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CAMPANHA DE ROSÁRIOS PELAS ELEIÇÕES

 

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Coronavírus: Entre o medo e a audácia

Abril 4, 2020 escrito por admin

Dom Lourenço Fleichman OSB

Mais uma vez me vejo na obrigação de esclarecer nossa posição católica, diante de crises que se abatem sobre a nossa sociedade. Nosso mundo anda mergulhado no que lhe parece ser um grande sol a iluminá-lo, quando na verdade é apenas uma escravidão consentida e desejada. Sim, os tecnológicos homens desse mundo pós-moderno sabem, percebem sua incapacidade de fugir da compulsão das redes sociais, das massificantes notícias e informações, e sobretudo da sensação que tomou conta de todos, de serem livres como um passarinho a voejar entre galhos de árvores e fios elétricos. 

Poderíamos perguntar a nós mesmos o porquê dessa doença; creio que responderia que o homem busca companhia. Até certo ponto, convenhamos, essa busca é natural, visto a definição mais do que antiga feita pelo Filósofo, segundo a qual o homem é um animal político: vive na companhia dos seus semelhantes. Ora, como o mundo moderno desenhou no pé da mesa do computador (eu sei, eu sei, já não é mais no computador, é deitado na cama ou no sofá com o celular nos dedos, mas não atrapalhem, por favor, a minha história!)... então, retomemos: como o mundo moderno desenhou no pé da cama, ou da mesa, uma bola de ferro virtual, e disse ao ser debruçado na máquina: – veja, caro amigo, esta é uma bola de ferro virtual, nada mais “real” do que o virtual. Portanto, você está preso, velho escravo. Não se mexa, não saia daí.

Edição Hors Série

Março 30, 2019 escrito por admin

Islã, religião do amor?

Agosto 2, 2016 escrito por site_permanencia

 

É preciso distinguir islã e fundamentalismo islâmico? O islã é mesmo uma religião de amor? Existe mesmo um islã moderado? Os responsáveis pelos atentados recentes encontraram no corão sua justificação?

O estudo a seguir vai responder, com clareza e precisão, essas questões fundamentais. As autoridades religiosas e políticas terão interesse em se debruçar sobre estas interrogações. Leia mais

 

Nigéria: Massacre em uma Igreja no Dia de Pentecostes

Junho 26, 2022 escrito por admin

Um ataque, que não foi reivindicado, ocorreu durante a missa da Festa de Pentecostes na igreja de São Francisco, localizada na cidade de Owo, no estado de Ondo, no sudoeste da Nigéria, a menos de 200 quilômetros de Lagos.

Os agressores, em número de pelo menos cinco, estavam munidos de armas e explosivos. Depois de terem detonado uma bomba perto do altar, atiraram metodicamente contra os fiéis tomados de pânico que tentavam sair do prédio.

Um primeiro relato dado, na segunda-feira, 6 de junho, pela manhã, fala em 21 mortos, incluindo crianças. Depois, vários jornais nigerianos anunciaram um número bem maior na noite de segunda-feira: pelo menos 50 pessoas teriam morrido neste massacre. Há também cerca de 50 feridos, alguns em estado grave.

O atentado atingiu um Estado até então poupado da violência que se desenvolve no país. Assim, houve nada menos que quatro ataques desde sábado, 4 de junho, com mortes e sequestros em massa em regiões mais ao norte.

O ataque de Owo está, sem dúvida, ligado a um contexto político, além de religioso. O partido no poder, o APC (Congresso de Todos os Progressistas, ou Congresso dos Progressistas) deve de fato realizar suas primárias para a eleição presidencial de 2023, para suceder Muhammadu Buhari, que deve renunciar após dois mandatos.

A segurança é um dos maiores desafios deste país, que é – de longe – o mais populoso da África e que também é a maior economia do continente. Além disso, as tensões continuam a crescer, por um lado, entre os estados do norte, principalmente muçulmanos e que estabeleceram a Sharia, e os estados do sul, majoritariamente cristãos.

O exército deve enfrentar uma guerra jihadista no Nordeste, que se arrasta há doze anos; deve lutar contra as gangues de saqueadores e sequestradores que aterrorizam o Noroeste; e, finalmente, deve pacificar o Sudeste, teatro dos movimentos separatistas.

(Fontes: Le Monde/Blueprint/Le Figaro – FSSPX.News)

Entrevista com Sua Excelência, Monsenhor Bernard Fellay, acerca da recente Consagração da Rússia

Maio 20, 2022 escrito por admin

08 de Abril de 2022.
Sete Dores de Nossa Senhora
 
Queridos amigos e benfeitores,
 
Nessa festa de Nossa Senhora, teremos dois novos subdiáconos, e 21 homens receberão as ordens menores. As ordenações sacerdotais acontecerão no dia 17 de junho, quando seis homens serão ordenados ao sacerdócio, e dois ordenados ao diaconato. Por favor, rezem por eles. À medida que o mundo se afasta cada vez mais de Deus, a necessidade urgente dos homens de Deus aumenta. Esperamos que muitos de vocês possam comparecer para os encorajar nesse momento em que eles são enviados à messe.
 
