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Índice de autores

A esperança

 

Meditemos diante de Deus, e demoremo-nos na consideração de Seus dons.
 
Pelo leite e pelo sangue da Sagrada Doutrina, sabemos que para vivermos cristãmente, isto é, para nos entregarmos totalmente aos trabalhos do Espírito, que opera em nós a modelagem do divino exemplar, para assim podermos voltar ao Pai, precisamos possuir órgãos, forças, faculdades espirituais que só Deus pode dar, e sem as quais todos os nossos esforços se perderiam em disparates e confusão.
 

As duas vontades

Esta semana, compelido à busca de alguns textos em vista de um estudo que ainda sonho escrever, passei-a quase toda a ler os autores antigos: o Pe.Garrigou Lagrange, o Pe. Gardeil, e a incomparável Doutora Santa Teresa de Jesus em cujas páginas não encontrei o texto exato que procurava, mas encontrei o que não procurava, e que mais me valeu do que se tivesse alcançado aquilo que por deliberação própria procurava. Aproveito para recomendar, na leitura das coisas sábias e santas, este método da falta de método.

Bula Quo Primum Tempore

O texto que apresentamos a seguir é a tradução da Bula Quo Primum Tempore, do Papa São Pio V, datada de 14 de julho de 1570. Poucos são os documentos pontifícios que apresentam tamanho vigor, clareza, determinação. E isso tudo, para proteger a Santa Missa dos ataques dos inimigos.

Pilatos

Encaminha-se de casa de Caifás toda a multidão, juízes e servos, arrastando a Jesus para o pretório de Pôncio Pilatos, governador romano. Ao sair de Efraim tinha dito Nosso Senhor: “Vamo-nos a Jerusalém, onde o Filho do Homem tem de ser entregue aos chefes sacerdotes e aos doutores da Lei, que o hão de condenar à morte, e desampará-lo aos pagãos”. Alumiando todos os pormenores deste suplício hediondo, como se nos desvenda a majestade divina à luz das profecias?

Reminiscências astronômicas

 

Foi no terceiro ano da Escola que voltei à astronomia. Em 1918? Creio que sim. Mas não era à poética astronomia dos anéis de Saturno ou da nebulosa espiral de Andrômeda que eu voltava, e sim à geometria e abstrata, que toma as estrelas como pontos de referência para determinar as coordenadas geográficas. O símbolo se impõe: quando queremos saber com firmeza onde pisamos, devemos erguer os olhos para o céu.
 

Um único holocausto agradável a Deus

Os dias vão passando e já avançamos mar adentro nas águas da Santa Quaresma. Mesmo se muitos ainda não se dispuseram a incluir no seu dia a dia alguma mortificação, lembranças efêmeras da vida mortificada dos primeiros cristãos, outros já começam a tirar proveito espiritual e material pelos pequenos sacrifícios oferecidos generosamente diante do altar. Durante quatro semanas a Igreja nos convida a esvaziarmos nosso coração dos apegos à nossa vontade própria, às amarras múltiplas que nos prendem a esta vida, de modo a deixar espaço ao que vem pela frente.

Tudo é pó

Abordando o problema da matéria sob o ponto de vista do Uno e do Múltiplo, que para William James, acompanhado de Paul Grenet, é um dos testes cruciais do pensamento filosófico, chegaremos à conclusão de que o materialismo fica embaraçado, não diante da hipótese de Deus e de anjos, mas justamente diante da mobilidade do ser que, nos dizeres dessa filosofia, tem a hegemonia do Universo. É o próprio ens mobile que deixa o materialista tonto e que o obriga logicamente a seguir o caminho do mecanicismo, que nega a mudança intrínseca e profunda, concedendo apenas a mobilidade extrínseca, enquanto, no lado extremo do problema o espiritualista Bergson, que libertou Maritain e Raissa da opressão do empirismo, afirma que a mudança completa e profunda é a principal e até a única realidade.

De profundis

Sempre desejei escrever um estudo, um ensaio, um livro, para mostrar, aos que se escandalizam com os desconcertos do mundo, que é esse turbado espetáculo o melhor encaminhamento para uma demonstração da existência de Deus. Não pretendo ter achado uma nova via demonstrativa além das clássicas cinco vias da Escola. Penso apenas que aquele caminho, contraparte ou avesso do argumento baseado na harmonia do mundo, é o mais indicado para nossos tempos de paradoxos e crises. Talvez seja um remédio bom para todas as épocas, a julgar pela ênfase com que a idéia aparece no Antigo e no Novo Testamento. o livro do Eclesiastes, por exemplo, é uma longa demonstração, por absurdo, da transcendência da sorte humana e da existência de Deus, pois se ficamos nos limites traçados "sub sole", nos limites dos horizontes terrestres, a vida se torna inteiramente absurda. os grandes salmos, as grandes antíteses paulinas, tudo nos leva a crer que talvez seja a estrada real para Deus o escuro caminho das tribulações que desemboca no fundo dos abismos.
 

O viúvo viu a ave

 

Fiquei então convencido, nesse tempo, de que o mundo estava torto, intencionalmente torto, por malícia humana, para benefício exclusivo da detestada classe burguesa. Não havia tragédia nem mistério de iniqüidade, o que havia era trapaça. Um jeito que se lhe desse e o mundo endireitaria. O erro, sem dúvida alguma, continuaria a existir, mas com aquele caráter que tem na técnica: erro de detalhe, pequeno, estimulante, de cujo desgaste a evolução se encarregaria.
  

Grandeza e miséria da metafísica

 

1. Poder-se-ia pensar que a metafísica, nas épocas de impotência especulativa, brilha ao menos pela modéstia. Mas a mesma época que lhe ignora a grandeza ignora-lhe também a modéstia. Sua grandeza: ser sabedoria. Sua miséria: ser ciência humana.

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