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CAMPANHA DE ROSÁRIOS PELAS ELEIÇÕES

 

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Crônicas (34)

Reminiscências astronômicas

 

Foi no terceiro ano da Escola que voltei à astronomia. Em 1918? Creio que sim. Mas não era à poética astronomia dos anéis de Saturno ou da nebulosa espiral de Andrômeda que eu voltava, e sim à geometria e abstrata, que toma as estrelas como pontos de referência para determinar as coordenadas geográficas. O símbolo se impõe: quando queremos saber com firmeza onde pisamos, devemos erguer os olhos para o céu.
 

O viúvo viu a ave

 

Fiquei então convencido, nesse tempo, de que o mundo estava torto, intencionalmente torto, por malícia humana, para benefício exclusivo da detestada classe burguesa. Não havia tragédia nem mistério de iniqüidade, o que havia era trapaça. Um jeito que se lhe desse e o mundo endireitaria. O erro, sem dúvida alguma, continuaria a existir, mas com aquele caráter que tem na técnica: erro de detalhe, pequeno, estimulante, de cujo desgaste a evolução se encarregaria.
  

O malogro de um jovem químico

Ia eu contar-lhes o resto da história da Astronomia, quando alguém trouxe à baila a estranha resistência vital ou os sete fôlegos dos gatos, e, desviado por essa consideração, fui parar na rua do Matoso, 107, em 1915 ou 1916. Trocara as estrelas pelos átomos, e a minha paixão, uma paixão espanhola, debruçou-se sobre a química.

"Sou amigo de estrelas"

Foi num pára-choque de caminhão que li ontem estas palavras líricas. Entusiasmado, respondi com meus botões: Também eu! Também eu! E num arroubo de saudades, senti-me com cinco anos de idade, num jardim da Glória, entre outros meninos. Seria noite de janeiro e o céu resplandecia.

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