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Category: PensamentoConteúdo sindicalizado

O sentido do mundo hispânico

Conferência proferida no Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, sob o patrocínio do mesmo Instituto e da Casa de Cervantes, a 28 de abril de 1960. O autor era o editor da antiga e excelente revista Hora Presente.

A Crise das Elites

 Marcel de Corte

Com esse título abrangente e ambicioso demais, gostaria de falar com a maior simplicidade possível sobre coisas conhecidas e, principalmente, sobre coisas desconhecidas, que só se tornaram desconhecidas por causa do mundo moderno. Hoje conhecemos muitas coisas que nossos pais ignoravam. A civilização atual, que é essencialmente uma civilização do livro ou do impresso, a cada dia introduz nos cérebros uma massa de conhecimentos que digerimos mais ou menos bem, ou melhor, nem tão bem assim. Estendem-se tais conhecimentos a objetos tão numerosos que a multidão deles amedrontariam as gerações que vieram de nos preceder. Para tanto, comparem-se os estudos que se exigiam dos médicos há trinta ou quarenta anos, com os que se exigem atualmente – e isso vale para todas as profissões. Em contrário, segundo uma lei bem simples, expressa no provérbio “um prego empurra o outro”, esse afluxo de informações submergiu certas evidências elementares e as relegou ao esquecimento. Os leigos e os cientistas já não conhecem, por ex., os nomes das quatro virtudes cardeais que outrora o comum do povo conseguia apontar nos vitrais ou nas estátuas das catedrais. Recobriu-se de sombras uma área imensa do saber; em todo lugar regrediu o saber moral, o saber propriamente humano. Leia mais
 

A Esperança

Sejamos alegres pela esperança, sofridos nas tribulações. Porque quem bem espera bem sofre, e quem levanta o espírito aos bens eternos sabe portar-se bem nas misérias temporais.
 
Sabeis que coisa é a Esperança? Uma engenhosa máquina com que o espírito se guinda desde o mundo para a eternidade; e assim não lhe carrega o peso dos males que cá embaixo leva, porque tanto furta à aflição do trabalho que padece, quanto se levanta à contemplação do descanso que espera.

O mundo passa

Quanta verdade é que a figura deste mundo sempre está passando, e nós com ela!
 
Dos sábios e justos diz Isaías que vêem a terra de longe. Ora vem cá, alma minha, faze por ser sábia, toma as asas da contemplação, e suspende-se nelas, e olha de longe para esta bola da terra, e verás como a sua figura sempre está passando.
 
Que é o que vês? Mares, rios, árvores, montes, vales, campinas, desertos, povoados... e tudo passando.

A vida é morte

A um vaso de vinho misturado com três partes de água não chamaremos com razão vinho; nem a um pouco de açúcar envolvido em três tantos de sal chamaremos com razão açúcar.
 
Logo, se eu mostrar como a nossa vida é misturada, ao menos, com três tantos de morte, provado ficará que lhe não devemos chamar, absoluta e simplesmente, vida, pois vai o seu vigor tão aguado e a sua doçura tão salgada com as propriedades da morte.

A Língua litúrgica da Igreja

 