A festa da Anunciação este ano trouxe o grande dom da consagração da Rússia pelo papa em união com os bispos, padres e fiéis de todo o mundo. No Seminário, tivemos a bênção de ter Sua Excelência, Dom Bernard Fellay, conduzindo a comunidade do seminário nessa consagração. Antes dela, Sua Excelência bondosamente ofereceu uma entrevista falando da devoção ao Imaculado Coração de Maria e a Consagração da Rússia. O texto segue abaixo.
 
Que Deus lhes dê uma linda Páscoa como recompensa de manter Sua Paixão próximo de seus corações durante esta quaresma.
 
In Christo Sacerdote et Maria,
Pe. Yves le Roux.
 
 
Entrevista com Sua Excelência, Dom Bernard Fellay
O que o Sr. pensa sobre a consagração de hoje da Rússia e da Ucrânia pelo Santo Padre?
Houve várias consagrações que não atenderam aos requisitos. Desta vez, incluiu-se uma consagração da humanidade inteira, mas a Rússia foi citada. Não me preocupo muito com a menção à Ucrânia, porque, na História, a Ucrânia foi o começo da Rússia: aquilo que chamamos de "Rus" começou ali, ela era parte da Rússia. A Santíssima Virgem Maria pediu [essa consagração] ao papa e aos bispos, de modo que isso cabe a ele, não a nós, não queremos tomar o lugar dele. Certamente, nos uniremos às intenções da Santíssima Virgem Maria e, na medida em que o Santo Padre as estiver atendendo, daremos graças a Deus. Ainda assim, o texto é tão pobre, que Menzingen preparou outro texto. Nós não fomos convidados como os outros bispos, no entanto, nós nos unimos [a eles]. E nos alegramos, porque parece que será a primeira vez que chegaremos bem próximos do que a Santíssima Virgem Maria pediu.
 
Qual o papel do Imaculado Coração de Maria na Igreja e no mundo hoje, especialmente à luz da consagração?
A Santíssima Virgem Maria, em Fátima, explica: "Meu Filho quer estabelecer a devoção ao meu Imaculado Coração"; isso é Fátima, isso é a chave de tudo, de todos os acontecimentos históricos.
 
Temos esse episódio no plano global de Deus, temos a História da Rússia, e, ali, a Santíssima Virgem, mais uma vez, disse que quer esse país consagrado a ela; mas, nessa consagração, há dois aspectos. O primeiro é que o Papa, como cabeça da Igreja, deve consagrar a ela esse país; o segundo está encerrado nessas palavras: "se o mundo não se converter..."; aqui entramos no problema do pecado, que também está relacionado com o Imaculado Coração. O mundo está pecando, ofendendo a Deus insistentemente. Deus ofereceu ao mundo um meio de salvação, um meio de fugir do pecado... esse meio é a devoção ao Imaculado Coração de Maria.
 
Se o mundo não se converter -- é o que diz Nossa Senhora -- então haverá outra guerra. Nesse mesmo sentido, ela diz que Deus confiou a ela a paz das nações, que a paz foi colocada em suas mãos; se quisermos a paz, devemos recorrer a ela. Mas também temos de nos comportar adequadamente perante Deus. Ela que anunciou o fim da Primeira Guerra Mundial também anunciou que haveria uma segunda guerra. As datas do fim dessas guerras são datas marianas. É muito claro, ela é a rainha e detém em suas mãos, em nome de Deus, a paz deste mundo. Dentro dessa perspectiva, a consagração é boa, ela pediu isso.
 
Não basta dizer que não queremos a guerra. "Se vocês não querem a guerra, então não pequem!" É isso que precisa ser dito a este mundo. Convertam-se! Parem de pecar, e assim teremos a paz. Recorram ao Imaculado Coração! 
 
Na consagração inteira, não se faz menção ao Imaculado Coração de Maria, apenas naquele momento específico em que realizamos a consagração propriamente dita. No texto inteiro, nas duas páginas, não há nada além disso sobre o Imaculado Coração, nada sobre o pecado. Ainda assim, estamos pedindo isso por anos a fio, suplicamos a Deus para que essa consagração acontecesse. Portanto, nós nos alegramos, nós nos alegramos de todo nosso coração, nós nos unimos a esse ato de consagração. A promessa não está explícita no texto do papa: a Rússia se converterá. E converter-se significa converter-se, significa tornar-se católico. Além disso, a paz será dada à Igreja.
 
Consideramos a situação da Igreja hoje, e não sabemos como [essa conversão] acontecerá, não temos resposta para isso, mas sabemos que tudo está nas mãos de Deus. Será que, após essa consagração, teremos de atravessar um tempo ruim antes do Triunfo? Não excluo essa possibilidade, mas ela prometeu. E sabemos que, todas as vezes que os papas fizeram algo, ainda que não fosse de modo perfeito, houve uma resposta do Céu. Todas as vezes, algo de bom aconteceu.
 
É de se esperar que o Triunfo será imediato?
Eu gostaria de poder dizer que sim, mas isso está nas mãos de Deus, na misericórdia de Deus. Mas já será uma misericórdia inacreditável se Deus poupar o mundo daquilo que merecemos. Talvez sim, mas as almas precisam voltar para Deus. E, quando olhamos, principalmente para o Ocidente, que agora está pior que o Oriente... Eles se afastaram de Deus.
 
