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Espiritualidade (146)

Sexta-feira das Têmporas do Advento

Comentário de Sto Ambrósio sobre Lc.1,39-47

Costuma ser admitido por todos que para se exigir a fé deve-se apresentar motivos válidos. Assim o anjo, ao anunciar os mistérios escondidos, para motivar a fé, anunciou à Virgem Maria que uma mulher idosa e estéril havia concebido, indicando que Deus pode tudo o que lhe agrada. Quando ouviu isso, não como incrédula diante do oráculo, nem desconfiando do mensageiro, nem duvidando do exemplo, mas alegre pela entrega, religiosa pelo encargo, apressada pelo gozo, parte Maria para a montanha. Para onde parte ligeira, já cheia de Deus, senão para as alturas? A graça do Espírito Santo ignora o peso da lentidão.

São Lourenço, Segundo Padroeiro da Capela

São Lourenço foi escolhido como padroeiro secundário da Capela Nossa Senhora da Conceição, por causa de sua presença na fundação da cidade de Niterói, antiga Aldeia de S. Lourenço dos Indios. A primeira igreja construída na cidade ainda hoje é visitada. Construída pelos índios, sob o comando do beato José de Anchieta, que encenou nos seus átrios o Auto de São Lourenço, que citamos a seguir.

 

 

 Beato  José de Anchieta
Auto de São Lourenço, Ato I

 Pois teu amor, pelo meu
Tais prodígios consumou,
Que eu, nas brasas onde estou,
Morro de amor pelo teu.

 Por Jesus, meu Salvador,
Que morre por meus pecados,
Nestas brasas morro assado
Com fogo do seu amor.

Sermão sobre o jejum

O que pode ser mais eficaz do que o jejum? Por sua observância nos aproximamos de Deus e, resistindo ao diabo, triunfamos da sedução dos vícios. O jejum sempre foi um alimento para a virtude. Da abstinência, enfim, procedem os pensamentos castos, a vontade reta, conselhos saudáveis; e pela mortificação voluntária do corpo, damos morte à concupiscência da carne, renovando o espírito pela prática das virtudes.

Mas como a salvação de nossas almas não é conquistada apenas pelo jejum, completemo-lo pela misericórdia para com os pobres. Seja abundante em generosidade o que retiramos ao prazer; que a abstinência dos que jejuam reverta para o alimento dos pobres. Pensemos na defesa das viúvas, no socorro dos órfãos, na consolação dos que choram, na paz aos revoltosos. Que o peregrino seja recebido, que o oprimido seja ajudado, que o nu seja vestido, que o doente seja curado, a fim de que, todos os que oferecerem o sacrifício de nossa piedade, por estas boas obras, a Deus, autor de todos estes bens, mereçam receber Dele, o prêmio do Reino Celeste.

Sermão sobre a Quaresma

Sermão acerca da tentação de Nosso Senhor no deserto (S. Mateus 4, 1-11)
 

Sobre a Paixão do Senhor [Sermão LVII]

INTRODUÇÃO DA REVISTA "A ORDEM"
 
 
O sermão que hoje publicamos como precioso alimento para estes dias sacratíssimos da Quaresma em que, na alegria do Espírito Santo esperamos a Páscoa do Senhor, é um dos dezenove sermões do santo Papa que estão colecionados nas edições impressas como “Sermões sobre a Paixão”1. Pelas suas primeiras palavras, vê-se que é precedido de um outro. Esta circunstância não prejudica porém a sua unidade, pois forma por si só um todo independente; foi pronunciado numa quarta-feira da Semana Santa e o sermão anterior a que alude, no domingo precedente.

  1. 1. Migne Latino, vol. LIV.

Sermão de mortalitate

“Viver é Cristo, e o morrer é lucro". Assinalamos a impressionante firmeza com que o santo bispo exorta seus fiéis a terem uma atitude sobrenatural, movida pela fé e pelas demais virtudes infusas, diante dos acontecimentos da vida. Que seja lição para nós, mais do que nunca apegados a um mundo cheio de atrativos e prazeres.
 
A divisão em capítulos segue o publicado na Patrologia de Migne.
 

 

O Fiel depositário

É opinião generalizada e sentir comum entre os homens que o depósito, isto é, um bem que recebemos para guardar, tem qualquer coisa de sagrado e que o devemos conservar para quem no-lo confia não somente por fidelidade mas por uma espécie de sentimento religioso. Por isso o grande Santo Ambrósio nos ensina no livro 29 de seus Ofíciosque era piedoso costume estabelecido entre os fiéis o de trazer aos bispos e a seu clero aquilo que se queria guardar com mais cuidado, para que fosse colocado junto ao altar, em virtude da santa persuasão em que estavam de que não havia melhor lugar para guardar um tesouro do que aquele ao qual o próprio Deus confiou a guarda dos seus, isto é, os santos mistérios.

