Skip to content

Category: Tempo do NatalConteúdo sindicalizado

A luz do Natal

Dom Lourenço Fleichman OSB

A Missa do Galo, a missa da meia-noite, a Missa da escuridão. Noite escura. Quantos significados tem para a alma esta expressão, esta realidade.

No princípio a terra estava vazia e informe e as trevas cobriam a face do abismo (Gn, 1)

As trevas da noite que são as trevas da alma, que também nasce na escuridão do pecado.

As trevas da noite que são também as trevas da Fé, pois o mistério é uma grande escuridão, vivida por tantos santos no grande sofrimento da ausência do Amado. La noche obscura, escreveu S. João da Cruz. Noite de grandes purificações espirituais que nos leva mais adiante no caminho da santidade e do amor de Deus.

E Deus disse: faça-se a luz!(Gn, 1)

No meio da noite as trevas desapareceram, fez-se luz, o ser amado pelo Criador emerge da noite para banhar-se no Sol divino.

Vejam o que diz a poetisa francesa, tão profunda que seus escritos são verdadeiras meditações:

·  «O Espírito do Mal, Lúcifer, chama-se Luz. E a Árvore do Bem e do Mal chama-se Ciência, que significa também Luz. Como se houvesse na Luz um perigo mortal para o Anjo e para o Homem. Na ordem material, alguns raios sutis decompõem o corpo, destroem a vida.

·  Em estado puro a Luz mata.

·  Só existe vida, ela só é possível, onde a Luz se atenua e se turva.

·  Só Deus, que é Luz, suporta a sua Luz. Quando Deus criou a Vida, criou a sombra. A sombra é a misericórdia da Luz que se acalma para poupar a criatura. E o mistério é o véu que Deus joga sobre Deus para aliviar o Homem. Pois "aquele que vê a Deus - Luz - deve morrer".

·  No primeiro jardim crescem e se opõem as duas árvores: a Árvore da Vida e a Árvore da Ciência.

·  A Árvore da Vida: Luz de Deus, misturada de sombra, dada como alimento ao homem segundo a capacidade do homem, como o sangue da mãe torna-se leite para a criança. E esta Luz cheia de sombra misericordiosa, este Deus reduzido ao Homem, chama-se Graça.

·  E a Árvore da Ciência?..."Colha o fruto, roubem a luz, sereis como Deus..." (Gn,3)

·  E morrereis». (Marie-Nöel)

Que visão, que inspiração teve esta mulher em 1933! E quando pensamos que a civilização moderna nos séculos de Revolução, era "iluminada", buscando a luz da Ciência. E a contemporânea busca a luz da matéria para criar um mundo ótico e virtual onde tudo é luz....e morrereis!

Ó Deus, onde está a Árvore da Vida, que escondestes de nossos primeiros pais, no Paraíso perdido? Qual o caminho que a espada de fogo do Arcanjo fecha até que venha o Desejado das Colinas Eternas

«No Princípio era o Verbo, e o Verbo estava em Deus, e o Verbo era Deus.
Nada do que foi feito foi feito sem Ele.
O que foi feito, Nele era Vida, e a Vida era a Luz dos homens; e a Luz brilha nas Trevas. Et Verbum caro factum est

Esta é a Luz de Deus na misericórdia da sombra, é a união das duas naturezas na mesma Pessoa adorável do Filho. E o lugar onde Ele quis temperar sua Luz inacessível foi numa gruta de Belém, da Cidade do Pão, para que Aquele que é Luz que cega e fogo abrasador descesse até nós na sombra de sua misericórdia, no alimento sagrado, onde não somente ele esconde sua Luz como também nos transforma Nela.

Mas não podemos deixar de considerar que, se a Árvore da Ciência, o toque no relâmpago divino trouxe a morte para Adão e Eva, Deus quis trazer sua sombra até nós através daquela que não tocou na Árvore, que não buscou a Luz proibida, mas escondeu-se na sombra de Deus, na sua humildade, na sua Caridade. Contentou-se com as trevas de sua fraca condição para nos trazer a Salvação. A Virgem Imaculada, Mãe de Deus, Mãe da Luz, água cristalina e pura de onde brota a Árvore da Vida, o Deus humanado.

Nesta Noite de Natal, é assim que a Igreja canta, que a Igreja reza:

«Ó Deus, que fizestes resplandecer esta noite com a claridade da verdadeira Luz, concedei-nos que depois de conhecermos na Terra os mistérios dessa Luz, gozemos também no Céu de suas alegrias».

Os mistérios dessa Luz! Que venha novamente a poetisa completar seu pensamento:«Dei muitas vezes graças a Deus pela Luz! Mas com quanta humildade darei graças pelo Mistério! E com quanta doçura estarei ao abrigo de Deus na sombra de Deus.»

