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CAMPANHA DE ROSÁRIOS PELAS ELEIÇÕES

 

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Não deixe o sal perder a sua força (Editorial)

EDITORIAL Nº 266

Uma das características mais importantes de uma instituição é sua fidelidade à idéia mestra que definiu sua fundação e sua linha de pensamento. Se os reponsáveis por uma empresa, por um projeto qualquer, ou por uma ordem religiosa, variassem a cada passo na finalidade que determinou aquela reunião de homens, ela jamais poderia perdurar no tempo, pois seus membros não saberiam em que direção estariam caminhando.

É nesse contexto que devemos entender aquela palavra que atribui à santidade dos fundadores das grandes ordens religiosas a perseverança delas ao longo dos séculos. Comparem a existência da Ordem de São Bento, dos Franciscanos ou dos Dominicanos, com qualquer empresa moderna. Enquanto aquelas gloriam-se por permanecerem idênticas na sua essência, ao longo de quinze séculos (S. Bento) ou setecentos outros (S. Francisco e S. Domingos), basta uma empresa qualquer alcançar vinte e cinco ou cinqüenta anos para se considerar tradicional e cheia de experiência. E de fato assim é, se considerarmos o mundo sempre cambiante e ondulante em que vivemos.

A Permanência não é uma ordem religiosa, mas tampouco é uma empresa comercial. Apesar de termos como objetivo a difusão da doutrina católica tradicional e, a partir dela, a resistência aos erros do último Concílio do Vaticano, algo mais do que a doutrina nos une. Em torno de Gustavo Corção criou-se na Permanência uma família que se caracteriza por um espírito sobrenatural que vai muito além da sã doutrina. Algo de difícil definição e delineamento, mas real e pessoal.

Esse espírito nasceu das aulas e escritos de Gustavo Corção. Ali era transmitido, como de pai para filhos, certo posicionamento diante das coisas de Deus e da sua Igreja que poucas vezes se encontra pelo mundo. Alguns dos nossos jovens tiveram a oportunidade de ver como os franceses da Tradição, nos anos 1980, chegavam nos mosteiros ou no seminário conhecendo latim, grego e Sto Tomás de Aquino. Mas bastava um acontecimento mais grave e polêmico surgir no âmbito da crise da Igreja ou da política internacional, para se perceber que aqueles rapazes não tinham recebido em sua formação o sensus fidei necessário para um julgamento sobrenatural reto e certeiro.

Quanto tempo se perde a ler e estudar coisas irrelevantes que mais se aproximam da curiosidade do que da formação católica! Quantas vezes ouvimos, nas aulas de Gustavo Corção, o mestre simplesmente ignorar algum assunto proposto por um de seus alunos, mostrando em duas palavras o porquê de não podermos perder tempo com aquilo. Ao mesmo tempo, nas situações mais difíceis e delicadas, com que genial simplicidade ele mostrava a solução teológica mais exata, sempre voltada para a salvação das almas e com um aspecto constante: de fácil compreensão, pois Corção era, realmente, um animal-professor, como ele próprio gostava de dizer.

Um dos pontos em que esse espírito sobrenatural aparece de modo impressionante é na compreensão a que ele chegou sobre a natureza da crise que submerge a Igreja Católica no cataclisma atual. Desde cedo ele entendeu que estava em jogo muito mais do que os aspectos diversificados e pontuais comentados pela maioria dos defensores da Tradição. Via a importância de se defender a missa contra a revolução protestante emanada de Vaticano II, ou de se criticar as edições absurdas das Biblias modernistas, ou ainda os catecismos heretizantes produzidos pelas Conferências Episcopais com o aval da Roma modernista. Porém seu espírito aguçado exigia de si mesmo e dos seus alunos a compreensão exata sobre a natureza da crise: é a essência do catolicismo que está ameaçada. Porque “se o sal perder a sua força, para que servirá?” 1

Parece-nos importante levar ainda mais adiante a nossa lembrança dos princípios do nosso fundador quanto à crise da Igreja e, para tanto, transcrevemos aqui o artigo “A Descoberta da Outra”, de 1977, na íntegra. Pedimos especial atenção dos nossos leitores aos termos precisos usados por Corção para definir a crise pelo que ela tem de esssencial e que aparecem logo nos primeiros parágrafos. São eles que nos servem ainda hoje para a posição da Permanência diante da crise que perdura:

