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CAMPANHA DE ROSÁRIOS PELAS ELEIÇÕES

 

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Category: EucaristiaConteúdo sindicalizado

A Eucaristia na história da Igreja

Conferência de D. José Pereira Alves pronunciada no

 Congresso Eucarístico do Centenário, no Rio de Janeiro

 

 

Taine conta que um dia procurou o Superior de uma ordem religiosa de Paris, e lhe perguntou: “Por quê? Não faz ainda um século que a Revolução Francesa destruiu todas as ordens religiosas. Por quê? Não faz ainda um século e a França tem mais de 160.000 religiosas e religiosos. Qual o segredo dessa vitória? Qual o princípio de ação e utilidade que explica essa maravilha? ”

O Superior respondeu-lhe: “Acompanhai-me”. Taine seguiu-o. Ele conduziu o escritor à capela e disse-lhe: “Está ali naquele sacrário, naquela hóstia, o segredo do nosso triunfo”.

O grande escritor continuou a fazer as suas pesquisas e, depois de algum tempo escreveu estas palavras: “A fé na Eucaristia é, incontestavelmente, o par de asas que ergue a humanidade do seu lodo e a atira às regiões do devotamento e do amor. Se há alguma salvação para a sociedade, sem dúvida essa salvação está lá”.

Sim, minhas senhoras e meus senhores, a salvação está lá, na hóstia, na hóstia cuja função histórica e divina foi manter a Igreja Católica na sua unidade, na sua santidade, na sua catolicidade, no seu caráter apostólico.

O Tabernáculo é a barquinha de Jesus. Se o furacão acorda nas entranhas do oceano, a humanidade poderá gritar confiante: Domine! Senhor! Salvai-nos, senão perecemos!

Mas agora, diz eminente sacerdote, não são simplesmente os ventos mansos de Tiberíades; são também os ventos selvagens do ódio, do capricho e do interesse que ameaçam o mundo. Jesus, desperta! Acorda, Jesus! Ergue-te, Jesus! Abre a porta deste sacrário e apresenta-te ao mundo de pé e terrível! Faze o teu largo gesto e aplaca as ondas, serena as tempestades.

Senhores, o Congresso Nacional do Brasil é esse clamor agoniado de tantas almas e de tantos espíritos. O Congresso Nacional é o brado do nosso Brasil gigante, ajoelhado junto à hóstia de misericórdias para pedir perdão pelo pecado da nossa grande Pátria.

Minhas senhoras e meus senhores, já em 1864, venerável Padre dizia: “É preciso soltarmos a Jesus, não a Jesus em espírito, não a Jesus glorificado no céu, mas a Jesus no Tabernáculo; é preciso obriga-lo a sair do seu retiro e tornar à frente das nações cristãs que Ele pode dirigir e governar”.

Nós, católicos brasileiros, neste Congresso, queremos obrigar a Jesus a sair do Tabernáculo, e pôr-se à frente do Brasil para fazê-lo marchar, para fazê-lo marchar para a vitória, marchar para o céu, para Deus, do qual, como Nação, está tão deslembrado e esquecido.

Minhas senhoras, meus senhores: essas palavras são proféticas para o nosso Congresso Nacional Eucarístico. A cidade do Rio de Janeiro, como uma profetiza sublime, se debruça nesta noite memorável sobre seus montes seculares e atira aos ventos do Brasil a palavra incomparável que ouviu nesta Assembleia: “Cristo ou Morte! ”

Minhas senhoras, meus senhores: Olinda, Olinda senhoril, reclinada à sombra das palmeiras, a Veneza Americana, boiante sobre as águas remansadas do Capiberibe galante, Olinda e Recife respondem a esta palavra incomparável: “Cristo ou Morte! ” Como ela ecoa bem no nosso coração pernambucano! Sim! Cristo ou Morte!

Senhores, somos de uma terra de bravos que batalharam, não só pela Pátria, mas pela Fé! Somos de uma terra eucarística. As principais matrizes da nossa cidade são dedicadas às glórias de Jesus Eucarístico; somos de uma cidade que vibrou numa incomparável semana eucarística, na qual o povo e os sacerdotes choraram. Pois bem: Pernambuco eucarístico não pode deixar de aceitar estas palavras incomparáveis: Cristo ou Morte!