Nosso Senhor disse que quer que seja claro que a conversão da Rússia se dará por meio do Imaculado Coração de Maria. O Sr. acredita que veremos essa conexão nessa consagração?
Absolutamente, haverá uma conexão, é preciso haver essa conexão. Esperemos que essa consagração seja correta. Se for, a conexão entre os fatos estará clara. Terá de estar, porque, com os fatos, as pessoas recorrerão a Maria. Não é certo que essa seja a consagração correta, mas, se for, sentiremos os efeitos. Ainda falando do futuro, não podemos brincar de profetas, porque o futuro realmente está nas mãos de Deus. Às vezes, Deus ama os tempos difíceis, porque extrairá algo bom deles. Temos vários exemplos disso. Lembre-se da história de José do Egito: ele foi vendido por seus irmãos, porém, graças a isso, José salvou toda a tribo de Israel. Algumas coisas não compreendemos agora, mas, mais tarde, diremos "sim, agora eu entendo".
 
Devemos depositar uma enorme confiança em Deus. Devemos tomar o lado do Céu, do Imaculado Coração.

Videomensagem de Dom Carlo Maria Viganó

Novembro 6, 2021 escrito por admin

VÍDEO MENSAGEM DE DOM CARLO MARIA VIGANÓ POR OCASIÃO
de uma manifestação organizada pela Associação "No Paura Day"

15 de Outubro, Turim

 

Vocês se encontram reunidos, em grande número, nesta praça de Turim, enquanto milhares de pessoas ao redor do mundo manifestam sua oposição ao estabelecimento de uma tirania global. Milhões de cidadãos de todas as nações, sob o silêncio ensurdecedor da mídia, vêm gritando seu “não” há meses. Não à loucura pandêmica, não aos confinamentos, não aos toques de recolher, não à vacinação compulsória, não ao passaporte sanitário ou à chantagem de um poder totalitário à serviço das elites. Um poder que se mostra intrinsecamente mau, movido por uma ideologia infernal e motivado por objetivos criminosos. Um poder que agora declara ter quebrado o pacto social e já não nos considera como cidadãos, e sim como escravos de uma ditadura, hoje sanitária, amanhã ecológica.

Este poder está tão convencido de ter conseguido seu golpe de Estado silencioso que descaradamente nos lança não só a ideologia que o move, mas também a religião que o inspira. Hoje, no Quirinal – o palácio que já foi residência dos Soberanos Pontífices na cidade de Roma – foi inaugurada uma exposição emblemática intitulada O Inferno, marcada pela exposição da Porte de l'Enfer, uma escultura de Auguste Rodin, produzida entre 1880 e 1890. Esta obra destinava-se à entrada do Museu de Artes Decorativas de Paris, e o seu esboço foi também apresentado na Exposição Universal de 1900, para selar o carácter maçónico e anticatólico deste evento. E há anos, no Coliseu, encontra-se o ídolo de Moloque, dos sets do filme Cabiria. O demônio devorador de crianças, a porta do inferno inspirada nas Fleurs du mal de Charles Baudelaire, há poucos dias o Festival da Blasfêmia em Nápoles. Na cidade de São Januário, cartazes com horríveis blasfêmias contra Deus foram colocados – com a permissão da Câmara Municipal – para celebrar a liberdade de pensamento e de expressão, insultando Nosso Senhor.

Eles nos dizem claramente: são servos do diabo e, como tais, pretendem se afirmar, serem respeitados e propagar suas ideias. Não só isso, mas em nome de um poder usurpado – um poder que, segundo a Constituição, deveria pertencer ao povo – eles exigem nossa obediência até a automutilação, a privação dos direitos mais básicos e a supressão de nossa identidade.

Esses cortesãos do poder, que ninguém elegeu e que devem sua nomeação à elite globalista que os usa como cínicos executores de suas ordens, desde 2017 vêm declarando em alto e bom som que tipo de sociedade desejam alcançar. Nos documentos relativos à Agenda 2030, que podem ser encontrados no site do Fórum Econômico Mundial, está escrito: “Não tenho nada, não tenho privacidade e a vida nunca foi tão boa.” A propriedade privada, no plano dos globalistas promovidos por Klaus Schwab e Rothschild, deverá ser abolida e substituída por uma renda universal que nos permita alugar uma casa, sobreviver, comprar o que as elites decidirem nos vender, talvez até mesmo o ar que respiramos e a luz do sol.

Este não é um pesadelo distópico: é exatamente o que eles se preparam para fazer, e não é por acaso que durante estas semanas ouvimos falar de revisão de estimativas cadastrais e incentivos à renovação de edifícios. Primeiro, nos endividam com a ideia de restaurar nossa casa, depois os bancos as tomam e as alugam para nós. O mesmo vale para o trabalho: hoje nos dizem que podemos trabalhar se tivermos um passaporte sanitário, uma aberração legal que usa a pandemia para nos controlar, para acompanhar cada movimento nosso e decidir se, onde e quando podemos entrar ou sair. Nesta Agenda 2030, também existe o dinheiro eletrônico, é claro, com a obrigatoriedade de compra e venda com cartão vinculado ao passaporte e ao crédito social. Porque a emergência sanitária e ecológica, agora iminente, legitima os governos a criar um sistema de avaliação de nosso comportamento, como o que já existe na China e na Austrália. Cada um de nós terá uma determinada pontuação, e se não formos vacinados, se comermos muita carne ou se não usarmos carro elétrico, pontos serão subtraídos e não poderemos utilizar determinados serviços, tomar o avião ou o trem de alta velocidade, ou teremos que pagar pelos nossos próprios cuidados de saúde, ou nos resignar a comer baratas e minhocas para recuperar a pontuação que nos permitiria viver. Repito: estes não são os pressupostos de nenhum “teórico da conspiração” mas sim fatos que já estão a acontecer [...].

