Skip to content

Category: Irmãs da FSSPXConteúdo sindicalizado

Paciência na educação

Irmãs da FSSPX

 

“Paciência e tempo fazem mais do que a força e o ódio”, escreveu La Fontaine. Se há algum domínio onde esse ditado se verifica, é sem dúvida na educação das crianças. Do primeiro choro até o momento dela se tornar adulta, uns vinte e cinco anos se passarão. E assim como o tricô é feito linha a linha, a edução se faz dia a dia.

  

Paciência na instrução

É desnecessário querer tudo imediatamente. Só poderemos pedir da criança aquilo que é realmente capaz de fazer ou de aprender a fazer. Por exemplo, com uma criancinha, o momento presente ocupa toda a sua atenção; ela não sabe, ou talvez não sabe bem, colocar-se no futuro e prever as consequências a longo prazo dos seus atos, e por isso é tão imprudente. 

"João tem seis anos, voltou da escola sem o gorrinho ou sem as luvas e estava nevando. Claro que brincou de jogar bolas de neve durante o recreio com as mãos descobertas e, naturalmente, pegou um resfriado". É inútil repreendê-lo por sua imprevidência, pois essa cadeia de eventos ainda o ultrapassa completamente. É inútil, do mesmo modo, tentar motivar o seu irmão mais velho de doze anos falando na possibilidade de receber um diploma “cum laude” na faculdade. Nessa idade, tudo isso parece longe demais, enquanto que a partida de futebol com os amigos possui uma atração mais imediata.

Contudo, quando uma criança se torna capaz de cumprir uma tarefa, não ajuda em nada tratá-la como um bebe e não cobrar dela aquilo que pode dar. 

"Aos oitos anos de idade, Cecília nunca fez a própria cama, e jamais arrumou a mesa! Isso porque sua mãe não percebe que a menina está crescendo e não lhe ocorre pedir essas coisas a ela. Por sorte, uma breve estadia na casa da tia Joana arranjou as coisas, uma vez que ela pôde comparar-se com as primas. Na mesma oportunidade, sua mãe também percebeu que ela pode ser bem mais exigente com o Antônio, que já fez seis anos, no modo como ele se comporta na Missa. O seu primo, que tem a mesma idade, fica quietinho e já até começa a acompanhar a Missa com o seu livrinho de primeiras orações". 

 

Não espere resultados imediatos

A educação é um trabalho de longo prazo. Não se deve esperar que uma criança corrija suas falhas imediatamente. 

Já falei vinte vezes para você lavar as mãos antes de vir para a mesa!” protesta a mãe. Coragem! O hábito talvez só surja após a vigésima-primeira ou a quadragésima advertência. Devemos demonstrar para com as crianças a mesma paciência que Deus demonstra por nós adultos, que tantas vezes confessamos os mesmos pecados. Contudo, “ser paciente” não significa “desistir”. Continuemos a implorar pelo bem sem nos cansarmos com a lentidão do progresso, sem nos desencorajarmos com as falhas de hoje que preparam as vitórias de amanhã. 

"Por temperamento, o Sr. Dupont realmente não percebe a necessidade de colocar cada coisa no seu lugar. Quando tinha dez anos de idade, sua mãe regularmente encontrava o conteúdo da sua mochila largado no chão da sala, e suas meias sujas sob a cama; seu pai não se cansava de mandá-lo tirar a bicicleta da frente da garagem e pô-la em outro lugar. Graças a Deus — e para sorte do sr. Dupont — os seus pais perseveraram. Hoje, sem nenhuma obsessão, sabe organizar as suas coisas sem perturbar a harmonia da casa."

A educação é um trabalho de longo prazo, de modo que nem tudo está perdido se comete um erro — por exemplo, se cometemos algum exagero. O que é um incidente isolado comparado a vinte anos de afetos, cuidados, bons exemplos e boas influências? 

"Paulo está bem no meio da crise da adolescência; às vezes ele é tão irritante que o seu pai já chegou a perder a paciência e dizer a ele coisas que nunca deveria dizer. Sem dúvida é lamentável, e seu pai pode experimentar a sensação de ter posto tudo a perder. Mas não, nem tudo está perdido. Paulo sabe no fundo que seus pais o amam, e que foi ele que exasperou o seu pai com sua atitude”. O Espírito Santo dá, aos pais que sabem pedir-Lhe, o conselho das coisas que devem ser ditas.

