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CAMPANHA DE ROSÁRIOS PELAS ELEIÇÕES

 

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A Acédia

4 de agosto
 
I. A acédia é pecado.
 
A acédia é um tédio que acabrunha; i. é, que deprime de tal modo a alma do homem que não lhe apraz fazer nada; assim como tudo o que é ácido é ao mesmo tempo frio. Por isso, a acédia produz um certo tédio de agir, como claramente o diz a Glosa àquilo da Escritura (Sl 106, 18): A alma deles aborreceu toda a comida, que a acédia é um torpor da alma, que desiste de começar o bem.

Em si mesmo, é mau o tédio quando causado por um mal aparente que é, em si mesmo, um bem, como quando se trata de um em espiritual e interior, que não pode ser um mal senão em aparência, enquanto contraria os desejos carnais. Mas, também o tédio causado por um mal verdadeiro é mau pelos seus efeitos, se acabrunhar o homem de modo a retraí-lo totalmente das boas obras. Por onde a acédia, designando o tédio causado pelo bem espiritual, é pecado.
 
Contra a acédia, o remédio é a ofensiva pela meditação perseverante; pois, quanto mais pensamos nos bens espirituais, tanto mais se nos tornam agradáveis, e isso faz cessar a acédia.
 
 
II. ― A acédia é um vício especial.
 
Ela não o é enquanto faz o homem se entristecer com o bem espiritual, pois todo vício foge do bem espiritual da virtude oposta; nem tampouco por fugir do bem espiritual quando penoso ou molesto ao corpo, ou quando obstáculo para o prazer do mesmo. A acédia é um vício especial por se contristar com o bem divino.
 
Todos os bens espirituais, concernentes aos atos de cada virtude, se ordenam a um bem espiritual, que é o bem divino, objeto da virtude especial da caridade. Por onde, a qualquer virtude é natural comprazer-se com o seu bem espiritual próprio; mas à caridade pertence especialmente aquela alegria espiritual pela qual nos comprazemos com o bem divino. E semelhantemente, a tristeza pela qual nos contristamos com o bem espiritual concernente aos atos de cada virtude particular não é própria a nenhum vício especial, mas o é de todos os vícios. Contristar-se, porém, com o bem divino, com o qual se alegra a caridade, é próprio de um vício especial chamado acédia.
 
III. ― A acédia é pecado mortal.
 
Chama-se pecado mortal o que nos priva da vida espiritual, fundada na caridade, pela qual Deus habita em nós. Por onde, é genericamente mortal o pecado que, em si mesmo, e por essência, contraria à caridade. Ora, tal é a acédia. Pois, o efeito próprio da caridade é o alegrar-se com Deus. Ora, a acédia consiste em nos entediarmos com o bem espiritual, enquanto bem divino.
 
Se o movimento da acédia só existe na sensualidade, por causa da repugnância da carne e do espírito, então é pecado venial. Porém, se obtém o consentimento da razão, que consiste na fuga, no horror e no detestar o bem divino, e então é claro que a acédia é pecado mortal.
     
(IIa IIae. q. XXXV, a. 1, 2 e 3) 
     
         
(P. D. Mézard, O. P., Meditationes ex Operibus S. Thomae.)

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