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CAMPANHA DE ROSÁRIOS PELAS ELEIÇÕES

 

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Art. 1 — Se a coragem é contrária ao temor.

(Supra, q. 23, a. 2).
 
O primeiro discute-se assim. — Parece que a coragem não é contrária ao temor.
 
1. — Pois, como diz Agostinho, a coragem é um vício1. Ora, o vício é contrário à virtude. Logo, não sendo o temor virtude, mas paixão, a coragem não lhe é contrária.
 
2. Demais — A unidade é contrária à unidade. Ora, a esperança é contrária ao temor. Logo, não o é o temor.
 
3. Demais — Uma paixão exclui a sua oposta. Ora, a segurança é a excluída pelo temor; pois, como diz Agostinho, o temor vela pela sua segurança2. Logo, a segurança é contrariada pelo temor e não pela coragem.
 
Mas, em contrário, diz o Filósofo, que a coragem é contrária ao temo3.
 
SOLUÇÃO. — Está em a natureza dos contrários distarem entre si no máximo grau4, como diz Aristóteles. Ora, o que dista em máximo grau do temor é a coragem. Pois, aquele receia o dano futuro, por causa da vitória deste sobre a pessoa que teme; ao passo que a coragem afronta o perigo iminente, por causa da sua vitória sobre o próprio perigo. Por onde e manifestamente, a coragem é contrária ao temor.
 
DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO. — A ira, a coragem e os nomes de todas as paixões podem ser tomados em dupla acepção. Numa, enquanto implicam, absolutamente, o movimento do apetite sensitivo para algum objeto bom ou mau; e nesse sentido designam paixões. Noutra, enquanto simultaneamente com esse movimento, implicam desvio da ordem da razão; e nesse sentido designam vícios. Ora, é nesta última acepção que Agostinho toma a coragem; ao passo que nós a tomamos na primeira.
 
RESPOSTA À SEGUNDA. — Não pode haver pluralidade de contrários à unidade, tomada num mesmo sentido; mas nada impede tal se dê quando ela é tomada em sentidos diversos. E assim, como já dissemos5, as paixões do irascível têm dupla contrariedade: uma, pela oposição do bem e do mal, e assim o temor é contrário à esperança; outra, pela de aproximação e afastamento, e assim a coragem é contrária ao temor, ao passo que a esperança o é ao desespero.
 
RESPOSTA À TERCEIRA. — A segurança nada significa de contrário ao temor, mas só a exclusão deste; pois, dizemos que está seguro quem não teme. Por onde, a segurança se opõe ao temor, como privação; a coragem, porém, como contrário. Ora, como este inclui em si a privação, assim a coragem inclui a segurança.

  1. 1. Lib. LXXXIII Quaestion. (quaest. XXX, XXIV).
  2. 2. II Confess. (cap. VI).
  3. 3. II Rhetoric. (cap. V).
  4. 4. X Metaph. (lect. V).
  5. 5. Q. 23, a. 2; q. 40, a. 4.
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