A educação é um trabalho de longo prazo cujo resultado os pais nem sempre conhecem. Temos um indício do resultado no momento em que as crianças se firmam no mundo. No entanto, mesmo com a melhor educação do mundo, a criança permanece livre, sim, livre para escolher o mau e desprezar o bem. Vemos crianças nascidas em boas famílias que se “tornam más”, abandonam a prática religiosa ou vivem de modo imoral. Contudo, os pais não devem se desencorajar: o que foi semeado na infância virá algum dia à tona. Por isso é importante não mimar as crianças, não deixá-las fazer o que quiserem aos três ou quatro anos de idade: os primeiros anos preparam os anos futuros.

Por outro lado, que grande consolação para os pais verem seus filhos formando um lar sólido ou respondendo a uma vocação sacerdotal ou religiosa! Essas crianças que possuem suas vidas “bem-sucedidas” perante Deus formam a coroa de honra desses pais, no tempo e na eternidade.

Harmonia entre os pais

Irmãs da FSSPX

 

Como todas as noites, a mãe de Clara está supervisionando o dever de casa de sua menininha (que tem certa tendência à preguiça – especialmente quando se trata de se concentrar nos trabalhos da escola). Sua mãe, então, toma a decisão de ajudá-la a superar esse defeito, dizendo: “Agora que você entendeu, deve terminar seus exercícios de matemática sozinha, e não irá brincar lá fora até que esteja tudo pronto e bem feito”. Clara suspira, boceja, rascunha alguns números, suspira novamente... A mãe é firme: “Vamos; você consegue. Vou preparar a mamadeira do Pedro e, quando voltar, quero que o primeiro exercício esteja pronto”. Assim que a mãe deixa a sala, Clara se levanta e vai direto ao outro cômodo e, aninhando-se no colo do pai, diz: “Papai, o dever de matemática está muito difícil. Pode me ajudar?”. E ele, olhando os cachos dourados, o sorriso charmoso e o rostinho fofo da filha favorita, responde: “Vá buscar seu caderno e te ajudarei”. Ao retornar, a mãe descobre, descontente, que mais uma vez Clara não fez seus deveres sozinha. (Continue a ler)

Cantores hoje, católicos amanhã

Irmãs da FSSPX

 

 

Tantas mães católicas hoje choram por crianças que se perderam nesse pobre mundo! Quando o filho pródigo voltou para casa, foi porque pensou na incomparável alegria que sentia no local. Há uma maneira muito simples que os pais podem utilizar para desenvolver e fomentar essa alegria: através das canções. A Educação é, acima de tudo, um respiro, e as canções lançam o perfume do bom humor que tanto favorece a saúde física e moral, ajudando a despertar a inteligência, remover os perigos do vício e da corrupção e contribuindo com o crescimento da virtude. É uma inclinação tão natural aos seres humanos que dificilmente se recusam a participar. O que nossas crianças cantarão no futuro, quando seus corações estiverem cheios de entusiasmo, se ninguém se ocupar de sua formação através de boa música? Provavelmente terão prazer em ouvir as canções modernas – esses agentes facilitadores de depravação moral. Sim, a música tem poder sobre o coração dos homens – para o bem ou para o mal. Devemos acrescentar que as canções estimulam nossa capacidade de ouvir, o que pode vir a poupar os jovens de problemas na escola. Além disso, o estudo do ritmo influencia o cérebro, desenvolvendo a lógica e a razão.

Ensinando aos pequeninos a devoção à Maria

 

Irmãs da FSSPX

 

 

“Ah, mamãe! Te amo tanto que nem sei dizer!”. Que mãe não se sentiria tocada com essas palavras ditas por sua filha de quatro anos? São a forma que uma criança usa para expressar sua gratidão. É claro que a grandeza do sacrifício feito pelas mães e seu grande amor permanecem sempre parcialmente invisíveis. Porém uma criança, mesmo em seus primeiros anos, sente o amor que advém do coração de sua mãe. Ela vê – ou melhor, sabe – que a mãe estará sempre por perto. Se ela cai enquanto brinca, corre para a mamãe. Se tem pesadelos, chora chamando por ela. Se está com sede ou fome sabe, sem pestanejar, que a mãe resolverá.  

