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Pe. Emmanuel-André (17)

5. A Oração mental

A Oração Mental
 
1. Da oração mental
 
Depois de tratarmos da oração vocal, o que vai nos ensinar sobre a oração mental?
A oração mental é a que se faz no interior da alma, sem se pronunciar as formulas das orações.
 
Qual é a excelência da oração mental?
Ela é o fundamento de toda oração, consistindo principalmente no desejo da alma, sem o qual não há nenhuma oração.
 
Como se chama essa oração interior que é toda da alma?
É chamada algumas vezes de meditação, e outras vezes simplesmente oração.
 
O que quer dizer a palavra meditação?
A palavra meditação significa o trabalho do espírito que considera, aprofunda avalia, por assim dizer, um assunto, em todos os sentidos, para achar os motivos para fugir do mal, procurar o bem e chegar a Deus.
 
O que quer dizer a palavra oração?
É a palavra que designa todo tipo de prece e que nos faz compreender que ela seja vocal ou mental, é uma obra da alma que aplica sua inteligência para conhecer o bem e a sua vontade para procurá-lo.
 
2. A oração mental segundo são Francisco de Sales
 
O que ensina são Francisco de Sales sobre a oração mental?
Ele diz: “A oração pondo nosso entendimento na claridade e na luz divina, expondo nossa vontade ao calor do amor celeste, nada há que purgue tanto o nosso entendimento de suas ignorâncias, e a nossa vontade de suas afeições depravadas.”
 
O que é que o Santo chama de nosso entendimento?
O entendimento é a mesma coisa que a inteligência ou a faculdade que nossa alma possui de conhecer a verdade, de entender a verdade, de ler na verdade.
 
E nossa vontade?
É a faculdade que a alma possui pela qual procura a verdade para  amá-la e dela fazer a regra de sua conduta.
 
E isso não é, então, toda a alma?
Certamente, pois nossa alma não é outra coisa que a inteligência ou entendimento, e a vontade ou amor.
 
Assim, a oração mental toma toda a alma?
Sim, toda a alma, se bem que às vezes a oração se faça mais na inteligência que medita, outras vezes mais na vontade que goza, saboreia, abraça a verdade que medita.
 
3. Do trabalho do entendimento na oração mental
 
Explique essa palavra de são Francisco: A oração pondo nosso entendimento na claridade e na luz divina...
Isso significa que para rezar mentalmente é necessário que nosso espírito se alimente com alguma verdade da fé, como uma lâmpada se alimenta do óleo para clarear.
 
Como se chama essa verdade?
É chamada de assunto ou tema da oração.
 
Quais são as operações do espírito em torno desse tema?
O espírito o considera, examina,  mede, como já dissemos, a fim de o compreender tanto quanto possível em toda sua extensão, para dele recolher os frutos.
 
Quais são esses frutos?
Quando a luz aumenta na inteligência, a alma se compraz na claridade e luz divina, e daí é levada mais facilmente a fugir do mal e a procurar o bem.
 
Por exemplo?
Se eu medito na bondade, na doçura  e na suavidade de Deus vai ser mais fácil amá-lo e chegar até ele.
 
4. Do trabalho da vontade na oração mental
 
O que diz são Francisco sobre isso?
Ele diz que a oração expõe nossa vontade ao calor do amor celeste.
 
Ele faz alguma comparação?
Certamente e muito bonita.
 
Qual é?
Imagine um homem que, hirto de frio, se encontra diante de um bom fogo, e que saboreia o bem de sentir que o frio se vai e que o calor penetra em seus membros, reanimando a vida.
 
O que representa esse homem?
Nossa pobre vontade entorpecida pelo pecado e muitas vezes gelada para o bem.
 
E esse grande fogo?
É a própria bondade de Deus, que por mil benefícios, vem a nós e nos penetra para nos sarar, nos torna bons e enfim felizes.
 
5. Das vantagens da oração mental
 
Relate a palavra de são Francisco sobre essas vantagens?
“Nada há, diz ele, que purgue tanto nosso entendimento de suas ignorâncias, e nossa vontade de suas afeiçoes depravadas”.
 
De onde vêm essas nossas ignorâncias e essas afeições depravadas?
Do pecado original
 
Mas não foi remido pelo batismo?
Foi remido, certamente, mas ficaram as seqüelas; como  ficam num doente depois de uma enfermidade.
 
Então, a oração mental nos ajuda muito a nos levantar?
Ela nos ajuda tão bem que nisso nada a supera, segundo são Francisco de Sales.
 
Então será preciso nos ensinar longamente a oração mental.
Esse será o assunto de nossas próximas lições.
 
6. De que se compõe a oração mental
 
A oração mental é composta de muitos atos?
Assim como a oração vocal se compõe de muitas palavras sucessivas, assim como o Pai Nosso é formado de sete pedidos, a oração mental se compõe de vários atos da alma, que se seguem e se encadeiam para formar um todo cheio de harmonia.
 
Quais são esses atos?
Há os atos preliminares ou a preparação, os atos essenciais que fazem como um corpo ou melhor o coração da oração, enfim há os atos de conclusão nos quais se recolhe os frutos da oração.
 
Assim se distingue três partes na oração mental?
Sim, as chamamos preparação, corpo da oração e conclusão.
 
Dê uma comparação?
O Reino do céu é semelhante a um campo, diz Nosso Senhor. Essa comparação de um campo convém muito bem ao assunto.
 
Explique  a comparação?
O lavrador prepara o campo para a sementeira, depois semeia e recolhe, enfim goza dos frutos de seu trabalho. Aí está a imagem das três partes da oração mental.
 
7. Primeira parte: a preparação
 
O que deve fazer uma alma para se preparar para a oração mental?
Primeiramente, deve se recolher, quer dizer, deve concentrar todas as suas potências a fim de estar inteiramente voltada para a obra santa que se propõe fazer.
 
E depois?
A alma deve se colocar atentamente na presença de Deus: quer dizer, se lembrar do que a fé nos ensina sobre a imensidade de Deus presente em toda parte, de seu amor infinito por nós, e sobretudo da assistência misericordiosa que nos dá quando rezamos.
 
Não há algum outro modo que seja muito útil para  pôr-se na presença de Deus?
Será utilíssimo nos lembrar que Deus está não somente em toda parte mas que está presente dentro de nós, nos dando, como diz são Paulo, o ser, o movimento e a vida, nos dando sobretudo a graça de rezar e nos ajudar particularmente nessa obra tão doce e tão salutar.
 
Essa é toda a preparação necessária?
Não, é preciso ainda implorar o socorro divino, a misericórdia de Nosso Senhor, a assistência do Espírito Santo, a proteção da Santíssima Virgem e dos santos Anjos.
 
E então?
Depois desses atos preliminares, a alma está em estado de rezar, e precisa avançar como iremos lhe ensinar.
 
8. Segunda parte: os atos essenciais da oração mental
 
Quais são os atos essenciais da oração mental?
Alguns são atos da inteligência, outros atos da vontade.
 
Quais são os atos da inteligência?
É preciso primeiro penetrar profundamente na verdade que deve formar o fundo da oração, seja um artigo da fé, um mistério de Nosso Senhor, um ato da Santíssima Virgem ou de um santo.
 
E para se penetrar bem no assunto que se deve fazer?
É o que se chama considerações. Por exemplo: quando se vai estudar um grande e belo monumento, se leva em conta seu conjunto e suas partes, a harmonia das linhas, a beleza da decoração, etc. Do mesmo modo, diante de um assunto de oração, considera-se o que Deus fez por nós, o amor com que fez, o bem que nos preparou; diante disso o espírito será arrebatado de alegria em Deus seu Salvador.
 
