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CAMPANHA DE ROSÁRIOS PELAS ELEIÇÕES

 

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Comentário ao Salmo 1

 

INTRODUÇÃO

Dom Lourenço Fleichman

Sem indicação de autor (salmo “orfão”), nem de circunstância histórica, este salmo, atribuído a Davi mesmo por muitos comentadores modernos, é considerado como uma introdução geral de todo o saltério, abordando o tema da bênção de Deus sobre o justo e do castigo reservado aos maus, resumo de tudo o que os salmos nos ensinam.

A verdadeira felicidade só é alcançada pela fiel obediência à lei de Deus que culmina na união com Ele. Fora disso só encontramos miséria.

O salmo se divide em duas partes: a primeira (v/ 1— 3) descreve a condição do homem justo; a segunda (v/4— 6) prediz a infelicidade e a ruína eterna do ímpio.

    

Tradução do Salmo

Bem-aventurado o homem que não se deixou levar pelo conselho dos ímpios,

E não se deteve no caminho dos pecadores

E não se sentou na cátedra pestilencial (dos maus);

Antes põe a sua vontade na lei do Senhor,

E na sua lei medita de dia e de noite.

Ele é como a árvore plantada junto às correntes das águas,

Que a seu tempo dá fruto,

Cujas folhas não murcham,

E todas as coisas que faz têm bom êxito.

Não assim os ímpios, não assim;

Mas são como o pó que o vento dispersa à superfície da terra.

Por isso os ímpios não ressuscitarão no dia do juízo

Nem os pecadores (estarão) na congregação dos justos,

Porque o Senhor conhece o caminho dos justos,

E o caminho dos ímpios perecerá.

 

Notas:

A 1ª parte [v/ 1— 3] trata da felicidade do justo.

não se deixou levar – não se deteve – não se sentou : estes três verbos marcam três graus de relacionamento ou de engajamento com os pecadores: simples inclinação – hábitos culpáveis já adquiridos – endurecimento da vontade.

cátedra pestilencial: dos maus que se riem de Deus.

sua vontade: toda sua afeição, todo seu ser.

• é como a árvore plantada junto às correntes das águas – nas regiões áridas, é marcante a beleza e verdura das árvores que crescem junto aos rios. No interior, no serrado, chamam estas árvores de matas ciliares, pois formam como o desenho de cílios.

 

2ª parte — infelicidade do ímpio.

como o pó: ou como a casca dos grãos de trigo levada pelo vento depois que o trigo é batido

não ressuscitarão no dia do juízo: não serão justificados: ver S.Mat. III,12 : «Ele recolherá seu trigo no celeiro, mas queimará a palha num fogo inextinguível».

conhece: o Senhor conhece na intimidade, conhece o coração do justo. (CONTINUE A LER)

 

COMENTÁRIO DE SANTO TOMÁS DE AQUINO

 

Este Salmo se diferencia de toda a obra: não possui um título, mas é como que o título de todos os salmos. 

Davi compôs os Salmos ao modo de quem reza, o que não se limita a um só modo, mas varia conforme os diversos estados e movimentos da alma de quem reza. Ora, este primeiro Salmo exprime o estado do homem que eleva os olhos à condição do mundo, e considera como alguns têm bom fim, outros, não. E entre os bem-aventurados, Cristo foi o primeiro. Entre os maus, Adão. Mas, há algo em que todos se assemelham, e há duas coisas em que se diferenciam. Assemelham-se na beatitude, que todos buscam; diferenciam-se, contudo, no caminho que seguem e no seu termo: pois alguns a atingem, outros não. 

Este Salmo divide-se em duas partes. Na primeira, descreve o caminho rumo à beatitude. Na segunda, que começa a partir de “Ele é como a árvore plantada junto às correntes das águas etc”, descreve a beatitude

 

Parte I

Bem-aventurado o homem que não se deixou levar pelo conselho dos ímpios,

E não se deteve no caminho dos pecadores

E não se sentou na cátedra pestilencial (dos maus);

Antes põe a sua vontade na lei do Senhor,

E na sua lei medita de dia e de noite.

 

Quanto à primeira parte, primeiro trata do caminho dos maus, em seguida, do caminho dos bons, onde diz: “Antes põe a sua vontade na lei do Senhor” etc. 

No que diz respeito ao caminho dos maus, três coisas devem ser consideradas: primeiro, a deliberação no pecado, isto quanto ao pensamento; segundo, o consentimento e execução; terceiro, a indução de outros ao mesmo; e isto é o pior.

Primeiro menciona o conselho dos maus, onde diz “Bem-aventurado o homem que não se deixou levar pelo conselho dos ímpios.” Ora, diz que “que não se deixou levar” pois, quando o homem delibera [no mal], deixa-se levar.

