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Category: Dom Alfonso de GalarretaConteúdo sindicalizado

O combate católico

Agosto 10, 2018 escrito por admin

Dom Alfonso de Galarreta

Hoje mais do que nunca trata-se de um combate, um combate sem trégua, sem piedade, mas é também ao mesmo tempo o único combate que vale a pena, que nos dá o entusiasmo e a paz.

Penso que foi Santo Agostinho quem definiu, melhor que ninguém, quais são as regras desse combate, da história da Igreja, da história da humanidade. 

E a primeira regra que ele dá é que há dois amores opostos: o amor de si mesmo até ao desprezo de Deus, o amor de Deus até ao desprezo de si mesmo. Nós somos o que amamos. 

E este combate é o combate de todo o homem necessariamente, quer se queira ou não, é a oposição entre o homem carnal e terrestre e o homem espiritual. É o combate que todos nós experimentamos. 

É o homem egoísta ou o homem caritativo. 

É o amor próprio, o amor de si ou, pelo contrário, verdadeiramente, o amor de Deus, o amor do próximo. 

É o individualismo ou é o cuidado pelo bem comum, quer seja no seio da Igreja, da família, da sociedade. 

É esta luta que se desenrola ao longo de toda a história e isso mostra-nos, pois, em primeiro lugar, a importância da caridade.

A caridade é o motor da nossa vida cristã, é verdadeiramente o desafio dessa vida. 

A nossa vida é finalmente uma questão de caridade: o que se ama, e de que maneira se ama. 

Pois o cristão deve antes de tudo exercitar-se na verdadeira caridade e, por aí, é preciso chegar ao desprezo de si. 

Chamou-se a Santo Agostinho o doutor da graça, porque pôs em destaque a importância da graça. 

É verdade finalmente que todo o desafio é o sobrenatural, a graça, e o sacerdote não faz senão dar, espalhar a graça de Deus, é essencialmente a sua função. 

É isso que foi deixado de lado hoje pela igreja conciliar. 

O sacerdote está ali para levar, dar, espalhar o sobrenatural. 

E na medida em que o sobrenatural, portanto, a graça de Deus, fica bem estabelecido nas nossas almas, na medida em que a graça cresce, se desenvolve, pois bem, nessa medida é-se invencível! 

Por quê? Porque pela graça tem-se Deus em si. Pela graça Deus está em nós! Ora, Deus não pode ser vencido. 

Portanto fareis triunfar profundamente esta graça de Deus nas vossas almas e ter sempre um olhar sobrenatural; se não sossobra-se no desencorajamento, sossobra-se no ativismo naturalista, que é muito perigoso.

O terceiro princípio que coloca Santo Agostinho para explicar as leis que regem necessariamente a história da Igreja e a história da humanidade é o primado de Cristo. 

Não há outra fonte da graça senão Nosso Senhor Jesus Cristo. 

Ele é o centro e o fim da história. 

É por isso que Santo Agostinho chama a toda a história antes da vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo a "história profética ".

Era para preparar e anunciar a vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo, a Sua encarnação, a Sua redenção. 

E depois de Nosso Senhor Jesus Cristo o fim é o Seu triunfo e o Seu triunfo vai-se realizar quando da Sua segunda vinda, a Parusia. 

É então que terá lugar o triunfo de Nosso Senhor Jesus Cristo e, enquanto se espera, edifica-se, constrói-se a Jerusalém celeste, a Igreja definitiva, a Igreja para sempre. 

Fora de Nosso Senhor Jesus Cristo não há salvação, fora de Nosso Senhor Jesus Cristo não há paz; portanto não há felicidade, não há vida feliz fora de Nosso Senhor Jesus Cristo. 

E o sacerdote deve deixar-se apaixonar por este ideal! 

É preciso dar Cristo às almas, é preciso trabalhar no reinado de Nosso Senhor Jesus Cristo por toda a parte. 

O quarto princípio para Santo Agostinho e para nós é o de que não há fatalismo na vida, na história, não há determinismo, tão pouco há acaso. Tudo é Providência divina, tudo, absolutamente tudo! 

É preciso convencermo-nos disto! 