Para todos vocês, da Capela N.Sra da Conceição, da Capela São Miguel e a todos os nossos leitores espalhados pelo Brasil, um santo e feliz Natal. Que ele seja vivido na intensidade das verdades que a Santa Igreja Católica não cessa de nos desvendar, em seus sacramentos, no Batismo de adultos que tivemos em novembro, na Santa Crisma recebida neste mês de dezembro. Na Missa Santa que santifica, Missa de sempre, da Tradição; na Verdade Católica sem medos e sem concessões. E que esses humildes meios que Deus nos deu para nos santificarmos, hoje: um terço, uma Capela, um catecismo semanal, sejam vistos por todos vocês como a maior graça que Deus poderia lhes dar. É a sementinha de mostarda que só crescerá se for exposta à Luz e se for refrescada na sombra.

E que o ano bom traga a doce presença de Jesus nas cruzes de todo o dia.

Feliz Natal

Dom Lourenço Fleichman OSB

O que deve ser o voto de Feliz Natal de um padre, de uma Capela como a nossa a todos os nossos fiéis, a todos os nossos amigos e leitores? É de praxe e de bom tom trocar votos de felicidades nesta data do nascimento do Menino Jesus. E fazemos bem. Pois no fundo de nossas almas paira ainda a teologal esperança que avança sem tréguas em meio ao mar revolto deste mundo. Servirão os votos que damos e recebemos, pois de alguma forma as pessoas precisam da paz natural para viver em sociedade.

Mas é esse lado natural o que me incomoda. E onde está a realidade sobrenatural do Natal? Onde encontraremos, perdidos e abandonados nos cantos das ruas, os santos de outrora, que talvez corressem agitados, preparando tudo, organizando os mínimos detalhes de uma festa sem fim: Et Verbum caro factum est! Pois o Verbo se encarnou e habitou entre nós. O Verbo de Deus, segunda Pessoa da Santíssima Trindade, recebe uma natureza como a nossa para nascer na manjedoura em Belém. E onde estão as almas admiradas e contemplativas para fugir do shopping, largar as bolsas de compras, os presentes dos filhos, o novo celular, e correr desembestado por um estacionamento entupido..... Ah! Ele nasceu, eu vi a estrela, eu vi o Menino. Hosanna in excelsis! Eu vi, eu compreendi o que acontece. Por que não nos dizem isso? Onde estão os padres, onde estão os bispos, onde está o sangue católico, que já não corre nas veias dos homens, para nos dizer, para nos lembrar que o louco não sou eu que corri feito doido largando tudo no chão; os loucos são eles, que estão lá dentro, fazendo compras e mais compras; os doidos são eles, que, mesmo quando criticam o esvaziamento do Natal católico, não param para meditar no Mistério dos mistérios, na candura e inocência, na paz... na paz... Para que foi mesmo que ele nasceu? Para nos trazer a paz...

Não foi isso o que eu vi, não foi isso o que Ele quis me dizer quando me fez mergulhar naquele mundo de silêncio, no meio da multidão que corria agitada atrás das compras, das promoções, da última moda. Não foi isso o que o Príncipe da Paz me disse, quando abri seu Livro Santo e li: "Não vim trazer a paz, mas sim a espada!" Não, ele não veio nos trazer a paz, nesse sentido natural que os homens querem. É isso! Era isso o que me incomodava. Às favas com essa falsa paz de que nos fala o profeta, esse romantismo abusado que usa o Inocente, nosso Deus, para fingir que deseja a paz a todos. Não, não é isso o que eles desejam! O que eles querem é o paraíso na terra, é prolongar a vida até não poder mais, é liberar-se de toda obediência à Verdade Eterna. Pergunte a um deles se querem seguir os ensinamentos da Verdade? Qual Verdade? Eles não querem aquele que é o Caminho, a Verdade e a Vida. Eles querem, exigem, e batem pé: nós queremos a verdade de Pôncio Pilatos! Trata-se da verdade relativa, do liberalismo, de você seguir o que você pensa, autônomo, achando-se adulto, responsável... sem Deus, sem Cristo, sem a Igreja! Depois vêm me cantar musiquinhas bonitinhas na televisão para fazer chorar de emoção numa confraternização universal. Chega disso!

Por favor, não venham me dizer que é preciso esquecer certos acontecimentos, e deixar de lado as convicções, pois é noite de Natal. Acho que esse argumento pode ser válido para muitas ocasiões e para muitos natais. Mas se a causa de tantos desastres e tragédias está justamente no esquecimento de Jesus, no abandono da Criança de Belém, como não pensar nisso tudo? Se hoje a Argentina vive um Natal terrível e amanhã qualquer país o poderá viver também; se hoje aviões são lançados sobre prédios porque os loucos assassinos querem matar todos aqueles que não pensam como eles. Se tudo isso acontece porque o Rei Pacífico não tem direito de reinar sobre as nações, então essa paz e essa felicidade que eles desejam é de uma hipocrisia total!

