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CAMPANHA DE ROSÁRIOS PELAS ELEIÇÕES

 

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Dom Anjo Ferreira da Costa OSB

Dom Anjo Ferreira da Costa OSB

Apresentado por Dom Lourenço Fleichman OSB

 

Nascido em Volta Redonda (RJ)  em 5 de junho de 1965 (batizado José Antônio)

Professo beneditino em 1990 (Mosteiro da Santa Cruz)

Sacerdote em 11 de fevereiro de 1995

Enviado à França como Prior do novo mosteiro de Bellaigue em 1999

Falecido em 9 de março de 2008, aos 42 anos, no 1º Domingo da Paixão, festa de Santa Francisca Romana, oblata beneditina que via o seu Anjo da Guarda.

*

Era a terça-feira 4 de março. No silêncio do claustro de Bellaigue o cortejo de monges avança pelos corredores mergulhados na paz. Em cada mão uma luz, uma candeia acesa, em cada voz uma oração, um canto de louvor:

 

 

Vexilla Regis pródeunt
Fulget Crucis mysterium
Quo carne carnis Conditor
Suspensus est patibulo

Avança o estandarte do Rei
Brilha o mistério da Cruz
Na carne é pendurado
o Criador da carne

Assim vão cantando os trinta monges, como tantas vezes processionaram pelo claustro do mosteiro. Podia ser no mês de Maio, para a Virgem Maria, ou na Páscoa, o canto do Salve Festa Dies... mas desta vez, eles caminham em direção à cela do Prior, Dom Anjo. No final do cortejo, um dos padres vestido com a pluvial e véu humeral, carrega ao peito o Santíssimo Sacramento, cercado pelas velas dos acólitos, pelo sininho que canta, ele também, seu som de bronze anunciando a passagem do Senhor. Não estou romanceando, não descrevo um ritual medieval. Estas coisas aconteceram naqueles dias, e ainda se ouve sob as abóbadas e arcos da velha abadia o eco longínquo daquela canto maravilhoso. Entram na cela e são recebidos por um anjo enfraquecido por quase um ano de combate contra a doença cruel. Ei-lo, este Jacó guerreiro, que após passar toda a noite lutando com o anjo, é ferido de morte para elevar-se ao céu. Dom Anjo recebe piedosamente o Santo Viático, este sacramento dos viajantes, que a Igreja, em sua bondade maternal, reserva para seus filhos que partem para a derradeira viajem.

Accipe, frater, Viáticum Corporis Domini nostri Jesu Christi, qui te custodiat ab hoste maligno et perducat in vitam aeternam. Amén. Recebei, irmão, o Viático do Corpo de Nosso Senhor Jesus Cristo, para que Ele te proteja do inimigo maligno e te conduza à vida eterna. Amén.

Tendo comungado, Dom Anjo dirige suas últimas palavras à comunidade de irmãos que ele, tão cedo, recebera como filhos para cuidar, para levar no caminho da santidade. Os leitores mais assíduos terão lido as palavras que escrevi sobre a morte de Dom Gérard. Pois foi dado a este jovem monge brasileiro ocupar o lugar vazio deixado pela queda do Barroux. Dom Anjo conquistou os franceses com sua humildade alegre, sua extrêma caridade para com todos e esta paz interior que é o apanágio das almas puras.

Eu não estava lá, mas é como se estivesse, tamanha a impressão que deixou nos corações aquelas palavras sublimes, elevadas, de um anjo ferido de morte. Pelo relato de dois irmãos com quem tive o privilégio de falar ao telefone, percebi o que significou aqueles poucos minutos em torno do Prior agonizante. E esta impressão, tão cedo não será apagada da comunidade dos monges beneditinos de Bellaigue.

 

Dom Anjo à esquerda na visita que nos fez em 2006.
Ao fundo os irmãos Maria e Michel, da comunidade de Bellaigue

 

Assim morrem os santos. Assim é uma morte "em odor de santidade". Seu sacrificio foi aceito e abriu-se a porta do Céu.

Aqui ficamos nós, rezando nosso Réquiem por sua alma; lá, do outro lado da eternidade, existe um sorriso materno, um véu que esconde, um manto que cobre e em algum momento da eternidade, uma Rainha que se levanta do Trono, a mãe que vem receber seu  filho para introduzi-lo na luz da glória, junto ao Trono de Jesus. Vá, Anjo de Deus, filho de São Bento, parte desta vida, como nos convida o Ritual dos mortos, parte desta vida e olhe por nós que ainda temos aqui uma vida para sofrer.

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