Mas se hoje é possível nos impedir de trabalhar só porque não nos submetemos a uma regra ilegítima, discriminatória e vexatória, o que impedirá esses tiranos de decidir amanhã que não teremos acesso a restaurantes ou ao local de trabalho se participarmos de manifestações não autorizada, ou escrevermos algo em uma rede social a favor do tratamento precoce, contra a ditadura ou a favor de quem protesta contra a violação de nossos direitos? O que os impedirá de apertar um botão e nos restringir do uso do nosso dinheiro, só porque não somos membros de tal partido ou não veneramos a Mãe Terra, o novo ídolo verde, adorado até por Bergoglio?

Eles querem nos privar dos próprios meios de subsistência, forçando-nos a ser o que não queremos ser, a viver como não queremos viver, a acreditar no que consideramos uma heresia blasfema.

“É preciso ser inclusivo”, dizem-nos; mas em troca são agressivos contra nós, discriminando-nos porque queremos ter saúde, porque consideramos normal que a família seja composta por um homem e uma mulher, porque queremos preservar a inocência dos nossos filhos, porque não queremos matar as crianças no ventre de suas mães ou os idosos e enfermos em suas camas de hospital.

“O nosso modelo de sociedade funda-se na fraternidade”, asseguram-nos; mas nessa sociedade só se pode ser irmão negando e blasfemando o Pai comum. É por isso que vemos tanto ódio contra Nosso Senhor, Nossa Senhora e os Santos. É por isso que, a pretexto de festejar o Poeta Supremo, não fazemos uma exposição sobre o Céu, mas sobre o Inferno, que se tornou o lugar a desejar e a realizar na terra.

"Respeitamos todas as culturas e tradições religiosas", especificam, e é verdade que todos os ídolos e superstições têm seu lugar no Panteão ecumênico da nova religião universal desejada pela Maçonaria e pela Igreja Bergogliana. Mas só há uma religião que está banida de lá: a religião verdadeira que Nosso Senhor transmitiu aos apóstolos, e que a Igreja nos propõe. É verdade que, no caldeirão globalista, todas as culturas são bem-vindas, exceto a nossa: a barbárie da poligamia, a grosseria, a incivilidade, a obscenidade, tudo que é feio e obsceno e ofensivo tem o direito de se apresentar e se impor; ao mesmo tempo - com a maior coerência - a civilização, a verdadeira cultura, os tesouros da arte e da literatura, os testemunhos de nossa Fé traduzidos em igrejas, monumentos, pinturas, música devem ser banidos para que não haja comparação, nenhum termo de comparação que mostre quão horrível é o mundo sonhado por essas pessoas e quão preferível aquele que nos fazem negar e desprezar.

A mentira reina e não há cidadania para a verdade. Verificamos isso nos últimos meses, quando o mainstream fez a cobertura da pandemia censurando quaisquer vozes dissidentes; e até hoje quem discorda do Sistema é não apenas ridicularizado e desacreditado, mas criminalizado, tachado de inimigo público, feito parecer um louco a quem impor o TSO. Esses são os meios que cada regime totalitário usou contra oponentes políticos e religiosos. Tudo se repete diante de nossos olhos de forma muito mais sutil e escorregadia. Por outro lado, quem se inclina para o tirano oferecendo-lhe a sua lealdade é elogiado publicamente, como vemos em todos os programas de televisão, e se torna uma espécie de referência.

Nosso protesto contra o passaporte verde não deve se limitar a este evento específico, por mais ilegítimo e discriminatório que seja, mas devemos procurar ter uma visão mais ampla, identificar os objetivos da ideologia globalista; quem são os responsáveis ​​por este crime contra a humanidade e contra Deus; quem são os cúmplices e quem são os nossos possíveis aliados. Se não compreendermos a ameaça a todos nós, limitando-nos a protestar contra um – ainda que macroscópico – pormenor de todo o projeto, não seremos capazes de opor uma resistência forte e corajosa. Uma resistência que deve basear-se não na simples exigência de liberdade – por mais legítima que seja – mas na orgulhosa e altiva exigência de respeito pela nossa identidade, pela nossa cultura, pela nossa civilização e pela nossa fé que fez a grandeza da Itália e que animou todas as expressões da vida do nosso País, das mais humildes às mais sublimes.

O passaporte é apenas mais um passo em direção àquela porta do inferno em exibição hoje no Quirinal, como uma indignação desavergonhada de quem se considera irremovível e se beneficia de proteções poderosas.

Não temos os bilhões de Soros ou Bill Gates; não temos fundações filantrópicas, nem subornamos políticos para que se tornem nossos aliados; não temos redes de televisão ou redes sociais para compartilhar nossas ideias; não somos organizados como os apoiadores do Great Reset e não formulamos hipóteses de pandemia ou cenários econômicos.

