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CAMPANHA DE ROSÁRIOS PELAS ELEIÇÕES

 

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O que foi o "mensalão"?

Outubro 15, 2022 escrito por admin

Alexandre Bastos

O ano de 2005 foi bastante complicado para o partido dos trabalhadores. Denúncias de corrupção se sucediam, dando início a um fogo amigo: PSOL e PSTU atacavam o partido na imprensa e em manifestações de rua. A grande mídia era implacável: de junho a setembro daquele ano, a revista Veja publicou quase vinte números com denúncias explícitas ao PT na capa! A militância sentia o golpe: “Ser acusado de terrorista causa raiva; ser acusado de corrupto, vergonha. Envergonhados ficaram não só os militantes, mas os dirigentes”, escreveu Lincoln Secco na sua “História do PT”.

Em poucos meses, toda a cúpula do PT caía: o tesoureiro, o secretário-geral e o presidente do partido – todos por denúncia de corrupção. No caso de José Genuíno, o seu irmão fora flagrado no aeroporto com R$200 mil em uma valise e US$100 mil dólares na cueca.

Caíam em seguida José Dirceu, Ministro da Casa Civil – “sai daí, Zé”, reclamara publicamente Roberto Jefferson numa audiência memorável – e Antônio Palocci, da Economia. O Ministro fora acusado por um caseiro de distribuir malas de dinheiro e organizar festas com prostitutas.    

A prisão de Palocci só viria anos depois, no âmbito da Lava Jato. O ex-ministro foi condenado a 12 anos de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro em um esquema envolvendo R$200 milhões do Grupo Odebrecht para o Partido dos Trabalhadores

Foi ainda naquele ano que estourou o escândalo da Gamecorp: a empresa do filho do presidente, um monitor de zoológico, recebera a soma inexplicável de R$5 milhões da Telemar!

Nada disso, porém, foi páreo para o escândalo do Mensalão, descrito na época pela Procuradoria Geral da República como “o mais atrevido e escandaloso caso de corrupção, de desvio de dinheiro público flagrado no Brasil”.

O Mensalão foi um esquema envolvendo não apenas o financiamento de campanhas petistas, mas a compra no varejo de votos de parlamentares visando a aprovação de leis do interesse do governo. Em poucas palavras, tratava-se de um atentado contra a própria democracia!

“Estamos a tratar de uma grande organização criminosa que se constituiu à sombra do poder fomentando medidas ilícitas que tinham por finalidade a realização de um projeto de poder”, declarou na época o Ministro Celso de Mello.

O Ministro do Supremo Ayres Britto, por sua vez, declarou sem meias palavras tratar-se de um “golpe”. E o historiador Marco Antônio Villa definiu o mensalão como “uma verdadeira tentativa de tomada de Estado”.

O esquema comportava três núcleos: o financeiro (composto por empresas públicas e privadas), o operacional (composto por empresas de publicidade) e o político (deputados e membros do Planalto). Por meio de empréstimos simulados, uns R$350 milhões (em valores atualizados) foram distribuídos diretamente a políticos nas vésperas de votações importantes para o governo.  

Na ocasião, o senador Arthur Virgílio fez um violento ataque ao presidente da República, que afirmava desconhecer o esquema que lhe beneficiava diretamente:

“Vamos acabar também com essa história de que o sr. Lula não sabe de nada. Até o meu filho de dez anos sabe! Ou ele é um completo idiota, ou o sr. Lula sabe de toda a corrupção que se passou debaixo do seu nariz”. E continuava: “Na melhor das hipóteses, sr. Lula, o senhor é um idiota! Na melhor das hipóteses! Na pior, o senhor é um corrupto!”

O presidente não foi denunciado pela Procuradoria Geral da República. No entanto, Corrêa Barbosa, advogado de Roberto Jefferson, declarou o seguinte, perante a Suprema Corte:

“Se o presidente da República só poder ser julgado pelo STF, peço que esse tribunal cumpra a lei e que o procurador chame o presidente Lula para esta Corte, porque ele é o mandante de todo esse crime.”

Marcos Valério, por sua vez, declararia: “Não podem condenar só os mequetrefes. Só não sobrou para o Lula porque eu, o Delúbio [Soares] e o Zé [Dirceu] não falamos”.

*

Pela proximidade das eleições, a oposição tem procurado comparar as “Emendas do Relator” (RP-9), erroneamente chamadas de “orçamento secreto” – visto que se sabe quanto e onde o dinheiro empenhado será gasto – ao “Mensalão”, o que é pura delinquência intelectual. Vejamos:

- O mensalão era um esquema criminoso promovido pelo executivo, pelo qual dinheiro sujo era usado para a compra de voto.

- As “emendas de relator” não são ilegais e foram promovidas pelo legislativo (contaram, inclusive, com o apoio de partidos de esquerda para derrubar o veto do presidente, o PT inclusive).

Assim também, Lula tem procurado equiparar as “pedaladas” de Dilma às “motociatas” de Bolsonaro, como se a presidente tivesse sofrido o impeachment por andar de bicicleta!

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