É preciso fazer muitas considerações?
Depende da necessidade da alma, e da atração da graça que nos faz rezar. Pode-se fazer apenas uma consideração que alimenta a alma durante muito tempo, e então é inútil procurar outra coisa. De outras vezes será preciso multiplicar as considerações até que a alma se sinta vivamente tocada e que possa dizer como Davi: “Encontrei meu coração para fazer minha oração para meu Deus (II Sam. VII,27)”
 
Qual a faculdade da alma que principalmente age nas considerações?
É a inteligência, que se compraz “na claridade e nas luz divina”, como nos dizia são Francisco de Sales.
 
Quais os atos que resultam desses atos da inteligência na oração mental?
São os atos da vontade.
 
Quais são esses atos da vontade?
Podem se resumir em quatro: atos de amor ou de ódio, atos de confiança ou de temor.
 
Como se compreende esses atos?
Dissemos que são a conseqüência dos atos de inteligência: se considero a infinita bondade de Deus, serei levado a fazer atos de amor e de confiança; se meço a enormidade do pecado, farei atos de ódio, de detestação, de contrição; à vista do inferno e dos temíveis julgamentos de Deus, farei atos de temor; é assim que os atos da vontade são comandados pelos atos da inteligência.
 
Quais são os mais saudáveis desses atos da vontade?
São os que nos fazem detestar o pecado e amar a Deus.
 
Não é isso o principal na oração mental?
Certamente, são nesses atos que mais devemos insistir.
 
9. A conclusão da oração mental
 
Como se deve terminar a oração mental?
Sempre com alguma salutar resolução inspirada pelo desejo de nos afastar do pecado e de nos unirmos a Deus.
 
Essa não é uma resolução muito geral?
Certamente, a essa devemos juntar uma resolução de evitar determinado pecado, ou fazer um determinado bem em conformidade com a resolução geral.
 
Qual deve ser o caráter da resolução particular?
Que ela seja prática, e imediatamente prática, nos ajudando a vencer o defeito dominante ou a adquirir a virtude de que temos mais necessidade.
 
Como é preciso terminar a oração mental?
Por um movimento piedoso e cordial de agradecimento para com Deus, o inspirador de toda oração e a única fonte de nossos bens.
 
E como terminar essa lição?
Com o compromisso de rezar mentalmente, ao menos alguns instantes todas as manhãs e sobretudo antes da santa comunhão. Que Deus nos dê essa graça.
 
10. A oração mental é difícil
 
Há quem se queixe algumas vezes das dificuldades da oração mental?
Algumas vezes; mas, na verdade, a oração mental não é mais difícil do que qualquer outra forma de oração.
 
Isso espanta!
Não se espantará mais se lembrar que a oração é um desejo da alma, e que sem desejo não há oração. Ora, o desejo, que seja exprimido por palavras ou dito interiormente a Deus sem palavras é a mesma coisa, não haverá mais dificuldade de um lado que do outro.
 
No entanto se escuta sempre dizer: Não posso meditar!
Há aí um mal entendido, pois não há alma que não medite. Logo, a meditação é possível já que todo mundo a faz.
 
Como é isso?
Não é verdade que todo mundo pensa em seus negócios, examina sua situação, considera as possibilidades de sucesso, os perigos e enfim toma suas providências para que as coisas corram o melhor possível?
 
Nada mais verdadeiro, e o que concluir?
Conclui-se que se cada um pode meditar nos seus negócios, pode igualmente meditar no grande negócio de sua salvação; pode ainda melhor porque a graça do Espírito Santo ajuda as almas a rezar, as leva à oração, em uma palavra, as faz rezar quando são dóceis.
 
11. O mal entendido
 
O que é esse mal entendido que foi mencionado?
Esse mal entendido vem do que se chama métodos de oração.
 
Mas o que são esses métodos de oração?
São teorias verdadeiramente bastante engenhosas pelas quais os autores modernos querem ensinar às almas uma espécie de ginástica espiritual onde se encontram habilmente sistematizados todos os atos possíveis da meditação.
 
Mas então de onde vem o mal entendido?
Do fato de que tendo lido esses métodos, alguns acreditam que não há outros meios de meditar que não sejam esses.
 
E se pode rezar sem eles?
Os antigos não os conheciam, e achamos que suas orações valiam bem mais do que as meditações artísticas, compassadas, certinhas dos orantes de nossos dias. Pode-se, pois rezar sem métodos racionais.
 
12. As distrações
 
E o que dizer das distrações?
As distrações são uma miséria da qual não podemos escapar. Somente no céu há quem reze sem distrações.
 
Essa miséria não é muito miserável?
Ela é miserável, sem dúvida, mas se vem sem nos darmos conta, é preciso ficarmos em paz, deixá-la passar sem nada lhe dizer e continuar sua oração como se nada tivesse acontecido. É inofensiva como uma mosca que passa.
 
Mas não há distrações nocivas?
Há, e muito nocivas: são as que nós mesmos provocamos quando não é hora de rezar.
 
Como isso?
Se, durante o dia, damos livre curso aos pensamentos de vaidade, de curiosidade, afeição às coisas do mundo; se nossa alma se deixa levar pelas armadilhas de alguma das três concupiscências, podemos estar certos de que estamos nos preparando para funestas distrações quando formos rezar.
 
Por onde elas chegam?
Pela via que nós mesmos traçamos. Pois se, durante o dia, os desejos de nossas almas são levados para as coisas baixas contra a vontade de Deus, essas coisas de baixo voltarão durante nossas orações, contra nossa vontade;  é isso que se chama oração funesta.
 
13. Um certo segredo relacionado à oração
 
O que nos promete com o nome de um certo segredo?
Uma belíssima história.
 
Conte-nos!!
Havia uma menina coxa, que só podia andar com o auxílio de muletas. Mas sua alma não claudicava indo no caminho do céu.
 
Então como ela andava nesse caminho?
Reta; ia para Deus, e nada mais lhe importava. Todos os dias dava graças a Deus por ele ter quebrado suas pernas. Quantos pecados teria cometido, dizia ela, se pudesse andar como os outros!
 
E sua oração?
Era uma maravilha. Ela não sabia ler, não tinha idéia de métodos. Rezava com seu coração, suas meditações eram muito elevadas, e sobretudo universais, envolvendo todas as almas, como Nosso Senhor nos ensinou a rezar no Pai Nosso.
 
Onde encontrava os assuntos de suas meditações?
No Santíssimo Sacramento, na Paixão de Nosso Senhor e nos seus outros mistérios, e nas dores da Santíssima Virgem: para ela estava tudo aí.
 
Então como ela rezava?
Praticamente não tinha dúvidas, justificava muito bem o que dizia Bossuet: “A melhor oração é a oração da alma que se conforma inteiramente com a disposição que o Espírito Santo lhe dá”.
 
Quem foi seu mestre na ciência da oração?
O Espírito Santo; não há ninguém que  não possa ou não deva ir à sua escola.
 
E ela tinha distrações?
Quase nada: além do mais não lhes dava a mínima atenção, ia reta em seu caminho sem cuidar do que podia acontecer à direita ou à esquerda.
 
E ela rezava sempre assim?
Não, alguns dias ela dizia: “Tiraram minha oração”.
 
E o que fazia então?
Dizia simplesmente: “Vou esperar!” quer dizer que ela se punha pacificamente diante de Deus, pedindo com toda a humildade a graça de rezar; quando já tinha esperado bastante, a oração voltava. “Tornaram a me dar a oração”, dizia, e sua alma mergulhava em piedosos desejos diante de Deus, de Nosso Senhor e da Santíssima Virgem.
 
14. O espírito de oração
 
O que é a oração para a alma do cristão?
A oração é para a alma o que a respiração é para o corpo: como um corpo não poderia continuar vivo se não respirasse a todo instante, assim a alma não poderia permanecer na graça, se não rezar ao menos de tempos em tempos.
 