Sim, até mesmo pelos olhos de uma criança pequena, o coração de uma mãe é algo indispensável e sem limites. E, à sua maneira, ela tenta retribuir esse amor. Flores sem caules cuidadosa e amorosamente colhidas para a mamãe, enquanto pensa: “O papai faz isso por ela, então vou fazer também!”. Quando a mãe está doente ou cansada, o filho leva até ela um copo d’água e dá-lhe um beijinho: “Mamãe faz assim quando estou doente; vou fazer também!”.

Vocês sabem muito bem, queridas mães, que seus filhos têm uma outra mãe, a Mãe do próprio Deus. Seu maior desejo deve ser que eles aprendam a conhecer essa mãe tão maravilhosa que, mesmo não sendo visivelmente presente em seus lares, derrama sua afeição maternal em cada uma das crianças. Durante as separações inevitáveis que ocorrem entre mães e filhos, quão grande é nosso consolo em saber que essa Mãe cuidará de nossos rebentos!

Como praticar essa verdade e ensinar nossos filhos a conhecer e amar nossa Mãe Celeste? Será que são capazes de compreender mesmo sendo tão jovens? (Continue a ler)

Deveres dos pais para com os filhos

Irmãs da Fraternidade São Pio X

Estimada senhora, na carta anterior eu lhe dizia que há aproximadamente dois séculos o homem mudou a ordem desejada por Deus e, com isso, por sua desobediência, propagou erros e maus costumes em toda a sociedade, nas famílias e na educação dos filhos. Tentarei mostrar essa desordem para ajudá-la em sua vocação de educadora de seu filho – vocação que, sem dúvida, se tornou muito difícil em nossos dias. A senhora percebe que em todas as partes só se fala dos direitos da criança, a tal ponto que se poderia pensar que os pais não têm mais nada a dizer. A criança sabe disso e aproveita a situação para satisfazer seus caprichos e não obedecer mais, sob pena de se rebelar na época da adolescência. Mas será que o ensinaram verdadeiramente a obedecer? Desde pequeno? Em verdade, nesse momento da adolescência, alguns pais se encontram desprovidos de meios e não sabem mais o que fazer. (Continue a ler)

A criança católica e o espírito de sacrifício

Irmãs da Fraternidade São Pio X

 

Os caçadores da África costumavam empregar a astúcia para capturar os macacos: penduravam nos ramos umas bolsas pequenas de couro cheias de arroz, cuja abertura costuravam com um cordão, de modo que somente pudesse passar por ali a mão do macaco. Atraído pela comida, o animal colocava a mão na bolsa... e não podia tirá-la mais. Bastaria que deixasse o punhado de arroz... mas o macaco não quer fazer isso de jeito nenhum, e sua teimosia lhe custava a liberdade e a vida.

Queridas mães, já aconteceu comigo, e com certeza também aconteceu com as senhoras, de ver a reação daqueles macacos... nas nossas crianças. O desejo de doces e balas, da boneca recém-lançada ou do último modelo de carro, os atrativos ainda mais fortes à preguiça (não fazer nada ou deixar que a mãe faça tudo) ou da independência (“eu faço o que eu quero”) levam a gritos de raiva, iguais aos do macaco capturado pela mão na bolsa, se alguém desgraçadamente quiser contrariar os seus planos de conquista! (continue a ler)

Grandeza do catecismo

Irmãs da Fraternidade São Pio X

 

Francisco está estudando no quarto ano no colégio mais famoso da cidade. Ao voltar da aula, ele entrega à sua mãe, Andreia, o boletim com as notas do bimestre. “Que bom!”, pensa Andreia: “Francisco tirou notas excelentes em matemática e em português. Com a sua prática em idiomas, com certeza ele vai poder entrar nas melhores universidades do país!”.

