Skip to content

Orações (9)

Ainda existe, na alma católica, verdadeira oração? Sermão do primeiro Domingo da Paixão

Após ter feito o sermão do 1º Domingo da Paixão, deste ano de 2006, pareceu-me importante transmitir aos nossos leitores alguns dos dados apresentados naquela ocasião aos paroquianos da Capela Nossa Senhora da Conceição, em Niterói, e da Capela São Miguel, no Rio. Estamos vivendo tempos estranhos e é preciso vigilância e atenção para não sermos levados de roldão pelo mundo.

Quando entramos na igreja no Primeiro Domingo da Paixão, e sentimos um certo choque com a austeridade penitencial do velamento das imagens, vem imediatamente à alma a questão: qual o objetivo da Santa Igreja ao cobrir as imagens, tirá-las de diante dos nossos olhos, justamente no momento em que ela levanta bem alto o estandarte da Santa Cruz?

Pois o que a Igreja busca com esta situação nova e tão desconfortável para nós é levar nossa oração a uma fé mais profunda, para que o tempo da Cruz não nos pareça apenas uma comemoração, um aniversário, mas esteja presente com sua carga de dor, de confusão e obscuridade.

O que vem a ser Rezar ?

Mas se é para medir e regular nossa oração, caberia a cada um de nós perguntarmos: e eu rezo? O tempo da Quaresma serviu para melhorar minha oração?

Para responder a esta pergunta é necessário saber o que seja rezar. Ora, tanto o Catecismo como os santos doutores nos falam sobre a boa oração. Diz lá, então, a doutrina perene:

- Rezar é elevar a alma a Deus.

Santo Agostinho nos dará uma compreensão melhor ao afirmar:

- Rezar é ter uma intenção afetiva do espírito para Deus.

Outros santos dirão:

- Rezar é ter uma conversa íntima com Deus.

Ora, estas definições ou explicações se completam maravilhosamente e nos ajudarão a medir o nosso grau de oração, a sabermos se, de fato, rezamos de verdade ou não.

Ainda se encontra quem reze?

Mas a experiência de qualquer sacerdote, nos dias de hoje, deixa-nos assustados, a ponto de podermos interrogar: - O que está acontecendo conosco? Onde estão as almas que rezam de verdade? E se muitos adultos ainda guardam o costume salutar de recolher-se, todos os dias, diante de Deus, já os adolescentes, os jovens, deixando a idade da infância, porque abandonam tão facilmente a prática da oração que nos dá o céu? Onde encontraremos oração que seja elevação da alma, intenção afetiva, ou conversa íntima com Deus?

Não! Não! O que vemos hoje nestas almas é uma oração pesada, um coração irritado, uma oração rápida e mecânica.

Mas se é pesada por causa da contrariedade que se sente em rezar, então não se eleva.


Se vem carregada com irritação, nunca será uma intenção afetiva.

Se é mecânica, não se pode pensar em conversa íntima com Deus.

Que quadro desolador o que encontramos nas almas. Passaram-se quatro semanas da Quaresma e nada! O mundo segue seu curso e as almas não se converteram!

Pergunto então, assustado e solene: O que falta à oração da grande maioria dos homens?

O que falta é o AMOR! Falta o Amor do espírito que busca o Espírito do Amor, o Deus que é Caritas, que é Caridade!

Todo amor é um apetite. Se nosso amor vai em busca das coisas sensíveis, será um amor baixo, sensível, humano, animal. Estaremos de corpo e alma entregues às coisas deste mundo, e este amor toma conta do nosso coração, elimina a Presença de Deus, e causa o pecado.

Mas se inclinarmos nosso corpo e nossa alma para o bem, para agradar a Deus em tudo, mesmo quando estamos fazendo algo de humano, estaremos intencionalizando nossos atos na direção de Deus, dando uma intenção nova, elevada, vivificante. Nestes atos de amor espiritual encontraremos a união com Deus, a Presença de Deus em tudo que fazemos, mesmo se não estivermos, naquela hora, pensando Nele.

Por que não se consegue mais rezar?

Devemos então nos perguntar, levando adiante esta pesquisa dos nossos corações:

Porque não se consegue mais rezar direito, segundo a elevação da alma, as intenções santas e a intimidade de Deus?

