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Category: Irmãs da FSSPXConteúdo sindicalizado

Paciência na educação

Irmãs da FSSPX

 

“Paciência e tempo fazem mais do que a força e o ódio”, escreveu La Fontaine. Se há algum domínio onde esse ditado se verifica, é sem dúvida na educação das crianças. Do primeiro choro até o momento dela se tornar adulta, uns vinte e cinco anos se passarão. E assim como o tricô é feito linha a linha, a edução se faz dia a dia.

  

Paciência na instrução

É desnecessário querer tudo imediatamente. Só poderemos pedir da criança aquilo que é realmente capaz de fazer ou de aprender a fazer. Por exemplo, com uma criancinha, o momento presente ocupa toda a sua atenção; ela não sabe, ou talvez não sabe bem, colocar-se no futuro e prever as consequências a longo prazo dos seus atos, e por isso é tão imprudente. 

"João tem seis anos, voltou da escola sem o gorrinho ou sem as luvas e estava nevando. Claro que brincou de jogar bolas de neve durante o recreio com as mãos descobertas e, naturalmente, pegou um resfriado". É inútil repreendê-lo por sua imprevidência, pois essa cadeia de eventos ainda o ultrapassa completamente. É inútil, do mesmo modo, tentar motivar o seu irmão mais velho de doze anos falando na possibilidade de receber um diploma “cum laude” na faculdade. Nessa idade, tudo isso parece longe demais, enquanto que a partida de futebol com os amigos possui uma atração mais imediata.

Contudo, quando uma criança se torna capaz de cumprir uma tarefa, não ajuda em nada tratá-la como um bebe e não cobrar dela aquilo que pode dar. 

"Aos oitos anos de idade, Cecília nunca fez a própria cama, e jamais arrumou a mesa! Isso porque sua mãe não percebe que a menina está crescendo e não lhe ocorre pedir essas coisas a ela. Por sorte, uma breve estadia na casa da tia Joana arranjou as coisas, uma vez que ela pôde comparar-se com as primas. Na mesma oportunidade, sua mãe também percebeu que ela pode ser bem mais exigente com o Antônio, que já fez seis anos, no modo como ele se comporta na Missa. O seu primo, que tem a mesma idade, fica quietinho e já até começa a acompanhar a Missa com o seu livrinho de primeiras orações". 

 

Não espere resultados imediatos

A educação é um trabalho de longo prazo. Não se deve esperar que uma criança corrija suas falhas imediatamente. 

Já falei vinte vezes para você lavar as mãos antes de vir para a mesa!” protesta a mãe. Coragem! O hábito talvez só surja após a vigésima-primeira ou a quadragésima advertência. Devemos demonstrar para com as crianças a mesma paciência que Deus demonstra por nós adultos, que tantas vezes confessamos os mesmos pecados. Contudo, “ser paciente” não significa “desistir”. Continuemos a implorar pelo bem sem nos cansarmos com a lentidão do progresso, sem nos desencorajarmos com as falhas de hoje que preparam as vitórias de amanhã. 

"Por temperamento, o Sr. Dupont realmente não percebe a necessidade de colocar cada coisa no seu lugar. Quando tinha dez anos de idade, sua mãe regularmente encontrava o conteúdo da sua mochila largado no chão da sala, e suas meias sujas sob a cama; seu pai não se cansava de mandá-lo tirar a bicicleta da frente da garagem e pô-la em outro lugar. Graças a Deus — e para sorte do sr. Dupont — os seus pais perseveraram. Hoje, sem nenhuma obsessão, sabe organizar as suas coisas sem perturbar a harmonia da casa."

A educação é um trabalho de longo prazo, de modo que nem tudo está perdido se comete um erro — por exemplo, se cometemos algum exagero. O que é um incidente isolado comparado a vinte anos de afetos, cuidados, bons exemplos e boas influências? 

"Paulo está bem no meio da crise da adolescência; às vezes ele é tão irritante que o seu pai já chegou a perder a paciência e dizer a ele coisas que nunca deveria dizer. Sem dúvida é lamentável, e seu pai pode experimentar a sensação de ter posto tudo a perder. Mas não, nem tudo está perdido. Paulo sabe no fundo que seus pais o amam, e que foi ele que exasperou o seu pai com sua atitude”. O Espírito Santo dá, aos pais que sabem pedir-Lhe, o conselho das coisas que devem ser ditas.