E Andreia já imagina seu filho sendo um advogado de prestígio, um engenheiro com êxito ou um cientista eminente... Que mãe não tem grandes ambições para seus filhos?

Ao mesmo tempo, Gustavo - estudando no 5º. ano no Colégio São Pio X – também entrega a Silvina, sua mãe, as suas notas bimestrais. Silvina lê com atenção: Catecismo: 9; Comportamento geral exemplar: bom espírito, responsável e prestativo com os menores. Silvina sonha também com o futuro do seu filho: “O que será de Gustavo no futuro? Um bom pai com uma família numerosa? Talvez padre?” (Clique para continuar)

Vocação e família

Irmãs da FSSPX

 

Durante um sermão em Ecône, em 11 de fevereiro de 1979, Dom Marcel Lefebvre saudou as famílias dos seminaristas assim:

“Penso que seria uma ingratidão deixar de invocar o papel da família católica na vocação sacerdotal ou religiosa. Certamente devemos muito das nossas vocações aos nossos queridos pais. Foram eles que, por seu exemplo, por seus conselhos, por suas orações, lançaram nas nossas almas o germe da vocação. Devemos desejar que existam muitas famílias católicas que favoreçam a eclosão de boas, santas vocações.”

A vocação vem de Deus, mas o canal ordinário que permitirá à alma responder generosamente a esse apelo é a genuína educação católica. É na célula familiar que Deus habitualmente prepara as almas que escolheu para si. É preciso, portanto, que os pais compreendam a importância da sua missão de educadores e não temam sonhar grande: o que queremos é formar católicos para que sejam santos!

Muitas vezes, os pais tem planos para o futuro das suas crianças: meu filho seguirá tal carreira que paga bem; minha filha fará um ótimo casamento e eu terei muitos netinhos… e não raro, infelizmente, os pais se opõem a uma vocação nascente. Contudo, não há benção maior nem honra superior a uma família do que ter sido escolhida por Deus para lhe entregar um ou mais dos seus filhos. Se por um lado jamais devemos forçar uma vocação, tampouco devemos impedir o seu despertar por meio de deboches, objeções materialistas ou por quaisquer outros meios dos quais os pais terão de prestar conta no tribunal de Deus.

 

Não se critica o padre!

Na prática, para favorecer a ação da graça, os pais deverão demonstrar respeito pelos padres e religiosos. É verdade que nem todos os padres são como o Santo Cura d’Ars, e que nem todas as religiosas são como Santa Bernardette… Mas não devemos criticar o padre ou a religiosa diante dos filhos, sobretudo por ninharias. Nas famílias em que as almas consagradas são criticadas, não há vocações, pois mata-se na alma da criança a estima pelo estado sacerdotal ou religioso.

Não é o suficiente não se opor a uma vocação, é ainda preciso cultiva-la por meio de uma educação religiosa sólida, conforme ao espírito dos conselhos evangélicos indicados por Nosso Senhor como via da perfeição: pobreza, castidade e obediência. Vigiem as amizades dos seus filhos, afastem deles as más companhias, os livros, revistas e eletrônicos perigosos; cuidem para que não busquem o supérfluo, mas se contentem com o necessário; ensinem a eles a obediência à Deus e às autoridades que o representam (pais, professores, padres…)

No nosso século amolecido pelo liberalismo vigente e pela procura incessante do conforto, a vocação, que exigirá uma renúncia constante, só poderá ser sólida se a pessoa que a recebe tiver o sentido do espírito de sacrifício. “Se algum quer vir após de mim, negue-se a si mesmo, e tome a sua cruz, e siga-me.” 

O papel da mãe é importantíssimo para fazer com que as crianças aprendam a transformar com generosidade os menores incidentes diários e as obrigações do dever de estado em sacrifícios “por amor de Jesus” ou por algum outro motivo sobrenatural: converter os pecadores, consolar Jesus, ganhar o Céu…

 

Ingressar na escola de Lu   

“Grande é na verdade a messe, mas os operários poucos”, constata Nosso Senhor. Qual é o meio que Ele apresenta para remediar a esse mal? “Rogai, pois, ao dono da messe que mande operários para a sua messe.” Que as mães não hesitem em suplicar a Deus que suscite vocações no meio dos seus filhos. Em Lu, pequena comuna da Itália, as mães decidiram rezar e assistir a cada primeiro domingo do mês a missa nessa intenção: o resultado foi que nessa pequena localidade de 4.000 habitantes surgiram 500 vocações de padres, religiosos ou religiosas em cinquenta anos!