Porque somos constantemente SEDUZIDOS.

Os nossos três inimigos , o demônio, o mundo e a carne armaram uma guerra sutil e subterrânea que invade nosso coração, nosso corpo, nossas intenções, com todo tipo de sedução. Atraem nossa atenção para afastar-nos do gosto pelas coisas santas, pela vida de Deus.

Como somos seduzidos?

Pelos VÍCIOS. Somos seduzidos todos os dias por vícios antigos e por vícios modernos.

Os vícios antigos são aqueles conhecidos de todos: excesso de bebida, gula, sensualidade, preguiça e todo tipo de vícios capitais.


Os vícios modernos são: a televisão, os video-games, o uso de Messengers, orkut e Internet, telefone celular e todo tipo de modernidade que provoca atitudes compulsivas. Todas estas coisas desviam as almas de seus compromissos, tornando-as agressivas, estressadas, desobedientes, preguiçosas e "burrificadas".

Formaram uma vida em torno de nós que nos prende, ligados 24 horas por dia: trabalho, dinheiro, saúde, esportes, e os novos vícios, tirando todo o tempo que poderíamos ter para rezar, ler bons livros, pensarmos na nossa salvação eterna. Como rezar bem numa vida assim?

Então passamos quatro semanas da Quaresma onde se constata que, se alguns fizeram algum esforço de penitência e oração, a grande maioria nem se lembra de que os católicos são chamados com toda urgência a se converterem. Continuam no churrasquinho da sexta-feira, nas festas, em muitos pecados. Até quando vamos viver como se a vida da Igreja fosse uma OPÇÃO? Quando muito um dever secundário que realizamos com aquele espírito de revolta de que falamos acima. Como rezar se não combatemos a sedução?

É preciso rezar sempre

Eis o que ensina Nosso Senhor: "Oportet semper orare - É preciso rezar sempre". E os santos doutores concluirão: "Quem reza se salva, quem não reza fecha as portas do Paraíso".

Então, católico, levante as armas capazes de vencer o sedutor das almas, capaz de dobrar tua cerviz dura e revoltada. Falta-te o Espírito de Fé!
Não se trata exatamente da fé. A Fé pode ser considerada como o conjunto de verdades reveladas por Deus; é o que os teólogos chamam o Objeto da Fé. Dentro de nós, se produz pela graça divina os Atos de Fé, que são as marcas da nossa adesão ao Objeto da fé, a tudo que Deus nos revelou e a Igreja ensina.

Mas a arma poderosa para combater a sedução dos vícios anti-oração é o Espírito de Fé, que consiste em tomar a fé que está, como um dom divino, colocada em nossas almas, e aplicá-la a todos os momentos, situações, encontros, diversões que fazemos ao longo do dia e da vida. Pelo Espírito de fé fica estabelecida em nossas vidas a Presença de Deus. Esta presença de Deus é que nos aproxima Dele, tornando nosso coração mais próximo, mais íntimo, preparando-o para as conversas sublimes, para a afeição amorosa e para a elevação de nossas almas na verdadeira e pura oração.

É preciso, portanto, intencionalizar todos os nossos atos, transformá-los em armas de combate contra os vícios que nos devoram. É preciso forçar o desejo do nosso coração e todos os sentimentos dele para que não impeçam o momento da oração, da meditação, da leitura espiritual que abre nossas mentes para as coisas divinas.

É preciso acreditar que, perdendo tempo com Deus, o trabalho renderá muito mais  e compensará ao cêntuplo o tempo perdido. Ao contrário, quando não rezamos, acabamos presas fáceis para os vícios modernos e perdemos mais tempo do que seria o da oração.

