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CAMPANHA DE ROSÁRIOS PELAS ELEIÇÕES

 

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Art. 6 ― Se um ato da razão pode ser ordenado.

(De Vertut., q. 1, a . 7).
 
O sexto discute-se assim. ― Parece que um ato da razão não pode ser ordenado.
 
1. ― Pois, é inadmissível que alguém ordene a si mesmo. Ora, é a razão que ordena, como já se disse1. Logo, o seu ato não pode ser ordenado.
 
2. Demais. ― O essencial é diverso do participado. Ora, a potência, cujo ato é ordenado pela razão, é razão participativamente, com diz o Filósofo2. Logo, não pode ser ordenado o ato da potência que é, por essência, razão.
 
3. Demais. ― É ordenado o ato que está em nosso poder. Ora, conhecer e julgar a verdade, ato da razão, não está sempre em nosso poder. Logo, o ato da razão não pode ser ordenado.
 
Mas, em contrário. ― O que fazemos livremente, podemos ordenar. Ora, o ato da razão se exerce livremente, pois, como diz Damasceno, o homem procura, percruta, julga e dispõe livremente3. Logo, o ato da razão pode ser ordenado.
 
Solução. ― A razão podendo refletir sobre si mesma, ordena não só os atos das outras potências mas, o seu próprio; e portanto, este pode ser ordenado. Devemos porém atender a que o ato da razão pode ser considerado sob duplo aspecto: relativamente ao seu exercício, e então pode sempre ser ordenado, como quando se indica a alguém que preste atenção e use da razão; e relativamente ao objeto, e então ele se desdobra em dois. Ou, se trata da apreensão de uma verdade qualquer, e isso não está em nosso poder, pois depende de luz natural ou sobrenatural, de que dispomos; e portanto, neste caso, o ato da razão não está em nosso poder e não pode ser ordenado. Ou se trata de dar a razão o seu assentimento ao que apreende aquilo a que o nosso intelecto assente naturalmente, como os primeiros princípios, dar o assentimento ou o dissentimento não depende de nós, mas, da ordem da natureza, e portanto, propriamente falando, isso não pode ser ordenado por nós. Há porém certas verdades apreendidas que não convencem o intelecto de tal modo, que não possa assentir ou dissentir ou, pelo menos, suspender o assentimento ou o dissentimento, por uma causa qualquer; e em tais casos, assentir ou dissentir está em nosso poder e cai sob nossa ordem.
 
Donde a resposta à primeira objeção. — A razão ordena a si mesma como a vontade a si mesma se move, conforme já se disse4; e isso se dá porque essas duas faculdades podem refletir sobre o próprio ato e passar de um para outro.
 
Resposta à segunda. ― Por causa da diversidade dos objetos, submetidos ao ato da razão, nada impede que esta participe de si mesma, assim como o conhecimento das conclusões participa do conhecimento dos princípios.
 
Resposta à terceira. ― Resulta clara do que foi dito.

  1. 1. Q. 17, a. 1.
  2. 2. I Ethic., lect. XX.
  3. 3. II Orth. Fid., cap. XXII.
  4. 4. Q. 9 a. 3.
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