Não há ninguém como a mãe para compreender o coração do seu filho. Quanto mais profundo for o amor maternal, mais buscará, em todas as circunstância, ajudar seu filho a conhecer e amar o bom Deus. E se, mais tarde, o divino Mestre chamar aquela alma, ele a encontrará disponível, inteiramente receptível graças à educação recebida. Que tesouros de graça o bom Deus quer comunicar pelo intermédio das famílias católicas!

Shhh… silêncio!

Irmãs da Fraternidade Sacerdotal São Pio X

 

A família Ducroit acaba de terminar o jantar. "Ufa, finalmente!" pensa a mãe, cansada pela conversa incessante dos seis filhos durante o jantar, que não sabem ouvir um ao outro. Como sempre, todo mundo lava a louça enquanto o pai vai ao escritório ler o jornal. Para acalmar os filhos, a Sra. Ducroit põe um CD com alguma música. As crianças ouvem um pouco, mas logo retomam a conversa infantil enquanto a música invade a cozinha. Terminada a louça, todos se reúnem para rezar o terço na sala, onde há uma gaiola com alguns canários bonitos. Os pássaros unem seu palreio às Ave Marias enquanto, não distante, o bebê Vicente chora a plenos pulmões. Para piorar, Marcelo brinca com seu caminhão de brinquedo ... Onde está a calma de que todos tanto precisamos?

 

A necessidade de silêncio

É necessário silêncio e calma para o desenvolvimento saudável. Infelizmente, as pessoas não toleram mais o silêncio. Nas lojas, nas salas de espera, nas estações de trem, em toda parte toca-se música. O barulho nos é imposto. Que o silêncio encontre lugar ao menos em nossas próprias casas!

No início, o silêncio pode exigir um esforço dos pais e dos filhos. No entanto, isso se tornará um hábito e será benéfico para todos. Em certos momentos, é apropriado gritar ou se envolver em brincadeiras alegres; por exemplo, durante um jogo de queimado no jardim. Mas, depois, ao voltar para casa, a mãe deve acalmar seu pequeno rebanho.

 

Por que silêncio?

As crianças estão na escola: a mãe passa a roupa em silêncio. Isso a ajuda a recordar, enquanto trabalha, do sermão do domingo anterior. Às quatro horas, ela entra no carro para ir buscar os filhos na escola. Fica feliz ao ver que eles têm muitas histórias para contar, mas faz com que apenas uma criança fale de cada vez, e que as outras saibam ouvir. Além disso, faz perguntas a Catarina, que é sempre quieta e de temperamento lento e, por isso, fica facilmente esquecida no meio dos seus irmãos tagarelas!

Sim, aprender a ouvir é uma coisa importante: ouvir as pessoas ao redor, ouvir a natureza — como o murmúrio de um riacho, a melodia dos pássaros, o barulho da chuva... Isso pode ser ensinado desde a tenra idade com joguinhos: o pai abre a janela e as crianças fecham os olhos para se concentrar e ouvir. Depois de dois ou três minutos, o pai fecha a janela e, por sua vez, todos podem relatar o que ouviram. Este exercício acalma as crianças, e a calma é muito benéfica!

O bebê está chateado e chora com frequência... Por que razão? Talvez seja porque estão movimentando-o mais do que preciso. Durante uma caminhada, passa de um braço para o outro, erguem-no se chora, levam-no daqui para lá.

Também é em silêncio que a mãe da família extrai energia e força para ensinar tranqüilidade aos seus queridos filhos. Para isso, ela deve saber como se sacrificar às vezes e desligar o telefone...

Para a criança, escutar é sinônimo de docilidade e receptividade: qualidades necessárias para crescer e construir caráter.