Das maiores às mais pequenas coisas, tudo é querido por Deus. 

Não há nada que Lhe escape, nem na ordem natural nem menos ainda na ordem moral sobrenatural. 

Finalmente, a história não é outra coisa senão o desenrolar dos desígnios eternos de Deus. 

Bem entendido, inclui-se a nossa liberdade, Deus criou-nos livres. 

Uma coisa impede a outra, mas os desígnios de Deus cumprem-se ao longo da história infalivelmente, necessariamente, se não Ele não seria Deus! 

E isso deve dar-nos uma grande confiança, porque todos os males, de ordem natural e mesmo de ordem moral, estão previstos e permitidos por Deus. 

Não somente contribuem para o bem do universo, mas têm um fim; são ordenados ao bem e ao cumprimento da Sua vontade, que é finalmente a salvação das almas e o triunfo de Nosso Senhor Jesus Cristo. 

"Tudo foi criado para o homem para Cristo, Cristo para Deus". 

E hoje poderíamos juntar ainda uma outra lei que rege a história, porque isso nos foi progressivamente desvelado no decurso dos tempos, no decurso dos séculos, e sobretudo no nosso tempo: é o papel e o lugar da Santíssima Virgem Maria no triunfo de Nosso Senhor Jesus Cristo e na salvação das almas, um lugar, um papel de eleição: tudo estava confiado ao Coração de nossa Mãe. 

O bom Deus teria podido fazer doutro modo, mas por que quis fazê-lo assim? Para nos amparar nas nossas fraquezas, nas nossas misérias, nos nossos medos!

Que há de mais terno e de mais atraente do que uma mãe, compassiva, misericordiosa? 

E é evidente que estas perfeições, que estão na Santa Virgem Maria, são perfeições divinas, participadas por uma criatura.

Se a Santa Virgem é como é, foi simplesmente porque o Bom Deus quis manifestar nela duma maneira mais brilhante e mais adequada a nós algumas das Suas perfeições. 

Era uma vantagem em relação a nós, porque eu diria: Nosso Senhor, mesmo tão bom, tão doce, tão misericordioso no Seu Sagrado Coração, é sempre Deus e isso faz-nos sempre um pouco de medo. 

Ele quis dar-nos a Santíssima Virgem Maria e confiar à sua Mãe a consumação dos desígnios que Deus tem na história da Igreja, na história da humanidade. 

E quando nós olhamos para a obra de Monsenhor Lefebvre, é precisamente isso: compreendeu as intenções da Providência. 

Tinha uma poderosa caridade; penso que todos nós o podemos testemunhar. 

Era muito sobrenatural, pregava a tempo e a contratempo os temas da graça; estava verdadeiramente votado ao triunfo de Nosso Senhor Jesus Cristo pela Cruz, pelo Santo Sacrifício, pelo Seu Reinado, pois que Ele é rei; seguia sempre a Providência e não se tomava pela Providência. 

Tinha uma verdadeira piedade por Nossa Senhora, sem deslocar o Seu lugar e o Seu papel para o centro do dogma católico e do combate, é de resto o que Ela deseja, mas dando-Lhe plenamente o lugar que deve ter neles. 

Ele apresenta-nos assim um exemplo extraordinário: como simplesmente, humildemente pode uma pessoa pôr-se verdadeiramente ao serviço de Deus, ser dócil, nas mãos de Deus para defender o que é preciso defender. 

É preciso ter esta vontade de se converter profundamente e de se pôr ao serviço de Deus como Deus o quer. 

Neste domínio e hoje mais do que nunca, não convém ficar dentro do labirinto das misérias e das mesquinharias humanas. 

É preciso estar por cima, ter um olhar sobrenatural. 

Não convém tomar o lugar de Deus, não convém querer resolver por nós próprios os problemas que o Bom Deus permite e que tem permitido, porquanto Ele tem outros fins. 

Quais são os Seus fins? Nós não sabemos nada disso. 