Um leitor que se diz assíduo, numa longa conversa telefônica, estranhou o pós-conciliar. O leitor entende o termo como se significasse a mesma Igreja Católica, na era pós-conciliar. Bem sei que nesse período conturbado continua a existir, na terra, a Igreja Católica dita militante. Ora, minha sofrida e firme convicção, tantas vezes sustentada aqui, ali e acolá é que existe, entre a Religião Católica professada em todo o mundo católico até poucos anos atrás e a religião ostensivamente  apresentada como "nova", "progressista", "evoluída", uma diferença de espécie ou diferença por alteridade. São portanto duas as Igrejas atualmente governadas e servidas pela mesma hierarquia: a Igreja Católica de sempre, e a Outra. E note bem, leitor: quando acaso der a essa outra o nome de Igreja pós-conciliar não quero de modo algum insinuar a infeliz idéia de que, após o Concílio, a Igreja de Cristo se teria transformado a ponto de tornar-se irreconhecível, devendo os fiéis de bem forma­da doutrina católica acreditar nessa nova forma visível da Igreja, por pura disciplina, ainda que a maioria das pregações e dos novos ensinamentos sejam ostensivamente diversos e as vezes opostos à doutrina católica. Não! A Igreja Católica e Apostólica continua a existir na era pós-conciliar, submetida a duras provações, mas sempre permanente e fiel guardiã do depósito sagrado.

Se o leitor me perguntasse agora quais são as essenciais diferenças que separam as duas religiões, eu responde­ria: diferença de espírito, diferença de doutrina, diferença de culto e diferença moral. Como terei chegado a tão assustadora convicção? Com muito sofrimento e muito trabalho, são milhares os católicos que chegaram à mesma convicção.

Começamos por confrontar os novos textos, as novas alocuções, as novas publicações pastorais com a doutrina ensinada até anteontem. A começar pelos textos emanados dos mais altos escalões, citemos alguns daqueles que mais dolorosamente e mais irresistivelmente nos levaram à conclusão de que se inspiram em outro espírito e se firmam em outra doutrina. Entre os textos conciliares, citamos os seguintes: Constituição Pastoral sobre a Igreja e o Mundo Atual (Gaudium et Spes); Decreto sobre o Ecumenismo (Unitatis Redintegratio); Declaração sobre a Liberdade Religiosa (Dignitatis Humanae); Discurso de Encerramento do Concílio, 7 de Dezembro de 1965; Institutio Generalis do Novus Ordo Missae: Ponto 7 (na primeira redação, de 1967, e principalmente a segunda redação de 1970). Além desses documentos dos mais altos escalões, poderíamos encher as páginas deste jornal com obras e pronunciamentos de cardeais, arcebispos, bispos e padres que eram bisonhos, retraídos e discretos quando tinham vaga consciência de suas deficiências filosóficas e teológicas e que subitamente descobrem que na "nova Igreja" podem dizer tudo o que lhes vem à boca que fala ou à mão que escreve. O que menos se conhece é a Teologia, mas o que mais abunda na Nova Igreja são os "teólogos da libertação".

Devemos dar especial atenção aos pronunciamentos das Conferências Episcopais que rarissimamente dizem coisa parecida com a Santa Religião ensinada por Jesus Cristo. Basta prestar atenção, ler, e comparar toda a prodigiosa logorréia dos reformadores com o que já lemos dos santos doutores, dos santos Papas, e de toda a Tradição católica. Eles não falam a mesma língua de nossa Mãe Igreja, não usam o mesmo léxico, não seguem o mesmo espírito. Evidencia-se com brutalidade dolorosa o fato de ter sido a Igreja invadida, ou de ter se deixado seduzir pelos mesmos inimigos que combatia. Uma das notas mais características do novo espírito é a da tolerância erigida em máxima virtude, e o correlato horror por qualquer espécie de luta ou combate. Os novos levitas corrompem a juventude, destroem as famílias, mas quando alguém ergue a voz pedindo punição severíssima para os seqüestradores e para os traficantes de drogas, logo começam a esganiçar gritinhos: Violência, não! Violência, não!

E aqui encerro a concisa resposta que dou ao leitor escandalizado: foi a atenta observação desses fatos, foi a paciente leitura de himalaias de mediocridade e foi a comparação gritante entre o que ensinam e o que ensinaram os santos, e creio que foi principalmente a graça de Deus certa­mente pedida cada dia, cada hora, nessa especial e gravíssima intenção, que nos levaram a essas conclusões. Se é preciso usar o recurso dos gritos que tanto usam hoje, gritarei eu também, e não esconderei a reação que tive em 1965 após a primeira leitura da Constituição sobre a Sagrada Liturgia: corri ao telefone do amigo mais próximo já chorando, já engasgado de soluços que me sacudiam o corpo todo. E gritei: eles estão loucos! Eles estão loucos! E mais não digo.

