosso Senhor deu-lhe então um meio espiritual especial para combatê-los: “Eu vos dou, para combatê-los, as armas de minha Paixão: minha cruz, da qual são inimigos, e os outros instrumentos de meu suplício... As armas de meus inimigos trazem a morte; mas as minhas trazem a vida.” 11

Sob orientação e inspiração de Nosso Senhor, a religiosa começou a recitar uma oração especial pela derrota dos comunistas e, por extensão, pela derrota de todos os “homens rebeldes”:

“Pai eterno, eu vos ofereço, contra o campo dos vossos inimigos, a cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo e todos os instrumentos de sua santa Paixão, a fim de que ponhais entre eles a divisão; porque, como disse vosso Filho bem-amado, todo o reino dividido contra si mesmo será destruído.” 12

Vemos aqui mais uma ligação entre as revelações de Nosso Senhor à Irmã Maria  de São Pedro e de Nossa Senhora em La Salette. Naquela aparição da Virgem, em 1846, “a imagem do crucifixo estava sobre o seu coração; os instrumentos da Paixão, o martelo e a pinça, um de cada lado, ornavam seu peito.” 13 Talvez o porquê de Nossa Senhora estar vestida com esses instrumentos possa ser encontrado aqui nas instruções de Nosso Senhor à Irmã Maria de São Pedro. Ele lhe disse para oferecer ao Pai esses mesmos instrumentos, os instrumentos da Paixão, “contra o campo dos vossos inimigos” ― a saber, os comunistas e os homens rebeldes ― “a fim de que ponhais entre eles a divisão”.

O Padre Janvier relata que Nosso Senhor alertou ainda a Irmã Maria de São Pedro a respeito dos desígnios malignos das sociedades secretas e de seus princípios anticristãos: “Bem, minha filha, é essa sociedade de comunistas que me arrancou de meus tabernáculos e que profanou meus santuários; puseram a mão sobre o ungido do Senhor.” 14

Depois, Nosso Senhor previu que os comunistas e as sociedades secretas iriam causar grande estrago, mas, no fim, não alcançariam vitória total: “Eles não terão sucesso em seus desígnios.” 15

Vale notar que Nosso Senhor comunicou isso à Irmã Maria em 1847, 70 anos antes da Revolução Comunista na Rússia. Examinaremos adiante como esses alertas de Nosso Senhor servem como um fundamento para a Mensagem de Nossa Senhora em Fátima. Por ora, entretanto, falaremos da santa morte da carmelita, do véu de Verônica e de como suas revelações finalmente receberam a aprovação da Igreja.

 

Sua Morte

Durante a semana de 2 de dezembro de 1847, o apelo de Nosso Senhor tornou-se ainda mais urgente. Disse Ele: “Os judeus me crucificaram na sexta-feira, mas os cristãos me crucificam no domingo. Peça, de minha parte, para a diocese de Tours, o estabelecimento da Obra de Reparação.” 16

O pedido da Irmã foi encaminhado prontamente ao arcebispo, que enviou um secretário para entrevistá-la; mas a entrevista não correu bem. A Irmã transmitiu sua mensagem diretamente e com respeito. Entretanto, o secretário encerrou a entrevista dizendo que ela havia cumprido o seu dever ao fazer com que as mensagens chegassem ao arcebispo, mas ― eliminando suas esperanças com as palavras finais ― acrescentou que não deveria mais pedir o estabelecimento de uma obra de reparação17. Ela saiu daquela reunião sentindo-se tanto feliz quanto abatida. Estava feliz por ter transmitido a mensagem de Nosso Senhor; abatida porque tudo indicava que o arcebispo não lhe daria ouvidos. Ainda assim, Nosso Senhor a consolou, fazendo-lhe saber que, de fato, a Obra de Reparação floresceria no futuro. E aqui chegamos a uma das últimas mensagens públicas de Nosso Senhor para a Irmã Maria de São Pedro. Em março de 1848, ela escreveu: “Ele me fez compreender que desejava ver propagar-se o máximo possível a devoção a essa Face adorável.” 18

Então, no final do mesmo mês, disse Nosso Senhor a essa carmelita de 32 anos de idade, que parecia estar em perfeita saúde: “Tua peregrinação avança!... o fim do combate se aproxima!... logo verás minha Face no Céu!” 19

Não muito depois, a Irmã Maria foi assaltada por numerosos problemas de saúde. Desenvolveu uma severa tuberculose pulmonar e uma infecção na garganta, que os comentadores interpretam como um meio final de reparação pelos blasfemadores. O médico foi chamado, encontrando-a mortalmente doente. Em sua agonia final, da qual fez uso para intensificar sua devoção à Sagrada Face de Jesus e à sua Santa Infância, disse: “...sou totalmente consagrada à Reparação; sou vítima...” 20 Após muito sofrimento, acompanhado pelo abandono à Vontade de Deus, o que edificou toda a sua comunidade, a Irmã Maria de São Pedro morreu santamente em 8 de julho de 1848. 21

  1. 1. VSSP, p. 185.
  2. 2. VSSP, p. 222.
  3. 3. VSSP, pp. 222-223.

    Essa foi a primeira vez que Nosso Senhor falou com a Irmã Maria sobre sua Sagrada Face. Em relação a Santa Verônica, a Irmã Maria disse: “Vi que Nosso Senhor tinha muito amor por ela. Isso porque me disse que desejava vê-la honrada particularmente em nosso mosteiro, convidando-me a lhe pedir, em nome dos serviços que Verônica lhe prestara, as graças que desejássemos e prometendo que no-las concederia.” VSSP, p. 223.

  4. 4. VSSP, p. 230.
  5. 5. Abbé P. Janvier, M. Dupont et L’oratoire de la Sainte-Face, Tours, 3ª edição, 1880, p. 70.
  6. 6. VSSP, p. 231.
  7. 7. VSSP, p. 228.
  8. 8. Ibid.
  9. 9. VSSP, pp. 228-229.
  10. 10. VSSP, p. 298.
  11. 11. VSSP, p. 299.
  12. 12. Ibid.
  13. 13. VSSP, p. 260.
  14. 14. VSSP, p. 300.
  15. 15. Ibid.
  16. 16. VSSP, p. 382.
  17. 17. Um relato detalhado da entrevista encontra-se em VSSP, pp. 392-395.
  18. 18. VSSP, p. 396.
  19. 19. VSSP, p. 399.
  20. 20. VSSP, p. 439.
  21. 21. Sua madre superiora escreveu um longo relato dos últimos dias da Irmã Maria, o que compõe um capítulo inteiro em VSSP [Capítulo XXIII, “Sua Doença – Sua Morte”].