 

Comunitarismo em lugar da Comunhão dos Santos

 

Creio na Comunhão dos Santos, dizemos no Símbolo dos Apóstolos, que foi o primeiro compêndio de Sagrada Doutrina produzido pelo magistério infalível da Igreja de Cristo. Neste nono artigo do Credo, o objeto da fé revelada é a Comunhão dos Santos, união sobrenatural que existe entre todos os membros da Igreja. Pelos dons de graças que nos vêm do Pai, que para nós transbordaram na Paixão de Cristo, e que em nós operam pelo Espírito Santo, somos todos santos, vocatis sanctis (Rom. I, 7), e unidos formamos um povo santo (I Ped. II, 9). Fomos eleitos por Deus para sermos santos (Ef. I, 4). Ainda que não tenhamos chegado à união transformante que nos dá o direito pleno de dizer, como Paulo, “vivo eu? não! vive o Cristo em mim”, somos desde já participantes desse dinamismo do Corpo Místico, e desde já atuantes na Comunhão dos Santos como operários e como usuários. O primeiro e principal efeito da Comunhão dos Santos é o de tornar os bens espirituais da Igreja comuns a todos os seus membros, e consequentemente o de nos tornar responsáveis em vista do bem comum do povo santo. Unidos pelos vínculos da caridade, vivificados pelo mesmo Sangue, devemos ter bem presente em nossa consciência a idéia da reversibilidade dos méritos e deméritos que decorre da associação em que Deus entrou primeiro com o Sangue de Seu Filho. Devemos saber constantemente que tudo o que fizermos em consonância com a vontade de Deus será lucro comum cuja misteriosa aplicação se realiza dentro da Igreja por ministério dos homens e dos anjos, e tem dimensões de eternidade que ultrapassam todas as cronologias humanas. Podemos assim imaginar, sem sombra de fantasia, que a oração de uma contemplativa que ainda não nasceu, estará diretamente associada aos favores de Deus na vitória de Lepanto, ou no relâmpago de contrição que num segundo, entre o bordo e o abismo, salvou a alma de um suicida; e também podemos pensar que alguma alma desgarrada hoje se salva por intercessão de um grito de Santa Catarina: Gesú dolce, Gesú amore. Mas também, ai de nós, devemos saber conscientemente, constantemente, que cada pecado nosso é um desfalque que cometemos contra todos. E assim como nos apraz pensar que possamos estar direta e pessoalmente associados a uma salvação, convém temer e tremer pela possibilidade de estarmos direta e pessoalmente associados a uma perdição. Terrível e maravilhosa é essa organização sobrenatural que eleva à máxima potência a troca de favores, e à máxima potência a responsabilidade das faltas. Na verdade, para sermos dignos membros do Corpo que se anima com a Graça de Deus devemos ser perfeitos, isto é, devemos ser santos no sentido mais estrito que damos ao termo, quando nos referimos, por exemplo, à necessidade e ao valor do culto de veneração pelos santos que estão no Céu, e que a Igreja nos oferece como modelos mais próximos, e como intercessores que, mesmo na Glória, guardam transfiguradas a ciência e a lembrança de toda a humana miséria.
 

No Sangue

O último artigo entregue por Gustavo Corção ao GLOBO foi publicado com o noticiário sobre sua morte. O texto a seguir, embora estivesse concluído, só foi encaminhado à redação após a morte do escritor, por seus colaboradores.

 

Maria, a nova Eva

Dizemos tudo o que é preciso, ao menos em substância, em relação a Nossa Senhora, quando pronunciamos as duas primeiras invocações da Ladainha: Santa Mãe de Deus, Santa Virgem das Virgens. As palavras Mãe de Deus designam a dignidade única da maternidade divina que situa Nossa Senhora imediatamente depois do Verbo encarnado, seu próprio Filho, acima portanto, de todos os bem-aventurados e de todos os anjos. A precisão Santa, posta antes de Mãe de Deus, nos adverte que Maria foi dignamente preparada para sua missão por uma plenitude de graças e de santidade; que ela preencheu dignamente esta missão com toda consciência e caridade e que fez sua vontade de redenção que lhe manifestara seu Filho desde a visita do arcanjo.
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