A educação é um trabalho de longo prazo cujo resultado os pais nem sempre conhecem. Temos um indício do resultado no momento em que as crianças se firmam no mundo. No entanto, mesmo com a melhor educação do mundo, a criança permanece livre, sim, livre para escolher o mau e desprezar o bem. Vemos crianças nascidas em boas famílias que se “tornam más”, abandonam a prática religiosa ou vivem de modo imoral. Contudo, os pais não devem se desencorajar: o que foi semeado na infância virá algum dia à tona. Por isso é importante não mimar as crianças, não deixá-las fazer o que quiserem aos três ou quatro anos de idade: os primeiros anos preparam os anos futuros.

Por outro lado, que grande consolação para os pais verem seus filhos formando um lar sólido ou respondendo a uma vocação sacerdotal ou religiosa! Essas crianças que possuem suas vidas “bem-sucedidas” perante Deus formam a coroa de honra desses pais, no tempo e na eternidade.

Harmonia entre os pais

Irmãs da FSSPX

 

Como todas as noites, a mãe de Clara está supervisionando o dever de casa de sua menininha (que tem certa tendência à preguiça – especialmente quando se trata de se concentrar nos trabalhos da escola). Sua mãe, então, toma a decisão de ajudá-la a superar esse defeito, dizendo: “Agora que você entendeu, deve terminar seus exercícios de matemática sozinha, e não irá brincar lá fora até que esteja tudo pronto e bem feito”. Clara suspira, boceja, rascunha alguns números, suspira novamente... A mãe é firme: “Vamos; você consegue. Vou preparar a mamadeira do Pedro e, quando voltar, quero que o primeiro exercício esteja pronto”. Assim que a mãe deixa a sala, Clara se levanta e vai direto ao outro cômodo e, aninhando-se no colo do pai, diz: “Papai, o dever de matemática está muito difícil. Pode me ajudar?”. E ele, olhando os cachos dourados, o sorriso charmoso e o rostinho fofo da filha favorita, responde: “Vá buscar seu caderno e te ajudarei”. Ao retornar, a mãe descobre, descontente, que mais uma vez Clara não fez seus deveres sozinha. (Continue a ler)

Cantores hoje, católicos amanhã

Irmãs da FSSPX

 

 

Tantas mães católicas hoje choram por crianças que se perderam nesse pobre mundo! Quando o filho pródigo voltou para casa, foi porque pensou na incomparável alegria que sentia no local. Há uma maneira muito simples que os pais podem utilizar para desenvolver e fomentar essa alegria: através das canções. A Educação é, acima de tudo, um respiro, e as canções lançam o perfume do bom humor que tanto favorece a saúde física e moral, ajudando a despertar a inteligência, remover os perigos do vício e da corrupção e contribuindo com o crescimento da virtude. É uma inclinação tão natural aos seres humanos que dificilmente se recusam a participar. O que nossas crianças cantarão no futuro, quando seus corações estiverem cheios de entusiasmo, se ninguém se ocupar de sua formação através de boa música? Provavelmente terão prazer em ouvir as canções modernas – esses agentes facilitadores de depravação moral. Sim, a música tem poder sobre o coração dos homens – para o bem ou para o mal. Devemos acrescentar que as canções estimulam nossa capacidade de ouvir, o que pode vir a poupar os jovens de problemas na escola. Além disso, o estudo do ritmo influencia o cérebro, desenvolvendo a lógica e a razão.

Ensinando aos pequeninos a devoção à Maria

 

Irmãs da FSSPX

 

 

“Ah, mamãe! Te amo tanto que nem sei dizer!”. Que mãe não se sentiria tocada com essas palavras ditas por sua filha de quatro anos? São a forma que uma criança usa para expressar sua gratidão. É claro que a grandeza do sacrifício feito pelas mães e seu grande amor permanecem sempre parcialmente invisíveis. Porém uma criança, mesmo em seus primeiros anos, sente o amor que advém do coração de sua mãe. Ela vê – ou melhor, sabe – que a mãe estará sempre por perto. Se ela cai enquanto brinca, corre para a mamãe. Se tem pesadelos, chora chamando por ela. Se está com sede ou fome sabe, sem pestanejar, que a mãe resolverá.  

