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Alegria (1)

Um ambiente familiar feliz

Irmãs da Fraternidade São Pio X

 

As flores, para desabrocharem, precisam dos raios quentes do sol. E no jardim das almas, é a alegria que proporciona a atmosfera necessária para os corações se expandirem. 

 

Não deixemos as crianças se fecharem em si mesmas

Há temperamentos alegres, otimistas, que nunca se mostram apáticos ou abatidos; sabem ser gratos ao bom Deus, e isso é um dom precioso. 

Ao lidarmos com crianças mal-humoradas, emburradas, ranzinzas e tristes (e que acabam por se afastar de todos), precisamos ensiná-las a serem alegres. Que saibamos apontar o lado bom das coisas — porque sempre há um. O tempo está ruim? A chuva nutre a Terra e ajuda as plantações a crescer. Se um motivo de aborrecimento se apresenta, encaremo-lo como uma oportunidade de oferecer um sacrifício ao Bom Deus! Recebi um pedaço menor de bolo que o meu irmão? Fico feliz por ele!

Não deixemos que as crianças fiquem ensimesmadas em seu mal-humor. Tão logo isso se apresente, devemos aliviar as tensões com uma piada ou um gracejo como “Cuidado, seu beicinho está crescendo! Vamos, tire rápido um sorriso do bolso!”, ou algo do tipo. Crianças irritadiças, que nunca estão satisfeitas, devem ser interrompidas com comentários do tipo: “Pare de reclamar. Você reclama tanto do que não tem, que esquece de perceber o que tem!”.

Não obstante, é necessário procurar identificar as causas se surgir alguma tristeza incomum, por exemplo, por uma má influência ou dificuldades na escola, sobre as quais a criança não se atreva falar. Se a criança puder confiar em algum adulto para ajudá-la, a alegria retornará.

Devemos tirar tempo para apreciar as pequenas alegrias da vida familiar, como as alegrias que se seguem ao trabalho: contemplar belos campos, admirar jardins ou mesmo um cômodo recém-limpo. Há também a beleza do reencontro após a semana passada no internato, a alegria de cantar enquanto lavamos a louça, os piqueniques e passeios, a felicidade de ser grande o bastante para ajudar o papai e tantas outras pequenas alegrias disseminadas entre nós por Deus. — Se a criança não encontra na vida familiar a atmosfera alegre de que precisa, é de se temer que irá procura-la em outro lugar, e só Deus sabe onde isso se dará.

Devemos mostrar, através de nossos exemplos, que a virtude (longe de a extinguir) é fonte da verdadeira felicidade. Uma virtude rígida, fria e por demais austera, porém, não é comunicável. Ao invés de atrair a criança, o excesso afasta-a e arrisca torná-la rebelde. A verdadeira virtude católica é naturalmente alegre, pois nos proporciona o conhecimento de sermos filhos amados de Nosso Pai Celestial, o gosto de lhe oferecermos os pequenos eventos de nossa vida diária e a satisfação de sermos perdoados de nossos erros e curados de nossas fraquezas. 

Nosso Senhor, nas “Bem-Aventuranças”, fala de oito promessas para nos fazer felizes. Ele abençoa e encoraja a alegria. Pode-se dizer que, depois do amor, a alegria é o presente mais doce que vem das Suas mãos.   

 

Os efeitos da tristeza

A tristeza, por outro lado, destrói as almas, mata o sabor do esforço e estimula o vício. Não sejamos educadores pessimistas, que nunca estão satisfeitos com os esforços da criança, fazendo comentários do tipo “Você não se saiu tão mau como de costume. Para você, até que não foi tão ruim”. Pelo contrário, devemos saber encorajar até mesmo quando repreendemos: “Sei que você é capaz de fazer melhor. Na próxima vez, tenho certeza que isso não se repetirá”. Que saibamos dar os fundamentos para uma boa reputação à criança, fazendo justiça aos seus esforços e regozijando-nos de seus sucessos.

Há certamente muitas cruzes em toda vida, por vezes muito duras. Para não entristecer a atmosfera familiar, devemos deixar as preocupações com os adultos: crianças não têm a força necessária para lidar com elas. Algumas provações não lhes escaparão, no entanto, como a dor de um falecimento ou uma doença: será preciso ajudá-las a lidar com elas sem se afogarem na tristeza. Com efeito, quando nos entregamos inteiramente à Vontade de Deus, mesmo se sofremos em demasia e a despeito de qualquer dor, ainda há um pouco de alegria no centro de nossas almas. Talvez não possamos senti-la, mas é real porque a alma ama a Deus — que está sempre presente. A alegria é um dos frutos da presença do Espírito Santo em nossas almas.

Dom Bosco usava a alegria como um dos pilares de seu método de Educação. Ele sabia que o demônio é um eterno infeliz e estende essa infelicidade às almas que leva para o inferno. Uma alma em estado de Graça, ao contrário, é cheia de alegria. Deixemos que as crianças brinquem, corram, riam e façam barulho — mas que não pequem! O santo até mesmo chegou a fundar a “Sociedade da Alegria”. São Domingos Savio bem compreendeu seus ensinamentos ao afirmar: “Fazemos a santificação consistir em estarmos estarmos sempre felizes”.

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