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CAMPANHA DE ROSÁRIOS PELAS ELEIÇÕES

 

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Art. 1 ─ Se toda esta vida é tempo de contrição.

O primeiro discute-se assim. - Parece que esta vida não é toda tempo de contrição.
 
1. Pois, assim como devemos ter dor do pecado cometido, assim também vergonha. Ora, o pejo do pecado não dura toda a vida; pois, como diz Ambrósio, não tem de que envergonhar-se quem foi perdoado do pecado. Logo, nem deve ter contrição, que e a dor do pecado.
 
2. Demais. A Escritura diz: A caridade perfeita lança fora ao temor, porque o temor anda acompanhado de pena. Ora, a dor também implica a pena. Logo, no estado da caridade perfeita não pode existir a dor da contrição. 
 
3. Demais. Não pode haver dor do passado, que propriamente tem por objeto o mal presente, salvo se o mal presente conserva alguma causa do mal passado. Ora, às vezes chegamos nesta vida a um estado em que nada permanece do pecado, nem disposição, nem culpa, nem qualquer reato. Logo, não devemos mais ter dor desse pecado.
 
4. Demais. O Apóstolo diz: Aos que amam a Deus, todas as causas contribuem para seu bem, até mesmo os pecados, como diz a glosa. Logo, não é necessário que, depois de lhe terem sido perdoados os pecados, deles tenham dor.
 
5. Demais. A contrição é parte da penitência, que se divide, por contrariedade, da satisfação. Ora, não devemos satisfazer sempre. Logo, não devemos ter sempre contrição dos pecados.
 
Mas em contrário. - Agostinho diz: onde acaba a dor acaba a penitência; onde já não há penitência também já não há perdão. Logo, como não devemos perder o perdão concedido, resulta que devemos ter sempre dor dos pecados.
 
2. Demais. A Escritura diz: Não estejas sem temor da ofensa que te foi remitida. Logo, devemos ter sempre dor dos pecados para alcançar a remissão deles.
 
SOLUÇÃO. A contrição encerra dupla dor: uma, da razão, que é o detestarmos o pecado que cometemos; outra, da parte sensitiva, resultante da primeira. E quanto a ambas, o tempo da contrição é o estado de toda a vida presente. Pois, enquanto viandamos nesta vida, procuramos arredar os óbices que nos impedem ou retardam a chegada ao termo. Por onde, como os pecados pretéritos retardam a nossa rota para Deus, por não podermos recuperar o tempo que nela devíamos empregar, é necessário vivermos na contrição durante o tempo desta vida, quanto à detestação do pecado. Semelhantemente, também quanto à dor sensível, assumida como pena pela vontade. Pois, tendo merecido a pena eterna, pelo pecado, e tendo pecado contra um Deus eterno, devemos, mudada a pena eterna em temporal, ter sempre dor dos pecados, no que é eterno ao nosso modo, isto é, durante todo o tempo desta vida. E por isto diz Hugo de S. Vitor, que Deus, absolvendo-nos da culpa e da pena eternas, liga-nos pelo vínculo da detestação perpétua do pecado.
 
DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO. O pejo respeita o pecado só pela torpeza deste. Por onde, já não há lugar para ele, depois que a culpa do pecado foi perdoada. Mas permanece a dor, cujo objeto é a culpa, não sé enquanto torpe, mas também pelo mal que causa.
 
RESPOSTA À SEGUNDA. O temor servil excluído pela caridade, se opõe à caridade em razão dessa ser virtude, que implica numa pena. Mas a dor da contrição é causada pela caridade, como se disse. Logo, o símile não colhe.
 
RESPOSTA À TERCEIRA. Embora pela penitência o pecador recobre a graça primitiva e a imunidade do reato da pena, não poderá nunca mais recobrar, porém, a dignidade da primitiva inocência. Por onde, sempre permanecem nele traços do pecado passado.
 
RESPOSTA À QUARTA. Assim como não devemos fazer o mal para alcançar o bem, assim não devemos nos comprazer com o mal, por provir dele, ocasionalmente e por obra da divina providência, o bem. Pois, desse bem causa não foi o pecado, mas antes, impedimento; quem o causou foi a divina providência e com isso devemos nos regozijar, ao mesmo tempo que devemos detestar o pecado.
 
RESPOSTA À QUINTA. A satisfação depende da pena aplicada, que deve ser infligida ao pecado. Por isso pode ficar determinado o não ser preciso satisfazer mais. Ora, essa pena precipuamente se proporciona à culpa, quanto à conversão, donde ela tira a sua finidade. Ao passo que a dor da contrição corresponde à culpa, quanto à aversão, donde lhe advém uma certa afinidade. E assim a verdadeira contrição deve existir sempre. Nem há nenhum inconveniente em fazer cessar um ato posterior, deixando permanecer o anterior.

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