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CAMPANHA DE ROSÁRIOS PELAS ELEIÇÕES

 

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Sabemos que devemos amar ao próximo como a nós mesmos, mas como devemos amar a nós mesmos?

Pe. Juan Iscara, FSSPX

 

É necessário ter ideias claras acerca do verdadeiro amor de caridade por si mesmo, porque há muitas maneira de amar a si mesmo que não têm nada a ver com a caridade sobrenatural que deve regular nossas relações com o próximo.

Primeiramente, há o amor sensual, desordenado e imoral, que o pecador professa a seu corpo, dando-lhe todo tipo de prazeres ilícitos.

Também há o amor puramente natural, que consiste em preservar a própria existência e buscar o próprio bem. Não é uma virtude sobrenatural, pois é apenas algo puramente instintivo e natural, mas não é uma desordem em si. Esse amor-próprio é comum a todos os homens, bons e maus.

Há uma espécie superior de amor, o amor sobrenatural de desejo, pelo qual a felicidade eterna da glória do céu é desejada. Ele é bom e honesto, porém imperfeito e, na verdade, pertence à virtude da esperança, não da caridade.

Finalmente, há o amor sobrenatural de caridade, pelo qual amamos uns aos outros em Deus, através de Deus e por Deus. Essa é uma forma perfeitíssima de amor, da mais alta dignidade, pois, tendo Deus como seu motivo formal – embora recaia materialmente sobre outros homens – pertence, propriamente, à virtude teológica da caridade e recebe dela sua excelência. 

De acordo com essas distinções, então, o amor sobrenatural de caridade por si é o ato sobrenatural pelo qual amamos a nós mesmos em Deus, através de Deus e por Deus. O amor de caridade por si próprio estende-se à nossa própria pessoa e a tudo que pertence a nós, tanto na ordem natural, quanto na sobrenatural, pois tudo deve estar relacionado com Deus.

Portanto, em relação à vida natural, o homem tem a obrigação de amar seu próprio corpo e de preservar sua própria vida. O corpo não deve ser amado por ele mesmo, mas por Deus, enquanto instrumento da alma apto a dar honra a Deus e a praticar virtude (Rom 6,13-19), e enquanto templo vivo do Espírito Santo (1Cor 6,19-20), santificado pela graça (1Cor 3,16-17) e capaz da glória eterna em razão da glória da alma (1Cor 15,42-44).

O dever de preservar a vida natural proíbe fazer qualquer coisa contrária à saúde do corpo e exige o uso dos meios ordinários de recuperar a saúde que se perdeu. Mas não estamos obrigados a usar meios extraordinários, a não ser que nossa vida seja necessária à família ou ao bem comum, e haja fundada esperança de sucesso no uso de meios extraordinários à nossa disposição. Porém, é permitido praticar mortificação voluntária, mesmo muito severas, para expiar pecados de si ou de outros que não conformam suas vidas com Jesus Cristo, mesmo que isso acarrete uma redução não pretendida de nossa vida na terra.

Porém, para que essa mortificação seja perfeita e a autoimolação lícita e meritória, ela deve ser regulada pela prudência cristã. Nada pode ser feito contra a obediência, nem algo que tenha a intenção direta de abreviar a própria vida.

Também se pode – e, às vezes, deve-se – sacrificar a própria vida por caridade ao próximo ou pelo bem comum temporal. E, portanto, por exemplo, é lícito e altamente meritório dedicar-se, por caridade, a pessoas com doenças contagiosas, mesmo que haja perigo real de contrair a doença e vir a morrer. O pároco é obrigado a ministrar os últimos sacramentos aos doentes, mesmo que o faça com perigo imediato a sua própria vida.

Como corolário da obrigação de preservar sua vida e de buscar a perfeição humana máxima, o homem deve buscar, por caridade com ele mesmo, um futuro humano digno, proporcional a suas habilidades pessoais e ao ambiente social no qual ele vive. Buscar melhorar seu próprio status e condição social não é apenas lícito, mas até mesmo obrigatório por exigência da caridade com si mesmo.

Mas não podemos esquecer que a vida sobrenatural é incomparavelmente mais importante que a vida natural. Nesse tocante, a caridade com nós mesmos prescreve duas coisas fundamentais: uma negativa, evitar o pecado a qualquer custo; e outra, positiva, praticar a virtude com o máximo possível de intensidade, buscando alcançar as alturas da perfeição cristã.

Se a caridade é amor, e o amor consiste em querer o bem à pessoa que amamos, segue-se que, quanto mais amarmos a nós mesmos com verdadeiro amor de caridade, mais tentaremos buscar o maior de todos os bens, o aumento e desenvolvimento da vida sobrenatural em nossas almas. Um grau maior de graça nesta vida corresponde a um grau maior de glória eterna no céu. Não pode haver ato de caridade maior consigo que buscar, com todas as nossas forças, na grande tarefa de nossa própria santificação, e isso até mesmo se custar a perda de todos os bens terrenos, a saúde corporal e a própria vida.

(The Angelus, Maio/2021)

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