I. A língua latina convém ao culto católico porque é venerável, misteriosa e invariável.

A língua latina é venerável pela sua antiguidade: era a que empregavam os cristãos dos primeiros séculos para celebrar os louvores de Deus1. «Sente-se comoção e entusiasmo quando se ouve oferecer o Santo Sacrifício na mesma língua e com as mesmas palavras de que se serviam os primeiros cristãos nas profundidades sombrias das catacumbas»  A língua latina é uma línguamisteriosa, porque, como língua morta, o povo não a compreende. Empregando-a dá-se a entender que no altar se passa alguma coisa que se não pode compreender alguma coisa misteriosa. Nos primeiros séculos do cristianismo, o altar estava encoberto por um véu desde oSanctus até à Comunhão. Este uso desapareceu, mas existe sempre um véu diante do altar: é a língua latina que o povo não compreende, e que nos torna os santos misteriosos veneráveis. —Finalmente por ser língua morta é invariável e significa com isto a imutabilidade da doutrina católica, que não muda, como não mudam as formas desta língua2,  Além disso, convém notarque os Judeus e os Pagãos se serviam, no seu culto religioso, de uma língua que não era a língua vulgar. Entre os Judeus, por exemplo, empregava-se o antigo hebreu, que era língua dos Patriarcas. Jesus Cristo e os Apóstolos assistiram ainda ao ofício divino que se celebrava nessa língua e a história não nos diz que Jesus Cristo e os Apóstolos hajam censurado esse costume.  Na Índia, osânscrito é a língua sagrada, e difere dos dialetos que usa povo.  Os Gregos, quer os não unidos quer os unidos. empregam nas suas igrejas o grego antigo, e não o grego moderno ou vulgar.  Até na Igreja russa se servem grego antigo, ao passo que o povo fala o eslavo. — igreja anglicanaemprega o inglês antigo. Só os Romenos unidos se servem, com aprovação de Roma, da sua língua materna.
 
  1. 1. Se bem que é verdade ter o grego, sob este ponto de vista, maior dignidade: por isso a Igreja Católica usa ambos os idiomas: porém no ocidente emprega comumente o latim, mais semelhante às nossas línguas modernas.
  2. 2. Deste modo favorece a sua conservação, com a mudança das .palavras, variam também pouco pouco os conceitos.

O Latim na Liturgia - I

Tantas razões e tão decisivas em favor da manutenção do latim como língua litúrgica na Igreja Ocidental, tão pobres e tão desastrosos os pretextos invocados em favor das línguas vulgares, que temos dificuldade de nos incumbirmos de examinar uma mera questão, sobre a qual não deveria existir senão uma opinião, não apenas entre os católicos, mas entre os civilizados. Certamente, não teríamos pensado em colocar esta questão do latim na liturgia, nem imaginado que alguém pudesse fazê-lo. Todavia, vemos que a colocam, recolocam, debatem e disputam. Sem provas propriamente ditas — mas com muitos indícios convergentes que equivalem a uma prova — temos o sentimento de estar em presença de homens muito determinados em seu empreendimento, decididos a aproveitar todas as ocasiões para suprimir o latim, para forçar a Santa Sé, para colocá-la, se puderem, perante um fato consumado, até o dia — para eles, desejável, para nós, nefasto (mas esse dia nunca virá) — em que a autoridade soberana, julgando a causa perdida, resolver-se a canonizar o emprego litúrgico das línguas vulgares.
  
Deduziremos por ordem nossos argumentos nesta “defesa e ilustração”, não do “latim litúrgico”, pois que não fazemos aqui absolutamente um estudo de gramática ou de estilo, mas do emprego da língua latina na liturgia.

Como o século XIX redescobriu o latim medieval e as lições da Roma eterna.

“É nesta língua eterna que o catolicismo pronuncia seus oráculos, que sempre falou e ainda fala a todos os seus filhos dispersos sobre a superfície do globo. Nas escolas do Estado, estranhamente negligenciamos o latim. Eis algo que a Igreja não pode fazer, eis algo que ela não pode permitir. Eis o que não permitirá jamais em suas escolas. Daremos nossa vida, nosso sangue, se for preciso”
Monsenhor DUPANLOUP
Bispo de Orleans (1868)
 

A língua latina

Devemos estimar a língua latina... Devemos crer nela, como os primeiros cristãos 
criam que o Império Romano duraria até o fim do mundo.
Jean BELOT, Jurista parisiense, 1637
 
Tivemos de reescrever uma breve história de Roma antes de falar sobre a língua de Roma, pois somente os anais extraordinários deste império explicam as múltiplas qualidades de sua linguagem.
 
* * *
 

Polêmica e Caridade

Vós que educais crianças, em lugar de deplorar minha violência, fazei violentos. Os violentos podem se tornar mártires; os falsos caridosos nunca o serão; serão mortos sem que testemunhem, e são vistos tão transbordantes de caridade para com o carrasco, que lhe fazem o favor de entregar o rebanho com uma mão enquanto mantêm a outra na consciência.

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