Sim, até mesmo pelos olhos de uma criança pequena, o coração de uma mãe é algo indispensável e sem limites. E, à sua maneira, ela tenta retribuir esse amor. Flores sem caules cuidadosa e amorosamente colhidas para a mamãe, enquanto pensa: “O papai faz isso por ela, então vou fazer também!”. Quando a mãe está doente ou cansada, o filho leva até ela um copo d’água e dá-lhe um beijinho: “Mamãe faz assim quando estou doente; vou fazer também!”.

Vocês sabem muito bem, queridas mães, que seus filhos têm uma outra mãe, a Mãe do próprio Deus. Seu maior desejo deve ser que eles aprendam a conhecer essa mãe tão maravilhosa que, mesmo não sendo visivelmente presente em seus lares, derrama sua afeição maternal em cada uma das crianças. Durante as separações inevitáveis que ocorrem entre mães e filhos, quão grande é nosso consolo em saber que essa Mãe cuidará de nossos rebentos!

Como praticar essa verdade e ensinar nossos filhos a conhecer e amar nossa Mãe Celeste? Será que são capazes de compreender mesmo sendo tão jovens? (Continue a ler)

Deveres dos pais para com os filhos

Irmãs da Fraternidade São Pio X

Estimada senhora, na carta anterior eu lhe dizia que há aproximadamente dois séculos o homem mudou a ordem desejada por Deus e, com isso, por sua desobediência, propagou erros e maus costumes em toda a sociedade, nas famílias e na educação dos filhos. Tentarei mostrar essa desordem para ajudá-la em sua vocação de educadora de seu filho – vocação que, sem dúvida, se tornou muito difícil em nossos dias. A senhora percebe que em todas as partes só se fala dos direitos da criança, a tal ponto que se poderia pensar que os pais não têm mais nada a dizer. A criança sabe disso e aproveita a situação para satisfazer seus caprichos e não obedecer mais, sob pena de se rebelar na época da adolescência. Mas será que o ensinaram verdadeiramente a obedecer? Desde pequeno? Em verdade, nesse momento da adolescência, alguns pais se encontram desprovidos de meios e não sabem mais o que fazer. (Continue a ler)

A criança católica e o espírito de sacrifício

Irmãs da Fraternidade São Pio X

 

Os caçadores da África costumavam empregar a astúcia para capturar os macacos: penduravam nos ramos umas bolsas pequenas de couro cheias de arroz, cuja abertura costuravam com um cordão, de modo que somente pudesse passar por ali a mão do macaco. Atraído pela comida, o animal colocava a mão na bolsa... e não podia tirá-la mais. Bastaria que deixasse o punhado de arroz... mas o macaco não quer fazer isso de jeito nenhum, e sua teimosia lhe custava a liberdade e a vida.

Queridas mães, já aconteceu comigo, e com certeza também aconteceu com as senhoras, de ver a reação daqueles macacos... nas nossas crianças. O desejo de doces e balas, da boneca recém-lançada ou do último modelo de carro, os atrativos ainda mais fortes à preguiça (não fazer nada ou deixar que a mãe faça tudo) ou da independência (“eu faço o que eu quero”) levam a gritos de raiva, iguais aos do macaco capturado pela mão na bolsa, se alguém desgraçadamente quiser contrariar os seus planos de conquista! (continue a ler)

Grandeza do catecismo

Irmãs da Fraternidade São Pio X

 

Francisco está estudando no quarto ano no colégio mais famoso da cidade. Ao voltar da aula, ele entrega à sua mãe, Andreia, o boletim com as notas do bimestre. “Que bom!”, pensa Andreia: “Francisco tirou notas excelentes em matemática e em português. Com a sua prática em idiomas, com certeza ele vai poder entrar nas melhores universidades do país!”.

E Andreia já imagina seu filho sendo um advogado de prestígio, um engenheiro com êxito ou um cientista eminente... Que mãe não tem grandes ambições para seus filhos?

Ao mesmo tempo, Gustavo - estudando no 5º. ano no Colégio São Pio X – também entrega a Silvina, sua mãe, as suas notas bimestrais. Silvina lê com atenção: Catecismo: 9; Comportamento geral exemplar: bom espírito, responsável e prestativo com os menores. Silvina sonha também com o futuro do seu filho: “O que será de Gustavo no futuro? Um bom pai com uma família numerosa? Talvez padre?” (Clique para continuar)

Como educar as crianças para o serviço

Irmãs da FSSPX

 

Há alguma mãe que não deseje que seu filho seja feliz? Seu segredo consiste em abdicar de si mesma; toda mãe sabe disso. Os mais felizes são sempre os que mais se doam! Desejamos educar nossos filhos para a verdadeira felicidade? Pois tudo começa no Servir.