E eis-me, senhores, embaixador humilde da Arquidiocese de Olinda e Recife, inclinado diante da figura venerável deste filho querido dos nossos flancos, o primeiro cardeal da América do Sul. Inclino-me diante deste velho para beijar-lhe, reverente, a púrpura, em nome do Leão do Norte.

Fazendo-o, curvo-me, também reverente, diante da coroa magnífica dos príncipes brasileiros que vieram abrilhantar e abençoar o Primeiro Congresso Nacional do Brasil.

Trago o meu abraço fraterno a esse clero venerando, respeitável e respeitado, sob a orientação do nosso inesquecível Dom Sebastião, cujo zelo apostólico improvisou a beleza surpreendente desta festa magnífica.

Senhores, eu vos trago a saudação irmã da Arquidiocese de Olinda e Recife. A todos vós, congressistas, senhoras e senhores, a saudação do povo pernambucano. Aceitai-a. É a saudação de um povo irmão! Trago-vos o ósculo fraterno daquelas praias alvas e quentes, o ósculo fraterno dessa amizade indissolúvel que há de cimentar para sempre a integridade nacional, pela qual os pernambucanos derramaram o seu sangue — seu sangue não somente — o sangue de suas próprias esposas.

Senhores, diante desta Assembleia tão venerável, deveria apoucar-me; diante desta Assembleia em que refulgem a mentalidade católica do Brasil e a graça apostólica da mulher brasileira, eu deveria apoucar-me. Mas, bem ao contrário, sinto-me cheio de coragem, porque me sinto cheio de confiança em vós, no coração da vossa cidade. Quero dizer: o vosso coração se me afigura uma taça palpitante, estuante de amor e de carinho.

Permiti-me, pois, que eu, humilde pétala arrancada pelas lufadas do Norte, possa boiar tranquilamente sobre a bondade carinhosa de vossos corações.

 

A EUCARISTIA NA HISTÓRIA DA IGREJA

 

São quatro as leis essenciais que determinam e distinguem a Igreja — as leis de unidade, de santidade, de catolicidade e de apostolicidade. Et unam sanctam catholicam et apostolicam Ecclesiam, creio na Igreja, una, santa, católica e apostólica. Os grandes e profundos espíritos tendem à unidade, não é novo. Só é verdadeiramente sábio aquele cuja inteligência conseguiu construir poderosas sínteses, reduzir fatos ou fenômenos a leis ou princípios supremos.

Só é verdadeiramente grande poeta aquele que pode em versos esplêndidos encerrar uma ideia máxima e fecunda, ideia mater e diretora de todos os surtos e ímpetos do gênio.

Grande cabo de guerra, general da vitória, só aquele que teve o talento de saber unir e organizar batalhões inteiros em ordem de peleja com olhos postos na ideia comum — a Pátria — flutuante nos trapos gloriosos da bandeira.

É assim que se tem escrito e divulgado. Pois bem! Jesus Cristo, meus senhores, não foi simplesmente um grande espírito, um pensador arguto, um incomparável artista, o marechal da vanguarda divina. Jesus Cristo é Deus. É sábio e infinito, e sublime bardo da epopeia cristã e glorioso Leão de Israel; Jesus Cristo marcou a fronte da sua obra divina, poema do seu amor e troféu imorredouro, com o selo eterno da unidade.

A Igreja de Cristo é una. Por esta lei de unidade que esplende na sua fronte nobremente erguida, só ela produziu e produz a unidade dos espíritos. Que semearam os sistemas e as filosofias? A anarquia mental. Que tem feito a política e a violência? Cavar um abismo no seio das almas. Jesus Cristo fundou uma sociedade espiritual que impôs aos espíritos mais diferentes uma só fé e uma só lei, com uma força de convicção irresistível. Senhores, aí está a marca do divino. Esta unidade resulta da sua doutrina imutável. Espalhou por todas as inteligências ideias graníticas, eternas, mas cheias de vitalidade e de energias prodigiosas, ideias fundamentais e comuns, únicas capazes de criar uma perseverança intelectual até o sacrifício e a morte.