Segundo, o consenso e execução, dizendo: “E não se deteve no caminho dos pecadores”, isto é, na operação. Conforme aquilo das Escrituras (Pr 4,19): O caminho dos ímpios é tenebroso; não sabem aonde vão cair. 

Diz o Salmista “não se deteve” isto é, por meio do consentimento e da operação.

Diz, dos “ímpios”, pois a impiedade é pecado contra Deus; “dos pecadores”, que é contra o próximo; e “na cátedra”, eis o terceiro: induzir outros ao pecado. Na “cátedra”, portanto, como um professor, ensinando os outros a pecar: por isso diz “pestilencial”, que é uma doença contagiosa. (Pr 29) “Os homens corrompidos sopram (o fogo) à cidade”. Ora, quem por aí vai, não é bem-aventurado, mas quem vai pelo caminho oposto. A bem-aventurança do homem está em Deus. “Ditoso o povo, cujo Deus é o Senhor” etc (Sl 143, 15). 

Ora, o caminho para a beatitude consiste primeiramente que nos subjuguemos a Deus, e isto de dois modos. 

Primeiro, pela vontade, guardando os seus mandamentos; e por isso diz: “Antes põe a sua vontade na lei do Senhor”. E isto convém especialmente a Cristo: “Porque eu desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou” (Jo 8). Isto também pode ser dito de todo justo. E diz “na lei”, i. é, por amor, não “sob a lei”, pelo temor. “A lei não foi feita para o justo” (1 Tm 1, 9). 

Segundo, pelo intelecto, meditando continuamente; por isso diz “E na sua lei medita de dia e de noite.”, isto é, continuamente, ou em horas certas do dia e da noite, ou na prosperidade e nas adversidades.

 

Parte II

Ele é como a árvore plantada junto às correntes das águas,

Que a seu tempo dá fruto,

Cujas folhas não murcham,

E todas as coisas que faz têm bom êxito.

 

Em seguida descreve a beatitude: primeiro estabelece a sua diversidade, em seguida, apresenta-lhe a razão, onde diz: Porque o Senhor conhece etc.

Quanto ao primeiro, duas coisas: primeiro apresenta o fim dos bons, em seguida dos maus, onde diz: Não assim os ímpios etc

Quanto ao fim dos bons, faz uso de uma comparação; primeiro a propõe, em seguida, a aplica, ao dizer: E todas as coisas que faz etc.

A comparação é tirada de uma árvore. Nela, três coisas considera: a plantação, a frutificação e a conservação.

Quanto à plantação, é preciso que a terra seja irrigada pelas águas, caso contrário, a árvore seca. Por isso, diz: Ele é como a árvore plantada junto às correntes das águas; ou seja, próxima das correntes da graça: “O que crê em mim, do seu seio correrão rios de água viva” (Jo 7, 38).

E quem fincar raízes perto desta água, frutificará na prática de boas obras; e isso é o que segue: Que a seu tempo dá fruto. Diz o Evangelho: “O fruto do Espírito é a caridade, o gozo, a paz, a paciência, a benignidade, a bondade, a longanimidade, a mansidão, a fidelidade, a modéstia, a continência, a castidade.” (Gl 5, 22). A seu tempo, i. é., apenas quando é tempo de as fazer. “Logo, enquanto tempos tempo, façamos bem a todos” (Gl 6, 10).

E não murcha, antes, conserva-se. Algumas árvores mantém-se vivas, mas não frondosas, outras, conservam-se frondosas. Assim os justos, por onde diz o Salmista: cujas folhas não murcham. I. é, não serão abandonados por Deus sequer em suas menores obras. “os justos germinarão como uma folhagem verde” (Pr 11, 28).

E quando: E todas as coisas que faz etc. Aplica a comparação: pois os beatos em todas as coisas prosperarão, e isso quando conseguirão o fim almejado quanto a tudo que desejam, pois os justos alcançarão a beatitude. “Ó Senhor, salva; ó Senhor, dá prosperidade.” (Sl 117, 25)

 

Não assim os ímpios, não assim;

Mas são como o pó que o vento dispersa à superfície da terra.

Por isso os ímpios não ressuscitarão no dia do juízo

Nem os pecadores (estarão) na congregação dos justos,

Porque o Senhor conhece o caminho dos justos,

E o caminho dos ímpios perecerá.

 

O fim dos maus é o oposto, e é aqui descrito: Não assim etc.

Quanto a isto, duas coisas: primeiro apresenta uma comparação, em seguida a aplica, ao dizer: não ressuscitarão. 