Mas, apesar de nossa aparente fraqueza; apesar de não conseguirmos sequer ganhar visibilidade na televisão ou nas redes sociais; apesar do fato de sermos desorganizados e relutantes em nos manifestar e protestar – já que esse sempre foi o domínio de revolucionários profissionais e anarquistas de esquerda – ainda assim temos algo que eles não têm. Temos Fé, a certeza da promessa de Nosso Senhor: "As portas do inferno não prevalecerão". Somos animados por uma força interior que não é nossa, e que lembra a coragem serena com que os cristãos perseguidos enfrentaram a perseguição e o martírio. Uma força que assusta os sem coração, que aterroriza aqueles que servem a uma ideologia de morte e mentiras, aqueles que sabem que estão do lado dos eternamente vencidos.

Esquecem, esses miseráveis ​​servos da Nova Ordem, que sua utopia, mesmo uma distopia infernal, repele a todos nós, justamente porque não considera que não somos feitos de circuitos eletromagnéticos, mas de carne e osso., Paixões, afetos, atos de generosidade e heroísmo. Porque somos humanos, criados à imagem e semelhança de Deus. Mas isso os demônios não podem entender: é por isso que eles falharão miseravelmente.

Aos Portões do Inferno de Rodin, respondemos com o Janua Coeli, o Portão do Céu, o título pelo qual invocamos a Santíssima Virgem. Que ela, que esmaga no Apocalipse a cabeça da antiga serpente, seja nossa Rainha e a Senhora da Guerra, para o triunfo de seu Imaculado Coração.

E para que neste dia, em que se manifesta publicamente e com coragem contra a tirania iminente, não seja estéril e desprovido de luz sobrenatural, convido a todos a rezarem comigo com as palavras que o Senhor nos ensinou. Façamo-lo com fervor, com ímpeto de caridade, invocando a proteção de Nosso Senhor e de sua Mãe Santíssima sobre todos nós, nas nossas famílias, na nossa pátria e no mundo inteiro: Pai nosso, que estás nos céus...

 

+ Carlo Maria Viganò, arcebispo

Duas histórias sobre o Padre Pio e as almas do purgatório

Novembro 2, 2021 escrito por admin

Pe. Thierry Gaudray, FSSPX

Em maio de 1922, em uma noite de inverno após uma forte nevasca, o Padre Pio sentava-se junto à lareira do calefatório, absorto em oração, quando um homem idoso, vestindo um casaco antiquado ainda usado pelos camponeses do sul da Itália naquele tempo, sentou-se ao seu lado. Sobre o homem, Padre Pio declarou: “Não conseguia imaginar como poderia ter entrado no convento àquela hora da noite, porque todas as portas estavam fechadas.” Perguntei a ele: "Quem é você? O que quer? "

O velho respondeu: “Padre Pio, chamo-me Pietro Di Mauro, sou filho do Nicola, apelidado de Precoco”. Ele prosseguiu: “Eu morri neste convento no dia 18 de setembro de 1908, na cela número 4, quando ainda era um asilo. Uma noite, enquanto estava na cama, adormeci com um charuto aceso, que ateou fogo ao colchão e morri sufocado e queimado. Ainda estou no purgatório e preciso que uma Santa Missa para ser liberado. Deus me permitiu vir ao seu encontro e pedir sua ajuda. "

Depois de ouvi-lo, Padre Pio respondeu-lhe: "Fique tranquilo que amanhã celebrarei a missa pela sua libertação”. Padre Pio se levantou e acompanhou-o até a porta do convento. Ele percebeu que a porta estava fechada e trancada: abriu e disse adeus. A lua iluminou a praça coberta de neve. Padre Pio sentiu medo quando o homem desapareceu sem deixar vestígios. Fechou a porta e voltou para o calefatório, onde explicou aos colegas o que acabara de lhe suceder.

Poucos dias depois, o Padre Pio também contou a história ao Padre Paolino, e ambos decidiram ir à prefeitura, onde consultaram os registros civis do ano de 1908 e descobriram que, em 18 de setembro daquele ano, um certo Pietro Di Mauro havia de fato morrido de queimaduras e asfixia no quarto número 4 do convento, então usado como abrigo para moradores de rua.

*  *  *

O Padre Pio contou essa história ao Padre Anastasio. “Uma noite, enquanto rezava sozinho no coro, ouvi o farfalhar de um hábito e vi um jovem monge parado perto do altar-mor. Pareceu-me que o jovem monge espanava os candelabros e endireitava os vasos de flores. Pensei que fosse o Padre Leone quem estava a arrumar o altar e, como era hora da ceia, fui vê-lo e disse-lhe: "Padre Leone, vá jantar, não é hora de tirar o pó e endireitar o altar ”. Mas uma voz que não era a do Padre Leone respondeu: "Não sou o Padre Leone". "E quem é você?” Perguntei-lhe.

“Sou um dos seus irmãos que fez o noviciado aqui. Recebi a ordem de limpar o altar durante o ano do noviciado. Infelizmente, várias vezes não fiz a genuflexão a Jesus ao passar pelo altar, desrespeitando o Santíssimo Sacramento guardado no tabernáculo. Por causa dessa grave negligência, ainda estou no purgatório. Ora, Deus, na Sua infinita bondade, enviou-me ao senhor para que apresse a chegada do momento em que desfrutarei do Paraíso. Cuide de mim!” Acreditando ser generoso com esta alma sofredora, exclamei: “Amanhã de manhã estarás no céu, quando celebrarei a Santa Missa”. Essa alma exclamou: “Como o senhor é cruel!” Então chorou e foi-se embora. Essa reclamação produziu uma ferida em meu coração que senti e sentirei pelo resto da minha vida. Na verdade, poderia ter enviado imediatamente esta alma para o Céu, mas a condenei a ficar mais uma noite nas chamas do Purgatório."