Os séculos invejosos dessa glória, disse Lacordaire, vieram bater à porta do Vaticano, bateram com o coturno ou com a bota; saiu a doutrina sob a figura frágil e gasta de algum septuagenário e disse: “Que me quereis? — Mudança. Mas eu não mudo. — Mas tudo mudou no mundo. A astronomia mudou, a química mudou, a filosofia mudou, o império mudou. Porque sois sempre a mesma? — Porque eu venho de Deus e Deus é sempre o mesmo. — Mas pensai: somos os senhores, temos em armas um milhão de homens, puxaremos da espada, a espada que esfacela os tronos, também pode decepar a cabeça de um velho e rasgar as folhas de um livro. — Podeis fazê-lo, o sangue é o aroma em que sempre encontrei a minha juventude. — Pois bem, eis aqui a metade da minha púrpura, fazei um sacrifício à paz e dividamos. — Guarda a tua púrpura, César, amanhã será a tua mortalha e nós cantaremos sobre ti o Aleluia e o De Profundis que nunca mudam! ”

Senhores, a Igreja não pode mudar, deixaria de ser una, de ser verdadeira, porque a verdade é fundamental e essencialmente una e imutável na realização de sua finalidade histórica, a Igreja manteve integrais os seus gloriosos caracteres de unidade, de santidade, de catolicidade e de apostolicidade, sem os quais não seria no mundo reconhecida como a verdadeira Esposa do Cristo.

E na verdade, senhores, a santidade é o seu manto de sol. “Vi um grande sinal no céu. Uma mulher vestida de sol”. As virtudes irradiam do seu misterioso ser e, quando a franja iluminada de sua régia veste roçou pela fronte do mundo, o gênero humano sentiu uma virtude estranha, uma força ignorada e extraordinária que começou a renovar a face da terra. Et renovabis faciem terrae.

Uma floração de anjos e de crucificados cobriu os desertos da sociedade, inebriando-os com o aroma de sua inocência e o suave odor dos seus sacrifícios. Pentecostes inaugurava no mundo os milagres da graça. A grande benção do Espírito de Deus pairou sobre o oceano misterioso das almas — Spiritus Dei ferebatur super aquas. A vida sobrenatural jorrava dos penedos sagrados do Gólgota ao contato da Cruz — o cajado do novo Moisés. Nos séculos mais negros da história eclesiástica, em que Deus parecia demonstrar que a fé não depende nem da ciência nem da probidade dos homens, nesses séculos atrozes, a santidade da Igreja surgiu, como uma estrela esplendidamente luminosa, de todos os eclipses morais que encheram de sombras as cúpulas sagradas.

E o fenômeno católico nesta Igreja una e santa, através da História se acentuou tanto e por tal forma que o nome de Católica lhe ficou como o seu designativo especial e incomunicável desde os primeiros séculos. A Igreja contém em si, na sua constituição íntima, na sua essência; uma irreprimível força expansível. Esta força é como uma projeção da verdade cristã que Jesus Cristo trouxe para toda a humanidade. A expansão da Igreja é católica, isto é: universal por destino, por lei, pela vontade imperativa do Divino Mestre — Praedicate Evangelium omni creaturae. Compreende-se bem como a doutrina do Evangelho é naturalmente cosmopolita e democrática. A sua realeza intelectual é a realeza do povo: é grande demais para ficar encerrada no salão dos magnatas ou argentários.

E essa Igreja, depositária dessa energia miraculosa, galgou as montanhas, vadeou os rios, atravessou os mares, conquistou o universo, consolidou a sua soberania nas coisas e nos espíritos. A sua bandeira recebe o beijo de todos os ventos, e o seu chefe, assentado há vinte séculos sobre um solitário rochedo, açoitado de vez em quando pelo tufão, dá leis a todos os povos, dentro de fronteiras de nações soberanas, estabelece a sua hierarquia, a sua legislação, a sua política e os seus tribunais, e ninguém, senhores, ninguém ousa deter-lhe o braço desarmado de Soberano e Pastor.