E no entanto... E no entanto há lugar para a Paz, desde que não seja a paz dos jornais. Há lugar para cantar, numa noite de Natal, um cântico novo ao nosso Deus, ao Menino-Deus, desde que nossos olhos sejam olhos de filhos, puros e espirituais. Desde que nossas almas sedentas saibam dobrar os joelhos e rezar no silêncio da noite: Venite adoremus! vinde, adoremos a Criança, Jesus nosso Deus e Salvador, que nasceu hoje para morrer amanhã, para nos dar seu Sangue, para nos dar sua vida. Há lugar para desejar, ao menos para desejar, que o Rei da Paz seja o chefe das nações, o chefe de nossa Pátria; que ela se dobre diante do seu cetro e se deixe governar por seu Evangelho e por sua Igreja.

Então, sim, nesta hora em que nas igrejas soam os sinos, a missa do Galo, a Santa Eucaristia: meu Senhor e meu Deus. Que nossos corações tenham um ímpeto de amor e queiram com todas as forças espalhar pelo mundo as luzes do nosso Bom Deus. Então, sim, mergulhados na oração, saudemos nossos amigos e irmãos, troquemos nossos votos e orações, pois Ele nasceu, ele nos foi dado. "Hodie, filius datus est nobis — hoje, um Filho nos foi dado".

É por isso que desejamos a todos um Feliz Natal e um ano-bom repleto de todas as graças de Deus.

Epifania

 

 
Eis os Reis Magos, que vêm de longe e chegam a Jerusalém e bradam: Onde está o recém-nascido, rei dos judeus?
 
Os Reis Magos, as primícias das gentilidades, eram nossa imagem.
 
Também viemos nós de longe, dessa região tenebrosa donde nos buscaram denominada pecado original; chegamos a Jerusalém e eis que estamos na Igreja; e na Igreja, deste cantinho que Deus nos preparou, perguntamos: Onde está o recém-nascido, rei dos judeus? Onde está o Rei? Onde está Jesus?
 
*
* *
 
Nesta ocasião cantamos o cântico santo: “Dize-me, ó amado de minha alma, onde apascentas teu gado, onde repousas ao meio-dia” (Cant. I, 6).
 
Eia! Vede, Jesus, as almas que vos pertencem e buscam e clamam e reclamam: Onde está o único Rei, o único Bem-Amado, o único Esposo, o único Jesus?
 
Está no Céu, está na Eucaristia, está vivo nos corações.
 
Ah, Ele nos há de amar, onde quer que esteja. Vinde e amemos, vinde e adoremos. Venite adoremus.

 

Santo Nome de Jesus

Jesus é o preço de sangue do cordeiro de Deus; Jesus é o nome do céu para a salvação do mundo; Jesus é a luz das almas, a alegria dos corações e o tesouro incomparável de quem O ama.
 
Jesus é a ciência dos apóstolos, a força dos mártires, a paz dos confessores, o contentamento das virgens e a coroa dos santos.
 
*
* *
 
Jesus é a glória do céu, a esperança da terra e o terror do inferno.
 
Jesus é o nome único do único esposo, é nosso bem, alegria, paraíso, tudo enfim. Fora de Jesus, nada possuímos; sem Jesus, tudo é nada.
 
Jesus, vosso nome mal saiu da boca e quanta matéria há aí para meditação. Jesus! Dá-nos a conhecer, a amar e a regozijar Jesus, só a Jesus, para sempre Jesus.

Circuncisão de Nosso Senhor

Esta lei de sangue, esta lei de homens pecadores, não abrange o Filho de Deus, que veio a ser o filho de Maria. Todavia, submete-se à lei; dura, humilhante e impiedosa que seja, ele se submete.
 
*
* *
Contai-nos, o suave cordeiro, por que vos submeteis a esta lei? Sobre vós assumis o pecado de todos nós; na vossa carne quereis expiar e reparar as concupiscências e os desregramentos da carne; nossos pecados converteis em vossos pecados, pois que quereis de vossa justiça fazer a nossa justiça.
 
Sede bendito, ó suavíssimo cordeiro, pelas vossas chagas, pelo vosso sangue e pelas dores de vossa circuncisão puríssima e purificante.
 
Recebestes o Santo Nome de Jesus como galardão de vosso sangue. Faça-nos a virtude do sangue precioso amar-vos e falar-vos com amor o Santo Nome – Jesus.

Natal

Nasceu o Menino Jesus!
 
Antes do advento dos séculos, Ele nasceu do Pai; nesta noite ditosa, Ele nasceu de Maria.
 