Meditação sobre a morte

Se ainda agora, depois de pensar nestas coisas, neste diagnóstico terrível que mostra o céu fechado, ainda assim não conseguir se desvencilhar da malha viciosa, então, vamos pensar na morte. Por que não? Afinal de contas, estamos no tempo da Paixão, de luto pela morte de Nosso Salvador. Imaginemos, então, que estamos perto da morte, ou que um ente querido, um filho, um esposo, a mulher, tenha acabado de falecer. Parece duro, pensar nestas coisas? Pior é continuar vivendo sem rezar! O terrível peso que a alma sente pela perda joga por terra todos aqueles vícios horríveis que prendiam a alma. Então, de repente, ela percebe o quanto era fraca, envenenada, ridícula, por não conseguir se dominar e produzir algo de sólido e elevado. A morte nos atrai para o essencial, e é exatamente isso que a Igreja deseja quando vela as imagens no Tempo da Paixão. O Essencial é Cristo, sua Paixão, sua morte na Cruz para nos salvar. O essencial é vivermos unidos todo tempo a Jesus, e dizer com o Apóstolo: "Já não sou  eu que vivo, é Cristo que vive em mim".

Cabe a cada um de nós mostrarmos aos nossos adolescentes, aos nossos filhos, que é bom rezar. É bom querer rezar. E, mais do que tudo, é muito bom amarmos a oração porque por ela aprendemos a amar a Deus em sua própria intimidade.

Novas meditação para o Rosário

MISTÉRIOS GOZOSOS: ENCARNAÇÃO E VIDA OCULTA EM NAZARÉ. VITAM PRAESTA PURAM
 
I. Anunciação. Cremos com toda a Igreja que Maria permaneceu sempre Virgem, tanto na concepção do Filho de Deus quanto em seu nascimento. Estamos certos de que o Anjo disse a verdade quando, tendo anunciado a Maria o mistério da Encarnação, precisou: o Espírito Santo descerá sobre vós e o poder do Altíssimo vos cobrirá com Sua sombra. Eis porque o santo que nascerá de vós será chamado Filho de Deus.

Meditações para o Rosário

Mistérios Gozosos
 
I. Anunciação — Ao "Fiat" de Maria, o Verbo se fez carne. Com seu Filho, que se encarnou para nossa Redenção, o Pai nos deu tudo, como afirma São Paulo: "Quomodo non etiam cum illo omnia nobis donavit". Como não nos daria também com Ele todas as coisas? (Rom. VIII, 32). Jesus é para nós, da parte de Deus, sabedoria e justiça, santificação e redenção (I Cor., I, 31).
 
Virgem Maria, concedei-me saber profundamente que o Verbo encarnado redentor está comigo para sempre com Seus tesouros infinitos de graça e de santidade. Virgem Maria, ensinai-me a dizer como São João da Cruz, com segurança inabalável: "Meu Deus, vós não me tornareis jamais o que me destes uma vez em Jesus Cristo".

Os mistérios do Rosário à luz do princípio da Plenitude da Graça em Jesus e em Maria

MISTÉRIOS GOZOSOS
 
1. — A ANUNCIAÇÃO    
 
"Ave, gratia plena" (Lc 1, 28). Desde o instante de sua concepção imaculada, Maria recebeu a graça com tamanha plenitude inicial, que excedeu a de todos os santos e anjos reunidos, como um único diamante vale mais do que um punhado de outras pedras preciosas; e como um fundador de Ordem é superior a seus filhos pela inspiração especial que recebeu. Esta plenitude de fé, de esperança, de caridade, que, em Maria, pelos seus méritos, não cessou de crescer, lhe foi dada em virtude de sua missão, única no mundo, de mãe de Deus; em virtude de sua maternidade divina, que ultrapassa a ordem da graça e atinge, de um certo modo, a ordem hipostática, constituída pela união pessoal da humanidade de Jesus ao Verbo de Deus. É este mistério da Encarnação aqui anunciado a Maria. Sob a luz de Deus ela diz seu Fiat com uma grande fé, uma grande paz e também com uma grande coragem, pois pressente para seu Filho os sofrimentos anunciados pelos profetas; e serão seus também os sofrimentos de seu Filho. Depois deste Fiat, no momento em que se realiza o mistério da Encarnação, a vinda do Verbo aumenta consideravelmente, em Maria, a plenitude inicial de caridade; assim, a Virgem participa, mais do que ninguém jamais participará, dos efeitos que produz na santa alma do Cristo a plenitude ainda superior, que ela recebe no momento mesmo da Encarnação. O Verbo se encarna para nos salvar, morrendo por nós na cruz; na sua santa alma e na alma de Maria a plenitude de graça produz então dois efeitos aparentemente contraditórios mas intimamente unidos, a mais profunda paz que deverá irradiar-se sobre nós, e um desejo da Cruz que se revelará mais e mais até a hora do Consummatum est.
 