Como a alma é levada a rezar assim?
O corpo é levado a respirar por uma necessidade incessante e pelo movimento natural de sua conservação; a alma é levada a rezar por um movimento sobrenatural, obra da graça de Nosso Senhor.
 
Como se chama esse movimento sobrenatural na alma cristã?
Chama-se espírito de oração. Deus disse em Zacarias: Estenderei sobre a casa de David e sobre os habitantes de Jerusalém, o espírito de graça e de oração: Spiritum gratiæ et precum (Zc 12,10).
 
O que é a casa de Davi?
É a casa de Nosso Senhor, filho de Deus e filho de Davi.
 
O que é Jerusalém?
É a Igreja, a sociedade dos filhos de Deus, os herdeiros da graça de Nosso Senhor.
 
O que é o espírito de oração?
É o espírito que faz rezar, é a graça da oração distribuída pelo Espírito Santo aos corações dos filhos de Deus.
 
15. O que faz o espírito de oração
 
O que produz nas almas o espírito de oração?
Ensina interiormente a necessidade que a alma tem de rezar; move eficazmente a alma para  a oração, onde encontra um gosto sobrenatural na própria oração.
 
E então o que faz a alma sob a ação desse espírito?
Então a alma aspira realizar essa palavra adorável, esse mandamento sagrado de nosso amável Salvador: “É preciso rezar sempre, rezar sem cessar: Oportet semper orare et numquam deficere (Lc 18,1).”
 
Porque disse mandamento?
Porque Nosso Senhor disse: “É preciso, Oportet”; não podemos nem acrescentar nem diminuir a palavra de Nosso Senhor.
 
Como compreender esse mandamento?
É como se Nosso Senhor nos dissesse: é preciso sempre amar a Deus, é preciso sempre se conservar em estado de graça, é preciso sempre evitar o pecado.
 
Como podemos realizar esse mandamento?
Nunca o realizaremos perfeitamente aqui em baixo; mas devemos fazer tudo para o realizarmos o melhor possível.
 
16. Como é preciso rezar para rezar sempre
 
Como obedecer bem a esse mandamento de Nosso Senhor?
Primeiro é preciso querer realizá-lo; ora, essa vontade implica para nós o dever de nos afastarmos de todo pecado e de nos orientarmos sempre ao que agrada a Deus.
 
E depois?
Depois prestar atenção para não perder as boas ocasiões de rezar.
 
Quais são elas?
Antes de tudo, a hora das orações da manhã e a hora das orações da noite; a hora do Ângelus, as orações antes e depois das refeições, são circunstâncias em que o católico não deixa nunca de elevar seu coração a Deus, de respirar sua divina graça e de rezar.
 
17. As ocasiões de rezar
 
Não há ainda outras circunstâncias em que é bom elevar a alma a Deus?
Há ainda muitas outras, como por exemplo, ao levantar e antes de adormecer, ao nascer do sol e ao poente.
 
Como é preciso rezar ao levantar?
Dando graças a Deus por nos ter guardado durante o sono, lhe oferecer o primeiro pensamento de nosso espírito, a primeira batida de nosso coração, e oferecer nosso dia.
 
Como é preciso rezar antes de adormecer?
Não adormecer jamais com um pecado mortal na consciência, mas ao contrário, ter a consciência em paz e adormecer sob o olhar de Deus, nos recomendando à Santíssima Virgem e a nosso anjo da Guarda.
 
O nascer do sol pode também nos fazer rezar?
Sim, pois nos lembra como Deus é criador da luz, como a distribui às criaturas segundo a sua vontade; é preciso querer usá-la, assim como todos os benefícios de Deus para a glória de nosso Criador.
 
Quais os bons pensamentos que nos pode fornecer o poente?
O fim do dia deve nos fazer pensar no fim de nossa vida, a hora em que nossos olhos se fecharem à luz daqui de baixo, e quando nossa alma deverá ir para Deus e entrar em sua luz eterna.
 
18. As orações jaculatórias
 
Será que poderemos rezar ainda em outros momentos?
Sim, certamente: a qualquer momento podemos dirigir a Deus alguma oração jaculatória.
 
O que são orações jaculatórias?
Uma oração muito curta, mas, o mais ardente possível, que dirigimos a Deus.
 
Porque se chama jaculatória?
Porque parece um jato (jaculum, em latim quer dizerjato) um jato que lançamos para Deus do fundo de nosso coração.
 
O que devemos dizer a Deus nessas orações?
Tudo o que nos pode inspirar a fé, a esperança, a caridade e a contrição.
 
E onde encontrar a matéria dessas orações?
Na ordem das coisas da natureza, para admirar, louvar e agradecer o poder, a sabedoria e a bondade de Deus; na ordem da graça para admirar, louvar e agradecer o que Deus fez na Encarnação de Nosso Senhor, o que faz na Eucaristia e os outros sacramentos; enfim na ordem da glória para admirar, louvar, agradecer a Deus pela glória de Nosso Senhor, da Santíssima Virgem e dos santos.
 
Haverá uma oração jaculatória que gostaria de nos ensinar?
Entre outras gostamos dessa:
 
JESUS, MEU DEUS, VOS AMO ACIMA DE TUDO.
 

4. O Confiteor

1. Confiteor (Eu me confesso)
 
O que é o Confiteor?
Uma oração na qual nos reconhecemos diante de Deus como pecadores.
 
É uma ciência se saber pecador?
É uma ciência rara e preciosa, a qual só podemos alcançar por uma  graça gratuita de Deus.
 
A que nos conduz essa tão rara ciência?
Pedir e obter de Deus o perdão de nossos pecados.
 
E o que é o Confiteor nessa ciência?
É como o resumo dessa ciência, é a penitência em prática, ou melhor, é o ato de contrição dramatizado.
 
Porque dramatizado?
Porque nele está a constituição de um grande tribunal, a instrução da causa, a defesa dos advogados e enfim uma sentença que não é nunca uma condenação. Isso pede uma explicação.
 
2. O tribunal
 
Qual é esse tribunal mencionado no Confiteor?
É o tribunal do próprio Deus, o soberano Juiz, tendo como assessores toda a corte celeste.
 
Porque razão pomos no papel de juízes todos os santos do céu?
Porque Deus nos assegura que os santos julgarão com ele e também por uma razão que descobriremos depois.
 
Quais são os santos designados no Confiteor?
Primeiramente a Santíssima Virgem, depois são Miguel, o primeiro dos Anjos, são João Batista, o primeiro dos santos, são Pedro o primeiro dos apóstolos e dos Papas, são  Paulo seu companheiro de apostolado e de martírio, depois todos os santos do céu.
 
Mas não se nomeia também o padre?
Sim, o padre é nomeado depois de Deus e dos santos.
 
Porque?
Porque no sacramento da Penitência ele é o ministro de Deus para pronunciar a sentença que é a do próprio Deus.
 
3. A instrução da causa
 
Como se faz a instrução da causa nos tribunais humanos?
Ouvindo as testemunhas e a confrontação das testemunhas com o que diz o acusado.
 
É a mesma coisa no tribunal de Deus?
Não, porque aqui toda a instrução consiste na acusação do culpado, confissão que está significada desde o começo pelas palavras: Eu me confesso, Confiteor.
 
Quais são as acusações do culpado?
Ele confessa seus pecados de pensamento, palavras e atos.
 
Quais são as conseqüências dessas acusações?
Estando o tribunal suficientemente instruído, segue em frente e  ouve a  defesa.
 
Mas como encontrar defensores se o pecador já confessou tudo?
É precisamente a confissão do culpado que vai se tornar o grande meio da defesa. Assim quis a eterna bondade do Deus de misericórdia.
 