Da parte do Pai, Seu nascimento é todo resplendor e luz; da parte de Maria, é todo silêncio de noite profunda.
 
Mas nesta noite, Ele é luz. Nasceu, e de uma mãe virgem e de pai virgem e excelso; nasceu, e celebraram-No os anjos; nasceu, e Seu nascimento a Deus dá glórias e a nós a paz.
 
*
*  *
 
Neste mistério tudo é imenso! Quão sublime é Maria, ao dá-Lo ao mundo, ao envolvê-Lo em panos, ao aninhá-Lo na manjedoura, ao adorá-Lo e amá-Lo! Quão sublime é a Divina Criança? Ela está muda e parece que nada percebe à Sua roda, mas como fala aquele silêncio e quantas maravilhas declara! Abrem-se Seus olhos, não tanto para enxergar quanto para chorar, o coração é todo de amor.
 
Jesus, meu Deus! Amo-Vos acima de tudo.

26 de dezembro: Cristo nasceu passível e mortal

26 de dezembro
 
Enviou Deus seu Filho em carne semelhante à do pecado (Rm 8, 3)
 
Não foi conveniente que Deus assumisse uma carne impassível e imortal, mas antes uma carne passível e mortal.
 
Primeiro porque foi necessário aos homens conhecerem o benefício da Encarnação para que, por esse motivo, se inflamassem do amor divino. E foi conveniente que assumisse uma carne semelhante à dos outros homens, passível e mortal, para manifestar a veracidade da Encarnação. Porém, se tivesse assumido uma carne impassível e imortal, aos homens, que desconheciam essa carne, pareceria que fosse um fantasma, e não verdadeira carne.
 
Segundo, porque foi necessário que Deus assumisse a carne para satisfazer pelo pecado do gênero humano. Ora, um satisfaz pelo outro, quando um assume voluntariamente para si a pena devida ao pecado do outro, mas não devida a si. Ora, a pena devida ao pecado do gênero humano são a morte e os sofrimentos da presente vida. Por isso, foi conveniente que Deus assumisse a carne passível, mortal e sem pecado, para que, sofrendo e morrendo, satisfizesse por nós e afastasse o pecado.
 
Terceiro, porque, pelo fato de que teve uma carne passível e mortal, nos deu exemplos mais eficazes de virtude, de mais fortemente superar as paixões da carne e utilizá-las para fim virtuoso.
 
Quarto, porque somos mais confortados na esperança da mortalidade, por ter ele se transferido do estado de carne passível e mortal para o de carne impassível e imortal. E isto nós também podemos esperar para nós, que carregamos agora uma carne passível e mortal. Se, porém, tivesse desde o início assumido carne impassível e imortal, nenhuma esperança de imortalidade teria sido dada aos que experimentam em si a mortalidade e a corrupção.
 
A Encarnação, como se realizou, foi ainda conveniente ao ofício de mediador, que conosco tem de comum a carne passível e mortal e, com Deus, a virtude e a glória. Sendo assim, podia tirar de nós o que de comum conosco tinha, isto é, a passividade e a morte, e nos conduzir ao que tinha de comum com Deus. Com efeito, foi mediador unindo-nos com Deus.
 
(Suma Contra Gentios, 4, 55)

25 de dezembro: Bondade e utilidade de Cristo ao nascer [*]

25 de dezembro
 
I.             Manifestou-se a bondade de Deus nosso Salvador e o seu amor pelos homens. (Tt 3, 4)
 
Nosso Senhor nos prova sua bondade pela comunicação de sua divindade; e sua misericórdia, tomando nossa humanidade.

Noite de Natal

 NOITE DE NATAL

Dom Lourenço Fleichman OSB


Noite de Natal. Nossos presépios preparados, aguardando ansiosos a entrada das crianças carregando o Divino Filho para, enfim, completar as imagens piedosas que marcam, todos os anos, nossa adoração.

Noite de Natal. Nossos sinos majestosos, aguardando silenciosos a chegada do Menino Deus para, enfim, soltarem a voz, ressoando pelo mundo o repicar alegre do angélico canto.

Noite de Natal. Vemos São José chegando a Belém, conduzindo sua esposa, Maria, prestes a dar à luz a Luz do mundo. Triste e aflito José.  LEIA MAIS

24 de dezembro

 

 
A Encarnação, auxílio para o homem que busca a bem-aventurança
 
Se alguém atenta e piamente considera os mistérios da Encarnação, encontrará neles grande profundeza de sabedoria que excede o conhecimento humano. Por isso, a quem os considera com piedade, apresentam-se cada vez mais as suas razões admiráveis.
 
Ora, deve-se ver que a Encarnação de Deus foi um eficacíssimo auxílio para o homem que busca a bem-aventurança: LEIA MAIS

 

AdaptiveThemes