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Alfredo Lage (3)

Artigo 4 - Se a inconsideração é um pecado especial compreendido na imprudência.

O quarto discute-se assim. – Parece que a inconsideração não é um pecado especial compreendido na imprudência.

1. – Pois, a lei divina não nos induz a nenhum pecado, conforme à Escritura. A lei do Senhor imaculada. Mas induz a não considerar: Não cuideis como ou o que haveis de falar. Logo, a inconsideração não é pecado.

2. Demais. – Quem delibera há de considerar muitas coisas. Ora, a precipitação vem da falta de conselho e, por consequência, da falta de consideração. Logo, a precipitação está compreendida na inconsideração e, portanto, esta não é um pecado especial.

3. Demais. – A prudência consiste em atos da razão prática, que são: deliberar, julgar do que foi deliberado e mandar. Ora, considerar precede todos esses atos porque pertence também ao intelecto especulativo. Logo, a inconsideração não é um pecado especial compreendido na imprudência.

Mas, em contrário, a Escritura. Os teus olhos olhem direitos e as tuas pálpebras precedam os teus passos, o que pertence à prudência. Logo, a inconsideração é um pecado especial, compreendido na prudência.

SOLUÇÃO. – A inconsideração implica um ato do intelecto que contempla a verdade do objeto. Pois, assim como a indagação é própria da razão, assim, o juízo, do intelecto. Por isso, na ordem especulativa, a ciência demonstrativa se chama judicativa, por julgar da verdade do que indaga, resolvendo-o nos primeiros princípios inteligíveis. Por onde, a inconsideração pertence sobretudo, ao juízo. Donde, a falta de retidão, neste, conduz ao vício da inconsideração, consistente em desprezarmos, ou descuidarmos de atender, ao julgar retamente, aquilo de que o reto juízo procede. Por onde, é manifesto que a inconsideração é um pecado.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO. – ­ O Senhor não proíbe considerarmos o que devemos fazer ou dizer, quando tivermos oportunidade. Mas, pelas palavras aduzidas, dá confiança aos discípulos, para que, perdendo a oportunidade, por imperícia ou por terem sido apanhados desprevenidos, confiem- no só conselho divino; pois, como não sabemos o que devemos fazer, por isso não nos fica outro recurso mais que voltar para ti os nossos olhos, como diz a Escritura: Do contrário, quem deixasse de fazer o que pode, só esperando o auxílio divino, tentaria a Deus.

RESPOSTA À SEGUNDA. – Toda a consideração do que é levado em conta na deliberação, ordena­se a julgarmos retamente; por isso, a consideração se aperfeiçoa no juízo. Por onde, também a inconsideração se opõe sobretudo à retidão do juízo.

RESPOSTA À TERCEIRA. – A inconsideração é tomada, no caso presente, numa matéria determinada, isto é, na ordem dos atos humanos; relativamente aos quais mais elementos devemos atender para julgarmos retamente, do que na ordem especulativa, porque as ações têm por objeto o particular.

Art. 6 — Se a Paixão de Cristo obrou a nossa salvação a modo de eficiência.

 O sexto discute-se assim. — Parece que a Paixão de Cristo não obrou a nossa salvação a modo de eficiência.

1. — Pois, a causa eficiente da nossa salvação é a grandeza da virtude divina, segundo aquilo da Escritura: Eis ai está que a mão do Senhor não é abreviada para não poder salvar. Ora, Cristo foi crucificado por enfermidade. Logo, a Paixão de Cristo não obrou eficientemente a nossa salvação.
 
2. Demais. — Nenhum agente material age eficientemente senão por contato; assim, o próprio Cristo curou o leproso tocando-o, para mostrar que a sua carne tinha uma virtude curativa, como diz Crisóstomo (Teofilacto). Ora, a Paixão de Cristo não podia estar em contato com todos os homens. Logo, não podia obrar eficientemente a salvação de todos.
 
3. Demais. — Não pode um mesmo agente obrar o modo de mérito e de eficiência; porque quem merece espera receber o efeito, de outrem. Ora, a Paixão de Cristo obrou a nossa salvação a modo de mérito. Logo, não a modo de eficiência.
 
Mas, em contrário, o Apóstolo diz que a palavra da cruz é a virtude de Deus para os que se salvam. Ora, a virtude de Deus obra eficientemente a nossa salvação. Logo, a Paixão de Cristo na cruz obrou eficientemente a nossa salvação.
 
SOLUÇÃO. — Há uma dupla espécie de eficiência: a principal e a instrumental. Ora, o eficiente principal da salvação humana é Deus. Sendo, porém a humanidade de Cristo o instrumento da divindade, como se disse, por isso e consequentemente, todas as ações e paixões de Cristo obram instrumentalmente, em virtude de divindade, para a salvação humana. E, a esta luz, a Paixão de Cristo causa eficientemente a salvação humana.
 
DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO. — A paixão de Cristo, referida àcarne de Cristo, convinha àenfermidade que assumiu. Referida, porém àdivindade, resulta dela uma virtude infinita, segundo aquilo do Apóstolo: O que parece em Deus uma fraqueza é mais forte que os homens. Isto é, porque a enfermidade mesma de Cristo, enquanto de Deus, tem uma virtude excedente a toda virtude humana.
 
RESPOSTA À SEGUNDA. — A Paixão de Cristo, embora fosse a do seu corpo, contudo tem uma virtude espiritual procedente da divindade que lhe estava unida. E desse contato espiritual lhe advém a eficácia; isto é, pela fé e pelos sacramentos da fé, segundo aquilo do Apóstolo: Ao qual propôs Deus para ser vítima de propiciação pela fé no seu sangue.
 
RESPOSTA À TERCEIRA. — A Paixão de Cristo referida àsua divindade, age a modo de eficiência. Referida, porém àvontade da alma de Cristo, age a modo de mérito, Referida ainda àcarne mesma de Cristo age a modo de satisfação, enquanto que por ela somos liberados do reato da pena; mas a modo de redenção, enquanto por ela somos liberados da servidão da culpa; e enfim a modo de sacrifício, enquanto fomos por ela reconciliados com Deus, como a seguir se dirá. 

A família sitiada

 

Relendo textos antigos sobre a Família
À medida que se aprofunda e, de social se torna cultural, a Revolução desloca seus ataques das instituições em escala nacional e da organização do Estado para a condição humana e a família. Mudar o próprio homem é o seu lema e o seu propósito. Pois, como observou Marcel Clément, se “a revolução política (a Rev. francesa) subverte essencialmente a ordem jurídica e se a revolução social (o socialismo) desagrega a ordem econômica, a revolução cultural “liquida” a ordem interior, espiritual, a fim de remodelar diretamente a alma humana sem qualquer escapatória” (Le Comunisme face a Dieu).

 

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