Nem sempre as crianças cooperam. Algumas costumam deixar a mesa assim que terminam de comer; outras assim que o pai veste a roupa para o trabalho. Outras calculam minuciosamente se seus irmãos e irmãs fizeram tanto quanto elas e a mãe, um pouco perturbada, não sabe se deve chamar sua atenção ou esperar que a ajuda venha espontaneamente. O que fazer? Há, porém, no fundo do coração de cada criança, um certo heroísmo que talvez se encontre adormecido. Como despertá-lo?

Essa é a questão; pois há diversas formas de solicitar a generosidade das crianças e, muito frequentemente, é a forma de fazê-lo que irá determinar a resposta delas. Servir traz contentamento. Por que não apresentá-lo dessa maneira? Saibamos penetrar na difícil concha de esforço e mostrar aos nossos filhos a beleza do ato que lhes é pedido.

Façamos com que servir seja algo atraente. Há maneiras entusiasmadas de se pedir “Lave a louça”, “Varra o chão” ou “Coloque a mesa”. Podemos pedir gentilmente: - “Poderia me fazer um favor – e também agradar a Deus – e limpar a mesa?”. Ou talvez: “Mostre ao papai como você varre bem”, e também “Você poderia cuidar da louça? Outro dia você foi perfeito”! Não devemos hesitar em desenvolver ambições saudáveis em nossas crianças ao evocar o que elas poderão se tornar quando ultrapassarem seus próprios limites. Sim, servir é mais do que um sacrifício ou um esforço. Apresentá-lo sempre sob seus aspectos mais árduos poderia desencorajar algumas delas – por isso é necessário que não solicitemos a sua ajuda apenas quando estivermos com pressa ou irritados. Isso faria com que se sentissem obrigadas e ficariam relutantes. Assim, muitas vezes, o aspecto desagradável do ato será ressaltado por um pedido feito de modo áspero. Ao contrário, apelemos ao seu heroísmo oculto; elas podem perfeitamente ter algumas surpresas reservadas para nós!

Mas, e se a criança se recusar a atender ao pedido? Devemos obrigá-la a obedecer? Será preciso se adaptar ao temperamento da criança, apelando ao seu amor por sua mãe ou ao seu senso de dever, de acordo com o caso. Se ela permanecer rebelde, podemos obrigá-la, mas, às vezes, também é hora de colocá-la em seu lugar: a vergonha é muito mais poderosa do que um discurso raivoso! Quanto àquelas que aceitam de bom grado a tarefa proposta, vamos acompanhá-las carinhosamente no início, explicando-lhes como fazer a tarefa.

Concluído o serviço, nosso sorriso de gratidão será para elas um verdadeiro raio de sol. Para o caçula, ele será acompanhado de um gesto de afeto. Nossos pequenos precisam que enxerguemos a sua boa vontade por detrás das deficiências de seu ato, que enxerguemos os seus esforços. Isso os encoraja a recomeçar, mas especialmente mostra-lhes as qualidades que podem e devem adquirir. Eles não têm experiência e confiança em si mesmos. A mãe encontrará palavras gentis para encorajá-los, cada um à sua maneira. Certamente, a criança não deve fazer o que quiser, mas não podemos ajudá-la a desejar aquilo que deve fazer?

O exemplo da mãe naturalmente terá um grande peso. É por ela que começa essa educação ao espírito de serviço. A imagem de uma mãe dedicada com uma tia que está doente, ou ajudando com a limpeza em um priorado, permanecerá gravada na mente da criança. E quando somos pequenos, estamos tão orgulhosos de ser como mamãe e papai!

Queridas mães, vamos resumir em duas palavras a atitude que despertará a devoção em seus corações: encorajar e, acima de tudo, confiar.

Nunca recusemos o serviço que uma criança oferece, por mais desajeitado e irritante que seja. Quantas meninas hoje não conseguem preparar uma refeição porque suas mães não as deixaram fazer, sob o argumento de que seria mais rápido se elas cozinhassem sozinhas. Quantos adolescentes não estão atrás da moto de um amigo porque seu pai não os deixa usar a broca ou o cortador de grama!