4. A defesa
 
Quais serão os defensores do culpado?
Todos os assessores do soberano Juiz.
 
Como podem os juizes se transformarem em advogados?
Ao pedido da oração do pecador, todos os santos se voltarão para Deus e pedirão misericórdia.
 
Como o pecador os incita a lhe prestarem tão bom oficio?
Como os nomeou na primeira vez para juízes, nomeia todos na mesma ordem, lhes suplicando que sejam seus intercessores junto ao Senhor nosso Deus.
 
E os santos aceitarão esse convite?
Sem dúvida, sua caridade para conosco os levarão a isso e acolherão sempre nossos pedidos com tanto mais empenho quanto mais completa nossa confissão.
 
E Deus, escutará sua defesa em nosso favor?
Sim, porque está escrito que ele não quer a morte do pecador, mas que ele viva (Ez 30,11)
 
5. A sentença
 
Depois disso, qual será a sentença?
O pecador que se confessa, que põe sua confiança na bondade de Deus e na intercessão dos santos, indica por si mesmo a fórmula.
 
Como ele concebe a sentença?
Ele reclama para si mesmo uma sentença de perdão, e a pede ao Deus todo poderoso e misericordioso.
 
E o próprio Deus julga assim?
Sim, porque Nele, todo homem penitente encontra graça e misericórdia
 
Sendo assim, como devemos dizer nosso Confiteor?
Devemos dizê-lo com o pensamento no julgamento final onde tudo será revelado, tudo será julgado; mas então será um julgamento de justiça, e agora imploramos um julgamento de misericórdia.
 
Podemos afastar de nós o julgamento de justiça?
Sim, pedindo agora a misericórdia de Deus, recebendo a sentença de nosso perdão na absolvição do padre.
 

3. O Credo

O Credo
 
O que é o nosso Credo?
É um admirável resumo da fé cristã.
 
Porque os Apóstolos o compuseram e o ensinaram?
Eles o compuseram e o ensinaram para servir de base a todos os ensinamentos da religião e também para ser um memorial dos ensinamentos da Igreja para os fiéis.
 
E para o que mais?
Para ser para todos os fiéis um sinal de reconhecimento e uma marca para sempre inviolável da unidade da fé que nos veio dos Apóstolos.
 
Que valor devemos dar ao Credo?
O maior valor; pois contém para nós as mais altas verdades do conhecimento às quais está ligada nossa salvação eterna.
 
O que há, sobretudo, de maravilhoso no Credo?
É o fato do Credo ser a luz tanto para os maiores gênios como para as crianças menorizinhas; é nele que todos vêm se saciar como numa fonte inesgotável de verdade.
 
Como se atinge a inteligência do Credo?
Os Apóstolos, instruídos pelo Espírito Santo, acharam que a melhor maneira de ensinar a religião era o método histórico, e vemos que o seguiram na composição do Credo.
 
O que decorre disso para nós?
Decorre que devemos nos adaptar ao método apostólico, e moldar o nosso espírito para compreender o Credo.
 
Então, verdadeiramente, é o Credo uma história?
Sim, nada mais fácil de compreender.
 
E qual a história que está no Credo?
A historia do presente, a do passado, e a do futuro.
 
Então é bem maravilhosa?
Certamente, daí ser preciso que  entremos nessa história divina.
 
A historia presente no Credo
 
O que nos ensina o Credo sobre o presente?
Nos ensina grandes coisas sobre Deus, sobre a Igreja e sobre nós mesmos.
 
O que nos ensina sobre Deus?
Ensina primeiro o que é Deus, que são três pessoas em um só Deus, Pai, Filho e Espírito Santo.
 
E o que mais?
Que Deus é Todo Poderoso, Criador e conservador do céu e da terra; que seu Filho único, Jesus Cristo Nosso Senhor, está sentado à direita do Pai no céu.
 
E sobre a Igreja?
Que ela é católica e que é santa.
 
E sobre nós mesmos?
Que temos por Senhor, Jesus Cristo, o Filho de Deus, e que por ele entramos na comunhão dos Santos e encontramos a remissão dos pecados.
 
A historia do passado no Credo
 
O que nos ensina o Credo sobre o passado?
Tudo aquilo que mais nos interessa saber.
 
Quais são essas verdades?
A primeira é que Deus é o nosso Criador, já que é o Criador do céu e da terra.
 
E a segunda?
A segunda, que o Filho de Deus se fez homem por nós e nasceu da Virgem Maria.
 
E a terceira?
Que ele ressuscitou ao terceiro dia e que subiu ao céu.
 
A historia do futuro no Credo
 
O que nos ensina o Credo sobre o futuro?
Primeiramente que Nosso Senhor Jesus Cristo virá julgar os vivos e os mortos, recompensando a cada um segundo suas obras.
 
E o que mais?
Que todos os homens ressuscitarão de carne e osso antes de se apresentar para o julgamento de Nosso Senhor.
 
Qual será a sentença do soberano Juiz?
Conduzirá à vida eterna os que dela forem dignos e condenará à morte eterna os que a merecerem.
 
Disso tudo que precedeu, como deduzir a maneira de dizer o Credo?
Devemos seguir o método histórico, quer dizer, ter no espírito:
1o Deus existindo antes de todos os tempos, Pai, Filho e Espírito Santo;
2o Deus criando o céu e a terra;
3o Deus enviando seu Filho único ao mundo para nossa salvação;
4o Repassar em nosso espírito os mistérios da vida, morte e ressurreição de Nosso Senhor;
5o Lembrando-nos da Igreja de quem somos filhos, dos bens que encontramos em seu seio e aqueles que esperamos na vida eterna.
 
É tudo?
Não, à essa revista histórica é preciso acrescentar o ato interior de fé, aderindo piedosamente a essas verdades divinas,  alegrando-nos de possuí-las e preferindo-as a todas as coisas, já que são elas que nos levam a Deus.
 
Rezemos juntos o Credo:
 
Creio em Deus Pai Todo Poderoso,
criador do céu e da terra;
e em Jesus Cristo um só seu Filho, Nosso Senhor:
o qual foi concebido pelo poder do Espírito Santo,
nasceu de Maria Virgem,
padeceu sob Pôncio Pilatos,
foi crucificado, morto e sepultado;
desceu aos infernos, ao terceiro dia ressurgiu dos mortos,
subiu aos céus, está sentado à direita de Deus Pai Todo Poderoso,
de onde há de vir a julgar os vivos e mortos;
creio no Espírito Santo,
na Santa Igreja Católica,
na comunhão dos Santos,
na remissão dos pecados,
na ressurreição da carne,
na vida eterna. Amém.

2. O Pai Nosso e a Ave Maria

 

O Pai Nosso
 
1. Como se aprende a rezar
 
Temos necessidade de aprender a rezar?
Sim, temos de aprender a andar, a falar, a ler, a escrever, também temos que aprender a rezar. O homem não saberia nada se nada lhe fosse ensinado.
 
E quem nos ensina a rezar?
O próprio Nosso Senhor o fez; nossas mães devem fazê-lo desde que nascemos  e os catequistas nos darão lições mais tarde.
 
O que  podem fazer nossas mães e os catequistas para nos ensinarem a rezar?
Eles nos fazem conhecer a Deus, nos ensinam a lhe falar com respeito, com gratidão, com amor: nos fazem dizer e repetir as formulas das orações. É assim que se ensina a rezar.
 
E como fez Nosso Senhor?
Um dia seus Apóstolos lhe disseram: Senhor, ensinai-nos a rezar; nesse dia mesmo Jesus os ensinou o Pai Nosso, a mais bela das orações.
 
Nosso Senhor nos ensina somente a formula da oração?
Nosso Senhor pela graça excita em nossos corações o santo desejo de rezar, e nos anima interiormente a rezar bem, o que os homens não sabem fazer.
 