Vejo em seguida nos meios católicos um dilúvio de calamidades pavorosas. Nas melhores famílias católicas, tradicionalmente católicas, os jovens, pervertidos pelos professores de colégios católicos, se transformam em anormais, comunistas, criminosos seqüestradores, ou em inutilizados toxicômanos. Meu Deus! Como pode? Como pode? Como Pode? O mistério da permissão divina nos traz vertigens quando pensamos em tantos bons pais tão terrivelmente atingidos.

Mas quando pensamos que a crise de costumes que dissolve todos os valores morais de uma civilização é principalmente gerada pela impiedade e pelo orgulho dos homens, que reivindicam todas as liberdades e todos os direitos; e principalmente quando pensamos que é exatamente nessa hora sombria que os homens de Igreja julgam ter feito uma descoberta muito inteligente, e muito oportuna – a de se abrir para o mundo e até a de nele procurar inspirações para o novo humanismo que apregoam – então, com temor e terror, pensamos que a misteriosa permissão divina, já nos foi profeticamente revelada na Sagrada Escritura, e durará até o dia em que os homens descobrirem apavorados que desprezaram Deus, que contrariaram Deus, que se riram de Deus. E, nesse dia de espantosa desolação descobrirão "que não passam de homens" e que só Deus é o Senhor.

Neste ponto da entrevista, o leitor me faz uma pergunta muito séria e de importância capital:

— Qual é, na sua convicção, o traço principal, o conteúdo essencial dessa Outra religião que o senhor vê nos re­cintos da Igreja Católica?

— Mais uma vez insistido neste ponto: a desordem que se observa nos meios eclesiásticos e que produz tais malefícios, não pode  ser apenas uma pura desordem. A desfiguração da Igreja do Verbo Encarnado, isto é, da religião do Deus que se fez homem, tem uma figura: a da religião do homem que se faz Deus. Essa é a figura da desfiguração.

— Não foi o próprio Papa Paulo VI quem disse no discurso de encerramento do Concílio que "a Igreja de Deus que se fez homem encontrou-se no Concílio com a religião do homem que se faz Deus"?

— Exatamente. E se o amigo continuar a atenta leitura desse documento, se convencerá de que não exagero nem me perco em fantasias se lhe disser que a figura essencial da Outra é a de um humanismo que se torna uma nova religião que difere do cristianismo por seu desolado naturalismo, isto é, pela ausência da mais bela de todas as obras de Deus – a ordem da graça e da salvação.

Eles tentam disfarçar a chatice e a tristeza sinistra e feia, com retalhos de cristianismo sem vida  mas a anemia profunda do corpo sem sangue está na visibilidade da Outra que só serve para eclipsar a Santa Visibilidade da Igreja de Cristo.

— E como poderá a Igreja Católica desembaraçar-se desses equívocos e voltar a ser  visível, dourada, um pouco mais hoje, um pouco menos amanhã, mas sempre anunciando aos homens, aprisionados no efêmero, um Reino que não é deste mundo?

— O senhor espera ainda ver neste mundo a Igreja Militante em todo o seu esplendor?

— Não. A desordem é profunda demais e chegou aos vasos capilares dos membros da Igreja. Se ela não fosse obra sobrenatural de Deus eu diria, em termos usados pelos físicos, que a desordem é sempre prodigiosamente irreversível.

E, no caso, a improbabilidade de tal recuperação seria ex­pressa por números espantosos como dez elevado a menos mil (10-1000) que, na verdade, não exprimem nada. Não são números concretos nem entes de razão; quando muito diríamos que só são entes de giz no quadro negro. Emile Borel dizia francamente que, diante de tais improbabilidades, é melhor dizer simplesmente que são impossíveis. Mas nós aqui estamos  falando da mais maravilhosa das obras de Deus:

"Deus qui humanae substantiae dignitatem mirabiliter condidisti, et mirabilius reformasti"

E o que a nós parece impossível, é possível para Deus. Mas nossa esperança teologal não nos obriga a esperar acontecimentos neste mundo. No ponto da vida em que me acho, só posso esperar, pela misericórdia de Deus e pelo Sangue de Cristo, a felicidade de ver brevemente a Igreja do Céu em toda a sua beleza eterna e fora do alcance dos flagelos humanos.

E é a alegria dessa esperança teologal que, nestes dias de transição desejo aos meus leitores e companheiros de trabalho.

A Permanência aprendeu de seu fundador a manter-se sempre igual, pacifica e fiel, profundamente ligada à vontade de Deus segundo critérios de fé sobrenatural, ou seja, da adesão devida ao Mistério de Deus, verdade primeira, e que se declara e manifesta pela profissão de fé católica, mesmo nos momentos mais confusos e nebulosos que nos foi dado viver. Devemos permanecer nesses princípios se pretendemos continuar sendo a Permanência de Gustavo Corção, de Julio Fleichman e dos demais mestres que nos precederam.