Hoje, depois de tantos séculos de lágrimas e vitórias, contemplando essa visão branca que fala a mesma verdade de vinte séculos, que semeia na terra as mesmas sementes de graça e de forças, de abnegações e sacrifícios — as mesmas de outrora — contemplando este ancião da Nova Lei que conserva sobre a fronte enrugada o triregno imortal — a tríplice coroa da universalidade cristã, vós, senhores, vós todos, tomados do respeito que as coisas verdadeiras e divinas inspiram, vós podereis dizer: A Igreja una, santa, católica é a Igreja apostólica; descende desta dinastia popular de pescadores que, revolucionando o mundo, foram os apóstolos e os fundadores da Civilização Cristã, os pregadores de um dogma e uma moral integrados no Magistério infalível da Igreja Católica. Et unam sanctam catholicam et apostolicam Ecclesiam. A finalidade histórica da Igreja una, santa, católica, apostólica era conservar essa mesma unidade, essa mesma santidade, essa mesma apostolicidade, impressa na sua fronte por Jesus Cristo para salvação do homem. E eu vos pergunto: Por que a Igreja, na sua evolução histórica, não aberrou das suas leis essenciais, não deixou de ser una, santa, católica, apostólica? Por causa da promessa de Cristo? Não somente, meus senhores. Cristo quis que sua Igreja tivesse, não só a promessa infalível, mas também, sob o pavilhão sagrado, sob uma nuvem santa, a realidade permanente ou palpitante do seu Coração eucarístico na hóstia sacrossanta do altar.

É por causa desta hóstia, mistério central da Igreja, que essa Igreja se mantém, una, santa, católica, apostólica, através de todas as vicissitudes históricas.

Meus senhores, quem faz a História não é só o homem, quem faz a História é também a Providência. Não creio na fatalidade histórica; creio, como Bossuet, na Providência amorosa de Deus, que conduz os povos. Não deixam de ser beleza e verdade as palavras de Balzac: “No drama da História, Deus é o poeta; os homens os atores; as peças que se jogam na terra são compostas no céu”. Sim, meus senhores, é Deus quem rege a história dos indivíduos e a história das nações. Cristo perpetuou-se na história da sua Igreja pelo mistério da Eucaristia.

Meus senhores, o homem sentiu logo na sua origem a necessidade de um Deus e em sua alma o tormento do infinito. Escutara durante a noite aquela harmonia de que nos fala Platão, a harmonia silenciosa das estrelas; escutara as vozes misteriosas dos seus mares; escutara o rumor sagrado das suas florestas. Escutou mais. Entrou em si mesmo e escutou vozes estranhas em seu ser, vozes que reclamavam formas excelsas de verdade, formas perfeitas e indefiníveis de amor e beleza. E o homem se tornou sacerdote — rezou, suplicou, começou a confessar a Divindade. Mas Deus espírito estava tão longe dele, verme luzente que se arrastava na terra.

O homem precisava de um Deus que tivesse as palpitações da matéria, um Deus sensível. O homem queria sentir em si, não somente os surtos do infinito, do espiritual, mas também sentir uma febre de vida sensível, elevada, uma febre também sentida por um Deus. Que fez Deus? Que fez o Senhor?

Deus respondeu a essa estranha angústia humana com um coração de carne, com o mistério augusto da Encarnação. Fez mais: perpetuou no mundo este Coração de carne, perpetuou o dom régio no mistério real da hóstia pura. Foi além: ficou nos altares como um monge, monge suplicante pelos pecados da humanidade; ficou para ser o Arcanjo zelador da sua esposa dileta, da sua Igreja, depositária augusta da Hóstia.

E vede-a, essa Igreja, vede-a descer as escarpas do Gólgota, envolta, como disse o nosso Nabuco, envolta no sudário do grande Redentor. E que trazia a Peregrina debaixo desse sudário? Que trazia ela? Trazia, senhores, a hóstia eucarística, trazia a hóstia para conquistar o mundo.

Para abalar os impérios romanos não trazia armas; trazia a hóstia. E seus primeiros apóstolos com a hóstia eucarística, com a hóstia santa, anunciaram ao mundo uma boa nova. Os deuses tremeram sobre os seus pedestais; os oráculos se contradisseram; o mundo pagão ruiu. E sobre os escombros do Capitólio da Roma Imperial antiga, drapejou a flâmula do Deus eucarístico, a Cruz do Cristo Redentor. E assim é que a hóstia conduziu a Igreja nas suas primeiras investidas contra o mundo pagão.