 

Seguindo o ritmo da criança

Além disso, o silêncio é contrário a um certo espírito de competição, que consiste no desejo de produzir muitas coisas rapidamente. Uma criança é normalmente lenta e, quando deixada no seu ritmo, é capaz de passar minutos inteiros olhando para uma foto, jogando incansavelmente o mesmo jogo, ouvindo a mesma música, a mesma história… ela precisa de certo tempo para se vestir, comer, pensar. Quando nós adultos exigimos que as crianças trabalhem rapidamente, quando compartilhamos nosso estresse com as crianças, estamos destruindo uma pequena parte do reino do seu silêncio interior!

É por isso que nem sempre é bom impor uma série de atividades nos fins de semana e subtrair das crianças o tempo precioso que passariam calmamente em seus quartos, em seus pequenos universos. Elas devem “baixar a bola", como se diz hoje, envolver-se em atividades que desenvolverão a sua imaginação e lhes farão descobrir, no seu ritmo, a beleza do mundo que as rodeia.

 

Algumas Práticas

Neste mundo agitado, é preciso reaprender a valorizar e amar o silêncio. Junte-se aos momentos de silêncio alguma atividade que seus filhos gostem. Clarinha gosta muito de desenhar. Às 19:00, quando seus irmãos vão dormir, ela, que é a mais velha, ainda tem meia hora acordada. Seus pais pedem que faça silêncio para não incomodar os pequenos. Durante esse período, Clarinha desenha e, até hoje, tem boas lembranças desses momentos.

O contato com a natureza também promoverá o gosto do silêncio: um belo passeio na floresta, nas montanhas, à beira-mar permitirá ouvir o canto dos pássaros, o som de uma cachoeira e rejuvenescerá toda a família.

O sono dos mais novos, durante o dia, pode ser uma ocasião de responsabilidade para os mais velhos: “Quietinhos! Não façam barulho porque sua irmãzinha dormiu e não devemos acordá-la!"

Finalmente, durante a oração em família, que, de acordo com a idade das crianças, será mais ou menos breve, os pais devem insistir desde cedo para que os brinquedos sejam deixados de lado, a fim de que a criança esteja totalmente presente em tudo o que faz. Para ajudar, devemos tentar que nossos filhos pequenos participem o máximo possível. Da mesma forma, durante a Missa, se os mais jovens precisarem de algo "material" para ocupá-los, daremos preferência a objetos religiosos que não fazem barulho (rosários de plástico, cartões sagrados em um álbum, livro de pano ou missal...)

Trabalhemos corajosamente para que esses momentos de silêncio, que pedimos a nossos filhos, não sejam um estorvo, mas um tempo de paz, um tempo desejado pelos seus benefícios. É também assim que a vida interior é capaz de se desenvolver, porque “O silêncio é a ajuda que damos a Deus para que Ele nos encha (com Sua vida), como deseja” (Madre Maria de Jesus, O.C.D.).

Vamos ler?

Irmãs da FSSPX

"Se meus filhos gostassem de ler, receberiam uma formação sólida, não enlouqueceriam em dias de chuva, não seriam alvos fáceis para a propaganda na mídia". Mas, como podemos despertar nas crianças esse hábito tão desejável?

O número de qualidades que uma criança adquire imitando os que estão à sua volta é incalculável. Se os pais lêem regularmente com prazer e nítido interesse, se as conversas familiares giram em torno de livros lidos por membros da família, grande parte do trabalho já terá sido realizado.

Antes de aprender a ler, a criança se familiariza com os livros no colo da mãe. Muitas vezes, se deixada sozinha, uma criancinha "lerá" um livro de gravuras em 30 segundos; ela terá visto tudo e não terá olhado nada. Com a mãe por perto, aprenderá a examinar todos os desenhos: onde está o galo? Qual a cor do gato? Ao fazer isso, a criança desenvolve a capacidade de se concentrar enquanto adquire um vocabulário rico e preciso.

