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Índice de autores

Considerações sobre o Amor Próprio

Retomamos aqui o fio das considerações tecidas em torno da irreligiosidade de nosso tempo e bem arrematadas, queremos crer, pelas vigorosas palavras do glorioso concílio ecumênico Vaticano I. Seguindo outra direção começaremos hoje pelas vicissitudes humanas na porta fechada do paraíso perdido pelo pecado de nossos primeiros pais.

Amor, casamento, divórcio

 

 

Se eu asseverar que existem muitos casais infelizes, e que o número deles tende a crescer, tornando-se uma componente considerável de nossa crise social, creio que ninguém exigirá de mim as estatísticas comprovantes. Há certas coisas que saltam aos olhos; e tenho para mim que a maioria dos inquéritos e dos levantamentos estatísticos só serve para mostrar, com o adorno das cifras, o que todo o mundo está cansado de saber. Chego até a pensar que muitas dessas pesquisas sociológicas são movidas por um gosto semi-consciente de desvalorizar o bom-senso, ou de levar ao descrédito os mais elementares princípios. No caso vertente, e para descobrir que as famílias estão funcionando mal, eu não preciso andar de porta em porta com um impertinente questionário. Basta-me observar a rua, os bondes, os cafés, para poder concluir que as casas já não retêm as pessoas. A febre nas ruas prova a agonia das casas. E como a felicidade conjugal está vinculada à casa, ao equilíbrio, ao poder de retenção da casa, posso deduzir do aspecto publicado nas ruas as infelicidades escondidas nas casas.

 

"Sou amigo de estrelas"

Foi num pára-choque de caminhão que li ontem estas palavras líricas. Entusiasmado, respondi com meus botões: Também eu! Também eu! E num arroubo de saudades, senti-me com cinco anos de idade, num jardim da Glória, entre outros meninos. Seria noite de janeiro e o céu resplandecia.

Prefácio

 

Observai-me, agora, pelo quarto ano, a preparar-me para a morte. Tendo-me retirado dos negócios do mundo a um lugar de repouso, entrego-me à meditação das Sagradas Escrituras, e a escrever os pensamentos que me ocorrem nas meditações, para que, se já não posso ser de utilidade pela palavra de boca, ou pela composição de volumosas obras, possa ao menos ser útil a meus irmãos por meio destes piedosos livrinhos. Enquanto refletia, então, em qual seria o tema preferível tanto para me preparar para a morte como para ajudar os outros a viver bem, ocorreu-me a Morte de Nosso Senhor, junto com o último sermão que o Redentor do mundo pregou da Cruz, como dum elevado púlpito, à raça humana. Este sermão consiste em sete curtas mas profundas sentenças, e nestas sete palavras está contido tudo o que Nosso Senhor manifestou quando disse: “Eis que vamos para Jerusalém, e será cumprido tudo o que está escrito pelos Profetas relativo ao Filho do homem” 1. Tudo o que os Profetas predisseram acerca de Cristo pode ser reduzido a quatro títulos: seus sermões à gente; sua oração ao Pai; os grandes tormentos que suportou; e as sublimes e admiráveis obras que realizou. Tudo isto se verificou de modo admirável na Vida de Cristo, pois Nosso Senhor não podia ser mais diligente ao pregar ao povo. Pregava no templo, nas sinagogas, nos campos, nos desertos, nas casas, e, mais ainda, pregava até dum barco à gente que estava na margem. Era costume seu passar noites em oração a Deus, pois assim diz o Evangelista: “e estava passando toda a noite em oração a Deus” 2. Suas admiráveis obras, ao expulsar demônios, curar doentes, multiplicar pães, aplacar as tormentas, ler-se-ão em cada página dos Evangelhos3. Ainda assim, foram muitas as injúrias que se acumularam sobre Ele, como resposta ao bem que fizera. Consistiam tais injúrias não só em palavras insolentes mas também em lapidá-lo4 e despenhá-lo5. Em uma palavra, todas estas coisas verdadeiramente se consumaram na Cruz. Sua pregação da Cruz foi tão poderosa, que “toda a multidão [...] retirava-se, batendo no peito” 6, e não só os corações humanos mas até as rochas se fizeram em pedaços. Ele orou na Cruz, como diz o Apóstolo, “com grandes brados e com lágrimas, preces e súplicas”, sendo, assim, “atendido pela sua reverência” 7. Sofreu tanto na Cruz, em comparação com o que sofrera no restante de sua vida, que o sofrimento parece pertencer somente à sua Paixão. Finalmente, nunca operou maiores sinais e prodígios do que quando, na Cruz, parecia reduzido à maior fragilidade e fraqueza. Então não só manifestou sinais do céu, que os judeus tinham pedido até ao fastio, senão que, um pouco depois, manifestou o maior de todos os sinais.
 
  1. 1. Lc 18,31.
  2. 2. Lc 6,12.
  3. 3. Mt 8; Mc 4; Lc 6; Jn 6.
  4. 4. Jo 8.
  5. 5. Lc 4.
  6. 6. Lc 23,48.
  7. 7. Hb 5,7.

As sete palavras de Cristo na Cruz (trad. em andamento)

Livro de S. Roberto Bellarmino

Tradução: Permanência

Art. 2 — Se todos os seres estão sujeitos à providência divina.

(Infra, q. 102, a. 5; I Sent., dist. XXXIX, q. 2, a. 2; III Cont. Gent., cap. I, LXIV, LXXV, XCIV; De Verit., q. 5, a. 2" sqq.; Compend. Theol., cap. CXXIII. CXXX, CXXXII; Opusc. XV. De Angelis, cap. XIII, XIV, XV; De Divin. Nom. cap. III. lect. I).
 

Art. 1 — Se a providência convém a Deus.

(I Sent., dist. XXXIX, q. 2; De Verit., q. 5, a. 1, 2).
 
O primeiro discute-se assim. — Parece que a providência não convém a Deus.
 

Questão 22: Da providência de Deus

Depois de havermos tratado do que pertence absolutamente à vontade, devemos passar a tratar do que concerne simultaneamente ao intelecto e a vontade, a saber: da providência, a respeito de todos os seres; da predestinação, da reprovação e do que delas depende, em relação especialmente ao homem, em ordem à salvação eterna. Pois, a ciência moral, após tratar das virtudes morais, trata da prudência, à qual pertence à providência.

IIIa pars

 O Senhor Jesus Cristo, Salvador nosso, salvando o seu povo dos pecados deles, conforme o testemunho do anjo (Mt 1, 21), se nos mostrou como o caminho da verdade, pelo qual pudessemos, ressurgindo, chegar à beatitude da vida imortal. Por isso, havemos necessariamente de, para esgotar toda a matéria teológica, passar a tratar do Salvador de todos, em si mesmo considerado, e dos benefícios que fez ao gênero humano, depois que já examinamos o fim último da vida humana e estudamos as virtudes e os vícios.

E neste assunto devemos tratar, primeiro, do Salvador, em si mesmo; segundo, dos seus sacramentos, pelos quais alcançamos a Salvação; terceiro, do fim da vida imortal, à qual, por meio dele, chegaremos, pela ressurreição.
Em relação ao primeiro ponto, duas considerações temos a fazer. A primeira, sobre o mistério mesmo da Encarnação, pelo qual Deus se fez homem, para a nossa salvação. A segunda, das ações e dos sofrimentos do nosso Salvador, i. é, do Deus encarnado.

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