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Meditações e sermões (52)

Sermão de mortalitate

“Viver é Cristo, e o morrer é lucro". Assinalamos a impressionante firmeza com que o santo bispo exorta seus fiéis a terem uma atitude sobrenatural, movida pela fé e pelas demais virtudes infusas, diante dos acontecimentos da vida. Que seja lição para nós, mais do que nunca apegados a um mundo cheio de atrativos e prazeres.
 
A divisão em capítulos segue o publicado na Patrologia de Migne.
 

 

Um único holocausto agradável a Deus

Os dias vão passando e já avançamos mar adentro nas águas da Santa Quaresma. Mesmo se muitos ainda não se dispuseram a incluir no seu dia a dia alguma mortificação, lembranças efêmeras da vida mortificada dos primeiros cristãos, outros já começam a tirar proveito espiritual e material pelos pequenos sacrifícios oferecidos generosamente diante do altar. Durante quatro semanas a Igreja nos convida a esvaziarmos nosso coração dos apegos à nossa vontade própria, às amarras múltiplas que nos prendem a esta vida, de modo a deixar espaço ao que vem pela frente. Se é verdade que o nosso sacrifício é tão fraco e pequeno, por outro lado, o Tempo da Paixão nos estabelece diante da Cruz do nosso Salvador. Ali então, se tivermos sido generosos nas quatro primeiras semanas, descobriremos maravilhados tantos reflexos luminosos do Sacrifício de Nosso Senhor Jesus Cristo. E esta palavra - Sacrifício - soará em nossos ouvidos e vibrará em nosso peito no seu significado profundo: Sacrum facere - fazer o sagrado. Em outras palavras, realizar os atos próprios daquilo que se oferece a Deus e que é aceito como agradável pelo Pai. De fato, o Pai enviou o seu próprio Filho, Deus de Deus, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado não criado, com esta missão específica. Qual? Alguns dirão que Cristo veio ao mundo para pregar o Evangelho; outros que veio ensinar aos homens o caminho da paz. E têm razão. Mas nem a pregação do Evangelho nem a paz que lhe segue podem manifestar o fundo da missão do Messias. Ele veio para oferecer um único Sacrifício agradável ao Pai. Dirão então: quer dizer que aquela religião revelada outrora aos Patriarcas, pregada pelos Profetas e vivida com tanta dificuldade pelo Povo Eleito, na qual se encontravam tantos sacrifícios rituais, não foi agradável ao Pai?
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