Quando os livros fazem parte do universo da família, por volta dos cinco ou seis anos, a criança pedirá para aprender a ler. Ela quer fazer como os adultos: está cansada de ter se receber ajuda para ler uma história, e quer entender as alusões que ouve nas conversas das crianças mais velhas. Ofereça-lhe um livro sobre o alfabeto e, até o momento de poder ir para a escola, ensine-a a reconhecer os sons do seu idioma. A instrução em casa pode ir mais longe se a mãe tiver algum treinamento ou conselhos de um professor.

O aprendizado da leitura é fundamental. A leitura tem de se tornar fácil o suficiente para que a atenção da criança não esteja mais voltada para o ato de ler do que para o conteúdo do livro. É preciso banir intrepidamente os livros que empregam o método de alfabetização global ou semi-global, responsáveis por uma quantidade catastrófica de analfabetos ou leitores medíocres. Somente o método fonético está em conformidade com os processos analíticos do intelecto, exercidos pelo cérebro.

Assim que a criança começar a aprender a ler, forneça livros adaptados à sua capacidade ainda limitada (vocabulário simples, grandes letras, histórias curtas ou mais longas, divididas em capítulos curtos) e não hesite em ler com ela, revezando-se para ajudá-la e despertar seu interesse. Isso deve ser feito se sua leitura ainda não for fluente até o final da primeira série. Nem todas as crianças progridem no mesmo ritmo. Se a mãe não puder ajudar a criança a recuperar o atraso nas férias de verão, ou se a diferença for muito grande, talvez seja melhor que ela repita a primeira série, com o consentimento do professor, para garantir uma base sólida, em vez de avançar para a próxima série, onde pode vir a ter problemas para acompanhar as aulas e correr o risco de desanimar.

Um livro agradável pode se tornar a base de outras atividades que, por sua vez, podem exigir uma leitura complementar adicional: um romance sobre as Cruzadas pode inspirar a criança a construir no papelão seus próprios apetrechos de cavalaria, mas, para aperfeiçoar o trabalho, terá de pesquisar mais em outros livros. E como eram as fortalezas? E a vida de S. Luís, rei da França?

Para leitores verdadeiramente relutantes, pode-se inventar um grande concurso de jogos que ocupará a família durante as férias e remeterá as crianças para os Contos de Fada, aos irmãos Grimm ou à Terra Média em busca de pistas e respostas.

A leitura precisa de condições favoráveis: um pouco de solidão e silêncio. Os jogos barulhentos dos pequenos e os quartos compactos podem constituir obstáculos reais para algumas crianças, que precisam ser ajudadas. Durante as férias de verão, as horas quentes no início da tarde oferecem um tempo propício para a leitura. Enquanto os pequenos se deitam para tirar uma soneca, os mais velhos voltam-se para os livros e a família desfruta de um momento de silêncio.

É claro que só podem entrar na casa livros bons. Para que um livro seja considerado bom, não é preciso que o herói seja um santo, mas é indispensável que a ação se desenrole num contexto honesto e salutar. Ganha-se muito conversando com as crianças sobre o que estão lendo, perguntando o que gostaram e por quê, e o que elas podem ter encontrado para criticar e por quê.

A leitura de revistas em quadrinhos pode contribuir para o desenvolvimento do gosto da leitura? Sem entrar no debate sobre as vantagens e deficiências dos quadrinhos, sejamos realistas: a experiência mostra que a criança que já gosta de ler e costuma ler livros de verdade poderá relaxar com uma revista em quadrinhos sem prejuízo; mas que o leitor exclusivo desse tipo de revistas raramente se torna um leitor genuíno, já que sua preguiça é satisfeita apenas com a "leitura" dos desenhos.

Onde as famílias podem encontrar boas leituras com um orçamento razoável? As bibliotecas públicas oferecem muitos livros francamente ruins para que seja prudente deixar que as crianças as explorem sozinhas. Os pais poderão encontrar nas livrarias os clássicos da literatura infantil a preços modestos. O empréstimo de livros entre famílias é uma solução, além de oferecer uma oportunidade para se ensinar as crianças a terem cuidado com os livros e respeitarem a propriedade dos demais. 

Os editores católicos tradicionais se esforçam para oferecer livros de alta qualidade para crianças, e os avós e padrinhos encontrarão muitas idéias de presentes por lá.

Então, boa leitura para você!

AdaptiveThemes