Note que aqui ele começa com uma repetição: “Não assim os ímpios, não assim”, para nossa maior certeza. “Quanto ao segundo sonho que tivestes, que se refere à mesma coisa, é um sinal certo de que se há de executar a palavra de Deus” (Gn 41, 32). 

Ou ainda, não assim é a sua marcha, logo não assim é o seu resultado. “Filho, lembra— te que recebestes teus bens em tua vida, e Lázaro, ao contrário, males; por isso ele é agora consolado, e tu és atormentado” (Lc 16, 25).

São comparados, com propriedade ao pó, que têm três coisas contrárias ao que ficaram ditas do homem justo: o pó não adere à terra, mas fica na superfície; a árvore plantada, ao contrário, finca raízes.

A árvore também é compacta em si, e úmida, enquanto o pó é, em si, disperso, seco e árido. Pelo que se compreende que os bons estão unidos pela caridade, como a árvore. “Ordenai o cortejo com frondosos ramos até aos ângulos do altar” (Sl 117, 27). Os maus, no entanto, dispersos: “Entre os soberbos há sempre contendas” (Pr 13,10).

Do mesmo modo, os bons aderem radicalmente às coisas espirituais e bens divinos, enquanto os maus alimentam-se de bens exteriores.

Além disso, os maus são privados da água da graça. “Porque tu és pó e em pó te hás de tornar” (Gn 3, 19). 

Por esta razão, toda malícia deles perder-se-á. “mas não se perderá um cabelo da vossa cabeça.” (Lc 21, 18)

Porém, destes maus se diz que são dispersados da superfície, i. é, dos bens superficiais; o vento, i. é, as tribulações, os dispersa à superfície da terra. Quanto a mim, tenho visto que os que praticam a iniqüidade, os que semeiam dores, as segam. Perecem, a um sopro de Deus, são consumidos por um sopro da sua ira.” (Jó 4, 8)

Em seguida, aplica a comparação: os ímpios não ressuscitarão, pois são como o pó.

Alguém poderá objetar com aquilo das Escrituras: “é necessário que todos nós compareçamos diante do tribunal de Cristo” (2 Cor 5, 10), e ainda: “não morreremos todos, mas todos seremos mudados.” (1 Cor 15, 51).

A isso deve-se responder que este texto pode ser lido de dois modos.

Com efeito, o homem é propriamente dito ressurgir no juízo quando sua causa é favorecida pela sentença do juiz. Assim, os maus não ressurgem, pois a sentença não lhes é favorável: por isso, outra versão diz, não se firmarão de pé.

Com os bons ocorrerá assim: embora afligidos pelos pecados dos primeiros pais, o julgamento lhes será favorável.

Nem os pecadores estarão na congregação dos justos, pois os bons estarão na vida eterna, à qual não serão admitidos os maus.

Ou ainda se pode dizer que isto se compreende da reparação devida à justiça, à qual os homens satisfazem pelo próprio julgamento. “Ora, se nós nos julgássemos a nós mesmos, não seríamos com certeza julgados” (1 Cor 11, 31)

E quanto a isso diz: não ressuscitarão no dia do juízo, ou seja, no próprio, sobre o qual diz a Escritura: “Desperta tu que dormes; levanta-te dentre os mortos e Cristo te alumiará” (Ef 5, 14).

Alguns são restabelecidos pelo conselho dos bons, e ainda assim, não se pode dizer que os maus ressurgem do pecado.

Ou ainda os ímpios, i. é, os infiéis, não ressuscitarão da discussão e do exame, pois, segundo Gregório, alguns são condenados e não são julgados, como os infiéis.

Alguns não são julgados nem condenados, como os Apóstolos e os homens perfeitos.

Alguns são julgados e condenados, como os maus fiéis.

Assim, portanto, os fiéis não ressuscitarão no juízo da discussão, para que sejam examinados. “Quem não crê, já está condenado” (Jo 3, 18).

Por outro lado, os pecadores não ressuscitarão na congregação dos justos, isto é, afim de serem julgados e não condenados.

Então o Salmista dá a razão pela qual não ressuscitarão no juízo: Porque o Senhor conhece o caminho dos justos. E o faz com propriedade, pois quando alguém sabe que algo se perdeu, a restaura; quando o ignora, não a restaura.

Os justos se dissolvem pela morte, mas Deus os conhece. “O Senhor conhece os que são seus” (2 Tm 2, 19).

Conhece-os com conhecimento de aprovação, e assim os restaura.

Mas como não conhece o caminho dos ímpios com conhecimento de aprovação, o caminho dos ímpios perecerá. Ando errante, como a ovelha que se desgarrou; busca o teu servo, porque me não esqueci dos teus mandamentos.” (Sl 118, 176)

Seja o teu caminho tenebroso e escorregadio” (Sl 34, 6).

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