Assim, pouco a pouco, o trabalho que antes era tão obscuro e repulsivo se tornará bonito e atraente. O desejo de agradar os outros transformará a vida familiar! Você promoverá a felicidade verdadeira nas crianças ao permitir que saboreiem a alegria profunda do sacrifício: a alegria de agradar aos outros e a Deus. Pequenos serviços naturalmente prestados, equivalem a atos sobrenaturais mais profundos. Isso é o que os convidará a serem cada vez mais generosos e felizes!

Ó, Nossa Senhora, que, no serviço oculto da casa, escondestes vossa incomparável santidade e vossa alegria no serviço do Senhor, rogai por todas as mães!

  

"Tenho orgulho de você"

“Senta direito! Guarde os sapatos! Faça menos barulho! Quieto! Você é incorrigível! Vem aqui, agora! Não mexa nisso! Presta atenção!” Uma ladainha assim, de censuras repetidas ao longo do dia pode quebrar até mesmo as vontades mais firmes. Sem dúvida, os pais estão obrigados a advertir, admoestar e castigar os filhos. Mas é também importante encorajá-los -- e ainda mais do que censurá-los -- e, para isso, é preciso saber elogiar com discernimento. Qual a maneira mais apta de estimulá-los: “Se não me aparecer aqui com nota boa, você me paga!” ou  “Estuda, meu filho, você vai conseguir. Tenho certeza de que não me decepcionará”?

O otimismo é uma grande qualidade do educador. Ele permite enxergar as aptidões da criança (sempre existem algumas), ter esperança no seu progresso apesar das dificuldades, não se desencorajar diante do tamanho da tarefa. O otimismo, por sua vez, faz com que a criança adquira confiança em si mesma, o que é indispensável para toda empreitada.

Alain é bagunceiro: o seu quarto nunca está arrumado, os sapatos sujos estão misturados com o Playmobil. Devemos gritar, chamar-lhe de imprestável, reclamar que já mandamos cinquenta vezes que ele arrume aquela bagunça? Claro que não! Isso só fará enraizar no seu espírito a idéia de que ele não mudará nunca. É preciso de início fixar um objetivo simples, concreto, acessível. O sucesso nesse ponto particular servirá de encorajamento para lhe fazer progredir para uma tarefa mais árdua: “Para aprender a arrumar o seu quarto, você vai começar dobrando suas roupas toda noite.  Não é difícil, você é capaz e eu vou te mostrar como fazer”. Durante um tempo suficientemente longo (um mês, um trimestre...), nós o ajudamos a cumprir essa tarefa, fechando os olhos para o resto, que virá a seu tempo. “Bravo, vejo que você é capaz de ser um rapaz ordeiro, passou uma semana arrumando as roupas sem que eu tivesse de te mandar fazer. Parabéns! Agora que já sabe fazer isso, você vai começar a pôr os cadernos em ordem depois de terminar a lição. Papai vai colocar uma prateleira para que seja mais fácil.”

Ah, o sorriso de encorajamento da mãe é capaz de produzir maravilhas! “Mamãe acredita em mim, pensa que sou capaz, deve ser verdade, não vou decepcioná-la.” “Muito bem, querido, bravo! Eu sabia que você conseguiria. Continue assim.” Em um clima de encorajamento e ternura, a alma da criança se desenvolve.

Sem mesmo esperar pelo sucesso, é preciso encorajar o esforço, como nosso Pai do Céu que leva em conta a nossa boa vontade apesar das nossas falhas no trabalho da nossa santificação. Alice, de 9 anos, tomou a iniciativa de passar o aspirador de pó; claro, ela se esqueceu de aspirar atrás da porta e sob o aparador. O essencial, no entanto, é que ela tenha pensado em realizar esse serviço e é isso que devemos encorajar. Ao seu tempo, aprenderá a fazer a faxina bem feita. “Obrigada, minha querida, por ter aspirado. Isso me ajudou bastante.”

Crer nas capacidades da criança é particularmente necessário quando ela é de temperamento tímido, receoso, de pouca iniciativa. Essas crianças têm necessidade de desenvolver pouco a pouco confiança nelas mesmas por meio de pequenas vitórias fáceis e repetidas, além de muito encorajamento. Ao contrário, caso sejam repreendidas e corrigidas a todo momento, perderão o estímulo e deixarão o esforço de lado, persuadidas de que são inúteis.