O paganismo reagiu diante da hóstia do altar. Os cristãos escondiam-se à sombra das catacumbas e lá comiam a fração do pão, a fração do pão divino da hóstia no idílio espiritual das ágapes. Aqueles que não puderam fugir à sanha dos seus inúmeros inimigos foram presos, torturados. No silêncio da noite, sombras penetravam nas catacumbas, nas prisões e, num beijo, num abraço irmão, davam aos pobres prisioneiros de Cristo a hóstia.

Tendo saído das perseguições, a Igreja encontrou os bárbaros que, como uma avalanche, se precipitaram do Norte. A Igreja não suprimiu logo os excessos dos bárbaros. Transformou-os pouco a pouco. E aqueles altivos senhores feudais se ajoelhavam, reverentes, diante da hóstia branca, e se reconciliavam aos pés do altar.

Meus senhores, as Cruzadas e as grandes descobertas se fizeram em nome do Santíssimo Sacramento, em nome da hóstia católica. Colombo trouxe no peito a hóstia divina para surpreender a jovem América. E quando a viu surgir — a América, como uma ninfa, da espuma dos nossos belos mares, sentiu na alma católica as vibrações do Coração Eucarístico, ansiando por alcançar novos mundos. Os missionários católicos, por toda a parte onde levantavam a Cruz do Salvador, desfraldavam a bandeira da Eucaristia e saudavam a terra que iam evangelizar com o sangue do Cordeiro Imaculado.

Assim, meus senhores, nossa terra brasileira, a terra do Brasil, é por destino a terra da Eucaristia. Devemo-nos lembrar de que sob as umbelas verdes de nossas florestas, entre as matinas de nossas belas alvoradas, devemo-nos lembrar de que Frei Henrique ergueu a Hóstia divina sobre a terra virgem descoberta por Cabral, consagrando-a de maneira definitiva, ao Coração Eucarístico do nosso Divino Salvador.

Meus senhores, uma terra assim dedicada desde a sua origem à glória da hóstia, conservadora da unidade, da santidade, da catolicidade, da apostolicidade da Igreja, uma terra assim só pode pertencer ao Coração Eucarístico do nosso Divino Salvador.

Pio XI, no Congresso Eucarístico Internacional da Paz, em discurso magnífico, disse: “Daqui a poucos momentos verei desdobrar o vosso cortejo pelas ruas históricas da vossa cidade eterna e no meio do vosso cortejo avançará o Cristo, o Rei imortal dos séculos. Violentastes o Coração de Deus; obrigastes Deus a sair do seu Tabernáculo. Ele avança e vai reinar por toda parte, reinar em vossos corações e, por meio dos vossos corações, vai reinar pelo mundo inteiro. Seus olhos eucarísticos tornarão a ver essas ruas, tão cheias de lembranças; seus olhos eucarísticos tornarão a ver esses lugares banhados do sangue de tantos mártires, e Ele, o Cristo, verá na glória da hóstia, a santificação da vossa cidade”.

Continuando o seu discurso, disse Pio XI: “Agora e no futuro, onde quer que seja, numa grande cidade ou numa simples aldeia, onde se celebrar um congresso eucarístico, o Cristo entrará na vida humana, na vida pública, na larga corrente dos acontecimentos humanos”.

Meus senhores, estas palavras de Pio XI são proféticas para nós. Ele disse: “E em qualquer parte onde se celebrar um congresso eucarístico, numa grande cidade ou numa simples aldeia, o Cristo entrará na sua vida pública”.

Eu tenho certeza de que o Cristo eucarístico vai entrar, por este Congresso, na vida pública do nosso estremecido, do nosso querido Brasil.

Sim, meus senhores, aquelas palavras de Pio XI são, verdadeiramente, uma conclusão histórica. A Hóstia é o elemento renovador das sociedades humanas. O Padre Gratry escreveu muito bem: “Fala-se por toda parte no rejuvenescimento da vida cristã; fala-se por toda parte numa grande unidade”. Historiadores profundos como Ranke, dizem que veremos uma exposição nova que reunirá todos os fiéis, que reduzirá os próprios incrédulos. Agora adivinho. Na minha ciência, no meu espírito, na minha fé, essa exposição é o catolicismo bem compreendido. Não é só isso. O que há de reunir todos os fiéis, seduzir os próprios incrédulos não é o catolicismo compreendido, é o catolicismo servido e vivido na hóstia de todos os nossos altares. É a Hóstia, portanto, que vai salvar a humanidade, que vai salvar o nosso querido Brasil.