*

Por outro lado, o fundador da Permanência deu à nossa instituição um exemplo de constante aplicação dos princípios da Lei Natural, iluminados pela fé, à coisa política da nossa Pátria. Porque também no governo dos povos a verdade precisa estar em primeiro lugar.

Por causa dessa verdade, Gustavo Corção viu no movimento militar de 1964 a reação espontânea do povo brasileiro contra a implantação forçada do regime comunista em nossas vidas. Foram as mulheres católicas, com panelas vazias em uma das mãos e o Terço na outra, que forçaram nossos militares a cumprirem seu dever cívico de defesa da Pátria. Por um milagre da Virgem padroeira do Brasil, nossos soldados expulsaram os inimigos do povo sem um único tiro, sem massacres ou guerra civil. Protegeram a população contra a guerrilha urbana dos esquerdistas, que matavam civis inocentes sem piedade, e até mesmo seus próprios companheiros de milícia, quando isso lhes interessava. Raramente o povo brasileiro passou por momentos de perigo no combate à luta armada comunista. E isso, graças aos cuidados extremos dos nossos generais. Quem viveu nessa época sabe que a população vivia em paz; quem tinha a temer eram os terroristas ou os ideólogos de carteirinha.

Porém hoje, após oito anos do governo Lula, com seu romantismo quase beato em favor de um comunismo adocicado, os antigos guerrilheiros assumiram o controle do nosso país, gente perversa, que está dando passos seguros no caminho de uma vingança pessoal contra aqueles que os derrotaram de modo tão brilhante e total.

Hoje o Brasil parece entregue a uma decadência certa, pois assistimos a elaboração de leis e à formação dessas “comissões” que nada mais são do que instrumentos paralelos para estabelecer uma máquina comunista no Brasil. Como sempre, pelo voto.

Política Econômica: O governo só enxerga a curto prazo e, nesse caso, está completamente desconectado da realidade: busca fazer o país crescer estimulando artificialmente o consumo. Ora, isso não tem como dar certo: todo chefe de família sabe que, se em sua casa começarem a gastar demais, logo toda a família estará atolada em dívidas e terá de apertar os cintos. Hoje as estatísticas demonstram que é recorde o endividamento dos brasileiros: em média, 20% do que ganham vai para o pagamento de dívidas. Imagine o que ocorrerá quando todo o país tiver de apertar os cintos!

Código Florestal: Verdadeira paródia de um conto para crianças, aqui também há vilões, heróis e uma linda mocinha em perigo. A mocinha é a natureza. Os anti-heróis são os estudantes, celebridades e jornalistas. Os vilões, na visão deles, são os homens do campo. É um enredo curioso porque no caso, os "homens de cidade" seriam os amantes e defensores da natureza; os "homens do campo", os que se dedicam e cultivam a terra, seriam os seus inimigos. O objetivo dos “heróis”, portanto, é impedir a ação dos “maus”: por trás da campanha "Veta Dilma" está a concepção ambientalista, que subverte o objetivo do negócio rural: ao invés de ser a produção racional, passa a ser a preservação das matas. Essa história não tem final feliz, porque paralisa o país, impedindo o desenvolvimento da produção agrícola.

Comissão da Verdade: A ironia dessa comissão é ter sido criada por uma presidente que, ela própria, dissimula sua participação em crimes do período militar (como guerrilheira). Nenhum membro escolhido busca a verdade nos fatos, mas apenas na ideologia. Apesar da Lei de Anistia, os esquerdistas não descansam enquanto não conseguirem sua vingança pré-programada; martelam nessa mesma tecla até que as amarras jurídicas caiam e a vingança possa ser executada.

Além desses pontos, a política atual está minando toda a integridade que ainda restava no povo brasileiro. Vão forçando e insistindo até que conseguem seu intento. Por isso preparam-se para novas tentativas de desarmamento, para novas leis favoráveis ao aborto, para liberar o porte de drogas e de destruição da família brasileira. Os espantalhos vão sendo espalhados pelo Brasil de modo a assustar a todos, tirando do povo simples e dos mais bem formados, qualquer poder de reação.

Hoje já não há mais o Exército Brasileiro capaz de combater esses vingadores derrotados de outrora. Por outro lado, não há mais a Igreja Católica capaz de conduzir a sociedade aos atos morais necessários para que se mantenha a paz e a harmonia entre os homens. Nem mesmo políticos há, que se oponham de modo verdadeiro ao lixo de uma esquerda retrógrada.

Pela Igreja e pela Pátria, peçamos a Nossa Senhora Aparecida que nos proteja dos nossos inimigos, enquanto nós tratamos de seguir os passos firmes de Gustavo Corção.

(Revista Permanência, 266)

  1. 1. S. Mateus, 5, 13.
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