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Category: FilosofiaConteúdo sindicalizado

A temperança, virtude desaparecida

Refletir, publicar, escrever sobre a temperança é hoje um desafio. A palavra desapareceu do vocabulário do homem médio, assim como do vocabulário da “elite” intelectual, laica ou religiosa. Quanto a nós, a última vez que a escutamos foi no início do século, em nossa infância, quando o professor instava-nos, à saída da escola, a aderir à uma “sociedade de temperança” ― como as muitas que então havia na Bélgica ― cuja específica finalidade era combater, não as incontáveis formas da intemperança, mas o alcoolismo, que afligia um pouco por toda parte, particularmente na classe operária. O petit Robert dá a ela apenas dois sentidos; um, “didático”: moderação em todos os prazeres do sentido; outro, “corrente”: moderação no beber e no comer, mais especialmente no consumo de bebidas alcoólicas. Ambos se volatilizaram tanto da linguagem da sociedade contemporânea como da terminologia dos moralistas contemporâneos. À exceção de alguns “paleotomistas”, cuja leitura ainda faz nossas delícias, não a encontramos em parte alguma durante um meio-século, nem mesmo nas conversas.

Sartre, filósofo da contestação

 

PERDOE-ME THOMAS MOLNAR. Não tenho a intenção de desmontar ou violar o livro admirável que consagrou a Sartre, filósofo da contestação (Paris, Ed. du Prieuré 1969). Quero apenas transmitir a meus leitores algumas reflexões despertadas por obra tão estimulante. Aqui deixo estas reflexões, esperando que o leitor descubra o encadeamento, que só será perfeito na leitura integral do livro.  

A inteligência em perigo

APRESENTAÇÃO, por ALFREDO LAGE

 
Nenhum pensador atual descreveu com mais dramaticidade — no plano das idéias — a subversão racionalista e idealista da inteligência, e as conseqüências que daí resultam para a cultura, do que Marcel de Corte.
 
A ciência moderna é um processo peculiar de investigação da realidade. Incentivada, de um lado, pelos altos vôos do racionalismo cartesiano e, de outro, pela miúda curiosidade do empirismo, a ciência de si mesma independe dessas conceptualizações. As falsas filosofias que, por um paradoxo da nossa condição, outrora impulsionaram a pesquisa — e que a ciência hoje mais do que nunca dispensa — continuam contudo a espalhar a sua deletéria influência sobre a cultura e as ciências do homem.
 

Filosofia econômica e necessidades do homem

A maioria dos biólogos insiste, com razão, sobre a importância da noção de necessidade como elemento determinante das condutas humanas. Não é de admirar que ela se encontre no próprio âmago dos comportamentos econômicos. A polivalência dessa noção e sua diversidade quase inesgotável tornam, contudo, a sua interpretação científica difícil. Com efeito, a necessidade é uma coisa que varia ao extremo, não somente segundo as civilizações, as sociedades e os grupos no tempo e no espaço, mas segundo os indivíduos, em cada instante da sua existência e segundo as circunstâncias em que se achem. Como apreender uma realidade tão particularizada e tão evanescente? Sabemos, com efeito, que não há ciência do individual, só o universal pode ser objeto de ciência. Não admira, portanto, que a noção de necessidade tenha sido o mais das vezes considerada pelos economistas antes como um postulado da pesquisa do que como um objeto da própria pesquisa. Fala-se constantemente da necessidade em economia e se a noção é indispensável para aclarar os fenômenos econômicos, raramente é ela própria aclarada.

O Discurso de Bento XVI em Ratisbone

Achei por bem apresentar uma análise do discurso que o Papa pronunciou aos acadêmicos de Ratisbone e que causou tanta violência. Lendo o texto percebi que Bento XVI foi severo sim, mas em relação aos cientistas e representantes em geral do mundo acadêmico. E fiquei feliz por não haver, até o momento, fundamentalistas entre os professores universitários. O Papa lhes dirigiu palavras certas e duras contra o materialismo agnóstico das ciências modernas, pregando não somente a necessidade de estudos científicos sobre a Religião, mas também a necessidade da fé dentro do contexto científico. Graças a Deus os senhores professores não agrediram o Papa, não queimaram igrejas, não assassinaram freiras, mesmo tendo sido criticados duramente nos seus dogmas cientificistas. Já imaginaram o que seria se ali mesmo se levantassem de dedo em riste, agressivos, violentos, querendo até mesmo matar o papa?

Filosofia - apresentação geral dos textos filosóficos

Nem todos os pensadores compreendem a diferença que existe entre a ciência do ser, natural e racional, e a ciência da fé. Entre a Filosofia e a Teologia. De  um modo geral as  pessoas que não têm a fé católica não entendem como pode uma ciência baseada no princípio de autoridade ter mais força e valor do que uma ciência que exige todas os recursos da inteligência e da vontade livre.
 

Contra o Evolucionismo dos evolucionistas

“Parece-nos indispensável marcar bem a intolerância em relação à Evolução dos evolucionistas, que tira o mais do menos, que faz passar a potência ao ato sem nada que esteja em ato, o que consiste precisamente em ser um processo autocriador que torna sub-repticiamente aceitável a criação “ex-nihilo” sem um Deus Todo Poderoso, desde que essa criação se torne infinitesimal e suficientemente lenta para que as inteligências tardas não percebam o mecanismo do absurdo, e fiquem, de tantos em tantos metros, ou de tantos em tantos séculos, diante de uma situação de fato.
 
É preciso denunciar a absoluta inaceitabilidade do evolucionismo dos racionalistas e dos empiristas”.
 
Gustavo Corção

Implicações do Evolucionismo

O século XIV foi o sombrio e tumultuoso século da peste negra, da guerra de cem anos e da fragorosa ruína da civilização cristã. Nosso bravo século XX, em lugar da sombria nuvem pestífera que pairou cem anos sobre a cristandade agonizante, está sendo flagelado por uma outra nuvem, não menos sombria: a da estupidez satisfeita e otimista. Os físicos, matemáticos, biólogos e astrônomos que operam no nível de saber mais acessível e mais próprio para os trabalhos coletivos, e também para o efeito acumulativo dos resultados, por seus sucessos dificultam a exata apreciação do imenso progresso da burrice humana nas coisas que concernem a vida espiritual.

Existirá a matéria?

O leitor que não costuma freqüentar com assiduidade os textos deixados pelos filósofos, embora já tenha descoberto que esse coro de vozes é o mais discordante e desafinado que jamais se ouviu, e embora já tenha notado que não há coisa que algum deles não tenha afirmado ou negado, talvez não saiba que houve um filósofo para provar que a matéria não existe. Pois houve. Nasceu em 1685, morreu em 1753, foi inglês e chamou-se George Berkeley.

Cristianismo e humanismo

Em artigo intitulado Humanismo Cristão, e publicado no GLOBO de 23-11-1975, o Ministro Júlio Barata referiu-se a meu nome e a minha obra em termos extremamente lisonjeiros que exigem meu agradecimento, mas que não me podem dispensar de mais algumas palavras de penosas retificações.

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