2. Pequeno estudo do Pai Nosso
 
O que Nosso Senhor nos ensina no Pai Nosso?
Nosso Senhor nos ensina o que precisamos desejar e pedir a Deus. Tudo encerrado em sete pedidos.
 
Como se dividem esses sete pedidos?
São três que se relacionam diretamente a Deus, e quatro que são mais expressamente relativos a nossos interesses.
 
O que lhe pedimos nos três primeiros pedidos?
Pedimos:
1o que seu nome seja glorificado,
2o que o seu reino venha a nós,
3o que sua vontade seja feita.
 
O que pedimos a Deus nos quatro últimos pedidos?
Pedimos:
1o nosso pão de cada dia,
2o o perdão dos nossos pecados,
3o a vitória sobre as tentações,
4o que nos livre de todo mal.
 
E isso é tudo que devemos desejar?
Sim, Nosso Senhor não esqueceu de nada, e todo homem que regrar seus desejos pelo Pai Nosso alcançara a felicidade eterna.
 
3. O Pai Nosso: os três primeiros pedidos
 
Explique os três primeiros pedidos do Pai Nosso?
Pedimos tudo que possa ser maior e melhor para a gloria de Deus e para nossa salvação.
 
Mostre-nos o que se refere à gloria de Deus?
Que o nome de Deus seja conhecido e glorificado como santo, que seu reino se estenda em nossas almas, e nos leve ao céu, que Deus seja obedecido por todos os homens tornados seus filhos; essa é a gloria que devemos desejar a Deus e que o fazemos quando dizemos o Pai Nosso com devoção.
 
Mostre-nos quanto a nossa salvação?
Pedimos também nesses pedidos a graça da fé, da esperança e da caridade; da fé que nos faz conhecer e revelar o nome de Deus, da esperança que nos faz desejar e obter seu reino e enfim da caridade que nos faz abraçar a sua vontade e obedecer a sua lei.
 
Tem algum modo de nos ajudar a rezar bem esses três pedidos?
Aqui está um pode ser útil a muita gente: no primeiro pedido lembrar nosso batismo, no segundo nossa crisma, e no terceiro os dez mandamentos.
 
Como assim?
O primeiro pedido terá como sentido que o nome de Deus seja santificado pela graça de nosso batismo que pedimos para nos conservar e que ele seja dado a todos os infiéis; no segundo que a graça de nossa crisma nos fortifique na Igreja que é o reino de Deus na terra e nos leve para o céu; no terceiro que a graça nos faça obedecer sempre aos dez mandamentos.
 
4. O Pai Nosso: os quatro últimos pedidos
 
Como se deve entender os quatro últimos pedidos?
Como a expressão exata de nossas necessidades, tanto para o corpo quanto para a alma.
 
Qual a ordem dos quatro pedidos em relação aos três primeiros?
Os quatro pedidos tem por fim nos pôr num estado para obter o que contêm os três primeiros: os primeiros visam por assim dizer a vida eterna, e os quatro outros tudo o que devemos ter na vida presente para alcançarmos a vida eterna.
 
Haverá algum modo de ensinar a fazer bem esses quatro pedidos?
Um modo útil é relacionar-los aos sacramentos como nos dois primeiros pedidos.
 
A que sacramentos relacionaríamos o quarto pedido?
Aos dois sacramentos da Ordem e da Eucaristia. Pedindo a Deus o pão de nossos corpos, pediríamos ao mesmo tempo o de nossas almas, a Eucaristia, e ao mesmo tempo também pediríamos a Deus para nos dar padres, padres santos que guardem entre nós a Eucaristia.
 
E ao quinto pedido?
Como pedimos o perdão dos pecados, o relacionamos ao sacramento da Penitência, implorando ao Pai celeste a graça de confessarmos sempre bem, sobretudo na hora da morte.
 
E o sexto pedido?
Teríamos no espírito o sacramento do Matrimonio, pedindo a Deus que ele seja sempre recebido e tratado santamente segundo a vontade de Deus; pois muitas vezes se toma esse estado para procurar ocasiões de tentação, o que é a ruína das almas e das famílias.
 
E ao sétimo pedido?
Relacionaríamos ao salutar pensamento da Extrema Unção que nos será dada na hora da morte quando mais precisamos desejar nos livrar do mal.
 
5. O Pai Nosso e Santa Teresa d’Ávila
 
Porque citar Santa Teresa?
Precisamente porque ela tem um método próprio de rezar o Pai Nosso, e talvez ganhemos em o conhecer.
 
Então diga-o:
Santa Teresa ligava os sete pedidos do Pai Nosso aos títulos de Deus dados por nosso amor.
 
Quais esses títulos para os três primeiros pedidos?
No primeiro pedido ela o honra especialmente como seu Pai; no segundo o adora como seu Rei; no terceiro o ama como seu Esposo.
 
E como reza nos outros pedidos?
No quarto, onde se pede o pão de cada dia, reconhece Jesus como seu Pastor; no quinto como seu Redentor; no sexto como seu Medico; e no sétimo como seu Juiz.
 
Será possível para nós rezar como Santa Teresa?
Não podemos nos comparar a uma tão grande alma; mas instruídos por seu exemplo e suas lições, peçamos humildemente a Deus para nos dar a graça de avançarmos na compreensão do Pai Nosso, e para o rezarmos melhor.
 
Ave Maria
 
1. A Ave Maria
 
Porque dizemos a Ave Maria depois do Pai Nosso?
Tendo Nosso Senhor nos dado Maria por Mãe, lhe oferecemos a saudação da Ave Maria depois do Pai Nosso como para obedecer o mandamento de honrar nosso Pai e nossa Mãe.
 
Então estando assim junto com o Pai Nosso, a Saudação angélica é uma oração excelente?
Sem duvida, pois foi, na sua maior parte, composta com palavras inspiradas pelo próprio Deus.
 
Quais são?
As do anjo Gabriel e as de santa Isabel.
 
Quais são as palavras do Anjo?
O anjo disse a Maria: Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco, bendita sois vós entre todas as mulheres, quer dizer: a mais abençoada de todas as mulheres.
 
Quais são as de santa Isabel?
Retomando as ultimas palavras do anjo e acrescentando um novo elogio, santa Isabel disse: Bendita sois vós entre as mulheres e bendito é o fruto de vosso ventre. Essa é a primeira parte da Ave Maria, à qual acrescentamos o pedido: Santa Maria,etc.
 
2. Explicação da Ave Maria
 
O que encontramos nas duas partes da Ave Maria?
Encontramos o elogio de Maria e a confissão de nossa indigência.
 
E porque começamos pelo elogio de Maria?
Para reconhecer nela os bens que ela recebeu de Deus.
 
Quais são esses bens?
São eles: a plenitude de graça que a tornou querida de Deus acima dos Anjos e Santos: sua união com Deus que a conservou ao abrigo de todo pecado, sua maternidade divina que a elevou-a incomparavelmente acima de todas as mulheres, e por fim a honra que lhe é atribuída no céu e na terra por ser a Mãe de nosso Salvador Jesus.
 
Com que sentimentos é preciso dizer essa primeira parte da Ave Maria?
Com grande gratidão para com Deus que tanto deu a Santíssima Virgem, e com grande alegria ao felicitá-la por tanta graça e gloria com que ela foi cumulada por Deus.
 
3. Continuação da explicação da Ave Maria
 
O que encontramos na segunda parte da Ave Maria?
A continuação, ou melhor o resumo das grandezas de Maria e a confissão de nossa indigência e de nossa necessidades.
 
E porque reunir esses dois pensamentos?
É afim de atrair para a nossa indigência as misericordiosas ternuras da melhor das mães.
 
