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Índice de autores

Grandeza e miséria da metafísica

 

1. Poder-se-ia pensar que a metafísica, nas épocas de impotência especulativa, brilha ao menos pela modéstia. Mas a mesma época que lhe ignora a grandeza ignora-lhe também a modéstia. Sua grandeza: ser sabedoria. Sua miséria: ser ciência humana.

O valor infinito de cada Missa oferecida por Nosso Senhor

Sabemos que o Salvador é o Padre principal do sacrifício da Missa, e que a oblação interior que foi a alma do sacrifício da Cruz, dura para sempre no Coração do Cristo que quer nossa salvação. É assim que Ele se oferece a si mesmo em todas as missas que, em cada dia, são celebradas. Qual é o valor de cada uma dessas? É preciso que se tenha uma idéia justa para se unir mais intimamente cada dia ao santo sacrifício e receber seus frutos mais abundantemente.
 
Ensina-se comumente na Igreja que o Sacrifício da Missa, considerado em si mesmo, tem um valor infinito, mas que o efeito que produz em nós, por mais elevado que seja, é proporcionado às nossas disposições interiores. São estes os dois pontos de doutrina que convém explicar.
  

A Missa e a morte

Podemos aprofundar-nos, de modo abstrato e especulativo, na doutrina cristã e católica do sacrifício da missa; igualmente, podemos fazê-lo de modo concreto e vivido, unindo-se à oblação do Salvador de forma pessoal e, mais particularmente, fazendo por antecipação o sacrifício da própria vida, para obter a graça de uma morte santa.

Sobre a Sexta Palavra de Cristo na Cruz

Introdução

Explicação Literal da Sexta Palavra: “Está tudo consumado”.

Prezado amigo Corção

Rio, 25 de março de 1965.

 

Gustavo Corção e Eu

Desde que eu soube que Gustavo Corção ia completar 75 anos, comecei a querer escrever algumas palavras em que lhe demonstrasse mais do que minha admiração — o meu afeto e a gratidão que sinto

Tudo em Corção é amor

Outra figura brasileira consagrada pelos palavrões: - Gustavo Corção. Ninguém diria, de maneira sucinta e inapelável: "É uma besta!" Bem que as esquerdas gostariam que o fosse.

Um brasileiro que usa boina

Vivemos num mundo que rasga tratados, que ignora juramentos, que despreza compromissos. Em nome de uma “civilização futura” cujos contornos não se pode prever procura-se desmoralizar a civilização passada, como se no passado não se contivesse o germe do futuro.

Civilizar é obra de gerações. Destruir tudo para começar tudo de novo é correr o risco de uma queda no primitivismo, na barbárie.

Esses conceitos óbvios ora sofrem contestação inconseqüente num século em que a “promotion”, o jogo de aparências como que pretendem esmagar as essências.

Reina a moda em todos os setores não apenas no da indumentária. As idéias converteram-se em tributárias da “onda”. Variam como as coleções dos costureiros parisienses. A busca sôfrega do que se apelida de novo é uma fábrica de doidos estereotipados.

Fácil é avaliar como tal clima favorece a ascensão dos moedeiros falsos. As artes, as letras e mesmo as ciências foram invadidas por esses travestis que se fazem passar por algo que jamais poderão encarnar com naturalidade.

Se em qualquer época homens fiéis são a base de tudo, hoje, com a raridade, esses espécimes tornam-se ainda mais preciosos diante da legião dos inimigos dos valores eternos, que se infiltram, por todas as brechas.

“O juramento é aquilo que nos diferencia, já não digo dos selvagens, mas das bestas e dos répteis”. A frase é de Chesterton, que Gustavo Corção assim comenta: “Aí está a idéia a que me refiro. Diz respeito à promessa, ao juramento, ao voto, ao pacto, à aliança, à palavra dada. Trata-se, em suma, da fidelidade, desse elemento dual e primeiro, que é a própria base do direito, e sem o qual o homem, com todas as suas maravilhosas e orgulhosas conquistas seus navios aéreos, seu radar e sua bomba atômica se tornará um bárbaro”.

A batalha da fidelidade confunde-se com a luta contra a barbárie, combate esse prioritário para a civilização. Mas a infidelidade como que vai arrombando todas as portas até mesmo, paradoxalmente, as da fé.

Por isso, a presença na liça de homens como Gustavo Corção é duplamente preciosa: pelo valor real que o sábio católico armazena consigo e que ninguém isentamente lhe poderá negar, e pela necessidade premente de cruzadas como a sua.

Num período em que membros da Igreja Católica não conseguem estabelecer uma distinção clara entre a indispensável atualização e a execrável traição, a palavra de Corção cresce em importância.

