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Revista Permanência 273

  Tempo da Quaresma- 273
 
 

Um brasileiro que usa boina

Vivemos num mundo que rasga tratados, que ignora juramentos, que despreza compromissos. Em nome de uma “civilização futura” cujos contornos não se pode prever procura-se desmoralizar a civilização passada, como se no passado não se contivesse o germe do futuro.

Civilizar é obra de gerações. Destruir tudo para começar tudo de novo é correr o risco de uma queda no primitivismo, na barbárie.

Esses conceitos óbvios ora sofrem contestação inconseqüente num século em que a “promotion”, o jogo de aparências como que pretendem esmagar as essências.

Reina a moda em todos os setores não apenas no da indumentária. As idéias converteram-se em tributárias da “onda”. Variam como as coleções dos costureiros parisienses. A busca sôfrega do que se apelida de novo é uma fábrica de doidos estereotipados.

Fácil é avaliar como tal clima favorece a ascensão dos moedeiros falsos. As artes, as letras e mesmo as ciências foram invadidas por esses travestis que se fazem passar por algo que jamais poderão encarnar com naturalidade.

Se em qualquer época homens fiéis são a base de tudo, hoje, com a raridade, esses espécimes tornam-se ainda mais preciosos diante da legião dos inimigos dos valores eternos, que se infiltram, por todas as brechas.

“O juramento é aquilo que nos diferencia, já não digo dos selvagens, mas das bestas e dos répteis”. A frase é de Chesterton, que Gustavo Corção assim comenta: “Aí está a idéia a que me refiro. Diz respeito à promessa, ao juramento, ao voto, ao pacto, à aliança, à palavra dada. Trata-se, em suma, da fidelidade, desse elemento dual e primeiro, que é a própria base do direito, e sem o qual o homem, com todas as suas maravilhosas e orgulhosas conquistas seus navios aéreos, seu radar e sua bomba atômica se tornará um bárbaro”.

A batalha da fidelidade confunde-se com a luta contra a barbárie, combate esse prioritário para a civilização. Mas a infidelidade como que vai arrombando todas as portas até mesmo, paradoxalmente, as da fé.

Por isso, a presença na liça de homens como Gustavo Corção é duplamente preciosa: pelo valor real que o sábio católico armazena consigo e que ninguém isentamente lhe poderá negar, e pela necessidade premente de cruzadas como a sua.

Num período em que membros da Igreja Católica não conseguem estabelecer uma distinção clara entre a indispensável atualização e a execrável traição, a palavra de Corção cresce em importância.

“Vivemos hoje num mundo que tenta afirmar a soberania do homem, e até a sua divinização já que sem deuses não sabemos viver. E é tão insolente essa idolatria que já se pode falar em perseguição do cristianismo. A Igreja está intimada a adorar o mundo”. (Corção, “Dois Amores, Duas Cidades”).

Num mundo em que os profetas do marxismo procuram implantar a destruição de todos os valores em nome de um sistema totalitário escravizador, o apostolado de Corção converte-se numa fortaleza da desmistificação.

Gustavo Corção, o brasileiro que no inverno usa boina, é um homem-farol. Sua lâmpada mostra os caminhos com espantosa clareza.

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