 

(La Sainte-Anne 337)

 

 

O Rosário e a Liturgia

Outubro 16, 2021 escrito por admin

Dom Pius Parsch

Costumam censurar-nos, a nós, os amigos da liturgia, de fazer pouco caso da devoção do Rosário (ou Terço). Será exata essa acusação?

Principiemos por estabelecer uma distinção de princípio: a oração das Horas e a Missa, são ofícios litúrgicos, isto é, do culto público da Igreja. O rosário é uma oração particular, uma devoção particular, que é sem dúvida aprovada e recomendada pela Igreja. Ora, uma oração litúrgica tem direito a uma maior consideração que uma oração particular. Eis aí o princípio. Trata-se de duas coisas inteiramente diferentes. Mas, posto isto, o rosário não deve ser desprezado, em absoluto. De mais, nós, os adeptos da liturgia, combatemos o costume espalhado em certos países de recitar o rosário durante a missa, pois queremos que todos os fiéis tomem tanto quanto possível parte integrante no Santo Sacrifício, coisa que certamente não se pode dar, se se rezar nesse mesmo tempo do ofício uma oração diferente como é o rosário.

A Missa é um Sacrifício e um ato, enquanto o Rosário é uma meditação e uma oração. Não negamos certamente que o rosário possa ser uma boa preparação e um excelente complemento da Missa. A essência dos mistérios do rosário é a "vida, a morte e a ressurreição" do Senhor, e portanto, a obra redentora do Cristo que a Missa representa. Mas, podemos ainda estabelecer um ponto de contato entre o rosário e a liturgia. É ainda hoje chamado o saltério de Maris. As 150 Ave-Marias, de que ele se compõe, são para muitos um sucedâneo resumido da oração das Horas que eles não podem recitar, por falta de tempo, de costume ou de comodidade. O saltério de Maria é, portanto, um "breviário" mais curto e simples (um ofício abreviado) acompanhando de perto o ofício comum da Igreja.

Se considerarmos agora os salmos dentro do conjunto da oração litúrgica das Horas, vemos então quantos pontos de contato há entre o rosário e a liturgia. O símbolo dos Apóstolos acha-se no começo do rosário e das Matinas, e encontra-se várias vezes no curso do ofício. Da mesma maneira, o Pai Nosso aparece no começo de cada dezena como no princípio de cada Hora Canônica. O mesmo acontece com a Ave Maria, que constitui a essência da oração vocal do rosário. Cada salmo termina pela invocação em honra da SS. Trindade; assim também, cada dezena do rosário termina com o Gloria Patri... Os quinze mistérios do rosário que constituem sua própria essência, fazem passar rapidamente aos nossos olhos a vida de Jesus e Maria! Eles nos transportam diretamente ao Evangelho e à Bíblia; não podemos meditá-los convenientemente sem considerar a Bíblia; em vários lugares, antes de recitar a dezena, faz-se uma leitura referente à narração bíblica para facilitar e servir de assunto à meditação, coisa essa profundamente litúrgica. Desta maneira chegamos a recitar o rosário seguindo um método que se assemelha ao método litúrgico.

Quem reza o rosário não pensa em cada Ave Maria ou em cada palavra da oração; mas enquanto seus lábios pronunciam as palavras, seu espírito, sua atenção e piedade são empolgados por alguns pensamentos elevados, algumas cenas grandiosas ou altos sentimentos, e sobretudo pelos mistérios. O resto é posto de lado, como faz aquele que recita os salmos, ou qualquer outra oração litúrgica. Em vez de meditar nas idéias em seus detalhes, aquele que recita os salmos frequentemente só se prende à idéia dominante, nem mesmo às vezes considera o salmo todo senão o versículo que o encerra, o texto básico, ou mesmo a antífona.

O método da oração litúrgica não é, portanto, estranho a quem recita o rosário; pelo contrário, suas disposições de alma se harmonizam frequentemente com ela.

Note-se somente que a oração litúrgica das Horas é muito mais rica, mas variada, mais bela e mais profunda, sem falar da Vida que ela encerra. Mas o método ativo de oração litúrgica, esse que vem da origem, a recitação alternada, sempre é possível e fácil àquele que tiver a devoção do rosário: ele está habituado a pronunciar com exatidão e dignidade as orações vocais, ao mesmo tempo que reflete, medita e contempla. O rosário pode assim conduzir à oração litúrgica e andar de par com a oração das Horas. O leigo conhecedor da liturgia recitará uma ou outra das Horas Canônicas, sobretudo em Domingo ou dias de festa; subordinará sua meditação a uma leitura, seja da Bíblia, seja dos Padres da Igreja, seja da vida de um santo. Os dias em que não recitar uma parte qualquer do breviário, especialmente nos dias de doença, o rosário será para ele uma companhia sobremodo apreciada. O saltério de Maria e o saltério litúrgico hebdomadário vão juntos, amigavelmente unidos. Não se colocam como adversários. Há um coro imenso de orações que se unem; enquanto rezam multidões o rosário, por todo o mundo outras multidões recitam a oração litúrgica das Horas. Seja isto portanto um coro harmonioso de orações e de cantos, cujas vozes ressoem e subam alegremente até o trono de Deus!