O que pedimos então à Santíssima Virgem?
Que ela que é a própria inocência e pureza, reze por nós; que interceda por nós que somos pecadores e temos tanta necessidade de socorro.
 
Porque dizemos “agora”?
Porque não há um só instante de nossa vida em que não tenhamos necessidade da graça de Deus e da intercessão de sua santa Mãe.
 
E porque acrescentamos “e na hora de nossa morte”?
Porque esse momento será para nós particularmente temível: estaremos em instantes do julgamento que fixará nossa sorte na eternidade, e é bom nos assegurar a intercessão da Santíssima Virgem para essa hora solene entre todas.
 
4. Como devemos dizer a Ave Maria
 
Quais são as disposições necessárias para dizermos bem a Ave Maria?
As mesmas que para o Pai Nosso, a saber: a Fé, a Esperança e a Caridade.
 
Como a Fé nos ensina a dizer a Ave Maria?
A Fé nos revela as grandezas da Santíssima Virgem, sua incomparável graça, sua virgindade mais do que angélica, sua maternidade divina e assim nos ensina um profundo respeito.
 
Qual o socorro que nos dá a Esperança para dizermos a Ave Maria?
Nos mostra a santa Mãe de Deus como uma Mãe cheia de bondade para conosco e por isso nos inspira a maior confiança em sua maternal intercessão.
 
E como nos socorre a caridade?
A caridade com a qual a Santíssima Virgem nos ama é uma eloqüente lição para nos ensinar a amar a Santa Mãe de Deus. Se amamos a Maria, nossa oração será melhor acolhida por seu coração que ama tão ternamente.
 
Com que disposições devemos recitar a Ave Maria?
Com humildade e contrição: a humildade nos fará reconhecer nossos pecados, e a contrição nos porá no estado de receber o perdão.
 
5. Os obstáculos à prece a Santíssima Virgem
 
Porque tantas pobres almas não rezam à Santíssima Virgem?
Muitas vezes por causa da ignorância e outras tantas talvez por orgulho ou ciúme.
 
Como a ignorância  impede de rezar à Maria.
Quando não se sabe o quanto precisamos de seu socorro, o quanto ela nos ama e o quanto é poderosa para nos ajudar.
 
Mas qual pode ser o papel do orgulho?
Muitas vezes ele persuade certas almas de que basta se dirigir a Deus e que será diminuir-se se dirigir a uma criatura, ainda que ela seja a Santíssima Mãe de Deus.
 
E quanto ao ciúme?
É triste dizer, mas existem almas que imitando Satã, persuadidas de seu próprio mérito, têm ciúmes das grandezas da Santíssima Mãe de Deus, e por conseqüência não rezam para ela, ou rezam de má vontade.
 
Qual o remédio para tais males?
Já dissemos: a humildade e a contrição: com essas duas disposições diremos bem a Ave Maria e também nossa invocação:
 
 
NOSSA SENHORA DA SANTA ESPERANÇA
CONVERTEI-NOS

 

1. Que é a oração?

 

Tomamos emprestado para nosso catecismo sobre a Oração, o texto do Pe. Emmanuel-André, tirado do seu Catecismo da Família. Poucas vezes encontraremos explicações, nos catecismos mais conhecidos, que saibam unir a simplicidade com a profundidade, como aqui. Chega a ser surpreendente certos temas abordados pelo Pe. Emmanuel, como o desejo e o modo como procuramos satisfaze-los. Esperamos que esta bela doutrina sirva para aumentar nosso gosto em rezar e nosso amor por Nosso Senhor.
 
A  ORAÇÃO
 
Introdução
 
1. A Nossa indigência
 
Qual é o estado do homem na terra?
Somos indigentes, Pauperes facti sumus nimis (Sl 78): temos necessidade de tudo, tanto para nossa alma quanto para nosso corpo; nossa indigência é extrema.
 
Onde se vê a prova dessa pobreza?
Vemos no que todos sofrem e no que se queixam. A maior parte dos homens não conhece sua própria indigência, nem os remédios que deveriam procurar.
 
E quais são eles?
Infelizes que somos, gemia santo Agostinho, amamos nossa própria indigência, e além de amá-la, dela nos vangloriamos.
 
Será possível?
Sim, pelo menos por instantes, ou por algum tempo; pois nossa alma tem fome e sede de felicidade, e mesmo que queira fechar os olhos para essa necessidade, ela subsiste.
 
2. Nossos desejos
 
Nós desejamos?
Sim, nossa alma está cheia de desejos. Criada por Deus, só encontrará deleite e repouso naquele que é seu princípio e seu fim.
 
Quais são nossos desejos mais intensos?
Alguns são da alma, outros do corpo.
 
Quais são os deleites da alma?
A alma quer ver, saber, amar, gozar e ser feliz.
 
E os do corpo?
O corpo quer seu pão de cada dia e a cura de seus males.
 
Esses desejos são bons?
Sim, se são ordenados segundo a vontade de Deus.
 
E podem tornar-se maus?
Facilmente tornam-se maus por causa das inclinações viciosas que temos devido ao pecado original.
 
3. A satisfação de nossos desejos
 
Somos levados a procurar a satisfação de nossos desejos?
Sim, invencivelmente: não encontrando em nós o que nos falta, vamos procurar fora.
 
E onde vamos procurar?
Por toda parte: no alto, ao nosso redor ou abaixo de nós.
 
O que acontece quando procuramos abaixo de nós?
Longe de encontrarmos nosso bem, agravamos nosso mal e aumentamos nossa indigência.
 
E quando procuramos ao nosso redor?
Encontramos criaturas tão pobres quanto nós, incapazes de nos dar o que não têm, e que têm necessidade como nós.
 
O que nos resta fazer?
O único recurso é nos elevarmos acima de nós mesmos e pedir a Deus o que precisamos.
 
4. A oração
 
Como se chama o fato de uma alma se voltar assim para Deus?
Chama-se: oração; quer dizer uma elevação da alma indigente para a fonte inesgotável de todos os bens.
 
A oração é natural no homem?
Sim, como é natural à criança pedir a seu pai o que precisa.
 
E porque então a oração é tão rara?
Devido à ignorância, fruto do pecado original, não sabemos mais pedir, nem o que é preciso pedir, nem a quem pedir.
 
O que se conclui?
Que a graça de Deus nos é necessária para rezar, quer dizer, para elevarmos nossas almas a Deus.
 
E a oração é um dom de Deus?
É o que nos ensina são Paulo quando diz: “O Espírito Santo ajuda a nossa fraqueza. Pois não sabemos o que pedir nem como convém. Mas o próprio Espírito pede por nós com gemidos inefáveis (Rm 8,26).”
 
5. Motivos para rezar
 
Qual o nosso principal motivo para rezar?
É a necessidade que temos de Deus para alcançarmos a felicidade que almejamos.
 
Temos outros motivos para rezar?
Devemos rezar também para adorarmos a Deus e reconhecermos seu soberano domínio sobre nós e sobre todas as criaturas; para agradecermos os benefícios e pedirmos perdão por nossos pecados.
 
Os motivos para rezar sendo tais, parece que os  homens deviam rezar sem cessar?
Eles precisam rezar sem cessar, e devem isso a Deus, mas seu mal é tão grande que se parecem a doentes que, acostumando-se à sua doença não pensam mais em se curar.
 
Mas nós católicos, não somos como eles nisso?
Não, ao contrário, devemos compreender, meditar e por em prática a palavra de nosso divino Mestre que nos diz: “É preciso rezar sempre, sem nunca descansar (Lc 18, 1).”
 
Se não somos como eles, o que devemos fazer?
Pedir humilde e instantemente a graça de rezar e para esse fim repetirmos a palavra dos Apóstolos a Nosso Senhor: “Senhor, ensinai-nos a rezar (Lc 11,1)”
 
6. O que é a oração
 
Como definimos a oração?
A oração é uma elevação da alma para cumprirmos nosso dever para com Deus e lhe pedirmos suas graças.
 
