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Teologia (105)

Ciência e Fé

Todos nós sabemos que é impossível viver uma sombra do cristianismo se não cremos num Deus pessoal, e se não cremos ou não compreendemos que nossa alma ultrapassa o nível ontológico do mundo físico. Já o simples senso comum nos adverte que é fútil limitar a realidade ao campo direto ou indireto de nossos sentidos. Seria estranho, estranhíssimo que a totalidade do ser tivesse a medida do homem sem ter sido o homem o Criador de tal totalidade. É absolutamente inconcebível o materialismo, que só se sustenta porque seus adeptos se detêm, e se detêm precisamente no ponto em que era vitalmente decisivo o avanço. É tola, fátua ou desvairadamente soberba a atitude de quem imagina um só instante que a totalidade do ser, o real total, o que existe, o “tudo” se limita aos níveis de percepção de nossa sensibilidade. Para o empirista, o real absoluto e total, deus de si mesmo, criador e sustentador de sua própria substância, não pode exceder os limites de nossa percepção sensível. Haverá maior audácia, maior extravagância do que esta mesquinharia?

A ordem natural e a ordem sobrenatural

Nossa vida transcorrendo nas duas ordens, natural e sobrenatural, interpenetradas em cada instante, e sendo elas como vimos no artigo anterior, tão contrastadamente constituídas, é de se esperar que freqüentemente surjam situações conflitantes em que a alma religiosa pode esquecer a fulgurante e maravilhosa descoberta da infinita prevalência da ordem da salvação e da graça sobre a ordem natural das atividades humanas. Meu Deus, como poderemos contestar a superioridade da vida eterna e da eterna felicidade na luz da glória e na terra dos ressuscitados, com os peregrinos e efêmeros sucessos deste sopro que ontem nos tirou do nada e amanhã nos deixará no mesmo pó de onde viemos? Posto o problema nesses termos — e as almas de eleição são marcadas pela heróica opção que assim coloca a problemática da vida — nada mais teríamos a acrescentar. O critério da alma religiosa deve ser o critério dos santos, o critério do Nosso Senhor Jesus Cristo.

O mundo, a carne e o diabo: cruéis inimigos da Igreja e da alma

Há no catecismo do Concilio de Trento quatro linhas, que todos os catecismos clássicos, desde os níveis destinados à primeira formação das crianças até aqueles destinados à perseverança dos adultos, sempre mantiveram e repetiram, e que agora, a onda progressista, de autodestruição da Igreja, quer apagar, raspar, esquecer ou contestar.

 

A natureza da moralidade

A.  A concepção casuística da moralidade
 
A natureza da moralidade é um dos problemas mais árduos e mais discutidos. Como não podemos trata-lo aqui exaustivamente nos contentaremos em dizer o que é necessário para permitir interpretar corretamente o texto de Santo Tomás que apresentamos.
 

A visibilidade da Igreja

 

Por três vezes a Encíclica se refere à visibilidade da Igreja. Logo ao princípio, explicando a metáfora “Corpo”, ensina que a Igreja é por essência visível e condena os erros do protestantismo antigo. (E. 34, 3 e 25). Mais adiante, ao tratar da “Cabeça” do corpo eclesiástico inculca que, sem prejuízo do governo invisível de Cristo, é a Igreja governada visivelmente pelo Papa e pelos Bispos (E. 43, 37). Enfim, aclarando o qualificativo “místico”, completa a doutrina sobre a essência da Igreja e de novo se refere à visibilidade, condenando desta feita a oposição moderna entre a Igreja da caridade (invisível e divina) e a Igreja jurídica (visível e humana) (E. 54, 30).
 

Transformação da alma em Deus pelo amor

Uma das palavras que mais amiúde citamos, é o "vivo ergo jam non ergo, vivit vero in me Christus." (Gal. 2, 20). Repetição plenamente justificada, porque não existe talvez passagem das Epístolas que expresse mais ao vivo a alma do Apóstolo e possa também propor à nossa imitação mais sublime ideal de vida; repetição, porém, que, por sua própria freqüência, talvez algo tenha empanado o brilho do texto e vedado o seu significado mais profundo. Tão profundo entretanto é este significado, que vem propor ao teólogo um dos problemas mais interessantes e mais árduos que lhe possam solicitar a sagacidade. O teólogo com efeito — por felicidade e desdita sua! — não se contenta de repetir as sentenças bíblicas, nem mesmo de crê-las cegamente, ele deseja entendê-las e entendê-las o melhor possível, logo conhecer-lhes o por quê e o como. Fides quaerens intellectum, este legado do primeiro dos grandes escolásticos, deve continuar mesmo no século vigésimo, a ser o lema de todo teólogo digno desse nome; não é supérfluo recordá-lo quando assistimos a tantas tentativas para transformar a ciência teológica em uma mistura de exegese, de patrística e de história dos dogmas. Fides quaerens intellectum... o teólogo não ignora sem dúvida que, cedo ou tarde (mais cedo do que tarde!), será obrigado a se deter diante do mistério insondável; acredita, porém, que um progresso na intelecção, por mínimo que seja, constitui um antegozo daquela visão na qual conhecemos o Senhor como dEle somos conhecidos.
 

O discernimento filosófico da experiência mística

Não pode o filósofo digno do nome permanecer indiferente em presença do misticismo. A mesma índole da filosofia desperta nos seus cultores profundo interesse por todas as manifestações do espírito. Como pois ignorar esses homens cuja vida parece retirar-se do corpo para concentrar-se no ápice dum espírito cuja chama arde e se dilata ao ponto de consumir a própria carne?
 

Da obrigação de tender à perfeição

Exposta a natureza da vida cristã e a sua perfeição, resta-nos examinar se há para nós verdadeira obrigação de progredir nesta vida, ou se não basta guardá-la preciosamente como se guarda um tesouro. Para responder com mais precisão, examinaremos esta questão relativamente a três categorias de pessoas: 1° os simples fiéis ou cristãos; 2° os religiosos; 3° os sacerdotes, insistindo neste último ponto, por causa do fim especial que nos propomos.
  

Mãe de misericórdia

[nota do tradutor: mantivemos o termo "Maria" do original francês porque nos trabalhos teológicos, diferentemente dos textos espirituais e piedosos, é comum encontrarmos esta expressão. Que o leitor não veja nisso semelhança com a falta de respeito, hoje generalizada, dos escritos e ditos do progressismo.]
 
Consideremos primeiramente esse título em si mesmo, depois em suas principais manifestações que são como a radiação da doutrina revelada sobre Maria e que a torna accessível a todos.
 

A plenitude inicial de graças em Maria

 

A graça habitual que recebeu a bem-aventurada Virgem Maria no instante mesmo da criação de sua santa alma foi uma plenitude, na qual já se verificava aquilo que viria dizer o anjo no dia da Anunciação: « Ave Maria, cheia de graça ». É o que afirma, com a tradição, Pio IX, ao definir o dogma da Imaculada Conceição.
 
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