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CAMPANHA DE ROSÁRIOS PELAS ELEIÇÕES

 

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20 de janeiro: Cristo devia levar uma vida muito pobre

20 de janeiro    
 
 
Diz o Evangelista: « O Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça » (Mt 8, 20); como se dissesse, nota Jerônimo: « Por que me queres seguir por causa das riquezas e do lucro mundano: Não vês que eu vivo em tanta pobreza que não tenho sequer um turgúrio onde me abrigar e me sirvo de teto alheio? » O mesmo Jerônimo assim comenta o texto de Mateus: « Para não os escandalizarmos, vai até a praia... » (17, 26) Esta afirmação, « entendida simplesmente, edifica o que ouve, pois este percebe que o Senhor vivia em tanta pobreza que nem tinha como pagar o tributo por si e pelos Apóstolos ».
 
I. — Cristo devia levar neste mundo uma vida pobre. 
   
1o. Primeiro, porque tal convinha ao ofício da pregação, pela qual ele dizia ter vindo ao mundo. Assim no Evangelho de Marcos: « Vamos para as aldeias e cidades vizinhas, a fim de que eu também lá pregue, pois para isso é que vim » (1, 38). É preciso que os pregadores da palavra de Deus, para se darem inteiramente à pregação, estejam absolutamente livres de cuidados seculares. Ora, isso não é possível aos que possuem riquezas. Por isso, o próprio Senhor, enviando os Apóstolos a pregar, diz-lhes: « Não tenhais ouro, nem prata » (Mt 10, 9). E os Apóstolos no livro dos Atos dizem: « Não é conveniente que nós deixemos a palavra de Deus para servir às mesas » (6, 2).
   
2o. Em segundo lugar, porque Cristo, assim como assumiu a morte corporal para nos conceder a vida espiritual, assim suportou a pobreza corporal para nos conceder as riquezas espirituais, como se diz na segunda Carta aos Coríntios: « Porque é conhecida de vós a liberalidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, que, sendo rico, se fez pobre por vós, a fim de que nós fôsseis ricos pela pobreza » (8, 9).
  
3o. Em terceiro lugar, se Cristo tivesse riquezas, sua pregação poderia ser atribuída à ambição. Jerônimo, no comentário ao Evangelho de Mateus, diz que, se os discípulos tivessem riquezas, « poderia parecer que pregavam, não por causa da salvação dos homens, mas por causa do lucro ». O mesmo valeria para Cristo.
   
4o. Em quarto lugar, para que tanto maior se mostrasse o esplendor de sua divindade, quanto mais vil parecesse por causa da pobreza. Lê-se num discurso no Concílio de Éfeso: « Cristo escolheu as coisas pobres e vis, as de menor valor e obscuras para que se visse que sua divindade transformou o orbe da terra. Escolheu sua mãe pobrezinha, uma pátria mais pobre ainda. Ele mesmo foi pobre. Não é isto que nos diz o presépio? »   
    
(III q. XL, a. 3)
  
II. — Também não teria benefício que Deus encarnado vivesse neste mundo uma vida opulenta e enriquecida de honras e dignidade.
  
1o. Primeiro, porque veio para tirar o homem das coisas terrenas, e elevar às divinas as mentes humanas entregues às coisas terrenas. Por isso, foi conveniente que vivesse pobre e necessitado neste mundo, para pelo seu exemplo levar os homens ao desprezo das riquezas e das coisas mundanas que desejavam.
   
2o. Segundo, se tivesse vivido na abundância das riquezas e na suprema dignidade, aquilo que fez como Deus teria sido atribuído mais ao poder secular do que à virtude divina. Por isso, foi eficacíssimo argumento para a divindade o fato de ter melhorado todo o mundo, sem auxilio do poder secular.
     
 
(Contr., 4, 55)
      
 (P. D. Mézard, O. P., Meditationes ex Operibus S. Thomae.)

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