 

(Traduzido de "Le guide dans l´année liturgique" - A Ordem)

Como "Amoris lætitia" permitiu a um jornalista ter uma visão clara sobre o Concílio

Setembro 3, 2021 escrito por admin

O vaticanista Aldo Maria Valli foi entrevistado na Rádio Spada em 27 de fevereiro de 2021. Durante a entrevista, explicou como havia descoberto a Tradição e os efeitos do Concílio Vaticano II na vida da Igreja. Aqui estão os trechos mais significativos desse testemunho corajoso. As passagens em negrito são da redação do DICI.

 

Rádio Spada: Se o senhor tivesse que resumir em poucas linhas sua posição sobre este acontecimento histórico que foi para a Igreja o Vaticano II e suas consequências, o que nos diria?

Aldo Maria Valli: Cultivei admiração por muitos atores das sessões conciliares, e a Providência permitiu-me conhecer pessoalmente alguns deles. Sempre apreciei sua paixão e amor pela Igreja.

Tendo crescido na Igreja pós-conciliar (no meu caso, em Milão), durante muito tempo nem sequer suspeitei que o Concílio pudesse trazer consigo as sementes de uma evolução teológica e pastoral e, pior ainda, de um desvio em relação à Tradição e ao depósito da fé. Durante os anos que acompanhei os pontificados de João Paulo II e Bento XVI como vaticanista, abracei a visão do que se chama "a hermenêutica da continuidade".

Minhas primeiras perplexidades datam de meados dos anos 90 do século passado, quando, por motivos profissionais, me mudei de Milão para Roma. Por mais paradoxal que pareça, foi precisamente em Roma que percebi os sintomas de uma degradação, sobretudo litúrgica, que me levou a fazer-me algumas perguntas.

Então, no ano 2000, durante o grande jubileu [do Ano Santo], tive pela primeira vez a oportunidade de observar e de conhecer os sacerdotes da Fraternidade São Pio X, durante sua edificante peregrinação. Desde então, minha posição em relação ao Concílio tornou-se cada vez mais crítica até que, com o pontificado de Francisco, vejo nele todas as contradições internas.

Em suma, creio que a incoerência fundamental em relação à Tradição já se encontra no discurso de abertura de João XXIII, Gaudet Mater Ecclesia. No momento em que afirma que a tarefa do Concílio é defender e difundir uma doutrina certa e imutável, o Papa diz: “Por enquanto, a Esposa de Cristo prefere usar o remédio da misericórdia ao invés de usar as armas do rigor. "

É aqui que reside o problema. Do ponto de vista católico, não há sentido em se opor a misericórdia ao rigor. Pelo contrário, o rigor na defesa e divulgação da justa doutrina é a forma suprema de misericórdia, porque visa a salvação das almas.

Por meio dessa brecha, aberta desde o início do Concílio, o relativismo se infiltrou na Igreja, os abusos e as traições penetraram nela. Em suma, o [espírito do] mundo adentrou e o homem foi colocado no lugar de Deus. Certamente, o trabalho de subversão já havia começado muito antes, mas o Concílio funcionou como um detonador, também em razão de um otimismo injustificado com relação à modernidade.

RS: Com o passar dos anos, suas posições sobre essas questões foram se aproximando gradativamente do que -- em termos jornalísticos -- pode ser definido (e simplificado) como “tradicionalismo”. Houve um evento desencadeador que determinou esse pensamento de sua parte?

AMV: O desencadeador foi a publicação de Amoris lætitia, em 2016. Se as dúvidas já existiam no início deste século, e foram aumentando gradativamente desde 2013, com a eleição de Francisco, a exortação apostólica “Sobre o amor na família” definitivamente abriu meus olhos.

Devo salientar que a ambigüidade e o relativismo, até hoje, não só entraram na Igreja, mas tomaram a forma de um magistério. Devo dizer que no início, no que concerne a Amoris lætitia, fiquei tão incrédulo que neguei o óbvio. Então, reli várias vezes e finalmente tive que reconhecer, com dor, a realidade.

O documento está imbuído da ideia de que existe um dever de Deus de perdoar e um direito humano a ser perdoado, sem que aja a necessidade de se converter. A lei divina eterna se curva a pretensa autonomia do homem.

O conceito de discernimento é instrumentalizado a fim de exonerar do pecado. Eu diria que Amoris Lætitia validou a revolução que havia ocorrido: não uma mudança de paradigma (expressão nebulosa usada para justificar a subversão), mas o triunfo da visão modernista, tanto no conteúdo quanto no método. […]

 

O preço da fidelidade

RS: [...] Em que medida o senhor acha que existe ou que se desenvolve a consciência de que - além do que o Papa Bergoglio está fazendo - estamos enfrentando uma crise que é causada pelo Concílio Vaticano II?

AMV: É difícil pintar um quadro geral, pois as posições são muito diferentes. Existem os ideólogos, os modernistas que dogmatizaram o Concílio e que atacam todos aqueles que tentam lançar luz sobre suas aporias.

Existem os oportunistas que se conformam com a visão modernista não por convicção, mas pelos benefícios que ela traz.

Há os silenciosos que, mesmo sabendo dos problemas, preferem calar-se, fingindo que só resta rezar, enquanto esperam que passe a tempestade.

Existem aqueles que pouco a pouco abriram os olhos, mas não sabem como agir.