A agonia de Jesus

Espírito Divino iluminai a minha inteligência, inflamai o meu coração, enquanto medito na Paixão de Jesus. Ajudai-me a penetrar nesse mistério de amor e sofrimento do meu Deus, que, feito homem sofre, agoniza, morre por mim.

Suspiros da alma amante - jaculatórias do pde. Manuel Bernardes

DÉCADA XI
 
415 — Ó doçura de meu coração! Ó vida de minha alma! Ó agradável repouso de meu espírito! Abstraí-me de todas as criaturas, para que só em vós descanse.
 
Ó meu Deus e Senhor, toda a minha esperança e refúgio meu! Ó alvo aonde atiram os meus desejos! Quando, quando apartareis de mim tudo o que de vós me aparta?

Desejos da alma devota - jaculatórias do Pe. Manuel Bernardes

 — DESEJOS DA ALMA DEVOTA
PARA OS APROVEITADOS.
 
DÉCADA VI
 
410 — Deus meu e vida da minha alma: quem sou eu, ou em que vos sirvo, para me encherdes de tantos benefícios? Vós me criastes, e para vós me criastes; vós sois todo o meu descanso, e o centro único da minha alma.

Gemidos da alma penitente - jaculatórias do pde. Manuel Bernardes

PADRE MANUEL BERNARDES (1644-1710)
 
O Padre Manuel Bernardes, oratoriano, nasceu em Lisboa. São de Mendes dos Remédios as palavras seguintes: “Vieira e Bernardes [...] distanciaram-se na prédica como na vida. Vieira foi um lutador; a sua vida prende-se por mais de um laço à história política de Portugal; Bernardes viveu o melhor e maior tempo da sua vida — 36 anos — entregue à meditação e à redação dos seus livros na pobre cela da Congregação do Oratório. Lendo-os com atenção, escreve Antônio Feliciano de Castilho, sente-se que Vieira, ainda falando do Céu, tinha os olhos nos seus ouvintes; Bernardes, ainda falando das criaturas, estava absorto no Criador. Vieira vivia para fora, para a cidade, para a corte, para o mundo; Bernardes, para a cela, para si, para o seu coração. Vieira estudava galas e louçainhas de estilo. Bernardes era como estas formosas de seu natural, que se não cansam com alindamentos, a quem tudo fica bem, que brilham mais com uma flor apanhada ao acaso do que outras com pedrarias de grande custo.”
 
A coleção das obras do Padre Manuel Bernardes compreende dezenove volumes, entre os quais se contam os Sermões e Práticas, os Exercícios Espirituais e Meditações da Vida Purgativa, Os Últimos Dias do Homem, os Tratados Vários, em cujo 2º tomo entra o Pão Partido em Pequeninos, alguns opúsculos e as suas melhores obras, Luz e Calor e a Nova Floresta. Durante o largo período em que viveu na Congregação do Oratório, o Padre Bernardes não cessou de trabalhar, até perder a vista e a lucidez dois anos antes de morrer.
 
As Jaculatórias que transcrevemos a seguir se encontram no fim da Segunda Parte de Luz e Calor.

São Lourenço, Segundo Padroeiro da Capela

São Lourenço foi escolhido como padroeiro secundário da Capela Nossa Senhora da Conceição, por causa de sua presença na fundação da cidade de Niterói, antiga Aldeia de S. Lourenço dos Indios. A primeira igreja construída na cidade ainda hoje é visitada. Construída pelos índios, sob o comando do beato José de Anchieta, que encenou nos seus átrios o Auto de São Lourenço, que citamos a seguir.

 

 

 Beato  José de Anchieta
Auto de São Lourenço, Ato I

 Pois teu amor, pelo meu
Tais prodígios consumou,
Que eu, nas brasas onde estou,
Morro de amor pelo teu.

 Por Jesus, meu Salvador,
Que morre por meus pecados,
Nestas brasas morro assado
Com fogo do seu amor.

AdaptiveThemes