Ocorre o contrário com os temperamentos vaidosos, prontos a se satisfazerem consigo mesmos, ou ainda, com as naturezas mais brilhantes, que facilmente tem sucesso em tudo que fazem. Os encorajamentos, nesse caso, devem ser moderados para não inflarem o seu orgulho. José tem muita facilidade para os estudos e tira notas boas sem grandes esforços: “Papai, veja, tirei 9 em matemática!”. “– Sim, mas não estudou quase nada; se tivesse se dedicado de verdade, teria tirado dez talvez...” No que diz respeito à essas crianças, é a intenção sobrenatural, a aquisição da virtude e, especialmente, a humildade, que precisamos encorajar. “José, vai estudar! – Mas, pra que? Eu já sei tudo – Então, se não precisa estudar, pode corrigir o dever do seu irmãozinho? O bom Deus te deu facilidade com o estudo para que possa ajudar os outros, não para que fique de braços cruzados.”

O método de dar indistintamente, a todas as crianças da família, uma soma em dinheiro a cada nota alta, aparenta equidade, mas nem sempre é justo. Não leva em conta as diferenças de critérios dos professores bem como, e sobretudo, as diferenças entre as crianças: José é brilhante, vai encher o bolso de dinheiro sem esforço algum, enquanto que o seu irmãozinho, menos dotado, apesar de estudar bastante, se verá privado da recompensa e ainda arrisca-se tornar-se invejoso.

Pode-se, de resto, para encorajar os filhos, dar-lhes uma soma em dinheiro quando têm sucesso? Recompensar desse modo um esforço mais árduo pode ser um modo de lhes fazer compreender que o dinheiro se ganha com o suor do rosto. No entanto, não se deve agir assim habitualmente, pois isso arrisca desenvolver uma tendência à avareza e à venalidade. A criança deve se esforçar, antes de mais nada, para agradar Jesus, para agradar os seus pais. A verdadeira recompensa, a que mais conta, é o sorriso dos pais.

Saibamos nos alegrar com o progresso dos nossos filhos e sejamos justos com os seus esforços, assim como nosso Pai celestial que leva em conta até mesmo um copo d´água dado em seu nome.

Sejam sempre felizes, filhos de Deus

 

Irmãs da Fraternidade Sacerdotal São Pio X

 

Como preâmbulo, permitam-me narrar um pequeno fato ocorrido em um de nossos colégios primários. Certo dia, vieram-me avisar que um policial gostaria de falar comigo no parlatório. Com uma ponta de apreensão no coração, dirigi-me ao local indicado e logo me encontrei diante de um jovem que me cumprimentava respeitosamente, e me falava do seu desejo de matricular o filho no nosso colégio. Respirei mais livremente quando me apresentou os motivos que o levaram a essa decisão. Em seguida, declarou à queima-roupa: “Irmã, faço parte da S. D. A”.

Sem compreender do que se tratava, perguntava-me se seria alguma polícia secreta…

Mas o rosto sorridente do policial contrastava com meus pensamentos íntimos. “Eh… O que significa S. D. A.?” perguntei-lhe, vagamente inquieta. O homem respondeu com um enorme sorriso, um pouco surpreso com minha ignorância. “Ora, é a Sociedade da Alegria, de Dom Bosco!”

Que descoberta! Apesar do nosso mundo moderno, e da crise da Igreja, aquele rapaz soubera guardar sua alma na Fé da sua infância e na virtude, graças à Società dell’allegria, fundada por São João Bosco.

 

“Servi o Senhor com alegria” (Salmo) 1

A educação da criança católica não deve ser feita com moleza — isso nós já sabemos, pois, detrás do seu rostinho de anjo, há terríveis defeitos a serem combatidos.

Mas, para não nos arriscarmos a quebrar o caráter da criança, essa educação deve ser alegre.

Notemos desde já que não se trata aqui da alegria segundo o mundo, que muitas vezes traduzimos com a palavra diversão. A alegria católica é, antes de tudo, interior, fruto e manifestação do nosso amor por Deus. A atmosfera do bom Deus, da sua graça, é a alegria. O pecado só gera a tristeza.