Em geral, tenho notado que existe um problema psicológico generalizado entre aqueles, como eu, que cresceram na Igreja pós-conciliar. Entre as pessoas consagradas e os leigos, é difícil para muitos rasgar o véu, pois isso seria o mesmo que admitir que toda a sua vida foi consagrada a uma Igreja desviante.

Eu os entendo. Posso dizer eu mesmo que “estava melhor quando estava pior [no relativismo da Igreja conciliar. Nota do editor] ". Quando ainda não estava consciente, não sentia a amargura e o desânimo que muitas vezes tomam conta de mim hoje, em face aos abusos litúrgicos, aberrações doutrinárias, às concessões feitas ao mundo, às traições da fé.

Mas a verdade é fonte de divisão. Jesus diz isso claramente: "Não vim trazer a paz, mas a espada" (Mt 10,34). Uma Igreja que é toda de paz e amor, toda de açúcar, é uma construção mental e cultural que não tem equivalente nas Escrituras ou na história da civilização cristã. […]

 

Francisco não age como papa

Nesta entrevista, Aldo Maria Valli esclarece sobre o artigo que publicou em seu blog Duc in altum de 20 de fevereiro de 2021, intitulado “Roma sem o Papa. Bergoglio está lá, mas Pedro não ”(ver FSSPX.News de 26/02/21).

Eu sou alheio a qualquer tentação sedevacantista e acredito que Francisco é o Papa. As dúvidas levantadas sobre os supostos constrangimentos que conduziram à renúncia de Bento XVI, bem como sobre a retidão da eleição de Francisco, não levaram a nenhuma prova: há suspeitas, mas nenhuma prova. Em relação à escolha feita por Joseph Ratzinger, creio que foi uma fuga. […]

No que diz respeito a Francisco, acredito que ele não age como papa, ainda que o seja. As razões da minha avaliação são de ordem teológica. Francisco não nos apresenta o Deus da Bíblia, mas um deus adulterado, um deus adaptado às pretensões humanas, um deus que não perdoa, mas exonera.

Como escrevi em meu artigo, esse deus empenhado mais que tudo a exonerar o homem, esse deus em busca de circunstâncias atenuantes, esse deus que se abstém de comandar e prefere compreender, esse deus que "está perto de nós como uma mãe que canta um canção de ninar ”, este deus que não é juiz mas “proximidade ”, este deus que fala da “fragilidade” humana e não do pecado, este deus inclinado à lógica do “acompanhamento pastoral” é uma caricatura do Deus da Bíblia.

Pois Deus, o Deus da Bíblia, é certamente paciente, mas não laxista; é certamente amoroso, mas não permissivo; é atencioso, mas não complacente. Em suma, é pai no sentido mais completo e autêntico do termo.

A perspectiva adotada pelo Papa Bergoglio parece, ao contrário, ser a do mundo: que muitas vezes não rejeita totalmente a idéia de Deus, mas rejeita características que estão menos de acordo com a permissividade reinante.

O mundo não quer um verdadeiro pai -- amoroso, na mesma medida em que julga -- mas um companheiro; melhor ainda, um parceiro de viagem que releva tudo e diz: "Quem sou eu para julgar?" E Francisco apresenta ao mundo justamente esse deus que não é pai, mas parceiro de viagem.

Por isso, afirmo que Francisco não atua como papa, porque não confirma seus irmãos na fé. A prova é que recebe aplausos dos distantes [afastados da fé e da Igreja], que se sentem confirmados no seu afastamento, enquanto com as suas ambigüidades e os seus desvios desconcerta os que estão próximos.

A questão agora é saber se o fato de não agir como papa também significa não ser papa. Na minha opinião, não. Francisco é o Papa, mas no entanto está no erro. Alguns dizem: impossível, porque tem o auxílio do Espírito Santo.

Mas a assistência do Espírito Santo deve ser aceita. Se for recusada, os erros e os pecados podem se propagar, pois o Senhor nunca viola nosso livre arbítrio ao nos forçar praticar atos contrários à nossa vontade.

No paradoxo de sua infinita misericórdia, Deus nos deixa livres para desobedecê-lo, para nos condenar, para recusar a beatitude eterna; Ele nos envia graças sobrenaturais que, no entanto, as podemos recusar. Se assim não fosse, o homem não teria nenhum mérito em escolher Deus e sua lei e em renunciar a Satanás e suas seduções. […]

 

O sofrimento das almas

Desde o meu posto de observação, vejo crescer a perplexidade e o sofrimento.

Mesmo que não faltem encrenqueiros com sua natureza agressiva, vejo e encontro principalmente muitos bons católicos que amam o Papa e rezam por ele, mas que, por isso mesmo, sofrem quando ele não os confirma na fé, mas se reduz a atuar como capelão das Nações Unidas e a defender o politicamente correto, quando é ambíguo em questões de doutrina e moral, dando a impressão de se mover e raciocinar mais como político do que como pastor.

Grande parte do rebanho se sente sem guia. Nem todo mundo tem formação teológica, mas o sensus fidei permite a muitos de ver o que está errado. A adoração idólatra rendida à Pachamama produziu uma verdadeira estupefacção. Uma sensação de perturbação se espalhou quando o Papa Bergoglio se curvou para beijar os pés dos governantes do Sudão do Sul. A assinatura da declaração de Abu Dhabi também suscitou perplexidade. Sem mencionar a abertura aos chamados direitos LGBT.

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