Bendito o coração patriota que realizou a ideia de um Congresso Nacional! Benditos vós todos que trabalhastes, que trabalhastes com tanto ardor e veemência para o êxito desse Congresso! Fazeis obra essencialmente patriótica. Precisamos de uma reação do sobrenatural, quando a invasão do naturalismo ameaça as nossas ciências, nossas artes, nossa literatura, nossa consciência nacional. Precisamos, como nação, de uma reação do sobrenatural cuja plenitude podemos encontrar na Hóstia — o mistério central do catolicismo. Pois bem. O que ditou este Congresso foi o amor da Pátria. Não somente este instinto sagrado, se assim me posso expressar, que nos faz amar as nossas searas, os nossos regatos, os nossos campanários, e os túmulos dos nossos avós; não somente este amor consciente que nos faz morrer pela bandeira, mas o amor da Pátria que se sublima na fé e se sublima no amor a Jesus sacramentado; é essa piedade altíssima que trouxe ao Brasil a felicidade dessa comemoração nacional de um Congresso Eucarístico.

O Brasil inteiro está sentindo, tenho certeza, uma comoção enorme.

Senhores, nesta noite gloriosa para esta cidade, nesta noite há alguma coisa que irrompe do peito azul da vossa linda Guanabara; há alguma coisa que se está desentranhando das vossas montanhas protetoras, do silêncio augusto das vossas florestas e do rumor das vossas cascatas; há alguma coisa que impressiona de vaporoso e indeciso como o fantasma desta vigília noturna; há alguma coisa que me parece a alma do Brasil católico, do Brasil inteiro a despertar. Penso que esta alma há de despertar neste santuário que é a vossa cidade, santuário em que se exerce a soberania do meu Brasil. Pois bem; esta sonâmbula há de acordar ao eco das vossas trombetas.

Sim, entoai as vossas trombetas eucarísticas e, ao seu eco sagrado, a sonâmbula despertará. Está sorrindo a esta orgia de luz, a esse encantamento feiticeiro do vosso Rio maravilhoso. Mas tem de despertar para a glória cristã.

Desperta, alma do Brasil.

Olha! A cidade do Rio de Janeiro é a tua sacerdotisa magna. Ela vai colocar nos cimos alcantilados dos seus rochedos a imagem do Cristo.

Ela vai fazer mais: vai erguer acima dos seus píncaros sagrados e levantar sobre as águas da sua baía, sobre suas montanhas, sobre o Brasil, a hóstia branca e repetir novamente a palavra incomparável: Cristo ou Morte!

 

Dom José Pereira Alves - Discursos e Conferências, Imprensa Nacional 1948.

Eucaristia e Liturgia

 Pe. Calmel O. P.

 Na Igreja Católica, a justificativa da liturgia se encontra na fé depositada nos sacramentos, em particular no sacramento da Eucaristia. Se fosse a Eucaristia desprovida da consistência sobrenatural que lhe consigna a fé imutável da Igreja, seria igualmente desprovida de realidade e de valor a liturgia. Daí, se quisermos chegar a alguma conclusão séria acerca da atual subversão do culto, devemos recordar os ensinamentos da Tradição e do Magistério sobre o sacramento do altar. Enunciam-se tais ensinamentos em quatro proposições: LEIA A CONTINUAÇÃO
 

3. A Eucaristia

Depois de termos estudado o Batismo (nascimento espiritual) e a Crisma (crescimento espiritual), vamos agora estudar a Sagrada Eucaristia, que é nosso alimento espiritual. A presença de Jesus na Sagrada Hóstia é tão profunda e bela que podemos estudar toda nossa vida e sempre acharemos alguma coisa nova.

1) Os Profetas anunciaram a Sagrada Eucaristia

Houve um homem muito santo, chamado Abraão, com quem Deus tinha feito uma Aliança, prometendo que da sua família nasceria o Salvador. Após uma guerra vencida por Abraão, veio ao seu encontro um Sacerdote de Deus que ofereceu pão e vinho para Abraão. Claro, não era a Comunhão, que só foi instituída por Jesus muitos anos depois, mas aquele pão e o vinho já anunciavam a futura Eucaristia.

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