Permitindo os males presentes hoje na Igreja, por um lado isso pode servir de mérito e de acréscimo da virtude daqueles que são fiéis, para se exercerem em certas virtudes, como a humildade, a paciência, para obter méritos para a eternidade, a menos que Deus não nos prepare para outras provas e que seria em definitiva simplesmente um pouco de treino de nossa parte - nós não o sabemos! 

Quanto aos maus, por outro lado, o Bom Deus sabe também o que faz para a emenda deles, como um castigo, como uma punição. 

Em todo o caso, é sempre Ele quem governa isso, quem o permite, e não somos nós multiplicando-nos por uma atividade natural e vistas humanas que vamos resolver seja o que for. 

E quando Ele quiser, sem mais esforços que isso, então tudo entrará na normalidade, dentro da Igreja e no mundo. 

Mas para nós este combate pessoal continua, para fazer triunfar a caridade, a graça de Deus, o Reino de Nosso Senhor Jesus Cristo e isso deve em seguida traduzir-se num espírito, num ardor apostólico em fazê-lo. 

E uma vez que se fez o seu dever, que se fez tudo o que se pode, pois bem, demos graças a Deus. 

Agradeçamos ao bom Deus termos o que temos e façamo-lo frutificar. 

Então peçamos neste dia à Santíssima Virgem Maria que nos dê aquela visão tão sobrenatural e tão alta que Santo Agostinho teve e que teve também o nosso querido e venerado fundador Monsenhor Lefebvre. 

 

 

Conferência de Dom Galarreta - 13 de outubro de 2012

 

Diante das interpretações absurdas publicadas na internet, em sites e blogs do Brasil, pareceu-me necessário trazer para os nossos leitores o texto traduzido dessa importante conferência. Uma das causas dessas equivocadas interpretações é o fato de se ter apenas lido a transcrição em espanhol, sem terem escutado o áudio em francês. Cheguei a pensar em produzir legendas para acompanhar o áudio, mas não nos foi possível. Assim, apresento aqui o texto em português, traduzido diretamente do áudio em francês, acrescido dos meus comentários, entre colchetes e em itálico. Recomendamos ao leitor que mesmo não conhecendo o francês, que leia a conferência ouvindo o áudio: http://www.laportelatine.org/mediatheque/audiotheque/audiotheque2012.php, pois as pausas, entoações, insistências, mostram o valor de cada frase, de cada parágrafo, na tranquila e elevada exposição do autor. E que esse esforço da Permanência sirva para eliminar definitivamente a injuriosa acusação feita contra Dom Galarreta, de que teria traído, mudado de posição, e se inclinado a fazer um acordo prático com Roma.

Dom Lourenço Fleichman OSB

Leia a transcrição da conferência com comentários

Sermão de D. Alfonso de Galarreta sobre as negociações com Roma, em 3 de junho de 2001

Econe, 3 de junho de 2001
 
Eu queria vos dar meu ponto de vista no que concerne os contatos que temos com Roma. Roma deu uma resposta oficial por escrito onde as duas condições que tínhamos posto foram recusadas. Desde o começo queríamos uma discussão sobre os problemas da fé, sobre a apostasia atual, sobre a doutrina, a teologia... As autoridades romanas quiseram imprimir uma orientação prática aos contatos, puramente prática. Isto não nos interessava mais tanto, porque sabíamos qual seria o resultado. Nesta carta então, o Vaticano põe, de um modo implícito, as condições de sempre, a saber, aceitar o Concílio, aceitar a Missa nova, a nova liturgia. Abreviando: aceitar todas as reformas e desenvolvimentos provenientes do Concílio. Como vocês vêem, volta-se as condições de sempre. O que é evidentemente impossível de aceitar. Eles nos dão e nos tiram: é um passo de caranguejo. Ele propõe nos reconhecer tais como somos, mas proíbe de nos opormos às reformas. Para nós é precisamente uma condição sine qua non. Nós lhes dissemos: já que os senhores querem colocar-se num ponto de vista puramente prático deixando de lado a doutrina, reconheça-nos tais como somos e dêem-nos a liberdade de falar contra todas essas coisas. Eles, por outro lado, põe a mesma condição mas no sentido contrário! Então o problema de fundo ressurgiu! Naturalmente, já esperávamos.

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