“Vivemos hoje num mundo que tenta afirmar a soberania do homem, e até a sua divinização já que sem deuses não sabemos viver. E é tão insolente essa idolatria que já se pode falar em perseguição do cristianismo. A Igreja está intimada a adorar o mundo”. (Corção, “Dois Amores, Duas Cidades”).

Num mundo em que os profetas do marxismo procuram implantar a destruição de todos os valores em nome de um sistema totalitário escravizador, o apostolado de Corção converte-se numa fortaleza da desmistificação.

Gustavo Corção, o brasileiro que no inverno usa boina, é um homem-farol. Sua lâmpada mostra os caminhos com espantosa clareza.

Há trinta anos morria Gustavo Corção

Estava eu pensativo sobre este aniversário, lembrando dos tempos de Gustavo Corção, lembrando dos tempos em que ele fazia parte do meu mundo de criança e de adolescente.

Capítulo 2: O primeiro fruto que se há de colher da consideração da primeira Palavra dita por Cristo na Cruz

Tendo dado o significado literal da primeira palavra dita por Nosso Senhor na Cruz, nossa próxima tarefa será esforçarmo-nos para recolher alguns de seus frutos mais preferíveis e vantajosos. O que mais nos impressiona na primeira parte do sermão  de Cristo na Cruz é sua ardente caridade, que arde com fulgor mais brilhante que o que possamos conhecer ou imaginar, de acordo com o que escreveu São Paulo aos Efésios: “e conhecer também aquele amor de Cristo, que excede toda a ciência” 1. Pois nesta passagem o Apóstolo nos informa, pelo mistério da Cruz, como a caridade de Cristo ultrapassa nosso entendimento, já que se estende para além da capacidade de nosso limitado intelecto. Pois quando sofremos qualquer dor forte, como uma dor de dente, ou uma dor de cabeça, ou uma dor nos olhos, ou em qualquer outro membro do corpo, nossa mente está tão atada a isto, que se torna incapaz de qualquer esforço. Então não estamos com humor para receber os amigos nem para continuar com o trabalho. Mas, quando Cristo foi pregado na Cruz, usou seu diadema de espinhos, como está claramente expresso nos escritos dos antigos Padres; por Tertuliano, entre os Padres latinos, em seu livro contra os judeus, e por Orígenes, entre os Padres gregos, em sua obra acerca de São Mateus; e portanto se segue que Ele não podia mover a cabeça para trás nem movê-la de um lado para o outro sem dor adicional. Toscos cravos lhe sujeitavam as mãos e pés, e, pela maneira como lhe dilaceravam a carne, ocasionavam doloroso e longo tormento. Seu corpo estava desnudo, desgastado pelo cruel flagelo e pelo intenso ir-e-vir, exposto ignominiosamente à vista do vulgo, aumentando por seu peso as feridas nos pés e mãos, numa bárbara e contínua agonia. Todas estas coisas combinadas foram origem de muito sofrimento, como se fossem outras tantas cruzes. Não obstante, ó caridade, verdadeiramente a ultrapassar nosso entendimento, Ele não pensou em seus tormentos, como se não sofresse, não estando solícito senão à salvação de seus inimigos, e, desejando cobrir-lhes a pena dos crimes, clamou fortemente a seu Pai: “Pai, perdoa-lhes”. Que teria feito Ele se esses infelizes fossem as vítimas de uma perseguição injusta, ou se tivessem sido seus amigos, seus parentes, ou seus filhos, e não seus inimigos, seus traidores e parricidas? Verdadeiramente, ó benigníssimo Jesus! vossa caridade ultrapassa nosso entendimento. Observo vosso coração no meio de tal tormento de injúrias e sofrimentos, como uma rocha no meio do oceano que permanece imutável e pacífica, ainda que as ondas choquem furiosamente contra ela. Pois vedes que vossos inimigos não estão satisfeitos com infligir ferimentos mortais a Vosso Corpo, senão que têm de escarnecer-vos a paciência, e uivar triunfalmente com os maus tratos. E os olhais, digo eu, não como um inimigo que mede o adversário, mas como um Pai que trata com os extraviados filhos, como um médico que escuta os desvarios de um paciente que delira. Vós não estais aborrecido com eles, mas os compadeceis, e os confiais ao cuidado de Vosso Pai Todo-poderoso, para que Ele os cure e os deixe inteiros. Este é o efeito da verdadeira caridade, estar de bem com todos os homens, não considerando nenhum como inimigo, e vivendo pacificamente com aqueles que odeiam a paz.

  1. 1. Ef 3,19.
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