A criança precisa aprender na sua casa que a virtude encerra alegrias profundas, que a religião não é amiga da tristeza e que, muito ao contrário, ela abençoa e encoraja toda alegria pura.

 

“A alegria seja sempre contigo”(Livro de Tobias)2

A criança só se desenvolverá realmente em um clima de alegria.

Preservar a alegria no lar é, para os pais, um dever e uma necessidade. Um dever, pois eles devem se lembrar que as mais puras alegrias da vida, o homem as desfruta ao longo da sua infância. Necessidade também, pois a alegria favorece a saúde física e moral, facilita o despertar da inteligência, afasta o vício, desenvolve a confiança, contribui, finalmente, para a eclosão da virtude. Cercada de uma alegre serenidade, a vontade aceita mais facilmente e executa com mais prontidão as ordens e os conselhos que recebe.

Criar ao redor de si uma atmosfera de alegria católica, difundir os seus raios benfazejos por onde passa é uma das melhores caridades que podemos fazer.

A maioria dos pais, cumulados de preocupações, não percebem as riquezas que desperdiçam — tanto para si mesmos como para os seus filhos — ao deixar de sorrir para eles. A criança, se não recebe sorrisos, não sabe sorrir. É claro que há na vida muitas dificuldades, muitos incômodos, mas nada mais funesto para o equilíbrio harmonioso de uma criança do que ralhar com elas desmesuradamente, sem considerar a sua idade. 

 

“Vivei realmente na alegria” (São Teófano Venard)

Para superar pacificamente as provações que a esperam, a criança deve saber reagir com bom humor e possuir uma boa dose de otimismo que lhe permita sempre considerar os homens e as coisas de modo bom. Para tanto, nada vale mais do que a atitude alegre e sorridente dos pais.

É desde os primeiros anos que lhe devemos habituar a agir com amabilidade, pois é essa uma virtude a ser conquistada, dia após dia.

Em um dia de férias, mamãe planejou uma bela caminhada na floresta com direito a piquenique. Todas as crianças ficaram felizes. Mas, uma chuva fria e persistente vêm entristecer o rosto dos pequenos. Mamãe reune os filhos: “O bom Deus quis assim e Ele nos ama. Que vamos fazer? Podemos caminhar assim mesmo, mostrando que somos valentes e não temos medo da chuva? Se não conseguirmos, vamos organizar uma tarde de jogos em casa!”

 

“Alegrai-vos incessantemente no Senhor" (São Paulo)3

É na vida concreta de todo dia, tirando partido de todas as ocasiões, que educaremos a criança para a alegria. Seus pequenos dissabores, seus fracassos, suas lágrimas, nós os receberemos com bondade, mas teremos o cuidado de não dramatizar e de animar a criança com algum comentário que lhe faça sorrir.

Se a criança manhosa se fecha num mutismo mal-humorado, como tirá-la disso? Quando o momento “passional" tiver passado, com tato e afeição, pediremos a ela que sorria. “Era assim que me corrigiam das minhas teimosias”, escreveu Santa Emília de Rodat.

Manifestar alegria é um meio de suscitá-la. Durante as refeições, os pais devem deixar de lado as suas preocupações e animar alegremente as conversas. Nas suas caminhadas, partilhem com as crianças a sua admiração pelas belezas da criação. Ao caminhar ao redor de um lago ou de uma montanha, pais surpresos ouviram da sua filhinha de dois anos: “Como é bonito!”. Muitas vezes, ela ouvira os seus pais expressando admiração pelas belezas da natureza e esses sentimentos se comunicaram a sua alma de criança.

 

“Sta Allegro” (São João Bosco)

O único meio de educar a criança na alegria católica é, antes de mais nada, possui-la. Se nossa alma está pesada e melancólica, repitamos com o salmista: “Por que te deprimes, minha alma? Por que te conturbas dentro de mim? Espera em Deus…”4

Pais católicos, pedi sem cessar a graça da alegria — pois exista uma — àquela que a Igreja chama, na Ladainha, de “Causa da nossa alegria”. E que o doce sorriso de Nossa Senhora da Alegria ilumine as suas casas e cada um dos seus membros.

  1. 1. Sl 99, 2.
  2. 2. Tb 5, 11.
  3. 3. Fl 4, 4.
  4. 4. Sl 42, 5.
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