Que deveres cumprimos para com Deus na oração?
Devemos adorá-lo como nosso Mestre soberano, e agradecer nossa criação e todos os inúmeros benefícios que recebemos.
 
E que devemos pedir a Deus?
A cura de nossos males e a participação em seus bens.
 
E de onde vem a oração?
De Deus pela graça e de nós pela boa vontade que ele nos inspira.
 
Qual é o centro nervoso da oração?
É o desejo. Santo Agostinho também define a oração: “Um desejo e um gemido do coração se dirigindo a Deus: Cordis desiderium et gemitus ad Deum directus.”
 
7. Oração mental e vocal
 
Como se chama a oração quando ela é apenas um desejo do coração?
Chama-se oração mental, porque então é só a alma (mens mentis, mentalis) que a produz, sem que apareça nada exteriormente.
 
A oração pode então não ser somente mental?
Sim, sem dúvida, pois podemos exprimir por palavras o desejo interior da alma, e essas palavras fazem que a oração se chame vocal (vox vocis, vocalis).
 
O que se nota nisso?
Que se pode rezar sem as palavras da oração e também dizer as palavras da oração sem rezar.
 
E porque isso?
Porque a oração consistindo essencialmente em um desejo do coração, se a alma se eleva a Deus com esse desejo interior, ela reza. Se, ao contrário, ela pronuncia as palavras da oração sem que as anime o desejo interior, ela não reza, apenas fala.
 
8. Razões da oração vocal
 
Se a oração é apenas o desejo do coração, parece que basta que ela seja mental?
Se fossemos anjos seria assim; mas não somos anjos e as palavras nos são necessárias.
 
Por que?
Porque fixadas em nossa memória, ou ao menos presentes em nosso espírito, fazem-nos lembrar as coisas que temos para pedir a Deus, e nos excitam a lhe pedir.
 
Mas por que?
Porque o coração sente mais vivamente as coisas quando são, ao mesmo tempo, concebidas pelo espírito e exprimidas pela voz. As palavras nos ajudam a desejar mais e assim a rezar melhor.
 
É preciso, então dar muita importância à oração vocal?
Sem nenhuma dúvida, porque ela nos presta um grande socorro; é preciso nos aplicar em fazê-la bem, conformando nossos desejos às palavras que pronunciamos.
 
Há outras razões por que devemos estimar a oração vocal?
Temos três que são consideráveis: primeiramente Nosso Senhor nos ensinou o Pai Nosso que é a mais admirável das orações vocais; segundo, o Espírito Santo inspirou os Salmos que formam a oração da Igreja há três mil anos; terceiro, enfim, a Igreja compôs uma quantidade de orações que são de grande beleza e de um valor inestimável para nossas almas.
 
9. A oração pública e particular
 
A oração é um desejo do coração, no entanto há a oração de toda a Igreja?
A oração pode ser privada ou pública; privada, quando é feita só por uma alma; pública quando é feita em uma reunião de fiéis que se dirigem a Deus, todos juntos numa mesma oração.
 
O que há de comum na oração pública e na oração privada?
Uma e outra devem ter como ponto de partida um desejo do coração, sem o qual não haverá oração.
 
O que há de particular a cada uma dessas duas espécies de orações?
A oração privada pode ser, à vontade, mental ou vocal, enquanto que a oração pública é sempre uma oração vocal.
 
Podemos nos contentar só com a oração privada?
Se estivéssemos sozinhos na terra, estaríamos reduzidos à oração privada; mas vivemos em sociedade, e a sociedade deve, como o indivíduo, prestar seus deveres a Deus e lhe pedir suas graças.
 
Temos que estimar tanto a oração privada como a oração pública?
É preciso estimar a ambas, porque todas duas são necessárias, e uma auxilia a outra; mas apesar de iguais, a oração pública é mais valiosa aos olhos de Deus.
 
10. Razões da oração pública
 
Então temos grandes motivos para amarmos a oração pública?
Temos vários e poderosíssimos motivos.
 
Diga-nos quais são?
Nosso Senhor disse: “Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, estarei no meio deles (Mt 18,20).” E mais: “Se dois de vós na terra se unirem entre si, seja qual for a coisa que eles pedirem, meu Pai que está no céu, lhes dará (Mt 18,19).”
 
O que se nota nessas palavras de Nosso Senhor?
Nota-se que nosso divino Salvador, de alguma maneira está mais atento à oração coletiva do que a uma oração privada; e que concede mais facilmente ao pedido de muitos o que talvez não concedesse ao pedido de um só.
 
Haverá outras vantagens na oração pública?
Há, e muito grandes. Todos os fiéis se unindo na oração, animam-se, encorajam-se e se edificam uns aos outros; os fortes sustentam os fracos, os fracos se esforçam para seguir os fortes e a oração se torna mais poderosa diante de Deus. “Nós nos unimos na oração, diz Tertuliano, e fazemos a Deus uma violência que lhe é agradável. Haec vis Deo grata est.
 
11. Os graus da oração
 
O que se chama os graus da oração?
Chamamos assim os diferentes estados daqueles que rezam; pois essa diferença de estado produz orações mais ou menos perfeitas, daí os diversos graus de oração.
 
Quais são os diversos estados daqueles que rezam?
Como a oração consiste no desejo que o coração manifesta a Deus, compreende-se que o desejo sendo maior ou menor e a manifestação do desejo mais ou menos ardente deve haver inumeráveis graus de oração.
 
De onde vem a diversidade de desejo nas almas?
Do grau de conhecimento: pois ninguém deseja o que não conhece; mas quando o bem é conhecido, ele é tão mais desejado quanto mais é conhecido.
 
E de onde vem o maior ou menor ardor na manifestação do desejo?
No grau do amor: porque quanto mais se ama o bem,  mais somos atraídos por ele. Quem não ama, não deseja: porém quem ama muito deseja muito.
 
Como se chama o conhecimento que faz amar?
É a Fé.
 
E como se chama os desejos que nascem desse conhecimento?
São a Esperança e a Caridade, segundo essa bela palavra de Santo Agostinho: Fides credit, Spes et Caritas Orant - a Fé crê, a Esperança e a Caridade oram.
 
12. A oração dos pequeninos
 
Os pequeninos são capazes de rezar?
A rigor, é preciso dizer que não, porque não sabem; porém como dizia uma criança: Eu amo melhor, sim!
 
E por que?
Porque a criança, pronunciando as palavras da oração, exprime diante de Deus que sabe bem, o que lhe foi posto no coração pela graça de seu batismo.
 
Explique melhor?
A criança batizada, rica em inocência e graça santificante tem no coração a fé habitual, como também a esperança e a caridade, e quando ela diz a Deus: Meu Deus! Eu vos amo de todo coração! exprime - sem saber - uma linda verdade bem conhecida de Deus, e diante da qual ele não é insensível.
 
O que pensa concluir daí?
Que as orações desses anjos da terra é agradável a Deus, e que os pais e mães devem achar um verdadeiro encanto em fazer seus filhinhos rezarem, e animar seus próprios desejos de rezar.
 
É essa oração útil à própria criança?
Certamente, pois essa oração a forma na oração; essa oração faz a criança fazer atos que já saberá fazer quando, chegando a idade da razão, será obrigada a fazê-los.
 
13. A oração das crianças na idade da razão
 
O que acontece na alma da criança que reza quando já tem o uso da razão?
A criança começa a ficar atenta ao ato que faz, e desde então começa a rezar realmente.
 
Qual é o gênero de atenção da criança?
Basta para a criança que tenha o pensamento em Deus que a vê, que a escuta, e tenha o desejo de fazer alguma coisa que  seja agradável a Deus, assim, ela faz sua oração.
 
Por que diz que isso basta  para a criança?
Porque ela não é capaz de fazer mais, não tendo suficiente conhecimento para penetrar no sentido das palavras que pronuncia na oração.
 
Como a criança se elevará numa oração mais perfeita?
Adquirindo a inteligência dos mistérios do Símbolo dos Apóstolos, e os repassando em seu espírito dizendo o Credo; adquirindo o sentido dos pedidos do Pater (Pai Nosso), à medida que os dirige a Deus; e crescendo tanto em conhecimento quanto em desejo, crescerá na oração.
 
14. A oração dos verdadeiros fiéis
 
O que deve ser a oração dos verdadeiros fiéis?
Um exercício das três virtudes: a Fé, a Esperança e a Caridade.
 
Como essas virtudes formam nossa oração?
A fé nos esclarece sobre o passado, o presente e o futuro. A Fé nos ensina nossa criação, a queda original, a redenção por Nosso Senhor; nos mostra a vida eterna e o caminho que a ela conduz, nos mantêm na espera dos julgamentos de Deus. Quem não vê que todas essas grandes e divinas luzes nos dispõem de um modo feliz para rezar?
 
Como a Esperança e a Caridade formam a oração?
Fazendo nascer em nós os santos desejos do perdão dos pecados, da graça necessária para a observação dos mandamentos, de nossa felicidade eterna, de agradar a Deus, de amá-lo e de vê-lo eternamente.
 
Qual é o cristão que reza bem?
Aquele que tem sempre no coração o santo desejo e que o exprime muitas vezes para Deus.
 
Qual é o que reza muito bem?
Aquele que consegue obedecer à palavra de Nosso Senhor: É preciso rezar sempre (Lc 18,1).
 
15. A oração dos perfeitos
 
Quais são os perfeitos na Igreja?
Aqueles que tiveram a felicidade de vencer o pecado, que vivem numa fé luminosa, numa esperança inabalável, numa caridade ardente.
 
Qual é a oração desses perfeitos servidores de Deus?
Ela é o fruto de um conhecimento muito elevado, de um desejo fervoroso, e desde então ela se eleva a Deus como um perfume puríssimo, como um incenso de agradável odor.
 
O que pedem os perfeitos e suas orações?
Aqueles que rezam pedem a Deus que nos livre do mal e a possessão de seu bem; apenas eles pedem essas graças numa luz mais abundante, com uma humildade mais profunda, com desejos mais ardentes, e é isso que faz a perfeição da oração.
 
Os perfeitos têm ainda necessidade de palavras para  rezar?
Algumas vezes eles rezam sem palavras, algumas vezes com palavras; mas, mais são perfeitos, mais têm estima pelas orações da Igreja, sobretudo pelos Salmos, o Pai Nosso, etc.
 
Qual é então o segredo da perfeição de suas orações?
O segredo está em querer o bom Deus de todo seu coração e de toda sua alma.

 

Epifania

 

 
Eis os Reis Magos, que vêm de longe e chegam a Jerusalém e bradam: Onde está o recém-nascido, rei dos judeus?
 
Os Reis Magos, as primícias das gentilidades, eram nossa imagem.
 
Também viemos nós de longe, dessa região tenebrosa donde nos buscaram denominada pecado original; chegamos a Jerusalém e eis que estamos na Igreja; e na Igreja, deste cantinho que Deus nos preparou, perguntamos: Onde está o recém-nascido, rei dos judeus? Onde está o Rei? Onde está Jesus?
 
*
* *
 
Nesta ocasião cantamos o cântico santo: “Dize-me, ó amado de minha alma, onde apascentas teu gado, onde repousas ao meio-dia” (Cant. I, 6).
 
Eia! Vede, Jesus, as almas que vos pertencem e buscam e clamam e reclamam: Onde está o único Rei, o único Bem-Amado, o único Esposo, o único Jesus?
 
Está no Céu, está na Eucaristia, está vivo nos corações.
 
Ah, Ele nos há de amar, onde quer que esteja. Vinde e amemos, vinde e adoremos. Venite adoremus.

 

Santo Nome de Jesus

Jesus é o preço de sangue do cordeiro de Deus; Jesus é o nome do céu para a salvação do mundo; Jesus é a luz das almas, a alegria dos corações e o tesouro incomparável de quem O ama.
 
Jesus é a ciência dos apóstolos, a força dos mártires, a paz dos confessores, o contentamento das virgens e a coroa dos santos.
 
*
* *
 
Jesus é a glória do céu, a esperança da terra e o terror do inferno.
 
Jesus é o nome único do único esposo, é nosso bem, alegria, paraíso, tudo enfim. Fora de Jesus, nada possuímos; sem Jesus, tudo é nada.
 
Jesus, vosso nome mal saiu da boca e quanta matéria há aí para meditação. Jesus! Dá-nos a conhecer, a amar e a regozijar Jesus, só a Jesus, para sempre Jesus.

Circuncisão de Nosso Senhor

Esta lei de sangue, esta lei de homens pecadores, não abrange o Filho de Deus, que veio a ser o filho de Maria. Todavia, submete-se à lei; dura, humilhante e impiedosa que seja, ele se submete.
 
*
* *
Contai-nos, o suave cordeiro, por que vos submeteis a esta lei? Sobre vós assumis o pecado de todos nós; na vossa carne quereis expiar e reparar as concupiscências e os desregramentos da carne; nossos pecados converteis em vossos pecados, pois que quereis de vossa justiça fazer a nossa justiça.
 
Sede bendito, ó suavíssimo cordeiro, pelas vossas chagas, pelo vosso sangue e pelas dores de vossa circuncisão puríssima e purificante.
 
Recebestes o Santo Nome de Jesus como galardão de vosso sangue. Faça-nos a virtude do sangue precioso amar-vos e falar-vos com amor o Santo Nome – Jesus.

Natal

Nasceu o Menino Jesus!
 
Antes do advento dos séculos, Ele nasceu do Pai; nesta noite ditosa, Ele nasceu de Maria.
 
Da parte do Pai, Seu nascimento é todo resplendor e luz; da parte de Maria, é todo silêncio de noite profunda.
 
Mas nesta noite, Ele é luz. Nasceu, e de uma mãe virgem e de pai virgem e excelso; nasceu, e celebraram-No os anjos; nasceu, e Seu nascimento a Deus dá glórias e a nós a paz.
 
*
*  *
 
Neste mistério tudo é imenso! Quão sublime é Maria, ao dá-Lo ao mundo, ao envolvê-Lo em panos, ao aninhá-Lo na manjedoura, ao adorá-Lo e amá-Lo! Quão sublime é a Divina Criança? Ela está muda e parece que nada percebe à Sua roda, mas como fala aquele silêncio e quantas maravilhas declara! Abrem-se Seus olhos, não tanto para enxergar quanto para chorar, o coração é todo de amor.
 
Jesus, meu Deus! Amo-Vos acima de tudo.

Da necessidade da oração para a salvação

Quando se observa atentamente a condição em que se encontram as almas, fica-se impressionado com a fraqueza, para não dizer coisa pior, com a fraqueza de suas orações. Reza-se pouco, reza-se mal, ou não se reza nada.

A maior parte dos homens não reza, o que é evidente; muitos cristãos rezam mal, seja porque o fazem ou sem fé, ou sem estar entendendo o que fazem, ou sem desejar receber qualquer coisa de Deus.

E mesmo os que rezam, rezam muito pouco.

Parece-nos, pois, que o somatório das orações está longe, muito longe, de corresponder à soma das necessidades; e apenas isto basta para que compreendamos porque vemos ininterruptamente o bem se debilitar e o mal crescer.

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